Curso
de
APRESENTAÇÃO GERAL DO CURSO
Olá, concurseiro(a).
É com enorme prazer e satisfação que dou início a este curso regular de Direito Tributário na VP Concursos.
Fazendo uma breve apresentação, meu nome é Guilherme Cola e sou formado em Engenharia de Computação pela Universidade de São Paulo em 2010. Na busca de um emprego que me trouxesse uma maior realização profissional e financeira e a tão sonhada estabilidade, resolvi abrir mão de me arriscar no mercado de trabalho e desde que me formei (dez/2010) passei a estudar para concursos públicos com foco no concurso de Agente Fiscal de Rendas do Estado de São Paulo, para seguir os passos de meu pai, também AFR.
Em janeiro de 2012, saiu o edital de Auditor Fiscal da prefeitura de São Paulo (AFTM-SP) e resolvi encarar como uma oportunidade pra testar meus conhecimentos. Fui coroado com a aprovação em abril após 16 meses árduos de estudo. Continuei focado no meu objetivo, e mesmo com um excelente cargo, mantive a rotina de estudos para me aprimorar, e aprender as novas matérias exigidas para o concurso de AFR. Em abril de 2013 veio o resultado de um trabalho de longo prazo de mais de dois anos de estudo: a
22a colocação no concurso de AFR. Cargo este que ocupo desde setembro/2013 com
muito orgulho e satisfação.
A área fiscal por envolver geralmente mais de 15 disciplinas envolve um planejamento adequado e um estudo bem objetivo. Você precisa ser excelente em quatro, cinco matérias e bom nas demais. Então, são muitas horas de estudo mesmo, alinhado com uma série de outros fatores; como estratégia de estudo, disciplina, boa alimentação, pratica de exercícios físicos, e entretenimento. Portanto, não basta somente estudar muito, tem que saber dosar e estudar CORRETAMENTE. Entenda-se aqui com foco, muita dedicação, e com os melhores materiais.
O objetivo deste curso é auxilia-los na preparação para concursos da área fiscal ou outros concursos que exijam o conhecimento na disciplina de Direito Tributário utilizando uma
linguagem acessível, clara e objetiva, “mastigando” pra vocês todo o conteúdo cobrado
nos concursos. Vou utilizar toda minha experiência com o assunto pra fornecer atalhos, chamando sempre a atenção para os pontos mais cobrados em provas.
O curso será baseado nas seguintes frentes:
-Análise da parte teórica da Constituição Federal (CF/88) e do Código Tributário Nacional (CTN).
-Resolução de questões das principais bancas de concursos anteriores.
-Jurisprudência do STJ e do STF sobre assuntos divergentes em matéria de
Direito Tributário.
A ideia do curso não é que ao fim dele você esteja sabendo tudo de Direito Tributário, mas sim que você ACERTE O MÁXIMO DE QUESTÕES POSSÍVEIS NA PROVA. Então, serão feitas explicações concisas sobre a teoria, e resolvidos MUITOS exercícios, das principais bancas: ESAF, VUNESP, FCC, CESPE, entre outras.
Antes de iniciarmos, segue uma análise por ordem dos assuntos que mais caem em provas, que fiz com base no meu depósito de questões. (Isso não quer dizer que vocês não devam saber tudo hein, é só pra vocês terem uma ideia mesmo dos assuntos que merecem mais atenção, vamos lá):
1) Competência: 25% 2) Crédito Tributário: 25% 3) Obrigação Tributária: 20%
4) Tributos (sendo a esmagadora maioria sobre impostos): 15% 5) Legislação Tributária: 5%
6) Administração Tributária: 5% 7) Demais: 5%
Bom pessoal, pra aqueles que tão iniciando a jornada, saibam que a tarefa é árdua, não é fácil não. Envolve sacrifícios, determinação, garra, comprometimento e muita dedicação. E não tem segredo. Quem estuda PASSA! Mas eu digo pra vocês, vale MUITO A PENA! Mais do que a estabilidade e o excelente salário, o sabor de ser aprovado não tem preço, a vitória é sensacional! É uma sensação indescritível que espero que vocês sintam em breve ;)
CRONOGRAMA DAS AULAS
Aula 00: Conceito e Classificação de Tributo ... 04
Aula 01: Competência Tributária ... 50
Aula 02: Princípios Constitucionais tributários ... 106
Aula 03: Imunidades Tributárias ... 176
Aula 04: Espécies tributárias ... 235
Aula 05: Espécies tributárias – parte II ... 288
Aula 06: Legislação tributária ... 330
Aula 07: Legislação tributária – parte II... 392
Aula 08: Impostos de competência privativa dos entes da Federação ... 435
Aula 09: Obrigação tributária ... 483
Aula 10: Responsabilidade tributária ... 530
Aula 11: Crédito tributário ... 583
Aula 12: Hipóteses de suspensão, extinção e exclusão do crédito tributário... 628
Aula 13: Hipóteses de suspensão, extinção e exclusão do crédito tributário – II ... 678
Aula 14: Garantias e privilégios do crédito tributário ... 718
Aula 15: Administração tributária ... 752
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. É vedada a reprodução total ou parcial deste material, por qualquer
meio ou processo. A violação de direitos autorais é punível como crime, com pena de prisão e multa (art. 184 e parágrafos do Código Penal), conjuntamente com busca e apreensão e indenizações diversas (arts. 101 a 110 da Lei nº 9.610, de 19/02/98 – Lei dos Direitos Autorais).
AULA 00 – Conseito e Classificação de Tributos
1. Atividade Financeira do Estado.
A arrecadação do Estado surge da necessidade de atender as necessidades da coletividade. Para arrecadar, o Estado desenvolve a chamada Atividade Financeira do
Estado, que se baseia na obtenção, gestão, e aplicação de recursos.
Aqui, cabe uma observação: não podemos confundir a Atividade Financeira x Atividade
Econômica.
Atividade econômica é aquela em que o Estado atua como se particular fosse, se despindo das atividades típicas de Estado como saúde, educação, segurança. Como exemplo, temos a Caixa Econômica Federal (Empresa Pública) e a Petrobrás (Sociedade de Economia Mista) que são empresas que atuam no mercado fazendo concorrência ao setor privado. Cabe ressaltar, que a CF/88, no seu art. 173, estabelece que a exploração de atividade econômica pelo Estado, só deve ser feita em caráter excepcional:
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. (grifos nosso)
A partir dessa distinção, o Estado, desenvolvendo sua ATIVIDADE FINANCEIRA obtém
RECEITAS que podem ser classificadas em dois tipos: ORIGINÁRIAS E DERIVADAS. ORIGINÁRIAS: São as receitas obtidas do próprio patrimônio do Estado através da sua Atividade econômica. Aqui, incluem as receitas obtidas pelas Empresas Públicas e
Sociedades de Economia Mista, e receitas provenientes de alugueis de imóveis. O Estado atua como se fosse um particular e há um acordo de vontades entre as partes, existe aqui uma bilateralidade.
