MBA – GESTÃO EM AUDITORIA E CONTROLADORIA
DISCIPLINA: DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR
PROF. MS. JOÃO LUIZ DERKOSKI
COMODORO/MTProf. MS. JOÃO LUIZ DERKOSKI
Apresentação
A expansão do ensino superior principalmente o privado, em número de instituições e alunos, tem criado uma demanda por professores preparados, acima do que o mercado está podendo oferecer. Fenômeno que leva a uma reflexão sobre a preparação dos professores que estão preenchendo esta carência.
O esforço de se colocar bons professores nem sempre é compensado quando nos referimos à qualidade da prática de ensino. Nem sempre um bom bacharel ou pós-graduado, com conhecimentos suficientes para o trabalho, consegue atender as necessidades que o ensino e a aprendizagem exigem.
O que acontece na maioria das vezes é que esta pessoa de bons conhecimentos técnicos adormece técnico e acorda professor, decorrendo daí toda uma exigência de competências da instituição e dos alunos que ele não adquiriu como educador.
Propiciar a estes professores a oportunidade de capacitação e de atualização pedagógica será contribuir para a qualidade do ensino, com resultados imediatos de satisfação dos alunos, o objetivo mais importante das nossas instituições de nível superior.
Prof. MS. JOÃO LUIZ DERKOSKI
Sumário
Assunto Página
Apresentação ...4
Linha histórica na prática pedagógica no Brasil ...6
Síntese geral das principais abordagens da aprendizagem e o professor ...10
Abordagem tradicional ...10 Abordagem comportamentalista ...13 Abordagem humanista ...14 Abordagem cognitivista ...16 Abordagem sócio-cultural ...17 Os novos pensadores ...19
O ensino superior no Brasil ...21
O que diz a Constituição ...21
O que diz a Lei Diretrizes e Bases ...21
O professor do ensino superior ...22
A didática e a formação do professor ...23
Troca de atitude ...25 Pedagogia e andragogia ...25 Ciclo docente ...27 Planejamento de ensino ...28 Elaboração de planos ...30 Determinação de objetivos ...30
Subdivisão de objetivos por domínio ...31
Conteúdos ...31
Procedimentos ...31
Estratégias ...33
Construção conjunta do conhecimento e as dinâmicas ...51
Resistência à ludicidade e às dinâmicas: aplicações ...52
Recursos didáticos ...58
A tecnologia a serviço da didática ...59
Recursos gerais ...65
A mente e o aprendizado ...67
Mais sobre a avaliação ...69
Prof. MS. JOÃO LUIZ DERKOSKI Plano da disciplina: Disciplina: Didática do ensino superior
Carga horária: 26 horas Professor: João Luiz Derkoski
Ementa: Linha histórica da prática pedagógica no Brasil. O Ensino superior no Brasil
Características do professor de ensino superior. Conceituação de didática. Pedagogia e Andragogia. Teorias da aprendizagem. Mediação e sua prática. Planejamento. Avaliação da aprendizagem.
Objetivo do curso:
Capacitar profissionais sobre práticas modernas de Gestão, Auditoria e Controladoria que possibilitem a formação de especialistas para prestar serviços à organizações privadas e órgãos públicos.
Objetivo geral da disciplina:
Apresentar referenciais teórico-metodológicos da didática para viabilizar a prática pedagógica no ensino superior.
Objetivos Específicos da disciplina:
• Compreender as relações professor e Instituições de Nível Superior e a prática/ação docente atual.
• Identificar as diferentes tendências pedagógicas-andrológicas, da didática atual para o ensino-aprendizagem no ensino superior.
• Conceber a sala de aula como um espaço multidimensional, de exercício da ética, da construção do conhecimento e de práticas sociais.
• Praticar a didática para o ensino superior, em seus diferentes níveis de aplicação.
• Elaborar planos de ensino-aprendizagem (planos de curso/disciplina e de aula). • Identificar diferentes conceitos e procedimentos relacionados à avaliação do
processo de ensino-aprendizagem.
Proposta metodológica:
As aulas seguirão a seguinte metodologia: preparo de aula antes (reflexão sobre o método a ser utilizada), acompanhamento durante a aula (reflexão durante), avaliação final (reflexão após) e flexibilização do planejado quando necessário.
A prática de ensino será dialogada, com apresentação de PowerPoint em data show, no momento teórico e exposição em lousa.
A rotina será a seguinte: 1. Boas vindas.
2. Apresentação dos alunos e diagnóstico verbal sobre o que sabem sobre o conteúdo a ser desenvolvido e sua prática pedagógica.
3. Motivação para as aulas através da apresentação da utilidade da didática para a vida profissional dos alunos que pretendem ser professores.
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5. Apresentação de exemplos relacionados à vida real (casos).
6. Apresentação de exemplos e dinâmicas com discussão dos resultados 7. Avaliação feita pelos alunos sobre o aproveitamento e a condução da aula ministrada pelo professor.
Proposta avaliativa:
• Avaliação diagnóstica – inicial – primeira aula.
• Avaliação formativa permanente durante o desenvolvimento da disciplina. • Avaliação somativa como final para aprovação do aluno na disciplina.
• Observação: para as avaliações poderão ser usadas resolução de problemas, resumos, relatórios, questionários, apresentações de forma individual ou em grupo.
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Linha histórica da prática pedagógica no Brasil
A prática pedagógica brasileira, dos primeiros educadores até os dias atuais esteve dependente e decorrente das situações históricas por que passou o país. É significativa em sua linha do tempo, a educação como instrumento suporte para o crescimento da economia e a manutenção da classe dominante.
Na intenção de se percorrer esse espaço temporal fazendo relação com a situação econômica-social, foi ele dividido e sintetizado em estágios que foram se sucedendo até os dias atuais.
Jesuítica – colonial: 1592/1670
Característica econômica-social:
• Sociedade de economia agrária-exportadora dependente da metrópole. • Educação comandada pela Igreja.
• Pacto colonial.
• Exploração do Brasil.
• A educação não era importante para a mão-de-obra braçal. Conceito:
• Etimológico – (signare) – colocar dentro, gravar no espírito. • Ensinar é transmitir conhecimento.
• O professor é o centro.
• Conjunto de regras e normas prescritivas visando à orientação do ensino e do estudo.
Base prática a Ratio Studiorum:
• Instrumentos e regras metodológicas. • Estudo privado.
• O mestre:
o Prescrevia o método de estudo, a matéria e os horários.
o Dava aula expositiva, fazendo repetir e decorar (“Repetitium mater
estudiorum”).
• Disputa e competição. • Exames escritos e orais. • Base no intelecto e dogmas.
• Visão essencialista e contra o pensamento crítico.
• Cultura geral e enciclopédica alheia à realidade da vida na colônia.
Comênio (1651) e o contexto Europeu
Característica econômica-social:
• Sociedade feudal em transição para o capitalismo comercial.
• Estabelece-se uma atmosfera de liberdade em contradição com a feudal de prisão.
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• A vida da cidade (burgos) era diferente da vida do feudo e novos padrões tinham que ser criados.
Apresenta uma nova proposta didática
• Põe em questionamento, os valores e as habilidades necessárias à vida humana.
• Através da didática magna - trata da arte universal de ensinar tudo a todos.
