Ma ria H e le n a Maia , Ale xa n d ra Card o s o e J o a n a Cu n h a Le al
A ‘ARQU ITECTU RA POPU LAR EM PORTU GAL’. U MA LEITU RA CRÍTICA
RELATÓRIO FIN AL
1 d e Abril d e 2 0 10 – 3 0 d e J u n h o d e 2 0 13
Ín d ice
I. Ap re s e n ta çã o ……… 4
II. Ta re fa s Tarefa 1: Início da investigação ………. 6
Tarefa 2: Recolha e tratam ento de dados ……….. 9
Tarefa 3: Viagens de trabalho de cam po ……….… 12
Tarefa 4: Conclusões provisórias ………. 13
Tarefa 5: Encontro Científico ………. 15
Tarefa 6: Preparação do trabalho de cam po ……… 21
Tarefa 7: Trabalho de cam po ……….…… 22
Tarefa 8 : Desenvolvim ento teórico e m apas ……….…….…. 26
Tarefa 9: Relatórios ……….... 46
III. Re s u lta d o s Apresentação ………. 51
Com unicações ………..… 52
Publicações ………. 54
Organização de encontros científicos ………. 57
Exposições ……….. 57
IV. Eq u ip a Equipa ………. 58
Colaboradores ……… 58
I. APRES EN TAÇÃO
O projeto de in vestigação que n os propusem os desenvolver cen tra-se no estudo
crítico do volum e Arquitetura Popular em Portugal, publicado em 1961 pelo
Sin dicato dos Arquitetos.
A escolha desta obra passou n ão só pelo facto de con stituir um m arco n a
história da cultura arquitetón ica portuguesa m as tam bém porque con sideram os
que a sua an álise crítica m an tém toda a sua oportun idade, agora que o tem a dos
vern áculos e region alism os torn ou a en trar n o âm bito das discussões
profission ais.
No en tan to, n ão se tratou de estudar a obra de m an eira isolada, em si m esm a e
por si m esm o, um a vez que defendem os o seu estudo n um quadro pon derado e
em con stan te diálogo com elem entos teóricos subjacen tes à expressividade
própria de algum as das lin guagens eruditas m odern as.
Efetivam ente, as hipóteses de estudo em que este projeto apostou e que Pedro
Vieira de Alm eida caracterizou com o parâm etros em surdin a, são apen as duas
que acabam por se revelar com plem entares, e acreditam os que m uito
determ in an tes.
Em prim eiro lugar a n oção da im portân cia genérica da m aior ou m en or
espessura das paredes que delim itam a arquitetura, con form an do aquilo que
podem os cham ar por um lado um a poética de paredes delgadas e por outro
um a poética de paredes espessas.
Em segun do lugar a n oção da im portân cia do espaço-transição na geral
Neste trabalho servim o-n os portan to de duas varáveis an alíticas com o
instrum en tos fiáveis de an álise, em que essa fiabilidade tam bém é ela própria
posta à prova e para isso com o m aterial base de estudo servim o-n os de
exem plos da cham ada arquitetura “vern ácula” em Portugal.
Paralelam en te, im portou com preen der o papel do In quérito à Arquitetura
Region al n o con texto da cultura arquitetón ica portuguesa e in tern acion al e
con tribuir para a con strução do con hecim ento das problem áticas
historiográficas e críticas em que o m esm o se en con tra im plicado.
Um a explicação m ais detalhada do pon to de partida deste projeto foi publicada
n o que cham am os o Docum en to Zero (Pedro Vieira de Alm eida, 20 10 )
De registar ain da qu e, em Setem bro de 20 11 a equipa e o projeto foram
seriam ente abalados com a m orte do seu in vestigador respon sável.
Para além do abalo que provocou do pon to de vista afetivo, o desaparecim en to
de Pedro Vieira de Alm eida veio em pobrecer o desenvolvim ento do trabalho,
um a vez que este se apoiava n a produção teórica que tin ha vin do a desenvolver
desde os an os 60 , sen do in discutivelm ente o ideólogo deste projeto.
A decisão de con tin uar o trabalho, tom ada coletivam ente pela equipa, con stituiu
o n osso m odo de o recordar e respeitar a im portân cia da sua obra.
Obviam ente, isto obrigou a um a reorgan ização profun da do trabalho, com vista
à sua con cretização com m en os um elem ento e de m odo a recuperar os m eses
en tretan to perdidos.
Isto levou à sobreposição de tarefas, in icialm ente pen sadas com o sequenciais e
que acabaram por ser executadas em sim ultân eo.
Esta situação acabou por verificar-se positiva, até porque, do pon to de vista
m etodológico, já tin ha sido detetada a n ecessidade de articular diretam ente o
trabalho desenvolvido n o terreno com a elaboração das cartas e m apas e com o
desenvolvim ento teórico do projeto, com o se explicará quan do da apresen tação
Por outro lado, desta n ecessidade resultou que a redação da fun dam en tação
teórica foi an tecipada, o que perm itiu que o trabalho fosse desen volvido em
estreita relação com a reflexão teórica e crítica en tretan to produzida por Vieira
de Alm eida, que desse m odo con tin uou presen te e ativo n o âm bito da equipa.
A deslocação do en con tro científico in tern acion al, Surv ey s on Vern acular
Architecture. Their sign ifican ce in 20 th cen tury architectural culture, de
Setem bro de 20 11 (data para que estava in icialm ente prevista) para Maio de
20 12, con stituiu o ún ico aspeto m en os feliz decorren te da reprogram ação do
projeto, um a vez que trouxe um a carga suplem en tar de trabalho a um a agen da
já bastan te carregada. No en tan to, o resultado fin al deste en con tro justificou
am plam en te a sua realização.
Por últim o, im porta registar que a docum en tação reun ida e produzida n este
projeto será depositada n o arquivo do CEAA | Centro de Estudos Arn aldo
Araújo para con sulta dos in vestigadores que n ela estejam in teressados, estan do
previsto o seu tratam en to in form ático para dispon ibilização on line n a págin a
do CEAA
II. TAREFAS
Ta re fa 1: In ício d a in ve s tiga çã o [Begin n in g of the in vestigation ]
Esta tarefa subdivide-se em duas partes: u m a prim eira parte de preparação
genérica do trabalho e um a segun da parte de preparação da docum en tação
gráfica publicada n a Arquitetura Popular em Portugal, dada a n ecessidade de
con siderar em sim ultân eo estes dois aspetos determ in an tes para o arran que do
trabalho.
A existência desta tarefa in icial foi in troduzida n o projeto por se ter, n a altura,
con siderado que a dependên cia n esta fase da adesão de entidades exteriores n ão
diretam ente con troláveis pela equipa, poderia con stituir um fator de
in determ in ação que acon selhava a estabelecer um prazo prévio de preparação
genérica do trabalho, já que poderia fazer de algum a m an eira in fletir a
program ação, ou m esm o pon tualm en te obrigar à revisão dos m étodos previstos,
o que realm ente veio a acon tecer.
Assim , o prim eiro passo foi corrigir o cron ogram a do projeto com in trodução do
desfasam en to tem poral entre a data prevista para o seu in ício (0 1.0 1.20 10 ) e
aquela em que efetivam ente com eçou (0 1.0 4.20 13).
Registe-se que este sim ples adiam ento n o in ício do projeto veio posteriorm ente
a revelar-se desestruturador da program ação de toda a vertente associada ao
trabalho de cam po, rem etendo para m eses chuvosos um a atividade prevista
para um período clim atericam ente m ais adequado ao trabalho a realizar, com o
se verá m ais à frente.
