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Cura Pela Agua Richard Lewis

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AGUA

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P Fluido Universal da Vida]

(2)

Richard Lewis

CURA PELA ÁGUA

O FLUIDO UNIVERSAL DA

(3)

© Madras Editora Ltda.

Supervisão Editorial e Coordenação Geral.

Wagner Veneziani Costa

Produção e Capa.

l í q u i p c Técnica Madras Revisão;

A t l i i a n a Cristina Bairrada Ana Lúcia Scsso

ISBN 85-7374-263-1

Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou por qualquer meio eletrônico, mecânico, inclusive por meio de processos xerográficos, sem permissão expressa do editor (Lei n" 9.610, de 19.2.98).

Todos os direitos desta edição, para a língua portuguesa, reservados pela

MADRAS EDITORA LTDA.

Rua Paulo Gonçalves, 88 Santana 02403-020 São Paulo SP Caixa Postal 12299 CEP 02098-970 Tel. (0__11) 6959.1127 Fax. (0_ _1 http://www.madras.com.br

SP

1) 6959.3090

Agradecimento

Agradecemos à consultoria da dra. Terezinha Diniz Farmacêutica e Bioquímica —, sobre os

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ÍNDICE

INTRODUÇÃO 13 BREVE HISTÓRICO 17 PROPRIEDADES QUÍMICAS E FÍSICAS DA ÁGUA 21 Água natural 24 Água potável 25 Água de consumo industrial 26 Água de processo 29 Água pesada 29 Água dura 30 Água desmineralizada 30 Água dessalinizada 31 Proteção e tratamento da água 32 Água de irrigação 33 IMPORTÂNCIA DA ÁGUA NOS SISTEMAS FISIOLÓGICOS DO HOMEM 35 Introdução 35 Consumo diário de água pelo organismo 36 Composição da água e eletrólitos no corpo humano 36 Troca de líquidos entre os diversos compartimentos 38 Formas de aquisição de água, sede, água endógena 39 Sede 39 Água endógena 39

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Cura Pela, Água

Perdas de água corporal de forma despercebidas, através da sudorese, da urina e do aparelho digestivo 40 Perdas despercebidas 40 Perdas através da sudorese 40 Perdas através da urina 41 Perdas através do aparelho digestivo 41 Balanço hidroeletrolítico e equilíbrio ácido-base 41 Quantidades diárias de água e eletrólitos necessárias para a saúde do corpo humano 43 Equilíbrio da água corporal 43 Perda de água 44 Perda de sódio 44 Desequilíbrio ácido-base 45 Acidose metabólica 45 Alcalose metabólica 45 Outros íons 46 Acidose respiratória 47 Alcalose respiratória 47 Equilíbrio energético 48 Alimentação parenteral 48 Possíveis complicações da alimentação parenteral.... 49 Desnutrição 50 Alterações bioquímicas causadas pela desnutrição .... 50 O QUE DEVEMOS COMER E BEBER 51 TIPOS DE DIETAS 59 Tabela de calorias 63 Alimentação diferenciada pelas cores, temperamento e pelo signo astrológico 74 A escolha do regime de dieta individual 76 Regime acidificante e alcalinizante 78 Regime hipoglicídico 79 Regime hipolipídico 80

O Fluido Universal da Vida

l\cj',imr lii|KT|>iok'-iro ou de superalimentação 80 Regime hipopmtéico 81 Regime redutorde líquidos 81 Regime lácteo 82 Regime de frutas 82 Regime vegetariano de Bircher Brenner 82 Regime de Gerson 82 Regime de Sauerbruch-Herrmannsdorfer 82 Dieta nutritiva, com muitos cereais e líquidos 82 Dieta com um cardápio alternativo 83 Dietas comumente apresentadas nos spas 85 Dieta de sanduíches 90 Receitas de vários molhos que podem ser escolhidas na dieta de sancuíches 94 Dieta de frutas 95 Dieta líquida 96 Dieta higienizadora 97 Dieta de limpeza com suco de cenoura 98 Dieta do Instituto Nacional de Nutrição do México 98 Dieta vegetariana 102 Dieta para ganhar peso 107 CURA PELA ÁGUA 113 Principais pontos de controle 115 Usos externos da água 119 Banho normal de asseio 119 Banho manual expedito 120 Banho quente de chuveiro 120 Banho dos pés 121 Banho quente-frio de energização 121 Banho frio 122 Banho de vapor 125 Compressas de água 126

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10 Cura Pela Água, 11

Tratamento com lençol molhado 126 Tratamento do lençol molhada com suadouro 130 Tratamento do tronco com lençol molhado 130 Tratamento do tronco acompanhado de fricções 130 Banho de assento com fricções 131 Banho de semi-assento com fricções 132 Banho de Sol 133 Uso interno da água 134 Lavagens intestinais 134 Importância de beber água durante o dia 137 Tomar água energizada pelo Sol 138 Tomar um copo de água quente (morna) em jejum 138 Tomar água após exercícios físicos 139 Tomar água leve para evitar o envelhecimento

das células 139 ALGUMAS DOENÇAS QUE PODEM SER PREVENIDAS OU CURADAS PELA ÁGUA 141 Alegria 145 Anemia 145 Atritismo e má circulação das pernas 146 Asma 146 Cálculos (rins, Vesícula) 147 Câncer 148 Céfaleia e dores de cabeça agudas 149 Cólicas intestinais e dores de barriga 150 Colite do lactante 151 Convulsões 151 Coqueluche (tosse comprida) 152 Coração 153 Desnutrição e raquitismo 154 Diarréia 155 Diabetes 156 l >r.iuil>io do romporliimcnlo 157 íc/rniiis 157 incopresc (perda involulária de fezes) 158 ínjôo c vômitos 158 ínurese (urina involutária durante o sono) 160 vbre 161 I lemorróidas 162 Impotência masculina 163 Indigestão 164 Intranqüilidade 165 Insônia 165 Lesões e ferimentos 166 Mãos e pés frios 167 Medos (síndrome do medo) e pesadelos noturnos 168 Otites 168 Pneumonia 169 IVisão de ventre 170 kesfriado, sinusite 171 Sudose 172 Tiques nervosos 173 Traqueíte 174 CONCLUSÃO 177 GLOSSÁRIO 181 HIHLIOGRAFIA 185

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INTRODUÇÃO

Os cientistas consideram que a vida na Terra teve origem no mar, que provavelmente apresentava uma composição química dife-rente da atual, com maior porcentagem de potássio, e que com o (empo foi evoluindo para uma concentração eletrolítica mais eleva-da até atingir a composição atual (1.000 mOsf).

Van't Hoff & Arrhenius descobriram, no século passado, as leis que regem o comportamento das substâncias em soluções aquo-sas e, conseqüentemente, a base de todas as funções fisiológicas vi-tais, todos os processos enzimáticos do homem, no qual o líquido extracelular apresenta uma composição hidroeletrolítica diferente cia apresentada pelo líquido intracelular.

A água extracelular apresentada pelos animais de hoje provavel-mente tem uma composição semelhante à que apresentava a água dos oceanos na época em que a vida animal abandonou o meio aquá-I ico para se desenvolver em solo firme, milhões de anos atrás. Desde então todos os animais necessitam da água para a conservação da vida, criando uma série de mecanismos que lhes permite manter o nível de água extracelular constante, com exceção de alguns ani-mais, que obtêm água por processos metabólicos. Assim, o meio fxlracelular dos animais é mantido constante em sua composição ri-lular, seja na concentração do pH dos seus diversos íons, sua osmolaridade, sua temperatura, etc., seja para permitir que se tor-iii-iii possíveis os diversos processos enzimáticos intracelulares e a manutenção do equilíbrio energético e hidroeletrolítico das células. As funções celulares somente se tornam possíveis quando existe a estabilidade extracelular. Nas células primitivas que viviam nos mvanos, essa constância era mantida através de uma concentração drliolítica e de um pH constantes, e pela manutenção de uma tem-l > r i a tem-l n r a inatem-lterada ou com ftem-lutuações mínimas. Tanto antes como .iji.oia na vida animal existe uma estreita relação na composição

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Cura Pela Água,

hidroeletrolítica do meio extracelular, tanto nas alterações da con-centração eletrolítica e osmosidade como nas alterações do volume dos líquidos orgânicos. As variações do volume dos líquidos orgâni-cos podem ser o resultado da perda de água, de eletrólitos ou da administração de soluções eletrolíticas.

Assim, no homem, a administração de excesso de água pode resultar na diminuição da concentração eletrolítica e da osmolarida-de dos líquidos orgânicos, trazendo sérias perturbações funcionais; p o r o u l m lado, a perda de água ou a ingestão de sais pode resultar na elevação cia osmolaridade dos líquidos orgânicos trazendo também uma séria perturbação funcional do organismo como um todo.

A distribuição da água e dos eletrólitos entre os diversos teci-dos do corpo deve manter-se dentro de uma certa faixa de tolerância para que os diversos compartimentos do organismo funcionem per-feitamente. A pressão osmótica corporal causada por um determina-do líquidetermina-do é função da sua concentração no corpo, de tal forma que neste se mantenha a uniformidade osmótica dos líquidos do organis-mo obtida devido à permeabilidade das membranas que permitem a livre passagem dessa solução ao longo de todo o corpo.

A ciência sabe hoje que a manutenção da pressão osmótica e do volume dos líquidos deve-se à existência de um estreito equilí-brio entre os diversos líquidos corporais compostos pelas soluções de cálcio, cloro, magnésio, sódio, potássio, ácidos orgânicos, bicar-bonatos, fosfatos, sulfates, proteínas, glicose, uréia, especialmente por essas duas últimas, que são responsáveis por diversos quadros clínicos patológicos do ser humano. O íon mais importante para o controle da pressão osmótica dos líquidos extracelulares do corpo é o sódio, assim como o potássio é o mais importante para os líquidos intracelulares. Outro parâmetro que deve ser mantido dentro de uma estreita faixa de controle para o bom funcionamento do organismo é o nível de concentração de pH do hidrogênio.

Dessa forma, o organismo humano pode sofrer de algumas al-terações específicas de determinados íons, que podem produzir per-turbações orgânicas como hípermagnesemia, hiperpotassemia etc.

O estado de saúde de um indivíduo pode ser determinado com maior exatidão pelos exames laboratoriais do estado nutritivo do paciente, pelos exames clínicos e avaliação dos diversos sistemas orgânicos, como, por exemplo, o cardíaco, o gástrico, os renais, os pulmonares, etc. Logo, quando o corpo é submetido

circunstancial-O Fluido Universal da Vida 15

mente a um estado de subnutrição, ele consumirá rapidamente suas reservas energéticas, e sua sobrevivência dependerá exclusivamente da sua capacidade de mobilizar nutrientes fundamentais como as proteínas, carboidratos, nitrogênio, etc., cuja capacidade de arma-zenamento no tecido adiposo geralmente é bastante reduzida por serem consumidos rapidamente, sobrevindo a falência dos sistemas e a morte do indivíduo por inanição, porque nesse caso os diversos organismos corporais entraram num desequilíbrio hidroeletrolítico e insuficiência de recursos energéticos de tal forma que a alimenta-ção por via oral se torna ineficaz devido ao seu lento processamento natural de reposição de energias, sendo necessário recorrer a meios mais rápidos de fornecimento de energias, como a administração de forma intravenosa de água, eletrólitos, proteínas e outras fontes de energias.

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BREVE HISTÓRICO

A palavra água vem do sânscrito udan, que derivou para as línguas indo-teutônicas, dentre elas o dinamarquês, que a designa como vand, o norueguês como vatn, o sueco como vatten, o alemão como Wasser, o inglês como water, e o latim usa as palavras linda para onda e aqua para o líquido, que origina as línguas latinas.

As fontes naturais de suprimento de água são as precipitações atmosféricas, as águas subterrâneas e as águas superficiais, nas quais se incluem os oceanos, como fonte direta (que depende da viabiliza-ção e progresso das técnicas de dessalinizaviabiliza-ção). Calcula-se que, do lotai de precipitações sobre a terra, apenas 7,3% são utilizados pelo homem e dessa percentagem 3,35% na irrigação, 3,35% são usados na indústria e 0,6% no consumo doméstico. Verifica-se que o mo doméstico é insignificante quando comparado com o consu-mo na agricultura e na indústria. Comparando-se também o con-sumo anual de uma pessoa para satisfazer suas necessidades com 0 consumo no mesmo período para a produção de um produto ,i)',rícola, verificamos que um homem consome em média um vo-lume de água dez vezes maior que seu peso; assim, uma pessoa 1 um 75 kg consumirá 750 kg de água por ano, e na agricultura são nivi-ssários l .500 g de água para obter l kg de trigo, 4.500 kg de ;i)'u;i para obter l kg de arroz e 10.000 kg de água para obter l kg tlc nlgodão; na indústria, então, são necessários 300 kg de água para p i o d u / i r l kg de aço, 250 kg de água para l kg de papel, 600 kg de .i)',u;i para l kg de adubos. Existem estatísticas que medem o grau de desenvolvimento de um país pelo consumo de água por habitante. N,i metrópole de um país desenvolvido, o consumo médio por ha-h i i a n l e poderá ultrapassar os 2.000 litros de água por dia, incluin-do M- o material utilizaincluin-do pelo indivíduo da indústria, incluin-do comércio c dos serviços públicos, enquanto na maioria dos países menos de-senvolvidos o consumo diário por habitante não ultrapassa alguns

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18 Cura Pela Água

O Fluido Universal da Vida 19

poucos litros de água, dos quais 45% são para o consumo domésti-co, 45% para a indústria e comércio e 10% para os serviços públi-cos. As mesmas estatísticas demonstram que o consumo urbano por pessoa durante o ano vem aumentando regularmente, de modo que deverá dobrar em menos de um século, considerando as estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), estipulando que a meta-de dos consumidores urbanos dos países submeta-desenvolvidos não pos-sui serviços públicos de abastecimento de água e apenas uma quarta parte dispõe de água potável fornecida em domicílio.

A Terra é um planeta cujos dois terços de sua superfície estão praticamente cobertos pelas águas dos oceanos, dos rios, dos lagos e das geleiras dos pólos Norte e Sul, e também, através do seu ciclo hidrológico contínuo, em que, devido ao calor da superfície, a água se evapora formando vapor de água que na atmosfera se condensa em nuvens que precipitam, contribuindo com um considerável volu-me de água cuja parcela principal escoa pela superfície para engros-sar os rios, lagos e mares e parcela restante se infiltra no solo circu-lando as diversas profundidades perto da superfície em direção às redes hidrográficas que escoam para o mar. Através desse ciclo hidrológico, a Terra mantém um grau de umidade ideal que permite o desenvolvimento da vida em sua superfície.

Desde a antigüidade o homem sabe a importância da água para sua vida e procurou desde os primeiros agrupamentos erguer suas moradias perto de cursos ou fontes de água que garantissem primei-ramente o fornecimento de água para suas necessidades vitais e pos-teriormente que suprisse as necessidades restantes como agricultu-ra, paisagismo, lazer, etc. Um exemplo disso, entre os antigos, são as famosas termas de Carcalla, em Roma, e os jardins suspensos da Babilônia; da mesma forma, no Brasil existem inúmeras cidades que se destacam pelas suas fontes de águas minerais e termais, que são muito procuradas pelas suas qualidades terapêuticas ou digestivas; podemos destacar Águas da Prata, Água de Lindóia, Águas de São Pedro, Caxambu, Poços de Caldas, São Lourenço, muito procuradas pelos turistas, de forma que desenvolveram uma infra-estrutura tu-rística e hoteleira que praticamente vive em função da qualidade de suas águas.

A cura pela água não é uma coisa nova para o Ocidente; vários pesquisadores ocidentais já expuseram a importância de seu uso e elaboraram métodos específicos que pretendem curar as pessoas. Os

orientais, em especial os indianos, também sempre deram um valor excepcional ao uso da água para obter excelentes resultados de cura. Podemos então concluir que primeiro os orientais e depois os oci-dentais elaboraram sistemas de cura pela água, que em geral apre-sentam muitos pontos em comum, ainda que os hindus exponham que muitos dos resultados terapêuticos positivos da cura pela água se devem pela atuação de uma energia sutil, que chamam de Prana, desconhecida pela maioria dos ocidentais.

A compreensão do princípio do Prana em seus diversos aspec-tos, que atua através da água como um agente terapêutico, pode es-clarecer muitas coisas sobre esse sistema da cura, que normalmente é aplicado pelos indianos para corrigir as diversas desordens físicas e várias moléstias.

Prana é um princípio universal de energia que interpenetra

to-das as coisas e manifesta-se através de vários aspectos, um dos quais é conhecido como Força Vital, presente em todos os seres vivos. Assim, encontramos a Força Vital no corpo do homem, circulando no seu sangue; encontram-se também outros aspectos de Prana na água e no ar, e essa energia é usada pelos seres vivos que a transmutam em Energia Vital para suprir suas necessidades energéticas, e podem sei transmutadas e convertidas em outras formas de energia, que tendem a vigorar e fortalecer o corpo humano, reparar seus dese-quilíbrios energéticos, minimizar as desordens físicas e promover a saúde e a força.