• Seu propósito era de definir um método para ensinar todas as ciências, todos os costumes bons e piedade, segundo o grau de inteligência e a aptidão de cada um.
• Seu método estava calcado na habilidade expositiva do professor (sol que ilumina a todos) e nas ótimas qualidades do livro didático;
• Sua influência durou por mais de 150 anos.
Expansão cafeeira - 1870/1930
Característica econômica-social:
• Passagem de um modelo agrário-exportador para um urbano-comercial-exportador.
• O Brasil vive seu iluminismo.
• Maior independência da influência religiosa.
• Suprime-se o ensino religioso nas escolas públicas. • 1890 – reforma de Beijamin Constant.
Missão:
Garantir a consolidação da burguesia como classe dominante. (visão burguesa do mundo e sociedade)
Conceito:
Compreendida como um conjunto de regras visando assegurar aos professores as orientações necessárias ao trabalho docente.
Base prática:
• Influência positivista – método científico. • Centrada no professor.
• Ensino humanístico.
• Relação professor-aluno hierarquizada (verticalizada). • O aluno segue atentamente o professor.
• Baseada nos passos: o Preparação
o Apresentação o Comparação o Generalização
• Praticada no currículo das escolas normais desde sua criação 1835 até 1934.
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Didática tradicional – renovação: 1930/1945
Característica econômica-social:
• Transformações na sociedade brasileira e mundial.
• Modificação do modelo socioeconômico com a crise cafeeira. • Substituição a importações.
• Revolução de 1930 – Ditadura de Vargas
• 1930 – manifesto dos pioneiros da “escola nova” para reconstrução da escola na sociedade urbano-industrial.
Conceito:
Conjunto de idéias e métodos, privilegiando a dimensão da técnica do processo de ensino, fundamentada nos pressupostos psicológicos, psicopedagógicos e experimentais cientificamente validados na experiência e constituídos em teoria, ignorando o contexto sócio-político-econômico.
Base prática:
• Busca o equilíbrio entre a influência da concepção humanista tradicional (católica) e o humanismo moderno (os pioneiros) da escola nova.
• Visão do homem centrado na existência, na vida e na atividade. • Predomina o aspecto psicológico sobre o lógico.
• Proposição de um novo tipo de homem.
• Defende os princípios democráticos “todos têm o direito de se desenvolverem”.
• Não considera a realidade brasileira.
• O problema da escola é resolvido pela técnica: • Métodos e técnicas (Candau 1982)
o Centros de interesses. o Estudo dirigido. o Método de projetos. o Ficha didática. o Contrato de ensino. o O professor técnico. Novas idéias: 1945/1960 Característica econômica-social:
• Aceleração e diversificação do processo de importação e penetração do capital estrangeiro.
• Estado populista desenvolvimentista.
• Aliança entre empresários e setores populares contra a oligarquia.
• 1946 – decreto lei 9053 – desobrigou o curso de didática – substituído pela prática de ensino sob forma de estágio.
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Conceito:
Conjunto de idéias e métodos, privilegiando a dimensão da técnica do processo
de ensino, fundamentada nos pressupostos psicológicos, psicopedagógicos e experimentais cientificamente validados na experiência e constituídos em teoria, ignorando o contexto sócio-político-econômico.
Base prática:
• Acentuada predominância nos processos metodológicos em detrimento da própria aquisição de conhecimento.
• O processo é mais valorizado que o contexto político-social.
Fase do estado militar (1964/1980) Característica econômica-social:
• Projeto para acelerar o crescimento socioeconômico do país.
• A educação deveria preparar os recursos humanos para o crescimento. • 1960/1968 – crise da pedagogia nova e a articulação da tendência
tecnicista assumida pelo grupo tecnocrata militar.
• Instala-se na escola a divisão técnica do trabalho – quem planeja não executa.
• O sistema educacional sofreu a influência do acordo Mec/Usaid.
• 1974 – com o início da abertura política aparecem estudos críticos da educação dominante.
• A didática é questionada e os movimentos apontam novos rumos. Conceito:
Como estratégia para o alcance dos produtos previstos para o processo ensino-aprendizagem.
Base prática:
• Busca a eficiência e a eficácia no processo e ensino. • Perspectiva ingênua da neutralidade científica. • Centra-se na organização do processo do ensino:
o Planejamento.
o Elaboração de materiais motivacionais. o Livros didáticos descartáveis.
o O processo é que diz o que o professor e os alunos devem fazer – quando fazer – como fazer.
Atual: 1980/...
Característica econômica-social:
• A situação econômica dificulta a vida do brasileiro. • Inflação – desemprego – dívidas (externa e interna). • Política recessiva do FMI.
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Procura compreender e analisar a realidade social onde está inserida. Base prática:
• Voltada para o ser humano e sua realização na sociedade. • A educação deve humanizar.
• Se compromete com os interesses do homem das camadas economicamente desfavorecidas.
• A educação não está mais centrada no professor ou no aluno mas na formação do homem.
• A luta dos professores ganha força e nasce a pedagogia crítica.
Síntese geral das principais abordagens da aprendizagem e o professor A aprendizagem
Aprendizagem é um processo de mudança de comportamento obtido através da experiência construída por fatores emocionais, neurológicos, relacionais e ambientais. Aprender é o resultado da interação entre estruturas mentais e o meio ambiente. De acordo com a nova ênfase educacional, centrada na aprendizagem, o professor é co-autor do processo de aprendizagem dos alunos. Nesse enfoque centrado na aprendizagem, o conhecimento é construído e reconstruído continuamente. (HAMZE, 2011)
Os objetivos da aprendizagem são classificados em: domínio cognitivo (ligados a conhecimentos, informações ou capacidades intelectuais); domínio afetivo, (relacionados a sentimentos, emoções, gostos ou atitudes); domínio psicomotor (que ressaltam o uso e a coordenação dos músculos). No domínio cognitivo temos as habilidades de memorização, compreensão, aplicação, análise, síntese e a avaliação. No domínio afetivo temos habilidades de receptividade, resposta, valorização, organização e caracterização. No domínio psicomotor apresentamos habilidades relacionadas a movimentos básicos fundamentais, movimentos reflexos, habilidades perceptivas e físicas e a comunicação não discursiva.
A educação vista sobre o prisma da aprendizagem, representa a vez da voz, o resgate da vez e a oportunidade de ser levado em consideração. O conhecimento como cooperação, criatividade e criticidade, fomenta a liberdade e a coragem para transformar, sendo que o aprendiz se torna no sujeito ator como protagonista da sua aprendizagem.
Porque nós estamos na educação formando o sujeito capaz de ter história própria, e não história copiada, reproduzida, na sombra dos outros, parasitária. Uma história que permita ao sujeito participar da sociedade”. (DEMO, 1995)
“Em psicologia, aprendizagem é o processo de modificação da conduta por treinamento e experiência" (BARSA, 1998).
Como característica essencial do psiquismo humano, o ato de aprender difere do adestramento animal pelo seu caráter criador, dinâmico e intencional. A motivação, a inteligência e a hereditariedade influenciam a aprendizagem, cujos elementos básicos são o estímulo, a resposta, o impulso e o reforço (BARSA, 1998).
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A base de entendimento referente ao comportamento aprendizagem e o professor tem refêrencia nas teorias da aprendizagem, por isso será relacionado a seguir uma síntese das principais teorias usando NETO, (2011) e o trabalho de ABREU, MESQUITA e ANCHIETA (1996).