Sim ultan eam en te, foi estabelecido com todo o porm en or e rigor possíveis, um
diferentes elem entos da equipa com os n aturais com prom issos profission ais a
que cada um estava ligado.
Por outro lado, n a sequência da con statação de que n o volum e Arquitetura
Popular em Portugal n ão se verificava a com patibilização da sin alética
em pregue zon a a zon a para cada um dos tipos arquitetón icos referidos, a isto se
jun tan do a existência de zon as “cegas” e outras assim etrias m ais ou m enos
sign ificativas, estava prevista, com o já foi referido, um a segun da vertente do
trabalho preparatório in icial associada à recolha e prim eira reflexão sobre essa
docum en tação.
Esta program ação estava associada à con sciên cia de que toda essa
docum en tação tin ha de ser tratada para ser lida em con jun to, excluin do algun s
elem entos que n ão pareciam relevan tes para a in vestigação crítica que
pretendíam os e even tualm en te agregan do casos que n o In quérito são
apresen tados com o distin tos e desagregan do outros casos que n o m esm o
In quérito são con siderados den tro da m esm a categoria, quan do criticam ente
tudo sugeria que devessem ser con siderados em separado.
Nesta prim eira fase, isto im plicou o levan tam en to, an álise e tratam en to
rudim en tar da docum en tação gráfica existente com vista a perm itir um a leitura
de con jun to.
Foi ain da n esta fase que se tom aram as prim eiras decisões determ in an tes para o
desenvolvim ento futuro da in vestigação – n om eadam en te a circun scrição do
trabalho aos exem plos de habitação popular – e se procedeu à prim eira an álise
sistem ática da sin alética existente, com vista à respetiva un iform ização.
Isto é, procedeu-se a um trabalho de in terpretação crítica dos elem entos
gráficos, com eçan do a con figurar a sua justificação caso a caso n um quadro
teórico, ao m esm o tem po que se realizou um a sua prim eira in terpretação n o
plano gráfico.
Esta tarefa foi realizada plenam ente, den tro do período e n os term os previstos
Ta re fa 2 : Re co lh a e tra ta m e n to d e d a d o s [Data collection an d treatm en t]
Nesta tarefa previa a recolha de docum en tação con stan te de espólios de algun s
arquitetos, ou seja, da docum en tação associada ao In quérito rem an escen te em
espólios particulares.
Isto levou à recolha e digitalização de docu m en tação proven iente dos arquivos
fam iliares de algun s dos in tervenien tes n o In quérito, com o é o caso dos
arquitectos Octávio Lixa Filgueiras, Arn aldo Araújo e Carlos Carvalho Dias,
im portan te para a evolução do trabalho. In depen dentem ente da im portân cia
que o acesso a esta docum en tação teve para a realização deste projecto,
en con tra-se atualm en te em n egociação a possibilidade de dispon ibilizar o
acesso à m esm a através da criação de um a base de dados on line, na págin a do
Centro de Estudos Arn aldo Araújo.
Paralelam en te a este esforço m ais in dividualizado, previa-se a realização, junto
dos arquivos da Ordem dos Arquitetos, de um a ten tativa de aceder ao espólio do
In quérito lá depositado um a vez que sabem os terem sido recolhidos 10 .0 0 0
docum en tos, dos quais só foram publicados cerca de 2.0 0 0 .
Efetivam ente, foi iden tificada n a posse da Ordem dos Arquitetos gran de parte
da docum en tação produzida duran te a realização do In quérito à Arquitetura
Region al, n o en tan to, apesar dos vários con tactos estabelecidos n esse sentido,
tan to com o equipa de in vestigação com o in dividualm ente, en quan to m em bros
da Ordem , n ão n os foi dado acesso à docum en tação.
Tudo quan to con seguim os da Ordem dos Arquitetos foi a possibilidade de
con sulta, n a sala de leitura da respetiva biblioteca, da docum en tação n ão
publicada que havia sido an teriorm ente digitalizada e registada n um CD Rom ,
crem os que por Rodrigo Ollero, n o âm bito da in vestigação realizada para o seu
doutoram en to.
Desta con sulta resultou inform ação im portan te para a con firm ação das
hipóteses aven tadas, m as o im pedim en to do acesso ao conjunto da
docum en tação n ão nos perm itiu ter um a visão global em prim eira-m ão do
algum as hipóteses de leitura que, en tretan to, n os surgiram com o eventualm ente
possíveis.
Esta situação poderá eventualm ente ser explicada pelo facto de a Ordem dos
Arquitetos ter, duran te o período em que decorreu o projeto, assin ado um
acordo com a Fun dação Calouste Gulbenkian para digitalização do espólio em
causa. Efetivam ente, veio depois a dispon ibilizar on lin e algum a (m as n ão a
totalidade) da docum en tação fotográfica n a plataform a OAPIX / coleção IARP,
docum en tação que acabou por ser por n ós utilizada.
Mais recentem ente, a Ordem dos Arquitetos dispon ibilizou o acesso a parte da
docum en tação n a sua posse através da exposição de fotografia Território
Com um . Im agen s do In quérito à Arquitetura Region al Portuguesa, 1955-1957
(20 13), organ izada por Sérgio Mah, sem gran de utilidade para o n osso projecto
dado ter in augurado em Abril de 20 13, portan to, quan do este estava já
praticam en te con cluído.
Assim , cen tram o-n os n o volum e Arquitectura Popular em Portugal e n a
docum en tação recolhida diretam ente por n ós n as visitas para trabalho de
cam po.
Paralelam en te recolh eram -se depoim entos de algun s dos arquitetos que
participaram n o In quérito ou que com ele direta ou in diretam ente se
relacion aram , com o é o caso dos arquitetos Carlos Carvalho Dias e An tón io
Meneres ou da pin tora Helena Cabral.
Foi ain da sistem aticam ente recolhida e tratada gran de parte da in form ação
im pressa dispon ível e realizado um levan tam en to da historiografia associada ao
tem a.
Optou-se tam bém por con sultar detalh adam en te a publicação Arquitectura
Popular em Espanha e outra docum en tação do arquiteto Carlos Flores, editada
nos in ícios dos an os 70 , n o sentido de cruzar a experiên cia portuguesa com
outra territorialm ente próxim a, ao n ível da abordagem e da m etodologia
em pregue e ao n ível dos resultados publicados.
In quérito, tan to a n ível da produção teórica com o da docum en tação gráfica e
fotográfica, com o a iden tificação dos exem plos m ais sign ificativos em relação às
duas variáveis expressivas n o cam po da arquitetura que n os propusem os
estudar: a espessura das paredes e o esp aço-transição.
Este últim o aspeto foi tan to m ais im portan te quan to n esta tarefa, estava
in cluída um a parte im portan te da con strução dos m apas.
Com o pon to de partida, existia a con statação de que para além de u m excesso de
in form ação que dificultava um a in terpretação estruturada zon a a zon a, n ão era
apresen tado n o In quérito um m apa global que desse a enten der um a leitura
articulada sobre o território. Por outro lado, um a an álise dos diversos elem entos
con siderados sign ificativos no levan tam en to levado a cabo, dava a perceber um a
diversidade de critérios n ão só en tre as 6 zon as, m as den tro de cada zon a.
Disto tin ha resultado que n a publicação Arquitectura Popular em Portugal
fossem apresentados com o equiparáveis diferentes tipos de edifícios de
habitação, diferentes tipos de edifício/ equipam ento de carácter social, e
diferentes edifícios de serviços an exos.
