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Curso SEXUALIDADE. Disciplina ANTROPOLOGIA

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Academic year: 2021

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Curso

SEXUALIDADE

Disciplina

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Curso

SEXUALIDADE

Disciplina

ANTROPOLOGIA

Patrícia MOREIRA

Revisado por Sayyeda FRIDA

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Apresentação

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Aula 1

O corpo: objeto de estudo

antropológico

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Aula 2

Sexualidade oriental X sexualidade

ocidental

54

Aula 3

Religião e sexualidade

66

Aula 4

Prostituição

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Antropologia

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Caro aluno! Seja bem-vindo a mais uma disciplina.

Aqui iremos trabalhar a sexualidade com um olhar antropológico. Teremos 4 aulas. Na primeira aula, analisaremos o corpo com um olhar antropológico. Na segunda aula, faremos uma comparação da sexualidade oriental com a sexualidade ocidental.

Na terceira aula, já olharemos a sexualidade com religiosidade, ou melhor, falaremos de religião e sexualidade.

E, por fim, na quarta e última aula, falaremos de prostituição.

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Este caderno de estudos tem como objetivos:

Entender o corpo como objeto de estudo antropológico;

Verificar as diferenças entre a sexualidade oriental e a ocidental;

Estudar religião e sexualidade observando os pontos em que elas se encontram;

Abordar e discutir um tema bastante antigo, no entanto muito atual, que é a prostituição.

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O Corpo: Objeto de

Estudo Antropológico

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Nesta aula, buscaremos compreender o mundo que nos cerca partindo de um universo microcósmico, ou seja, partindo do nosso próprio corpo, da forma como o entendemos e das diversas leituras que fizemos no passado sobre o mesmo e de como partindo dele podemos começar a compreender a nossa cultura, o universo que nos cerca. Dessa forma, desnaturalizaremos o corpo, seus fluidos e demais elementos para assim percebermos melhor como as formas de sentir o corpo foram mudando através da história.

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Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:

Ver como o corpo é socialmente concebido;

Entender como corpo e sexo estão intimamente relacionados; Conhecer os Wiccans e os iluminados de Thanateros (Caoístas);

Entender como o sexo também se torna sagrado sob leis de conduta mágica;

Ver como o sexo e o corpo foram “empurrados” para a obscuridade.

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Aula 1 | O corpo: objeto de estudo antropológico 8

O Corpo

Introdução

Podemos dizer que, de uma forma geral, na Idade Média e ainda no Renascimento, tanto os seres quanto as coisas eram vistos como algo uno. É por volta do século XVII que surge uma nova forma de pensar as coisas que modifica não somente a

racionalidade, mas também as posturas, as

representações e a sensibilidade do homem moderno ocidental. O que era visto como uno passa a ser fragmentado e baseado em oposições como natureza x cultura, sociedade x indivíduo, corpo x alma. Esta última dicotomia é a base dessa ruptura que coloca o corpo como algo profano e sujo e a alma como sagrada e pura e, assim, uma série de tabus começam a surgir.

No mundo medieval, o homem tinha uma convivência mais estreita com os mortos e outros

elementos corporais aos quais hoje sentimos

repugnância. A dificuldade em lidar com essa forma de pensar levou o homem a criar as oposições e a privilegiar valores como a ordem, a limpeza, a proteção e o controle do corpo. Claro que isso refletiu na constituição da individualidade que, por sua vez, modificou nosso modo de pensar e de sentir. Desse modo, fomos criando cada vez mais técnicas de proteção ao corpo. Assim, aos poucos, o corpo vai se afastando do cosmos.

A dissociação

Nosso corpo começa a ser “educado” durante a nossa infância. É aí que aprendemos a controlar as nossas pulsões, onde aprendemos a ter “nojo” de determinados fluidos de nossos corpos.

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Aula 1 | O corpo: objeto de estudo antropológico 9

Quando falamos em “corpo”, parece ser algo natural e que não merece ser pensado nem interpretado. Não paramos para pensar no quanto o corpo é produto e produtor de significados, no quanto ele nos fala e no quanto ele diz de nós.

Segundo Nunes Pinto (2004),

O corpo é também objeto de um culto de base narcisista, a corpolatria, que no contexto da vida cotidiana provoca uma explosão que pode ser percebida na

exuberância das técnicas ligadas ao

vestuário, a dança, aos esportes ao mundo do trabalho, nas práticas alternativas de saúde, alimentação e higiene.

O corpo é apresentado como a principal via para a obtenção de prazer individual e para a aprovação social. Podemos nos perguntar em que sentido a educação do corpo com base na dualidade corpo/alma promove a compreensão de comportamentos e atitudes consideradas necessárias a vida moderna.

Para tentarmos entender essa cisão, devemos nos reportar à Idade Média quando ocorreu a ideia de que o espírito era totalmente separado do corpo e superior a este último. A natureza ligada ao corpo era vista como ameaçadora e, portanto, deveria ser controlada. E nos colocamos agora diante da seguinte questão: de certa forma, o homem dominou a natureza, ou pelo menos pensa que dominou, ele não tem mais o mesmo medo que tinha dela no passado. Ela não é mais uma opositora. Por outro lado, quem aparece como uma força repressora e opositora é a própria sociedade que não deixa o indivíduo ser plenamente ele mesmo. Na sociedade, o indivíduo aprende a controlar os seus “impulsos naturais” e, assim, aprofunda-se a cisão entre indivíduo e sociedade.

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Aula 1 | O corpo: objeto de estudo antropológico 10

A natureza permite e a sociedade proíbe. Esse conflito já está tão introjetado nos indivíduos que não questionamos muito a possibilidade de alguma mudança. De um modo geral introjetamos que as leis sociais são “naturais”.

A imagem do homem como ser racional surge e desenvolve-se na transição da Idade Média para a

Modernidade com profundas transformações na

estrutura social e no posicionamento dos indivíduos dentro dessa nova estrutura. O corpo no contexto medieval era associado ao pecado imerso na natureza e suas leis. Por isso, deveria ser sempre purificado, delegado a segundo plano e principalmente controlado.

Com a transição para a modernidade, temos a percepção de que o corpo precisava de alimento e de trato como um meio de obter conhecimento através dos sentidos. O homem foi unindo-se, novamente, à natureza e percebeu que seu carcereiro era na verdade a sociedade. Dessa forma, vemos a partir do século XX um movimento no sentido de combater a nova carcereira, que tomou a face da “sociedade”. Nesse momento, vemos a busca do prazer corporal como condição para a felicidade, para a busca do erotismo, da beleza corporal o que levou também a uma espécie de ascese corporal, na medida em que leva a um controle imenso sobre o corpo que, para ter e dar prazer, deve ser considerado belo. O controle agora segue na direção da obtenção de prazer.

Assim, vemos o corpo, mesmo que de forma inversa, sendo objeto de controle social e político.

CORPO E SOCIEDADE

Segundo Rodrigues (1975), o corpo é socialmente concebido, assim, como qualquer outra realidade do

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Aula 1 | O corpo: objeto de estudo antropológico 11

mundo. Analisando a representação social do corpo, podemos entender a estrutura de uma sociedade. Com isso queremos dizer que o corpo humano vai além do biológico, pois é afetado pela cultura, pela religião. Dessa forma, ele cumpre a sua função, ou seja, a aparência funciona como a garantia ou não da integridade de uma pessoa. Tiramos conclusões morais baseadas no que nos “diz” o corpo de um indivíduo.

