Doença pulmonar obstrutiva crónica e sono:
2011/2012
Laura Alice Silva Pinheiro Botelho
Doença pulmonar obstrutiva crónica e sono:
impacto na qualidade de vida
Doença pulmonar obstrutiva crónica e sono:
Trabalho organizado de acordo com as normas da revista:
Doença pulmonar obstrutiva crónica e sono:
Laura Alice Silva Pinheiro Botelho
Doença pulmonar obstrutiva crónica e sono:
Mestrado Integrado em Medicina Área: Pneumologia Trabalho efetuado sob a Orientação de: Drª Maria Gabriela Oliveira Fernandes Trabalho organizado de acordo com as normas da revista:
Doença pulmonar obstrutiva crónica e sono:
impacto na qualidade de vida
ARQUIVOS DE MEDICINA
Projeto de Opção do 6º ano - DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Eu, Laura Alice Silva Pinheiro Botelho, abaixo assinado, nº mecanográfico 04081188, estudante do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, declaro ter atuado com absoluta integridade na elaboração deste projeto de opção.
Neste sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (ato pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual, ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores, foram referenciadas, ou redigidas com novas palavras, tendo colocado, neste caso, a citação da fonte bibliográfica.
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, 28/03/2012
Projeto de Opção do 6º ano – DECLARAÇÃO DE REPRODUÇÃO
Nome: Laura Alice Silva Pinheiro Botelho
Endereço eletrónico: [email protected] Telefone ou Telemóvel: 916285841 Número do Bilhete de Identidade: 13046648
Título da Monografia:
Doença pulmonar obstrutiva crónica e sono: impacto na qualidade de vida Orientador:
Drª Maria Gabriela Oliveira Fernandes Ano de conclusão: 2012
Designação da área do projeto: Pneumologia
É autorizada a reprodução integral desta Monografia para efeitos de investigação e de divulgação pedagógica, em programas e projetos coordenados pela FMUP.
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, 28/03/2012
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Doença pulmonar obstrutiva crónica e sono: impacto na qualidade de vida
Laura Alice Silva Pinheiro Botelho1
1Estudante do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade
do Porto.
Correspondência:
Laura Alice Silva Pinheiro Botelho, Rua Bernardim Ribeiro, 134H, 1.º Esquerdo Frente, 4465-040, São Mamede Infesta, Portugal.
Telefone: 00351916285841 E-mail: [email protected]
Contagem de palavras: Resumo: 161
Abstract (resumo em Inglês): 164 Texto principal: 3264
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Resumo
A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é uma doença em que há limitação do fluxo aéreo que não é reversível. Apesar de prevenível e tratável, é progressiva, estando associada a uma resposta inflamatória pulmonar anormal a partículas ou gases deletérios.
Um dos principais objetivos no tratamento destes doentes é o aumento da qualidade de vida.
O objetivo desta revisão foi investigar o impacto da qualidade do sono na qualidade de vida dos doentes com DPOC.
Estes doentes possuem alterações na qualidade do sono devido à hipoxemia resultante da doença pulmonar, bem como devido aos sintomas nocturnos como a tosse, a pieira e a dispneia.
A deterioração da qualidade de vida não tem relação directa com a evolução da obstrução pulmonar, assim sendo, necessita de instrumentos específicos para ser avaliada.
Conclui-se com este trabalho que a diminuição da qualidade do sono é um bom preditor da diminuição da qualidade de vida, devendo a qualidade do sono ser incluída na avaliação destes doentes.
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Abstract
The chronic obstructive pulmonary disease (COPD) is a disease in which there is airflow limitation that is not reversible. Although preventable and treatable, it is progressive and associated with an abnormal pulmonary inflammatory response to noxious particles or gases.
A principal aim in the treatment of these patients is the increase of quality of life.
The purpose of this review was to investigate the impact of sleep quality on the quality of life of patients with COPD.
These patients have changes in sleep quality due to hypoxemia resulting from pulmonary disease, as well as due to nocturnal symptoms such as coughing, wheezing and dyspnea.
The deterioration of the quality of life has no direct relation with the development of pulmonary obstruction, therefore, it requires specific tools to be evaluated.
The conclusion of this study that the decrease in quality of sleep is a good predictor of decreased quality of life and so, quality of sleep, should be included in the evaluation of these patients.
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Introdução
A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é uma doença em que há limitação do fluxo aéreo que não é reversível. Apesar de prevenível e tratável, é progressiva e associa-se a uma resposta
inflamatória pulmonar anormal a partículas ou gases nocivos, dos quais o mais importante é o fumo do tabaco (1). O diagnóstico confirma-se por espirometria quando há uma relação inferior ou igual a 0.7 entre o volume de expiração forçado no 1º segundo (FEV1) e a capacidade vital forçada (FVC) após broncodilatação (1).
Para além das alterações pulmonares, a DPOC tem consequências importantes que influenciam negativamente a qualidade de vida, tais como perda de peso, fadiga, cor pulmunale, hipertensão pulmonar e perturbações no sono (2).
A DPOC é uma doença muito prevalente e atinge 6% da população mundial (3). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), foi responsável por 5 milhões de mortes em 2010, o que a coloca em 4º lugar como causa de morte, com 5,1% dos óbitos no mundo (4).
Nos doentes com DPOC ocorrem episódios hipoxémicos recorrentes durante o sono, sendo estes particularmente frequentes durante o sono rapid eye movement (REM). Os mecanismos que explicam este facto incluem a diminuição da capacidade residual funcional, diminuição das respostas
ventilatórias à hipóxia e à hipercapnia, fadiga dos músculos respiratórios, diminuição da resposta do centro respiratório aos estímulos químicos, mecânicos e corticais, aumento da resistência das vias aéreas superiores e alteração da posição dos valores de saturação de base da curva de dissociação da oxi-hemoglobina (5). Estes episódios hipoxémicos, bem como os sintomas noturnos, levam a uma alteração da arquitetura do sono com consequente diminuição da sua qualidade (5, 6).
As perturbações do sono, por sua vez, podem alterar a função pulmonar e a frequência de
exacerbações da doença, influenciar no aparecimento de doenças cardiovasculares, depressão major e alterações cognitivas, comprometendo a qualidade de vida (7, 8).
Pretende-se com esta revisão investigar a relação entre a qualidade do sono e a qualidade de vida nos doentes com DPOC.
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A DPOC e as perturbações do sono
Entre as queixas referidas por doentes com DPOC, encontram-se em terceiro lugar as relacionadas com o sono, logo a seguir à dispneia e à fadiga (9).
Os efeitos do sono na respiração normal incluem um aumento das resistências das vias aéreas
superiores, diminuição da taxa metabólica, diminuição da quimiossensibilidade do centro respiratório, diminuição da ventilação em 0,5 a 1,5 litros, aumento da pressão arterial de dióxido de carbono em 2-8 mmHg durante o sono non rapid eye moviment (NREM) e de 1-2 mmHg no sono REM em relação ao precedente, diminuição da pressão arterial de oxigénio em 3-10 mmHg e uma diminuição da pressão arterial de oxigénio em 2% (10). Contudo, nos doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica, estas alterações fisiológicas podem ter um maior impacto nas trocas gasosas, com episódios de marcada hipoxemia, uma vez que, estes doentes têm redução da capacidade residual funcional, redução da resposta à hipóxia e hipercapnia por ausência de sistema voluntário de controle respiratório, em especial durante a fase de sono REM, e perda da contribuição dos músculos respiratórios intercostais acessórios e do diafragma sobre os pulmões hiperinsuflados (11, 12). No entanto, não só as respostas ventilatórias à hipoxemia alteram o sono. Os sintomas como a tosse, a dispneia, a dor, a produção de secreções brônquicas e alguns fármacos exercem igualmente efeitos perturbadores no sono (13, 8). O sono é essencial para a manutenção do desempenho cognitivo, da produtividade laboral bem como do bem-estar físico e mental, dele dependendo a consolidação da memória. A sua privação tem efeitos agudos, que incluem perdas cognitivas e associa-se ao aparecimento de doenças cardiovasculares (14). O sono normal tem uma arquitetura padronizada com períodos de sono profundo denominado NREM interrompidos por períodos de relativa atividade cerebral, sono REM. Da vigília para o sono temos o primeiro estadio (N1) que é um estado de transição, seguido pelo segundo estadio (N2) em que se verifica diminuição da frequência e aumento da amplitude das ondas no eletroencefalograma (EEG). É nesta segunda fase que são identificáveis os complexos K (onda bifásica que pode ocorrer
espontaneamente ou relacionar-se com o despertar). No terceiro e quarto estadios entramos em sono profundo com aumento da amplitude das ondas de baixa-frequência. Esta sequência de estadios denomina-se NREM e demora tipicamente uma hora. Em seguida, nas leituras do EEG podemos
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visualizar um novo período, o sono REM, em que há um estado de atividade fisiológica muito ativa. Após 10 minutos em sono REM o cérebro volta sequencialmente à fase inicial (15).
A alteração desta sequência normal de eventos é que condiciona a fragmentação do sono. A diminuição da duração e a fragmentação do sono podem ocorrer por uma variedade de fatores, incluindo stress, perturbações do sono propriamente ditas e outras doenças crónicas como a DPOC (16).
As perturbações do sono compreendem uma variedade de entidades: insónia, interrupções do sono por micro-despertares (interrupções do sono superiores a 15 segundos) e anormalidades na
manutenção, na duração ou na arquitetura do mesmo (8).
Os doentes com DPOC têm fraca qualidade do sono, demonstrada pelas alterações dos estadios do sono com frequentes despertares e micro-despertares, diminuição do sono profundo e do tempo total de sono (17).
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Qualidade do sono nos doentes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica
A literatura apresenta uma clara evidência de que a DPOC está associada à insónia e a outras perturbações do sono, com consequente sonolência diurna excessiva, fadiga matinal e despertar precoce (18, 19, 20), sendo estas duas últimas manifestações particularmente frequentes nos doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica moderada ou grave, tal como revelou o estudo de Bellia et al. A prevalência da associação entre a DPOC e as perturbações do sono está subestimada, uma vez que a própria DPOC é comumente subdiagnosticada (19).
Os dados epidemiológicos sobre as perturbações do sono e sintomas noturnos na DPOC são limitados. No entanto, nos últimos 30 anos, pequenos estudos indicam que estes doentes apresentam uma
variedade de perturbações do sono (8).
Num estudo levado a efeito por Cormick et al (18) entre cinquenta doentes com DPOC, 76% referiram despertares frequentes, dado este que encontrou consistência num trabalho recente que chegou a uma conclusão similar (21).
Os investigadores anteriormente citados divulgaram também que 72% dos doentes com DPOC grave tinham queixas de sonolência diurna excessiva, 32% tinham perda de concentração, 28%
apresentavam cefaleias matinais, 36% tinham dificuldade em iniciar e manter o sono, enquanto que 28% desses doentes reportaram o uso de sedativos hipnoindutores. Em comparação, os indivíduos sem DPOC, no que concerne aos dois últimos aspetos referidos, apresentavam taxas de 15% e 10%
respetivamente (18).
Por outro lado, Klink et al, no Tucson epidimiologic study of obstructive airway disease, verificaram que os doentes com doenças pulmonares obstrutivas relataram uma maior prevalência de perturbações do sono em comparação com a população geral. As queixas mais referenciadas foram a dificuldade em iniciar e manter o sono e a sonolência diurna excessiva, explicadas provavelmente pelos sintomas noturnos como a tosse e a dispneia (22).
Outra investigação, de Klink et al demonstrou que, em casos graves, a perturbação do sono está melhor relacionada com os sintomas noturnos do que com a função pulmonar, não havendo relação entre o índice de Tiffeneau e a prevalência de dificuldade em iniciar ou em manter o sono e a sonolência diurna excessiva. Constataram também que um aumento dos sintomas pulmonares
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registados pelo doente durante o dia estava associado a um maior índice de queixas do sono. Mais, este estudo revelou que, na presença de um sintoma respiratório (tosse ou pieira) 39% dos doentes apresentaram insónia e 12% sonolência diurna, no entanto quando presentes ambos os sintomas, 53% apresentavam insónia e 23% sonolência diurna excessiva (20).
Uma limitação dos estudos acima referidos advém da não obtenção de leituras polisonográficas, de forma a excluir a presença de síndrome de apneia/hipopneia obstrutiva do sono (SAHOS).
Saaresrant et al observaram 15 mulheres no período pós-menopausa com DPOC moderada a grave e sem SAHOS. Notaram uma redução na qualidade do sono sem consequente sonolência diurna, dado esse contraditório ao resultado expresso pelas observações em indivíduos saudáveis, nos quais a privação de sono resulta num aumento da sonolência diurna (17). O estudo mencionado vai de encontro a outros que demonstraram um tempo total do sono nos doentes com DPOC que varia entre 3,5 a 4,7 horas. A percentagem de micro-despertares obtida, após o início do sono, foi semelhante à descrita por Cormick et al, o que ocorreu em 25% dos indivíduos. Na mesma investigação,
confirmando o previsto, o tempo total do sono estava correlacionado com a eficiência do sono (Pearson r=0.94, p<0.0001) (17).
Em contraste, Valipour et al observaram uma arquitetura preservada nos estadios iniciais da doença, apesar da ligeira hipoxemia noturna (21). Estes resultados estão de acordo com os anteriormente publicados por Sanders et al, nos quais não se apontam diferenças significativas na proporção do sono de ondas lentas ou no índice de micro-despertares entre os doentes e os controles saudáveis, apesar da diminuição do tempo total de sono e da saturação arterial noturna de oxigénio nos doentes com DPOC. Além disso, evidenciaram que não havia diferença na estrutura do sono com respeito ao FEV1 e os próprios doentes não percecionaram sonolência diurna excessiva (6).
Um estudo recente pan-europeu foi levado a efeito com o objectivo de explorar a prevalência e o impacto da diminuição da qualidade do sono nos doentes com DPOC. A alteração da qualidade do sono foi pesquisada pela Jenkins Sleep Scale que avalia o quão frequentemente o doente refere dificuldade em adormecer ou em manter o sono, repetidos despertares durante a noite e o acordar sentindo fadiga, após dormir um número de horas usual (8). Os autores desse estudo verificaram que 78.1% dos doentes referiram perturbações do sono em concordância com o aumento da gravidade da
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limitação do fluxo aéreo. Os referidos doentes apresentaram dispneia diurna mais intensa ou frequente, maior número de exacerbações e uma dependência farmacológica mais acentuada. Nesse mesmo estudo, regista-se que 67% dos clínicos identificaram que os seus doentes sofriam de perturbações de sono no decorrer da noite (8).
De acordo com as ERS/ATS guidelines (1) todos os doentes com DPOC devem ser questionados acerca dos sinais reveladores de perturbações do sono, tal como sonolência diurna excessiva, latência de sono prolongada e frequentes micro-despertares. Os clínicos precisam de estar atentos em relação à presença de perturbações do sono, quando um ou mais dos seguintes parâmetros estejam presentes: hipertensão, sintomas respiratórios, sintomas urinários, depressão major, dor crónica ou alterações gastrintestinais (7).
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A qualidade do sono como preditor da qualidade de vida nos doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica
A qualidade de vida tornou-se um importante objetivo nos cuidados médicos, porém não existe ainda consenso na definição deste conceito (23). Pode-se tentar colmatar esta indefinição, especificando o seu campo, isto é, qualidade de vida relacionada com a saúde. A OMS utiliza como definição de estado de saúde «um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não meramente a ausência de doença ou enfermidade». A qualidade de vida é muito utilizada para determinar as limitações referidas pelo doente perante a sua doença e atualmente uma variedade de ferramentas estão disponíveis (24).
Os questionários podem facilitar a orientação personalizada da gestão da doença, através da exploração dos aspetos que são problemáticos para o estado de saúde. Na última década, inúmeros questionários foram desenvolvidos para medir o estado de saúde. Todavia, a maioria destes instrumentos consiste apenas na medição de alguns dos aspetos do estado de saúde (24).
A medição do impacto dos sintomas noturnos poderá providenciar uma avaliação objetiva dos mesmos e das perturbações do sono na DPOC. A utilização de escalas válidas para determinar a duração e a qualidade do sono, o aparecimento de sintomas diurnos e a qualidade de vida auto reportada permitem uma avaliação fiável. O impacto na duração e qualidade do sono pode ser quantificado pela Pittsburg sleep quality índex (PSQI), uma escala de auto pontuação com 19 itens, de 0-21, em que uma
pontuação final obtida superior a 5 diferencia boa de fraca qualidade do sono. Nesta escala sete aspectos major do sono estão contemplados: qualidade de sono subjectiva, latência do sono, duração do sono, eficácia do sono, perturbações do sono, uso de fármacos hipnoindutores e disfunção diurna (25).
Outra potencial abordagem poderá ser a medição dos sintomas diurnos tais como a sonolência diurna e a fadiga, ambos relacionados com a privação de sono. A sonolência diurna excessiva pode ser medida, utilizando a escala de sono de Epworth (ESS). Este instrumento apresenta oito questões pontuadas de zero a três, de acordo com a probabilidade em adormecer nas diferentes situações, em que um valor acima de dez vai significar excessiva sonolência diurna (26). A fadiga, por sua vez, pode ser inferida
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com o recurso à escala Fatigue Impact Scale (COPD) uma escala de 25 questões sobre o impacto da fadiga em três subdomínios: o físico, o cognitivo e o psicossocial (27).
Uma ferramenta muito utilizada na averiguação da qualidade de vida relacionada com a saúde (HrQoL) na doença respiratória é o denominado Saint George’s Respiratory Questionnaire (SGRQ) que inclui uma questão sobre perturbações do sono causadas por tosse ou dispneia no domínio dois na questão 10 “my cough or breathing disturbes my sleep”. A estrutura do SGRQ consta de um total de 53 perguntas incorporadas em três domínios (sintomas, atividades e impacto) em que uma pontuação global de zero será a pior e a de 100% a melhor (28).
A reduzida qualidade do sono nos doentes com DPOC influencia a qualidade de vida (29). No entanto, até à data, poucos foram os estudos que focaram a relação entre qualidade do sono e a HrQoL nos doentes com DPOC.
Um estudo recente realizado por Lewis et al refere que 61% dos doentes com DPOC tinham um índice de PSQI superior a cinco (30).
Nunes et al, entre 30 doentes com DPOC clinicamente estável, moderada a grave, encontraram que 70% destes doentes tinham um fraco índice de qualidade do sono, inferido por um PSQI >5. A HrQoL medida pelo SGRQ, encontrava-se significativamente relacionada com a qualidade do sono (p=0.002), com o FEV1 e a gravidade da dispneia. Porém através do tratamento dos dados, utilizando múltiplas regressões, foi possível afirmar que de entre estes três factores a qualidade do sono era o melhor preditor da qualidade de vida. Quanto aos resultados por domínios do SGRQ, verificaram que o domínio “impacto”, constituído por um conjunto de questões que medem o impacto da doença na vida social e profissional e a condição psicológica do doente, é o mais atingido pela diminuição da
qualidade do sono (3).
Segundo Scharf et al, num estudo em que envolveu 180 doentes com DPOC moderada, a fraca qualidade do sono, medida pelo do PSQI, apresentou-se como um preditor independente do resultado do SGRQ. Neste estudo, 77.7% dos doentes referiram perturbações do sono com aumento do tempo de latência (30 minutos em média) e menor tempo total de sono (média de cinco horas) sem sonolência diurna excessiva, este último dado fornecido pela aplicação da ESS (31).
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Um estudo de coorte realizado com 58 doentes com DPOC, apresentando comorbilidades, nomeadamente depressão major e ansiedade, registou a associação de fraca HrQoL com pobre qualidade do sono e maior morbilidade psiquiátrica (32).
Incalzi et al (35) demonstraram que a qualidade do sono era um preditor independente das pontuações nos parâmetros “atividade” e “impacto” no SGRQ. Foram ainda mais além destes resultados Hynninen et al (32), ao provarem que o estado de saúde na DPOC está associado aos problemas do sono, ao invés das medidas espirométricas. De forma inversa tem sido sugerido que a privação do sono pode contribuir para a deterioração da função pulmonar (33, 34).
Preconiza-se, desta forma, que a avaliação da qualidade do sono é de particular importância na saúde e qualidade de vida nos doentes com DPOC (32, 35).
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Discussão
O índice de massa corporal, a frequência de exacerbações, a dispneia crónica e a incapacidade de desempenho físico são reconhecidos como preditores na redução de HrQoL nos doentes com DPOC (36, 37). Este trabalho teve como objectivo estudar a qualidade do sono como factor de impacto HrQoL nos doentes com DPOC, adicionando-o aos factores acima referidos.
Apesar dos doentes com DPOC expressarem frequentemente uma fraca qualidade do sono (1,38) os sintomas noturnos e as perturbações do sono na DPOC não são geralmente considerados no
tratamento. Pode-se exemplificar com a mais recente publicação da Global Iniciative for Chronic Obstructive Lung Disease guidelines (39) que não menciona as perturbações do sono ou os sintomas noturnos como alvos de intervenção terapêutica. Paradoxalmente a presença de perturbações do sono nos doentes com DPOC é uma comorbilidade, sendo recomendado perguntar aos doentes, nas visitas de seguimento, se existe interferência no sono devido à dispneia ou a outros sintomas (39).
Nos estudos que analisaram de forma sistemática a relação entre a diminuição da qualidade do sono e a HrQoL, recorreram ao PSQI para a avaliação da qualidade do sono. No entanto, apesar de útil e válida esta escala não é específica para esta doença porque não providencia informação sobre as causas subjacentes à fragmentação do sono. Por conseguinte, é relevante a aposta em estudos que permitam aperfeiçoar as ferramentas já existentes ou construir novos questionários que constituam elementos complementares para um diagnóstico mais seguro do impacto dos distúrbios de sono na qualidade de vida dos doentes com DPOC.
Entre os novos contributos que têm surgido, nomeadamente a nível de instrumentos, é importante referir duas escalas emergentes que poderão ser úteis na medição do impacto dos sintomas noturnos e perturbações do sono nos doentes com DPOC: COPD and Asthma Sleep Impact Scale (CASIS) (40), uma escala que foi desenvolvida com o objetivo de medir o impacto no sono devido a doença
respiratória, e a COPD Assesment Test (CAT), uma escala que mede o impacto da DOPC no estado de saúde (41). A CASIS consiste em 15 questões pontuadas de zero (nunca) a cinco (muito
frequentemente) que focam os sintomas noturnos, a dificuldade em iniciar e manter o sono, o acordar durante a noite, o sono perturbado, o cansaço matinal e o agravamento dos sintomas durante a noite. O CAT consiste em oito questões que incidem na tosse, na produção de secreções brônquicas, na
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restrição da expansibilidade torácica, na falta de ar a subir escadas, na limitação da realização de actividades domésticas, na confiança em sair de casa, no sono e na energia. Estas são pontuadas de zero a cinco de acordo com o nível de satisfação do doente (41).
Na verdade, em estudos recentes aproximadamente 70% dos doentes com DPOC (8, 3, 31) sofrem de perturbações do sono, referindo falta de suporte e aconselhamento específico pelo seu médico na resolução das mesmas (42).
O PSQI e o SGRQ foram as ferramentas utilizadas para o estudo sistemático da relação entre a
qualidade do sono e a qualidade de vida. A partir dos estudos de Nunes et al, Hynninen et al, Incalzi et al e Scharf et al podemos afirmar que a qualidade do sono, para além de estar diminuída nos doentes com DPOC, está melhor relacionada com a diminuição da qualidade de vida do que a função
pulmonar medida pela espirometria (3, 32, 35,31).
Fran et al concluíram que a qualidade de vida avaliada por questionários específicos para a DOPC, como o SGRQ, providenciam informação importante no prognóstico desta doença. Verificaram que menores pontuações nestes questionários predizem readmissão hospitalar por exacerbações da doença nos próximos doze meses (36).
Com todos estes dados torna-se justificável um aumento do esforço para diagnosticar e tratar as perturbações do sono com o objetivo final de otimizar o tratamento destes doentes.
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qualidade de vida de pacientes com doença pulmonar obstrutiva crónica. J Bras Pneumol 2004;30:207-14.
38 - Parish JM. Sleep-related problems in common medical conditions. Chest 2009;135:563-72. 39 - Global Strategy for the Diagnosis, Management and Prevention of COPD, Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD) 2011. Available from: http://www.goldcopd.org/. 40 - Pokrzywinski RF, Meads DM, McKenna SP, Glendenning GA, Revicki DA. Development and psychometric assessment of the COPD and Asthma Sleep Impact Scale (CASIS). Health Qual Life Outcomes 2009;7:98.
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normas de
publicação
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Estas instruções seguem os “Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals” (disponível em URL: www.icmje.org).
Os manuscritos são avaliados inicialmente por membros do corpo editorial e a publicação daqueles que forem considerados adequados fica dependente do parecer técnico de pelo menos dois revisores externos. A revisão é feita anonimamente, podendo os revisores propor, por escrito, alterações de conteúdo ou de forma ao(s) autor(es), condicionando a publicação do artigo à sua efectivação.
Todos os artigos solicitados serão submetidos a avaliação externa e seguirão o mesmo processo editorial dos artigos de investigação original.
Apesar dos editores e dos revisores desenvolverem os esforços necessários para assegurar a qualidade técnica e científica dos manus-critos publicados, a responsabilidade final do conteúdo das publicações é dos autores.
Todos os artigos publicados passam a ser propriedade dos ARQUI-VOS DE MEDICINA. Uma vez aceites, os manuscritos não podem ser publicados numa forma semelhante noutros locais, em nenhuma língua, sem o consentimento dos ARQUIVOS DE MEDICINA.
Apenas serão avaliados manuscritos contendo material original que não estejam ainda publicados, na íntegra ou em parte (incluindo tabelas e figuras), e que não estejam a ser submetidos para publicação noutros locais. Esta restrição não se aplica a notas de imprensa ou a resumos publicados no âmbito de reuniões científicas. Quando existem publicações semelhantes à que é submetida ou quando existirem dúvidas relativamente ao cumprimento dos critérios acima mencionados estas devem ser anexadas ao manuscrito em submissão.
Antes de submeter um manuscrito aos ARQUIVOS DE MEDICINA os autores têm que assegurar todas as autorizações necessárias para a publicação do material submetido.
De acordo com uma avaliação efectuada sobre o material apresen-tado à revista os editores dos ARQUIVOS DE MEDICINA prevêm publicar aproximadamente 30% dos manuscritos submetidos, sendo que cerca de 25% serão provavelmente rejeitados pelos editores no primeiro mês após a recepção sem avaliação externa.
TIPOLOGIA DOS ARTIGOS PUBLICADOS NOS ARQUIVOS DE MEDI-CINA
Artigos de investigação original
Resultados de investigação original, qualitativa ou quantitativa. O texto deve ser limitado a 2000 palavras, excluindo referências e tabelas, e organizado em introdução, métodos, resultados e discussão, com um máximo de 4 tabelas e/ou figuras (total) e até 15 referências.
Todos os artigos de investigação original devem apresentar resu-mos estruturados em português e em inglês, com um máximo de 250 palavras cada.
Publicações breves
Resultados preliminares ou achados novos podem ser objecto de publicações breves.
O texto deve ser limitado a 1000 palavras, excluindo referências e tabelas, e organizado em introdução, métodos, resultados e discussão, com um máximo de 2 tabelas e/ou figuras (total) e até 10 referências.
As publicações breves devem apresentar resumos estruturados em português e em inglês, com um máximo de 250 palavras cada. Artigos de revisão
Artigos de revisão sobre temas das diferentes áreas da medicina e dirigidos aos profissionais de saúde, particularmente com impacto na sua prática.
Os ARQUIVOS DE MEDICINA publicam essencialmente artigos de revisão solicitados pelos editores. Contudo, também serão avaliados artigos de revisão submetidos sem solicitação prévia, preferencialmente revisões quantitativas (Meta-análise).
O texto deve ser limitado a 5000 palavras, excluindo referências e tabelas, e apresentar um máximo de 5 tabelas e/ou figuras (total). As revisões quantitativas devem ser organizadas em introdução, métodos, resultados e discussão.
As revisões devem apresentar resumos não estruturados em por-tuguês e em inglês, com um máximo de 250 palavras cada, devendo ser estruturados no caso das revisões quantitativas.
Comentários
Comentários, ensaios, análises críticas ou declarações de posição acerca de tópicos de interesse na área da saúde, designadamente políti-cas de saúde e educação médica.
O texto deve ser limitado a 900 palavras, excluindo referências e tabelas, e incluir no máximo uma tabela ou figura e até 5 referências.
Os comentários não devem apresentar resumos. Casos clínicos
Os ARQUIVOS DE MEDICINA transcrevem casos publicamente apresentados trimestralmente pelos médicos do Hospital de S. João numa selecção acordada com o corpo editorial da revista. No entanto é bem vinda a descrição de casos clínicos verdadeiramente exemplares, profundamente estudados e discutidos. O texto deve ser limitado a 1200 palavras, excluindo referências e tabelas, com um máximo de 2 tabelas e/ou figuras (total) e até 10 referências.
Os casos clínicos devem apresentar resumos não estruturados em português e em inglês, com um máximo de 120 palavras cada. Séries de casos
Descrições de séries de casos, tanto numa perspectiva de tratamento estatístico como de reflexão sobre uma experiência particular de diag-nóstico, tratamento ou prognóstico.
O texto deve ser limitado a 1200 palavras, excluindo referências e tabelas, organizado em introdução, métodos, resultados e discussão, com um máximo de 2 tabelas e/ou figuras (total) e até 10 referências.
As séries de casos devem apresentar resumos estruturados em por-tuguês e em inglês, com um máximo de 250 palavras cada.
Cartas ao editor
Comentários sucintos a artigos publicados nos ARQUIVOS DE MEDI-CINA ou relatando de forma muito objectiva os resultados de observação clínica ou investigação original que não justifiquem um tratamento mais elaborado.
O texto deve ser limitado a 400 palavras, excluindo referências e tabelas, e incluir no máximo uma tabela ou figura e até 5 referências.
As cartas ao editor não devem apresentar resumos. Revisões de livros ou software
Revisões críticas de livros, software ou sítios da internet.
O texto deve ser limitado a 600 palavras, sem tabelas nem figuras, com um máximo de 3 referências, incluindo a do objecto da revisão.
As revisões de livros ou software não devem apresentar resumos. FORMATAÇÃO DOS MANUSCRITOS
A formatação dos artigos submetidos para publicação nos ARQUI-VOS DE MEDICINA deve seguir os “Uniform Requirements for Manus-cripts Submitted to Biomedical Journals”.
Todo o manuscrito, incluindo referências, tabelas e legendas de figuras, deve ser redigido a dois espaços, com letra a 11 pontos, e justi-ficado à esquerda.
Aconselha-se a utilização das letras Times, Times New Roman, Cou-rier, Helvetica, Arial, e Symbol para caracteres especiais.
Devem ser numeradas todas as páginas, incluindo a página do título.
Instruções aos Autores
Os ARQUIVOS DE MEDICINA publicam investigação original nas diferentes áreas da medicina, favorecendo investigação de qualidade, particularmente a que descreva a realidade nacional.
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Devem ser apresentadas margens com 2,5 cm em todo o manuscrito. Devem ser inseridas quebras de página entre cada secção. Não devem ser inseridos cabeçalhos nem rodapés.
Deve ser evitada a utilização não técnica de termos estatísticos como aleatório, normal, significativo, correlação e amostra.
Apenas será efectuada a reprodução de citações, tabelas ou ilustra-ções de fontes sujeitas a direitos de autor com citação completa da fonte e com autorizações do detentor dos direitos de autor.
Unidades de medida
Devem ser utilizadas as unidades de medida do Sistema Interna-cional (SI), mas os editores podem solicitar a apresentação de outras unidades não pertencentes ao SI.
Abreviaturas
Devem ser evitados acrónimos e abreviaturas, especialmente no título e nos resumos. Quando for necessária a sua utilização devem ser definidos na primeira vez que são mencionados no texto e também nos resumos e em cada tabela e figura, excepto no caso das unidades de medida.
Nomes de medicamentos
Deve ser utilizada a Designação Comum Internacional (DCI) de fármacos em vez de nomes comerciais de medicamentos. Quando forem utilizadas marcas registadas na investigação, pode ser mencionado o nome do medicamento e o nome do laboratório entre parêntesis. Página do título
Na primeira página do manuscrito deve constar: 1) o título (conciso e descritivo);
2) um título abreviado (com um máximo de 40 caracteres, incluindo espaços);
3) os nomes dos autores, incluindo o primeiro nome (não incluir graus académicos ou títulos honoríficos);
4) a filiação institucional de cada autor no momento em que o tra-balho foi realizado;
5) o nome e contactos do autor que deverá receber a correspondên-cia, incluindo endereço, telefone, fax e e-mail;
6) os agradecimentos, incluindo fontes de financiamento, bolsas de estudo e colaboradores que não cumpram critérios para autoria;
7) contagens de palavras separadamente para cada um dos resumos e para o texto principal (não incluindo referências, tabelas ou figuras). Autoria
Como referido nos “Uniform Requirements for Manuscripts Sub-mitted to Biomedical Journals”, a autoria requer uma contribuição substancial para:
1) concepção e desenho do estudo, ou obtenção dos dados, ou análise e interpretação dos dados;
2) redacção do manuscrito ou revisão crítica do seu conteúdo intelectual;
3) aprovação final da versão submetida para publicação.
A obtenção de financiamento, a recolha de dados ou a supervisão geral do grupo de trabalho, por si só, não justificam autoria.
É necessário especificar na carta de apresentação o contributo de cada autor para o trabalho. Esta informação será publicada.
Exemplo: José Silva concebeu o estudo e supervisionou todos os aspectos da sua implementação. António Silva colaborou na concepção do estudo e efectuou a análise dos dados. Manuel Silva efectuou a recolha de dados e colaborou na sua análise. Todos os autores contribuiram para a interpretação dos resultados e revisão dos rascunhos do manuscrito.
Nos manuscritos assinados por mais de 6 autores (3 autores no caso das cartas ao editor), tem que ser explicitada a razão de uma autoria tão alargada.
É necessária a aprovação de todos os autores, por escrito, de quais-quer modificações da autoria do artigo após a sua submissão. Agradecimentos
Devem ser mencionados na secção de agradecimentos os colabora-dores que contribuiram substancialmente para o trabalho mas que não cumpram os critérios para autoria, especificando o seu contributo, bem como as fontes de financiamento, incluindo bolsas de estudo.
Resumos
Os resumos de artigos de investigação original, publicações bre-ves, revisões quantitativas e séries de casos devem ser estruturados (introdução, métodos, resultados e conclusões) e apresentar conteúdo semelhante ao do manuscrito.
Os resumos de manuscritos não estruturados (revisões não quanti-tativas e casos clínicos) também não devem ser estruturados.
Nos resumos não devem ser utilizadas referências e as abreviaturas devem ser limitadas ao mínimo.
Palavras-chave
Devem ser indicadas até seis palavras-chave, em portugês e em inglês, nas páginas dos resumos, preferencialmente em concordância com o Medical Subject Headings (MeSH) utilizado no Index Medicus. Nos manuscritos que não apresentam resumos as palavras-chave devem ser apresentadas no final do manuscrito.
Introdução
Deve mencionar os objectivos do trabalho e a justificação para a sua realização.
Nesta secção apenas devem ser efectuadas as referências indispen-sáveis para justificar os objectivos do estudo.
Métodos
Nesta secção devem descrever-se: 1) a amostra em estudo;
2) a localização do estudo no tempo e no espaço; 3) os métodos de recolha de dados;
4) análise dos dados.
As considerações éticas devem ser efectuadas no final desta secção. Análise dos dados
Os métodos estatísticos devem ser descritos com o detalhe suficiente para que possa ser possível reproduzir os resultados apresentados.
Sempre que possível deve ser quantificada a imprecisão das es-timativas apresentadas, designadamente através da apresentação de intervalos de confiança. Deve evitar-se uma utilização excessiva de testes de hipóteses, com o uso de valores de p, que não fornecem informação quantitativa importante.
Deve ser mencionado o software utilizado na análise dos dados. Considerações éticas e consentimento informado
Os autores devem assegurar que todas as investigações envolvendo seres humanos foram aprovadas por comissões de ética das instituições em que a investigação tenha sido desenvolvida, de acordo com a Decla-ração de Helsínquia da Associação Médica Mundial (www.wma.net).
Na secção de métodos do manuscrito deve ser mencionada esta aprovação e a obtenção de consentimento informado, quando aplicável. Resultados
Os resultados devem ser apresentados, no texto, tabelas e figuras, seguindo uma sequência lógica.
Não deve ser fornecida informação em duplicado no texto e nas ta-belas ou figuras, bastando descrever as principais observações referidas nas tabelas ou figuras.
Independentemente da limitação do número de figuras propostos para cada tipo de artigo, só devem ser apresentados gráficos quando da sua utilização resultarem claros benefícios para a compreensão dos resultados.
Apresentação de dados númericos
A precisão numérica utilizada na apresentação dos resultados não deve ser superior à permitida pelos instrumentos de avaliação.
Para variáveis quantitativas as medidas apresentadas não deverão ter mais do que uma casa decimal do que os dados brutos.
As proporções devem ser apresentadas com apenas uma casa decimal e no caso de amostras pequenas não devem ser apresentadas casas decimais.
Os valores de estatísticas teste, como t ou χ2, e os coeficientes de
cor-relação devem ser apresentados com um máximo de duas casas decimais. Os valores de p devem ser apresentados com um ou dois algarismos significativos e nunca na forma de p=NS, p<0,05 ou p>0,05, na medida em a informação contida no valor de P pode ser importante. Nos casos em
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que o valor de p é muito pequeno (inferior a 0,0001), pode apresentar--se como p<0,0001.
Tabelas e figuras
As tabelas devem surgir após as referências. As figuras devem surgir após as tabelas.
Devem ser mencionadas no texto todas as tabelas e figuras, numera-das (numeração árabe separadamente para tabelas e figuras) de acordo com a ordem em que são discutidas no texto.
Cada tabela ou figura deve ser acompanhada de um título e notas explicativas (ex. definições de abreviaturas) de modo a serem compre-endidas e interpretadas sem recurso ao texto do manuscrito.
Para as notas explicativas das tabelas ou figuras devem ser utilizados os seguintes símbolos, nesta mesma sequência:
*, †, ‡, §, ||, ¶, **, ††, ‡‡.
Cada tabela ou figura deve ser apresentada em páginas separadas, juntamente com o título e as notas explicativas.
Nas tabelas devem ser utilizadas apenas linhas horizontais. As figuras, incluindo gráficos, mapas, ilustrações, fotografias ou outros materiais devem ser criadas em computador ou produzidas profissionalmente.
As figuras devem incluir legendas.
Os símbolos, setas ou letras devem contrastar com o fundo de foto-grafias ou ilustrações.
A dimensão das figuras é habitualmente reduzida à largura de uma coluna, pelo que as figuras e o texto que as acompanha devem ser facil-mente legíveis após redução.
Na primeira submissão do manuscrito não devem ser enviados originais de fotografias, ilustrações ou outros materiais como películas de raios-X. As figuras, criadas em computador ou convertidas em for-mato electrónico após digitalização devem ser inseridas no ficheiro do manuscrito.
Uma vez que a impressão final será a preto e branco ou em tons de cinzento, os gráficos não deverão ter cores. Gráficos a três dimensões apenas serão aceites em situações excepcionais.
A resolução de imagens a preto e branco deve ser de pelo menos 1200 dpi e a de imagens com tons de cinzento ou a cores deve ser de pelo menos 300 dpi.
As legendas, símbolos, setas ou letras devem ser inseridas no ficheiro da imagem das fotografias ou ilustrações.
Os custos da publicação das figuras a cores serão suportados pelos autores.
Em caso de aceitação do manuscrito, serão solicitadas as figuras nos formatos mais adequados para a produção da revista.
Discussão
Na discussão não deve ser repetida detalhadamente a informação fornecida na secção dos resultados, mas devem ser discutidas as limi-tações do estudo, a relação dos resultados obtidos com o observado noutras investigações e devem ser evidenciados os aspectos inovadores do estudo e as conclusões que deles resultam.
É importante que as conclusões estejam de acordo com os objectivos do estudo, mas devem ser evitadas afirmações e conclusões que não se-jam completamente apoiadas pelos resultados da investigação em causa. Referências
As referências devem ser listadas após o texto principal, numeradas consecutivamente de acordo com a ordem da sua citação. Os números das referências devem ser apresentados entre parentesis. Não deve ser utilizado software para numeração automática das referências.
Pode ser encontrada nos “Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals” uma descrição pormenorizada do formato dos diferentes tipos de referências, de que se acrescentam alguns exemplos:
1. Artigo
• Vega KJ, Pina I, Krevsky B. Heart transplantation is associated with an increase risk for pancreatobiliary disease. Ann Intern Med 1996;124:980-3.
2. Artigo com Organização como Autor
• The Cardiac Society of Australia and New Zealand. Clinical exercise stress testing.safety and performance guidelines. Med J Aust 1996; 64:282-4.
3. Artigo publicado em Volume com Suplemento
• Shen HM, Zhang QF. Risk assessment of nickel carcinogenicity and occupational lung cancer. Environ Health Perspect 1994; 102 Suppl 1:275-82.
4. Artigo publicado em Número com Suplemento
payne DK, Sullivan MD, Massie MJ. Women's psychological reactions to breast cancer. Semin Oncol 1996;23 (1 Suppl 2):89-97.
5. Livro
Ringsven MK, Bond D. Gerontology and leadership skills for nurses. 2nd ed. Albany (NY): Delmar Publishers;1996.
6. Livro (Editor(s) como Autor(es))
Norman IJ, Redfern SJ, editores. Mental health care for elderly people. New York: Churchill Livingstone;1996.
7. Livro (Organização como Autor e Editor)
Institute of Medicine (US). Looking at the future of the Medicaid program. Washington: The Institute;1992.
8. Capítulo de Livro
Phillips SJ, Whisnant JP. Hypertension and stroke. In: Laragh JH, Brenner BM, editors. Hypertension: pathophysiology, diagnosis, and management. 2nd ed. New York: Raven Press;1995. p. 465-78. 9. Artigo em Formato Electrónico
Morse SS. Factors in the emergence of infectious diseases. Emerg Infect Dis [serial online] 1995 Jan-Mar [cited 1996 Jun 5]; 1 (1): [24 screens]. Disponível em: URL: http://www.cdc.gov/ncidod/ EID/eid.htm
Devem ser utilizados os nomes abreviados das publicações, de acor-do com o aacor-doptaacor-do pelo Index Medicus. Uma lista de publicações pode ser obtida em http://www.nlm.nih.gov.
Deve ser evitada a citação de resumos e comunicações pessoais. Os autores devem verificar se todas as referências estão de acordo com os documentos originais.
Anexos
Material muito extenso para a publicação com o manuscrito, desig-nadamente tabelas muito extensas ou instrumentos de recolha de dados, poderá ser solicitado aos autores para que seja fornecido a pedido dos interessados.
Conflitos de interesse
Os autores de qualquer manuscrito submetido devem revelar no momento da submissão a existência de conflitos de interesse ou declarar a sua inexistência.
Essa informação será mantida confidencial durante a revisão do ma-nuscrito pelos avaliadores externos e não influenciará a decisão editorial mas será publicada se o artigo for aceite.
Autorizações
Antes de submeter um manuscrito aos ARQUIVOS DE MEDICINA os autores devem ter em sua posse os seguintes documentos que poderão ser solicitados pelo corpo editorial:
- consentimento informado de cada participante;
- consentimento informado de cada indivíduo presente em foto-grafias, mesmo quando forem efectuadas tentativas de ocultar a respectiva identidade;
- transferência de direitos de autor de imagens ou ilustrações; - autorizações para utilização de material previamente publicado; - autorizações dos colaboradores mencionados na secção de agra-decimentos.
SUBMISSÃO DE MANUSCRITOS
Os manuscritos submetidos aos ARQUIVOS DE MEDICINA devem ser preparados de acordo com as recomendações acima indicadas e devem ser acompanhados de uma carta de apresentação.
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Carta de apresentação
Deve incluir a seguinte informação: 1) Título completo do manuscrito;
2) Nomes dos autores com especificação do contributo de cada um para o manuscrito;
3) Justificação de um número elevado de autores, quando aplicável; 4) Tipo de artigo, de acordo com a classificação dos ARQUIVOS DE MEDICINA;
5) Fontes de financiamento, incluindo bolsas;
6) Revelação de conflitos de interesse ou declaração da sua ausência; 7) Declaração de que o manuscrito não foi ainda publicado, na ín-tegra ou em parte, e que nenhuma versão do manuscrito está a ser avaliada por outra revista;
8) Declaração de que todos os autores aprovaram a versão do ma-nuscrito que está a ser submetida;
9) Assinatura de todos os autores.
É dada preferência à submissão dos manuscritos por e-mail ([email protected]).
O manuscrito e a carta de apresentação devem, neste caso, ser enviados em ficheiros separados em formato word. Deve ser enviada por fax (225074374) uma cópia da carta de apresentação assinada por todos os autores.
Se não for possível efectuar a submissão por e-mail esta pode ser efectuada por correio para o seguinte endereço:
ARQUIVOS DE MEDICINA Faculdade de Medicina do Porto Alameda Prof. Hernâni Monteiro 4200 – 319 Porto, Portugal
Os manuscritos devem, então, ser submetidos em triplicado (1 original impresso apenas numa das páginas e 2 cópias com impressão frente e verso), acompanhados da carta de apresentação.
Os manuscritos rejeitados ou o material que os acompanha não serão devolvidos, excepto quando expressamente solicitado no momento da submissão.
CORRECÇÃO DOS MANUSCRITOS
A aceitação dos manuscritos relativamente aos quais forem solicita-das alterações fica condicionada à sua realização.
A versão corrigida do manuscrito deve ser enviada com as alterações sublinhadas para facilitar a sua verificação e deve ser acompanhada duma carta respondendo a cada um dos comentários efectuados.
Os manuscritos só poderão ser considerados aceites após confirma-ção das alterações solicitadas.
MANUSCRITOS ACEITES
Uma vez comunicada a aceitação dos manuscritos, deve ser enviada a sua versão final em ficheirto de Word©, formatada de acordo com as instruções acima indicadas.
No momento da aceitação os autores serão informados acerca do formato em que devem ser enviadas as figuras.
A revisão das provas deve ser efectuada e aprovada por todos os au-tores dentro de três dias úteis. Nesta fase apenas se aceitam modificações que decorram da correcção de gralhas.
Deve ser enviada uma declaração de transferência de direitos de autor para os ARQUIVOS DE MEDICINA, assinada por todos os autores, juntamente com as provas corrigidas.