Não é necessário que alguém acredite na existência do Prana para obter os benefícios da cura pela água, porque as virtudes desta s; 10 incontestáveis, quer se acredite nela, quer não, mas parece que, l H-Io lato de a mente reconhecer a presença do Prana no ar, na água e nos alimentos, existe uma espécie de maior receptividade à sua influência, o que não acontece naqueles que não sentem a sua pre-sença. Aparentemente a razão para isso está nos processos de causas e efeitos, nos quais a mente tem uma atuação maior quando percebe ,i presença do Prana, tornando mais intensos efeitos que ela produz no corpo. Devido a esses conceitos podemos entender, então, que a ;i)',na corrente sempre contém uma maior porção de Prana do que a estagnada; da mesma forma, a água contida em cisternas, tanques ou vasos (água parada) perdeu muito de sua original carga de Prana, coiiio também a água fervida. Essa perda deve ser reparada passan-do se a água pelo ar para carregá-la com o Plara deste, transferinpassan-do-

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transferindo-20 Cura Pela. Água

se a água de um vaso para outro ou, em outras palavras, arejando-a. A água destilada no processo de destilação também perde muito do seu Prana, porém este pode ser readquirido passando-a pelo proces-so de aeração. Uma compreensão deste fato explicará a razão por que a água destilada parece perder uma certa porção de sua vida, o que é fato notório entre os que bebem água destilada para saciar a sede e o seu organismo não a tolera, tornando-se até indigesta. Da mesma forma, a água fervida parece sempre insípida demais, a me-nos que seja passada pelo processo de aeração. Pelo exposto, é inte-ressante desenvolver o hábito de sempre que se pretende beber água passá-la várias vezes (um mínimo de quatro) de um copo para outro para que, assim pranizada, essa água produza efeitos estimuladores e revigorantes mais intensos do que os da água comum. Os que ade-rirem a essa prática descobrirão um novo prazer em beber a água e perceberão rapidamente o resultado dos seus efeitos benéficos no próprio corpo e na sua saúde.

A água que escoa pelos encanamentos da rede d'água da cida-de também apresenta cida-deficiências cida-de Prana; portanto, é aconselhá-vel que, se esta for usada para saciar a sede, se faça antes uma aeração dessa água pelo processo que já apontamos (o de passar a água de um copo para outro) antes de ingeri.-Ia.

Como a água, além de ser um grande remédio da natureza, pos-sui uma grande força restauradora, pode ser aplicada no corpo à von-tade, tanto interna como externamente. Assim, por exemplo, se al-guém deseja tomar um banho quente, para energizar (pranizar) essa água, ela deve ser colocada numa tina ou recipiente e ser remexida ou entornada um certo número de vezes até que se revigorize com o

Prana existente no ar.

PROPRIEDADES

QUÍMICAS E FÍSICAS

DA ÁGUA

A água pode ser considerada como o grande solvente da nature-za, pois dissolve em seu seio uma enorme quantidade de substâncias de forma que sua composição química de dois volumes de hidrogênio por um de oxigênio (H2O) não se encontra pura na natureza.

A purificação da água para uso doméstico vem preocupando o homem desde épocas remotas, razão pela qual muitos cientistas se i-specializaram no estudo do seu comportamento e das suas proprie-dades químicas, físicas e processos tecnológicos para sua captação e •.eu transporte, pois cada dia suas fontes de abastecimento estão mais afastadas dos grandes centros urbanos, bem como os custos de puri-I u ação para torná-la potável.

A poluição das águas naturais precisa ser cuidadosamente con-imlada, preservando-se as bacias hidrográficas do desmatamento ir-i acir-ionair-i, em especir-ial nas nascentes dos rir-ios e das fontes de água, p . i i . i atender à crescente demanda não somente do consumo huma-no, mas também da evolução industrial nos seus diversos setores de i • 11 iteração, produção de vapor e águas de processo.

Na implantação de uma indústria qualquer é preciso conside-i .n a dconside-isponconside-ibconside-ilconside-idade da água, poconside-is conside-implantar um complexo conside-industrconside-ial | n < » x i m o a uma fonte de vazão inferior ao necessário pode inviabili-/ a i o projeto; a localização do ponto de abastecimento determinará i | i u - a localização da indústria seja o mais próximo possível deste, l )c vi- se observar também a qualidade da água disponível, pois esta P. K l e i a conter substâncias indesejáveis para os processos industriais • |iic poderão acarretar custos muito elevados dos tratamentos a se-i se-i nse-i dse-ispensados, que poderá tornar se-invse-iável pelos altos custos do

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22 Cura Pela, Água

seu tratamento, sendo mais econômica às vezes a compra de água em outros locais, mesmo que distantes.

A molécula da água não é linear, pois seus átomos de hidrogê-nio e oxigêhidrogê-nio estão ligados por uma covalência normal, apresen-tando um caráter polar com um ângulo de ligação de 104°40'entre as duas partículas de H e a partícula de O. Esse ângulo é devido à repulsão dos núcleos dos átomos de H, assim, quando existem di-versas moléculas polares, ocorrem atrações de natureza elétrica en-tre o lado positivo de uma molécula e o lado negativo da outra, for-mando uma espécie de ponte de H. Por esse motivo a água apresenta algumas anomalias, entre elas seu ponto de ebulição ser mais eleva-do que outros compostos de peso específico e fórmula próximos à água.

Sua densidade varia com a temperatura, sendo seu valor máxi-mo d = 4 °C; submetida à pressão de uma atmáxi-mosfera, seu ponto de fusão é O °C e o ponto de ebulição é de 100 °C.

Para que a água entre em ebulição precisa ceder energia para vencer as forças de atração intermoleculares (forças de Van Der Waals) e também quebrar as pontes de hidrogênio, que são os enla-ces que mantêm unidas as moléculas associadas de água que, embo-ra mais fembo-racas que as ligações covalentes normais, são mais fortes que as forças intermoleculares.

A água pode passar por várias transformações químicas pelas quais pode funcionar como solvente e como reagente. Sua ação como solvente consiste num processo físico pelo qual solubiliza os rea-gentes, permitindo um contato mais íntimo entre eles e acelerando as reações entre os compostos sólidos e gasosos. Sua elevada cons-tante dielétrica (80 a 20 °C) torna-a o solvente ideal para a dissociação dos eletrólitos, porque a energia requerida para separar duas partí-culas de cargas opostas em H2O é um oitenta avôs da energia neces-sária para separar essas partículas no vácuo. Dessa forma, a água diminui as forças eletrostáticas que estabilizam os compostos iônicos, e as soluções aquosas que resultam são boas condutoras de eletrici-dade.

A água possui também uma forte ação ionizante, em especial sobre alguns compostos covalentes de caráter polar, que em solu-ções aquosas podem reagir passando de moléculas a íons, cujo exem-plo caraterístico é a ação ionizante da água sobre os ácidos.

O Fluido Universal da Vida 23

A ação da água sobre algumas substâncias pode provocar um desprendimento de hidrogênio, como é o caso dos metais alcalinos, cuja reação é bastante violenta, inclusive acompanhada de explo-são; com os metais alcalino-terrosos, no entanto, a reação é mais controlada, podendo ser usada em laboratório para a obtenção de hidrogênio; com outros metais, como carbono (coque), obtém-se uma mistura de monóxido de carbono com hidrogênio, que é chamada j',;ís de água ou gás de síntese; pela ação da água sobre os óxidos básicos e ácidos formam-se bases e oxiácidos, respectivamente; a ação da água sobre os sais produz a hidrólise, que consiste nas rea-i.oes que ocorrem entre os íons de alguns sais com a água para for-mar soluções básicas ou ácidas, decorrentes do processo comum de solubilização de um sal em água, essas soluções aquosas devem ser n e u t r a s , pois o processo fundamental envolve somente uma dissociação iômca, fato que ocorre com vários sais, como o NaCl, KCI, KNO3, ao passo que, com o sal Na2CO3, por exemplo, a solu-ção aquosa resultante é alcalina, acusando um pH maior que 7, e a solução aquosa de A1C13 é ácida, acusando um pH menor que 7 Os íons que têm maior facilidade para hidrolisar-se são alguns positi-vos ou negatipositi-vos de Al, Fe, N, Zn, Ti e C, Cl, H, Na. A água pode i ea» ir também com alguns sais para formar compostos contendo um numero definido de moléculas de água ligadas quimicamente aos mus dos sais, esses compostos são chamados de hidrates e a água que os contém é chamada água de hidratação ou de cristalização. Ouando se dissolve um sal em água e essa solução é evaporada logo em seguida, nota-se uma cristalização do sal nas regiões laterais do 11 -c ipiente, como, por exemplo, uma reação entre um soluto e um .olveute; o sal assim obtido é chamado de hidrato. O hidrato é um > i imposto que contém uma quantidade definida e constante de água, e a perda dessa água de hidratação ou cristalização forma o sal anidro, 11 ue por sua vez poderá absorver a água do meio ambiente para for-i n . u um hfor-idrato, ou contfor-inuar a absorver água até dfor-issolver-se nela. isso fenômeno é chamado de deliqüescência e é apresentado por i l " n n i a s substâncias e sais, entre elas o tiocianato de sódio. Chama-se aj'.ua de higroscopicidade aquela que é absorvida da atmosfera pelas M i b s l â n c i a s higroscópicas, e as substâncias deliqüescentes são higroscópicas, mas nem todas as substâncias higroscópicas são • l' ln|iiescentes, como, por exemplo, o sal comum de cozinha absor-ve normalmente uma quantidade de umidade do ar sem chegar a deliqüescer