Assim , tal com o se tin ha proposto, partin do dos quadros tipológicos
estabelecidos, a equipa procedeu à separação operacion al entre o que eram os
edifícios de carácter in dutor de vida coletiva, e aqueles que apresen tam apen as
um a utilidade in duzida, com an ulação dos segun dos e reforço do sign ificado dos
prim eiros.
Paralelam en te, ten tou-se agrupar n um a m esm a classificação tipológica os
exem plos que n o In quérito são en ten didos separadam en te sem que disso n os
parecesse resultar qualquer van tagem an alítica.
Com estas duas operações in tegradas, puderam ser obtidos m apas lim pos de
in form ação exceden tária e por isso m uito m ais legíveis.
O lan çam en to dos n ovos m apas-resum o, de todo o trabalho feito abran gen do
todas as 6 zon as do “In quérito” veio fin alm en te perm itir um a leitura in tegrada
Um a descrição detalhada de todo o processo, acom pan hada da respetiva
explicação, foi publicada n os resultados do projeto (v. Cadern o 3).
Ta re fa 3 : Vis ita s d e re co n h e cim e n to [Research field trips]
Esta tarefa previa deslocações relâm pago a pon tos fulcrais, que sem excessivo
detalhe, perm itissem n o terreno recolher in form ação que fun dam en tasse a
escolha das zon as m ais propícias a um estudo desenvolvido com m aior detalhe.
Estas visitas poderiam ain da, em algun s caso, envolver a an álise dos aspetos
m ais relevan tes da con creta situação raiana, para m elhor poder situar as
características culturais das respostas en con tradas em território n acion al.
Foram assim realizadas algum as son dagen s, sen do que um a delas realizada n a
Zon a 3, acabou por ser m ais lon ga, devido às dificuldades en con tradas no
terreno, ten do-se m esm o assim revelado pouco frutífera devido ao n ível de
destruição detetado n o un iverso arquitetón ico que se queria iden tificar.
O cruzam en to da in form ação recolhida n o âm bito desta tarefa com os dados
docum en tais en tretan to obtidos, foi determ in an te para o desenvolvim ento do
trabalho, ten do-se porém con statado da n ecessidade de realizar o trabalho de
cam po em m ais direta correlação com o desenvolvim ento teórico do projeto o
que acabou por levar a repensar os tem pos de execução da tarefa 7 (trabalho de
cam po).
Exem plo de espaço tran sição e de parede espessa Beiras © 20 11
Ta re fa 4 : Co n clu s õ e s p ro vis ó ria s
A program ação de um m om en to para elaboração de con clusões prov isórias
resultou da previsão de que se poderia vir a sentir a n ecessidade de fixar de um a
m an eira estruturada e estruturan te os resultados que viriam in fluir
operativam ente n as escolhas posteriores.
Porém , n ão se pretendia com isto estabelecer um a espécie de ponto de situação
retrospetivo, avalian do a eficácia do cum prim en to do trabalho passado e sim
Assim , a tarefa 4 foi calen darizada para um m om en to em que a docum en tação e
a in form ação recolh idas perm itissem através de um a an álise con junta
estabelecer com um m ín im o de coerên cia a(s) zon a(s) do território n acion al em
que parece m ais prom etedor fazer in cidir o trabalho de an álise futura.
Foi o que acon teceu.
Posteriorm ente, a equipa foi obrigada a um a n ova reorgan ização fruto da
con jugação da m orte do seu in vestigador respon sável com a decisão coletiva de
term in ar o trabalho em curso.
Desta vez, porém , as alterações foram m ais profun das, um a vez que a equipa foi
obrigada a reprogram ar a execução das tarefas e o cum prim en to dos
in dicadores previstos, acaban do por desen volver em sim ultâneo parte do
trabalho pen den te das tarefas an teriores com aquele que estava previsto para as
tarefas seguin tes.
Esta reprogram ação foi fun dam en tal para a in tegral execução do projecto.
Registe-se tam bém qu e, para o sucesso desta tarefa, con tribuiu a publicação do
que cham am os o docum en to zero – publicado com o título Dois Parâm etro de
Arquitectura Postos em Surdin a. O Propósito de um a Inv estigação (20 10 ) – n o
qual Pedro Vieira de Alm eida explicitava os term os em que se preten dia
desenvolver a in vestigação.
Esta publicação de pequen a dim en são, con stituiu um veículo de apresen tação
discussão foi determ in an te para que a equipa tivesse capacidade para con tin uar
o trabalho após o desaparecim ento do seu in vestigador respon sável.
Por outro lado, o tratam en to da fortuna crítica do In quérito, recolhida n o
âm bito da tarefa 2, foi determ in an te para a reprogram ação n esta altura
efetuada, do estudo da Arquitectura Popular em Portugal e do seu papel n o
âm bito da cultura arquitectón ica portuguesa.
Ta re fa 5 : En co n tro Cie n tífico [ Co n fe re n ce ]
Após o estabelecim ento das con clusões provisórias, foi organ izado um En con tro
científico de âm bito in tern acion al com o objetivo de con fron tar o trabalho já
desenvolvido com o que n esse âm bito se vin h a produzir nacion al e
in tern acion alm ente, bem com o de avaliar pressupostos críticos, m étodos e
resultados do trabalho em curso.
Da pon deração das diversas verten tes que caracterizam o projeto e analisado o
resultado do trabalho até en tão produzido, optou-se por con vidar a com un idade
in tern acion al para con tribuir com com un icações que pudessem aju dar a equipa
a in tegrar o Inquérito à Arquitetura Region al n um con texto in tern acion al.
Con cretam ente, explicava-se que:
Um inquérito à Arquitetura Regional Portuguesa tinha sido realizado pelo Sindicato dos Arquitetos entre 1955 e 1960 com apoio oficial, tendo nele trabalhado alguns dos principais arquitetos m odernos portugueses. O resultado deste trabalho foi dado a conhecer através do livro Arquitetura Popular em Portugal, publicado em 1961 e reim presso em 1979, 1988 e 20 0 4.
Encarado desde o início com o sendo capaz de fornecer “as bases para um regionalism o honesto, vivo e saudável " (Keil do Am aral, 1947), o Inquérito, e o livro que originou, tiveram um grande im portância na cultura arquitetónica portuguesa.
m odernos. Além disso, o Inquérito português à arquitetura vernacular constitui um registo notável do antigo país rural realizado no exato m om ento em que estava prestes a desaparecer. Este facto iria garantir tam bém a sua im portância para outros cam pos de estudo, com o a antropologia, a história e a fotografia.
Associada ao projecto em curso A “Arquitectura Popular em Portugal”. Um a Leitura Crítica (FCT: PTDC/ AUR-AQI/ 0 990 63; COMPETE: FCOMP-0 1-0 124-FEDER-0 0 8 8 32), esta conferência tem por objetivo discutir os antecedentes, condições, m etodologias, resultados publicados, efeitos e im portância deste tipo de inquéritos na arquitetura e no pensam ento arquitetónico do século XX, com vista à com preensão do caso português no contexto cultural in ternacional.
Este call for papers foi divulgado a n ível n acion al e in tern acion al através da
lista de em ails da European Architectural History Network (EAHN) e da
Con feren ce Alerts, para além de várias plataform as e sites nacion ais (por ex:
Escola Superior Artística do Porto, do IGESPAR, da Ordem dos Arquitectos,
Centro de Estudos de Arquitectura e Urban ism o da FAUP) e in tern acion ais
(plataform a Vitruvius, Architectural Hum an ities Research Association (AHRA)
e o “urban studies blog”). Foi ain da criado um site do evento:
A com un idade cien tífica respon deu em núm ero surpreen dente aten den do à
especificidade do tem a – registe-se que o en con tro in teressou não só
in vestigadores europeus com o outros provenientes da África, Asia e Am éricas
do Norte e do Sul – se bem que as propostas apresen tassem algum a am plitude
n a interpretação do qu e era pedido.
