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Academic year: 2021

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ABERTURA

Estamos dando início ao Seminário Comemorativo dos 10 anos da Comissão Nacional de População e Desenvolvimento, CNPD, com o tema “A População nas Políticas Públicas: gênero, geração e raça”.

Este evento é uma iniciativa da CNPD e do IPEA, em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas. Serão abordados aspectos relacionados à população e às políticas públicas, sob a ótica de gênero, geração e raça. Serão também destacadas questões ligadas à saúde reprodutiva, dividendo demográfico e migração internacional. Durante o Seminário, ocorrerá o lançamento, no Brasil, do Relatório da Comissão Global sobre Migração Internacional das Nações Unidas, GCIM. Uma cerimônia especial irá marcar a comemoração dos 10 anos da CNPD, quando será homenageada a Dra. Elza Berquó, Presidente da Comissão no período de 1995 a 2004. Para fazer a coordenação dos trabalhos de abertura do seminário, tem a palavra o Presidente da CNPD, Eduardo Rios-Neto.

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Presidente da CNPD, professor titular do Departamento de Demografia e pesquisador do Cedeplar, UFMG

É com muita honra e satisfação que abro este evento comemorativo dos 10 anos da CNPD. Gostaria de enfatizar que, de forma resumida, a função precípua da CNPD é tratar da introdução e promoção do componente populacional das diversas ações no âmbito do executivo. Como a área populacional, e quem está afeito a ela, sabe que curto prazo para um demógrafo é, no mínimo, vinte anos, não poderíamos estar numa casa mais adequada como esta, o IPEA, e fazendo parte, como o faz a Comissão, do Ministério do Planejamento. Claro que temos com interações com outros ministérios – por exemplo, no que tange à área de saúde reprodutiva, a ser tratada aqui, temos relações com o Ministério da Saúde.

O conteúdo deste seminário traz a interação com o Executivo ao seu ponto focal. Quase todos os participantes têm uma inserção na ação de execução e a nossa idéia, para aqueles que já aceitam promover a incorporação do componente populacional e para aqueles que ainda não estão atentos ao impacto da dinâmica demográfica, é que iniciem essa atenção no que tange ao planejamento de longo prazo, o qual consideramos importante.

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Um segundo componente da função precípua da CNPD também está presente neste encontro: a promoção e o auxílio ao governo no que se refere à participação nas convenções internacionais afeitas à questão da população e dos direitos humanos. Este sempre foi um dos pontos fortes da CNPD e pretendemos mantê-lo. Há duas situações particulares neste evento que confirmam isso. Uma é a homenagem à Dra. Elza Berquó, ex-presidente da CNPD, em que ficarão bastante claras muitas das características dos 10 anos da CNPD – dos quais 9 sob a gestão da Dra. Elza Berquó –, que vem de sua própria fundação, a partir da Conferência do Cairo, e a participação ativa da CNPD nas revisões das conferências internacionais.

O lançamento do relatório da Global Comission for International Migration (GCIM) neste evento, a participação do Representante Regional da Organização Internacional de Migração (OIM) e a sessão sobre migração internacional, envolvendo os quatro atores principais - três do executivo e um deputado, representando o Legislativo -, coroam a continuidade dessa tendência. Este não é um seminário técnico ou acadêmico e sim um seminário de execução de economia política – se posso usar o termo, na sua acepção prática –, em que a concepção é o pano de fundo para os atores reais na formulação e implementação das políticas. Portanto, acredito que, se o seminário cumprir essa integração, irá refletir este momento de maturidade e transição no âmbito da CNPD.

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Lauco

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Presidente do IPEA

Bom dia a todos e a todas. Cumprimento meus colegas de mesa, em especial Eduardo Rios-Neto, Anna Peliano e a representante do Fundo de População das Nações Unidas.

Quero registrar minha gratidão à Professora Elza Berquó. Desde a conferência do Cairo em 1994 e o início de seus trabalhos junto a CNPD aprendi a admirar a lucidez da professora Elza Berquó. Eu a conheci no Cebrap, em São Paulo, há muitos anos. Extremamente dedicada e preocupada com as questões da saúde reprodutiva da mulher, a profa. Elza é um expoente na defesa dos direitos sexuais. Trabalhou de maneira intensa para desenvolver uma série de atividades de aperfeiçoamento democrático das relações entre Sociedade e Estado, que tem presença certa em textos e discursos de sociólogos e políticos, mas de difícil consecução na vida real. A profa. Elza percebeu e trabalhou para desenvolver sinergias entre movimentos de defesa de direitos e os gestores e formuladores de políticas públicas. Como mulher, pesquisadora e cidadã, dedicou grande parte de sua vida a trabalhar na encruzilhada das relações complexas que marcam a sociedade e o Estado no Brasil. Não tenho dúvidas de que seu trabalho contribuiu para dar mais nitidez à informação e melhorar a qualidade das políticas públicas. Por isso mesmo, tenho convicção de que estamos em débito com essa que foi uma das grandes responsáveis por colocar o Brasil na posição de vanguarda na discussão sobre os direitos sexuais e sobre a saúde reprodutiva.

Hoje, ao comemorar os 10 anos de existência da CNPD, considero mais do que oportuno expressar o meu respeito e render homenagem à professora Elza Berquó. Gostaria de deixar a ela o meu abraço, na certeza de que seu exemplo continuará inspirando as decisões estratégicas da CNPD. A geração atual recebeu a Comissão de

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boas mãos. Vocês que estão à frente da CNPD têm a capacidade, a competência e, o mais importante, a sensibilidade para conduzir essa entidade de modo a produzir os trabalhos com a relevância que nosso País necessita. Muito obrigado.

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LivEira

Coordenador de população e indicadores sociais do IBGE

Bom dia a todos e a todas. É enorme a satisfação de retornar ao plenário da Comissão Nacional de População e Desenvolvimento.

Como representante do IBGE, fui membro efetivo da Comissão desde o início, em 1996, até 2003. Devo dizer que testemunhei concretamente a importância da Comissão, o trabalho da Dra. Elza e suas atividades no sentido de ordenação dos estudos, pesquisas e, sobretudo, dos desdobramentos políticos, em que se relacionam as questões populacionais e sociais com as atividades políticas propriamente ditas. O IBGE, produtor oficial de informações e estatísticas, sobretudo no campo demográfico, tem grandes responsabilidades na divulgação de índices oficiais, estimativas e projeções. E, além dos censos demográficos, também produz um conjunto amplo de pesquisas, em geral domiciliares, de natureza sócio-econômica e demográfica. Nesse sentido, o IBGE entende, aceita e estimula os posicionamentos da CNPD. Entende que isso é necessário para a definição dos campos que relacionam as informações das políticas públicas, e está permanentemente aberto a incorporar as demandas e, sobretudo, as sugestões temáticas e requisitos que a Comissão venha a definir nas suas grandes linhas de trabalho, consultando a sociedade e os meios acadêmicos e científicos. Como representante do IBGE, é um imenso prazer estar, nesta ocasião, celebrando os 10 anos da Comissão e participando deste seminário, que trata de grandes linhas temáticas que têm profundas implicações sobre a sociedade: a questão da população, das minorias, das migrações internas, da saúde reprodutiva. Enfim, um elenco de grandes temáticas que, nestes 10 anos de funcionamento, a CNPD tratou, desenvolveu e produziu relatórios e informações. Agradeço a todos e estou à disposição, em nome do IBGE.

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Tesoureiro da Associação Brasileira de Estudos Populacionais – ABEP e professor do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE

É uma satisfação estar aqui representando a Associação Brasileira de Estudos Populacionais, ABEP, e dizer que ela tem uma relação de “carne e unha” com a CNPD. Já foi mencionado o papel que a Dra. Elza Berquó teve, como fundadora e ex-presidente da ABEP, na Conferência do Cairo e, conseqüentemente, na criação e na gestão da CNPD, em boa parte destes primeiros 10 anos da sua existência. Toda a atuação da ABEP de apoio junto à CNPD é a de transformar a antiga idéia de que a população seria objeto de políticas públicas na idéia de que a população é sujeito das políticas públicas. A ABEP lutou por isso ao longo de sua existência e a CNPD tem encaminhado plenamente esse pleito nestes 10 anos. Tanto pela sua trajetória profissional como demógrafo, quanto na sua trajetória na CNPD, Eduardo Rios-Neto está levando isso a cabo com muita dedicação e eficiência.

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Não posso deixar de falar do que a ABEP fez este ano, em uma rápida propaganda. Somente em 2005, a ABEP promoveu sete seminários nacionais em várias regiões do Brasil. Fizemos um em Salvador, um em Campinas, dois em São Paulo, um em Curitiba, um no Rio de Janeiro e um em Belo Horizonte. É preciso dizer que todos esses seminários tiveram o apoio fundamental do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), sem o qual não poderiam ter acontecido, além do apoio do CNPq, da Fapesp e de outras entidades. Além disso, a ABEP está apoiando seminários promovidos pelo IBGE, do qual também faço parte. São dois seminários internacionais neste ano, um sobre deficiências, já realizado, e, na próxima semana, ocorrerá o “Seminário Internacional sobre Crítica e Imputação de Dados”, cuja idéia é melhorar as estatísticas públicas.

A mensagem que trazemos para esta reunião é que a ABEP, em todas as suas atividades, quer reforçar a idéia da população como sujeito das políticas públicas e, principalmente neste momento, a questão do bônus demográfico. A população brasileira está passando por um momento em que a estrutura populacional favorece o desenvolvimento econômico e o combate à pobreza.

Para finalizar, gostaria de dar os parabéns ao Eduardo e desejar muito sucesso neste seminário e em toda a sua gestão. Que possamos, realmente, colocar em prática os objetivos programáticos da ABEP, que vieram desde o Cairo, para a boa qualidade das políticas públicas e do combate à pobreza no Brasil. Muito obrigado.

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Representante auxiliar do Fundo de População das Nações Unidas – UNFPA

Bom dia a todos e a todas. Quero agradecer ao Eduardo Rios-Neto o convite para participar desta Mesa. Quero também dizer que é uma satisfação muito grande estar neste seminário de comemoração dos 10 anos da CNPD.

A CNPD foi criada por um Decreto Presidencial, em 28 de agosto de 1995. Como o Eduardo Rios-Neto bem salientou, foi criada com o objetivo de contribuir para a formulação de políticas e também para a implementação de ações integradas, ações essas relativas à população em desenvolvimento no sentido mais amplo, já que inclui também saúde reprodutiva, conforme orientação do programa de ação do Cairo. Além do mais, tem como objetivo monitorar, avaliar e revisar a execução das políticas e das ações.

Se fizermos um balanço dos 10 anos de atuação da CNPD, chegaremos a um resultado bastante positivo. Podemos perceber que a CNPD tem trazido para a pauta de discussão um debate ampliado, envolvendo tanto governo quanto sociedade civil, de temas da mais alta relevância. Por exemplo, juventude, envelhecimento, migrações internacionais, saúde reprodutiva, violência, emprego, etc., foram alguns dos temas abordados pela CNPD, com grande contribuição para as políticas públicas.

Quando pensamos em CNPD, é praticamente inerente que duas associações sejam automaticamente feitas. A primeira é que a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, que foi a conferência do Cairo, em 1994, a qual, todos nós aqui sabemos, representou um marco em relação às conferências multilaterais que, até então, vinham sendo organizadas pela ONU. Isso porque passou-se de

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um enfoque mais voltado para a preocupação com as questões de crescimento populacional e suas implicações, para uma questão um pouco mais abrangente de promoção de uma vida melhor para as populações do planeta. É bom lembrarmos que, durante a Conferência, a delegação brasileira teve um papel muito importante, atuando com competência, seriedade e serenidade. Não só durante o Cairo, mas também no seguimento, no “Cairo + 5” e no “Cairo + 10”. Aos que estiveram na delegação brasileira, os meus parabéns, bastante atrasados, mas sempre válidos. A segunda associação que fazemos, também inerente, é com a Dra Elza Berquó. A associação com a Elza não é simplesmente pelo fato de ter sido ela a primeira presidenta da CNPD; também por isso, mas grande parte do trabalho da CNPD deve-se realmente à sua garra, dinamismo e disposição. Algumas pessoas que estiveram presentes ao Encontro da ABEP, no ano passado [2004], tiveram oportunidade de assistir a uma homenagem prestada à Elza, onde essas características foram bastante enfatizadas por várias pessoas. A presença da Elza à frente da CNPD teve um outro lado muito importante, que foi o de promover a aproximação e articulação da comunidade demográfica com o Movimento Feminista, o que teve uma importância muito grande.

Para finalizar, gostaria de, em nome do Fundo de População das Nações Unidas, dizer que a entidade se sente muito contente e está bastante honrada por, de certa forma, ter contribuído para a viabilização de todo o trabalho da CNPD, inicialmente com a Elza e agora com o Eduardo, com toda sua competência e dinamismo. Esperamos poder continuar com essa parceria que, para nós, é extremamente importante. O que espero mesmo é que, daqui a 10 anos, possamos estar aqui novamente comemorando mais uma década de trabalho, produção e contribuição da CNPD. Muito obrigada.

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Diretora da Diretoria de Estudos Sociais do IPEA

Bom dia a todos. Quero fechar esta mesa de abertura parabenizando a CNPD pelos 10 anos e também os parceiros, ABEP e UNFPA, que viabilizaram este seminário. Gostaria de dizer que nós, do IPEA, temos uma satisfação muito grande de também poder ser parceiros nessa história. Dez anos já é uma história, porém curta; por isso, esperamos que a CNPD tenha longos anos pela frente. Os pontos principais dessa história já foram aqui falados, como também o papel que a CNPD desempenhou ao longo desses anos.

Parabenizo pelo tema que escolheram para os 10 anos, que é pensar no futuro. Pensar as políticas públicas e que desafios potenciais a dinâmica populacional traz às políticas públicas é um excelente tema. Estamos olhando para trás e vamos olhar para frente. Temos grandes desafios nas políticas públicas e, sobretudo quando pensamos no segmento de jovens, idosos e mulheres, sabemos que temos um desafio dobrado. Como transformar ações fragmentadas nas diversas instâncias administrativas e nas diversas instituições – e tem de ser assim porque a questão demográfica tem de ser mesmo pensada nas diversas instituições? Como evitar que a política seja um somatório de ações fragmentadas e se transforme num instrumento articulado de intervenção, possível de ser avaliado e acompanhado

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no seu conjunto? Portanto, quando estamos pensando em gênero, raça e geração, estamos falando de segmentos que têm de ser pensados de forma cada vez mais inovadora e mais forte nas políticas públicas. Uma reunião com especialistas para refletir sobre esses desafios e pensar o programa de trabalho daqui para frente foi uma excelente iniciativa. Quero parabenizar todos e desejar um ótimo trabalho. Desejo muito sucesso. Obrigada.

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