DERIVADAS: O Estado utiliza de suas prerrogativas de Direito Público, se colocando
numa posição de supremacia sobre o particular, obrigando o mesmo a recolher para os cofres públicos em determinadas situações ou atividades. É uma relação de
unilateralidade, uma IMPOSIÇÃO ESTATAL. Como exemplo aqui, temos as multas em
BIZU
Originárias: Originadas do próprio patrimônio Estatal, relação bilateral
Derivadas: Originadas do patrimônio do particular, relação unilateral (imposição estatal).
Portanto meus caríssimos, acabamos de descobrir que os TRIBUTOS, que serão o objeto de nosso estudo ao longo desse curso, são classificados como Receitas Públicas
Derivadas.
Bom, a forma do Estado cobrar esses tributos do particular é através da TRIBUTAÇÃO! E a tributação é uma imposição estatal sobre o particular, certo professor? ERRADO!
Não é meramente uma imposição estatal pessoal. A tributação se baseia em uma relação
jurídico-tributária, ou seja, é uma relação obrigacional com direitos e deveres entre dois
polos: SUJEITO ATIVO que é o Estado, e SUJEITO PASSIVO, que é o contribuinte ou responsável tributário como veremos, e existe um ramo do Direito que disciplina essa
relação, que no nosso caso é o Direito Tributário.
Segue uma jurisprudência do STF que corrobora com o que foi dito acima a respeito dos direitos e deveres do Estado para com o particular em uma relação jurídico-tributária. Ela enfatiza, que embora o Estado esteja em uma situação de superioridade na relação, não poderão ser ultrapassados limites da razoabilidade e proporcionalidade previstos na CF/88.
O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal acha-se essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitação material à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, acha-se vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificando-se como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamentais constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado a
ampará-lo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado. (ADI 2.551-MC-QO, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 2-4-2003, Plenário, DJ de 20-4-2006.)
1. (FCC/TCE/SE – Analista de Controle Externo – Coordenadorias técnicas/2011) Em Direito Financeiro, Tributo é receita:
A) originária instituída pelas entidades de direito público.
B) derivada instituída pelas entidades de direito público e privado, compreendendo os impostos, as taxas e contribuições nos termos da constituição e das leis vigentes em matéria financeira.
C) derivada, destinando-se seu produto ao custeio de atividades gerais ou específicas exercidas pelas entidades públicas e privadas.
D) derivada instituída pelas entidades de direito público, compreendendo os impostos, as taxas e contribuições nos termos da constituição e das leis vigentes em matéria financeira.
E) derivada ou originária instituída pelas entidades de direito público ou privado, destinando-se seu produto ao custeio de atividades gerais ou específicas exercidas por essas entidades.
Comentários
Como vimos, tributo é uma receita derivada instituída por um ente público que como veremos compreende os impostos, taxas e contribuições.
GABARITO: D
2. Definição de Tributo
Bom pessoal, vimos que o tributo surge de uma imposição estatal para o particular que pratique alguma atividade ou se encontre em alguma situação, o obrigando a entregar valores aos cofres públicos.
Vamos estudar agora, a definição de tributos que está presente no art. 3o do CTN:
Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. (Grifos nosso).
Pessoal, decorem esse artigo!! Tão pequeno, mas de extrema importância para a sua prova. Tenho certeza que direta ou indiretamente cairão questões envolvendo esse assunto, por isso vou destrinchá-los pra vocês em seis partes, pra que a gente possa explora-lo detalhadamente:
1) Prestação pecuniária; 2) Compulsória;
3) Em moeda, ou cujo valor nela se possa exprimir; 4) Não Constitua sanção de ato ilícito;
5) Instituído em lei;
6) Cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada Vamos lá então, preparados?
2.1 Prestação PECUNIÁRIA
Pecúnia, nada mais é do que dinheiro. Ou seja, o tributo será pago em dinheiro, moeda. Isso quer dizer que o sujeito passivo não pode chegar na repartição pública e pagar o tributo com prestação de serviços (pagamento in labore) ou então com mercadorias e bens (pagamento in natura), deverá ser pago com dinheiro!
Aqui cabe uma observação importante! Observem o Art. 156, inciso XI que possui a seguinte redação:
“Art. 156 Extinguem o crédito tributário: (...)
XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp n˚ 104, de 10.1.2001)” (grifo nosso)
Observem que o próprio CTN está autorizando a extinção do crédito tributário mediante a dação em bens imóveis, muita atenção hein! BENS IMÓVEIS!! Assim, devemos entender essa situação como compatível com uma forma de prestação pecuniária em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir. Cuidado, que as bancas irão tentar confundir vocês, falando em dação de bens móveis, mas veremos mais a frente que somente a DAÇÃO
2.2 Prestação COMPULSÓRIA
O Tributo é uma imposição estatal, em que o Estado, no uso de seu poder de império, impõe a OBRIGAÇÃO DE DAR ao sujeito passivo. Ou seja, não há liberdade para o sujeito passivo em querer ou não pagá-lo. Imagina, se o Estado desse a liberdade de você pagar ou não o IPVA do seu carro? Ninguém iria pagar né, rs.
2.3 Em MOEDA ou cujo VALOR nela se possa EXPRIMIR
Esta disposição nos remete que essa obrigação de dar deverá ser feita em moeda (REAL), ou algum indexador. Aqui, vou citar o exemplo do Estado de SP, onde trabalho, que possui a Unidade Fiscal do Estado de São Paulo (UFESP) como indexador muito utilizado no cálculo de multas, entre outros.
2.4 Não constitua sanção de ato ilícito
Pessoal, da definição de tributo do art. 3o do CTN, esta é sem dúvidas a que mais cai em
provas. A obrigação de pagar tributo não pode ser confundida em hipótese alguma como
um sanção por um ato ilícito praticado pelo sujeito passivo. Ou seja, TRIBUTO NÃO SE CONFUNDE COM MULTA! Tributo NÃO É PENALIDADE!
Portanto, um contribuinte que descumpre algum dispositivo previsto na legislação tributária, estará sujeito a obrigação de pagar uma multa. Só que essa multa NÃO TEM CARÁTER TRIBUTÁRIO, mas sim punitivo.
2.5 Instituído em lei
Galera, pra essa regra não há exceção! Todo tributo deve ser criado ou extinto por
lei! SEMPRE! Segue previsão do art. 97, do CTN: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:
I - a instituição de tributos, ou a sua extinção (...)”
Quando falamos em lei aqui, estamos falando no sentido amplo. Mais especificamente, são quatro normas da legislação tributária previstas no art. 59 da CF/88 que podem
instituir tributo:
1) Lei complementar 2) Lei Ordinária 3) Lei Delegada 4) Medida provisória
Não confunda a criação do tributo com a majoração ou redução do mesmo, que admitem exceções.