Nesta sequên cia foi decidido m an ter algum a tolerân cia na seleção das
com un icações, nom eadam ente n o que se referia à resposta da com un idade
n acion al com propostas ligadas ao caso português, o que acabou por revelar-se
um a excelen te opção, um a vez que n os perm itiu, para além do objetivo in icial de
colher in form ação sobre o con texto in tern acion al, com parar a nossa
in vestigação com o que em Portugal se estava a fazer n este cam po.
Assim , foram selecion adas 30 propostas das cerca de 50 recebidas, a que se
jun tou a participação de dois dos con sultores, que desejaram apresen tar
com un icação e 2 con feren cistas con vidados, An a Tostões e Carlo Atzen i,
selecion ados por terem eles próprios participado n a realização de in quéritos à
arquitetura vern acular.
Por últim o, a equipa en ten deu tam bém participar com duas com un icações
sucessivas e in terligadas en tre si: n a prim eira, realizan do um a apresentação do
projeto e dos resultados até à data obtidos; n a segun da, apresen tan do a
proposta teórica de Pedro Vieira de Alm eida (1933-20 11) que esteve na base do
projeto, en quadran do-a n a obra do autor.
Com esta segun da com un icação a equipa quis sim ultan eam ente hom en agear o
seu in vestigador respon sável e registar autorias, um a vez que a con tin uação do
projeto após o desaparecim en to do seu IR lhe levan tava problem as éticos n o que
se refere à m an ipulação dos in strum entos teóricos por este form ulados, sen do
essa m an ipulação todavia in dispen sável à con tin uação do trabalho.
O resum o das con tribuições foi registado em papel num livro de resum os que
in cluía tam bém o program a e os curricula resum idos dos intervenientes,
en quan to o texto in tegral das com un icações era registado num livro de actas,
publicado em CD Rom anexo ao Book of Abstracts. Am bas as publicações foram
distribuídas gratuitam en te a todos os participan tes, ten do a edição de 10 0
para as bibliotecas das instituições a que os investigadores presen tes estavam
associados.
A Con ferên cia – Surv ey s on Vernacular Architecture. Their sign ifican ce in the
20 th cen tury architectural culture (Porto: ESAP, 17, 18 e 19 de Maio de 20 12) –
acabou por revelar-se m uito m ais im portan te do que tín ham os inicialm ente
previsto, ten do con tribuído n ão só para o debate e troca de experiên cias do tem a
em questão, com o sido decisiva tan to para a projeção in tern acion al do
In quérito, com o para um a nova aproxim ação nacion al ao m esm o, de que
con ferên cias posteriores com o o Colóquio In tern acion al Arquitectura Popular
(Arcos de Valdevez: Casa das Artes, 3-6 Abril 20 13) e o subsequen te aum en to
sign ificativo de produção teórica associada ao tem a vieram dem on strar.
Por últim o, registe-se que a equipa procurou en volver no evento estudantes de
2º e 3º ciclo, ten do participado, a diferen tes n íveis, n a sua organ ização 4
doutoran dos e 5 m estran dos.
Re s u m o d o s d a d o s re la tivo s à In te rn atio n al Co n fe re n ce
S u r v e y s o n V e r n a cu la r Ar ch i t e ct u r e . Th e ir s i g n i fi ca n ce i n t h e 2 0 t h ce n t u r y a r ch i t e ct u r a l cu lt u r e
Co m u n ica çõ e s d a e q u ip a :
Maria H elena Maia, Alexandra Cardoso and J oana Cunha Leal – Our Project: The “Popular Architecture in Portugal”. A Critical Look. Intercalar results of a research project
Co n fe rê n cia s :
Carlo Atzeni – Sardinia’s historic districts R enovation M anuals
Ana Tostões – The Surv ey as a know ledge process, the research as a critic tool
Co m u n ica çõ e s :
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P u blicaçõ e s :
Surv ey s on Vernacular Architecture. Their significance in 20 th century architectural culture: Conference Proceedings. Porto: CEAA, 20 12, 554 pág. (isbn 978 -972-8 78 4-40 -9)
Surveys on Vernacular Architecture. Their significance in 20 th century architectural culture. Book of abstracts. Porto: CEAA, 20 12, 68 pág.
(isbn 978 -972-8 78 4-39-3)
Orga n izaçã o :
Toulouse/ Fondation Le Corbusier, França), Rui Ram os (CEAU/ FAUP, Portugal)
Co m is s ã o Orga n izad o ra : Alexandra Cardoso (CEAA/ ESAP), J oana Cunha Leal (IHA/ UNL) e Maria H elena Maia (CEAA/ ESAP).
Co m is s ã o Exe cu tiva: Alexandra Pereira (ESAP), César Machado Moreira (CEAA/ UL), J oana Couto (CEAA/ ESAP-UL), Margarida Gonçalves (CEAA/ ESAP), Maria Carneiro (CEAA/ ESAP), Maria Serrano (MIA/ ESAP), Miguel Moreira Pinto (CEAA/ ESAP) e Fábio Filipe Azevedo (MIA/ ESAP).
Agrad e cim e n to s : J orge Cunha Pim entel (CEAA/ ESAP) – Design gráfico do cartaz da conferência e das capas das publicações e Susana Milão (MIA/ ESAP) – Auxilio na construção da página web.
Ta re fa 6 : La n ça m e n to d o tra ba lh o d e c a m p o
Sequencialm ente à tarefa an terior foi n ecessário proceder a um a avaliação dos
m étodos an teriorm ente previstos, prom ovendo algun s acertos para garan tir
eficácia das deslocações ao terren o.
Pelas razões expostas n a tarefa an terior, m as tam bém pela con statação da
im portân cia en tre a realização das deslocações e a elaboração teórica, que ia
abrin do novas dúvidas e possibilidades, gran de parte desta tarefa acabou por se
realizar em sim ultân eo com o trabalho de cam po e elaboração teórica e m apas.
Todas as visitas foram precedidas de um trabalho de preparação das m esm as
que, para além dos aspetos logísticos m ais im ediatos, passou pelo levan tam en to
da docum en tação gráfica publicada na Arquitetura Popular em Portugal, bem
com o de todos os exem plos exteriores a ela que se puderam encon trar,
iden tificação da respetiva localização, cruzan do esta in form ação com as
cartas-sín tese que en tretan to se tin ham com eçado a elaborar.
Este últim o aspeto foi especialm ente im portan te porque estas cartas davam -n os
in form ação sobre os "aglom erados" tem áticos a visitar n a sua articulação com
os dois parâm etros em estudo: espessura e espaço-tran sição, que as visitas
deviam n o terren o esclarecer ou com pletar. A articulação com os problem as
teóricos foi portan to fun dam en tal n a preparação do trabalho de cam po.
Registe-se ain da a im portân cia do trabalho preparatório, dada a dificuldade em
locais n ão estão sin alizados n os m apas correntes das Estradas de Portugal,
ten do sido n ecessário o recurso a carta m ilitares com bin adas com os dados de
GPS para referen ciar parte das obras.
