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O menino do pijama listrado, de John Boyne

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Academic year: 2019

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(1)

Prá tic a d e Le itura e Esc rita

O me nino do pijama listrado , d e Jo hn Bo yne

1

Ensino Mé d io

J

u st ifica t iva

Como manifestações culturais, a Literatura e a Arte não devem ser reduzidas  a meras listagens de escolas, autores e suas características. No ensino das  diversas linguagens artísticas, não se pode mais abandonar quer o eixo da  produção (eixo poético), quer o da recepção (eixo estético), quer o da crítica.  (Proposta Curricular do Estado de São Paulo. SEE‐SP, 2008. p. 38.) 

Fruir um texto literário é perceber essa recriação do conteúdo na expressão e  não meramente compreender o conteúdo; é entender os significados dos  elementos da expressão. No texto literário, o escritor não apenas procura  dizer o mundo, mas recriá‐lo nas palavras, de modo que, nele, importa não  apenas o que se diz, mas o modo como se diz.  

(PLATÃO, Francisco; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto – Leitura e redação.  São Paulo: Ática, 2001. p. 20.)   

Propiciar a formação de um leitor literário é um dos objetivos da educação básica. Para tanto, é preciso 

que ao longo da sua escolaridade o aluno possa ter experiências significativas de leitura de livros e possa 

se  apropriar  de  conhecimentos  necessários  para  fazer  apreciações,  valorações  e  escolhas. Nesse 

sentido, entendemos que os conhecimentos da teoria literária, diferente de ser um fim em si mesmo, 

devem ser convocados a serviço da fruição do texto pelo leitor, na direção apontada por Platão e Fiorin 

na passagem que serve como epígrafe do presente texto. 

Assim, faz‐se necessário promover o desenvolvimento da competência leitora por meio da mobilização 

de procedimentos e capacidades, quais sejam:  

Capacidades de compreensão2, que envolvem: ativar conhecimentos prévios sobre o que será lido;  levantar hipóteses sobre os conteúdos ou propriedades dos textos; checar hipóteses; localizar e/ou  copiar informações; comparar informações; generalizar; produzir inferências. 

Capacidades de apreciação e réplica3, que envolvem: recuperar o contexto de produção do texto;  ter  claras  quais  são  as  finalidades  e  metas  da  atividade  de  leitura;  perceber  relações  de  intertextualidade  e  de  interdiscursividade;  perceber  outras  linguagens  como  elementos  constitutivos dos sentidos dos textos; perceber efeitos de sentido decorrentes de escolhas feitas  pelo autor em diferentes níveis; elaborar apreciações estéticas e/ou afetivas e apreciações relativas  a valores éticos e/ou políticos. 

       1 

Elaborado por Shirley Jurado.  2 

Adaptado de ROJO, Roxane. Letramento e capacidades de leitura para a cidadania. Texto integrante do CD que acompanha o material 

didático do Programa Ensino Médio em Rede, SEE‐SP/CENP, 2004.  

3 

(2)

       

Essa é exatamente a finalidade maior da proposição do presente Projeto de Leitura: promover o 

desenvolvimento de capacidades leitoras, colocando os conhecimentos da teoria literária a serviço da 

fruição. 

O

bj e t ivos

Espera‐se que por meio desta atividade os alunos:  

• ampliem sua  proficiência para  a  leitura de  textos mais extensos,  ou de complexidade  maior, 

atribuindo‐lhes sentidos adequados; 

• façam uso do diário como uma forma de registro que pode auxiliar na sistematização de suas  impressões pessoais e análises literárias da obra; 

• se posicionem criticamente, reconhecendo posições ideológicas presentes no texto;  

• demonstrem interesse pela literatura, considerando‐a forma de expressão da cultura de um povo; 

• façam uso dos conhecimentos de teoria literária para compreender o romance como uma produção  estética situada; 

• se interessem por trocar impressões e informações com outros leitores.  

P

r oce dim e n t os m e t odológicos

Este projeto de leitura propõe a organização de uma situação didática baseada no trabalho com a 

leitura programada4. Esta forma de organização do trabalho é altamente indicada para se discutir 

coletivamente um título considerado difícil para os alunos porque permite um acompanhamento do 

processo de compreensão, possibilitando mediações do professor ao longo do processo, reduzindo 

parte da complexidade da tarefa e compartilhando a responsabilidade.  

Neste tipo de organização do trabalho de leitura, define‐se um título, monta‐se um cronograma de 

leitura, distribuindo um certo número de capítulos ou páginas em um certo período. Ao final de cada 

período, organiza‐se uma situação didática em que se discute o trecho lido. 

A esta forma de organização associamos a ideia da leitura colaborativa5: antecipando diferentes focos 

de observação, ao longo do processo de leitura, espera‐se que os alunos façam uma leitura com 

objetivos prévios e organizam‐se momentos de reflexão e compartilhamento das experiências de leitura 

e das compreensões dos textos. Portanto, a cada semana, diferentes formas de organização da sala 

estão previstas: 

  4 

Ver  a  esse  respeito:  BRÄKLING,  Kátia.,  Leitura  formador  de  leitores.  2003.  Disponível  em: 

<http://educarede.org.br/educa/index.cfm?pg=oassuntoe.interna&id_tema=9&id_subtema=2>.  Acessado  em:09  set  2009.  E  também 

FERREIRA,  Norma  A.  S.  Dos  amores  difíceis:  uma  leitura  compartilhada  na  aula  de  Língua  Portuguesa.  Disponível  em: 

<www.fe.unicamp.br/alle/textos/NSAF‐DosAmoresDificeis.pdf>. Acessado em: 09 set 2009.  5 

(3)

• aula expositiva dialogada para a apresentação do projeto, contextualização da leitura proposta e 

ativação de conhecimentos prévios sobre o tema da obra; 

• aulas com discussões em grupo ou coletivas, quando serão compartilhadas as anotações pessoais de 

cada um, leituras de trechos feitas no coletivo pelo professor ou pelos alunos. 

Também está prevista a articulação com outras linguagens – cinema, pintura, fotografia etc.  

O trabalho com a leitura do livro proposto exigirá cerca de cinco aulas da disciplina, que deverão ser 

distribuídas ao longo do mês (uma aula por semana, por exemplo).