Observação! A medida provisória tem força de lei segundo art. 62, da CF/88:
“Art.62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional“
2.6 Cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada
Essa parte da definição tem por objetivo tirar qualquer tipo de discricionariedade por parte da autoridade lançadora. Ou seja, o Auditor Fiscal, no desempenho de sua função, não tem a possibilidade de avaliar a conveniência e oportunidade daquela situação pra optar ou não pela cobrança do tributo do sujeito passivo. Está previsto na lei? Ocorreu o fato
gerador? Então ele deve cobrar e ponto final! Veja o art. 142, do CTN
Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.(Grifos nosso)
Portanto, vejam que além de a autoridade administrativa não ter discricionariedade para decidir cobrar ou não o tributo, ela poderá responder funcionalmente quando devido e assim não o fizer.
Aqui, finalizamos a definição de tributo e a partir dela será desenvolvido todo o nosso
estudo de Direito Tributário. Destrinchamos o art. 3o do CTN, explicando detalhadamente
o significado de cada especificidade e agora veremos algumas questões para consolidar o assunto
2. (VUNESP/TJ-MT/Juiz/2009) Escapa ao conceito de tributo a ideia de:
a) prestação pecuniária. b) compulsoriedade. c) penalidade.
d) atividade administrativa vinculada. e) instituição por lei.
Comentários
(Questão fácil! E olha, pra concurso de Juiz hein, rs!?) Como vimos, tributo não é sanção por ato ilícito (penalidade), portanto
Gabarito: C
3. (FCC/ISS-SP/AFTM-SP/2012) Um contribuinte deixou de emitir o documento fiscal referente a uma prestação de serviço tributada pelo ISS, tributo de competência municipal, e, como consequência, foi-lhe aplicada penalidade pecuniária pelo descumprimento dessa obrigação acessória:
Essa penalidade pecuniária
(A) é imposto, pois está prevista na legislação do ISS.
(C) é tributo, porque é cobrado por meio de atividade vinculada, conforme estabelece o Código Tributário Nacional.
(D) não é tributo, pois sanção pelo cometimento de ato ilícito não pode ser definida como tributo.
(E) é taxa, pois tem a finalidade de ressarcir o erário pelo dano causado pelo descumprimento de uma obrigação acessória.
Comentários:
Esta questão cobra a própria definição de tributo presente do art. 3o do CTN
“Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela
se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada
mediante atividade administrativa plenamente vinculada.” (Grifos nosso)
Portanto, tributo não se confunde com multa (penalidade pecuniária), logo,
GABARITO: D
4. (VUNESP/Prefeitura Municipal de São José dos Campos/Auditor Tributário Municipal/2012) No Sistema Tributário Nacional, é característica essencial dos tributos:
(A) a compulsoriedade.
(B) a destinação vinculada a determinadas despesas. (C) a aplicação para punir prática de atos ilícitos. (D) serem destituídos de caráter coativo.
(E) a cobrança instituída por lei e cobrada mediante atividade administrativa desvinculada.
Comentários
Mais uma questãozinha cobrando os conhecimentos do art. 3o do CTN!
a) Correta.
b) Errada! Isso é característica de somente alguns tributos e não de todos. c) Errada! Tributo não é sanção pelo cometimento de ato ilícito.
d) Errada. O Estado no uso de seu poder de Império, impõe ao contribuinte a cobrança do tributo.
e) Errada! Instituída por lei e cobrada mediante atividade administrativa VINCULADA.
GABARITO: A
5. (ESAF/ISS/FISCAL-RJ/2010) O conceito de tributo, nos termos do Código Tributário Nacional, traz as seguintes conclusões, exceto:
(A) o poder de tributar é prerrogativa do Poder Público, que o faz para custear suas ações no interesse da sociedade.
(B) não constituindo sanção por ato ilícito, pouco importa para a legislação do imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços, por exemplo, a origem lícita ou ilícita de determinadas mercadorias, desde que reste configurada a hipótese de incidência do referido tributo, qual seja, a circulação dessas mercadorias, para que possa ele ser exigido.
(C) nem toda prestação pecuniária prevista em lei constitui tributo, mas somente aquelas que reúnam o conjunto dos requisitos previstos na definição de tributo, consoante o
Código Tributário Nacional.
(D) o Estado exige os tributos compulsoriamente das pessoas, portanto, a obrigação de pagar tributos não decorre da vontade do contribuinte, sendo esta, aliás, irrelevante nessa matéria.
(E) embora sendo uma obrigação de direito público, absolutamente indisponível por parte da administração, admite-se, desde que haja a respectiva previsão legal, a delegação dessa obrigação a outras pessoas jurídicas, como empresas publicas e sociedades de economia mista.
Comentários:
A questão quer saber qual a alternativa INCORRETA a respeito da definição de tributos
do art. 3o do CTN. Essas questões são excelentes pra aprender um pouco mais sobre o
assunto com as alternativas corretas.
A) Correta. Surge da necessidade de o Estado arrecadar recursos para custear as necessidades da coletividade.
B) Correta. Assunto das próximas aulas, mas já adiantando existe um princípio no Sistema Tributário Nacional que é o Princípio do NON-OLET, ao pé da letra, seria que o dinheiro não tem cheiro. Assim, não importa a ilicitude da origem das mercadorias, o que importa é a ocorrência do fato gerador, nascendo à obrigação de pagar o tributo.
C) Correta! As multas por exemplo também são uma prestação pecuniária definida em
lei. Pra ser tributo, tem que cumprir todos os requisitos da definição do art. 3o do CTN.
D) Correta. A vontade do sujeito passivo em pagar ou não é irrelevante nessa matéria.
E) Errada! Essa é a nossa resposta! Já aproveito a oportunidade pra reproduzir o art. 7o
do CTN, que será assunto da próxima aula
Art. 7º A competência tributária é indelegável, salvo atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos termos do § 3º do artigo 18 da Constituição.
Portanto, vedada a delegação da competência tributária à Pessoa Jurídica de Direito Privado.
GABARITO: E
6. (FEPESE/SEFAZ-SC - Analista Financeiro/2010) Tributo é:
1. instituído em lei e cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada. 2. sanção de ato ilícito.
3. toda prestação pecuniária compulsória em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir. Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
a) É correta apenas a afirmativa 1.
b) São corretas apenas as afirmativas 1 e 2. c) São corretas apenas as afirmativas 1 e 3. d) São corretas apenas as afirmativas 2 e 3. e) São corretas as afirmativas 1, 2 e 3.
Comentários
Item 1 – Correto.
Item 2 – Errado! Tributo não é sanção de ato ilícito. Item 3 – Correto.
7. (ESAF/MPOG/ATPS/2012) Quanto ao conceito de tributo pode-se afirmar, exceto:
a) a cobrança do tributo é atividade plenamente vinculada, não deixando margem à discricionariedade do agente público.
b) tributo é prestação pecuniária em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir. c) o tributo é prestação que não pode se constituir em sanção de ato ilícito.
d) o tributo só́ pode ser criado por lei, mas existem exceções como os impostos de importação e o imposto sobre produtos industrializados, que podem ser criados por decreto.
e) o dever de pagar o tributo é imposto pela lei, independentemente da vontade das partes envolvidas.
