Índice
1. Introdução ... 2
2. Objetivos ... 2
3. Estágio Profissionalizante ... 3
3.1. Medicina Geral e Familiar ... 3
3.2. Pediatria ... 3 3.3. Ginecologia e Obstetrícia ... 4 3.4. Saúde Mental ... 4 3.5. Medicina Interna ... 5 3.6. Cirurgia Geral ... 6 3.7. Estágio Opcional ... 6 4. Atividades Extracurriculares ... 7
4.1. Projeto de Investigação: MYOSPA ... 7
4.2. Revista FRONTAL ... 7
4.3. Outras Atividades e Congressos ... 7
4.4. Experiência Internacional ... 8
5. Reflexão Crítica ... 8
6. Anexos ... 10
ANEXO I – Referências Bibliográficas ... 11
1. Introdução
O Mestrado Integrado em Medicina (MIM) tem a finalidade de formar jovens médicos com as competências necessárias ao início da profissão de forma autónoma e segura. Desta forma, engloba tanto uma vertente de ensino teórico como de ensino prático, guiando o aluno pré-graduado na aquisição de conhecimentos sólidos e coerentes e de um conjunto de valores, atitudes e aptidões necessários ao começo da prática clínica1. Por outro lado, tem também como objetivo proporcionar oportunidades de contacto com
outras componentes não clínicas dentro da Medicina, como por exemplo nas áreas da investigação ou gestão hospitalar.
O Estágio Profissionalizante (EP) enquadra-se no sexto ano do MIM. Este promove o contacto direto com a prática clínica, sob a forma de ensino tutorado, pretendendo-se que o aluno seja integrado nas equipas médicas das várias especialidades e desenvolva atividades com um grau de autonomia adequada à sua fase da carreira.
O presente relatório tem como objetivo descrever as atividades realizadas ao longo do sexto ano, tendo como principal enfoque o Estágio Profissionalizante. A estrutura deste relatório organiza-se em quatro partes. Descrevo, primeiramente, os objetivos que me propus para este ano, em segundo lugar os estágios parcelares que fizeram parte do EP, bem como o estágio opcional que realizei no fim do ano letivo. Seguidamente descrevo as atividades extracurriculares que considero terem sido de valor para a conclusão deste ciclo e/ou para a minha formação geral e, finalmente, faço uma reflexão crítica acerca das atividades desenvolvidas.
2. Objetivos
O sexto ano do MIM concretiza os objetivos da formação geral do estudante de medicina. Assim, deve ser visto como uma oportunidade de consolidar conhecimentos e colmatar falhas no que diz respeito às aptidões clínicas e interpessoais adquiridas ao longo do curso.
Durante este ano propus-me vários objetivos, com base não só nas minhas crenças e expectativas para o que deve ser um jovem médico, como também em literatura que define as principais competências a ser atingidas pelos alunos à data da conclusão dos seus estudos. Os objetivos gerais que tracei para este ano incluem: a consolidação de conhecimentos quanto às patologias mais frequentes no que diz respeito ao seu diagnóstico, abordagem e terapêutica; o treino do raciocínio clínico e da integração dos meus conhecimentos na prática clínica; o aperfeiçoamento da minha capacidade de comunicar com doentes e seus familiares, tendo em conta os seus valores e crenças, por forma construir uma boa relação médico-doente; a integração nas equipas médicas nos diferentes estágios e adequada comunicação com os profissionais de saúde; por último, o desenvolvimento de competências na área da investigação1,2,3.
3. Estágio Profissionalizante
Nesta secção do relatório encontram-se descritos de forma breve os estágios parcelares integrados no Estágio Profissionalizante. Além destes, por uma questão de contextualização, visto não se tratar de uma atividade extracurricular, acrescentei também uma pequena descrição acerca do meu estágio opcional.
3.1. Medicina Geral e Familiar
|10 de setembro 2018 a 4 de outubro 2018|O meu estágio de Medicina Geral e Familiar ocorreu na Unidade de Saúde Familiar (USF) da Cidadela, em Cascais, com a duração de 4 semanas, onde acompanhei a Dr.ª Maria José Neto nas atividades diárias da especialidade.
Durante este estágio os principais objetivos que estabeleci foram a observação dos diversos tipos de consulta, o aperfeiçoamento de aspetos na comunicação com os doentes e suas famílias e o ganho de alguma autonomia na realização de consultas.