Abordagem Tradicional Características Gerais
A abordagem tradicional privilegia o professor como especialista, como elemento fundamental na transmissão dos conteúdos. O aluno considerado um receptor passivo, até que, de posse dos conhecimentos necessários, torna-se capaz de ensiná-los a outros e a exercer eficientemente uma profissão. Essa abordagem denota uma visão individualista do processo educativo e do caráter cumulativo do conhecimento. O ensino é caracterizado pelo verbalismo do professor e pela memorização do aluno. Sua didática pode ser resumida em “dar a lição” e “tomar a lição”, e a avaliação consiste fundamentalmente em verificar a exatidão da reprodução do conteúdo comunicado em aula. NETO (2011)
Trata-se de uma concepção e uma prática educacional que persistem no tempo, em suas diferentes formas, e que passaram a fornecer um quadro diferencial para todas as demais abordagens que a ela se seguiram.
Como se sabe, o adulto, na concepção tradicional, é considerado como homem acabado, "pronto" e o aluno um "adulto em miniatura", que precisa ser atualizado. O ensino será centrado no professor. O aluno apenas executa prescrições que lhe são fixadas por autoridades exteriores.
Homem
O homem é considerado como inserido num mundo que irá conhecer através de informações que lhe serão fornecidas. É um receptor passivo até que, repleto das informações necessárias, pode repeti-las a outros que ainda não as possuam, assim como pode ser eficiente em sua profissão, quando de posse dessas informações e conteúdos.
Mundo
A realidade é algo que será transmitido ao indivíduo principalmente pelo processo de educação formal, além de outras agências, tais como família, Igreja.
Sociedade-Cultura
O objetivo educacional normalmente se encontra intimamente relacionado aos valores apregoados pela sociedade na qual se realiza.
Os Programas exprimem os níveis culturais a serem adquiridos na trajetória da educação formal. A reprovação do aluno passa a ser necessária quando o mínimo cultural para aquela faixa não foi atingido, e as provas e exames são necessários à constatação de que este mínimo exigido para cada série foi adquirido pelo aluno.
O diploma pode ser tomado como um instrumento de hierarquização. Dessa forma, o diploma iria desempenhar um papel mediador entre a formação cultural e o exercício de funções sociais determinadas.
Pode-se afirmar que as tendências englobadas por esse tipo de abordagem possuem uma visão individualista do processo educacional, não possibilitando, na
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maioria das vezes, trabalhos de cooperação nos quais o futuro cidadão possa experienciar a convergência de esforços.
Conhecimento
Parte-se do pressuposto de que a inteligência seja uma faculdade capaz de acumular/armazenar informações. Aos alunos são apresentados somente os resultados desse processo, para que sejam armazenados.
Evidencia-se o caráter cumulativo do conhecimento humano, adquirido pelo indivíduo por meio de transmissão, de onde se supõe o papel importante da educação formal e da instituição escola.
Atribui-se ao sujeito um papel insignificante na elaboração e aquisição do conhecimento. Ao indivíduo que está "adquirindo" conhecimento compete memorizar definições, anunciando leis, sínteses e resumos que lhes são oferecidos no processo de educação formal.
Educação
Entendida como instrução, caracterizada como transmissão de conhecimentos e restrita à ação da escola.
Às vezes, coloca-se que, para que o aluno possa chegar, e em condições favoráveis, há uma confrontação com o modelo, é indispensável uma intervenção do professor, uma orientação do mestre.
Trata-se, pois, da transmissão de idéias selecionadas e organizadas logicamente.
Escola
A escola é o lugar por excelência onde se realiza a educação, a qual se restringe, a um processo de transmissão de informações em sala de aula e funciona como uma agência sistematizadora de uma cultura complexa.
Considera o ato de aprender como uma cerimônia e acha necessário que o professor se mantenha distante dos alunos.
Uma escola desse tipo é freqüentemente utilitarista quanto a resultados e programas preestabelecidos.
As possibilidades de cooperação entre pares são reduzidas, já que a natureza da grande parte das tarefas destinadas aos alunos exige participação individual de cada um deles.
Ensino-aprendizagem
A ênfase é dada às situações de sala de aula, onde os alunos são "instruídos" e "ensinados" pelo professor. Os conteúdos e as informações têm de ser adquiridos , os modelos imitados.
Seus elementos fundamentais são imagens estáticas que progressivamente serão "impressas" nos alunos, cópias de modelos do exterior que serão gravadas nas mentes individuais.
Uma das decorrências do ensino tradicional, já que a aprendizagem consiste em aquisição de informações e demonstrações transmitidas, é a que propicia a formação de reações estereotipadas, de automatismos denominados hábitos, geralmente isolados uns dos outros e aplicáveis, quase sempre, somente às situações idênticas em que foram adquiridos. O aluno que adquiriu o hábito ou que "aprendeu" apresenta, com freqüência, compreensão apenas parcial.
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É um ensino que se preocupa mais com a variedade e quantidade de noções/conceitos/informações que com a formação do pensamento reflexivo.
Professor-aluno
O professor-aluno é vertical, sendo que (o professor) detém o poder decisório quanto a metodologia, conteúdo, avaliação, forma de interação na aula etc.
O professor detém os meios coletivos de expressão. A maior parte dos exercícios de controle e dos de exames se orienta para a reiteração dos dados e informações anteriormente fornecidos pelos manuais.
Metodologia
Se baseia na aula expositiva e nas demonstrações do professor a classe, tomada quase como auditório.
O professor já traz o conteúdo pronto e o aluno se limita exclusivamente a escutá-lo a didática profissional quase que poderia ser resumida em dar a lição e tomar a lição.
No método expositivo como atividade normal, está implícito o relacionamento professor - aluno, o professor é o agente e o aluno é o ouvinte. O trabalho continua mesmo sem a compreensão do aluno somente uma verificação a posteriori é que permitirá o professor tomar consciência deste fato. Quanto ao atendimento individual há dificuldades, pois a classe fica isolada e a tendência é de se tratar todos igualmente. Avaliação
A avaliação visa a exatidão da reprodução do conteúdo comunicado em sala de aula. As notas obtidas funcionam na sociedade como níveis de aquisição do patrimônio cultural. (ABREU, MESQUITA e ANCHIETA 1996).
Abordagem comportamentalista
Características geraisPara a abordagem comportamentalista ou behavioristas, o conhecimento é resultado direto da experiência. A escola é reconhecida como a agência que educa formalmente e os modelos educativos são desenvolvidos com base na análise dos processos, por meio dos quais os comportamentos são modelados e reforçados. O professor é visto como um planejador educacional que transite conteúdos que tem como objetivo o desenvolvimento de competências. Para Skinner, um dos principais teóricos desta abordagem, a realidade é um fenômeno objetivo e o ser humano é um produto do meio, podendo, portanto, ser controlado e manipulado. Dessa forma, o ensino se dá num processo que tem como modelo a instrução programada, na qual assume fundamental importância o controle do trabalho pelo professor, não sendo relevante as atividades autônomas dos estudantes. (NETO, 2011)
O conhecimento é uma "descoberta" e é nova para o indivíduo que a faz. O que foi descoberto, porém, já se encontrava presente na realidade exterior.