Comentários:
A) Correta. O agente público não tem discricionariedade pra avaliar a conveniência e oportunidade em cobrar ou não um tributo. Existe uma previsão legal, e o agente público é vinculado ao que está na lei.
B) Correta. Da própria definição de tributo. C) Correta! Idem ao de cima.
D) Errada. Essa é a nossa alternativa! O tributo deve ser instituído por lei! Para esta regra,
NÃO HÁ EXCEÇÕES. O que veremos nas próximas aulas, é a possibilidade de majorar a
alíquota de alguns determinados tributos por decreto.
E) Correta. Decorre da característica da COMPULSORIEDADE do tributo
GABARITO: D
8. (FCC/PGM-Teresina/Procurador/2010) A partir do conceito legal de tributo, é possível afirmar que a multa NÃO é espécie de tributo porque o tributo
a) pode ser objeto de compensação, anistia e remissão, ao contrario da multa, que só́ pode ser objeto de anistia.
b) tem que ser instituído mediante lei, ao passo que a multa não se reveste desta obrigatoriedade.
c) é cobrado mediante atividade administrativa vinculada, enquanto a multa pode ser aplicada de forma discricionária pelo poder público.
e) é prestação pecuniária compulsória, ao passo que a aplicação da multa não é compulsória, dependendo de condenação administrativa.
Comentários:
Mais uma questão que pode ser resolvida bastando conhecer a definição de tributo
constante no art. 3o do CTN
“Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo
valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.” (Grifos nosso)
Portanto, tributo não se confunde com multa (penalidade pecuniária), logo,
GABARITO: D
3. Fato Gerador x Hipótese de incidência
Antes de adentrarmos nas espécies tributárias, precisamos entender melhor o que é esse
fato gerador citado acima, veja a definição trazida pelo art. 114 do CTN;
“Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.”
Essa definição do CTN é um tanto quanto imprecisa. O CTN, por vezes, confunde dois institutos jurídicos distintos: Hipótese de Incidência x Fato Gerador.
1) Hipótese de incidência – É a abstração legal de um fato. É aquela situação
descrita na lei que caso ocorra no mundo fático, se concretiza como fato gerador. Na
Doutrina pode ser chamada também de fato gerador in abstrato. Nas palavras de
Sabbag (2011, p. 672), temos: “hipótese de incidência é a situação descrita em lei,
recortada pelo legislador entre inúmeros fatos do mundo fenomênico, a qual, uma vez concretizada no fato gerador, enseja o surgimento da obrigação principal (...)”.
2) Fato Gerador – É a concretização no mundo dos fatos daquela situação hipotética
prevista na norma, é a materialização daquela previsão, cuja ocorrência faz nascer uma OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA (assunto que será visto em uma próxima aula)
Vamos a um exemplo pra ilustrar isso que foi dito acima:
Imagine que João Merendeiro, é dono de um restaurante na cidade de São Paulo. Chega lá o seu José, cliente fiel do restaurante, se serve, come, paga a conta e vai embora satisfeito. Uma situação comum do dia a dia em qualquer lugar, né? Mas o que vocês não sabem (ou não sabiam até agora) é que ali surgiu um fato gerador do ICMS (Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação).
Nesse caso apresentado, teríamos o seguinte:
Hipótese de incidência – É a previsão legal hipotética descrita no art. 1º da lei nº
6374/89 que instituiu o ICMS no Estado de SP:
Art. 1º - O Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incide sobre: (Redação dada ao artigo pela Lei 10.619/00, de 19-07-2000; DOE 20-07-2000)
I- operação relativa à circulação de mercadorias, inclusive o fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias em qualquer estabelecimento;
E em que momento ocorre este fato gerador? Está previsto no art. 2º desta lei:
Art. 2º - Ocorre o fato gerador do imposto: (Redação dada ao artigo pela Lei 10.619/00, de 19-07-2000; DOE 20-07-2000)
II - no fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento, incluídos os serviços que lhe sejam inerentes;”(grifo nosso)
Fato Gerador – Nada mais é que o seu José fazendo exatamente aquilo que está
previsto na hipótese de incidência descrita acima.
9. (VUNESP/CODESP-SP/Especialista portuário II – ADVOGADO) A descrição hipotética e abstrata de um fato, para o direito tributário, é conceito de:
A) fato gerador. B) hipótese de incidência. C) obrigação tributária. D) tributo. E) capacidade tributária. Comentários
Vimos que a abstração legal do fato, ou fato gerador in abstrato é a hipótese de incidência do tributo.
GABARITO: B
10. (CESPE/2006) Julgue a assertiva.
Hipótese de incidência tributária não se confunde com fato gerador da obrigação tributária. A primeira corresponde à previsão legal e abstrata da situação que implica a incidência da norma tributária, já o segundo é a concretização da hipótese de incidência no mundo dos fatos e dá origem à obrigação tributária.
Comentários
Ótima distinção entre hipótese de incidência e fato gerador feita pela banca CESPE.
GABARITO: CORRETO
Tranquilo né galera? Anotem as definições, levante da cadeira, tome uma água e vamos dar sequência na aula.
4. Natureza jurídica dos tributos
A Natureza Jurídica dos tributos pode ser verificada pelo art. 4º do CTN, que possui a seguinte redação:
Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la:
I - a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II - a destinação legal do produto da sua arrecadação.(grifos nosso)
Pessoal, vejam aqui a importância de ter entendido bem o significado de fato gerador!
Para o CTN o fato gerador é suficiente para determinar a natureza jurídica do tributo,
sendo irrelevantes, portanto, a denominação legal e a destinação legal do produto da arrecadação do tributo.
Vamos a um exemplo:
A cidade de Ibaté/SP institui a TPTU “Taxa Predial e Territorial Urbana”, um tributo cuja característica INDEPENDE DE QUALQUER CONTRAPRESTAÇÃO POR PARTE DO ESTADO, que como veremos mais a frente, é uma característica TÍPICA de IMPOSTOS. Esse tributo criado, independente de ser denominada uma taxa, teria natureza jurídica de um IMPOSTO!
Vocês perceberam que eu destaquei a expressão: “Para o CTN”? Isso, porque, o CTN foi criado em 25/10/1966, muito antes do advento da CF/88 que inseriu uma série de mudanças no nosso ordenamento jurídico.
Com relação as espécies tributárias, o CTN adota a teoria tripartite, consubstanciada no art. 5o, que considera a existência de apenas três tributos:
“Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria.”
Entretanto, porém, todavia, a doutrina majoritária e o STF entendem que art. 5º do CTN
(Teoria Tripartida) está superado pela CF/88. O entendimento jurisprudencial pacificado é que a finalidade e a destinação, também são RELEVANTES para a definição da
natureza jurídica do tributo, conforme podemos depreender da ADIN 2925-8/DF:
[..]. Quanto a essas contribuições, a sua característica está justamente na sua finalidade, ou na destinação do produto de sua arrecadação. É dizer, o elemento essencial para a identificação dessas espécies tributárias é a destinação do produto de sua arrecadação”. (Voto Min. Carlos Velloso na ADIN 2925-8/DF)
E nesse sentido, nos ensina Luciano Amaro (Direito Tributário brasileiro, 10ª ed. p.62): “Em verdade, se a destinação do tributo compõe a própria norma jurídica constitucional definidora da competência tributária, ela se torna um dado jurídico, que, por isso, tem relevância na definição do regime jurídico específico da exação, prestando-se, portanto, a distingui-la das outras.
Um exemplo clássico pra ilustrar esse novo entendimento é a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) que possui como fato gerador o lucro auferido pelas pessoas
jurídicas, que é exatamente o mesmo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas
(IRPJ). Então você me pergunta, mas o que diferencia a natureza jurídica do IRPJ e da CSLL já que o fato gerador tão somente não é mais suficiente? É exatamente a
destinação legal do produto da arrecadação. Uma das principais características das
contribuições sociais é a previsão legal do destino a ser dado pelos valores arrecadados com elas.
Nesse sentido, a teoria aceita atualmente pela doutrina majoritária e o STF é a TEORIA
PENTAPARTITE, conforme consignado pelo Rel. Moreira Alves no RE 146.733:
(...) De fato, a par das três modalidades de tributos (os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria), a que se refere o art. 145, para declarar que são competentes para instituí-los a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, os arts. 148 e 149 aludem a duas outras modalidades tributárias, para cuja instituição só a União é competente: o empréstimo compulsório e as contribuições sociais, inclusive as de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas. (grifos nosso)
Portanto, vejamos que o art. 5o do CTN, além do citado art. 145 da CF/88 veicula apenas
os TRIBUTOS DE COMPETÊNCIA COMUM a todos os entes: Impostos, taxas e
contribuição de melhoria. Só que esse rol de espécies tributárias é COMPLEMENTADO
pelos arts. 148 e 149 da CF/88 que aludem a duas outras modalidades tributárias de competência EXCLUSIVA DA UNIÃO: Empréstimos compulsórios e as contribuições
especiais.
Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos:
I - impostos;
II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição; III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas. (...)
Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios:
I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência;
II - no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III, "b".
Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição.
Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.
Em suma, temos as CINCO espécies tributárias:
Tributos de competência comum: IMPOSTOS, TAXAS E CONTRIBUIÇÕES DE
MELHORIA.
Tributos de competência exclusiva da União: EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOS E
CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS.
ATENÇÃO!
Pessoal, cuidado com as questões literais em provas. Bancas como a VUNESP, FCC, entre outras, reproduzem literalmente um inciso, ou mesmo um artigo na resposta e considera ela correta, mesmo quando a doutrina e o STF já tenham entendimentos diferentes. Muita atenção também, quando a questão falar: “De acordo com o CTN...”, “Segundo o CTN...”, nesses casos, muito provavelmente será cobrada a literalidade da norma.
Segundo Leandro Pulsen, pela teoria Pentapartite, temos as seguintes espécies e subespécies de tributos que serão estudadas detalhadamente ao longo das aulas:
“a) impostos
a.1. ordinários (art. 145, I, 153, 155 e 156) a.2. residuais (art. 154, I)
a.3. extraordinários de guerra (art.154, II) b) taxas
b.1. de poder de polícia (art. 145, II, primeira parte)
c) contribuições de melhoria (art. 145, III) d) contribuições especiais
d.1. sociais
d.1.1. gerais (art. 149, primeira parte) d.1.2. de seguridade social
d.1.2.1. ordinárias (art. 149, primeira parte c/c art. 195, I, II, III) d.1.2.2. residuais (art. 149, primeira parte c/c art. 195, §4 º)
d.1.2.3. de previdência do funcionalismo público estadual, distrital e municipal (art. 149, § 1º/EC 41/03)
d.2. de intervenção no domínio econômico (art. 149, segundo parte)
d.3. do interesse das categorias profissionais ou econômicas (art. 149, terceira parte)
d.4 de iluminação pública municipal e distrital (art. 149-A/EC 4 nº 39/02) e) empréstimos compulsórios
e.1. extraordinários de calamidade ou guerra (art. 148, I) e.2. de investimento (art. 148, II)”
11. (ESAF/GESTOR FAZENDÁRIO-MG/2005) Assinale a opção correta. A natureza jurídica do tributo é determinada:
a) pela denominação legal.
b) pelo critério quantitativo da norma que o criou. c) pela finalidade de sua arrecadação.
d) pelo fato gerador.
e) pela previsão ou não de obrigações acessórias.
Comentários:
ATENÇÃO! Pessoal, observem que apesar do entendimento pacificado de que a natureza jurídica do tributo não é determinada tão somente pelo fato gerador, esta questão cobrou
Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la:
I - a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II - a destinação legal do produto da sua arrecadação.
Portanto, fiquem atentos porque muitas vezes as bancas vão cobrar a literalidade da norma, pouco importando se aquele conceito já está ultrapassado ou não. Não adianta brigar com a banca! A gente tem que jogar com as regras do jogo, rs.
GABARITO: D
12. (FCC/Procurador do Estado – SE/2005) A natureza jurídica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo:
a) relevantes para qualificá-la apenas a denominação e demais características formais adotadas pela lei.
b) relevante para qualificá-la apenas a destinação legal do produto da arrecadação. c) relevantes para qualificá-la apenas a denominação e demais características formais
adotadas pela lei e a destinação legal do produto da arrecadação.
d) relevante para qualificá-la apenas a correta destinação do valor arrecadado. e) irrelevantes para qualificá-la a denominação e demais características formais adotadas pela lei e a destinação legal do produto da arrecadação.
Comentários:
Mais uma questão que cobrou o conhecimento literal do Art. 4o do CTN.
GABARITO: E
13. (FCC/TCE-PB/Auditor de Contas Públicas/2006) À luz da Constituição Federal vigente, a destinação do produto da arrecadação do tributo é:
A) irrelevante, em qualquer hipótese.
B) Relevante, em se tratando de taxa de segurança pública. C) Relevante, em se tratando de empréstimo compulsório. D) Relevante, em se tratando de imposto.
E) Irrelevante, em se tratando de contribuição de melhoria.
Comentários
ATENÇÃO!! Pessoal, coloquei essa questão estrategicamente aqui pra consolidar esse
assunto sobre a relevância da destinação do produto da arrecadação. A questão anterior, que é de um ano antes, cobrada pela própria FCC, se limitou a cobrar a literalidade do dispositivo conforme o art. 4º do CTN.
POR SUA VEZ, essa questão já cobra o entendimento atual sobre o tema, à luz da própria CF/88, exigindo um conhecimento mais apurado sobre o assunto. Portanto, muita atenção nas provas pra ver de que forma que o assunto está sendo explorado pela banca, ok?