Durante o estágio assisti a um total de 123 consultas de vários tipos (programadas, abertas, consultas de saúde infantil, de saúde materna e planeamento familiar), nas quais observei doentes dos 10 dias de vida aos 93 anos de idade, sendo que a maioria destas foram de vigilância da hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus. Aqui pude realizar três consultas de forma autónoma, o que me permitiu aplicar algumas estratégias de comunicação, bem como realizar a colheita de informação clínica em curtos períodos de tempo. Além do já mencionado, assisti a consultas de enfermagem, realização de pensos e administração de fármacos injetáveis, bem como a uma consulta domiciliária, durante o período de estágio.
No final do estágio apresentei na reunião semanal da USF um trabalho sobre a abordagem terapêutica de infeções comuns no adulto, baseado nas orientações da Direção Geral de Saúde e outras entidades de relevo. Realizei ainda um folheto com o resumo destas orientações, a ser aprovado pelo conselho técnico da USF como instrumento auxiliar à consulta.
3.2. Pediatria
|8 de outubro 2018 a 2 de novembro 2018|
O estágio de Pediatria teve lugar no Hospital CUF Descobertas, onde acompanhei a minha tutora, Dr.ª Sílvia Pereira, bem como outros profissionais da equipa nas atividades do serviço, ao longo de 4 semanas. Aqui estabeleci como objetivos gerais a consolidação de conhecimentos acerca de temas particulares deste grupo etário, não só relativos às patologias mais comuns, mas também ao desenvolvimento normal da criança. Um outro objetivo foi o treino da colheita da anamnese e do exame objetivo na idade pediátrica, uma vez que pelas caraterísticas desta população, pode exigir estratégias de comunicação particulares.
Durante o estágio assisti a diversas vertentes da especialidade, sendo que passei pelo internamento, atendimento permanente e ainda por diferentes tipos de consulta externa (Pediatria Médica, Pneumologia Pediátrica, Ortopedia Pediátrica e Cirurgia Pediátrica), onde pude observar um leque variado de patologia e ainda realizar o exame objetivo em doentes de diferentes idades.
Tive ainda a oportunidade de colher a história clínica de uma doente com dois anos de idade com diarreia aguda e desidratação e de desenvolver e apresentar um trabalho sobre Pneumonia Adquirida na Comunidade na Criança.
3.3. Ginecologia e Obstetrícia
|5 de novembro 2018 a 30 de novembro 2018|
O estágio de Ginecologia e Obstetrícia decorreu no Hospital CUF Descobertas, com duração de 4 semanas. Como objetivo geral para este estágio destaco a sistematização de conhecimentos acerca da saúde reprodutiva da mulher e também acerca do acompanhamento durante a gravidez.
Durante o estágio acompanhei a Dr.ª Mariana Torgal, entre outros médicos do serviço, na passagem por diversas valências da Ginecologia e Obstetrícia. Assisti a diversas consultas: de Ginecologia (na mulher e na adolescente), de Obstetrícia, incluindo de Gravidez de Alto Risco, e de Senologia, onde pude sistematizar conhecimentos acerca das patologias ginecológicas mais frequentes e do acompanhamento da gravidez em qualquer um dos trimestres. Observei também colposcopias, histeroscopias, vaporização de lesões do colo uterino, amniocenteses e ainda a realização de ecografias ginecológicas e obstétricas.
No bloco operatório assisti a uma grande variedade de cirurgias ginecológicas e uroginecológicas, que me permitiram conhecer melhor a vertente cirúrgica da especialidade. E por fim, no serviço de urgência, acompanhei a Dr.ª Susana Pinho, participando ativamente na avaliação de doentes tanto com patologia ginecológica aguda, como com urgências obstétricas, sendo que tive ainda oportunidade de assistir vários partos vaginais e por cesariana, tendo participado como segunda ajudante em 12 cesarianas.
No fim do estágio apresentei as guidelines da International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology acerca de Ecografia Intraparto na reunião semanal do serviço.
3.4. Saúde Mental
|03 de dezembro 2018 a 11 de janeiro 2019|O estágio de Saúde Mental realizou-se durante 4 semanas, no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa, onde fui integrada na Clínica 1 (Unidade de Psiquiatria para Adolescentes e Jovens Adultos), sob orientação da Dr.ª Marina Martins. Estabeleci como objetivos principais para este estágio a sedimentação de conhecimentos acerca das patologias psiquiátricas mais comuns na comunidade, mas também nos doentes jovens – uma realidade com que não tive oportunidade de contactar no estágio de pediatria de 5º ano. O aperfeiçoamento das técnicas e estratégias de comunicação para a colheita de uma boa história clínica em psiquiatria e ainda a consolidação de conhecimentos acerca da terapêutica na doença mental foram também uma prioridade.