Ta re fa 7: Tra b a lh o d e ca m p o
Desde o m om ento da form ulação deste projeto que a equipa esclareceu que o
trabalho de cam po não se destin ava a repetir um levan tam en to nos term os
realizados n o In quérito, m as sim a verificar hipóteses teóricas en tretan to
form uladas.
Daí os cuidados postos n a sua preparação con creta, com vista à obten ção de
um a m aior eficácia e rigor na seleção, ten tan do com isso con tribuir para um a
m aior den sidade da leitura efetuada.
De facto, o trabalho de cam po – con sistin do em fotografias e levan tam entos
gráficos dos exem plos con siderados im portan tes – con stituiu um pon to fulcral
de toda a in vestigação, não só porque n este caso se tratou de um
recon hecim en to criticam en te orien tado, m as tam bém porque sim ultan eam en te
correspon deu a um pon to particularm ente delicado que exigiu um a aten ção
pron ta e um a sen sibilidade disciplin ada, para os exem plos en con trados.
Efetivam ente, a recolha de inform ação n o terreno foi essen cial para a leitura
crítica da docum en tação produzida pelos autores do In quérito, m as tam bém
para a con strução das cartas e m apas em que se apoiou a reflexão sobre a
espessura e o espaço-transição n o que ao un iverso da arquitectura popular
portuguesa se refere.
Existiu ao lon go de todo o trabalho um n ível m uito elevado de articulação entre
a in form ação gráfica dos m apas que se iam produzin do e o trabalho de cam po,
com evidentes con sequên cias n o rigor dos resultados fin ais obtidos.
Daí a n ecessidade qu e desde cedo se sen tiu em reprogram ar o trabalho de
cam po de m odo a que este pudesse ser realizado em direta correlação com o
Daí tam bém , que ten ha existido algum a am biguidade en tre visitas prévias de
recon hecim en to previstas n a tarefa 3 e o trabalho de cam po.
Con cretam ente, referim o-n os às viagens às Beiras, descritas n a tarefa 3, que
com eçaram por ser pen sadas com o visitas exploratórias m as acabaram por ter
que se prolon gar e tran sform ar em efetivo trabalho de cam po.
Neste caso, em especial, a docum en tação gráfica de dispún h am os apresen tava a
zon a com o rica em exem plos de espaço-transição o que n ão foi possível
con firm ar de im ediato n o terren o, aten den do à degradação de m uitos dos
aglom erados rurais e alterações apresen tadas pela habitação popular da zon a
abran gida n o percurso da prim eira visita. Isto levou à necessidade de realizar
um a segun da viagem n aquela zon a, para con firm ar pressupostos do trabalho.
Foi assim que a equipa se apercebeu da im possibilidade de cum prir o
faseam en to in icialm en te previsto no que se refere à aproxim ação n o terren o aos
objetos de estudo.
A n ecessidade de in troduzir um período de reorgan ização da equipa e do
trabalho, n a sequên cia do desaparecim ento do seu in vestigador respon sável,
tam bém con tribuiu para esta sobreposição das tarefas, que tiveram de ser
realizadas n um período de tem po m ais curto do que aquele que inicialm ente se
previra.
No en tan to, a prin cipal razão da referida sobreposição e m esm o fusão de tarefas
foi a alteração m etodológica in troduzida na execução do trabalho pelas razões já
atrás referidas.
Nesta fase do trabalh o de cam po foram realizadas várias visitas de estudo, as
prin cipais das quais n a zon a sul do país, con cretam ente Estrem adura e Alentejo.
Os sugestivos exem plos de aldeias avieiras localizadas na Estrem adura, foram
im portan tes para testar algun s dos pressupostos de leitura do parâm etro
Especialm ente im portan te, foi a viagem ao Alentejo, dado que a ausência de
m aterial gráfico produzido pela equipa da Zon a 5 colocava u m problem a
im portan te a resolver, se se queria obter um a leitura global do território.
Foi ain da realizada um a in cursão no Min ho e Galiza, esta últim a articulada com
a visita à exposição Com pan heiros de Ofício, em que era explorada a relação
en tre a arquitetura vern acular e arquiteturas eruditas do séc. XX e portan to de
gran de in teresse para o trabalho em curso.
Situação actual de exem plos registados pela equ ipa do Min ho (paredes espessas e espaço-transição) © 20 13
Ficaram por visitar as zon as 2, Trás-os-Mon tes, e a zon a 6, Algarve.
Recon hecem os que teria sido preferível realizar visitas a estas duas zon as, m as
desde o in ício que sabíam os que este trabalho seria n ecessariam en te in com pleto
dado tratar-se de um a prim eira aproxim ação ao tem a.
Assim , quan do houve que eleger as zon as a visitar, foram escolhidas aquelas que
Efetivam ente, para além do con hecim en to que os m em bros da equipa tin ham já
dessas duas zon as que n ão foram visitadas, dispon do de acesso a m aterial
abun dante relativo à zon a 2 e usufruin do do facto da zon a 6, Algarve, ter vin do a
ser objeto de um estudo sistem ático, realizado n o âm bito da tese de
doutoram en to de Ricardo Agarez, estudo que tem vin do a dispon ibilizar algum a
in form ação útil a este projeto.
Ta re fa 8 : Ela b o ra çã o te ó rica e m a p a s
Com o tem vin do a ser referido, pela in tim a ligação com o trabalho de cam po, a
tarefa de elaboração teórica e m apas acabou por ter que se in iciar m ais cedo do
que o previsto.
Esta situação, provocada por um a n ecessidade m etodológica con creta, acabou
por ter um a con sequên cia positiva para o projeto en quadrada por um facto
dram ático para todos.
A n ecessidade de estruturar o corpo teórico de en quadram en to do trabalho de
m odo articulado, ou m esm o prévio, à con cretização do trabalho de cam po, levou
Pedro Vieira de Alm eida a passar a escrito as bases teóricas do m esm o,
form ulan do, portan to, precocem ente, um a parte substan cial dos resultados
teóricos deste projeto, parte que apen as ele poderia produzir, um a vez que se
baseava n um a proposta da sua autoria.
Isto teve com o con sequên cia, que à data da sua m orte existia já um trabalho de
reflexão e fun dam en tação teórica do projeto de que a equipa pode u sufruir.
O trabalho de elaboração teórica e m apas, fun dam en tal em todo o processo de
execução deste projeto, passou pois por um a in terpretação teórica dos dados
reun idos, que perm itiram n ão só fixar com m aior con fian ça as con clusões fin ais
deste trabalho, com o in teragiram diretam ente com o seu próprio
desenvolvim ento.
Efetivam ente, foi n ecessário um lon go processo de m aturação, experiencia e
Isto n ão sign ifica que se tenha em algum m om en to perdido de vista um a
m apização gen érica, que correspon desse exatam en te à orden ação crítica dos
resultados possíveis, n esta fase do trabalho.
Pelo con trário.
O processo progressivo de depuração e reflexão teórica que levou aos m apas e
cartas fin ais, é porm en orizadam en te descrito e ilustrado n o cadern o 3 dos
resultados do projeto, de que se passa a tran screver a parte in trodutória,
sim plifican do com o redim ension am ento dos m apas e cartas e elim in ação das
n otas.
Pre p a ra çã o d a d o cu m e n ta çã o grá fica p u b lica d a
Desde logo, n um a prim eira aproxim ação ao m aterial gráfico do In quérito,
registado n os m apas tipológicos por zon a, ressalta a ausên cia de
com patibilização da sin alética em pregue zon a a zon a, o que por si só
im possibilita qualquer an álise com parada dos resultados.