R

e cu r sos n e ce ssá r ios

• Livro: O menino do pijama listrado, de John Boyne. Cia. das Letras, 2008, para todos os alunos de  uma classe (valor aproximado por unidade R$ 32,00). 

• Livro: A personagem, de Beth BraitSérie Princípios. Ática, 1985, para o professor (valor aproximado:  R$ 18,90). 

• Filme: A lista de Schindler

• Papel sulfite A4. 

• Cartucho de tinta preta, cartucho de tinta colorida ou toner para imprimir: 

¾ projeto para o professor; 

¾ fotos de campos de concentração – 24 páginas (há a possibilidade alternativa de os alunos 

verem as fotos na internet); 

¾ cópias para todos os alunos dos roteiros de leitura.  

C

r on ogr a m a e a çõe s

Au la 1

1º PASSO – Apresentação do projeto 

• Reserve uma aula para fazer a apresentação do projeto e a leitura do primeiro capítulo da obra para  os alunos acompanharem em seus livros.  

(4)

• Inicie a aula com algum tipo de atividade que possibilite aos alunos ativarem seus conhecimentos 

prévios sobre o Holocausto – tema de fundo do livro que será lido. Você poderá iniciar, por exemplo, 

com  exploração  de  imagens  sobre  o  assunto  em 

http://viagem.uol.com.br/album/polonia_marcha_album.jhtm6.  Se  tiver  oportunidade,  deixe  que 

acessem o endereço e naveguem pelas fotos ou projete‐as para eles. Se não for possível, imprima 

algumas delas e deixe‐as circulando pela sala (sugestão de fotos: 1, 18, 19, 20, 23, 25, 32 e 35). 

Pergunte qual a sensação que sentem ao olhar para as fotos. Peça para que imaginem como deveria 

ser a vida nesse lugar. Se possível, passe uma das cenas finais do filme A lista de Schindler, quando 

Schindler se despede dos mais de mil judeus que foram salvos pela sua iniciativa – uma vez acontecida 

a rendição da Alemanha, ele, como alemão e membro do partido nazista, passaria a ser perseguido  como criminoso (cena 37. Você poderá encontrar esse trecho do filme também no YouTube, no  endereço http://br.youtube.com/watch?v=N3FoRfwLRRs&feature=related7). Partindo de uma dessas  opções, pergunte aos alunos o que sabem sobre o Holocausto, que filmes já viram sobre o assunto, em  que momento da história aconteceu etc.  

• Depois dessa conversa inicial, faça a apresentação do projeto de leitura programada: anuncie o livro,  o nome do escritor – John Boyne8 (escritor irlandês com cinco romances já escritos, famoso em seu  país). Esse livro projetou o escritor mundialmente e já virou filme, de mesmo nome, que estreou no  exterior em 2007 e aqui no Brasil em dezembro de 2008. Conte que em alguns países o livro é  considerado juvenil e, em outros, para adultos, o que não deixa de colocar um desafio para os  alunos. Você poderá propor que levantem hipóteses sobre o título do texto: O menino do pijama  listrado. Por que tal título? Qual a relação do título com o assunto abordado pelo romance? Pijamas 

ou roupas listradas remetem a quê? Quem poderá ser a personagem protagonista dessa história?  

• Converse com os alunos sobre como será o processo de leitura do livro: o restante do livro será lido 

em partes em casa, pois cada um vai receber um exemplar, que deverá ser devolvido ao final do 

trabalho. Se você dispuser de mais aulas, pode também lê‐lo em sala de aula, continuando do trecho 

anteriormente lido. Esse é um bom procedimento, já que pode ajudar a manter o interesse pelo livro 

e “resgatar” alunos que, porventura, tenham abandonado a leitura. Deixe claro que não haverá 

nenhuma prova a respeito do livro. O que se pretende é verificar como se posicionam em relação a 

ele: o que apreciam ou não na história e na forma como é contada e por quê; o que pensam em 

relação à situação vivida pelas personagens etc. Enfim, desafie‐os a se colocarem perante a história 

(a  do  livro  e  a  real): Vocês  seriam  capazes  de  dialogar  com o  livro,  de  emitir  uma opinião  fundamentada sobre ele? 

2º PASSO – Leitura do capítulo 1 pelo professor 

• Na sequência, distribua os livros. Você pode “ritualizar” a entrega do livro, se achar que é o caso e se 

sentir‐se à vontade para isso. Convide‐os e/ou desafie‐os para a leitura e diga algo como: Vocês estão  prontos? Então, quem quiser, pode vir pegar o livro. Um de cada vez...  

• Deixe que explorem o livro livremente: que o toquem, vejam a capa, a contracapa, leiam a orelha, 

folheiem, vejam o número de páginas etc.  

       6 

Acessado em: 5 out. 2008.  7 

Acessado em 5 out. 2008.  8 

John Boyne nasceu na Irlanda, em 1971. É autor dos romances The thief of times, The congress of rough riders e Crippen. Na sua terra 

natal, O menino do pijama listrado passou cerca de um ano como o livro mais vendido do país. Você poderá encontrar uma entrevista com 

(5)

• Inicie a leitura do primeiro capítulo, após o que todos poderão resgatar as hipóteses levantadas e 

checarem algumas – e levantarem outras a respeito da personagem e da história que será contada. 

Pense o que seria melhor: planejar algumas pausas para discussão ao longo do capítulo ou então ler 

todo  o  capítulo  e  “provocar”  troca  de 

impressões e compreensões sobre o que foi 

lido ao final.  

• Por fim, esclareça o que está previsto numa  leitura programada: a leitura da obra por 

partes,  com  uma  aula  semanal  para  discussão da parte lida; a produção de um  Diário de Leitura em que apresentarão as  suas impressões pessoais e registrarão as  observações  sobre  o  modo  como  se  constituem os elementos  da narrativa no  romance a ser lido. 

• Também seria importante neste momento  que  você  apresentasse  à  turma,  previamente, o processo  de avaliação do  projeto. Esclareça que o aluno será avaliado 

pela  sua  participação  nas  aulas  e  pelo 

simples fato de ter se proposto a escrever o 

diário e ler o livro.  

• Disponibilize  na  lousa,  em  cartolina,  impresso  ou  em  PowerPoint  o  cronograma  de  leitura 

apresentado no anexo 1. Você poderá, também, imprimir para os alunos para que eles possam colar 

no caderno..