Este estágio teve uma decorreu maioritariamente em contexto de internamento, onde acompanhei a minha tutora na observação de doentes entre os 18 e os 25 anos, com patologias variadas, sendo que as mais frequentes foram psicoses em consumidores de substâncias de abuso e perturbações de humor. Assisti também a entrevistas com os familiares dos doentes, o que foi interessante na medida em que ajudou compreender a importância do contexto em que estes doentes se inserem e também das crenças de saúde
dos familiares acerca da psicopatologia. Tive ainda a oportunidade de colher uma história clínica a um doente com esquizofrenia.
Adicionalmente, pude assistir a consultas externas onde observei doentes de diferentes faixas etárias. Assim foi-me possível contactar com patologias diferentes das que observei em internamento, sendo que aqui prevaleceram a depressão/perturbação da ansiedade, o que está em conformidade com os dados relativos à prevalência das psicopatologias em Portugal. Por fim, assisti a um turno de urgência onde pude observar doentes com patologia em contexto agudo, como por exemplo uma tentativa de suicídio.
3.5. Medicina Interna
|21 de janeiro 2019 a 15 de março 2019|O meu estágio de Medicina Interna teve lugar no Hospital Egas Moniz, no serviço de Medicina IB. Nestas 8 semanas, acompanhei o Dr. Pedro Santos, bem como os seus internos, Dr. Miguel Teles e Dr.ª Rita Barradas, nas várias atividades do serviço. Para este estágio estabeleci como objetivos a sedimentação de conhecimentos adquiridos ao longo do curso acerca da abordagem diagnóstica e terapêutica adequada das principais patologias médicas, mas também a integração numa equipa médica com algum ganho de autonomia na observação de doentes.
A maior parte do estágio decorreu na enfermaria. Aqui observei diversos doentes, sendo a média de idades de 78 anos. Muitos dos doentes apresentavam múltiplas morbilidades, o que aumenta a complexidade da sua abordagem. Diariamente eram-me atribuídos entre 1 a 3 doentes para realizar observação e registo informático, incluindo a elaboração das notas de entrada ou de alta, caso fossem necessárias. Esta rotina contribuiu para a minha aprendizagem, na medida em que me dava espaço para abordar os doentes ao meu ritmo, ajudando-me a identificar lacunas e aperfeiçoar capacidades na observação clínica. Além disso, considerei extremamente estimulante ter mais responsabilidade, algo que me motivou a procurar informação de forma mais aprofundada sobre as patologias dos doentes que observei. Ainda neste serviço realizei punções venosas e arteriais e observei punções venosas femorais, colocação de linha arterial e de cateteres venosos centrais, punções lombares e toracocenteses.
Além do internamento, tive a oportunidade de passar pelo serviço de urgência e pela consulta externa. No primeiro, pude observar doentes com patologia aguda – em particular gripe dado o contexto epidemiológico em que decorreu o meu estágio- e colocar hipóteses de diagnóstico de forma ativa, bem como interpretar os MCDT pedidos e acompanhar a abordagem terapêutica dos doentes. Já na consulta externa, acompanhei o meu tutor na observação de doentes com patologias crónicas a necessitar de acompanhamento e gestão da sua terapêutica habitual.
3.6. Cirurgia Geral
|17 de março 2019 a 18 maio 2019|O estágio de cirurgia geral decorreu no Hospital Beatriz Ângelo, com duração de 8 semanas. Este foi constituído por uma semana de aulas teórico-práticas, uma semana no serviço de urgência, duas semanas de estágio opcional e quatro semanas de cirurgia geral.
Os meus principais objetivos neste estágio foram a aquisição e sedimentação de conhecimentos acerca das patologias cirúrgicas mais prevalentes, mas também o contacto prático com a especialidade, nomeadamente o treino de procedimentos práticos simples (ex.: técnicas de assépia ou pequenas suturas). A primeira semana de estágio foi dedicada a aulas teórico-práticas. Neste período foi-nos também dada a oportunidade de frequentar o curso TEAM (Trauma Evaluation and Management).
Durante a componente de Cirurgia Geral, acompanhei o Dr. Gonçalo Luz na observação de doentes em diferentes contextos. Observei cerca de 30 consultas, nas quais a patologia predominante foi hérnia do hiato, e também alguns doentes em internamento, onde assisti à realização de pensos e desbridamento de úlceras. No Bloco Operatório assisti a 29 cirurgias, sendo que destas participei em oito, como 2ª ou 3ª ajudante, permitindo-me observar e perceber melhor os procedimentos cirúrgicos.
O meu estágio opcional foi no serviço de Medicina Intensiva, onde pude acompanhar a gestão de doentes críticos, tanto com patologia médica como com patologia cirúrgica. Já do estágio no serviço de urgência, destaco a passagem pelo balcão de pequena cirurgia, onde ajudei na avaliação de doentes, principalmente com patologia traumática.
No último dia deste estágio participei no minicongresso de cirurgia em que apresentei o trabalho “You Know Nothing, Jon Snow – um doente complexo com hérnia do hiato”.
3.7. Estágio Opcional
|20 de maio de 2019 a 31 de maio 2019|
Este estágio que realizei no contexto da Unidade Curricular “Estágio Clínico Opcional”, decorreu no Hospital CUF Descobertas com duração de 2 semanas. Escolhi a especialidade de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética uma vez que esta me tem despertado interesse desde cedo no curso, sendo que a minha principal expectativa era a de tomar contacto com esta área da cirurgia, colmatando assim o facto de isso não ter ocorrido durante o MIM. Aqui tive o prazer de acompanhar o Prof. Doutor Manuel Caneira nas diferentes vertentes da especialidade. Assisti a 25 consultas, que englobaram motivos variados, desde puramente estéticos a patologias complexas, de várias regiões anatómicas. Assisti também a 18 cirurgias, sendo que a maioria foram cirurgias da mama quer em contexto estético, quer oncoplástico. Destas, tive a oportunidade de participar em duas cirurgias como segunda ajudante e numa outra como primeira ajudante, o que me permitiu uma melhor visualização e compreensão das técnicas cirúrgicas utilizadas.
De forma geral, considerei este estágio uma boa oportunidade para adquirir novos conceitos e observar um leque patologias e cirurgias variado e diferente do abordado ao longo do curso.
4. Atividades Extracurriculares
Neste capítulo incluí atividades que realizei ao longo do curso, fora do programa curricular do MIM, com especial enfoque nas realizadas durante este ano.
4.1. Projeto de Investigação: MYOSPA
O MYOSPA é um projeto de investigação que engloba vários estudos e tem como principais objetivos a avaliação de doentes com espondilartrites (SpA) no que concerne a parâmetros relacionados com a fisiopatologia e história natural destas doenças. No ano letivo 2016-2017 fui convidada a fazer parte deste projeto pelo Prof. Doutor Fernando Pimentel, sendo que participei na avaliação dos doentes e na construção e análise da base de dados, até ao presente ano.
Durante este ano letivo desenvolvi, em conjunto com duas colegas e com o apoio de toda a equipa deste projeto um estudo cujo propósito foi a comparação de parâmetros da composição corporal e dos principais critérios de sarcopénia (diminuição massa magra, força muscular e função muscular) entre doentes com SpA em estádios precoces da doença e controlos ajustados à idade e ao sexo. Dados os resultados encorajadores que obtivemos desenvolvemos um abstract, que publicámos sob a forma de poster no Congresso “12 Topics in Rheumatology”, no Congresso Português de Reumatologia e no Congresso Europeu de Reumatologia: “EULAR Congress 2019”. No congresso “12 Topics in Rheumatology” o nosso poster ganhou o prémio de “Melhor Poster Apresentado por Alunos Pré-graduados”.
4.2. Revista FRONTAL
Uma outra atividade que gostaria de destacar foi a participação na revista FRONTAL. Esta proporcionou-me oportunidades de trabalho e coordenação em equipa, bem como ferramentas para o desenvolvimento de melhores trabalhos na faculdade e experiência no que toca à colaboração em eventos. A FRONTAL é a revista oficial da Associação de Estudantes e tem como objetivo informar a comunidade médica pré-graduada, promovendo um debate informado e esclarecido, acerca de tópicos de interesse em várias áreas relacionadas com a medicina – e não só.
Ingressei neste projeto no ano 2017. Desde esta altura colaborei na escrita de artigos, para publicação online e para a edição impressa do congresso iMed 10.0, participei em eventos organizados pela revista e fiz parte do staff na cobertura jornalística dos Congressos iMed 9.0 em 2017 e iMed 10.0 em 2018 onde pude entrevistar personalidades científicas de renome.
4.3. Outras Atividades e Congressos
Durante este ano participei ainda em algumas outras atividades das quais destaco o Estágio PecliCUF, que decorreu entre os dias 30 de julho e 10 agosto de 2018, por ter sido um ótimo complemento à aprendizagem e contacto com especialidades menos abordadas ao longo curso. Para este estágio escolhi as especialidades de Otorrinolaringologia (ORL) e Ortopedia, ambas especialidades com que me identifico. Em Ortopedia tive a oportunidade de assistir a consultas e cirurgias de várias áreas (mão, joelho e tornozelo e
coluna vertebral). Aqui destaco o facto de ter acompanhado o Dr. Ricardo Telles de Freitas, visto na sua carreira já ter dado apoio à Companhia Nacional de Bailado, e um dos meus interesses na Ortopedia ser as lesões em bailarinos profissionais, uma vez que parte do meu percurso escolar decorreu na Escola de Dança do Conservatório Nacional. Na semana de ORL acompanhei vários profissionais em consulta, urgência e bloco operatório, sendo que aqui tive a pude observar patologias comuns na especialidade, em contextos crónicos e agudos, bem como em doentes de diferentes faixas etárias. Durante este ano assisti também à 8ª Reunião de Imunoalergologia de Lisboa.
4.4. Experiência Internacional
Aqui destaco a minha participação na Future Excellence 9th International Medical Summer School by Doctor’s Academy, que ocorreu entre os dias 31 de julho a 4 de agosto de 2017 na Universidade de Manchester. Ainda que não tenha sido realizada durante este ano letivo, até pelo facto de ser adequada a uma fase mais precoce do curso, optei por incluir esta atividade, uma vez que se tratou de uma oportunidade única de contactar com realidades de vários países de todo o mundo no que toca ao ensino da medicina e ao seu exercício. Além disso, esta Summer School proporcionou-me workshops e palestras sobre várias especialidades, que me deram uma visão mais abrangente das mesmas e me permitiram formular novas opiniões acerca do que procuro para o meu futuro. Foi aqui que descobri que tinha um interesse particular em cirurgia.
5. Reflexão Crítica
Terminado este ano, penso que retirei um bom aproveitamento do Estágio Profissionalizante e fui capaz de cumprir os objetivos gerais a que me propus, bem como a maioria dos objetivos específicos que coloquei em cada estágio parcelar. Creio que todas as especialidades por que passei foram fulcrais na minha formação, na medida em que me permitiram organizar conhecimentos que já tinha adquirido ao longo do MIM, mas também aprender novos conceitos e contactar mais de perto com os doentes e profissionais de saúde.
Os estágios parcelares obrigatórios do Ano Profissionalizante englobam especialidades que são, na minha opinião, pedras basilares na formação de um jovem médico. Destes estágios gostaria de destacar Medicina Interna e Medicina Geral e Familiar, por me terem proporcionado um maior contacto com os doentes, o que me ajudou a perceber os contextos sociais em que estes se inseriam e a abordar cada doente do ponto de vista não só biológico, como também psicológico e social. A autonomia que me foi concedida nestes estágios permitiu-me refletir sobre as minhas lacunas, tanto a nível de conhecimentos teóricos como a nível da comunicação, levando-me a procurar corrigi-las, e aumentando assim a confiança nos meus conhecimentos e capacidades para o exercício futuro da medicina. Por outro lado, destaco o estágio de Cirurgia Geral, uma vez que neste, além de ter havido um esforço notório da parte do Dr. Gonçalo Luz para me orientar e transmitir conhecimentos teóricos valiosos para a minha formação, foram-me transmitidos
também valores importantes no que toca à relação médico-doente e à decisão cirúrgica. De entre estes, dou como exemplos o envolvimento do doente na decisão terapêutica, de grande importância em qualquer área da medicina, e também o facto de não serem as patologias que tem indicação cirúrgica, mas sim os doentes, realçando mais uma vez a importância da abordagem holística. Os estágios de Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria e Saúde Mental completaram o contacto que tive com estas especialidades anteriormente no curso, permitindo-me conhecer mais de cada uma delas e adquirir conhecimentos fundamentais para a prática da medicina de forma segura.