Os comportamentalistas consideram a experiência ou a experimentação planejada como a base do conhecimento, o conhecimento é o resultado direto da experiência. O homem
O homem é uma conseqüência das influências ou forças existentes no meio ambiente a hipótese de que o homem não é livre é absolutamente necessária para se poder aplicar um método científico no campo das ciências.
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O homem dentro desse referencial é considerado como o produto de um processo evolutivo.
O mundo
A realidade para Skinner, é um fenômeno objetivo; O mundo já é construído e o homem é produto do meio.
O meio pode ser manipulado. O comportamento, por sua vez, pode ser mudado modificando-se as condições das quais ele é uma função, ou seja, alterando-se os elementos ambientais. O meio seleciona.
Sociedade-Cultura
A sociedade ideal, para Skinner, é aquela que implicarias um planejamento social e cultural.
Qualquer ambiente, físico ou social, deve ser avaliado de acordo com seus efeitos sobre a natureza humana. A cultura é representada pelos usos e costumes dominantes, pelos comportamentos que se mantém através dos tempos.
Conhecimento
O conhecimento é o resultado direto da experiência, o comportamento é estruturado indutivamente, via experiência.
Educação
A educação está intimamente ligada à transmissão cultural.
A educação, pois, deverá transmitir conhecimentos , assim como comportamentos éticos ,práticas sociais, habilidades consideradas básicas para a manipulação e controle do mundo /ambiente.
Escola
A escola é considerada e aceita como uma agência educacional que deverá adotar forma peculiar de controle, de acordo com os comportamentos que pretende instalar e manter.
Ensino-aprendizagem
É uma mudança relativamente permanente em uma tendência comportamental e ou na vida mental do indivíduo, resultantes de uma prática reforçada.
Professor-aluno
Aos educandos caberia o controle do processo de aprendizagem, um controle científico da educação, o professor teria a responsabilidade de planejar e desenvolver o sistema de ensino-aprendizagem, de forma tal que o desempenho do aluno seja maximizado, considerando-se igualmente fatores tais como economia de tempo, esforços e custos.
Metodologia
Nessa abordagem, se incluem tanto a aplicação da tecnologia educacional e estratégias de ensino, quanto às formas de reforço no relacionamento professor-aluno. Avaliação
Decorrente do pressuposto de que o aluno progride em seu ritmo próprio, em pequenos passos, sem cometer erros, a avaliação consiste, nesta abordagem, em se constatar se o aluno aprendeu e atingiu os objetivos propostos quando o programa foi conduzido até o final de forma adequada.
Considerações finais
O meio pode ser controlado e manipulado e, consequentemente, também o homem pode ser controlado e manipulado.
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O ensino é tratado em função de uma tecnologia que, além da aplicação de conhecimentos científicos à prática pedagógica, envolve um conjunto de técnicas diretamente aplicáveis em situações concretas de sala de aula. (ABREU, MESQUITA e ANCHIETA 1996).
Abordagem humanista
Características Gerais
A abordagem humanista fica predominantemente no desenvolvimento da personalidade dos indivíduos e tem Carl Rogers como um de seus principais teóricos. O professor não transmite conteúdos, mas dá assistência aos estudantes, atuando como facilitador da aprendizagem. O conteúdo emerge das próprias experiências dos estudantes, que são considerados num processo contínuo de descoberta de si mesmos. A ênfase é no sujeito, mas uma condição necessária para desenvolvimento individual é o ambiente. Assim, a escola é vista como a instituição que deve oferecer condições que possibilitem a autonomia dos alunos. (NETO, 2011)
Nesta abordagem é dada a ênfase no papel do sujeito como principal elaborador do conhecimento humano. Da ênfase ao crescimento que dela se resulta, centrado no desenvolvimento da personalidade do indivíduo na sua capacidade de atuar como uma pessoa integrada. O professor em si não transmite o conteúdo, dá assistência sendo facilitador da aprendizagem. O conteúdo advém das próprias experiências do aluno o professor não ensina: apenas cria condições para que os alunos aprendam.
Homem
É considerado como uma pessoa situada no mundo. Não existem modelos prontos nem regras a seguir, mas um processo de vir a ser. O objetivo do ser humano é a autorealização ou uso pleno de suas potencialidades e capacidades o homem se apresenta como um projeto permanente e mal acabado.
Mundo
O mundo é algo produzido pelo homem diante de si mesmo. O mundo teria o papel fundamental de crias condições de expressão para a pessoa, cuja tarefa vital consiste no pleno desenvolvimento do seu potencial inerente. A ênfase é no sujeito mais uma das condições necessárias para o desenvolvimento individual é o ambiente.
Na experiência pessoal e subjetiva o conhecimento é construído no decorrer do processo de vir a ser da pessoa humana. É atribuído ao sujeito papel central e primordial na elaboração e criação do conhecimento.
Ao experienciar o homem conhece. O conhecimento é inerente à atividade humana. O ser humano tem curiosidade natural para o conhecimento.
Educação
Trata-se da educação centrada na pessoa, já que nessa abordagem o ensino será centrado no aluno. A educação tem como finalidade primeira a criação de condições que facilitam a aprendizagem de forma que seja possível seu desenvolvimento tanto intelectual como emocional seria a criação de condições nas quais os alunos pudessem tornar-se pessoas de iniciativas, de responsabilidade, autodeterminação que soubessem aplicar-se a aprendizagem no que lhe servirão de solução para seus problemas servindo-se da própria existência. Nesse processo os motivos de aprender deverão ser do próprio aluno.
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Escola
A escola será uma escola que respeite a criança tal qual é que ofereça condições para que ela possa desenvolver-se em seu processo possibilitando a autonomia do aluno. O princípio básico consiste na idéia da não interferência com o crescimento da criança e de nenhuma pressão sobre ela.
O ensino numa abordagem como esta consiste num produto de personalidades únicas, respondendo as circunstâncias únicas num tipo especial de relacionamentos.
A aprendizagem tem a qualidade de um envolvimento pessoal. Professor-Aluno
Cada professor desenvolverá seu próprio repertório de uma forma única, decorrente da base percentual de seu comportamento. O processo de ensino irá depender do caráter individual do professor, como ele se relaciona com o caráter pessoal do aluno. Assume a função de facilitador da aprendizagem e nesse clima entrará em contato com problemas vitais que tenham repercussão na existência do estudante.
Isso implica que o professor deva aceitar o aluno tal como é e compreender os sentimentos que ele possui.
O aluno deve responsabilizar-se pelos objetivos referentes à aprendizagem que tem significado para eles.
As qualidades do professor podem ser sintetizadas em autenticidade compreensão empática, aceitação e confiança no aluno.
Metodologia
Não se enfatiza técnica ou método para facilitar a aprendizagem. Cada educador eficiente deve elaborar a sua forma de facilitar a aprendizagem no que se refere ao que ocorre em sala de aula é a ênfase atribuída à relação pedagógica, a um clima favorável ao desenvolvimento das pessoas que possibilite liberdade para aprender.
Avaliação
Só o indivíduo pode conhecer realmente sua experiência, só pode ser julgada a partir de critérios internos do organismo. O aluno deverá assumir formas de controle de sua aprendizagem, definir e aplicar os critérios para avaliar até onde estão sendo atingidos os objetivos que pretende, com responsabilidade. O diretivismo no ensino é aqui substituído pelo não diretivismo: As relações verticais impostas por relações EU - TU e nunca EU - ISTO; As avaliações de acordo com padrões prefixados, por auto avaliação dos alunos.
Considerando-se, pois o fato de que só o indivíduo pode conhecer realmente a sua experiência, esta só pode ser julgada a partir de critérios internos do organismo. (ABREU, MESQUITA e ANCHIETA 1996).
Abordagem cognitivista Características gerais
A abordagem cognitivista é fundamentalmente interacionista. O conhecimento é entendido como o produto das interações entre sujeito e objeto, não enfatizando nenhum pólo dessa relação, como acontece na abordagem comportamentalista, que enfatiza o objeto, e na humanista, que enfatiza o sujeito. Os principais representantes desta corrente são Jean Piaget e Jerome Bruner. O Cognitivismo considera o indivíduo como um sistema aberto, que passa por estruturações sucessivas, em busca de um
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estágio final nunca alcançado completamente. Assim, a escola deveria proporcionar aos estudantes oportunidades de investigação individual que lhe possibilitasse aprender por si próprio. O ensino compatível com essa abordagem deveria fundamentar-se no ensáio-e-erro, na pesquisa e na solução de problemas por parte dos estudantes e não na aprendizagem de definições, nomenclaturas e fórmulas. A estratégia geral do processo seria a de ajudar ao estudante no desenvolvimento de um pensamento autônomo, crítico e criativo. Não seriam privilegiadas ações finalistas, mas mediadoras do processo de aprendizagem. Estas deveriam contribuir para organização do raciocínio com vistas a lidar com informações estabelecer relações entre conteúdos e conduzir a uma generalização cognitiva que possibilitasse sua aplicação em outras situações e momentos da aprendizagem. (NETO, 2011)
Homem e mundo
O homem e mundo serão analisados conjuntamente, já que o conhecimento é o produto da interação entre eles, entre sujeito e objeto.
Sociedade-cultura
Os fatos sociológicos, pois, tais como regras, valores, normas, símbolos etc. De
acordo com este posicionamento, variam de grupo para grupo, de acordo como o nível mental médio das pessoas que constituem o grupo.
Conhecimento
O conhecimento é considerado como uma construção contínua. A passagem de um estado de desenvolvimento para o seguinte é sempre caracterizada por formação de novas estruturas que não existiam anteriormente no indivíduo.
Educação
O processo educacional, consoante a teoria de desenvolvimento e
conhecimento, tem um papel importante, ao provocar situações que sejam desequilibradoras para o aluno, desequilíbrios esses adequados ao nível de desenvolvimento em que a criança vive intensamente (intelectual e afetivamente) cada etapa de seu desenvolvimento.
Escola
Segundo Piaget, a escola deveria começar ensinando a criança a observar. A
verdadeira causa dos fracassos da educação formal , diz , decorre essencialmente do fato de se principiar pela linguagem (acompanhada de desenhos, de ações fictícias o narradas etc.) ao invés de o fazer pela ação real e material .
Ensino-aprendizagem
Um ensino que procura desenvolver a inteligência deverá priorizar as atividades do sujeito, considerando-o inserido numa situação social.
Professor aluno
Ambos os pólos da relação devem ser compreendidos de forma diferente da convencional, no sentido de um transmissor e um receptor de informação. Caberá ao professor criar situações, propiciando condições onde possam se estabelecer reciprocidade intelectual e cooperação ao mesmo tempo moral e racional.
Metodologia
O desenvolvimento humano que traz implicações para o ensino. Uma das implicações fundamentais é a de que a inteligência se constrói a partir da troca do organismo como o meio, por meio das ações do indivíduo. A ação do indivíduo, pois, é centro do processo e o fator social ou educativo constitui uma condição de desenvolvimento.
Prof. MS. JOÃO LUIZ DERKOSKI Avaliação
A avaliação terá de ser realizada a partir de parâmetros extraídos da própria
teoria e implicará verificar se o aluno já adquiriu noções, conservações, realizou operações, relações etc. O rendimento poderá ser avaliado de acordo como a sua aproximação a uma norma qualitativa pretendida.
Considerações finais
Tudo o que se aprende é assimilado por uma estrutura já existente e provoca uma restruturação. No comportamentalismo, o que o organismo geralmente persegue é o esforço e não a aprendizagem em si. Esta interessa apenas ao professor. (ABREU, MESQUITA e ANCHIETA 1996)
Abordagem sócio-cultural Características gerais
A abordagem sociocultural enfatiza os aspectos socioculturais que envolvem o processo de aprendizagem. Assim como o construtivismo, esta abordagem pode ser considerada interacionista. No entanto, confere ênfase especial ao sujeito como elaborador e criador do conhecimento. O ser humano torna-se efetivamente um “ser sujeito” à medida que, integrado ao seu contexto, reflete sobre ele e toma consciência de sua historicidade. A educação torna-se, portanto, fator de suma importância na passagem das formas mais primitivas de consciência crítica. Sendo o ser humano sujeito de sua própria educação, as ações educativas devem ter como principal objetivo promovê-lo e não ajustá-lo a sociedade. Um dos principais representantes desta corrente é Paulo Freire, para quem existe uma verdadeira educação problematizadora, que auxilia na superação da relação opressor-oprimido. A essência desta educação a dialogicidade, por meio da qual educar e educando tornam sujeitos de um processo em que crescem juntos. Nessa abordagem, o conhecimento deve ser entendido como uma transformação contínua e não transmissão de conteúdos programados. (NETO, 2011) Homem-mundo
O homem está inserido no contexto histórico. O homem é sujeito da educação, onde a ação educativa promove o próprio indivíduo, como sendo único dentro de uma sociedade / ambiente.
Sociedade-cultura
O homem alienado não se relaciona com a realidade objetivo, como um verdadeiro sujeito pensante: o pensamento é dissociado da ação.
Conhecimento
A elaboração e o desenvolvimento do conhecimento estão ligados ao processo de conscientização.
Educação
Toda ação educativa, para que seja válida, deve, necessariamente, ser precedida tanto de uma reflexão sobre o homem como de uma análise do meio de vida desse homem concreto, a quem se quer ajudar para que se eduque.
Escola
Deve ser um local onde seja possível o crescimento mútuo, do professor e dos alunos, no processo de conscientização o que indica uma escola diferente de que se tem atualmente, coma seus currículos e prioridades.
Prof. MS. JOÃO LUIZ DERKOSKI
Ensino aprendizagem
Situação de ensino - aprendizagem deverá procurar a superação da relação opressor - oprimido.
A estrutura de pensar do oprimido está condicionada pela contradição vivida na situação concreta, existencial em que o oprimido se forma. Resultando conseqüências tais como:
• Ser ideal é ser mais homem. • Atitude fatalista.
• Atitude de auto desvalia.
• O medo da liberdade ou a submissão do oprimido. Professor-aluno
Relação professor-aluno é horizontal
Professor empenhado na prática transformadora procurará desmistificar e questionar, junto com o aluno.