Obs.: O Cronograma sugere uma divisão em cinco aulas, mas caberá ao professor, se assim julgar 

necessário, redimensionar o número de aulas estabelecido para a execução do projeto de acordo com 

suas necessidades. 

3º PASSO – Roteiros para organizar o registro do Diário de Leitura 

Imprima  para  todos  os  alunos  o  Roteiro  1  do  Diário  de  Leitura  do   Romance (Anexo 2) e explique como deverá ser feito. Esclareça que: 

1. os roteiros ajudarão a produzir o diário, uma vez que pode ser uma experiência nova para eles; 

2. todos os roteiros apresentam 3 itens que orientam o registro: 

Item 1 – Propõe o registro das impressões gerais de cada um, em que cabe anotar trechos 

que  achou  interessantes,  incoerências  que  tenham  percebido  entre  as  personagens, 

características  da  linguagem,  expressões ambíguas ou  não  compreendidas,  impressões 

pessoais sobre o texto, efeitos que provocou em si próprio, relações com a vida pessoal de 

cada um etc. 

Item 2 – Sempre propõe a observação de aspectos relativos à teoria literária. Esclareça que, 

em todo roteiro, logo no início haverá a antecipação do que será foco de discussão na sala, 

A

Atteennççããoo,, prprooffeessssoorr:: ÉÉ iimmppoorrttaannttee  ffiiccaarr  ccllaarroo  qquuee oo  D

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suuggeerriiddoo   nnoo   rrootteeiirroo,,   eellee   ppooddee//ddeevvee   rreeggiissttrraarr   sseeuuss   q

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(6)

considerando os capítulos sugeridos para o período e que será sobre esse foco que serão 

feitos os registros, neste segundo item. 

Item 3 – Para ser feito sempre durante ou logo depois das discussões de grupos ou 

coletivas. Entram nesse registro final o que foi socializado por todos: o que você alteraria ou 

complementaria  com relação às suas anotações anteriores. 

Au la 2

1º PASSO – Sobre as impressões pessoais 

• Inicie a aula resgatando com os alunos as anotações pessoais sobre os capítulos que leram. Aproveite 

você também para colocar suas impressões. É importante que os alunos o vejam como um leitor – 

assim como eles  – que faz apreciações pessoais sobre o que lê. Neste  momento, evite fazer 

referência aos aportes teóricos para que essas impressões não se configurem como uma análise de 

“conteúdo escolar”. Estimule os alunos a justificarem as possíveis relações que venham a estabelecer 

entre o que acabaram de ler e outras leituras feitas, filmes assistidos... 

2º PASSO – Observando o narrador e a personagem do romance 

• Após a conversa sobre as impressões pessoais, prossiga com a discussão sobre o foco de observação 

para uma análise literária do romance. Lembre‐se de que tal análise tem como objetivo ampliar a 

compreensão da obra e oferecer aporte teórico para as apreciações críticas. Portanto, não deve 

haver demasiada preocupação com o uso de nomenclaturas: o fim é a uma melhor compreensão dos 

sentidos e melhor apreciação da obra e não o uso de nomenclaturas teóricas.  

• Para discutir os aspectos sugeridos no Roteiro, propomos que faça isso no coletivo e oralmente, com 

registro das discussões feitas por você, na lousa.  

• Comece perguntando se as anotações pessoais ajudaram a pensar sobre os aspectos focados nessa 

segunda parte de observação e análise proposta no roteiro. Pergunte se eles conseguiram identificar 

o conflito do romance nos capítulos lidos; peça para indicarem onde aparece.  

• Para iniciar uma análise com mais acuidade, será necessário recorrer à leitura de trechos do livro  personagem9, de Beth BraitSelecione os trechos em que se fala do narrador (O narrador é uma  câmera  os dois últimos parágrafos) e sobre como se constrói as personagens (A câmera finge  registros e constrói as personagens – os dois primeiros parágrafos). 

• Oriente‐os a, durante a leitura, grifar trechos ou fazer anotações sobre o que acharem relevante ao  longo do texto. Providencie cópias dos fragmentos indicados no item acima.  

       9 

(7)

• Após a leitura, pergunte se eles acham que as informações do texto pode nos ajudar a analisar os 

recursos que  o autor  usou para  construir  o  romance. Em  seguida,  verifique o  que os alunos 

conseguiram compreender sobre o texto teórico.  

• Para articular o texto lido com o romance retome questões do roteiro e proponha outras perguntas 

que possam provocar discussão sobre o livro, do tipo: 

a. Como o narrador se posiciona na narração? 

b. Como o narrador se relaciona com o discurso das personagens? (Usa de que discurso: o  direto,  dando  voz  para  personagem;  indireto,  falando  tempo  todo  pela  personagem, ou o indireto livre, misturando a voz da personagem com a sua própria voz,  de modo que se confundem?) 

c. Até o momento, que aspectos da construção das personagens chamam a atenção em: 

i. Bruno – o protagonista da história 

ii. Gretel – a irmã 

iii. a mãe 

iv. o pai 

d. Que ideia Bruno tem sobre as coisas que estão acontecendo a sua volta? 

e. Qual a relação entre o conflito que está sendo vivido por Bruno e o momento histórico no  qual parece estar situada a narrativa (tempo e espaço da história/fábula)?  

• Para discutir uma das questões propostas (a questão b), será importante garantir que os alunos 

saibam diferenciar os três tipos de discurso. Se for necessário, dê exemplos de um mesmo trecho 

escrito de três formas diferentes, de acordo com o tipo de discurso, e peça para eles tentarem 

classificá‐los. Pode ser algo simples como este exemplo: 

Discurso indireto: A porta se fechou e depois de um longo suspiro Jorge olhou para o seu 

anfitrião e desculpou‐se pela saída abrupta da esposa. 

Discurso direto: A porta se fechou. Jorge olhou para o seu anfitrião e depois de um longo 

suspiro disse: 

 Perdoe a retirada abrupta de minha esposa.  

Discurso indireto livre: A porta se fechou. Jorge olhou para o seu anfitrião enquanto tentava 

controlar a sua ira contra aquele ato inconsequente da esposa. O que podia tê‐la levado 

àquela atitude? Ninguém mais que ela sabia que seu emprego dependia da sua boa relação 

com o anfitrião. Depois de um longo suspiro, desculpou‐se pela saída abrupta da esposa.