Efectivam en te, cada um destes m apas delim ita a zon a em estudo, e inscreve
sobre a m esm a um a série de elem entos gráficos que, segun do os seus autores,
identificam “as relações, as an alogias, a distribuição tipológica” dos edifícios
rurais.
No en tan to, os elem en tos gráficos utilizados variam de equipa para equipa, daí
resultan do um a total ausên cia de sistem atização n a notação dos diferen tes tipos
de con strução. O facto da in form ação ser tratada de m odo estan que em cada
zon a, sem que exista qualquer tipo de perm eabilidade, com bin ada com a falta
de un iform idade de critérios n a descrição dos tipos arquitetón icos identificados,
Exem plo do m apa tipológico da zona 4 – Estrem adura: à esquerda, a legen da dos sin ais em pregues n o m apa da direita que correspon d e aos lim ites da zon a.
Foi, portan to decisivo para este trabalho, tratar e trabalhar a docum en tação
existen te, através de u m processo de sistem atização da in form ação por etapas,
que resultou na criação de m apas-resum o progressivam ente m ais “lim pos” de
in form ação excedentária, que perm itiram ler todo o território nacion al de um a
form a m ais in tegrada.
Com o m étodo de trabalho para a realização desta tarefa, criám os dois n íveis
com plem en tares de registo de toda a in form ação – ca rta s e q u a d ro s – sen do
que os resultados neles plasm ados perm itiram não só a in terpretação dos dados
em term os de con jun to, m as tam bém a plan ificação das sucessivas fases de
aproxim ação ao tem a.
A partir dos m apas tipológicos parciais publicados n a Arquitectura Popular em
Portugal, fizem os coin cidir n um a ún ica carta, as fron teiras das zon as in quiridas
– Ca rta 0 .
Assim , digitalizou-se cada um dos m apas existen tes que respeitam às zon as 1, 2,
3, 4 e 6. Registe-se que, intencion alm ente, a equipa da zon a 5 n ão elaborou
qualquer m apa, por con siderar que a relação en tre elem entos que apresentam
arquitectón ica”, apesar de previam en te adm itir e iden tificar “con stan tes
arquitectón icas” pela an álise feita a toda a zon a que lhe coube tratar.
Ca rta O – Coin cidir “em bruto” as fron teiras das zon as in qu iridas
Sobre um a base cartográfica de Portugal Con tin en tal foi possível sobrepor cada
um dos 5 m apas, fazen do coin cidir as fron teiras de cada zon a, ajustan do a escala
e os lim ites defin idos por cada um a das equipas. Esta sobreposição veio
adicion ar um con jun to de in form ação extra, ao n ível das características
geográficas e dos elem en tos fisiográficos, em m apas cujo registo abstracto
dificulta a con textualização dos exem plos da arquitectura popular con siderados
Sobreposição das zon as in quiridas num m apa de Portu gal de 1962
A passagem da in form ação da base digital da Carta 0 para um a base vectorial
in teractiva – Ca rta 1 – vai perm itir m an usear os dados gráficos recolhidos no
In quérito de um a form a con scien te e orien tada para o estudo das hipóteses de trabalho form uladas – a e s p e s s u ra e o e s p a ço -tra n s içã o – en quan to valores
expressivos.
Assim , para cada sím bolo utilizado em cada um a das zon as, foi criado o m esm o
desen ho com referências vectoriais – bloco – (software Autocad) que perm ite
Ca rta 1 – passagem da base digital para um a base vectorial, com a in dicação dos lim ites das zon as e da área da zon a 5 sem registo de tipologias (tram a cin za)
Para além de con statar um evidente excesso de inform ação, este exercício
perm itiu perceber que para um estudo com parado assen te num a base
un iform izada faltava o m apa resum o da Zon a 5 – Alentejo.
Para resolver este vazio, decidim os fazer um esboço do m apa em falta com base
n um a carta region al an otada pela equipa desta zon a. Assim , sobrepôs-se à carta
de Portugal Con tin en tal a carta de Am orim Girão com o traçado das seis
sub-regiões que con stituem a zon a 5 do In quérito. Foi en tão possível identificar a
localização e sin alizar os exem plos de h abitação m en cion ados por esta equipa,
perm itin do assim m apear as tipologias à sem elhan ça do que foi feito para as
Carta region al apresen tada pela equ ipa da zon a 5e qu adro com a sin alização das tipologias por sub-região (por n ós proposta)
Para esta tarefa de en saiar um m apa tipológico da Zon a 5, os exem plos
an otados, a represen tação gráfica em pregu e, bem com o a sua caracterização,
basearam -se em pon tos de abordagem sem elhan te que julgam os ter identificado
n o con jun to das três equipas do sul do país. Note-se que estas equipas foram
particularm en te sen síveis aos aspectos form ais e con strutivos da habitação
rural, para além da referên cia a áreas geográficas ter sido um recurso utilizado
n a zon a 6 para caracterizar os diferen tes tipos da h abitação algarvia.
Para cada sub-região foi decidido criar um sin al representativo do essencial que
retivem os da caracterização dada pelos seus autores quan to à form a e aos
elem en tos con strutivos para cada tipo.
Assim , e a título de exem plo, podem os m en cion ar que a habitação da sub-região
de Barros se distin gu e por um a con strução de um piso com telhado e cuja
im portân cia dada ao espaço da cozin h a se expressa n o elem ento da ch am in é,
que dom in a a com posição da fach ada, n orm alm en te caiada. Graficam en te
resultou no sin al
Paralelam en te, e no sen tido de dar um sign ificado arquitectón ico a cada um dos
Para cada um a das habitações redesen hou-se m an ualm en te um a plan ta e um
alçado n a sua form a m ais esquem ática, que foram posteriorm en te digitalizados
e in seridos n um a grelh aem con jun to com os sin ais e com os descritivos.
O resultado fin al preten de n ão ir m ais além do que o apon tar de um a hipótese
de sín tese quan to à classificação por tipos da zon a 5, apoian do-n os para tal
n aquilo que iden tificam os com o base da com posição dos m apas apresen tados
para as restan tes zon as.
Registe-se que a elaboração deste esboço tipológico con stituiu um a ten tativa de in terpretar graficam en te o que a estrutura do capítulo Arquitectura da Zon aem
si já prevê: iden tificar características com un s nos tipos de soluções con strutivas
face às con dições geográficas paten tes em cada sub-região.
H ipótese de um m apa tipológico para a zon a 5 - Alen tejo
Com a in form ação reun ida das seis zon as, agora com pilada n a Ca rta 2 e n o
m ultiplicidade de sin ais utilizados, n u m to ta l d e 8 2 , que caracterizam os
diferentes tipos de edifícios con siderados sign ificativos pelos arquitectos
autores da publicação A Arquitetura Popular em Portugal.
Esta diversidade parece resultar de critérios in dividuais adoptados por cada
equipa, que se podem recon h ecer na diferente opção quan to aos edifícios
seleccion ados, n a escolha person alizada dos elem en tos gráficos para os
iden tificar e n o grau de especificidade com que os m esm os são caracterizados.
Mas podem os tam bém con siderar a possibilidade de que esta variedade de
registo traduza diferen tes sen sibilidades n a form a com o as equipas abordaram
as respectivas áreas de estudo, con cretam en te n o que se refere às questões de
ordem form al e con strutiva. Recorde-se que estes aspectos exerceram um
gran de fascín io sobre os arquitectos, quan do procederam ao levan tam ento de
cam po,con form e testem unham alguns dos seus autores.
Qu a d ro 1 - todos os sin ais utilizados pelas equipas do In quérito.
Num a leitura agora m ais com parada da in form ação é possível con statar
algum as evidên cias quan to à form a com o as equipas pon tuaram o seu registo.
1) De um m odo geral, a sin aléctica em pregue ten ta representar
esquem aticam ente o alçado dos edifícios acentuan do os seus elem entos m ais
sign ificativos, i.é. as escadas, as águas do telhado, os an exos in tegrados, os
con trafortes, as ch am in és, etc.
2) Em todas as zon as do levan tam en to existem áreas “bran cas”, visíveis pela
ausência de sin alética em pregue, n ão havendo dados que justifiquem o seu
sign ificado ou intencion alidade em n ão terem sido tratadas.
3) Na faixa de tran sição en tre zon as não há cruzam en to de in form ação, um a vez
que cada equipa não registou tipologias para além dos lim ites estipulados,
barran do à partida com esta fron teira, que en ten dem os artificial, a hipótese de
defin ir articulações possíveis. Podem os en con trar a ún ica excepção em
exem plos iden tificados pela equipa da zon a 2 – Trás-os-Mon tes – que regista o
facto de algun s dos tipos terem con tin uidade para a zon a 1 do Min ho e para a
zon a 3 das Beiras.
4) Por con siderar n ão existir “un idade arqu itectón ica” n a zon a das Beiras, a
um a “casa típica”, sem que seja esclarecido o porquê desse “tipism o”. Com base
n os m esm os m otivos, as equipas da zon a 5 e da zon a 6 tiveram atitude
sem elhan te quan to ao parcelam en to da área em estudo para an alisar os
diferentes tipos de habitação.
5) Podem detectar-se algun s pon tos de con tacto n a represen tação gráfica das
zon as 2 e 3 quan to à sem elhan ça do icon utilizado. É o caso das habitações com
varan da en vidraçada, dos espigueiros, dos pelourin hos e cruzeiros, das
alm in has ou dos m ercados/ alpen dres de feira. Note-se que estas duas zon as são
as ún icas que registam edifícios com un s - casa típica da Sub-região B-, apesar
deste tipo curiosam ente não estar localizado n os lim ites com un s de fron teira.
6) É observável n as zon as 1, 2, e 3 e um a disposição quan to ao registo das
tipologias em possíveis grupos tem áticos: a habitação, as con struções de apoio
colectivo à habitação (sequeiros e espigueiros), os equipam entos (m ercados) e
as con struções de carácter religiosos (igrejas, capelas, alm in h as). Por sua vez na
zon a 4 – Estrem adura -, o registo pode subdividir-se em dois gran des grupos: a
habitação e as con struções com um carácter in dutor de uso colectivo (adegas,
m oin hos, cistern as e poços cobertos), com um apon tam en to aos edifícios
religiosos nas capelas de beira-m ar. A zon a 6 do Algarve apen as regista tipos de
habitação.
Para além das im ediatas con sequên cias gráficas, esta fase do trabalho veio
tam bém perm itir um processo sucessivo de an álise e in terpretação crítica dos
exem plos registados, ten do subjacen te os dois parâm etros em estudo, o que nos
veio perm itir com eçar a delin ear os resultados fin ais obtidos.
Num prim eiro nível de sistem atização, en ten dem os con stituir grupos tem áticos,
com a in form ação hierarquizada segun do a ordem de in teresse para o presen te
trabalho – Qu a d ro 2 . J ulgam os poder en quadrar n estes grupos a gran de
diversidade de tipos registada pelas equipas e verificar a correspon dência entre
a sin aléctica em pregue e os edifícios que con cretam ente representa. Num
sistem a de grelha estruturada por agrupam en to, zon a de estudo e tipologia,
arrum aram -se os sin ais pelo seu con teúdo, crian do um sentido de plan ificação
A criação destes grupos teve em con ta a in cidên cia da am ostragem n a recolha
feita pelas equipas qu an to ao tipo de uso do edifício ou elem ento que lhe está
associado: (1) a habitação, (2) os de apoio à habitação (sequeiros, espigueiros e
forn os), (3) os que in duzem n um uso colectivo (n oras, abrigos, adegas, m oín hos,
cistern as e poços), (4) os equipam en tos (m ercados), (5) os de sim bologia
religiosa (igrejas, capelas e alm in h as), (6) os m arcos com forte carácter
sim bólico (pelourin hos e cruzeiros)e (7) o elem ento torre.
A observação deste quadro veio acrescer in form ação m ais detalhada às
referên cias an teriorm en te an otadas aquan do da an álise do quadro 1:
1) A existên cia de um a assim etria en tre as zon as quan to à quan tidade de
exem plos recolhidos para a tipologia de habitação, sen do de realçar o caso da
zon a 2, que apresenta um registo m uito alargado e com apon tam en tos de
detalhe pon tual m im eticam ente representados no sím bolo utilizado, com o é o
caso do elem en to da ch am in é ou da porta carral.
2) As zon as 2 e 3 con stituem um exem plo sign ificativo de utilização da m esm a
sin aléctica para registo de algun s tipos de habitação. Aliás, quan do cruzados
estes dados com a in form ação con stan te n o Quadro 1 é possível verificar que
estes sin ais correspon dem à m esm a tipologia.
3) A relação da habitação rural n o seu prolon gam en to e depen dên cia com as
con struções an exas de apoio é fortem ente vin cada pelas equipas das zon as 1, 2 e
3, com a im portân cia dada às con struções dos sequeiros e dos espigu eiros.
4) As zon as 1, 2, 3 e 4 alargam o âm bito do seu levan tam en to para além das
tipologias da habitação ao registarem con struções com um outro tipo de fun ção.
5) A utilização pelas equipas de diferen te sin alética para representar
con struções com o m esm o tipo de uso, com o é o caso dos espigueiros, dos
sequeiros, dos m ercados ou das capelas. Esta diferenciação pode de algum a
form a estar relacion ada com o que atrás já foi referido quan to à represen tação
gráfica o m ais possível estilizada da im agem real e específica de cada edifício em
cada zon a de estudo.
6) O m ercado é un icam en te in dicado pelas equipas 1, 2 e 3. No entan to, a equipa
da zon a 4 iden tifica, n os aglom erados rurais, um con jun to de con struções
variadas que in diciam um uso colectivo, o que poderá rem eter para um a
abordagem do território m ais sen sível a in dicadores de algum a urban idade.
7) As equipas da zona 2 e 3 são as ún icas que registam elem entos com um forte
carácter sim bólico e de excepção face ao levan tam ento geral,um a vez que n ão se
lim ita aos edifícios. Estas duas equipas estão um a vez m ais coin ciden tes quan to
à utilização de um a m esm a sin alética para os in dicar, neste caso as alm in has, os
8 ) Os exem plos de torre registados exclusivam en te na zon a 1 aparecem com o
um elem ento sin gular n este levan tam ento.
No decurso da sistem atização de inform ação que se seguiu, excluím os algun s
elem entos que n ão n os pareceram relevan tes para a in vestigação crítica que
preten dem os desen volver. Com o resultado, destacám os as estruturas com m aior
carácter in dutor de vida colectiva – a h a b ita çã o – an ulan do as restan tes que
n os pareceram apresen tar apen as um a utilidade in duzida – as estruturas de
apoio à habitação, as estruturas de apoio à produção, os equipam en tos, as
igrejas e capelas, os m arcos e as torres - CARTA 3 .