Podemos “ler” o corpo de um indivíduo já que este é um suporte de signos e porta em si a marca da vida social. Ainda segundo Rodrigues (1975),

Arranhando, rasgando, perfurando,

queimando a pele imprimem-se cicatrizes – signos que são formas artísticas ou indicadores rituais de status, como as mutilações do pavilhão auricular, corte ou distensão do lóbulo (...), circuncisão, obesidade, compleição atlética, corte de cabelo, pintura das unhas, coloração da pele, tatuagem. (...). Cada uma dessas práticas se explica por uma razão particular, ritual ou estética: ritos propiciatórios marca tribal, signo de status social, ritos de passagem. (...) Nenhuma prática se realiza sobre o corpo, sem que tenha a suportá-la, um sentido genérico ou específico.

O CORPO E O SEXO

Corpo e sexo estão intimamente relacionados e nenhuma sociedade deixa de restringir de alguma forma o comportamento sexual de seus membros. Muitas religiões ocidentais construíram várias teorias segundo as quais o ato sexual é vergonhoso, devendo ser praticado na obscuridade e a portas fechadas, visando apenas a procriação. Os comportamentos eróticos em público devem ser reprimidos e qualquer indício de excitação deve ser dissimulado.

O conceito de “decente” e de “indecente” são socialmente aprendidos, mas sempre variam de cultura

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para cultura. Essa noção de “decência” também se estende ao discurso, onde certas palavras são consideradas “feias” devendo, portanto, ser evitados.

Claro que existem crenças de teor mágico associadas ao sexo. Em muitas sociedades, ele é considerado perigoso se feito em determinadas circunstâncias. Também é comum o medo de que as secreções sexuais sejam utilizadas com finalidade mágica. Veremos a seguir dois exemplos onde o corpo e o sexo estão intimamente ligados.

O CORPO E A MAGIA

Nesta parte de nosso caderno, pretendo abordar parte do trabalho de campo que realizei para minha tese de doutorado, entre dois grupos de nova era que

se intitulavam respectivamente “Wiccans” e

“Iluminados de Thanateros”. Partes de suas doutrinas eram voltadas para o uso do corpo, ou seja, faziam uma verdadeira leitura do mundo através do uso do corpo e do controle do mesmo.

Ambos os grupos são iniciáticos e hierárquicos e atribuem ao corpo e à sexualidade um significado mágico. O sexo é visto como algo que pode liberar o indivíduo de vários preconceitos e, mais ainda, é

considerado uma prática que leva ao auto

conhecimento e à evolução espiritual. Os dois grupos nasceram fora do Brasil, os Wiccans têm suas raízes na Inglaterra e os Iluminados de Thanateros, ou Caoístas, na Alemanha. Ambos estão muito bem estruturados por todo o nosso território nacional. Neste trabalho, privilegio as facções localizadas na cidade do Rio de Janeiro.

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Aula 1 | O corpo: objeto de estudo antropológico 13

OS WICCANS

A máxima dos wiccanos é a seguinte: “faze o que tu queres, contanto que não prejudique a ninguém e nem a ti mesmo”. Como pude observar, esta frase é um atrativo forte na medida em que libera o indivíduo da moral cristã como várias vezes foi dito por eles mesmos. Geralmente, esses indivíduos, jovens de 20 anos em sua maioria, são de famílias católicas ou protestantes, consideradas bastante repressoras, e desse modo muitos buscam a Wicca achando que irão encontrar grandes orgias em seus rituais justamente pelo fato do sexo ser muitas vezes usado e encarado como um meio de “fazer magia”. Como disse “Bran”, de 17 anos, “quero participar dos rituais por que sei que rolam umas orgias”. Com essa frase, dita a Secularis, um sacerdote Wicca, Bran foi considerado imaturo para participar do grupo, pois estaria deturpando o significado sagrado do sexo na Wicca.

Na verdade, o que ocorre em ambos os grupos é um grande diálogo conflituoso entre a educação moral e a religiosa que se recebeu da família e uma tentativa de quebrar de forma mais ou menos violenta com os antigos valores, substituindo-os por novos que são por sua vez construções pessoais e idealizadas do que vem a ser a nova religião escolhida.

Durante o curso do qual participei, ministrado por Secularis, além da parte teórica, também, havia a parte prática. Nesta parte prática o corpo era submetido a técnicas onde deveria ficar imóvel por vários minutos. Como exemplo, posso citar a técnica de “visualização”. Uma pessoa fica sentada numa cadeira de olhos fechados. As outras devem ficar sentadas de frente, olhando para a pessoa sentada na cadeira, de olhos bem abertos focalizando um ponto no rosto da pessoa. Durante uns 20 minutos, não se pode piscar de

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forma alguma. As lágrimas escorrem, mas não se pode piscar. Num determinado momento, parece que a visão fica escurecida, mas logo se começa a enxergar de novo e nesse momento é que a visualização acontece. O rosto da pessoa pode começar a tomar outras formas, ou outros rostos podem sobrepor-se. Para isso é exigido dos participantes uma profunda concentração. Já os exercícios de magia sexual são passados apenas na teoria e todos são aconselhados a praticá-los com seus devidos parceiros ou parceiras.

Num outro exercício, todos devem “circular energia” e para isso a técnica de visualização deve estar dominada, pois deve-se visualizar a energia passando por todos os membros. Existem vários exercícios onde o controle sobre o corpo é requerido e onde o controle sobre a mente também. Todos os pensamentos devem ser controlados. O objetivo final seria o controle do subconsciente a fim de dominá-lo e não de ser dominado por ele. É assumir um controle e responsabilidade total sobre todos os atos e assumir também as consequências dos mesmos. Nenhuma responsabilidade é atribuída “aos deuses”, afinal possuímos a “fagulha divina” e dessa forma somos também deuses e, como deuses, se deve assumir tudo o que se faz. Aqui coloco uma sequência de exercícios passados, que demonstram o controle e, de certa forma, a ascese requerida e a necessidade de repetição através do corpo como um objeto técnico (Mauss, 1974).

“Este é um exercício nas disciplinas da magia: transe, uma forma de controle da mente semelhante à yoga, metamorfose pessoal e as técnicas de magia básicas. O sucesso com essas

técnicas é pré-requisito básico para qualquer

progresso real”. :: Ascese:

Palavra de origem grega (Askésis) que significa exercício. Que diz respeito a prática de virtudes através do exercício da vontade através da meditação e da mortificação.

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Aula 1 | O corpo: objeto de estudo antropológico 15

CONTROLE MENTAL

Para um trabalho mágico efetivo, a habilidade para se concentrar e a atenção devem se fortalecer, até que a mente possa entrar em estado de transe. Isto é realizado nos seguintes estágios: absoluta imobilidade do corpo, regulação da respiração, cessação do pensamento, concentração no som, concentração nos objetos e concentração nas imagens mentais.

IMOBILIDADE

Posicione o corpo de maneira confortável e tente permanecer nesta posição por tanto tempo quanto possível. Tente não piscar ou mexer a língua, dedos ou qualquer outra parte do corpo em absoluto. Não deixe a mente embarcar nos vagões dos pensamentos, mas, ao contrário, observe-se passivamente. O que parecia ser uma posição

confortável passará a ser agonizante com o

tempo, mas persista. Quando tiver sido

atingido o patamar de 15 minutos, proceda então a regularização da respiração.

RESPIRAÇÃO

Fique tão imóvel quanto possível e comece deliberadamente a fazer a respiração mais lenta e mais profunda. O objetivo é utilizar a total capacidade dos pulmões, mas sem qualquer esforço muscular excessivo

ou tensão. Os pulmões devem ser mantidos

vazios/cheios, entre a inspiração/expiração, para aumentar a duração do ciclo. O importante é que a mente esteja totalmente direcionada para o ciclo da respiração.