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24 Cura, Pela Água,

Em um outro fenômeno chamado de eflorescência alguns hidrates expostos a um meio ambiente seco perdem sua água de hidratação quando o hidrato tem uma pressão de vapor de água maior que a pressão parcial presente na atmosfera.

Existe ainda a água de constituição, que normalmente não se apresenta como tal, mas como hidroxila ou como hidrogênio, quimi-camente ligados num composto. A água de decomposição, embora seja substância bastante estável, pode decompor-se com a elevação da temperatura, absorvendo grande quantidade de energia. Essa de-composição pode ser térmica ou elétrica, e a dede-composição pode ser feita por meio da corrente elétrica, usando-se um eletrólito para per-mitir a condução da corrente, obtendo-se hidrogênio no cátodo e oxigênio no ânodo.

A água possui uma constante de ionização muito pequena que provém de uma auto-ionização, admitindo-se seu caráter ácido ou básico; experiências mostram que em temperatura ambiente pode considerar-se que, de 555 milhões de moléculas de água, somente uma estará ionizada.

As águas podem ser classificadas em função da sua utilização como água natural, potável, industrial e de processo.

Água natural

As águas naturais são classificadas, quanto às fontes de ori-gem, em águas superficiais, que são as águas provenientes da chuva, dos rios e do degelo; águas profundas, que são as águas subterrâneas. Quanto à composição, a água natural pode ser contaminada pelos terrenos por que passa, possuindo uma composição semelhante ao terreno círcunvizinho; poluída, quando contém material orgânico em decomposição e substâncias diferentes das que compõem o terreno natural.

A poluição das águas destinadas ao consumo humano, quer pela ação bacteriológica, resultante do contato com os detritos hu-manos, quer pela ação química, resultante das substâncias tóxicas despejadas nos cursos de água pelas indústrias, tornou-se um dos maiores problemas da atualidade. Especialistas norte-americanos calcularam que no ano 2000 as águas poluídas pelos efluentes

ín-O Fluido Universal da. Vida 25

(lustriais, urbanos e agrícolas somente nos EUA representarão um volume total de 3 bilhões de metros cúbicos por ano.

As substâncias capazes de contaminar ou poluir a água são (•(instituídas de sólidos, líquidos e gasoso. Os sólidos podem ocorrer cm suspensão coloidal, constituídos de matéria mineral (argilas) e matéria orgânica, viva ou não; os seres vivos são os mono e police-lulares, denominados plâncton; os sólidos em suspensão grosseira podem ser facilmente filtrados pelos métodos normais, o que não acontece com os sólidos em suspensão coloidal, cuja retirada requer tratamentos químicos; entre os sólidos dissolvidos, os mais comuns são os alcalinos, os alcalino-terrosos, os halógenos, os derivados de enxofre, de carbono, do silício (argilas), os metais pesados e os deri-vados do nitrogênio. Ocorrem, também, águas com vestígios de titânio, cobre, cobalto, bromo e iodo (com exceção da água do mar, onde esses componentes são normais), vestígios de cromatos, di-i K «di-inatos e fósforo.

Entre os líquidos capazes de contaminar a água, o mais impor-i.mlc é o ácido sulfúrico, decorrente da oxidação da pirita, que é limito comum nas regiões pirítico-carboníferas de Santa Catarina, l N nlcin ser encontrados ainda o ácido clorídrico e o nítrico, proveni-i - proveni-i proveni-i proveni-i o s de despejos proveni-industrproveni-iaproveni-is.

Entre os gasosos, são encontrados com maior freqüência o mmióxido de carbono (CO), o oxigênio (O) e, em casos mais raros, • • .mioníaco (NH3), o anídrido sulfuroso (SÓ) e o gás sulfídrico (H2S).

igua potável

O tratamento da água destinada ao consumo humano começa • "in os ensaios de turbidez (ou turvação), cor e pH. A turbidez da - i r n . i c ocasionada pelas argilas, matérias orgânicas e

microrganis-IDOI mono e pluricelulares. A cor é devido à presença de tanino,

inovciiiente dos vegetais e, em geral, varia do incolor ao castanho intenso, li interessante realçar que cor e turbidez são conceitos com-plri.imcnte diferentes; a água pode apresentar cor escura e turbidez I | I I . I M - n u l a .

l'ara tornar a água potável é preciso submetê-la a operações de t l i » nl.u.;i<>, decantação e filtração.

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26 Cura Pela Água,

A floculação é um fenômeno bastante complexo que consiste essencialmente em agregar flóculos às partículas coloidais que não são capazes de se sedimentar naturalmente. A adição de flóculos é provocada pela atração de hidróxidos (provenientes dos sulfatos de alumínio e ferro) por íons cloreto e sulfato existentes na água, que são chamados de floculantes. Não existe uma regra geral, para pre-ver o melhor floculante utilizam-se os ensaios de laboratório para determinar qual floculante satisfaz economicamente às exigências previstas. O sulfato de alumínio floculante é o mais utilizado porque sua dissolução produz o hidróxido de alumínio e o ácido sulfúrico quando a alcalinidade da água for suficiente para neutralizar este último. Sua aplicação é restrita para quando o pH da água se situar entre 5,5 e 8; caso o pH da água não se encontra nessa faixa, adiciona-se cal ou aluminato de sódio, para elevar o pH, permitindo assim a formação dos flóculos de hidróxido de alumínio. Outro pro-duto utilizado é o aluminato de sódio, que é empregado juntamente com o sulfato de alumínio; sua faixa de aplicação está restrita a um pH elevado e, em muitos casos, torna-se necessária a remoção do íon magnésio. O sulfato ferroso, outro floculante comum, é aplicá-vel quando a faixa do pH da água está entre 8,5 e 11, portanto não é usado para as águas brasileiras.

Uma vez removidas a cor e a turbidez pelas operações de flocula-ção, decantação e filtraflocula-ção, processa-se então a cloração da água. Nessa operação, o cloro tem função bactericida e clarificante, podendo ser utilizado sob várias formas, mas em geral a dissolução do cloro na água fornece os ácidos clorídrico e hipocloroso, que, por sua vez, liberam oxigênio que promove a oxidação do grupamento sulfidrila, SH, de enzi-mas essenciais, que possuem um efeito letal sobre os microrganismos. Devido à cloração são removidos também H2S, fenol e cianetos.

A água para ser considerada potável deve possuir vários ele-mentos dissolvidos, e cada um deve obedecer a uma determinada faixa máxima de concentração medida em ppm (partes por milhão).

Água de consumo industrial

A água apropriada para o consumo industrial deve possuir caraterísticas especiais de acordo com a finalidade de seu uso; para

O fluida Universal da Vida, 27

i ; i l , essa água deve ser analisada e submetida a algumas correções necessárias para sua utilização industrial no sistema de água de re-li igeração ou água para produção de vapor.

A aplicação da água de refrigeração no campo industrial vai desde os trocadores de calor e torres de refrigeração até as máquinas

c compressores mais complexos, sendo utilizada como elemento

re-frigerador na troca de calor com um corpo quente qualquer submeti-do a um processo industrial.