Fin do este processo apuraram -se 5 3 tip o s de habitação popular, facto que nos
levou a reflectir se a este elevado n úm ero de con struções correspon dia um a
efectiva diferenciação n o que à essên cia destas arquitecturas respeitava, ou se
pelo contrário poderiam existir particularidades em com um .
Paralelam ente, tam bém n os pareceu evidente que para o grupo dos edifícios de
habitação seria n ecessário criar um outro nível de selecção que perm itisse um a
m aior inteligibilidade da inform ação in serida.
Nesse sentido, e n um segun do nível de sistem atização, en ten dem os proceder a
um a ten tativa de agrupam en to num a m esm a classificação tipológica, dos
exem plos de habitação que no Inquérito são en ten didos separadam en te e
apresentados com o distin tos, sem que disso nos pareça à partida resultar
qualquer van tagem analítica, en saian do tam bém um prim eiro recon hecim ento
dos valores expressivos da e s p e s s u r a e do e s p a ç o -t r a n s i ç ã o - CARTA 4 .
Neste processo de associação e para cada zon a de estudo aplicaram -se filtros ao
con teúdo dos m apas tipológicos. Um prim eiro filtro foi aplicado ao n ível dos
m ateriais que con stituem a estrutura da habitação – pedra, adobe, taipa e
m adeira – que poderiam traduzir a variável da espessura da parede, e um
segun do filtro foi aplicado ao n ível dos elem entos arquitectón icos – varan da,
alpen dre, pátio, açoteia – que poderiam traduzir a variável do espaço tran sição.
O elem en to da varan da en vidraçada foi de im ediato destacado por
con siderarm os que à partida ele pode con ter um a vivência própria do espaço
tran sição.
Para cada zon a utilizaram -se os sin ais de origem que m elhor representam esta
n ova un iform ização de tipos, sen do que a sua legen da preten de já en un ciar um a
ligação tran sversal ao n ível de todo o território nacion al dos dois parâm etros em
estudo.
Com esta depuração de sin ais exceden tes, dim in uiu-se o núm ero de tipos de
habitação para 2 1 tip o s , o que com eçou a torn ar a leitura do con jun to m ais
legível e orien tada, estabelecida agora n um a n ova base de trabalho assen te
Zo n a 1: agruparam -se as casas de lavoura Zo n a 2 : agruparam -se as casas em pedra e as casas com varanda
Zo n a 5 : agru param -se as casas em taipa e Zo n a 6 : agru param -se as casas em pedra, tijolo taipa ou tijolo e casa com açoteia
Os d o is p a râ m e tro s
Tendo sem pre presen te neste processo de sistem atização, a n oção teórica da
e s p e s s u r a d a s p a r e d e s e do e s p a ç o t r a n s i ç ã o , en quan to valores
expressivos do espaço arquitetón ico, para cada zon a foram associados os
exem plos de h abitação, que con ten do em si características com un s, en ten dem os
que m elhor represen tavam destes dois parâm etros, n ão obstan te m uitos dos
exem plos con terem em si as duas vertentes - Ca rta 5 .
Para tal, cruzaram -se os dados con tidos n os m apas tipológicos – caracterização
física e fun cion al das habitações tipo – com a vasta in form ação da publicação
Arquitectura Popular em Portugal: desen hos de arquitetura (plan tas e cortes) e
fotografias. Esta fase im plicou um a an álise detalhada sobre a descrição feita por
Posteriorm ente, a in form ação obtida foi lid a tra n s ve rs a lm e n te ten do agora
com o base todas as regiões con sideradas, ocultan do defin itivam en te os lim ites
pré-estabelecidos, de certo m odo artificiais e con dicion adores. Efectivam ente, se
por um lado os m apas tipológicos origin ais são estruturalm ente diferentes e n ão
con sisten tes un s com os outros, por outro, do nosso pon to de vista, os exem plos
n eles recolhidos têm um a gran de con sistên cia que ultrapassa a caracterização
tipológica in icial.
Assim , de um a abordagem origin alm en te circun scrita a zon as delim itadas,
passou-se para um a leitura global e in tegrada. Ten do, desde o in ício, com o
objetivo obter um a m apização gen érica que correspon desse à orden ação crítica
dos resultados, n esta fase do trabalho já foi possível registar em novos m apas os
dois os parâm etros em estudo: a e s p e s s u r a d a s p a r e d e s e o e s p a ç o
-t r a n s i ç ã o .
Com o escreveu Pedro Vieira de Alm eida, a con sideração destes dois parâm etros
con duziu a “n ovas explorações tipológicas, con cretizadas desde logo na
n ecessidade de um a n ova defin ição de “tipo”, através de um novo olhar sobre
elem entos com un s destetáveis n os locais que os estruture expressivam ente”.
Igualm en te, para a defin ição de um a nova sin alética que qualificasse os dois
parâm etros em an álise, foi n ecessário criar novos sin ais que m elhor
expressassem as tipologias em estudo.
Ten do com o base o In quérito, tentám os identificar quais seriam os sin ais aí
utilizados que m elhor serviam o nosso objetivo, in depen dentem ente do tipo de
uso que lhes estava associado.
Pretendíam os n o entan to, obter sin ais que se pudessem associar a con ceções
espaciais e n ão a form as m im éticas desses m esm os espaços, ou seja, poder que
perm itissem inferir o carácter do objeto para o qual o sin al n os reporta.
Assim , para as paredes espessas, adaptou-se um sin al da zon a 1 – com plexo
agrícola – , um quadrado desen hado com u m a lin h a espessa que represen ta
um a ideia de m assa con strutiv a e sobre o qual se in seriu u m a pequen a
abertura, essen cial para expressar a en trada de luz.Com o a espessu ra da parede
variar este sin al através de apon tam en tos de cor, cin za para represen tar a pedra
e ocre para represen tar o adobe e a taipa.
Para as paredes delgadas, adaptou-se um sin al da zon a 6 – habitação de
pescadores […] – que traduz o ripado da con strução em m adeira que está estritam en te associado a este tipo de parede, tirando assim partido da sua
textura lin ear.
No que diz respeito ao espaço-tran sição, a escolh a recaiu sobre o sin al que
tan to na zon a 2 com o na zon a 3 represen ta o m ercado, n ão poden do ser
ign orada a forte an alogia com o stoa grego.
Dado que existem n uan ces quan to à qualificação deste tipo de espaço, quisem os
destacar pela sua representatividade e den tro deste parâm etro geral, um
sub-tipo específico que correspon de à v aranda en v idraçada, servin do-n os um a vez
m ais do sin al utilizado pelas equipas 2 e 3 ao defin ir este atributo espacial na
habitação rural.
Neste pon to, pen sam os ser justo registar o con tributo de Nun o Pin to Cardoso n a
produção in form ática das cartas e m apas.
Ta re fa 9 : Re la tó rio s
Os resultados da in vestigação à data do seu term o, foram registados em 4
cadern os un idos pela design ação com um Dois Parâm etros de Arquitetura Postos em Surdin a. Leitura crítica do In quérito à arquitetura region al,
acrescidos de um volum e suplem entar, em que se publica um texto de Pedro
Vieira de Alm eida – A N oção de Espessura n a Lin guagem Arquitetónica –
aten den do a que, em bora não ten ha sido escrito com esse fim , as circun stân cias
fizeram com que se torn asse um elem en to fun dam en tal para o esclarecim en to
teórico desse parâm etro.
Efetivam ente, desde o in ício preten deu-se que estes resultados
correspon dessem a u m a elaboração teórica, en volven do em sim ultân eo toda a
in form ação recolhida n os trabalhos de cam po, bem com o toda a docum en tação