Assim, na Wicca, o “bom transe” só é conseguido através do controle total dos sentidos. O transe só é

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satisfatório se o corpo e a mente estiverem sob controle. O corpo, mesmo no transe, não estaria “descontrolado”, mas as imagens ou gestos derivados do transe apareceriam delimitados pelo treinamento do “bruxo”. Para se atingir esse controle, o grupo é instigado a praticar diariamente vários exercícios, manter um diário onde são anotados todos os sentimentos, tudo o que os membros julgam como “falhas”. O Ego deve ser colocado em segundo plano. Escutar o Ego é dar ouvido às paixões e ao descontrole. Segundo Le Goff (1989), o corpo aqui entendido como emoção deve ser subordinado à cabeça, lugar da razão, e no caso do grupo em questão, lugar da magia, também, diluindo assim as fronteiras entre o que é racional e irracional. O corpo na Wicca é visto como sagrado, quando receptáculo da vontade Divina, mas ao mesmo tempo como pertencente ao mundo material pois como somos “involuídos” segundo a Wicca, ainda nos deixamos arrastar por paixões e não devemos nos culpar por isso e sim trabalhar essas supostas falhas. O

corpo pode ser usado prazerosamente e

descompromissadamente desde que seu dono assuma todas as consequências. Assim cria-se um tipo bem particular de ascese onde ao mesmo tempo em que se deve controlar as paixões, a culpa por não conseguir perfeitamente esse objetivo é inexistente, pois estaríamos nesse mundo justamente para aprender. Dessa forma se inverte a ideia de corpo como algo “pecaminoso” e “sujo”, onde o sexo deveria ser objeto de renúncia (Brown, 1990).

O sexo também se torna sagrado e sob leis de conduta mágica. As famosas orgias sem limites tão frequentemente atribuídas aos bruxos e bruxas pela inquisição (Kramer e Sprenger, 1991 e Ginzburg, 1991) nesse grupo que estudo não passam de “mera fantasia de mentes depravadas dos padres da inquisição e que perduram no imaginário popular até hoje”. O que existe é o sexo regulado por meio de discursos que não sejam

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Aula 1 | O corpo: objeto de estudo antropológico 17

o da proibição (Foucault, 1988). É bem verdade que pelo menos um dos sabás (rituais) é bem erotizado mas tudo ocorre ao nível simbólico. Me refiro ao Sabá de Beltane que corresponde ao início da primavera. Nesse Sabá é ritualizada a união sexual da Deusa e do Deus representados pelo sacerdote e pela sacerdotisa. Se ambos são casados, namorados ou estão livres de outros compromissos e se for da vontade de ambos realizar o ato sexual de verdade, os dois no momento em que se dá o casamento sagrado devem se retirar do grupo, ir para um recinto fechado e lá consumarem o ato, fazendo assim tanto o sexo como o corpo um lugar de manifestação do Divino. Caso ambos já sejam casados com outras pessoas (como é o caso dos sacerdotes do grupo que estudo) esse união se dá simbolicamente. A sacerdotisa segura um cálice com vinho representando o útero da Deusa e o sacerdote segura um “athame” (um punhal) que representa o falo do Deus. O punhal é introduzido no cálice e assim o casamento sagrado é simbolizado e de fato realizado.

Dessa forma vejo que ao mesmo tempo em que o sexo é visto como livre de tabus dependendo apenas da consciência e vontade das partes envolvidas o vejo como também envolto numa grande ascese, como se nem os próprios sacerdotes e sacerdotisas não conseguissem se liberar de verdade apelando para athames e cálices. Seria o sexo ascético. Sim, em Wicca não existe a noção de culpa, pecado, fidelidade no sentido cristão (na teoria), mas esses conceitos parecem ainda estar mais presentes entre os membros do grupo justamente por não serem impostos pela força e por serem caminhos para a divindade e evolução espiritual. Na medida em que o bruxo ou bruxa conseguiu dominar as suas paixões, o seu subconsciente, ele naturalmente evita situações que podem trazer sofrimento aos que ama e principalmente admitir para si mesmo que se deixou levar pelas paixões.

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Aula 1 | O corpo: objeto de estudo antropológico 18

Como diz o sacerdote do grupo, “o bruxo apesar de não ter preconceitos, ele é um homem do seu tempo imerso numa sociedade que ele gostando ou não vive de acordo com certos valores. Então, se deve sempre respeitar os valores alheios e nunca tentar impor nada. Se a outra pessoa pensa como um bruxo ótimo, senão, se deve respeitar e exigir respeito também. Quando um não quer, dois não brigam. E se por acaso nos deixamos levar, temos que assumir todas as consequências de nossos atos”.

Quando me referi ao que chamei de sexo ascético, é porque existe um tipo de magia sexual. Segundo o sacerdote, os sentimentos mais fortes para fazer com que a magia funcione são os seguintes: sexual, amor e ódio. Segundo ele, quando se faz magia sob a influência de um desses sentimentos, ela sempre funciona. Quanto à magia sexual, ela pode ocorrer

durante determinadas situações. Durante a

masturbação, durante o ato sexual e durante o período menstrual da mulher. A intenção é atingir o orgasmo e justamente um pouco antes do momento do orgasmo é que o bruxo ou a bruxa deve canalizar seu pensamento para o objetivo da magia que não necessariamente é algo sexual. É pregado justamente o controle total da mente e do corpo até nesses momentos. O prazer não estaria desvinculado do divino e do “racional”.

Vemos que este grupo constrói um tipo peculiar de ascese que convive com uma suposta liberalidade. Vejo o corpo nesse grupo sendo usado como um meio de busca pelo autoconhecimento que passa pelo controle do mesmo através da mente (Le Goff, 1989), apesar de não ser visto como algo necessariamente “inferior ou sujo”. A hierarquia existe, mas na prática o corpo também pode ser receptáculo do divino ou pelo menos buscar a divinização através de atos que poderiam ser vistos como impuros, como o sexo por

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Aula 1 | O corpo: objeto de estudo antropológico 19

exemplo. Durante o sexo mágico o corpo inverte a hierarquia de certa forma (embora a mente nesse momento tenha que estar controlando até mesmo o subconsciente) na medida em que o corpo é divinizado. Assim embora se tente colocar lado a lado o corpo e a mente, vejo que a mente continua sendo o aspecto principal e que a dualidade não é dissolvida.

Claro que este é o discurso “oficial”, na prática o que ocorre é um grande conflito, pois a maioria dos membros não consegue encarar com tanta naturalidade o que é chamado de magia sexual. Um grande conflito existente é “o corpo da mulher como altar”. Em Beltane, uma mulher deveria deitar-se nua sobre uma mesa com uma taça sobre seu ventre e o sacerdote deveria beijar seus pés, seu ventre, seus mamilos e boca num ato de reverência ao feminino. Nunca presenciei tal cena, pois a polêmica feminista criada foi mais forte. É criado, então, um conflito interno entre os valores religiosos anteriores e os atuais, levando o indivíduo a querer “testar seus limites” através do sexo e isso os leva a situações que influem diretamente em suas vidas diárias.