Atenção,  professor: É  importante garantir que este momento seja de uma discussão oral.  Não 

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Comentários sobre tais questões e considerações sobre este momento de interação 

A narrativa tem início já no conflito (cap. 1): Bruno chega da escola e descobre que a família toda está 

de mudança para um lugar desconhecido, longe de Berlim. Deve ficar claro ao grupo que o narrador 

assume o ponto de vista de um observador. Portanto, narra os fatos em terceira pessoa. Caso haja 

dificuldades, retome trechos de qualquer dos capítulos lidos para colocar em discussão o ponto de vista 

assumido pelo narrador. Trata‐se de um observador onisciente – que tudo sabe sobre as personagens. 

Lembre‐se de garantir que os alunos consigam diferenciar os tipos de discurso. No caso da obra em 

questão, predominam dois tipos de discurso: o narrador onisciente faz uso do discurso direto (sempre 

quando as personagens assumem as próprias vozes, sempre representadas no texto pelo uso das aspas) 

e do indireto livre (quando se aproxima mais da personagem e revela suas impressões, sentimentos e 

ideias sobre as pessoas com quem se relaciona e os momentos que vivem). Os exemplos do uso do 

discurso direto estão em toda parte do romance, como se pode ver na pág. 15:  

“Sinto muito, Bruno”, disse a mãe, “mas os seus planos terão de esperar. Não há escolha quanto a isso.”  

As falas estão marcadas pelas aspas e a voz do narrador aparece separada delas, conforme se percebe 

na parte que destacamos em negrito. 

Também o uso do discurso indireto (a aproximação da “câmera” como em um close interior) pode ser 

percebido em toda a narrativa, como em uma passagem na pág. 18: 

Quando Bruno viu a casa nova pela primeira vez, seus olhos se arregalaram, a boca fez o formato de um  O, e os braços penderam estendidos ao lado do corpo novamente. Tudo parecia ser o oposto da casa  antiga, e ele não podia acreditar que eles iriam de fato morar lá

Nessa passagem vemos, no primeiro período, o narrador relatando sobre o que é visível, exterior, que 

qualquer observador poderia ver. Já no segundo período o narrador se aproxima, penetra no interior da  personagem e revela seus pensamentos e impressões sobre o que está vendo. 

Semelhante movimento faz o narrador em relação às outras personagens, como se pode observar na  pág. 34, quando comenta a reação de Gretel ao ver as pessoas de que falava Bruno: 

Gretel concordou. Ela não queria continuar olhando, mas era difícil voltar os olhos para outra direção.  Até então, tudo o que vira fora a floresta diante de sua própria janela, que parecia um pouco escura,  mas um bom lugar para piqueniques, se houvesse uma clareira mais adiante. Mas daquele lado da casa,  a vista era bem diferente. 

Nesse trecho apenas a primeira frase se refere a algo observável externamente. Todo o restante do  parágrafo é um discurso interno que conhecemos pela “câmera” que é o narrador, nesse romance. 

Apesar de nos dar essa visão das várias personagens, o narrador focaliza a narrativa na perspectiva de  Bruno: se aproxima mais do universo dessa personagem e, a partir da sua relação com o mundo 

externo, constrói a história (ou fábula). 

Quando estiverem discutindo este tópico, será importante que os próprios alunos apontem exemplos e 

expliquem esse movimento da “câmera”, do exterior para o interior.  

Quanto à imagem que construímos das personagens por meio desse narrador, nessa altura do romance, 

faça‐os justificarem com passagens do texto as características que conseguem atribuir a elas. Veja se a 

essa altura eles já conseguem perceber a diferença entre Bruno e Gretel e entre o pai e a mãe na 

relação com os outros. Chame especial atenção o final do capítulo 5, quando ao ser questionado sobre 

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pessoas”: “Ah, aquelas pessoas”, disse o pai, acenando com a cabeça e sorrindo levemente. “Aquelas  pessoas... Bem, na verdade elas não são pessoas, Bruno”. 

Aproveite para explorar esse trecho todo, perguntando sobre o que sentiram quando leram o trecho. 

Coloque  em  discussão,  ainda,  quanto  o  menino  parece  ingênuo,  ensimesmado com  os  próprios 

problemas que não se dá conta de “ler” o que vê como parte do horror de uma guerra.

3º PASSO – Registro final e orientação para a próxima etapa da leitura

• Finalize a aula propondo que eles observem seus próprios registros e complementem o que foi 

contribuição da discussão coletiva, conforme solicitado no item 3 do roteiro: 

3. Resultado da discussão do grupo (Entram aqui as anotações finais sobre o que você alterou ou  complementou com relação às suas anotações anteriores, durante as discussões em sala.) 

• Conclua a aula fazendo uma avaliação sobre o que acharam do trabalho e orientando para a leitura 

da próxima semana. Não se esqueça de distribuir o Roteiro 2 (Anexo 2) para a segunda semana de 

leitura (capítulos 6 a 9).  

• Se houver tempo, seria interessante a leitura coletiva do início do capítulo 6, nesta ou numa aula 

próxima. 

Au la 3

1º PASSO – Trocando as impressões pessoais 

Nesta aula, você pode experimentar uma organização diferente da sala, com três momentos: coletivo, 

grupos, coletivo. Num primeiro momento, a turma socializaria, no coletivo, as impressões pessoais em 

relação aos capítulos lidos. Procure estimular a contribuição de todos os alunos ao longo das aulas de 

discussão. 

2º PASSO – O tempo na/da narrativa e a construção das personagens 

• Em um segundo momento proponha a formação de pequenos grupos (três ou quatro pessoas,  conforme achar mais produtivo) para os quais apresentaria as questões propostas a seguir, itens do  roteiro acrescidos de outras perguntas, para discussão. Depois disso, os grupos apresentariam as  considerações sistematizadas. 

a. Vamos observar como a narrativa se constrói no tempo. Para tanto, observe e indique: 

i. Em que época se passa a história? 