Em geral, a indústria utiliza a água de refrigeração mediante ires sistemas:

Sistema aberto. A água entra no sistema, troca calor e é jogada fora. Sua passagem no interior dos intercambiadores ocasiona a formação de depósitos e sedimentos na tubulação do sistema, sendo os principais os carbonatos de cálcio e os óxidos de ferro. Esses óxidos formam-se devido ao ataque químico a que é sub-metido o material metálico da instalação pelo oxigênio e pelo dióxido de carbono. Esses depósitos se foemam em virtude da elevação da temperatura, da quantidade de sólidos dissolvidos e do pH da solução líquida que circula no sistema, que não admite fenômenos decorrentes da evaporação, pois nesses sistemas não permitem tais fenômenos. Assim, a formação desses depósitos pode ser analisada através de curvas de solubilidade nas quais as solubilidades dos carbonatos diminuem à medida que cresce a temperatura.

Sistema semifechado. Nesse sistema, a água circula várias vezes no interior dos equipamentos de troca de calor e, como o sistema permite que parte dessa água se vaporize quando diminui o volu-me de água disponível no sistema, diminui também a solubilida-<le dos sais presentes, que se depositam nas tubulações, reduzin-do se assim a taxa de transferência de calor. Esses depósitos são ronstituídos de carbonato e sulfato de cálcio e de silicatos de i .ilcio e de magnésio. O aumento desses depósitos é avaliado pelo número de circulações ou ciclos de evaporação, em relação .10 qual se procura encontrar uma economia de custo. Além da corrosão das tubulações e da formação de depósitos, também o crescimento de algas e limo nas tubulações afeta a taxa de trans-Icrência de calor e, portanto, a economia do processo. Esses pro-Mrinas causam diminuição da produção, porque se torna neces-s á r i a uma parada da operação para limpeza do neces-sineces-stema e reponeces-si- reposi-cao de peças danificadas.

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28 Cura Pela Água

— Sistema fechado. Um sistema é considerado fechado quando a água permanece circulando indefinidamente no interior desse sis-tema, tornando a concentração dos sólidos constante. A adição de mais água no sistema se dará somente para compensar as per-das ao longo da instalação que porventura podem ser provocaper-das pela baixa taxa de evaporação, mantendo assim constante a con-centração dos sólidos. Os fenômenos de corrosão, provenientes dos gases dissolvidos e do tratamento inadequado da água, con-tribuem para diminuir a taxa de transferência de calor e, conse-qüentemente, poderão danificar as máquinas e os compressores. A vantagem desse sistema sobre os anteriores é a facilidade com que se usam nos processos grandes vazões a altas temperaturas, cuja variação máxima permissível não ultrapasse 3 °C.

Nos sistemas que usam água para produção de vapor, observa-mos que, à medida que a água se evapora, podem acontecer dois fenômenos. No primeiro caso, a concentração de sólidos dissolvidos aumenta até atingir sua taxa de solubilidade para precipitar, forman-do incrustações no interior das tubulações e caldeiras. Essas incrustações formam com o tempo depósitos e placas devido às mais diversas substâncias, que em geral dependem do tipo e grau de trata-mento prévio a que havia sido submetida a água e que certamente acarretarão a queda de pressão na caldeira e a diminuição na taxa de transferência de calor e menor vazão de vapor; em certos casos, es-sas incrustações, ao desprenderem-se, podem provocar a explosão da caldeira devido à brusca variação do gradiente térmico entre a superfície da incrustação e a superfície metálica. No segundo caso, os sólidos não provocam incrustações, mas são lançados no vapor, deixando-o impuro. Se esses sólidos acusam a presença de silica acima da quantidade máxima permitida de l ppm e a caldeira tem pressões superiores a 27 atmosferas, poderão acontecer deforma-ções mecânicas à formação de incrustadeforma-ções com cerca de 70% de SiO2, acarretando a queda de pressão da caldeira, distorção no rotor e pouca eficiência da turbina. A silica geralmente vem em estado coloidal, tornando-se de difícil remoção pelos processos de flocula-ção e filtraflocula-ção; assim, procura-se eliminar o oxigênio e o dióxido de carbono para evitarem-se os fenômenos de corrosão, que se torna mais acentuada quando acontecem em pH ácidos e com pressões elevadas, pois o efeito corrosivo do oxigênio é maior na presença de dióxido de carbono. Esses gases são provenientes do ar atmosférico, sendo o dióxido de carbono originário também da decomposição

O Fluido Universal da. Vida 29

dos carbonates e bicarbonatos. A eliminação desses gases é feita por desaeração (eliminação do oxigênio dissolvido em água), que pode ser mecânica (mais barata) ou química.

Água de processo

A água de processo é a que participa diretamente das reações químicas por um mecanismo de hidrólise ou de dissolução. Seu tra-tamento compreende a remoção da acidez, da alcalinidade, da dure-za, do ferro e de outros minerais, conforme as exigências da aplica-ção nos diferentes processos industriais.

Água pesada

O hidrogênio ocorre na natureza pela mistura de três isótopos (prótio, deutério e trício) e por átomos com o mesmo número atômi-co e diferentes números de massa. Assim, a água que possui dois átomos de deutério em vez de um átomo de prótio é chamada de água pesada, ou oxido de deutério, e é representada pela fórmula l ),O. As moléculas de água existentes na natureza podem aparecer sob diferentes tipos em função dos três isótopos do hidrogênio e dos Ires do oxigênio; entretanto, existe algum interesse prático somente na água pesada, pois não existem grandes diferenças entre o com-portamento químico da água natural e ds água pesada, possuindo iimbas as mesmas propriedades químicas, variando, porém, as pro-priedades físicas e fisiológicas, de forma que não pode ser utilizada ;i água pesada para aliviar a sede ou para o cozimento de alimentos. < ) uso mais importante da água pesada é na tecnologia dos reatores nucleares onde é utilizada como moderadora da atividade dos nêu-lions, ou seja, absorve ou destrói o excesso de nêutrons, evitando a possibilidade de uma explosão autocatalítica e controlando a possi-bilidade de uma reação em cadeia.

A água pesada é obtida a partir de resíduos da eletrólise de )M andes quantidades de água comum, na qual ocorre uma decompo-.K. ;i<> seletiva que favorece a formação do H2 mais rapidamente do < lni- 1>;, indo as moléculas do D2O para o resíduo, que devido a essa < nncentração fica bastante enriquecido; pode obter-se também água

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30 Cura, Pela Água

pesada pela destilação fracionada ou ainda a partir de descargas elé-tricas sobre o gás deutério e o oxigênio.

Água dura

A dureza da água decorre da presença de sais de cálcio e mag-nésio e, com menor freqüência, sais de ferro e manganês dissolvidos na água. A dureza da água não permite a formação de espuma do sabão, mas o mesmo efeito pode ser provocado também por um alto índice de acidez e alcalinidade. A dureza da água é uma das respon-sáveis pela formação de incrustações nas caldeiras e tubulações por onde a água circula; pode ser permanente, quando os íons metálicos se ligam aos ânions fixos, como sulfatos e cloretos, ou temporária, quando os íons metálicos se ligam ao íon bicarbonato. O processo usual de eliminação da dureza da água é chamado de amolecimento, que provoca a precipitação dos íons cálcio, magnésio, ferro e manganês. Porém, quando a eliminação não é total, o precesso de alimentação da dureza chama-se abrandamento, que pode ser efetu-ado com a permuta de base, onde os íons metálicos são trocefetu-ados pelo sódio nos zeólitos ou nas resinas iônicas.

A remoção do ferro pode ser feita por aeração, tratamento com cal, cloro, hidróxido de sódio e resinas trocadoras. O ferro produz alguns inconvenientes como manchas na louça sanitária, depósitos nas tubulações, manchas nos tecidos nas lavanderias industriais, tra-zendo ainda inconvenientes nas indústrias de papel, de bebidas, nos sistemas de refrigeração e produção de vapor. Estudos recentes mos-tram que certas bactérias e grupos de bactérias associados a algas e limo utilizam o ferro como fonte de energia no seu metabolismo. Esse fenômeno tem acarretado a elevação de cor e turbidez na água, e pode ainda ocasionar o entupimento de tubulações e válvulas.

Água desmineralizada

Muitas vezes os processos industriais não admitem na água cer-tos metais como íons de cálcio, cloro, sulfacer-tos, magnésio, que devem ser substituídos por outros. Essa operação consiste em passar a água i sobre um leito de resinas catiônicas, as quais têm a capacidade de

li

O Fluido Universal da Vida 31

I roçar esses íons, porém sua capacidade de troca é limitada e as resi-nas precisam ser regeneradas constantemente. Essas resiresi-nas são cons-tiluídas de material insolúvel e consistem de polímeros de estireno (')()%) e divinilbenzeno (10%) sulfonados, resinas fenólicas e resinas com grupamentos amino. A pureza de uma água desmineralizada é (|iiimicamente superior à de uma água tridestilada. Seu emprego nos dias atuais está intimamente ligado às indústrias que requerem nas •.nas especificações uma quantidade mínima de sólidos.