Os Iluminados de Thanateros (Caoístas)

Como indica o nome, thanatos e eros, este grupo considera a morte e o sexo como praticamente “irmãos”. Este grupo originado na Alemanha é considerado pelo meio mágico como um dos mais “pesados” e fechados. Para conseguir entrar no grupo, tive que passar pelo que eles chamam de “ordálio de

quatro meses”. Particularmente, achei muito

interessante o ordálio. Tive que fazer em casa exercícios de visualização, banimento de energias negativas e hiperventilação a fim de tentar “ver alguma coisa diferente”. Nunca vi nada de muito estranho além de sentir tonteiras e sono. Além de fazer os exercícios,

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Aula 1 | O corpo: objeto de estudo antropológico 20

deveria enviar diariamente relatórios para o líder do grupo no Brasil. Depois, já aceita no grupo, descobri que eles nem liam os relatórios. A finalidade era apenas testar a força de vontade do candidato. Após o ordálio, passei então a ter que me preparar para a iniciação. Deveria comprar uma adaga, um manto com capuz negro e pagar 30 reais por um anel com o símbolo da estrela do Caos que são nove setas partindo de um núcleo circular.

Chegou, então, o dia da iniciação. Eu e outra garota seríamos iniciadas no mesmo dia. Ficamos esperando num local predeterminado um membro do grupo que nos foi buscar de carro. Quando ele chegou, não nos disse uma palavra sequer e fez sinal para que

nós entrássemos no carro. Chegamos a um

apartamento no bairro do Itanhangá. Uma deveria subir primeiro e a outra ficar no carro. Fui a primeira e no corredor no edifício fui vendada. Entramos no apartamento e notei que havia velas no chão. Quando tiraram a venda, me vi no meio de uma grande estrela do Caos e rodeada de membros com mantos e com os rostos escondidos pelos enormes capuzes. O líder vestia um manto vermelho e tinha uma máscara de Baphomet. O “Baphomet”, então, me perguntou se eu estava disposta a entrar para o grupo. Eu disse que sim. Uma bandeja de prata foi colocada a minha frente e tive que tirar a roupa e colocar na bandeja que foi levada por alguém encapuzado. Nesse momento, Baphomet me perguntou qual seria meu nome no grupo e falei que seria Kia (energia primordial). Ele me mostrou o sinal pelo qual os membros se reconheciam e a senha secreta. Repeti e veio, então, outra bandeja com o meu manto e minha adaga. Me vesti e todos vieram me abraçar e dar as boas vindas.

Contei aqui como foi a iniciação, justamente, porque eles mudam o modelo de iniciação a cada ano e Dica da

professora

Essa máscara com chifres seria a representação da força da natureza e da sexualidade.

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como a minha tem mais de dois anos e já me desvinculei do grupo, não vejo problema em contar. Também achei necessário contar, pois em todas as iniciações o corpo tem um papel importante. A nudez em si é uma prova pela qual o candidato tem que passar. Mostrar vergonha indica problemas com a sua sexualidade e, portanto, a iniciação pode ser abortada ali mesmo se alguém se recusa a tirar a roupa. O objetivo do grupo é trabalhar com as duas energias mais fortes que, segundo eles, são o sexo e a morte. O momento do orgasmo seria uma “pequena morte”, liberando uma energia fortíssima que deve ser usada para atingir seu objetivo mágico tal e qual na Wicca.

Segundo Rodrigues (1975), o sexo está na natureza e na cultura ao mesmo tempo e, em nome de mantê-los separados, as culturas devem controlá-lo e cada uma achou a sua solução. Algumas encarando-o de frente, outras, como a nossa ocidental, confinando-o a obscuros domínios do pensamento para tentar preservar certas posições valorizadas pela tradição. Dessa forma, em nossa sociedade, o sexo foi empurrado para espaços fechados, para as noites, para o escuro, onde não há luz e, portanto, não há informação. Para o submundo, onde as relações sociais tidas como aceitáveis se “obscurecem”.

Nos grupos que pesquisei, pude perceber uma pálida tentativa de trazer o sexo e o corpo para a luz do dia, mas a meu ver toda essa ritualização só faz reforçar a ideia de que o sexo ainda vive do lado escuro e ainda é visto como transgressão.

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Aula 1 | O corpo: objeto de estudo antropológico 22

Magia, religiões, prostituição e casas de

swing. “Perversões” modernas socialmente

criadas?

Vimos acima como o sexo e o corpo foram

empurrados para a obscuridade. Vimos como

deveríamos ocultar o corpo para minimizar o desejo sexual. Vimos que nada disso conseguiu destruir com o impulso sexual e vimos como o corpo sexualizado foi empurrado para locais escuros e “mal vistos”.

Nos dois grupos estudados, ficou claro que todos buscavam sacralizar o corpo e o sexo, quase pedindo perdão por sentirem desejo, uma tentativa pós-moderna de resgatar o sexo idealizado como livre dos tempos pagãos. Uma tentativa de “limpar” o que é considerado “sujo” pela sociedade cristã.

Outra consequência do sexo cristão foi a prostituição como a temos agora. Digo isso porque na antiguidade existia a prostituição sagrada que era plenamente aceita socialmente. Hoje a prostituição é ainda vista como o lugar de realização das fantasias proibidas, daquelas que não se pode realizar no lar e sim na rua, com uma desconhecida. Uma prática que desvincula o amor (sentimento puro e sagrado) do sexo (sentimento impuro e profano).

Outra prática ainda mais atual são as “casas de swing”, onde todas as leis que regem a “moral e bons costumes” são legalmente invertidas. Em tais locais, os casais podem não só trocar de parceiros, como participar de orgias com várias pessoas bem como realizar o ato sexual na frente de todos, o que seria a total inversão, pois traz à luz o que deveria ficar escondido. O que de certa forma podemos questionar é se realmente ocorre uma inversão, ou melhor, se tal prática contribui para uma desculpabilização do sexo e

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Aula 1 | O corpo: objeto de estudo antropológico 23

o uso do corpo, ou se reforça que tais práticas são “incorretas” e que por isso devem permanecer no “escuro”. De qualquer forma, vejo como tentativas de quebrar as regras já impostas, embora não as quebrem de fato.

Com isso proliferam os lugares obscuros e secretos de realização das fantasias tidas como “feias”. Ao mesmo tempo em que estes locais as escondem, também as mostram através da mídia. A proliferação nos grandes centros, de sex shop apenas para mulheres mostram o quanto a tentativa de trazer para a luz do dia desejos escondidos é real e ao mesmo tempo o quanto ainda permanecem na escuridão entre risinhos de vergonha e o sentimento de que cometeu uma “infração social”.

Conclusão

A história é feita de rupturas e continuidades, de inversões, também, como pudemos perceber.

Na Idade Média, o homem se viu obrigado a renegar a sua natureza, vista como uma ditadura implacável que o levava aos mais “baixos instintos”. Valorizando as leis sociais que o libertariam e o purificariam de si mesmo, o homem acabou preso ao seu próprio medo de si, ou seja, medo da sua natureza e busca agora libertar-se de sua nova opressora; a sociedade e suas leis que reprimem a sua natureza.

Nesse caminho tortuoso, nos vemos caindo em nossas próprias armadilhas. Ainda nos amparando nas leis sociais tão fortemente arraigadas, mas ao mesmo tempo tentando nos livrar delas em espaços criados para a transgressão. Podemos nos perguntar se há de fato uma solução ou se tudo é parte de um processo contínuo de construção de identidades. Fico com essa

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Aula 1 | O corpo: objeto de estudo antropológico 24

última possibilidade. Abrigaremos em nós sempre um inferno de possibilidades. Esse inferno tem um nome: natureza humana, que não é única, não é estática e nunca será.

RESUMO

Vimos até agora:

Desde a infância começamos a ter

conhecimento sobre o nosso corpo que na maioria das vezes aprendemos a ter “nojo” de determinados fluidos dele;

Que na Idade Média ocorreu a ideia de que o espírito era totalmente separado do corpo e superior a este último;

Que o corpo, mesmo que de forma inversa, é objeto de controle social e político;

A relação entre corpo e sociedade que nos mostrou que analisando a representação social do corpo podemos entender a estrutura de uma sociedade e que com isso queremos dizer que o corpo humano vai além do biológico, pois é afetado pela cultura, religião etc.

A relação entre corpo e sexo que nos fez notar que o corpo e o sexo estão intimamente relacionados e que nenhuma sociedade deixa

de restringir de alguma forma o

comportamento sexual de seus membros;

A relação entre o corpo e magia sendo

exemplificado a partir de um estudo

antropológico com os Wiccans e os

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Sexualidade Oriental

versus Sexualidade

Ocidental

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Nesta aula iremos abordar duas formas tão diferentes de pensar e viver a sexualidade, a sexualidade ocidental e a oriental.

Buscaremos abordar este tema procurando compreender como estas sexualidades foram construídas através da história partindo da Antiguidade.

Em relação a sexualidade ocidental iremos seguir uma linha que aborda como as concepções médico-higienistas (influenciadas pela medicina social do século XVIII surgida na Europa, atuaram no Brasil do século XIX) criaram uma concepção repressora da sexualidade assim criando espaços de poder como a escola e o consultório médico e dessa forma, influenciando a formação dos indivíduos no que tange a este respeito.

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Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de:

Refletir a respeito de como as ideias higienistas estão ainda hoje presentes em nosso ideário sexual;

Perceber como atualmente temos voltado aos poucos os nossos olhos para uma nova forma de encarar o sexo, ou seja, de como estamos começando a olhar de forma positiva para a sexualidade oriental;

Perceber que falar de sexualidade é o mesmo que falar de dogmas já enraizados em nossas concepções de vida moderna; Refletir sobre repressão, poder, corpo, tabus, religião, sexo, vida e morte;

Ver que Foucault coloca a sexualidade como um dispositivo histórico de poder que atua em nossa sociedade normatizando as nossas posturas diante do sexo.

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A sexualidade ocidental

Knibiehler (2002) constrói um quadro

desanimador em relação a construção da sexualidade ocidental quando destaca, nos últimos 30 anos, o aumento do assédio sexual, da violência doméstica, do estupro e da prostituição forçada. Vemos então a constituição de uma sexualidade profundamente problemática, difícil e repressiva. Da liberdade da

Grécia antiga, (em que jovens podiam ter

relacionamentos sexuais com parceiros do mesmo sexo), passa-se no cristianismo, a condenar a sexualidade como maldita para todos. A associação do sexo com a morte favorece a emergência da confissão no século XVII, a demonização da masturbação o século seguinte, e sua crescente condenação pela igreja. A noção da prostituta só surge quando a idade do casamento é retardada para as mulheres e assim os rapazes que são ensinados a refrear o instinto sexual são levados paradoxalmente a buscar bordéis e assim a reforçar o estereótipo de mulher da casa e mulher da rua.

Embora a Revolução Francesa tenha promovido a secularização do casamento e do divórcio por outro lado tivemos a invenção do é chamado de “natureza feminina” rotulando o desejo feminino como perigoso. No empenho em refrear a sexualidade os ocidentais criaram abismos entre o amor carnal e o amor espiritual, jogando os prazeres para o lado do pecado e da culpa. Hoje em dia o que temos é justamente a “tirania do prazer”. Como então nos libertar de todos estes tipos de cadeias? Seria por isso que estamos voltando nossos olhos para o modo oriental de pensar a sexualidade? Veremos isso no decorrer da aula.

Nos dias atuais existe uma tendência a um saudosismo e a uma idealização da suposta liberdade

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sexual que existia na Antiguidade. Claro que se formos tomar como parâmetro o que vivemos hoje, não é difícil mesmo fazermos essa idealização positiva dessa época.

Vemos a sexualidade sendo tratada como sagrada na antiguidade e não como algo vergonhoso. Ser uma mulher e exercer a sua sexualidade não era motivo de vergonha nem de culpa. Seu corpo era um veículo sagrado. Existiam as “prostitutas sagradas”, respeitadas como veículo religioso, uma forma de contato direto com o divino ou com os deuses. A elas eram oferecidos presentes e reverências, seus corpos eram vistos como altares sagrados e ter sexo com as mesmas era um privilégio e nunca visto como algo desonroso para as mulheres. Na Antiguidade, em várias civilizações do Oriente Médio essa prática também era comum, e por ela os homens visitavam templos, onde tinham relações sexuais com o objetivo de comungar com uma deusa particular. Por esta concepção a prostituta sagrada encarnava a deusa, tornando-se responsável pela felicidade sexual, a veia através da qual os rudes instintos animais são transformados em amor e na arte de fazer amor. Nesse período em que existia a prostituição sagrada, as culturas constituiam-se sobre um sistema matriarcal que, muito mais do que mulheres em cargos de autoridade, significava um foco em valores culturais diferentes. Onde o patriarcado estabelece lei, o matriarcado estabelece costume; onde o patriarcado estabelece o poder militar, o matriarcado estabelece autoridade religiosa; onde o patriarcado encoraja o valor, força e perícia do guerreiro individual, o matriarcado encoraja a coesão do coletivo, algo que tem a ver com a tradição. Em matriarcados antigos a natureza e a fertilidade consistiam o âmago da existência. Suas divindades comandavam o destino, proporcionando ou negando abundância à terra. Desejo

e resposta sexual, vivenciados como poder

regenerativo, eram reconhecidos como dádiva ou bênção Importante

O que vai gerar toda espécie atual de práticas consideradas agora como pervertidas Você sabia? A revolução sexual nos anos 60/70 perdeu o “espírito” do feminino, quando tentou igualar a mulher ao homem por decreto e media essa igualdade através da cargos de autoridade ocupados por mulheres.

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do divino. A natureza sexual do homem e da mulher era inseparável de sua atitude religiosa. Em seus louvores de agradecimento, ou em suas súplicas, eles ofereciam o ato sexual a deusa, reverenciada pelo amor e pela paixão. Tratava-se de ato honroso e respeitoso, que agradava tanto ao divino quanto ao mortal. A prática da prostituição sagrada surgiu dentro desse sistema religioso matriarcal e, por conseguinte, não fez separação entre sexualidade e espiritualidade e atribuiu um papel importante a mulher dentro desse período histórico.

Como podemos perceber, quando pensamos nos dias de hoje, era uma outra mentalidade, bem diferente da que vemos hoje, onde o sexo passa ser visto como

pecaminoso e a mulher como veículo desse pecado e

como algo “sujo” e perigoso.

Assim como Foucault nos mostra em seu livro

“História da Loucura” (1972) como aqueles

considerados loucos e ameaçadores da ordem social eram colocados em naus e lançados sem destino em alto mar, vemos em determinado período histórico, as mulheres sendo queimadas em fogueiras da inquisição em nome da nova ordem patriarcal.

Entramos assim num período histórico onde os conceitos começaram a ganhar outros significados. A mulher e sua sexualidade deixou de ser sagrada e passou a ser associada a uma nova categoria: ao Diabo, ao lado obscuro a Eva Negra. Antigas práticas pagãs passaram a ser interpretadas como “orgias demoníacas”, “pactos com o diabo”, “relação sexual de demônios masculinos e femininos com amantes humanos” (Kolakowski, 1985). Assim, uma vigilância constante deveria ser imposta e auto-imposta. Principalmente sobre a mulher. A mulher introjetou o seu papel de feiticeira, de Lilith, ou seja, o que antes era natural passou a ter um sentido negativo e de revolta.

Dica de leitura A história de Lilith ou Eva Negra é fantástica para compreendermos esse novo imaginário. Vale a pena ler o livro de SICUTERI, Roberto. Lilith, a Lua Negra. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998.

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Michelet (1992), em seu livro “A Feiticeira” nos traça um panorama dessa transformação da figura da mulher que passa a ser associada com a natureza, ou seja, a algo indomado e imprevisível.

O INÍCIO DA REPRESSÃO

Impressionados pela liberalidade sexual e “vocação orgiástica dos povos da antiguidade, ainda majoritariamente não-cristãos, os apologistas daqueles primeiros tempos cristãos fizeram questão de manter uma marcada distância em relação aos deuses e ritos pagãos e inauguraram uma política de completo repúdio ao sexo. Esse radicalismo acentuou-se pela prática da abstinência carnal, transformando-se num atrativo tão forte para os novos seguidores como o martírio nas arenas romanas. Enquanto estes davam suas entranhas, ou eram forçados a esse sacrifício caso não abandonassem as práticas pagãs, para as feras devorarem, outros abandonavam as práticas sexuais para sempre: o martírio e a castidade eram faces diferentes da mesma moeda. Havia muito simbolismo atrás disso tudo. Não só a busca da perfeição atrás do "coração simples", mas uma nova visão do ser humano, na qual ele somente poderia manter-se na frescura com que saiu das mãos do criador permanecendo puro ou intocado. Sendo igualmente uma forma peculiar de manifestar abertamente seu protesto e desprezo pela época em que viviam, por sua excessiva “impiedade, libertinagem e crueldade pagã”.

A presença do impulso sexual nos seres humanos era a marca da corrupção da nossa natureza. Tratava-se de uma perversidade intrínseca que jamais poderia ser removida de todo. Santo Agostinho explicava a maldade como resultante desse tumor sensual e dissoluto existente em todos nós, provocador de uma desordem crônica nas nossas relações, que o tempo inteiro Importante

Vemos assim ser inaugurada uma época que marcou fortemente a mentalidade ocidental. Uma relação de “amor e ódio” em relação ao sexo

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nos perturba com seus sonhos inconvenientes, incestuosos, inconfessáveis. Não havia dieta ou jejum

que nos salvasse ou nos libertasse dele,

acompanhando-nos até na velhice como uma cicatriz não sarada do nosso passado libidinoso e pecador (gerando assim a culpabilização do sexo).

Creio que lendo tudo o que temos estudado até então, ficamos com uma incômoda sensação de que certos valores ainda são presentes em nosso cotidiano. Normal, pois estamos lidando com ideias, e ideias

profundamente enraizadas não são modificadas

rapidamente, e muito menos pela força. Podemos ver esse ideário desde nossa época colonial até os dias de hoje, apesar das muitas mudanças.

A Igreja, sem dúvida, uma das entidades políticas mais representativas do colonialismo, e a responsável pela educação familiar, buscou nos séculos anteriores a “inspiração”, quer dizer, as regras de que necessitava para moldar essa “nova” sociedade. Contudo, sem o intento de inovar, mas de progredir política e economicamente, embora acreditando em

suas novas regras. A fórmula encontrada pela classe

clerical para que o colonialismo resultasse

principalmente, num lucrável sistema político, traduziu-se na domesticação feminina.

O ato de procriar transformou-se na única função colonial realmente importante destinada à mulher (Del Priore, 1995). O sexo passa a ser uma obrigação, pois só tem serventia para a procriação, ou seja, o prazer, as fantasias que uma relação amorosa pode proporcionar eram totalmente cortadas do

imaginário da nação, ganhando o status de

“perversão”.

Importante

Apesar das claras motivações econômicas e políticas não devemos esquecer que as mentes desses religiosos foram forjadas nesse novo imaginário, e assim, podemos dizer que eles, de certa forma, acreditavam no que pregavam

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O erótico na colonização, era considerado uma ameaça à ordem imposta. O desconhecimento e o mistério que envolviam o corpo da mulher passaram a representar os critérios para essa opressão feminina (Del Priore, 1995).

Além disso, o colonizador acreditava também que por ser a mulher a responsável pelo nascimento, ela representaria a base, o poder supremo em relação ao objetivo do colonialismo, que era expandir-se rapidamente. Por isto, a mulher e seu corpo eram considerados perigos terríveis para a sociedade colonial. Segundo os representantes da Igreja a sexualidade feminina era ameaçadora por ter sido

associada à natureza devido ao ímpeto, a

impulsividade, enfim as pulsões que direcionam a mulher, assim como ocorrem com os elementos naturais. Partindo deste princípio pressupôs-se que se a mulher tivesse a liderança ou um papel de destaque no poder social, a realidade tornar-se-ia desordenada e multifacetada, pois sendo a índole feminina semelhante à natureza, significava, que assim que seus desejos, vontades e efeitos passassem, uma nova realidade seria traçada, ou seja, a mulher representava a subversão em todo o contexto.

A Igreja, (Economia, Política e Religião unidas para normatizar a sexualidade da mulher) conseguindo aliar-se ao sistema colonial acabou se tornando o eixo político e econômico desta organização opressora. Vale dizer que apesar do sucesso do colonialismo, ele não passou ileso a críticas e a insubordinação dos habitantes das colônias.

SEXUALIDADE MASCULINA NO OCIDENTE

Neste tópico iremos problematizar e perceber o quanto pode ser relativa à noção do que é ser homem, e

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de como certas práticas consideradas hoje como negação da masculinidade podem ter sido justamente um reforço para a mesma.

Muito se fala que na Grécia antiga o homossexualismo era considerado “normal”, mas será que de fato existia esse conceito de ser homossexual como entendemos hoje?

Acredito que a resposta seja não, e arrisco a dizer que mesmo havendo relação sexual entre homens, existia o mesmo reforço dos valores ainda em voga como o de poder, subordinação e dominação. Apenas o sentido e os atores são diferentes.

O valor da superioridade do homem não se restringia apenas ao contexto familiar, mas também ao social, militar, político e religioso. Dominar um outro homem não significava apenas dominar um corpo, mas sim todo o conjunto como a inteligência por exemplo. Era quase como um duelo de poder e subordinação. Dessa forma as relações sexuais entre dois homens neste período eram vistas como perfeitamente naturais e reforçavam a masculinidade de quem dominava e muitas vezes era uma honra para o dominado, pois essas relações aconteciam geralmente entre um homem mais velho e um mais jovem. Era quase uma relação entre mestre e pupilo, um rito de passagem onde o mais jovem mostrava que estava totalmente submisso.

Estas relações em nada alteravam a imagem do homem perante a sociedade, pois o amor ao belo, ao perfeito não tinha sexo. Nada impedia desses homens casarem com mulheres.

É importante ressaltarmos que os gregos nem tinham uma definição linguística para classificar essas

relações que para nós seriam classificadas de

Para pensar As regras de dominação e subordinação são claras. O homem domina e a mulher é subordinada.

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homossexuais. O termo homossexual só irá aparecer no século XIX. A sexualidade dos gregos neste período era voltada para o conjunto sem necessariamente passar pelo conceito de família como conhecemos hoje onde é construído todo o conceito e sentido de moral sexual.

Com o advento do cristianismo as relações entre dois homens deixam de ser entendidas da forma que eram antes e passam a ser pecaminosas.

Depois de ser muito perseguido, o Cristianismo consegue por fim tornar-se a religião aceita e espalha-se rapidamente modificando, assim e de forma profunda, os antigos conceitos e o modo de viver e pensar. A ideia do casamento indissolúvel e da fidelidade passa a ser a base fundamental da sociedade e deveria ser seguida. As relações sexuais passam a ser permeadas pelos sentimentos de vergonha e culpa, certo e errado ganhando apenas a função de procriação. Assim, tudo o que está fora dessa nova norma é considerado como desvio e deveria ser combatido e seus praticantes, culpados.

A igreja católica na alta idade média passa a ter todos os poderes políticos e penetra em todas as camadas da sociedade da época sendo a detentora do poder e do saber e um novo sentido começa a ser forjado para a pergunta “o que é ser homem?”.

Uma hierarquia sexual patriarcal será difundida e o sentido de homossexualidade será difundido reprimindo ainda mais o sentido do “ser homem”.

Dessa forma vemos que a sexualidade masculina pode também ser definida pela palavra “repressão”, principalmente das emoções. E assim vamos criando o

estereótipo do “macho” a podemos começar a

compreender os conflitos que o homem enfrenta atualmente.

Importante

O sexo passa a ser desvinculado do prazer, seja sexual ou estético e a masturbação será condenada porque além de propiciar prazer individual, será considerada inútil, pois não visa a procriação.

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Aula 2 |Sexualidade oriental versus sexualidade ocidental 35

Segundo Ramos (2000); “desde muito cedo, o menino ouve referências às diferenças entre ele e uma menina, com o objetivo de direcioná-lo para o mais adequado desempenho de seu papel social. Antes mesmo de aprender o que pode ser, o menino recebe mensagens sobre o que não deve ser. “Menino não chora!” é o enunciado clássico que a infância de cada um preserva na memória e que se constitui em uma das primeiras tarefas a ser cumpridas pelo menino a fim de tornar-se um “verdadeiro homem”.

Para DaMatta (1997), há sinais ainda vigentes de que quem nascia homem tinha de comportar-se como tal, devendo ter atitudes, hábitos e desejos masculinos.

Assim podemos perceber que a identidade masculina está muito baseada numa rede de proibições e tabus e isso gera um conflito enorme, pois ao mesmo tempo em que o homem sente-se aprisionado, ele também tem medo de quebrar estes tabus e ficar literalmente sem parâmetros de conduta para construir a sua masculinidade, sem falar nas sanções sociais que ele pode vir a sofrer se sair do padrão. Tudo o que diz respeito ao masculino não deve gerar dúvidas e nem ser ambíguo. Até nas atividades esportivas dentro das academias um “homem de verdade” evita a todo o custo fazer exercícios para a área dos glúteos e privilegia a parte de cima do corpo (Sabino 2000).

A masculinidade é considerada em nossa cultura como algo que deve ser conquistada pelos indivíduos do sexo masculino que devem passar por processos de “provação”, os quais permitirão a conquista e a construção desse item fundamental para a afirmação de sua condição de homem. Os processos de provação em geral, constituem-se de demonstrações de força, destemor e virilidade. A falta de um desses itens coloca em

Você sabia?

Até a roupa, a comida e a bebida, os sapatos podiam ser tomados como ausência ou deficiência de masculinidade. Todas as exigências deveriam ser cumpridas para ser um “homem de verdade”.

Dica da professora

E assim vamos tecendo teias entre os gêneros que terminam por sufocar e gerar preconceitos, dores e revoltas.

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risco a honra masculina, construída em contraposição a feminina. Um homem jamais deve ser submisso, passivo ou medroso.

Nos dias de hoje, pelo menos no discurso, vemos que não existe mais um modelo obrigatório de mulher nem de homem. Podemos dizer que as fronteiras ficaram mais fluidas nesse sentido, mas suas linhas ainda são bem nítidas apesar de fato existir uma maior liberdade de escolha e é justamente essa liberdade de escolha que assusta tanto as mulheres quanto aos homens e gera uma grande crise. Isso pode gerar uma grande confusão e também medo de ambos

os lados. Vivemos um momento de ideais

contraditórios. O feminismo colocou as mulheres no mercado de trabalho e de certa forma inverteu a “ordem natural das coisas” e assim o mundo masculino percebeu que estava frente a frente com um perigo que ele sempre foi obrigado e aprendeu a evitar: as emoções. A identidade masculina sempre evitou as emoções mais fortes, mais densas. Segundo Nolasco (1993) é durante o sexo que os homens têm a ilusão de estarem conseguindo exorcizar essas novas emoções. É no ato sexual que eles reafirmam sua condição de macho e a cama torna-se o mediador afetivo. O código amoroso que conhecem é a sexualização do afeto, ainda segundo Nolasco. A cama ainda é um refúgio para a ritualização da “construção da masculinidade perdida”. Se um homem se aproxima muito de uma mulher logo irá transformar essa tensão emocional em sexualização e se aproxima de um homem, evita envolver emoção na amizade por medo que a mesma termine na cama. Ainda é difícil para o homem administrar seus desejos sem passar pelo sexo e assim os homens vivem sob a tensão da perda da identidade.

Você sabia?

É essa tensão que deve ser modificada e esta mudança está em curso e esta mudança é a tão falada atualmente: crise da masculinidade. Importante

Não existe mais uma única regra e as que existem estão em constante mutação, assim como os papéis ativo/passivo antes bem fixados e rígidos.

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Aula 2 |Sexualidade oriental versus sexualidade ocidental 37

SEXUALIDADE INVENTADA

Como vimos anteriormente a sexualidade é uma invenção dos séculos XVII, XVIII. A partir de então os fatos ligados ao sexo e ao corpo como fontes de prazer ganham um conteúdo específico quando se cria vários discursos sobre a sexualidade dos indivíduos que revelaria a natureza dos mesmos (Heilborn, 2002).

Foucault (1988) nos lembra ainda que, o sexo é uma é uma atividade aprendida socialmente, ou seja, as pessoas são socializadas para a entrada na vida sexual por intermédio da cultura, que determina roteiros através de valores que determinado grupo compartilha.

Dessa forma podemos afirmar que estamos vivendo atualmente uma grande crise da sexualidade ocidental e assim, nos perguntando ainda, aonde erramos, voltamos nossos olhos para o oriente.

A sexualidade oriental

Diferentemente dos ocidentais que olham o sexo como algo recheado de culpas e como um assunto que não deve ser muito discutido abertamente, os orientais olham a sexualidade não como uma atividade reprodutora ou promíscua, mas sim como parte da existência do ser humano.

O orgasmo não é visto apenas como uma finalidade, e sim como uma parte de uma maravilhosa experiência que envolve todo o corpo e nos instiga a explorar a sua capacidade total do orgasmo que envolve todo o Ser pois ajuda o seu corpo a relaxar, e a mente

a desenvolver habilidades psíquicas como a

visualização, a imaginação e a meditação.

Você sabia?

O Oriente está na moda até no sexo. A última novidade é aplicar a filosofia Tao para melhorar sua vida sexual, buscando um equilíbrio por meio da dieta, da meditação, da respiração, com certos exercícios e, sobretudo, com uma forma especial de praticar sexo.

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Aula 2 |Sexualidade oriental versus sexualidade ocidental 38

O êxtase buscado não é apenas o do corpo, mas o do espírito. Este êxtase não está longe de nós. Muito pelo contrário, é um estado natural que foi reprimido através dos tempos aqui no ocidente.

Segundo Anand (1992) nascemos em êxtase e unidos a tudo que nos cerca no mundo. Aos poucos perdemos este senso de unidade e aceitamos os valores impostos a nós, que geralmente nos separam desta unidade inicial. Renunciamos ao êxtase para podermos viver “melhor” no mundo ocidental e sermos considerados pessoas adaptadas e de sucesso.

Com o movimento chamado de revolução sexual na década de 1960, pensamos que nos aproximamos do êxtase total, mas em realidade, apesar de serem boas as mudanças, deturpamos o sentido desse êxtase. Ter orgasmo tornou-se obrigatório gerando tensões e assim não trouxe a satisfação plena a duradoura dos planos emocional e físico. Fazer sexo, como afirma Anand, para aliviar-se das tensões, para divertir-se ou para assegurar-se de seus poderes de sedução atende algumas necessidades de nosso ego, mas nos afasta do grande potencial sexual que temos.

O autor então coloca que atualmente não temos problema de acesso ao sexo mas sim, da urgência em transforma-lo, juntar o emocional ao físico para plena satisfação.

Bem diferente da visão ocidental não é mesmo? Não se busca separar o emocional do físico e sim resgatar a unidade perdida no decorrer do tempo em que fomos massacrados com as ideologias religiosas ou não do mundo ocidental.

Sexo para os orientais não é uma brincadeira e sim algo a ser cultivado para obter a verdadeira satisfação sexual. E em relação ao orgasmo caberia a cada Você sabia?

A filosofia taoísta vem da China, onde há mais de dois mil anos se tem a consciência de que a sexualidade é uma parte integral do ser humano. Para o taoísmo não existe a repressão ou a culpa.

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indivíduo a obtenção do mesmo. Nós somos a fonte de nosso próprio orgasmo, mas para isso precisa passar por um longo caminho de auto-conhecimento.

Como aplicar esta teoria no mundo ocidental. O Oriente está na moda até no sexo. A última novidade é aplicar a filosofia Tao para melhorar sua vida sexual, buscando um equilíbrio por meio da dieta, da meditação, da respiração, com certos exercícios e, sobretudo, com uma forma especial de praticar sexo.

A filosofia taoísta vem da China, onde há mais de dois mil anos se tem a consciência de que a sexualidade é uma parte integral do ser humano. Para o taoísmo não existe a repressão ou a culpa. O sexo não é somente satisfação, mas algo saudável tanto física como psiquicamente e está relacionado com a beleza e a longevidade. Os orientais têm praticado a "arte sexual" durante milênios partindo dos princípios básicos do Tao. Os pontos mais importantes nos quais o Tao do sexo e do amor diferem da sexualidade ocidental são o controle de ejaculação, a satisfação plena da mulher e a diferença entre orgasmo masculino e a ejaculação.

Os sexólogos do Ocidente estão descobrindo essas particularidades do Oriente. Tanto o Tao, quanto as teorias sexuais modernas, propõem que o objetivo da relação sexual não deve ser simplesmente o orgasmo e a ejaculação. O Tao vai além, indicando que o objetivo do sexo é a saúde mental e física tanto do homem como da mulher. Aplicando os princípios do Tao você pode transformar sua sexualidade em uma experiência nunca antes imaginada.

Para o Tao, a harmonia existente entre o yin e o

yang também se aplica no ato sexual, de maneira que,

sem se importar com o cansaço, a energia e o tempo que

Importante

O sexo não é somente satisfação, mas algo saudável tanto física como psiquicamente e está relacionado com a beleza e a longevidade.

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se tenha, as pessoas possam levar a cabo uma união sexual satisfatória que envolva um alto nível de amor entre o casal, fortalecendo o vínculo entre as duas partes. O Tao convida os amantes a desfrutar do outro sem pressa.

Colocando em prática as técnicas e posições dessa filosofia oriental, os casais poderão desfrutar de níveis de sensualidade, afeto e erotismo nunca antes alcançados. As técnicas do Tao mostram um conhecimento profundo do funcionamento do corpo e das emoções humanas de cada sexo. Seu objetivo é cultivar o prazer, aumentando-o tanto na qualidade quanto na quantidade.

Mas para isso não basta apenas carícias mútuas sem a satisfação dos sentidos: tocar, ouvir, olhar e saborear o companheiro. O Tao te ajuda a ter ideias para preparar esta "arte de amar”.

Dessa forma o ocidente vem desenvolvendo e adaptando a filosofia oriental.

Feitiçaria sexual é um dos aspectos mais importantes da magia moderna por revelar um método de feitiçaria que é encontrado no próprio corpo humano. Por ser uma tradição que une tanto o ocidente quanto o oriente e usa técnicas de diferentes escolas. Para entender plenamente a Feitiçaria Sexual deve-se pôr de lado todos os preconceitos e adentrar o estudo com uma mente aberta e uma predisposição de considerar uma nova via para entender e experienciar o Universo e si mesmo.

Símbolos rituais tântricos têm sido encontrados datados aproximadamente de três mil anos antes de Cristo, estes símbolos de fertilidade parecem ser de origem Indo-européia e demonstram a antiguidade dos cultos tântricos. Tantra (que significa "a via") É a mais Você sabia? Os orientais têm praticado a "arte sexual" durante milênios partindo dos princípios básicos do Tao. Os pontos mais importantes nos quais o Tao do sexo e do amor diferem da sexualidade ocidental são o controle de ejaculação, a satisfação plena da mulher e a diferença entre orgasmo masculino e a ejaculação. Dica da professora

Saiba mais sobre Feitiçaria Sexual pesquisando no site: http://www.mortesu bitainc.org/magia- sexual/livros- sexuais/feiticaria-sexual

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antiga das religiões do mundo oriental. Seus textos primários são conhecidos como "Tantras" e são tão velhos quanto os Vedas (pelo menos dois mil anos antes de Cristo), se não mais velhos. A influência do tantrismo pode ser vista na maior parte das culturas antigas, na grande China podemos ler sobre Alquimia Sexual e os mistérios da libido, milhares de anos antes de Freud e nos cultos Gnósticos lemos sobre a encarnação da Deidade em marido e esposa. Outros exemplos podem ser encontrados no Egito, Creta e Roma onde a feitiçaria sexual era central para a maioria das tradições iniciáticas secretas. Mesmo hoje em dia o Tantra ainda está vivo na Índia moderna, ocupando um dos lugares mais sagrados dos Hindus, Kamrup em Assam, sendo a representação da Yoni ou vagina da própria deusa.

Já no ocidente, vemos o Gnosticismo é uma escola religiosa de pensamento que é tida como tendo sido desenvolvida em algum momento ao redor do advento de Jesus. Suas origens são encontradas no Egito e na Suméria, enquanto suas formas externas tenderam a ser de extração hebraica. Por muitos anos os ensinamentos do Gnosticismo não eram conhecidos, até recentemente quando pesquisas descobriram que a essência da tradição Gnóstica era uma forma ocidental de Tantra. Este 'tantrismo' tinha ritos iniciáticos e práticas adaptadas de várias tradições ainda que operando sob uma mesma estrutura organizacional generalizada.

Parece que a morte do Gnosticismo, ou ainda o seu movimento nos anais do ocultismo, tomou lugar por volta de 200 d.C. e que seu ressurgimento ocorreu através de ordens secretas tais quais a Ordem de Sião e os Cavaleiros Templários.

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