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Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.24 número2

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Academic year: 2018

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R ev is ta da Soc iedade B rasileira de M ed icin a Tropical 24(2): 119-120, abr-jun, 1991

COMUNICAÇÃO

INFECÇÃO DO HAMSTER PELO

T R Y P A N O S O M A C R U Z I

Luiz Edua rdo Ram irez, Elia ne Lages- Silva e Edm undo Chapadeiro

Nas pesquisas realizadas com o T. c r u z i têm-se empregado diferentes espécies animais como modelos experimentais da doença de Chagas, tais como ca­ mundongos, ratos, cobaios, coelhos, cães e primatas, algumas delas mostrando-se mais susceptíveis do que outras.

A pesquisa bibliográfica mostrou apenas uma referência ao hamster como modelo para o estudo da infecção chagásica*. Por este motivo inoculou-se, via intraperitoneal, um grupo de hamster, não isogênicos, com 2x10^ trypomastigostas sangüíneos provenien­

tes de camundongos da cepa Y de T. c ruzi. Os animais apresentaram uma fase aguda com parasitemia paten­ te a partir do quarto dia, morrendo todos quinze dias após a infecção.

O estudo histopatológico das vísceras dos hamsters mostrou lesões acentuadas no coração, músculo esquelético, encéfalo e intensas no esôfago, estômago, intestinos delgado e grosso, fígado, baço, adrenais e tecido eorduroso

Trabalho dos Departamentos de Parasitologia e de Patolo­ gia, Medicina Legal e Deontologia da Faculdade de Medi­ cina do Triângulo Mineiro, Uberaba, MG.

Endereço para correspondência: Dr. Luiz Eduardo Ramirez, Dept? Parasitologia/FMTM. Pça. Thomaz Ulliva 706, 38025 Uberaba, MG.

Recebido para publicação em 1 2 /0 4 /9 1 .

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C om unicação. R am ir e z L E , L a ge s-S ilva E, C hapadeiro E. Infecção do h am ste r p e lo Trypanosoma cruzi. R evista da So ciedade B rasileira de M e dic in a T ropical 24: 119-120, abr-jun, 1991

predominantemente mononuclear, com alguns granu- lócitos e moderado parasitismo tissular. No músculo esquelético, a inflamação (miosite) era mais discreta, de tipo focal e com pouca destruição de fibras; no encèfalo as lesões eram multifocais, caracterizadas por acúmulos gliais, contendo formas parasitárias.

No tubo digestivo o processo inflamatório era

muito intenso com as características já citadas, loca­ lizando-se principalmente na muscular própria e plexo

mioentérico, acompanhado de intenso parasitismo (Figura 4).

O fígado, assim como as adrenais, mostravam abcessos múltiplos intralobulares contendo abundantes formas amastigotas do parasito; no baço havia intensa hiperplasia da polpa vermelha com intenso parasi­ tismo.

Em todo o tecido gorduroso (cardíaco, peri­ toneal, periadrenal, etc.) o quadro histológico era o de uma celulite multifocal acompanhada de abundantes parasitos.

Embora o hamster não seja utilizado como modelo para a infecção chagásica, sob a alegação de sua reduzida capacidade de resposta imune protetora, é empregado nos estudos de imunocitogenética e de infecção pela ameba^ e leishmania sp^. Nos animais infectados com L e is h m a n ia d o n o v a n i foi evidenciada conspícua esplenomegalia, diminuição da resposta

proliferativa à fitohemaglutinina3 e hipergamaglobu- linemia2 devido à ativação policlonal das células B. Atualmente, esforços estão sendo realizados a nível de subpopulações de linfócitos4 &edo complexo maior de histocompatibilidade7 8.

O achado de intenso parasitismo ao iado de processo inflamatório na muscular e no plexo mioen­ térico, desde o esôfago até o intestino grosso, fato que não é observado nos diversos modelos experimentais inoculados com a cepa Y ou qualquer outra cepa do T. c ru z i, nos leva a supor que o hamster possa desenvol­ ver na fase crônica da infecção, enteromegalias. Para tal fim são necessários estudos mais detalhados com inóculos menores, os quais estão sendo desenvolvidos em nosso laboratório.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

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