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b. Considerando todos os capítulos lidos até o momento, a sua sensação é de que se passou muito  ou pouco tempo na vida dos habitantes de “Haja Vista”?  

i. Há marcas ou pistas no texto que confirmem a sua sensação? Explique. 

c. Sobre as personagens, considerando todos os capítulos lidos: 

i. Que imagem Bruno constrói das personagens Maria, Pavel e tenente Kotler?  

ii. Há alguma diferença entre as imagens que Bruno tem dessas personagens e a que o leitor  constrói?  Identifique  recursos usados  pelo  narrador  que ajudaram  construir  essas  imagens das personagens. 

iii. Qual a opinião da avó sobre o pai de Bruno? Em que se baseia essa opinião?  

iv. Analisando as imagens que as personagens têm de si e as que você, como leitor, também  está construindo delas, o que pode se constatar sobre elas: são todas coerentes em relação  ao que pensam e ao modo de agir ou não? Explique. 

• Avalie se não seria o caso de, em vez de todos os grupos discutirem todas as questões, dividi‐las e  distribuí‐las para os grupos, de modo que cada um refletisse sobre apenas uma ou duas das  questões. Considerando que não são muitas questões, você poderia distribuir uma mesma questão  ou grupo de questões para dois ou três grupos. Com essa estratégia e organização da sala é possível  otimizar o tempo e garantir maior concentração dos grupos na socialização final, uma vez que haverá  grupos discutindo aspectos diferentes.  

3º PASSO – Apresentação das sínteses dos grupos  

• A socialização das discussões dos grupos deve ser organizada de modo que os participantes se  responsabilizem pela apresentação do resultado da discussão, expondo para os demais da sala o 

tópico de discussão e recorrendo a trechos do romance para demonstrar em que se baseiam os  resultados da análise construída pelo grupo. Como, possivelmente, vários grupos analisarão um  mesmo tópico, organize a apresentação de modo que todos que refletiram sobre a mesma pergunta  falem na sequência, sem a necessidade de repetir o que já foi dito. Oriente‐os a apenas acrescentar  ou contestar o que o outro disse, se for o caso, sempre se apoiando no texto lido. Veja que nesse  momento o seu papel de mediador/a é importante para garantir consensos ou possibilitar revisões  de posição dos grupos em relação às análises feitas. 

• Peça‐lhes  que  registrem  em  seus  diários  de  leitura  o  que  considerarem  relevante  sobre  a  socialização. 

Comentários sobre tais questões e considerações sobre este momento de interação 

A história se inscreve na época da 2ª Guerra Mundial e se passa ora em Berlim, ora em “Haja‐Vista” 

(Auschwitz, Polônia). Esse é o tempo histórico (e o espaço). O discurso literário é construído no tempo  da história, que dura cerca de um ano, de forma não linear. Ou seja, o narrador apresenta os fatos – no  tempo e espaço da história – sem respeitar nem o tempo da história, nem o tempo cronológico. 

(11)

ter saído de Berlim e deixado seus amigos e a casa de que tanto gostava. A narrativa se estende na 

exploração desse “sofrimento”, na comparação constante entre o que a personagem tinha em 

Berlim e o que não tem em “Haja‐Vista” (o conforto, as amizades, os avós...); se arrasta na 

observação das novas relações pessoais que tem de estabelecer com os soldados, com Pavel e o 

novo professor. Em razão da constante comparação, os flashbacks da vida que tinha em Berlim e dos 

acontecimentos que antecederam a saída de lá são constantes. O último retorno que faz ao tempo 

passado acontece logo depois que conhece Shmuel, do outro lado da cerca. Exatamente o capítulo 

11, quando é narrada a visita do “Fúria” (Führer) a sua casa e, enfim, decide‐se deixar Berlim. 

Quanto à imagem que Bruno constrói das personagens citadas é importante garantir na discussão que 

Bruno diferencia o caráter das personagens pelas suas ações e pelo que elas dizem. Já nós, os leitores, 

construímos a imagem dessas personagens pela voz do narrador, pela “câmera” que além de mostrar o  externo,  o  visível,  mostra  também  o  que  essas  personagens  pensam  sobre  as  coisas.  Com  as  informações que nos traz o narrador, somadas às dos nossos conhecimentos de mundo, conseguimos 

discriminar os mundos socioideológicos representados por cada personagem, nessa trama: de um lado  as atitudes dos soldados e do pai guiadas pelo ideal nazista; de outro a submissão de Maria e de Pavel,  que fazem parte de outro mundo social, o dominado; de outro a avó de Bruno, que é a voz que protesta  contra o nazismo; de outro, ainda, a ingenuidade e oscilação do modo de ser e pensar de Bruno e de  Gretel. É nesse sentido que se diz que as personagens de um romance são verdadeiros vetores  ideológicos: pelas suas ações e falas “transmitem”, fazem surgir na obra diferentes vozes sociais, que  demonstram ser movidas por ideais diferentes em relação aos fatos. 

Neste ponto da reflexão será importante colocar em discussão o efeito desse recurso sobre o leitor.  Faça esta pergunta à turma: Qual o efeito desse movimento para nós, leitores? E, ainda, por meio de 

outras perguntas, ajude‐os na análise de que, sempre partindo da perspectiva de Bruno – e também em  certos momentos  se aproximando do universo das outras personagens –, o narrador constrói as 

personagens que fazem parte da trama e nós, leitores, ficamos em situação privilegiada em relação à 

personagem Bruno, porque por meio do discurso indireto livre passamos a conhecer as impressões, os 

sentimentos e ideias dos demais personagens.

4º PASSO – Registro final e orientação para a próxima etapa da leitura 

• Conclua a aula fazendo uma avaliação sobre o que acharam do trabalho e orientando para a leitura 

da próxima semana. Não se esqueça de distribuir o Roteiro 3 para a terceira semana de leitura 

(capítulos 10 a 14).  

• Se houver tempo, seria interessante a leitura coletiva do início do capítulo 10, nesta ou numa aula  próxima. 

Au la 4

1º PASSO – Outras impressões sobre a obra 

Novamente, está previsto para o momento inicial da aula que os alunos e você compartilhem suas 

(12)

2º PASSO – Tempo e verossimilhança 

Considere o foco proposto para os capítulos lidos e, para a discussão, retome questões do roteiro ou 

proponha perguntas do tipo:  

a. Nos capítulos 10, 11 e 12, como o narrador apresenta a sequência de fatos?  

i. Houve alguma mudança no “ritmo” da narração? Explique. 

ii. Houve alguma mudança de foco em relação ao universo de preocupações de Bruno? Explique. 

b. Você acha possível duas crianças em condições tão diferentes se tornarem amigas?  

i. Como você justificaria a escolha do autor: criar uma história sobre um vínculo de amizade  entre essas duas crianças?  

c. A esta altura da leitura, você já deve ter observado que o escritor faz uso frequente de duas  expressões “Haja‐Vista” e “O Fúria”. Sabendo que o romance se refere a um tempo e espaço da  história da 2ª Guerra Mundial, você reconhece algum paralelo que a ficção deseja estabelecer com a  realidade histórica? 

Comentários sobre tais questões e considerações sobre este momento de interação 

O tratamento do tempo na narrativa é um dos temas mais complexos nos estudos literários e não cabe 

neste projeto dar conta dessa complexidade. O que nos parece essencial que o aluno compreenda neste 

momento é que há um tempo que se refere à época em que é situada a história (2ª Guerra); há um  tempo que se refere à duração da sequência dos fatos da história (nesse caso, o narrador afirma nos 

últimos capítulos que se passou quase um ano) e há o tempo construído no discurso literário, pelo 

narrador (que consiste na forma e ordem como ele apresenta os fatos ao leitor). 

Em relação a esse último tempo, no romance lido, é interessante que o aluno observe que esse 

movimento de ir e vir na primeira metade – de um suposto presente da história para um passado 

imediato – produz esse efeito de “alongamento” do tempo, comentado nos itens acima. 

Depois do capítulo 11, não há mais flashbacks e o foco da narrativa passa a ser não mais a saudade da 

vida em Berlim, mas a nova amizade com o menino do pijama listrado. Isso confere à narrativa um ritmo 

mais acelerado e há alguns indícios de que os últimos nove capítulos narram um tempo maior da 

história do que os 11 primeiros capítulos. O narrador dá saltos no tempo, de um capítulo para o outro 

passam‐se semanas, meses... 

A discussão do item b, proposto acima, antecipa uma das questões fundamentais da literatura – a 

construção da verossimilhança. Alguns dos fragmentos de texto propostos para leitura na AULA 5  podem ser de grande valia para alimentar essa discussão. Avalie a pertinência de oferecer a primeira 

página para leitura, durante a discussão desta questão.  

A questão proposta no item c é apenas para explicitar o recurso do escritor de “mascaramento” do fato 

real – Auschwitz se transfigura em “Haja‐Vista” e Führer em “Fúria”, algo possível porque apoiado no  fato de a criança não conseguir pronunciar corretamente tais palavras. Veja o que o escritor diz sobre  isso, em entrevista disponível no link

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3º PASSO – Registro final e orientação para a próxima etapa da leitura 

• Conclua a aula fazendo uma avaliação sobre o que acharam do trabalho e orientando para a leitura 

da próxima semana. Não se esqueça de distribuir o Roteiro 4 para a quarta semana de leitura 

(capítulos 15 a 20).  

• Se houver tempo, seria interessante a leitura coletiva do início do capítulo 15, nesta ou numa aula 

próxima. 

Au la 5

1º PASSO – Finalizando a análise do romance 

• Inicie a conversa com as impressões pessoais dos alunos sobre o final do romance. Você poderá 

fazer perguntas sobre o que acharam do final; se eles esperavam que terminasse dessa maneira; o 

que o pai do menino deve ter pensado sobre tudo o que fez, sobre seu trabalho, quando desvendou 

o sumiço do filho; quais foram as sensações que o final provocou neles etc.  

• Em seguida esclareça que agora, então, será feita uma apreciação final sobre a obra, com o apoio de 

uma leitura: a seleção de trechos do ensaio A verdade das mentiras, do escritor peruano Mario 

Vargas Llosa (autor do romance Pantaleão e as visitadoras, que teve a sua versão cinematográfica) – 

conferir Anexo 3.  

• Antes de proceder à leitura do texto, lembre‐se do foco de discussão previsto para a leitura dos 

capítulos finais do romance:  

¾ a relação entre a realidade e a ficção – fazendo o “balanço” da obra; 

¾ a moral/as morais da fábula; 

¾ as escolhas do escritor e os efeitos de sentido produzidos. 

• Peça que compartilhem o que registraram sobre esses aspectos da obra. Em seguida, proponha uma 

questão: Afinal, o que lemos neste romance é verdade ou é mentira?  

• Deixe que discutam um pouco o assunto e, em seguida, proponha a leitura da seleção de trechos do  texto de Vargas Llosa. É importante esclarecer que se trata de recortes de um texto que procura  responder a essa grande questão que acabaram de discutir e a outras mais. Nesse ensaio o escritor  discute a natureza da literatura, a nossa relação com ela e o lugar que ocupa na nossa vida.  

• Forneça cópia do texto. Explique que o texto deverá ser lido tendo em vista os aspectos comentados  por eles no registro do diário. Trecho a trecho, proponha que os alunos grifem informações que  consideram importantes e, caso desejem, que façam paradas para relacionar o lido ao dito. Aproveite  o potencial do texto para refletir com eles sobre questões do tipo: 

(14)

b. Que efeitos o romance pode causar no leitor?  

i. Qual a importância da construção de uma personagem como Bruno para os efeitos que a  história pode causar no leitor? 

c. O escritor John Boyne refere‐se ao seu romance como uma fábula. Há moral ou morais que se  pode depreender dela? Para pensar sobre isso considere pelo menos duas perspectivas: 

i. a relação entre Bruno e Shmuel; 

ii. a relação entre o fato histórico e o final da história.

2º PASSO – Resgatando e sistematizando as impressões pessoais 

Sugira que eles comentem as qualidades finais da obra: o trabalho de construção da narrativa feita pelo 

escritor, as apreciações políticas, éticas e estéticas possibilitadas pela obra etc. Também é o momento 

de indicar possíveis pontos de fragilidade da obra, caso entendam que haja. 

Sugestão para finalizar o projeto 

Para este momento, seria interessante propor que os alunos buscassem na internet comentários de  outros leitores sobre a obra. Seria muito interessante para o aluno poder produzir o seu próprio 

comentário sobre a obra e disponibilizar em algum site. Por exemplo, o site da Livraria Cultura tem um 

espaço para comentários dos leitores (acesse <www.livrariacultura.com.br>, faça uma busca pelo título 

da obra e será aberta a página com as referências do livro: é só clicar sobre o título que outra página 

será aberta com acesso à sinopse do livro e aos comentários de leitores). Lá eles poderão ter acesso ao 

que outros leitores acharam da obra e comparar com as próprias apreciações. 