Igua dessalinizada

A água é o elemento cada vez mais indispensável à vida por suas propriedades químicas e físicas. Apesar de facilmente encon-I1 ada na natureza, pois ocupa 71 % da superfície terrestre, sua

capta-\ ao, tratamento e distribuição exigem grandes investimentos até sua

transformação em artigo de consumo generalizado. Devido à cres-> ' n 11- falta de fontes de abastecimento próximas aos centros de con-•.imio, o homem tem se esforçado em aperfeiçoar inúmeras técnicas l'.n a (ornar a dessalinização da água do mar economicamente viável, l >c lato, a operação é, às vezes, proibitiva para a capacidade que se • l' < - | a alcançar. Assim, considerações de ordem técnica e

econômi-< .1 mostram que o transporte da água é freqüentemente mais barato

i | i n - a dessalinização, exceto quando as distâncias são superiores a u > < ) km e o consumo não é muito grande.

Até 1945, os aparelhos de transformação da água salgada em i M.i doce somente existiam em fase experimental nos laboratórios "n • onio equipamentos de reserva nos grandes transatlânticos; de-i Ia Segunda Guerra Mundde-ial passou-se das pesqude-isas para a mon-i mon-i mon-i de mon-instalações expermon-imentamon-is em dmon-iversos países. Atualmente i l' -.salinização passou da fase experimental para a implantação de u mas, especialmente nas regiões áridas do planeta como o Kuwait, i"in.itulo-se praticamente a única fonte de abastecimento de água i " > i . i v r l mi região, com uma produção aproximada de 100.000 m3 de . i r u . i dcssalinizadapor dia. Outra grande usina, localizada ao sul de \ii)'cles, produz 568.000 m3 de água doce por dia. O objetivo l n 11 K 11 >a l das pesquisas, em que a tecnologia mundial estáempenha-' l i . i i n . i l i i i c n i c , é a redução dos custos de produção, os quais ainda n . i . i .iiiiij',ir;im um nível razoável que permita o uso generalizado das

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32 Cura Pela Água

Os principais métodos de dessalinização que estão sendo estu-dados atualmente são a destilação, a eletrodiálise, o congelamento, o método dos hidrates cristalinos e a osmose reversa. Mesmo os processos aparentemente simples são bastante complexos, pois ne-cessitam de uma série de medidas para evitar corrosão e formação de incrustações nos equipamentos e tubulações.

A escolha do método empregado dependerá da dureza inicial, da exigência de um limite mínimo de dureza e da economia de custo no tratamento.

Proteção e tratamento da água

As águas liberadas para o consumo das populações em sua maio-ria são alcalinas, por serem mais de acordo com o gosto e preferência dos consumidores. Essa alcalinidade provém do bicarbonato de cálcio ou de compostos semelhantes, enquanto a acidez pode ser produzida pela presença de ácidos orgânicos existentes em terrenos pantanosos ou dos sulfates transportados pelas chuvas quando atravessam uma atmosfera poluída pelas chaminés industriais.

Os teores máximos admissíveis estipulados por Lei para as substâncias presentes nas águas distribuídas para o consumo públi-co em alguns países são:

carbonates de sódio e potássio 0,015% gás carbônico 0,002% cloro livre 0,0001% cloretos 0,025% cobre 0,0003% detergente 0,0001% ferro 0,00003% fluoretos 0,00015% magnésio 0,0125% nitratos 0,001% fenóis 0,0000001% chumbo 0,00001% sulfates 0,025% zinco 0,0015% matérias sólidas em suspensão 0,5%

O fluido Universal da Vida 33

Para proteger a água que será consumida das várias formas de poluição, é necessário realizar análises físicas, químicas e bacterio-lógicas, algumas muito simples, outras bastante complexas. Pelas análises químicas se determinam o teor de azoto e oxigênio (teste-munhos da poluição orgânica), o teor do carbonato de cálcio (para determinar a dureza da água) e a existência dos elementos que com-põem a água (flúor, ferro, manganês, chumbo, cobre, zinco, etc.). < icralmente as águas límpidas estão saturadas de oxigênio, o qual é consumido pelos-organismos aquáticos que descarregam gás carbônico produzindo também detritos que são oxidados, em parte pelas reações químicas, em parte, pelas bactérias aeróbias, em detri-mento do oxigênio dissolvido. Por outro lado, as plantas aquáticas ivoxigenam a água, consumindo o gás carbônico, fixando ainda os sais resultantes da decomposição dos dejetos animais. Portanto, para conhecer o grau de pureza da água é necessário medir com certa irgularidade o peso do oxigênio absolvido num dado volume de água, n u m determinado tempo, à temperatura normal.

Devido aos riscos cada vez mais freqüentes das várias formas i K- poluição, o controle das águas para o consumo da população é uma operação cada dia mais importante. O tratamento da água para lornar-se potável exige, além das constantes análises, uma série de i >lu-rações dentre as quais: a filtração, a sedimentação, a aeração, a l li unlação e a esterilização, de forma que a água potável resultante destinada ao consumo não possua nem sabor, nem odor.

de irrigação

Desde as primeiras técnicas de irrigação de cinco milênios atrás i i i i h / a i l a s nos jardins suspensos da Babilônia, no Egito antigo ou ii" , ii-rraços ou tabuleiros, na China e nos altiplanos peruanos dos Aiulc-s, desde incontáveis gerações até os nossos dias, essas técnicas l IN 11111 i vás de irrigação têm feito grandes progressos; porém, em mui-!»•, países, esses antigos métodos primitivos de irrigação são usados l i . hoje, embora ao longo dos séculos alguns aperfeiçoamentos te-n h a m sido ite-ntroduzidos. O escoamete-nto pela gravidade permate-neceu m . i l i c i a d o ao longo do tempo, tornando-se o primeiro método adota-iln pelos nossos ancestrais. Esse método requer a existência de um .npi nncnU) de água em níveis superiores, que pode ser um

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represa-34 Cura Pela Água

mento das águas recolhidas na estação chuvosa ou a elevação das águas de um córrego, rio ou lago mediante a construção de diques ou barragens. A partir desses reservatórios de abastecimento, são feitos os canais que transportarão a água para as regiões dos culti-vos, geralmente em níveis mais baixos. Mais tarde os povos pri-mitivos começaram a utilizar rodas de madeiras com pequenas ca-çambas para a elevação mecânica da água; esse foi o princípio da roda hidráulica, para transformar a força das águas correntes em energia mecânica, tornando-se base de uma das grandes inovações tecnológicas realizadas no século XIX, a turbina hidráulica, gerado-ra de eletricidade. Sua descoberta contribuiu pagerado-ra a redução dos cus-tos de produção de energia e para a considerável ampliação dos re-cursos energéticos de numerosos países, sendo a responsável pela rápida expansão industrial de grandes regiões do globo que, até en-tão, estavam estagnadas durante mais de um século pela falta de reservas de combustíveis, como o carvão, que era a principal fonte de energia no mundo; foi então se que generalizou a utilização das turbinas hidráulicas e dos equipamentos mecânicos, como as bom-bas de sucção e elevação. Dessa forma, milhões de hectares de terras áridas foram transformados em terras férteis para a agricultura, sen-do utilizasen-dos hoje no munsen-do mais de 200 milhões de hectares nos diversos cultivos, o que representa menos de 5% das terras disponí-veis para a agricultura.

Resumindo, a irrigação consiste em transportar a água até a área de irrigação através de um canal principal ou uma adutora, que distribui essa água através de uma série de canais secundários, que em geral acompanham os contornos do solo. Isso permite uma dis-tribuição permanente da água no sentido de cima para baixo, ao lon-go dos vários canais, de forma que toda a área acaba sendo irrigada. A melhor área para ser irrigada por gravidade são os vales com ligei-ros declives, formados por um solo aluvional próximo a um rio, onde a terra é fértil e há povoações. Nas terras planas, a irrigação por gravidade torna-se bastante difícil, de forma que hoje costuma-se usar a irrigação artificial. Atualmente existem vários sistemas me-cânicos de irrigação, sendo um dos mais usados a distribuição no terreno de uma rede tubos, que são alimentados por uma potente bomba de recalque que fornecerá a água necessária para a irrigação. Esses tubos são dispostos em grandes quadriláteros cobrindo todo o terreno e suas ramificações são compostas de tubos furados que permitem a irrigação de todo o cultivo.