Na minha passagem pelo Estágio Profissionalizante existiram, de facto, poucos pontos negativos, no entanto saliento aqui que gostaria de ter realizado mais consultas de forma autónoma em Medicina Geral e Familiar, de ter tido mais autonomia e oportunidades para realizar exame ginecológico no estágio de Ginecologia e Obstetrícia e de ter tido mais algum treino de suturas no estágio de Cirurgia Geral. Penso que estes não foram possíveis devido a motivos logísticos, ainda assim não deixam de ser alguns pontos fracos na minha formação, que procurarei colmatar futuramente.
Quanto aos estágios que desenvolvi de forma opcional, sinto que foram bastante vantajosos, na medida em que me permitiram conhecer melhor especialidades com que me identifico, reavivando o meu gosto pela Medicina. Por outro lado, também me ajudaram a definir aquilo que procuro para o meu futuro, e certamente terão um peso na escolha da minha especialidade.
Das atividades extracurriculares que realizei e descrevi, gostaria de salientar a participação no projeto de investigação MYOSPA que creio ter sido muito valorativa para o meu currículo. Com este projeto adquiri experiência na construção de protocolos de investigação, construção de bases de dados e análise dos mesmos e também na apresentação dos resultados obtidos de forma visualmente apelativa. Creio que estas capacidades cada vez mais são importantes na formação de jovens médicos, até porque a investigação é um pilar importante da medicina e, desta forma, virão certamente a ser-me úteis no futuro, em qualquer especialidade, mesmo que fora do âmbito da Reumatologia.
A Medicina é uma área da ciência abrangente, que exige a procura constante de conhecimento; no entanto também vive da capacidade de entender e criar empatia com o doente, compreendendo-o como um todo e não só como um conjunto de órgãos e sistemas. O MIM ajudou-me a compreender estes aspetos, e capacitou-me de ferramentas muito importantes não só a nível académico, como a nível pessoal, que abordei neste relatório. Assim, gostaria de agradecer a todos os professores e tutores, que me transmitiram ensinamentos valiosos ao longo do curso, em especial ao Prof. Doutor Fernando Pimentel que me proporcionou uma oportunidade única de trabalhar num projeto de investigação desde uma fase embrionária. Agradeço também aos serviços que me acolheram de forma excecional durante este ano e, finalmente, agradeço à minha família, colegas e amigos o apoio prestado durante este ciclo.
6. Anexos
ANEXO I – Referências Bibliográficas ANEXO II – Certificados
II-A – Curso TEAM
II-B – Abstract: Axial Spondyloarthritis Induces Muscle Disfunction, The Role Of Body Composition Parameters: MYOSPA Study
II-C – Poster: Axial Spondyloarthritis Induces Muscle Disfunction, The Role Of Body Composition Parameters: MYOSPA Study
II-D – Certificado de Participação: 12 Topics in Rheumatology
II-E – Certificado de Melhor Poster Apresentado por Alunos Pré-graduados: 12 Topics in Rheumatology II-F – Certificado de Colaboração: Revista Frontal
II-G – Certificado de Colaboração: iMed 10.0
II-H – Certificado de Participação: Estágios Clínicos PecliCUF
II-I – Certificado de Participação: 8ª Reunião de Imunoalergologia de Lisboa
ANEXO I – Referências Bibliográficas
1- O Licenciado Médico em Portugal, Faculdade de Medicina de Lisboa, 2005
2- Tomorrow’s Doctors – outcomes and standards for undergraduate medical education, General Medical Counseling, 2009
3- The Tuning Project (Medicine) – Learning Outcomes/Competences for Undergraduate Medical Education in Europe, 2004
ANEXO II – Certificados
II-A – Curso TEAM
II-B – Abstract: Axial Spondyloarthritis Induces Muscle Disfunction, The
Role Of Body Composition Parameters: MYOSPA Study
Title: AXIAL SPONDYLOARTHRITIS INDUCES MUSCLE DISFUNCTION, THE ROLE OF BODY
COMPOSITION PARAMETERS: MYOSPA STUDY
Authors:
Inês da Costa Santos
NMS-FCM
Maria Luisa Sequeira
NMS-FCM
Rita Amador
NMS-FCM
Lucia Domingues
CEDOC
Carolina Crespo
CEDOC
Santiago Rodrigues-Manica
Hospital Egas Moniz
Sofia Ramiro
Leiden University Medical Center
Alexandre Sepriano
Leiden University Medical Center
Diana Teixeira
CEDOC
Agna Neto
Hospital de Egas Moniz
Rita Pinheiro Torres
Hospital de Egas Moniz
Conceição Calhau
NMS-FCM
Jaime Branco
CEDOC
Fernando Pimentel dos Santos
CEDOC
Background:
Sarcopenia as well as abnormalities in body composition are common features in several chronic
diseases and have been shown to lead to increased morbidity and mortality. However, their
assessment in young patients with axial spondyloarthritis (axSpA)
has not been performed thus far.
Objectives:
To assess the skeletal muscle mass, strength and performance as well as body composition in
patients with axSpA compared to healthy controls.
Methods:
Patients between 18 and 50 years of age with the diagnosis of axSpA and short disease duration
(under 10 years) and classified according to the ASAS criteria were included. Healthy individuals
matched by gender and age (1:1) were used as control group. Muscle strength (MS) was assessed
by resisted flexion of the dominant forearm using a hand
dynamometer. Muscle performance was
assessed with the 60 second sit-to-stand test (STS60) and with 5 times sit-to-stand test (STS5). Body
composition was assessed with octapolar multifrequency bioelectrical impedance analysis (InBody
770). The level of physical activity was measured by the IPAQ questionnaire. BASDAI and BASFI were
used to evaluated disease activity and function, respectively. All measures (except age and disease
duration) are reported as median and 25
thand 75
thpercentiles. Non-parametric tests were used to
Results:
A total of 27 patients and 27 controls were included [mean age (36.5 ± SD 1.0), 66% males]. AxSpA
patients had symptom duration of 7.0 ± SD 0.9 years, BASDAI 2.7 (1.4-3.6) and BASFI 0.9 (0.3-3.2).
Compared to controls, axSpA patients had less MS in the dominant upper limb (DUL) (46.0
(37.5-70.6) vs 71.2 (54.1-83.4) kg, p=0.006) and worse performance on the STS60 test (48.0 (27.5-64.3) vs
63.0 (53.0-68.0) repetitions, p=0.010). These differences were maintained after normalization for
lean mass (LM) (MS_DUL/LM_DUL and STS60/Total_LM). In addition, compared to controls, axSpA
patients had higher body fat (BF) (19.8 (12.1-29.1) vs 15.7 (10.1-22.2) kg, p=0.041), torso fat (TF)
(10.3 (6.3-15.9) vs 8.1 (5.1-11.1) kg, p=0.450) and visceral fat (VF) (87.3 (52.7-145.1) vs 65.4
(41.8-96.4) cm
2, p=0.034). No differences were registered for weight, body mass index, total body water,
extracellular water, fat free mass, LM and bone mineral content between groups. The level of
physical activity, measured by the IPAQ questionnaire, was identical between patients and healthy
controls (p=0.500).
Conclusion:
Compared to healthy controls, young axSpA patients have a reduction in muscle strength and
muscle performance with maintenance of muscle mass and levels of physical activity. These
preliminary results underline the relevance of further investigation.
Table:
Subject characteristicsVariable Patients N=27 Controls N=27 p-value Age (years) 37 (32-43) 36(30-44) 0.808 Gender (♂% : ♀%) 66.7:33.3 66.7:33.3 0.922§
Symptom duration (years) 7.0 (4.0-10.0) --- ---
IPAQ
(low% : moderate-high%)
29.2:70.8 20.8:79.2 0.505§
Body Mass Index (kg/m2) 25 (22.9-29.9) 23.6 (23.1-29.9) 0.303
LM (Kg) 50.1 (44.5-57.8) 54.1 (43.2-60.2) 0.592 BF (Kg) 19.8 (12.1-29.1) 15.7 (10.1-22.2) 0.041 TF (Kg) 10.3 (6.3-15.9) 8.1 (5.1-11.1) 0.045 VF Area (cm2) 87.3 (52.7-145.1) 65.4 (41.8-96.4) 0.034 MS_DUL (Kg) 46.0 (37.5-70.6) 71.2 (54.1-83.4) 0.006 STS60 test (repetitions) 48.0 (27.5-64.3) 63.0 (53.0-68.0) 0.010
∗Values are median (IQR) unless otherwise indicated. ∧Comparison between patients and controls tested by paired samples 𝑡-test unless otherwise indicated. §Comparison between patients and controls tested by Chi-Square test in Gender and Physical Activity variables.