GABARITO: C
14. (FCC/ICMS-SP/AFR/2013) Possuem competência para instituir o Imposto Sobre Doações e Transmissão causa mortis, Imposto Territorial Rural, Impostos sobre Importações e Impostos sobre Serviços de Qualquer Natureza, respectivamente,
(A) Estados; Municípios; União; Estados e Distrito Federal. (B) Municípios; Estados e Distrito Federal; União; Municípios. (C) Estados e Distrito Federal; União; União; Distrito Federal. (D) Estados; União; Estados e Distrito Federal; Municípios. (E) Estados; Municípios; União; Municípios e Distrito Federal.
Comentários: ITCMD – Estados e DF ITR – União II – União ISS – Municípios e DF Logo, GABARITO: C
5. Classificação dos Tributos
Existem uma série de classificações possíveis para tributos na doutrina, mas vamos destacar pra vocês aquelas mais importantes para fins de concursos públicos. Os TRIBUTOS podem ser classificados quanto aos seguintes critérios:
1) Quanto ao número de espécies tributárias existentes: teoria pentapartite e tripartite; 2) Quanto à discriminação por ente político competente: Comum, privativo, e
residuais;
3) Quanto à natureza da hipótese de incidência do tributo: vinculado ou não
vinculado;
4) Quanto ao destino a ser dado ao produto da sua arrecadação: tributos de
arrecadação vinculada e tributos de arrecadação não vinculada;
5) Quanto à finalidade ou à função a ser dada ao tributo: tributos fiscais, extrafiscais
ou parafiscais;
6) Quanto à forma de percepção: tributo direto e indireto;
7) Quanto aos aspectos objetivos e subjetivos da hipótese de incidência: tributos
reais e tributos pessoais;
8) Quanto à base econômica de incidência: tributos sobre o comércio exterior, sobre o
patrimônio e a renda, sobre a produção e a circulação e extraordinários.
9) Quanto à forma de quantificação relativamente à alíquota aplicada: tributos
proporcionais, progressivos, regressivos ou fixos. Vamos detalhar cada um deles?
5.1 Quanto ao número de espécies tributárias existentes
Pessoal, existem outras teorias sobre esse aspecto da classificação tributária, mas as duas que caem em provas foi aquelas que explicamos mais acima: Teoria Tripartite, e
Teoria Pentapartite.
Teoria Tripartite: TRÊS espécies tributárias, são elas: IMPOSTOS, TAXAS E
CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA
Teoria Pentapartite: Teoria aceita atualmente pela CF/88 e o STF que considera a
existência de CINCO espécies tributárias, são elas: IMPOSTOS, TAXAS,
CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA, CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS e EMPRÉSTIMOS
COMPULSÓRIOS!
Aqui, as espécies são classificadas de acordo com os entes políticos que podem instituí-las.
Competência Comum – Tributos que podem ser instituídos por qualquer um dos entes
no âmbito de suas respectivas atribuições: Taxas e Contribuição de Melhoria.
Muito importante este trecho destacado! Isso implica que o ente pode apenas instituir o tributo quando ele tiver a atribuição administrativa para prestar o serviço público ou
executar a obra pública. Caso contrário, poderia ocorrer a bitributação (quando dois
entes tributam o mesmo fato gerador)
Competência Privativa – Conferida de forma exclusiva a um ente pela Constituição:
Impostos, empréstimos compulsórios e contribuições especiais. União
CF, art. 153 - Impostos sobre importação (II); exportação (IE); renda e proventos de
qualquer natureza (IR); produtos industrializados (IPI); operações de crédito; câmbio e seguro, ou relativos a títulos ou valores mobiliários (IOF); propriedade territorial rural
(ITR); grandes fortunas (IGF).
CF, art. 154, II - Impostos extraordinários por motivo de guerra. CF, art. 148 – Empréstimos compulsórios.
CF, art. 149 – Contribuições especiais, podendo, no entanto, os Estados e Municípios também cobrar contribuições de seus servidores, para o custeio, em
benefício deles próprios, de sistemas de previdência e de assistência social segundo o parágrafo primeiro deste mesmo artigo.
Estados e DF
CF, art. 155 - impostos sobre transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou
direitos (ITCMD); operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), e propriedade de veículo automotor (IPVA).
Municípios e DF
CF, art. 156 - Impostos sobre propriedade predial e territorial urbana (IPTU); transmissão “Inter vivos”, a qualquer título, por ato oneroso, de
bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos à sua aquisição (ITBI), e ainda sobre serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar (ISS).
Cabe ressaltar que no caso de um ente instituir um tributo que seja de competência de outra pessoa jurídica, a lei será inconstitucional por invasão de competência privativa.
Atenção! Cai muito em prova! Esta invasão de competência retrocitada não se confunde
com a previsão do art. 18 do CTN que autoriza a União a instituir impostos atribuídos
aos Estados nos territórios federais, e quando estes não forem divididos em
Municípios, os impostos municipais cumulativamente. O inciso II deste mesmo artigo traz a previsão de que os Estados não divididos em Municípios e o Distrito Federal
podem instituir cumulativamente, os impostos estaduais e municipais.
Art. 18. Compete:
I - à União, instituir, nos Territórios Federais, os impostos atribuídos aos Estados e, se aqueles não forem divididos em Municípios, cumulativamente, os atribuídos a estes;
II - ao Distrito Federal e aos Estados não divididos em Municípios, instituir, cumulativamente, os impostos atribuídos aos Estados e aos Municípios.(grifos nosso)
Competência Residual: Competência exclusiva da União para instituir outras
hipóteses de tributos não previstas na Constituição. São alguns impostos e contribuições sociais.
O inciso I do art. 154 combinado com o §4º, do art. 195, autoriza a União, mediante lei
complementar instituir outros impostos (art. 154, I) e contribuições (art. 194, §1º) que
não os previstos no art. 153. O mesmo art. 154, no entanto, preceitua que uma série de pressupostos devem ser cumpridos para tal instituição:
a) Devem ser não-cumulativos, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores.
b) Não podem ter fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados na
CF/88 – Vedação a bitributação.
c) Devem ser criados por lei complementar – a justificativa dessa imposição é o caráter
excepcional desse tributo residual.
Art. 154. A União poderá instituir:
I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;
5.3 Quanto à natureza da hipótese de incidência do tributo
Neste aspecto, é verificada a vinculação da hipótese de incidência do tributo, a uma contraprestação por parte do Estado que beneficie diretamente o contribuinte:
Vinculados (retributivos): São aqueles cuja hipótese de incidência é vinculada a uma contraprestação estatal por meio de uma atividade específica. Ou seja, o tributo é
pago por uma determinada atividade. O exemplo típico de tributo vinculado são as
TAXAS, em que o usuário é beneficiado diretamente pela prestação de um serviço.
Incluem-se nesta categoria também as contribuições de melhoria, empréstimos
compulsórios e as contribuições parafiscais.
Não-vinculados (não retributivos): A hipótese de incidência, ou fato gerador in abstrato,
independe de qualquer atividade específica nesse caso. O Estado, necessitando de recursos, cobra tais tributos para promover o bem comum, trazendo benefícios INDIRETOS ao contribuinte. O exemplo clássico nesse caso são os IMPOSTOS!
5.4 Quanto ao destino a ser dado ao produto da sua arrecadação
Muito cuidado com esse aspecto pessoal! Muita gente confunde esse com o anterior, e as bancas (maldosas) com certeza exploram isso.
Na classificação anterior, verificamos o fato de a hipótese de incidência do tributo ser vinculada ou não a uma contraprestação estatal que beneficiasse diretamente o contribuinte.
AQUI, estamos falando do PRODUTO DA ARRECADAÇÃO DO TRIBUTO ser vinculado
ou não a uma DESPESA ou AÇÃO estatal.
Tributos de arrecadação vinculada: Como exemplo de tributo cujo produto da
arrecadação seja vinculado a uma despesa ou ação estatal, temos os EMPRÉSTIMOS
COMPULSÓRIOS! O próprio texto constitucional no parágrafo único do art. 148, já define qual será a destinação do produto da arrecadação:
Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios:
(...)
Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição. (Grifos nosso)
Tributos de arrecadação não vinculada: Aqui, o produto da arrecadação do tributo não tem destinação legal previamente definida. Caberá ao ente, escolher em que
situações, despesas ou ações irá aplicar os recursos obtidos com a arrecadação do tributo. O principal exemplo dessa modalidade, EM REGRA, são os impostos.
Art. 167. São vedados: (...)
IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, § 2º, 212 e 37, XXII, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, § 8º, bem como o disposto no § 4º deste artigo; (...)
§ 4.º É permitida a vinculação de receitas próprias geradas pelos impostos a que se referem os arts. 155 e 156, e dos recursos de que tratam os arts. 157, 158 e 159, I, a e b, e
II, para a prestação de garantia ou contragarantia à União e para pagamento de débitos para com esta.(grifos nosso)
Além de o produto da arrecadação dos impostos não possuir, EM REGRA, vinculação a alguma despesa específica, verificamos que pelo inciso IV do art. 167 essa vinculação É
VEDADA!! A principal finalidade dessa vedação constitucional é aumentar a flexibilidade na alocação das receitas de impostos.
Eu disse “em regra”, porque a próprio texto da Constituição traz algumas ressalvas (DECOREM ELAS!!!):
1) repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159;
2) destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde; 3) destinação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino;
4) destinação de recursos para realização de atividades da administração tributária; 5) prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita;
6) prestação de garantia a União
7) Pagamentos de débitos para a União
Segue um entendimento do STF corroborativo sobre o tema
Lei Estadual 12.986/1996. Violação do art. 167, IV, da CF. Não ocorrência. Preceito de lei estadual que destina 5% [cinco por cento] dos emolumentos cobrados pelas serventias extrajudiciais e não
oficializadas ao Fundo Estadual de Reaparelhamento e Modernização do Poder Judiciário – FUNDESP não ofende o disposto no art. 167, IV, da CF. Precedentes. A norma constitucional veda a vinculação
da receita dos impostos, não existindo, na Constituição, preceito análogo pertinente às taxas. (RE 570.513-AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 16-12-2008, Segunda Turma, DJEde 27-2-2009.)
Observem, portanto, que a vedação constitucional se aplica somente aos impostos! Nada impede então de vincular a receita das TAXAS a uma determinada despesa!
Mais um julgamento do STF a respeito do tema:
Ação direta de inconstitucionalidade. Lei 13.133/2001, do Estado do Paraná, que instituiu o Programa de Incentivo à Cultura, vinculando parte da receita do ICMS ao Fundo Estadual de Cultura. Violação ao art. 167, IV, da CF. Precedentes. Ação direta julgada procedente." (ADI 2.529, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 14-6-2007, Plenário, DJ de 6-9-2007).
5.5 Quanto à finalidade ou à função a ser dada ao tributo
Aqui, os tributos podem ser classificados em: fiscais, extrafiscais ou parafiscais.
Fiscais: São os tributos que tem como objetivo principal a pura e simples
ARRECADAÇÃO! Arrecadação esta, que conforme foi ensinado no início da aula, surge da necessidade do Estado obter recursos para satisfazer os anseios da coletividade. Exemplos: ICMS, ISS, IPVA, IR, IPTU.
Extrafiscais: Aqui, o objetivo não é só arrecadar! O objetivo precípuo deste tipo de tributo é a intervenção no domínio econômico e social. É quando o Estado utiliza o
tributo para regular a economia, incentivando ou desestimulando determinados setores. É o que acontece com o estabelecimento de altas alíquotas para a importação quando existam similares nacionais, por exemplo, cujo objetivo é estimular a produção nacional. Ocorre também, quando o estado estimula certas atividades, como a isenção do IPI da linha branca, de veículos novos.
Parafiscais: O objetivo destes tributos é arrecadar recursos para o custeio de atividade
paraestatal, ou seja, aquela exercida por entidade privada, mas com conotação social ou de interesse público. É quando o ente político delega a capacidade de arrecadar, fiscalizar e administrar os tributos a um ente com gestão própria. Exemplos: SESC, SESI, SENAI, SENAC.
5.6 Quanto à forma de percepção:
Quanto a forma de percepção, os tributos podem ser classificados em Direto ou Indireto. Antes de apresentar estas duas classificações precisamos saber a diferença entre
contribuinte de direito x contribuinte de fato:
Contribuinte de direito - É o sujeito passivo da relação tributária obrigado ao pagamento
do tributo que possua relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. É o contribuinte eleito pela norma jurídica, conforme art. 121 do CTN:
Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.
Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; (grifos nosso)
Contribuinte de fato – É aquele que embora não tenha praticado o fato gerador da
obrigação tributária, assume o encargo financeiro, incidindo sobre si o fenômeno da
REPERCUSSÃO.
Exemplo: João compra um par de sapatos na loja de Paulo pagando R$100,00 por eles. Incide sobre esse valor ICMS de 18% calculado por dentro, ou seja, este valor está embutido no preço do produto. Assim temos:
Sapato = R$ 83,00 ICMS = R$ 17,00 TOTAL = R$ 100,00
Quem é o contribuinte de direito? É aquele que praticou o fato gerador, no caso a venda de mercadorias, portanto Paulo! E o contribuinte de fato? O contribuinte de fato é aquele que suportou o encargo financeiro, que no caso é João! Assim, o ônus do ICMS foi repassado ao consumidor que de fato pagou esses R$ 17,00 do seu bolso.
Dito isto, ficará mais fácil de entender a classificação dos tributos em diretos e indiretos.
Diretos: Quando o ônus financeiro da carga tributária recai diretamente sobre o
contribuinte, ficando este impossibilitado de repassar esse ônus a terceiros. Como exemplo, temos o IPVA, IPTU, IR E ITBI. Neste caso o contribuinte de fato, ou seja, aquele que arca com o ônus tributário, é o mesmo que o contribuinte de direito.