IMPORTÂNCIA DA

ÁGUA NOS SISTEMAS

FISIOLÓGICOS DO HOMEM

Introdução

A água é o elemento essencial para a vida tanto humana como animal e vegetal, sendo ingerida principalmente através dos alimen-tos e das raízes enquanto absorvem os nutrientes da terra. Como sabemos, a água é um composto químico de duas partes de hidrogê-nio e uma de oxigêhidrogê-nio, representa dois terços do corpo humano e ccica de 75% do seu protoplasma, que é a matéria que envolve o núcleo das células. Uma das funções do elemento líquido no corpo humano é o transporte dos elementos nutritivos até as células do i>)'.anismo, como também o transporte dos dejetos e resíduos produ-/ u l o s pelos rins e todo sistema urinário, das glândulas sudoríparas, ' li IN pulmões e dos intestinos. Às vezes o corpo é acometido de ai-p i n s distúrbios que ai-provocam a diminuição na ai-produção de certos 11 pôs de hormônios pelas glândulas, o que ocasiona transtornos na i h s l i ibuição da água e soluções salinas no corpo, que podem provo-i .11 perdas excessprovo-ivas de água pela urprovo-ina, anomalprovo-ia que pode causar .1 ilrsidratação do organismo. A água natural, quando ingerida sem us devidos tratamentos, pode permitir a penetração de bactérias p.iioj^ênicas em nosso organismo, especialmente as causadoras da I r h i c tiíóide, da cólera e da disenteria, e, por isso, não se deve inge-i n .inge-i.r.ua sem conhecer sua procedêncinge-ia. Devemos sempre ter certeza i Ir i|iu- a água que ingerimos passou por um tratamento público ou MI ' m í n i m o uma filtragem, e quando surgirem dúvidas devemos

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as-36 Cura Pela Água

segurar-nos de sua pureza fervendo essa água, ou purificá-la dissol-vendo nela uma pílula ou tablete de cloro. A água proveniente das nascentes só deverá ser usada após uma análise bacteriológica e a sua devida purificação, caso esteja contaminada. As fontes pouco profundas devem ser rodeadas de paredes e dotadas de um adequado sistema de bombeamento. A água das fontes profundas geralmente é boa para o consumo, mas mesmo assim deverá ser comprovado o seu grau de pureza através de exames bacteriológicos.

Quanto às cisternas, é preciso protegê-las contra os mosquitos e sua água deve ser purificada de alguma maneira antes de seu uso, inclusive através da fervura. No Brasil, a maioria das cidades e po-pulações médias possui um bom sistema de purificação da água a ser consumida pela população, dispondo dos seus dispositivos de drenagem, bem como das redes de serviços de coleta de águas plu-viais e de esgoto."

Consumo diário de água pelo

organismo

O homem tem um consumo diário aproximado de água distri-buído da seguinte forma: o ideal é a igestão de 3.000 ml por dia, dos quais uma parte irá para os intestinos (150 ml), outra parte para a pele (750 ml), outra para os pulmões (300 ml) e uma parte para os rins (l .750 ml). Do ciclo acima apontado, a maior parte é eliminada pelos rins, mas certa quantidade volta ao exterior pelos pulmões, juntamente com o dióxido de carbono, e outra parte menor é expelida pelas fezes, sendo considerável também a perda de água através da pele, em forma de suor.

Composição da água e eletrólitos

no corpo humano

A água é o componente mais abundante do organismo huma-no, formando os líquidos extracelular e intracelular. O primeiro cir-cula pelo corpo de acordo com uma certa distribuição nos diversos

O Fluido Universal da Vida 37

compartimentos que são separados, no sangue e nos espaços intercelulares, por membranas. O volume extracelular de cada um dos diversos compartimentos do organismo pode ser avaliado com algumas técnicas especiais e depois pode ser deduzido o volume dos líquidos intracelulares. O volume plasmático pode ser medido atra-vés da utilização de substâncias que permanecem em quantidades apreciáveis nos compartimentos intravasculares.

As substâncias utilizadas para a avaliação da água corpórea total são o oxido de tritium, o oxido de deutério e a antipirina, e a avaliação é feita de acordo com uma fórmula desenvolvida pelos doutores Edelman e Liebman, cujas proporções são dadas na tabela que segue:

Água Corpórea Total

(em porcentagem do peso corpóreo)

Idade Sexo masculino Sexo feminino 0-1 mês 75,7 75,7 1-12 meses 64,5 64,5 1-10 anos 61,7 61,7 10-16 anos 58,9 57,3 17-39 anos 60,6 50,2 40-59 anos 54,7 46,7 Acima de 60 anos 51,5 45,5

O volume plasmático pode ser avaliado através do mesmo prin-rípio para determinar a média da água corpórea total, utilizando-se o corante azul de Evans, para marcar a albumina plasmática com n u l o radiativo, que deve permanecer no compartimento intravascular. O volume do líquido extracelular tem sido avaliado por uma •,ciic de métodos que determinam aproximadamente esse volume, pois ainda não existe um método confiável que possa avaliar exata-iiu-nle esse volume, pois as diversas substâncias utilizadas penetram de modo heterogêneo nos diferentes tecidos do organismo, ou seja, irndões, fáscias, pele e músculos, dando resultados diversos. Assim, parle de líquidos extracelulares, como o líquido contido no interior do lubo digestivo, é omitido neste método.

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38 Cura Pela Água

Em geral, o volume do líquido extracelular é em média 16% do peso corpóreo.

A composição do líquido intracelular varia de célula para célula e com seu estado funcional, pois dentro da própria célula existem di-ferenças de composição entre cada compartimento, que são mantidas através de uma série de processos que envolvem um gasto energético. O líquido intracelular pode ser avaliado e sua composição iônica de-duzida através da análises dos tecidos e através de cálculos.

Em geral, a dosagem dos eletrólitos se faz no soro. O sódio, por exemplo, é dosado em alíquota do soro e como normalmente a fração de água é bastante grande e se mantém constante, a referência da concentração se faz em relação ao volume.

O líquido intersticial só difere do plasmático, quanto ao baixo teor de proteínas e lipídios. As concentrações dos diferentes íons não são exatamente iguais às do plasma. Sabe-se hoje que 98% do líquido intersticial está sob forma de gel devido à presença de muco-polissacárides, permanecendo somente uma pequena porcentagem em forma de líquido, que aumenta bastante quando os tecidos se tornam edematosos.

Troca de líquidos entre os diversos

compartimentos

Estima-se que a concentração total dos solutos nos diversos compartimentos do organismo se mantém costante porque as mem-branas que separam esses compartimentos são permeáveis. Esse fato se reveste de grande importância não só no entendimento das altera-ções hidroeletrolíticas, mas também na avaliação e no planejamento terapêutico de inúmeras situações clínicas.

Assim, uma alteração na osmolaridade de um compartimento implicará a redistribuição da água para manter isotônicos os diversos setores hídricos do organismo. Como o sódio é o íon de maior presen-ça e concentração no líquido extracelular, qualquer variação deste acar-retará automaticamente a redistribuição de água entre os comparti-mentos intra e extracelulares. Assim, uma hipernatremia, por exem-plo, causada por um excesso de administração de sódio, provocará um movimento de água diminuindo os líquidos intracelulares para

au-O Fluido Universal da Vida 39

mentar os líquidos extracelulares. Por outro lado, devido a uma hi-ponatremia, haverá um movimento da água em sentido oposto, provo-cando a diminuição do volume dos líquidos extracelulares.

A comparação do líquido intersticial acusa uma maior presen-ça de concentração de proteína no plasma devido à constante passa-gem através do sistema linfático de líquidos e proteínas do interstício para o plasma e à menor permeabilidade da membrana capilar para as proteínas plasmáticas. Dessa forma, os líquidos e pequenos íons passam para o espaço intersticial, enquanto as moléculas protéicas são retidas no compartimento intravascular. As diferenças de com-posição entre o plasma e o líquido intersticial são uma maior con-centração de proteínas no plasma e maior quantidade de íons no plas-ma, causados pela maior concentração de proteínas.

tormas de aquisição de água,

sede, água endógena

Sede

O ingresso da água no organismo se dá por via oral e é contro-lado pelo mecanismo da sede. O centro regucontro-lador da sede se situa no lnpotálamo, e uma maior ou menor demanda corporal de água de-pende do nível de sódio. Assim, quando existe excesso deste, haverá mu aumento de ingestão de água para normalizar a osmolaridade Nérica, por outro lado, um aumento de uréia no corpo não provoca Mctle, porque ela se difunde facilmente e não provoca diferenças en-Ire os meios intra e extracelular. É provável que a diminuição do volume do líquido intracelular tanto isotônico (choque hemorrágico) forno hipotônico (perda de sódio) sejam os principais fatores que desencadeiam o mecanismo da sede; pode haver o caso de existir Ncde mesmo quando o volume celular não está diminuído, podendo, meliisivc, ter aumentado. Neste caso se a pessoa ingere muita água jinde caminhar para um estado de hiponatremia.

Água endógena

Água endógena é a água de oxidação produzida pelo metabo-IIMIIO de uma série de nutrientes. Nas pessoas doentes que não se

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40 Cura Pela Água

alimentam naturalmente, a água endógena é produzida pelo catabolismo das proteínas e gorduras e reveste-se de grande impor-tância, especialmente nos casos de traumatismos cirúrgicos, insufi-ciência renal, infecções graves e queimaduras acentuadas. Um mem normal chega a produzir 300 ml de água endógena em 24 ho-ras, podendo mesmo atingir até l .000 ml em 24 horas quando aco-metido de uma doença aguda.

Perdas de água corporal de forma

despercebida, através da

sudorese, da urina e do aparelho

digestivo

Perdas despercebidas

O corpo humano perde constantemente um certo volume de água que se evapora no ar por exsudação direta da pele. Essa água perdida por evaporação geralmente é isenta de solutos e pode atingir aproximadamente de 600 a l .000 ml por dia. A maior ou menor intensidade dessa perda varia em função da temperatura ambiente, da umidade do ar e da superfície corpórea exposta. Aumentando-se a freqüência respiratória é possível que aconteça uma perda maior de água pelos pulmões, o mesmo acontecendo com doentes que são submetidos a uma respiração artificial.

Perdas através da sudorese

O suor é outra forma de perda de água, mas com solutos. Em indivíduos normais, a sudorese acontece devido a um acentuado es-forço físico e elevadas condições da temperatura ambiental; os indi-víduos acometidos de alguma doença, especialmente quando estas vêm acompanhadas de febres altas ou aqueles acometidos de insufi-ciência renal ou mucoviscidose, geralmente apresentam um elevado teor de solutos no suor. A composição aproximada do suor: amônia 3,5 mM/1, cloro 40,0 mEq/1, sódio 48,0 mEq/1, potássio 5,9 mEq/1 e uréia 8,6 mMq/1.

O Fluido Universal da Vida 41

Perdas através da urina

Em condições normais, a perda de água através da urina de-pende muito da quantidade de água ingerida durante o dia. Quando o indivíduo bebe menos água do que o necessário para suprir suas funções vitais, o resultado será uma diminuição do volume de urina excretada, pois os rins não podem concentrar uréia e outros solutos além de um certo limite; portanto, um maior volume urinário será necessário para a excreção desses solutos. Se estiver instalado um quadro com uma lesão renal, o rim terá alterada sua capacidade de regular a excreção de água e sódio; nessas condições, os rins pode-rão contribuir para as perdas de água e solutos em vez de regular o metabolismo hidroeletrolítico.

Perdas através do aparelho

digestivo

A perda de secreções digestivas para o exterior normalmente representa uma porcentagem considerável das perdas de água, po-rém assume grande importância nos estados patológicos pois pode provocar uma rápida desidratação do corpo e conseqüentemente a morte. Todas as secreções digestivas como a bílis, sucos gástrico, pancréatico e do intestino delgado são isosmóticas com o plasma, excetuando-se a saliva, que é hipotônica. Os cátions mais importan-tes são os do sódio, comum em todas as secreções menos no suco gástrico, onde o íon que se apresenta com maior concentração é o 11+ (hidrogênio).

ISalanço hidroeletrolítico e

equilíbrio ácido-base

Balanço hidroeletrolítico

O estudo do balanço hidroeletrolítico consiste em analisar to-das as substâncias que entram e saem do organismo, especialmente .il^uns eletrólitos e a própria água, porque na realidade a ingestão de , i j ' u a não oferece grandes dificuldades, mas as possíveis perdas des-ta poderão trazer sérios problemas para a saúde corporal.

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É possível corrigir com certa margem de segurança a maioria das alterações hidroeletrolíticas que podem ocorrer nas trocas de líquidos no organismo, decorrentes do metabolismo dos principais eletrólitos hidrogenados e nitrogenados, quando associadas a dados clínicos. Torna-se, portanto, possível avaliar os ganhos e perdas de água e eletrólitos (sódio e potássio) de um paciente através de dados clínicos e conhecimentos fisiopatológicos, medindo-se a água ingerida, os soros recebidos, a urina, as perdas gastrointestinais, etc., e as perdas despercebidas e a água endógena são avaliadas através de tabelas de acordo com o peso do paciente. Assim, um aumento ou diminuição de peso superior a 300 g num adulto, em geral, não é decorrente de perdas ou ganhos de tecido sólido, mas de uma modi-ficação da quantidade de água do seu organismo.

Equilíbrio ácido-base

O equilíbrio ácido-base é de extrema importância para as fun-ções corporais do homem, pois todas as reafun-ções químicas conse-qüentes dos fenômenos metabólicos ocorrem no interior das células. Por esse motivo é importante estudar o equilíbrio ácido-base. As reações químicas que se dão nas soluções aquosas do organismo são muito sensíveis às variações da concentração hidrogeniônica, sendo que o próprio metabolismo celular produz os íons de hidrogênio, cuja tendência é alterar a composição do meio interno. Para manter a concentração hidrogeniônica do seu meio interno, o organismo se utiliza de uma série de mecanismos compensadores.

Por definição podemos chamar uma substância de ácida quan-do é capaz de quan-doar prótons; da mesma forma, podemos chamar uma substância de básica quando é capaz de se combinar com prótons. O íon hidroxila tem tendência a unir-se com o íon H+ proveniente de uma molécula de água, o qu eo torna uma base. Dessa forma, peque-nas alterações numéricas do pH correspondem a grandes variações na concentração real dos íons de hidrogênio. Hoje podemos medir diretamente a concentração hidrogeniônica do sangue, avaliando-se com precisão seu estado ácido-base. Porém, não é suficiente conhe-cer apenas o pH do sangue para termos uma idéia completa de como o equilíbrio foi estabelecido; para obter tal informação é preciso conhecer também as concentrações de um dos sistemas auxiliares cuja finalidade no organismo é manter o pH dos líquidos orgânicos relativamente constante.

O Fluido Universal da Vida

Quantidades diárias de água e

eletrólitos necessárias para a

saúde do corpo humano

Equilíbrio da água corporal

O corpo humano, para manter-se em perfeita saúde, deve apre-sentar um perfeito equilíbrio no volume da água corpórea entre os vários compartimentos. Qualquer alteração desse volume provoca de imediato distúrbios hidroeletrolíticos, que podem ocorrer em um ou em vários compartimentos corporais. Assim, se houver aumento ou diminuição do líquido extracelular, poderá acontecer uma redu-i,.io ou concentração das proteínas plasmáticas, com ou sem altera-ções da concentração de sódio. Da mesma forma, a administração de soluções hipertônicas de sódio provocará a saída de água do interior das células (reduzindo o volume intramolecular e aumentando o vo-lume do líquido extracelular) com aumento da concentração de sódio, diminuição do hematócrito e das proteínas do plasma.

Por outro lado se a perda de sódio for maior que a da água, é pmduzido uma queda da osmolaridade e do volume do líquido ex-n.nvlular, resultando uma movimentação da água para dentro das ' r l u l a s , aumentando o volume do líquido intracelular, o que ocasio-i ocasio-i . ocasio-i naves problemas clínocasio-icos.

As necessidades diárias de água podem ser avaliadas através . l . i perdas corporais. Assim, as perdas despercebidas num adulto i n t i m a i , dependendo das condições ambientais, estão por volta de MIO ,i l .000 ml/dia. Da mesma forma, o volume diário de urina, ne-• ' .mo para a excreção de todos os solutos provocados pela ingestão M I - i m , i l dos alimentos, está por volta de 1.000 ml/dia.

As necessidades calóricas básicas por dia do organismo huma-M" i M I . i a manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico e ácido básico r i i . i m cm torno de:

•100 g de glicose, •7.S inHq/1 de sódio,

• 10 a 70 mEq/1 de potássio;

• l SOO a 2.000 ml de soro glicosado a 5%, conlnulo U) ml < ! < • N.iCI .1 .'0% (100 mEq) e 20 ml de KCI ;\ l < ) . l % (SÓ ml < | i

Referências

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