Avaliação do projeto 

Ao longo do projeto, avalie a participação do grupo. Observe as dificuldades recorrentes no processo e  reflita sobre formas de reorganizar o seu trabalho, de modo a trabalhar sobre tais dificuldades. Você  pode acompanhar, com os alunos, elaborando instrumentos escritos de acompanhamento dos registros  e discussões. À semelhança do que é sugerido por Kátia Bräkling no texto Leitura e formação de  leitores10 e apresentado a seguir: 

 

 

 

 

       10 

(15)

DIÁRIO DE LEITURA 

DATA  TRECHO LIDO  DIFICULDADES 

ENCONTRADAS

FACILIDADES 

DE LEITURA 

COMENTÁRIOS 

PESSOAIS 

         

         

         

         

Ao final do projeto, faça uma avaliação com eles. Isso poderá ser feito de modo mais informal, 

solicitando que eles comentem o que acharam da experiência de ler um livro desta forma: fazendo um 

(16)

An e x o 1

CRONOGRAMA DE LEITURA DO ROMANCE O MENINO DO PIJAMA LISTRADO, DE JOHN BOYNE 

  Semana 1  Semana 2  Semana 3  Semana 4 

Distribuição dos 

capítulos no 

período 

Capítulos 

1 a 4 

Capítulos 

5 a 9 

Capítulos 

10 a 14 

Capítulos 

15 a 20 

Aula 1  Aula 2  Aula 3  Aula 4  Aula 5 

Apresentação do  projeto de 

leitura e leitura 

do capítulo 1 

feita pelo  professor e 

acompanhada 

pelos alunos. 

Foco de discussão: 

ƒ A história (ou 

fábula) e a 

realidade. 

ƒ O narrador e o  discurso 

literário. 

ƒ As 

personagens. 

Foco de discussão:

ƒ A trama: a 

construção do 

tempo e do 

espaço na  primeira parte 

do romance. 

ƒ A construção 

das 

personagens 

como “vetores” 

ideológicos. 

Foco de discussão: 

ƒ A trama: a 

construção do 

tempo e do 

espaço na  segunda parte 

do romance. 

ƒ O limite entre a 

verdade e a  mentira da 

história – a 

construção da  verossimilhança. 

Foco de discussão: 

ƒRealidade e 

ficção. 

ƒEscolhas do 

escritor e os  efeitos de 

sentido. 

(17)

An e x o 2

 

DIÁRIO DE LEITURA DO ROMANCE 

O MENINO DO PIJAMA LISTRADO, DE JOHN BOYNE 

ROTEIRO 1  

REFERENTE AOS CAPÍTULOS 1 A 5  

1. A notícia de que a família se mudaria de Berlim; a conversa de Bruno com a mãe. 

2. A chegada à nova casa e as primeiras impressões em comparação com a casa de Berlim; a conversa 

com Maria; a visão dos meninos de pijama. 

3. A pausa para falar da relação com a irmã; a ida ao quarto dela; a visão dos meninos de pijama  também pela irmã. 

4. A observação do campo pelos dois e as hipóteses que levantaram sobre quem poderiam ser aquelas  pessoas e o que poderia ser aquele lugar. 

5. A conversa de Bruno com o pai. 

A

Atteennççããoo!!  DDuurraannttee  aa  lleeiittuurraa  ddooss  ccaappííttuullooss,,  oobsbseerrvvee  alalgguummaass  cacarraacctteerrííssttiiccaass  ddoo  rroommananccee  ququee  seserrããoo  ffococoo  ddee   d

diissccuussssããoo  emem  auaullaa::    

ƒ

ƒ SobreSobre o que fala a história e qual a sua relação com a realidade.  o que fala a história e qual a sua relação com a realidade. 

ƒ

ƒ ComoComo o narrador constrói o discurso literário (qual o ponto de vista adotado para narrar a história? E  o narrador constrói o discurso literário (qual o ponto de vista adotado para narrar a história? E 

qual (ou quais) o(s) tipo(s) de discurso(s) adotado(s)? Discurso direto? Indireto?;  qual (ou quais) o(s) tipo(s) de discurso(s) adotado(s)? Discurso direto? Indireto?; 

ƒ

ƒ QueQue  imagemimagem  éé  possívelpossível  ter ter dasdas  personagenspersonagens  pelapela  expressãoexpressão  dede  suassuas  ações,ações,  sentimentossentimentos  ee  ideias ideias 

dados a conhecer? Como você descreveria Bruno, Gretel, a mãe e o pai?  dados a conhecer? Como você descreveria Bruno, Gretel, a mãe e o pai? 

1. Registro das impressões pessoais 

(Durante e depois da leitura faça anotações sobre suas dúvidas ou pontos de interesse. Não se esqueça 

de identificar as passagens importantes, referindo‐se aos capítulos em que se encontram. Aqui, cabe 

registrar trechos interessantes, possíveis incoerências nas ações e nos sentimentos das personagens, 

características da linguagem, expressões ambíguas ou não compreendidas, impressões pessoais sobre o 

texto, efeitos que provocou em si próprio, relações com a vida pessoal de cada um, por exemplo.)   

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2. Registro da observação e análise de alguns elementos do romance 

(Entram aqui as observações que você conseguir fazer sobre o foco da discussão, destacado no quadro 

sombreado acima.) 

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3. Resultado da discussão do grupo  

(Entram aqui as anotações finais sobre o que você alterou ou complementou com relação às suas  anotações anteriores, durante as discussões em sala.) 

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 DIÁRIO DE LEITURA DO ROMANCE 

O MENINO DO PIJAMA LISTRADO, DE JOHN BOYNE 

ROTEIRO 2  

REFERENTE AOS CAPÍTULOS 6 A 9 –  

6. A conversa de Bruno com Maria sobre o pai. 

7. A conversa de Bruno com o jovem soldado; o tratamento dado ao Pavel; o acidente de Bruno e a 

revelação de Pavel. 

8. A discussão do pai com a avó no dia de Natal. 

9. A exploração do ambiente por Bruno. 

A

Atteennççããoo!!  AAnntteess  ddee  lelerr  ooss  cacappííttuullooss,,  vveejjaa  o o qqueue  seserráá  ffococoo  dde e didissccuussssããoo  emem  auaullaa::    

ƒ

ƒ ComoComo o  o narradornarrador organiza a  organiza a sequênciasequência  dosdos  fatosfatos  nana narrativa ao longo  narrativa ao longo dosdos capítulos lidos? A ordem  capítulos lidos? A ordem  dos capítulos corresponde à ordem natural dos acontecimentos ou não? 

dos capítulos corresponde à ordem natural dos acontecimentos ou não? 

ƒ

ƒ ComoComo as personagens Maria, o pai e o tenente Kotler são vistas por Bruno?  as personagens Maria, o pai e o tenente Kotler são vistas por Bruno? 

ƒ

ƒ ComoComo é a relação do pai de Bruno com a avó?  é a relação do pai de Bruno com a avó? 

1. Registro das impressões pessoais 

(Durante e depois da leitura faça anotações sobre suas dúvidas ou pontos de interesse. Não se esqueça 

de identificar as passagens importantes, referindo‐se aos capítulos em que se encontram. Aqui, cabe  registrar trechos interessantes, possíveis incoerências nas ações e nos sentimentos das personagens,  características da linguagem, expressões ambíguas ou não compreendidas, impressões pessoais sobre o  texto, efeitos que provocou em si próprio, relações com a vida pessoal de cada um, por exemplo.) 

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2. Registro da observação e análise de alguns elementos do romance 

(Entram aqui as observações que você conseguir fazer sobre o foco da discussão, destacado no quadro 

sombreado acima.)  

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3. Resultado da discussão do grupo  

(Entram aqui as anotações finais sobre o que você alterou ou complementou com relação às suas  anotações anteriores, durante as discussões em sala.) 

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 DIÁRIO DE LEITURA DO ROMANCE 

O MENINO DO PIJAMA LISTRADO, DE JOHN BOYNE 

ROTEIRO 3  

Referente aos capítulos 10 a 14  

10. O encontro de Bruno com Shmuel, na cerca que separa a casa do campo. 

11. A visita do “Fúria” para o jantar. 

12. A história de Shmuel antes do campo. 

13. O jantar na casa de Bruno e o tratamento dado a Pavel pelo tenente Kotler. 

14. A “revelação” sobre o seu novo amigo. 

A

Atteennççããoo!!  AAnntteess  ddee  lelerr  ooss  cacappííttuullooss,,  vveejjaa  o o qqueue  seserráá  ffococoo  dde e didissccuussssããoo  emem  auaullaa::    

ƒ

ƒ NosNos capítulos 10, 11 e 12 como o narrador apresenta a sequência de fatos?   capítulos 10, 11 e 12 como o narrador apresenta a sequência de fatos?  

ƒ

ƒ HouveHouve alguma mudança no “ritmo” da narração? Explique.  alguma mudança no “ritmo” da narração? Explique. 

ƒ

ƒ HouveHouve alguma mudança de foco em relação ao universo de preocupações de Bruno? Explique.  alguma mudança de foco em relação ao universo de preocupações de Bruno? Explique. 

• VocêVocê acha possível duas crianças em condições tão diferentes se tornarem amigas? acha possível duas crianças em condições tão diferentes se tornarem amigas? 

1. Registro das impressões pessoais 

(Durante e depois da leitura faça anotações sobre suas dúvidas ou pontos de interesse. Não se esqueça  de identificar as passagens importantes, referindo‐se aos capítulos em que se encontram. Aqui, cabe  registrar trechos interessantes, possíveis incoerências nas ações e nos sentimentos das personagens,  características da linguagem, expressões ambíguas ou não compreendidas, impressões pessoais sobre o  texto, efeitos que provocou em si próprio, relações com a vida pessoal de cada um, por exemplo.)  

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2. Registro da observação e análise de alguns elementos do romance 

(Entram aqui as observações que você conseguir fazer sobre o foco da discussão, destacado no quadro 

sombreado acima.)  

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3. Resultado da discussão do grupo  

(Entram aqui as anotações finais sobre o que você alterou ou complementou com relação às suas  anotações anteriores, durante as discussões em sala.) 

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 DIÁRIO DE LEITURA DO ROMANCE 

O MENINO DO PIJAMA LISTRADO, DE JOHN BOYNE 

ROTEIRO 4 

Referente aos capítulos 15 a 20  

15. A ida de Shmuel à casa de Bruno e o conflito com o soldado. 

16. Piolho na cabeça das crianças e a explosão da mãe. 

17. A decisão sobre a volta da família a Berlim. 

18. O sumiço do pai de Shmuel e o plano para a despedida de Bruno. 

19. A execução do plano de visita ao campo. 

20. O encerramento da fábula – a descoberta sobre o ocorrido. 

Atenção! Antes de ler os capítulos, veja o que será foco de discussão em aula:  

ƒ Qual a importância da construção de uma personagem como Bruno para os efeitos que a história 

pode causar no leitor? 

• O escritor John Boyne refere‐se ao seu romance como uma fábula. Há moral ou morais que se pode 

depreender dela? Para pensar sobre isso considere pelo menos duas perspectivas: 

o a relação entre Bruno e Shmuel; 

o a relação entre o fato histórico e o final da história. 

1. Registro das impressões pessoais 

(Durante e depois da leitura faça anotações sobre suas dúvidas ou pontos de interesse. Não se esqueça 

de identificar as passagens importantes, referindo‐se aos capítulos em que se encontram. Aqui, cabe 

registrar trechos interessantes, possíveis incoerências nas ações e nos sentimentos das personagens, 

características da linguagem, expressões ambíguas ou não compreendidas, impressões pessoais sobre o 

texto, efeitos que provocou em si próprio, relações com a vida pessoal de cada um, por exemplo.)  

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2. Registro da observação e análise de alguns elementos do romance 

(Entram aqui as observações que você conseguir fazer sobre o foco da discussão, destacado no quadro 

sombreado acima.)

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3. Resultado da discussão do grupo  

(Entram aqui as anotações finais sobre o que você alterou ou complementou com relação às suas 

anotações anteriores, durante as discussões em sala.) 

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Referências

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