Metodologia
Os alunos recebem informações e analisam os aspectos de sua própria experiência existencial. (ABREU, MESQUITA e ANCHIETA 1996)
Os novos pensadores da educação
Nesta última década aparecem novos pensadores sobre a educação e o resumo de suas idéias será exposto a seguir (MARANGON & LIMA, 2002, P.19-25):
Edgar Morin
Principais livros publicados
• O método – 1977 – inicia sua explanação sobre a teoria da complexidade. • A cabeça feita – 1999.
• Os sete saberes necessários à educação para o futuro – 1999. O que ele diz
• Defende a incorporação dos problemas cotidianos ao currículo e a integração dos saberes. Critica o ensino fragmentado.
• “É preciso substituir um pensamento que isola e separa por um pensamento que distingue e une”.
• “O conjunto beneficia o ensino porque o aluno busca relações para entender. Só quando sai da disciplina e consegue contextualizar é que ele vê ligação com a vida”.
• “Só assim vamos compreender que a simplificação não exprime a unidade e a diversidade presentes no todo”.
Um alerta
• Sem uma reforma do pensamento, é impossível aplicar suas idéias. O ser humano é reducionista por natureza e, por isso, é preciso esforçar-se para compreender a complexidade e combater a simplificação.
Prof. MS. JOÃO LUIZ DERKOSKI
Principais obras
• 10 novas competências para ensinar. • A prática reflexiva no ofício de professor. • As competências para ensinar no século XXI. • Ensinar: agir na urgência, decidir na incerteza. O que ele diz
• Relaciona em um de seus livros as dez novas competências para ensinar. Também fala sobre a avaliação, pedagogia diferenciada e formação.
• “Competência é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações etc.) Para solucionar uma série de situações”.
Um alerta
• As 10 competências não contemplam todas as relações que se estabelecem em sala de aula. Por isso, nunca deixa de lado sua sensibilidade e afetividade.
Cesar Coll
Principais obras
• Ensino, aprendizagem e discurso em sala de aula; • Psicologia e currículo;
O que ele diz
• A preparação de um currículo precisa satisfazer todos os níveis da escola. O que importa é o que o aluno efetivamente apreende, não o conteúdo transmitido pelo professor.
• “se o conteúdo trabalhado tiver relação com a vida do aluno , o êxito será maior”. • “Não se separa o que cabe ao professor – as aulas - do que é responsabilidade
dos alunos – o conhecimento prévio e a atividade”. Um alerta
• Um bom funcionamento de um currículo depende não só do professor, mas também dos alunos, pais, funcionários, coordenadores e diretores.
Antônio Nóvoa
Principais obras
• Profissão professor. • Vidas de professores. O que ele diz
• O desafio dos profissionais da área escolar é manter-se atualizados sobre as novas pedagogias de ensino e desenvolver práticas pedagógicas eficientes. • “O aprender contínuo é essencial e se concentra em dois pilares: a própria
pessoa, como agente, e a escola, como lugar de crescimento profissional permanente”.
Prof. MS. JOÃO LUIZ DERKOSKI
• A busca isolada pela atualização é difícil e, por isso, é aconselhável um vínculo com uma instituição. Mas o mais importante é entender que o local de trabalho é o espaço ideal para a formação continuada.
Observações
• Novoa quebra a idéia que para ensinar bem é preciso ter vocação sacerdotal. • Nenhuma reforma educacional tem valor se a formação de docentes não for
encarada como prioridade.
Fernando Hernández
Principal obra
• Transgressão e mudança na educação . O que ele diz
• A organização do currículo deve ser feita por projetos de trabalho, com atuação conjunta de alunos e professores.
• As diferentes fazes que compõem um projeto ajudam os estudantes a desenvolver a consciência sobre o próprio processo de aprendizagem.
• “Todas as coisas podem ser ensinadas por meio de projetos, basta que se tenha uma dúvida inicial e que se comece a pesquisar e buscar as evidências sobre o assunto”.
• “É bom e necessário que os estudantes tenham aulas expositivas, participem de seminários, trabalhem em grupos e individualmente, ou seja, estudem em diferentes situações”.
Um alerta
• Todo o projete deve estar relacionado com os conteúdos, para não perder o foco. Além disso, é fundamental estabelecer limites e metas para a conclusão do trabalho.
Bernardo Toro
Principal obra
• Códigos da modernidade O que ele diz
• Criou os códigos da modernidade, que são sete competências mínimas para a participação produtiva e a inserção social do ser humano no século 21. Para desenvolvê-los, o ensino deve ser contextualizado.
• “A escola tem a obrigação de formar jovens capazes de criar, em cooperação com os demais, uma ordem social na qual todos possam viver com dignidade”. • “Para que seja eficiente e tenha sentido, a educação deve servir a um projeto da
sociedade como um todo”. Um alerta
• Contextualizar não significa utilizar qualquer tema da atualidade. Canalize suas energias para assuntos que fazem sentido na vida dos alunos.
Prof. MS. JOÃO LUIZ DERKOSKI
O que diz a constituição
Art. 205 - A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
O que diz a Lei Diretrizes e Bases
Art. 43º. A educação superior tem por finalidade:
II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua;
A LDB estabelece, prioritariamente, que a educação superior tem por finalidade: I. Estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do
pensamento reflexivo.
II. Formar diplomados, nas diferentes áreas do conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua.
III. Incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia e, ainda, da criação e difusão da cultura e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive.
IV. Promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação.
V. Suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração.
VI. Estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade;
VII. promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição.
De acordo com a Constituição Federal, as Universidades devem obedecer ao princípio da indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão. Tal exigência não existe para as outras formas institucionais de Ensino Superior, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) de 1996.
Contudo o que se tem visto nas exigências atuais dos órgãos de regulamentação é a interpretação da pesquisa como primazia, sendo o pesquisador a menina dos olhos das universidades e os outros profissionais da educação como no caso os que se
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dedicam por vocação mais ao ensino e a extensão, preteridos nas valorações avaliativas.
O professor (MOREIRA, 2011) em seu artigo (resumo) faz explanação muito rica do professor do ensino superior no Brasil.
O professor do ensino superior
A formação de um educador como profissional na área acadêmica fica muito além de sua experiência prática e seus conhecimentos fora dela. É preciso de conhecimentos que criem uma interface entre o empirismo e a arte de como ensinar de forma científica. Neste contexto, a titularidade de um docente com vasta experiência não-acadêmica e com formação pedagógica e didática, tendo como pilares a arte e ciência da educação e do ensino, é de essencial importância para que a educação chegue aos educandos de forma correta e assimilativa.
A didática do ensino é uma extraordinária técnica para o ensinamento dos educandos, pois mostra que saber ensinar não é somente ter experiência fora da sala de aula. Precisa saber como lhe lidar com os alunos de forma científica, apresentando as técnicas corretas para o ensino-aprendizado correto.
A profissão de professor não pode ser considerada como um mero hobby, entendimento que tem ser erradicado pelas universidades. Dessa forma, os profissionais de outras áreas, principalmente os bacharéis, cogitam que ensinar é simplesmente “passar” para outras pessoas o que foi absorvido no campo empírico.
Há muito tempo prevaleceu no âmbito do Ensino Superior a crença de que, para tornar um bom professor, bastaria ter boa comunicação e arraigados conhecimentos relacionados à matéria que se quer lecionar.
A justificativa para essa afirmativa é que o corpo discente das universidades e faculdades, em sua maioria, é constituído por adultos, que, diferentemente do corpo discente do ensino básico, integrado por crianças e adolescentes, jamais necessitaria de auxilio pedagógico. Por essa razão, é que até recentemente não se verificava preocupação explicita das autoridades educacionais com a preparação dos professores para o Ensino Superior. Ou melhor, a preocupação existia, mas só com a preparação de pesquisadores, subtendendo que quanto melhor o pesquisador fosse, mais competente professor seria.
Ensinar é uma arte, e está num grau de competência muito superior aos concebidos por esses profissionais, razão pela qual, quando olhado para esse lado de entendimento, desqualificam o ensino-aprendizado das instituições de Ensino Superior que, por sua vez, ficavam submetidas á empregá-los, mesmo não sendo qualificados como tal.
Na realidade de hoje, as escolas de Ensino Superior, em relação às questões educacionais, não admite mais justificativas desse tipo. Para qualquer professor agora é necessário não apenas firmes conhecimentos na área que pretende lecionar, mas também de astúcia na área pedagógica para tornar o aprendizado mais eficaz. Além
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disso, é necessário que o professor universitário tenha conhecimento de mundo, de ser humano, de ciência e de educação, compatível com as características de sua função. As falhas na formação do professor universitário ficam bem óbvias nos levantamentos que se realizam com o corpo discente ao longo do curso. Assim, é comum verificar que a maioria dos julgamentos negativos direcionados aos professores concerne-se na falta de didática.
A didática e a formação do professor
O que vem se afirmando é que não basta ter conhecimento para ser um bom professor no ensino superior, a transmissão do saber com afirma Freire (1988) não é uma conta bancária aonde à cada aula faz-se um depósito. Ensinar no ensino superior é despertar consciências, muito mais que discursar horas e exigir memorização nas provas.
Segundo Freire (2002, p.86): ... a narração de que o educador é o sujeito, conduz os educandos à memorização mecânica do conteúdo narrado. Mais ainda, os transformam em “vasilhas”, em recipientes a serem “enchidos” pelo educador. Quanto mais vai enchendo os recipientes com seus “depósitos”, tanto melhor educador será. Quanto mais se deixarem totalmente “encher”, tanto melhores educandos serão.
É muito comum ouvir-se: Este professor sabe muito, mas não tem didática. O que será a didática? Vejamos o que alguns autores nos dizem.
Segundo Gil (2007, p.2), o termo “didática” vem do grego didaktiké, que significa arte de ensinar. Iniciada sua difusão na obra Didática Magna, ou Tratado da arte universal de ensinar tudo a todos, publicada em 1657 por Jan Amos Comenius (1592- 1670),. Hoje são muitas as definições para esse termo, mas quase todas apresentam como ciência, arte ou técnica de ensino.
Para Masetto apud Gil (2007, p.2), “Didática é” ‘o estudo do processo de ensino-aprendizagem em sala de aula e de seus resultados’ e surge quando há intervenção dos adultos na atividade de aprendizagem dos jovens e crianças através de planejamento e pré-exame do ensino, que difere das intervenções feitas ao modo espontâneo de antes.
Deve-se entender que a didática faz parte da pedagogia ou andragogia conforme se refira ao ensino de crianças, jovens e adultos. Por isso a pedagogia é reconhecida como a arte e a ciência da educação, enquanto a Didática é conhecida como a ciência e a arte de ensino.
Libâneo (2001, p.3) afirma num de seus textos que: ...Um professor que aspira ter uma boa didática necessita aprender a cada dia como lidar com a subjetividade dos alunos, sua linguagem, suas percepções, sua prática de vida. Sem essa disposição, será incapaz de colocar problemas, desafios, perguntas, relacionados com os conteúdos, condição para conseguir uma aprendizagem significativa. [...] A didática hoje precisa comprometer-se com a qualidade cognitiva das aprendizagens e esta, por sua vez, está associada à aprendizagem do pensar. Cabe-lhe investigar como pode ajudar os alunos a se construírem como sujeitos pensantes, capaz de pensar e lidar com
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conceitos, argumentar, resolver problemas, para se defrontarem com dilemas e problemas da vida prática. [...] Para adequar-se as necessidades contemporâneas relacionadas com as formas de aprendizagem, a didática precisa estabelecer a investigação sobre o papel mediador do professor na preparação dos alunos para pensar. [...] Nesse caso, a questão está em como o ensino pode impulsionar o desenvolvimento das competências cognitivas mediante a formação de conceitos teóricos. Ou, em outras palavras, o que fazer para estimular as capacidades investigadoras dos alunos ajudando-os a desenvolver competências e habilidades mentais.
A necessidade da formação continuada do professor do Ensino Superior é explicitada onde as aulas expositivas predominam e as queixas freqüentes dos alunos mostram a baixa qualidade da ensinagem. Completa com atitude do professor que não modifica, afirmando que está praticando o que seus mestres fizeram, usando como prática mais constante de avaliação da aprendizagem aplicação de provas, usando como critério autoritário, em relação ao aluno, a mensuração numérica do que o discente “aprende”, muito das vezes através de notas subjetivas. Aos alunos, entretanto, cabe sua colocação na condição de ouvintes. Cunha (1997, p. 26) afirma que “... os professores criam um certo sentimento de culpa se não são eles que estão ‘em ação’, isto é, ocupando espaço com a palavra em sala de aula”.
Troca de atitude
Atualmente encontra-se professores que vêem os alunos como os principais agentes do processo educativo. Verificam como estão suas aptidões, suas necessidades e interesses, para que possam buscar as melhores informações e auxiliá-los no desenvolvimento de suas habilidades, na modificação de atitudes e comportamentos e na busca de novos significados das coisas e dos fatos. As atividades desses educadores estão centradas nos discentes, em suas aptidões, capacidades, expectativas, interesses, possibilidades, oportunidades e condições para aprender. Atuam, portanto, como facilitadores da aprendizagem. Os educadores progressistas, preocupados com uma educação para mudança, constituem os exemplos mais claros de adoção desta postura. Nessa ótica, os discentes são incentivados a expressar suas próprias idéias, a investigar com independência e a procurar os meios para o seu desenvolvimento individual e social. (NETO, 2.011)
À medida que cresce a ostentação na aprendizagem, o professor deixa de ensinar para poder ajudar ao aluno a aprender. Nesse contexto, educar deixa de ser a arte de mera introdução de conhecimentos. Então, as preocupações dos professores começam a mudar para expressões como: “Quais as expectativas dos alunos?”, “Em que media determinado aprendizado poderá ser significativo para eles?”, “Quais as estratégias mais adequadas para facilitar seu aprendizado?”. (NETO, 2.011)
Um dos elementos básicos de discussão da ação docente refere-se ao ensinar, ao aprender e ao apreender. Essas ações são muitas vezes consideradas e executadas como ações disjuntas, ouvindo-se inclusive de professores, afirmações do tipo: “eu ensinei, o aluno é que não aprendeu”.
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Foi diante dessas reflexões que surgiu o termo ensinagem, usado então para indicar uma prática social complexa efetivada entre os sujeitos, professor e aluno, englobando tanto ação de ensinar quanto a de apreender, em processo contratual, de parceria deliberada e consciente para o enfrentamento na construção do conhecimento escolar, resultante de ações efetivadas na, e fora da sala de aula.
Trata-se de uma ação de ensino da qual resulta a aprendizagem do estudante, superando o simples dizer do conteúdo por parte do professor, pois é sabido que na aula tradicional, que se encerra numa simples exposição de tópicos, somente há garantia da citada exposição, e nada se pode afirmar acerca da apreensão do conteúdo pelo aluno.
Nessa superação da exposição tradicional, como única forma de explicitar os conteúdos, é que se inserem as estratégias de ensinagem. Trabalhando com os conhecimentos estruturados Com a nova atitude o professor passa agora a ter um papel mais difícil. Não pode limitar-se somente a explanar a matéria; tem que se preparar para, a qualquer momento, ter que reorientar a aula, dar-lhe uma nova dimensão. Precisa se certificar de que a aula que ministra é superior à leitura de um livro ou à assistência a um filme. (ANASTASIOU, 1998)
Pedagogia e Andragogia
A preparação dos educadores para o ensino fundamental é oferecida em cursos de licenciaturas e habilitações de cunho pedagógico. A palavra pedagogia refere-se somente à condução de crianças; cursos dessa natureza não são adequados para a preparação de professores universitários, cujos alunos, embora nem sempre sejam adultos, estão mais próximos dessa etapa da vida do que da infância. Por essa razão é que a partir do último quartel do século XX, graças ao aparecimento do livro the modern practice of adult education de Malcom Knowles (1970), começou a popularizar-se o termo andragogia para referir-se à arte e a ciência de orientar adultos a aprender. (NETO, 2.011)
A andragogia fundamenta-se nos seguintes princípios:
• Conceito de aprendenter. Este conceito é adotado como alternativa ao de “aluno” ou “formando”. O aprendente, ou aquele que aprende, é autodirigido, o que significa que a responsável pela sua aprendizagem e estabelece e delimita o seu percurso educacional.
• Necessidade do conhecimento. Os adultos sabem melhor do que as crianças da necessidade de conhecimento. Eles se sentem muito mais responsáveis pela sua aprendizagem e pela delimitação de seu percurso educacional.
• Motivação para aprender. O modelo andragógico leva em conta as motivações externas, como melhor trabalho e aumento salarial, mas também, valoriza, particularmente, as motivações internas relacionadas com sua própria vontade de crescimento, como auto-estima,
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reconhecimento, autoconfiança e atualização das potencialidades pessoais.
• Papel da experiência. Os adultos entram num processo educativo com experiências bastante diversas e é a partir delas que eles se dispõem a participar ou não de algum programa educacional. Por isso, essas experiências devem ser aceitas como fonte de recursos a serem valorizados e partilhados, servindo base para a formação acadêmica. Os conhecimentos dos professores e os recursos institucionais, como os livros e as projeções, são fontes que por si só não garantem o interesse pela aprendizagem. Devem ser vistos como opções que são colocadas à disposição para livre escolha do aprendiz.
Prontidão para o aprendizado. O adulto tem uma orientação mais pragmática do que a da criança. O adulto está pronto para aprender o que decide aprender. Ele se torna disponível par aprender quando pretende melhorar seu desempenho em relação a determinado aspecto de sua vida. Sua seleção de aprendizagem é natural e realista; por isso, muitas vezes ele se nega a aprender o que os outros lhe impõem. Além disso, sua retenção tende a decrescer quando percebe que o conhecimento não pode ser aplicado imediatamente. Assim, convém organizar as experiências de aprendizagem de acordo com as unidades temáticas que tenham sentido e sejam adequadas às tarefas que os adultos são solicitados a realizar nos seus diversos contextos de vida. (NETO, 2.011)
Dessa forma, uma educação no contexto andragógico requer elaboração de diagnósticos de necessidades e interesses dos estudantes; definição de objetivos e planejamento das tarefas com a participação dos estudantes; estabelecimento de um clima cooperativo, informal e de suporte a aprendizagem; seleção de conteúdos significativos para os estudantes; definição de contratos e projetos de aprendizagem; aprendizagem orientada para tarefas ou centrada em problemas; uso de projetos de investigação, estudo independente e técnicas vivenciais; valorização da discussão e da solução de problemas em grupo; utilização de procedimentos de avaliação diretamente relacionados à aprendizagem.
Embora a adoção do conceito de Andragogia não seja consensual, pode-se afirmar que a prática docente do professor universitário pode ser significativamente melhorada com a adoção de seus princípios.
Ciclo docente
O ciclo docente compreende o conjunto de atividades exercidas pelo professor e possui três fases: ZÓBOLI (2002)
1ª fase: o planejamento de ensino
Plano é um roteiro, é tudo aquilo que pretendemos realizar e os meios para fazê-lo.
Planejamento é atividade mental de organizar, concatenar, ou seja, ligar o plano a uma realidade que queira desenvolver na sala de aula. É o ato de traçar o plano, é a
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programação dos trabalhos escolares, usando posterior ação docente, de maneira a atingir os objetivos que anteriormente foram propostos.
Há três tipos de planejamento:
1-Planejamento de curso: é um planejamento mais amplo, abordando os
temas de um curso (bimestral, semestral ou anual), incluindo os objetivos, estratégias e avaliação de cada tema.
2- Planejamento de unidade: é um planejamento parcial, referindo-se a um
único tema, incluindo também conteúdo, estratégias e avaliação de cada tema.
3- Planejamento de aula: é um plano detalhado, referente ao que se
pretende tratar numa aula.
2º Fase: orientação ou execução da aprendizagem Aqui o professor executa aquilo que planejou.
Todas as atividades têm como finalidade orientar o aluno alcançar os objetivos que foram propostos.
Está fase exigem grande habilidade por parte do professor, pois ele deve exercer sua função de liderança.
Nesta fase o professor se utiliza dos seguintes processos:
a) Incentivação: Aqui ele utiliza recursos, técnicas e métodos próprios para motivar os alunos, ou melhor, dizendo, para desperta interesse e prende-lhes atenção no tema proposto.
b) Apresentação do assunto: O professor apresenta uma visão geral do assunto que deverá ser estudado. Às vezes, os professores dispensam esta etapa, outras vezes ela é utilizada como uma aula plataforma.
c) Direção das atividades: O professor orienta os alunos com ou elementos do assunto, cirando situações e promovendo a oportunidade de os alunos “redescobrirem”.
d) Sistematização: O professor procura utilizar que possam globalizar, de forma ordenada, aquilo que foi trabalhado de forma analítica e parcial.
e) Retenção: O professor promove oportunidade de o aluno utilizar a experiência adquirida em situações generalizadas ou diferentes.
3ª Fase: controle ou avaliação
Esta fase consiste na supervisão constante do processo de aprendizagem para que seja eficazmente conduzida, isto é, que os alunos aprendam o que o professor ensinou e o processo alcance resultado.
A ação eficaz do controle envolve as seguintes atividades:
a) A sondagem ou prognóstico: É o levantamento das condições concretas dos alunos ao iniciar o processo (capacidades, carências) e prognóstico de como ele poderá ser realizado.
b)Manejo de classe ou direção de classe: Supervisão e controle do professor sobre os alunos para criar um ambiente que seja propício à aprendizagem.
c) Diagnóstico e retificação: O professor estuda as causas da aprendizagem eficiente (diagnóstico) e isto servirá como base para a seleção e o