Indiretos: São tributos passíveis de repasse do ônus financeiro para terceiros. É o caso
5.7 Quanto aos aspectos objetivos e subjetivos da hipótese de incidência
Quanto a este aspecto, os tributos podem ser classificados em reais e pessoais.
Reais: São os tributos que incidem sobre a COISA, o BEM, OPERAÇÃO ou
PRESTAÇÃO tributada desconsiderando as condições pessoais do contribuinte. São lançados tão somente em função da matéria tributável. Por exemplo, se você possuir um imóvel na Avenida Paulista em São Paulo, na hora da cobrança do IPTU, pouco vai importar se você é pobre ou milionário, o valor será o mesmo! Exemplos: IPVA, IPTU, ITBI, ITCMD, ICMS.
Pessoais: São os tributos que levam em consideração características pessoais do sujeito
passivo. Exemplo clássico aqui é o IR, pois na composição da sua base de cálculo leva-se em consideração gastos com saúde, previdência, educação, número de dependentes etc.
5.8 Quanto à base econômica de incidência
Vamos ver agora a classificação jurídica dos tributos adotada pelo CTN. São divididos em três tipos:
Impostos sobre o comércio exterior – incidem sobre as operações de importação e
exportação: II e IE
Impostos sobre o patrimônio e a renda: ITR, IPTU, ITCMD, IR, IGF, ITBI e IPVA. Impostos sobre a produção e a circulação de bens ou valores bem como a
produção de bens e serviços: IPI, IOF, ICMS e ISS.
Impostos extraordinários: IEG
Classificação retirada do CTN e adaptada a atual nomenclatura dos impostos.
5.9 Quanto à forma de quantificação relativamente à alíquota aplicada
Por fim, chegamos a ultima classificação dos tributos! Aqui, verificamos a influência da variação da base de cálculo, no valor da alíquota a ser aplicada. Os tributos podem ser: progressivos, regressivos ou proporcionais
Fixos (ou Específicos): São aqueles tributos cujo valor a ser pago pelo contribuinte está previamente definido em lei, independente do valor do bem, mercadoria ou serviço
Proporcionais (ou ad valorem): Aqui, não é o valor que é fixo, mas sim a alíquota!
Também chamado de ad valorem, ou seja, é um percentual fixo sobre a base de
cálculo. Assim o valor a ser pago, aumenta proporcionalmente a medida que aumenta a
base de calculo tributável. ATENÇÃO! O que aumenta aqui é o valor a ser pago, NÃO A ALÍQUOTA!!
Progressivos: São aqueles tributos que a alíquota aumenta conforme os valores sobre
os quais incide são maiores. Exemplo: IR, cuja alíquota varia entre 15 e 27,5%.
Regressivos: Por fim, os tributos regressivos são aqueles cuja alíquota diminui à
proporção que aumenta a base de cálculo.
15. (ESAF/APO/EPPGG/União/2010) A extrafiscalidade é característica que possuem alguns tributos de permitirem, além da pura e simples forma de ingresso de receitas nos cofres públicos, também de intervirem na economia, incentivando ou não determinada atividade ou conduta do contribuinte. Assinale, entre os tributos listados abaixo, aquele que não possui caráter extrafiscal.
a) Imposto sobre produtos industrializados. b) Imposto sobre importação.
c) Contribuição de intervenção no domínio econômico sobre combustíveis. d) Imposto sobre produtos industrializados.
e) Taxa de iluminação pública.
Comentários
Questão que traz um conceito bastante educativo sobre a extrafiscalidade no seu enunciado. Dos tributos listados, o único que não possui caráter extrafiscal é a taxa de iluminação pública (que veremos mais a frente ser inconstitucional).
GABARITO: E
16. (ESAF/MPOG/ATPS/2012) Assinale a opção correta.
a) A contribuição de melhoria e as taxas são tributos vinculados, já que dependem de uma atuação específica do Estado.
b) As taxas decorrentes do poder de polícia são tributos vinculados; já as taxas decorrentes de serviços são tributos não vinculados a uma atividade estatal.
d) Todos os impostos são não vinculados, com exceção do imposto sobre a renda da pessoa física, que é utilizado para reduzir as desigualdades regionais.
e) As taxas de serviços são tributos vinculados; já as taxas decorrentes do poder de polícia são tributos não vinculados a uma atividade estatal específica.
Comentários
A) Correta! Essa é a nossa resposta! Como vimos, as taxas são vinculada a uma
contraprestação de uma atividade específica por parte do Estado e a contribuição de
melhoria é um tributo cujo fato gerador é a valorização imobiliária decorrente de uma
determinada obra pública.
B) Errada. Ambas hipóteses são vinculadas a uma atividade específica estatal.
C) Errada. O imposto é um tributo que por definição independe de uma atividade específica por parte do Estado.
D) Errada. Não existe essa exceção prevista para o Imposto de Renda. E) Errada. As taxas são sempre vinculadas.
Gabarito: letra A
17. (FCC/Auditor de Contas/TCE-PB/2006) A competência residual tributária é exercida
(A) pela União e Estados, que podem instituir impostos e taxas, que não sejam cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados na Constituição Federal.
(B) pelos Municípios, que podem criar tributos de seu peculiar interesse, observando os princípios constitucionais da anterioridade e da irretroatividade.
(C) pelos Estados, que podem instituir contribuições que não tenham fato gerador e base de cálculo próprios dos discriminados na Constituição Federal.
(D) pela União, que, através de lei complementar, pode instituir impostos que não sejam cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados na Constituição Federal.
(E) pelos Estados e Distrito Federal, que podem instituir impostos e contribuições sociais, que não sejam cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados na Constituição Federal.
Comentários
Como vimos, a competência residual para instituir novos impostos e contribuições é exclusiva da União e para ser exercida deve cumprir os seguintes requisitos:
1) Instituída por lei complementar
2) Não tenha fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados na Constituição 3) Devem ser não cumulativos
Gabarito: letra D.
18. (FCC/PGM - João Pessoa/Procurador/2012) Um tributo que tenha por características ser não vinculado a uma atividade estatal, admita, por expressa e excepcional previsão constitucional, destinação específica do produto da arrecadação e não admita previsão de restituição ao final de determinado período classifica-se como
(A) taxa.
(B) contribuição de intervenção no domínio econômico. (C) imposto.
(D) empréstimo compulsório. (E) contribuição social.
Comentários:
Falou em tributo não vinculado a uma atividade estatal já pensamos nos IMPOSTOS! Além disso, cita também o outro aspecto de não vinculação do imposto quanto à
destinação do produto da sua arrecadação, que comporta EXCEÇÕES
EXPRESSAMENTE PREVISTAS PELA CONSTITUIÇÃO:
1) repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159 - ;
2) destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde; 3) destinação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino;
4) destinação de recursos para realização de atividades da administração tributária; 5) prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita;