A Auditoria e a Fraude
Nuno Moreira, CFE, FCPA
OROC - “Encontros na Ordem” - Ano 2010
25 de Novembro, Porto 02 de Dezembro, Lisboa
Nuno Moreira 2
Agenda
da sessão
Uma (breve) referência prévia ao
OBEGEF…
Nuno Moreira 3
Origem
do OBEGEF
• O Observatório de Economia e Gestão de Fraude (OBEGEF) nasce a 21 de
Novembro de 2008, como associação de direito privado sem fins lucrativos
• Adopta a Universidade do Porto, em geral, e a Faculdade de Economia do Porto, em particular, como instituição de acolhimento e sede
Tem como objecto (3 vertentes de actuação):
"promover a investigação interdisciplinar sobre a economia não registada e a
fraude em Portugal, nos contextos europeu e mundial, promover o ensino
sobre estas temáticas, criar redes e estabelecer outras relações com instituições congéneres e prestar serviços que se harmonizem com a investigação"
Ensino…
OBEGEF –
Ensino…
Vertente que esteve na génese do Observatório: este nasce do empenho
científico e pedagógico de um conjunto de investigadores e docentes que se
agregaram em torno da Pós-Graduação em Gestão de Fraude, actualmente
sob a égide da Escola de Gestão da Universidade do Porto (EGP-UPBS)
Este curso de Pós-graduação prepara os formandos para a certificação da
ACFE ( Certified Fraud Examiners)
“The curriculum for this course includes the subjects recommended by the Association of Certified Fraud Examiners and was developed with
their assistance.”
(John D. Gill, J.D., ACFE Research Director)
OBEGEF –
Ensino…
No âmbito desta vertente, o OBEGEF está receptivo, nomeadamente:
• Acções de curta e média duração, incluindo in-company training
• Parcerias com outras escolas para a institucionalização de cursos de mestrado ou doutoramento em “Gestão de Fraude”
• Orientação de mestrandos e doutorandos nas áreas de especialização do Observatório
Investigação…
OBEGEF –
Investigação
• Procura-se que a investigação congregue 2 perspectivas: a “académica
/científica” com a “prática”. A composição do OBEGEF, espelha bem este
objectivo. Apenas 47% dos sócios dedicam-se exclusivamente à
investigação e ensino; os restantes elementos são profissionais com significativa experiência na vertente empresarial (“práticos/operacionais”)
• É preocupação do OBEGEF a multidisciplinaridade da actuação na
abordagem de um objecto de estudo (a fraude) multidimensional
• Especialistas em Economia, Informática, Auditoria /Contabilidade, Gestão, Direito, Matemática, Segurança da Informação, Inteligência Artificial ...
Alguns projectos em curso:
• Lançamento de um índice periódico da Economia Não-Registada em Portugal
Sessão de apresentação pública dia 9/Dez/2010
Faculdade de Economia do Porto
• Criação de um índice periódico da Fraude em Portugal
• Sensibilidade da gestão das empresas à segurança informática • Tipificação e quantificação em alguns sectores económicos
• Modelos matemáticos indicativos da probabilidade de emergência da fraude • …
OBEGEF –
Investigação
Prestação de serviços…
OBEGEF –
Prestação de Serviços
• Praticamos a prestação de serviços nas áreas da “Gestão de Fraude” e
“Economia Não Registada”
• Promovendo aquelas que envolvam • Multidisciplinaridade
• Estreita interligação com a investigação • Parcerias com outras entidades de mérito
Fraude
De que Fraude estamos a falar?
Fraude
“
Ocupacional
”
Corrupção
Association of Certified Fraud Examiners (ACFE)
Clarificar, desde já...
Financial Statement Fraud
Fraude no Relato Financeiro
Vs.
Earnings Management
Contabilidade “Criativa”
Árvore da Fraude (parcial) ACFE Nuno Moreira 16
FRAUDE
“OCUPACIONAL”
Normalmente (?), FRAUDE CONTRA A EMPRESA Association of Certified Fraud Examiners (ACFE)
“Acto intencional praticado por um ou mais indivíduos, de entre a gerência, os encarregados da governação, empregados, ou terceiros, envolvendo o
uso de enganar para obter uma vantagem injusta ou ilegal”
International Auditing and Assurance Standards Board (IAASB - IFAC)
A Fraude “Ocupacional” tem subjacente, em primeiro lugar, uma vertente
económica do conceito de Fraude
Nuno Moreira 18
Para ser considerada simultaneamente “crime”, dependerá da envolvente legal (penal) do país onde ocorre.
Nuno Moreira 19
Comparativamente com os estudos anteriores, o estudo da ACFE
deste ano (2010), além dos EUA, abrange mais de 100 países, um
pouco por todo o mundo. Foram agrupados da seguinte forma:
ACFE
ACFE
ACFE
ACFE -
-
- Report to the
-
Report to the
Report to the
Report to the Nations
Nations
Nations
Nations
2010
2010
2010
2010
ACFE
ACFE
ACFE
ACFE -
-
- Report to the Nations
-
2010
2010
2010
2010
ACFE
ACFE
ACFE
ACFE -
-
- Report to the Nations
-
2010
2010
2010
2010
ACFE
ACFE
ACFE
ACFE -
-
- Report to the Nations
-
2010
2010
2010
2010
Nuno Moreira 25
ACFE
ACFE
ACFE
Nuno Moreira 26
ACFE
ACFE
ACFE
Nuno Moreira 27
ACFE
ACFE
ACFE
Nuno Moreira 28
ACFE
ACFE
ACFE
Nuno Moreira 29
ACFE
ACFE
ACFE
Nuno Moreira 30
ACFE
ACFE
ACFE
Nuno Moreira 31
ACFE
ACFE
ACFE
Nuno Moreira 32
ACFE
ACFE
ACFE
Nuno Moreira 35
Nuno Moreira 36
¹Rezaee, Z. (2002). Financial Statement Fraud: Prevention and Detection. John Wiley & Sons, Inc.
²Rezaee, Z. (2005). Causes, consequences, and deterrence of financial statement fraud. Critical Perspectives on Accounting,
16(3), 277-298
Para analisar este último estudo do COSO vamos utilizar a metodologia preconizada por Rezaee (2002 ¹ e 2005 ²), o qual partiu dos escândalos financeiros mais mediáticos da última década,
bem como, da análise do estudo anterior do COSO (Fraudulent Financial Reporting: 1987-1997 — An Analysis of U.S. Public Companies ).
“Cozinheiros” “Cozinheiros” “Cozinheiros” “Cozinheiros” “Receita” “Receita” “Receita” “Receita” “Incentivos” “Incentivos” “Incentivos” “Incentivos” “Monitorização/Governo Corporativo” “Monitorização/Governo Corporativo” “Monitorização/Governo Corporativo” “Monitorização/Governo Corporativo” “Resultado Final” “Resultado Final” “Resultado Final” “Resultado Final” Nuno Moreira 37
C
C
C
C
ooks ooks ooks ooksR
R
R
R
ecipesecipesecipesecipesIIII
ncentivesncentivesncentivesncentivesM
M
M
M
onitoringonitoringonitoringonitoringE
E
E
“Cozinheiros”
Nuno Moreira 38
Nuno Moreira 39
“Receita”
Nuno Moreira 40
1. Ir de encontro a expectativas (internas ou externas) no que respeita ao resultado /desempenho económico;
2. Encobrir uma condição financeira deteriorada; 3. Necessidade de aumentar o preço das acções;
4. Aumentar o valor das compensações financeiras atribuídas ao
management (com componente variável indexada aos resultados)
5. …
Alguns
“incentivos”…
Nuno Moreira 41
“Monitorização /Governo Corporativo”
Nuno Moreira 42
“Monitorização /Governo Corporativo”
Nuno Moreira 43
“Monitorização /Governo Corporativo”
Nuno Moreira 44
Nuno Moreira 45
“Resultado Final”
Nuno Moreira 46
“Resultado Final”
Perante as sucessivas Fraudes que todos temos vindo a assistir, é comum ouvir-se por parte dos investidores, utilizadores da informação financeira e da sociedade em geral a seguinte questão:
Nuno Moreira 47
A Auditoria
,
e a Sociedade
“Audit Expectation Gap”
a Fraude
Nuno Moreira 48
O papel dos Auditores na detecção de Fraudes é uma questão central no âmbito das diferenças de expectativas.
É frequente ser atribuído a Liggio, o pioneirismo na utilização em 1974 da expressão Expectation Gap associado à Auditoria.
Destacamos, mais tarde, Wolf et al. (1999)¹, a seguinte definição:
“Diferença entre o que o público e os utilizadores da informação financeira crêem que são as responsabilidades dos auditores e o que os auditores pensam ser as suas próprias responsabilidades”
Audit Expectation Gap
Nuno Moreira 49
¹ Wolf, Fran, James Tackett, and Gregory Claypool. 1999. Audit disaster futures: antidotes for the expectation gap? Managerial
Nuno Moreira 50
Fonte (adaptado): Porter, Brenda. 1993. An Empirical Study of The Audit Expectation - Perfomance Gap. Accounting and Business Research 24
(93):49-68.
Nuno Moreira 51 Porter (1993), nas conclusões do seu trabalho, revelou que 50% das diferenças
de expectativas são atribuídas a normas inadequadas, 34% ao facto da
sociedade ter expectativas que não são razoáveis em relação aos Auditores
“…eliminar o expectation gap é impossível e, segundo a opinião de alguns autores, é saudável que exista este diferencial, pois significa uma constante evolução da auditoria para se ajustar ao mercado e aos utilizadores da informação financeira…”
(Shaikh e Talha, 2003)
(Apenas) reduzi-lo poderá ser mais sensato. Como ?
Audit Expectation Gap
Nuno Moreira 52
•Mantendo a actual responsabilidade e âmbito da Função de Auditoria mas melhorando a comunicação com o exterior; ou,
?
?
?
?
Qual o papel assumido pela Auditoria ( Qual o papel assumido pela Auditoria (Qual o papel assumido pela Auditoria (
Qual o papel assumido pela Auditoria (InternaInternaInternaInterna e e e e
Externa ExternaExterna
Externa) em relação à ) em relação à ) em relação à ) em relação à Fraude Fraude Fraude Fraude ????
Uma Responsabilidade Uma Responsabilidade Uma Responsabilidade
Uma Responsabilidade Primária Primária Primária Primária ou ou ou ou Secundária Secundária Secundária Secundária ????
Nuno Moreira 53
Concretamente, a nível dos , qual é actualmente a responsabilidade assumida pela Auditoria (Interna e Externa) em relação
à Fraude ? Standards
Nuno Moreira 54
Auditoria (
Externa
) e Fraude -
Standards
Nuno Moreira 55
Normas
SAS 99 (AICPA)
ISA 240 (IFAC)
“The primary responsibility for the prevention and detection of fraud rests with
both those charged with governance of the entity and management”
“The auditor may respond to identified risks of material misstatement due to
fraud by, for example, assigning additional individuals with specialized skill
Nuno Moreira 56
Nuno Moreira 57
N 2120 – Gestão do Risco
A Actividade de Auditoria Interna tem que avaliar a eficácia e contribuir para a melhoria dos processos de gestão do risco.
N 2120.A2 - A actividade de Auditoria Interna tem que avaliar a possibilidade de ocorrência de fraude, bem como, avaliar a forma
como a organização gere o risco de fraude.
Os Auditores Internos, quando assistem a gestão na implementação ou melhoria dos processos de gestão de risco, devem abster-se de assumir qualquer responsabilidade na gestão dos respectivos riscos.
N 2120.C3
N 1210 – Proficiência
Os Auditores Internos terão de possuir os conhecimentos, técnicas e as competências necessárias para o desempenho da sua responsabilidade individual. A actividade de Auditoria Interna, colectivamente, deve possuir ou obter o conhecimento, as técnicas e outras competências necessárias ao desempenho das suas responsabilidades.
N 1210.A2 - Os auditores internos têm de possuir o conhecimento
adequado para avaliar o risco de fraude e a forma como ele é gerido
pela organização.
Nuno Moreira 58
Auditoria (
Interna
) e Fraude -
Standards
Porém, não se espera que disponham da perícia de alguém cuja responsabilidade primária é a detecção e a investigação da fraude.
N 1210.A1 – O Responsável pela Auditoria Interna (CAE) tem que obter o aconselhamento e assistência competentes, quando os Auditores Internos
carecerem dos conhecimentos, técnicas ou outras competências
necessárias para realizar parte ou a totalidade do seu trabalho.
PR 1210.A1-1: Obtenção de Serviços Externos para apoio ou
complemento da actividade de Auditoria Interna.
(…)
2. “…Os fornecedores de serviços externos incluem actuários,
contabilistas, avaliadores, peritos em cultura e idiomas, especialistas de ambiente, investigadores de fraude,…”
Nuno Moreira 59
Auditoria (Externa) e a Fraude Responsabilidade secundária Auditoria (Interna) e a Fraude Responsabilidade secundária
“Especialista” em Fraude
Nuno Moreira 60“Especialista” em Fraude
?
Forensic Accountant Fraud ExaminerForensic Accounting
Fraud Examination Litigation Support 61Forensic Accounting
Nuno Moreira 63
Auditoria Vs. Auditoria “Forense”
Nuno Moreira 64
Governada pela Materialidade e Amostragem
Evidência
Exame a 100% Prova
Contabilidade Forense (Litigation Support) Auditoria da Fraude (proactiva) (Fraud Examination) Auditoria Forense (reactiva) (Fraud Examination)
Em Portugal ? Potenciais Forensic Accountants…
•Administradores de Insolvência •Docentes Ensino Superior
•Economistas (OE) •ROC´s
•TOC´s
•Auditores Internos e Externos (?)
•Órgãos de Polícia Criminal
Nuno Moreira 65
?
Forensic Accountant
Certified Fraud Examiner CFE
Association of Certified Fraud Examiners (ACFE) – Maior e mais representativa associação profissional a nível mundial anti-fraude. Fundada em 1988.
Nuno Moreira 67
Certified Forensic Accountant Cr.FA
Forensic
Certified Public Accountant FCPA
American College of Certified Forensic Examiners (ACFEI) –
Fundada em 1992
Forensic CPA Society (FCPAS) –
AUDITORIA Auditoria Interna e Auditoria Externa Forensic Accounting
O Caso dos EUA, com os CFE, FCPA, CrFA….
Nuno Moreira 68
Auditoria Vs. Forensic Accounting
Auditoria Vs. Forensic Accounting
Independência ou complementaridade ?
AUDITORIA Auditoria Interna e Auditoria Externa Forensic AccountingO Caso do Canada (CICA), com os CA·IFA….
Nuno Moreira 71
Uma proposta de
“Fraud Risk Assessment” …
Uma correcta avaliação do risco de fraude faz parte do objectivo da óptica
proactiva da Forensic Accounting, devendo ser articulada e integrada na
Auditoria “Tradicional”
A
tentação
por ter um resto
de vida “
memorable
”…
“Todo o Homem é um criminoso que se ignora”
Albert Camus
“Todo o Homem tem o seu preço”
Ditado Popular
Nuno Moreira 74 Triângulo da Fraude Oportunidade Capacidade Pressão Justificação (Donald Cressey, 1953)
(David T. Wolfe and Dana R. Hermanson, 2004)
Nuno Moreira 75
Uma proposta de
“Fraud Risk Assessment” …
2ª ETAPA – Cepticismo profissional
3ª ETAPA – Team Brainstorming
4ª ETAPA – Obter sinais de alerta (Red Flags) acerca do risco de fraude e articulá-los com os tipos de fraude que poderão ocorrer
Nuno Moreira 76
Uma proposta de
“Fraud Risk Assessment” …
5ª ETAPA – Analisar os controlos internos e o processo de gestão de risco existentes na organização auditada, no que se refere à
Fraude
6ª ETAPA – Tentar integrar no Audit Plan, na sequência das etapas anteriores, em especial, do processo de “brainstorming”,
uma probabilidade de ocorrência de fraude
Desenvolver procedimentos específicos atendendo à avaliação efectuada do risco de fraude
Nuno Moreira 77
Uma proposta de
“Fraud Risk Assessment” …
7ª ETAPA – Reunir adequada “Evidência”, de suporte à sua opinião
Por último… Auditoria da Fraude (proactiva) Auditoria Forense (reactiva) “Evidência” “Prova”
“A Forensic Accounting era uma especialidade em crescendo antes
dos casos Enron, WorldCom e Sarbanes-Oxley. Agora, é um tema
realmente quente”. Wolosky (2004:23)²
““““Comparada com as profissões de Contabilidade e Auditoria, bem definidas e alicerçadas, a Forensic Accounting está ainda na sua infância.” (Golden, Shalake e Clayton, 2005:535)³
Nuno Moreira 78
²Wolosky, Howerd W. 2004. Forensic Accounting to the Forefront. Practical Accountant 37 (2):22-28.
““““Contudo, temos que estar conscientes que a Forensic Accounting, para se afirmar como nova área do conhecimento, sobretudo a nível europeu e à semelhança do que acontece nos EUA, ainda terá um significativo caminho a percorrer; desde a sua integração como disciplina nos próprios sistemas de ensino até ao seu reconhecimento oficial, regulamentação e certificação profissional.”
(Nuno Moreira, In Visão 26/03/2009)
Algumas questões para reflexão…
Pode ler-se no recente green paper…
Nuno Moreira 80
“É importante definir claramente que informações deverão ser prestadas às partes interessadas pelo auditor no quadro das suas opiniões e conclusões, o que implica não
só a revisão do modelo de relatório de auditoria como também a possibilidade de
comunicação de informações suplementares sobre a metodologia de auditoria, explicando até que ponto foi feita uma verificação substantiva do balanço da empresa auditada.”
“As responsabilidades de comunicação do auditor podem ser reexaminadas com vista a melhorar o processo de comunicação no seu todo e, assim, aumentar a percepção do
valor acrescentado de uma auditoria.”
Nuno Moreira 81
Algumas questões para reflexão…
“Uma auditoria sólida constitui um elemento-chave para restabelecer a confiança nos e dos mercados…”
“…partes interessadas poderão não ter conhecimento das limitações de uma auditoria (materialidade, técnicas de amostragem, papel do auditor na detecção de fraudes e
responsabilidades da gerência), dá-se um desfasamento entre as expectativas e a realidade.
“Quando declaram que as demonstrações financeiras dão uma imagem verdadeira e apropriada de acordo com o referencial de relato financeiro, os auditores dão uma
«razoável garantia de fiabilidade»…”
E também…
Nuno Moreira 82
Obrigado
E-mail: