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O processo eletrônico como meio de acesso à justiça

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Academic year: 2021

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PRISCILA TAIS FRAGA

O PROCESSO ELETRÔNICO COMO MEIO DE ACESSO À JUSTIÇA

Três Passos 2013

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PRISCILA TAIS FRAGA

O PROCESSO ELETRÔNICO COMO MEIO DE ACESSO À JUSTIÇA

Monografia final do Curso de Graduação em Direito objetivando a aprovação no componente curricular Monografia.

UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

DECJS – Departamento de Ciências Jurídicas e Sociais

Orientadora: MSc. Lisiane Beatriz Wicker centralizado

Três Passos (RS) 2013

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Dedico este trabalho aos meus pais Roberto e Ieda, que não mediram esforços para que eu chegasse onde eles mesmos nunca estiveram.

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AGRADECIMENTOS

A Deus, acima de tudo, pela vida, força e coragem, por ser meu guia, meu amparo e proteção.

À minha família que, com muito esforço, me proporcionou essa conquista e me ajudou a chegar até aqui. Obrigada! Amo vocês!

À minha irmã e sobrinha, meus tesouros, minhas amadas, as quais, com amor, nunca medirei esforços para vê-las felizes.

À minha orientadora, exemplo para mim, pela sua dedicação e disponibilidade, disposta sempre a compartilhar seus conhecimentos.

Às minhas amigas Ana Paula, Cássia, Joice, Jéssica e Priscila, que souberam entender meus momentos de ausência.

A todos que de alguma forma contribuíram com seu desenvolvimento, seja pelo incentivo, apoio ou confiança em mim depositados durante toda a minha jornada, obrigada!

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“O processo tal como o conhecemos está acabando, vindo a seu lugar meio inédito, apto a novas realidades, que formará e criará parâmetros de um futuro em muito diferente do que se imaginava em nosso passado ou que se tem em mente em nosso presente.”

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RESUMO

O presente trabalho de pesquisa monográfica objetiva analisar as vantagens e desvantagens que dizem respeito às inovações trazidas pela Lei nº 11.419/2006 e pela informatização do judiciário. Busca também fazer uma abordagem ampla e detalhada no funcionamento do processo eletrônico, analisando se o uso da tecnologia no processo tem realmente servido como meio de facilitar o direito fundamental de acesso à justiça, com segurança e efetividade, bem como a veracidade das provas produzidas e a vulnerabilidade desse novo sistema revolucionário, avaliando se o e-processo tem alcançado as metas e objetivos idealizados com sua criação. Nessa perspectiva, tece algumas considerações desse fenômeno em nosso país, igualmente, analisando quais são os principais princípios norteadores do e-processo, como se dá o acesso à justiça no Brasil, se as metas e objetivos do processo eletrônico estão sendo alcançadas e se o uso da tecnologia no processo é realmente eficaz e traz melhorias na qualidade de atendimento às partes.

Palavras-Chave: Processo Eletrônico. Informatização do Judiciário. Tecnologia. Princípios. E-processo. Acesso à Justiça.

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ABSTRACT

The present research monograph intends to analyze the advantages and disadvantages that concern the innovations brought by information technology. It also aims make a comprehensive and detailed approach to the functioning of the electronic process, analyzing the use of technology in the process has actually served as a way to facilitate the fundamental right of access to justice, safely and effectively, as well as the veracity of the evidence produced and the vulnerability of this revolutionary new system, evaluating if the e-process has achieved the goals and objectives idealized with its creation. In this perspective, traces some considerations of this phenomenon in our country equally analyzing what are the main principles guiding the e-process, how is access to justice in Brazil, if the goals and objectives of the electronic process are being achieved and whether the use of technology in the process is really effective and brings improvements in quality of care to the parties.

Keywords: Electronic Process. Informatization of the judiciary. Technology. Principles. E-process. Access to Justice.

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SUMÁRIO

1 PROCESSO ELETRÔNICO ... 11

1.1 Histórico do processo eletrônico no Brasil ... 12

1.2 Da informatização do poder judiciário ... 19

1.3 Princípios norteadores do e-processo ... 25

2 O ACESSO A JUSTIÇA E O PROCESSO ... 33

2.1 O acesso à justiça no Brasil ... 33

2.2 Metas e objetivos do processo eletrônico ... 41

2.3 A segurança através do uso da tecnologia como meio de acesso à justiça ... 46

3 REVOLUÇÃO PROCEDIMENTAL DO E-PROCESSO ... 53

3.1 Das provas no processo eletrônico ... 53

3.2 Da força probante dos documentos eletrônicos ... 60

3.3 A realidade e as perspectivas da lei nº 11.419/2006 ... 65

CONCLUSÃO ... 72

REFERÊNCIAS ... 75

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INTRODUÇÃO

O homem nasce, cresce, reproduz e morre. Entretanto, durante sua vida ele age diretamente na sociedade, construindo e modificando sua história e, por diversas vezes, interferindo na histórias de outros indivíduos, de um grupo ou até mesmo de uma nação. Toda a sociedade está em constante mudança, evoluindo e modificando-se o tempo todo.

Consequentemente, diante da busca de um bem comum, vários órgãos, sejam públicos ou privados, buscam novos métodos para um melhor atendimento e melhores condições de trabalho, visando praticidade, celeridade e bom desempenho. O sistema judiciário brasileiro não ficou para trás.

Exemplo disso é transição que ocorre entre processo em papel para processo eletrônico, na qual busca-se conquistar a tão sonhada duração razoável do processo, que é uma garantia constitucional, assim como o acesso à justiça. O tema ganhou destaque quando no dia 20 de março de 2007 passou a vigorar a Lei nº 11.419, de 19 de dezembro de 2006, a qual dispõe sobre a informatização judicial.

O processo eletrônico trata-se de um sistema computadorizado que os Tribunais e demais órgãos públicos usam para suas atividades processuais, visando acelerar o andamento judiciário, tornando mais célere a prestação jurisdicional. Nele, todas as peças processuais (petições, certidões, despachos, etc.) são virtuais, digitalizadas em arquivos apropriados para a visualização por meio eletrônico.

Propõem-se à utilização do processo eletrônico como um instrumento capaz de reduzir o tempo que se gasta com o andamento processual, acima de tudo porque visa à substituição do processo físico pelo digital, a partir do uso de computadores, internet e scanners.

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Diante desse novo método, surgem muitas dúvidas e questionamentos sobre sua capacidade, efetividade, segurança e forma de utilização. Muitos ainda não o conhecem, muitos ainda não sabem usá-lo. Mesmo com a lei em vigor, ainda se discute pontos essenciais, entre eles a vulnerabilidade e a segurança, diante da possível perda de informações judiciais devido à invasão do sistema de dados por pessoas estranhas ao processo.

Neste contexto, o objetivo geral do trabalho é fazer uma abordagem ampla e detalhada do funcionamento do processo eletrônico, analisando se o uso da tecnologia no processo tem realmente servido como meio de facilitar o direito fundamental de acesso à justiça, com segurança e efetividade. Analisar-se-á a veracidade das provas produzidas e a vulnerabilidade desse novo sistema revolucionário, avaliando se o e-processo tem alcançado as metas e objetivos idealizados com sua criação.

No primeiro capítulo será abordado acerca do processo eletrônico, sua origem no Brasil, como ele tem sido implantado em nosso sistema judiciário e os principais programas. Será apresentado genericamente sobre a informatização no poder judiciário brasileiro, as principais mudanças e a consequência destas. Também será feita breve abordagem sobre os principais princípios norteados do e-processo.

O segundo capítulo trata do acesso à justiça e o processo, como tem ocorrido o acesso à justiça no Brasil, as metas e objetivos que são propostos pelo procedimento eletrônico e a segurança através do uso da tecnologia como meio de acesso à justiça.

Em seguida, no último capítulo intitulado revolução procedimental do e-processo, será abordado acerca das provas e da força probante dos documentos eletrônicos, ressaltando-se, por fim, as perspectivas e a realidade da lei nº 11.419/2006.

O presente trabalho desenvolveu-se através do método dedutivo, baseando-se na técnica de pesquisa bibliográfica, seja através de artigos publicados na internet, doutrinas ou na legislação vigente acerca do tema proposto. Ainda, utilizou-se de pesquisas exploratórias, com levantamento de números e dados, a fim de possibilitar uma análise mais concreta do tema.

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1 PROCESSO ELETRÔNICO

A Lei 11.419/2006 entrou em vigor com o objetivo de regular o novo sistema judiciário: o processo eletrônico. Apesar de ter passado alguns anos desde sua promulgação ainda há muitas dúvidas e problemas a serem sanados.

A implementação do e-processo traz com ela a efetivação dos direitos e uma maior celeridade e economia processual, tornando-se uma forma de possibilitar a concretização do acesso à justiça de maneira efetiva. Tudo porque é um procedimento revolucionário por meio do qual o processo é totalmente digital, todas as peças são digitalizadas em arquivos e visualizadas por meio eletrônico. Sem papel.

O processo eletrônico permite que o advogado visualize, movimente e peticione seus processos em qualquer momento, de onde estiver, desde que sejam eles ajuizados por esse meio. Através de uma "identidade eletrônica", usada para atestar a autoria dos andamentos realizados, o signatário pode peticionar em horário diferenciado, acompanhar a movimentação e recebimento da petição e ter a segurança de que os dados foram transmitidos sem falhas ou incorreções, diante da validação das peças e documentos.

Com o novo sistema implantado pelo Conselho Nacional de Justiça, a publicidade processual atingirá a grande maioria da população, desde que tenha acesso à internet. Além de tudo, a comunicação dos atos processuais ocorrerá em tempo real, agilizando o sistema judiciário e a prática forense de nosso país, trazendo mais comodidade e facilidade de acesso às informações.

Evidente que ainda há muitas melhorias a serem feitas no processo eletrônico e em todo o sistema judiciário, mas já caminhamos na direção certa. O mundo cada dia torna-se mais digital e tecnológico e é necessário que a sociedade, de modo geral, acompanhe esses avanços. E, como não poderia ser diferente, essa revolução chega aos operadores do direito, os quais buscam aprimorar o sistema processual brasileiro, sem deixar de lado a segurança e autenticidade dos dados processuais.

No presente capítulo serão abordadas questões referentes ao histórico do processo eletrônico no Brasil, sua implementação, suas fases e o modo pelo qual tem se tornado um

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fenômeno em relação ao uso de sistemas computadorizados pelos Tribunais e demais órgãos públicos em suas atividades processuais.

Dando continuidade à temática, serão analisados os princípios norteadores dessa nova sistemática processual implantada pelo Conselho Nacional de Justiça e instituída pela Lei nº 11.419/2006. Deveras necessário diante das inovações judiciais analisar o processo eletrônico sob a perspectiva constitucional e principiológica, especialmente, referente aos princípios da celeridade processual e da publicidade, os quais se projetaram em notável evidência após a entrada em vigor da Lei supracitada.

Por fim, mas não menos importante, será abordado à informatização do poder judiciário, levando em consideração as melhorias trazidas por ela, analisadas sob a ótica da celeridade processual e da efetivação da justiça, destacando-se as principais iniciativas dos Tribunais em busca da regulamentação e implantação do e-processo.

1.1 Histórico do processo eletrônico no Brasil

Pode se dizer que o processo eletrônico, no Brasil, passou por três fases importantes e decisivas para chegar à fase atual. Primeiramente houveram várias iniciativas de implementar sistemas e aplicativos no judiciário e o uso de novas linguagens de comunicação. Em 1999, foi criada a Lei nº 9.800/99, a qual permitiu às partes a utilização de sistema de transmissão de dados para a prática de atos processuais que dependessem de petição escrita: o fax.

Nas palavras de Samuelson Wagner de Araújo e Silva, 2010:

Em 1999 – na esteira do movimento reformista, a fim de garantir um maior acesso à justiça, em sintonia com a terceira onde de Cappelletti -, foi introduzida a Lei do Fax (Lei 9.800/99), que muito pouco contribuiu para um verdadeiro processo eletrônico, uma vez que apenas permitia às partes a utilização de sistema de transmissão de dados (fac-símile ou outro similar) para a prática de atos processuais que dependessem de petição escrita (art. 1º), excluindo-se, portanto, os demais. Além disso, serviu apenas para adiar o protocolo presencial do original, já que este deveria ser apresentando ao juízo em até cinco dias do término do prazo (art. 2º).

Já em 2001 surgiram três iniciativas destacáveis em relação aos procedimentos eletrônicos brasileiros. Através da Lei nº 10.259/01 foram criados os Juizados Especiais

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Federais, que por sua vez trouxeram o e-Proc, que nada mais é que um processo eletrônico sem papel, onde todos os atos são realizados virtualmente.

Surgiram também duas novas normas para regular a validade dos documentos eletrônicos: a Medida Provisória nº 2.200/01 e a Lei nº 10.358/01. A primeira instituiu a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileiras - ICP – Brasil, ou seja, legalizou a assinatura digital no nosso país. A segunda norma tentou modificar o Código de Processo Civil quando propôs a prática de quaisquer atos processuais por meio eletrônico, porém não obteve sucesso devido à insegurança jurídica que poderia trazer ao processo, sendo vetada (SOARES, Tainy de Araújo, 2012).

Somente após se constatar que os Tribunais não iriam desenvolver sistemas de codificação eletrônica diferentes do padrão adotado na MP nº 2.200, foi incluído o art. 154 no Código de Processo Civil, através da Lei nº 11.280/06. O artigo leciona sobre a pratica de atos processuais eletrônicos em instâncias variadas, observando às regras da Infraestrutura de Chaves Públicas (ICP). Em razão da observância dessas regras o sistema criptográfico com base em certificados digitais é confiável, íntegro e autêntico em suas informações, visto o controle de acesso, a autenticação de usuários e o registro de informações.

A segunda fase, de grande evidência, iniciou em 2006, através da Lei 11.419/06 e da criação do sistema PROJUDI - software de tramitação, armazenamento e manipulação de processos em meio digital - pelo Conselho Nacional de Justiça. Em outras palavras, é um termo usado para nomear um aplicativo Java para internet que se utiliza da tecnologia eletrônica para inscrição e acompanhamento de processos judiciais.

Conforme se extrai do site do Conselho Nacional de Justiça (2013):

Atualmente, 19 dos 27 estados brasileiros aderiram ao Projudi. Seu nome decorre das iniciais de Processo Judicial Digital. O processo judicial digital, também chamado de processo virtual ou de processo eletrônico, tem como premissa, gerenciar e controlar os trâmites de processos judiciais nos Tribunais de forma eletrônica, reduzindo tempo e custos. O principal intuito é a completa informatização da justiça, retirando burocracia dos atos processuais, o acesso imediato aos processos, bem como a melhoria no desempenho das funções próprias de cada usuário, o mesmo acessa somente o módulo que ofereça as funções que ele necessita para desenvolver suas atividades.

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Desta forma foi garantida a informatização de todo o andamento processual, incluindo todas suas fases e atos processuais, o que trouxe mais celeridade e economia. Além da lei 11.419/06, nesse mesmo ano entraram em vigor as leis 11.341 e 11.382, uma modificando o parágrafo único do artigo 541 do Código de Processo Civil e admitindo as decisões disponíveis na internet entre as suscetíveis de prova de divergência jurisprudencial e, a outra, alterando dispositivos do CPC e incorporando os artigos 655-A e 689-A, respectivamente a penhora on-line e o leilão on-line.

Em 2009 foi criada a lei 11.900 que regulou a possibilidade da realização de interrogatório e outros atos processuais através de sistema de videoconferência, alterando dispositivos do Código de Processo Penal. Todas essas melhorias e modificações foram sendo feitas visando o melhor andamento processual e foram apresentadas como uma solução ao atual sistema processual brasileiro.

Hodiernamente o Brasil encontra-se em uma fase de crescimento e ampliação desse novo sistema processual, buscando um horizonte mais promissor. O CNJ apresenta seu mais novo projeto: o Processo Judicial Eletrônico (PJe), lançado pelo ministro Cezar Peluso, em 21 de junho de 2011, e, que nada mais é que um sistema de informática criado em parceria com diversos tribunais, visando a automação do Poder Judiciário.

Assim como o Projudi, que por sinal não foi implementado no Rio Grande do Sul ainda, o PJe tem o objetivo de ampliar a atuação e o acompanhamento dos atos processuais dos magistrados, servidores e advogados, independente do local onde o processo tramita. Além do mais, através de todos esses sistemas, busca-se encontrar um meio gratuito, rápido e único para que todos os tribunais, com segurança, efetividade e economia, consigam resolver os conflitos apresentados diariamente ao judiciário.

Nas palavras de José Carlos de Araújo Almeida Filho (2009, p. 16):

Como forma de desafogar o Judiciário e até mesmo eliminar os entraves burocráticos havidos nos cartórios, a população mais carente teria maior acessibilidade a todos os meios para a concretização de seus direitos. Um procedimento eletrônico é rápido e eficaz e as experiências vivenciadas no Brasil demonstram ser possíveis a inserção dessa forma de processo.

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Adotar o processo (ou procedimento) eletrônico é garantir efetividade e acesso aos mais necessitados, sem que possa parecer uma assistência caridosa.

Tanto o Projudi quanto o PJe oferecem ganhos e facilidades para seus respectivos usuários, porém o Projudi tem ferramentas mais restritas para edição de texto, enquanto o PJe é mais amplo e com uma quantidade maior de ferramentas disponíveis para edição. Apesar das inúmeras vantagens que os sistemas processuais eletrônicos trouxeram para nosso judiciário, algumas críticas surgiram em relação à lei que disciplina o processo eletrônico.

Através das Ações Declaratórias de Inconstitucionalidade – ADIN‟s – nº 3869, 3875 e 3880, a Ordem dos Advogados do Brasil busca a declaração de inconstitucionalidade de alguns trechos da Lei 11.419/06, discorrendo sobre várias alegações, entre as quais os obstáculos ao direito do livre exercício da profissão, a obstrução dos atos processuais, a ofensa aos princípios da publicidade, isonomia e da proporcionalidade, além de sustentar que há inconstitucionalidades formais e materiais na elaboração da referida lei.

Aires José Rover e Alexandre Gollin Krammes enquanto tramitava o projeto de lei nº 5.828/2001 que disciplinava sobre a informatização do processo judicial, dissertaram sobre as inovações que surgiriam com a nova lei mencionada. Do artigo, cabe-se ressaltar:

O fato é que com o uso de ferramentas de informática jurídica chegou-se a um novo patamar em um dos clássicos princípios processuais. Esse fato tem consequências no Direito tradicional, pois permite novas reflexões e conclusões sobre o impacto do uso de novas tecnologias no mundo jurídico. José Carlos de Araújo ALMEIDA FILHO comenta que a doutrina e a própria lei já relativizaram a publicidade dos atos processuais. O problema atual é que o poder conferido ao magistrado a partir dessa relativização pode ser demasiadamente grande.

Segundo o autor "o processo moderno não deve ser intimidar diante das novas tecnologias, ao mesmo passo em que as novas tecnologias não podem suplantar princípios seculares consagrados". E estes dizem respeito à proteção a pessoa humana em sua individualidade, não apenas aqueles considerados do ponto de vista coletivo ou do bem da coletividade, como é o caso do princípio da publicidade. Note-se que houve, e ainda não há um consenso sobre o assunto, casos em que foram modificadas as formas de apresentações de conteúdos nos sites dos tribunais por conta de se levar em conta o desrespeito ao direito da privacidade e intimidade do cidadão. O que vale mais, o principio da privacidade ou o direito à privacidade?

Firmados nesse pensamento que os Tribunais, o CNJ, a Justiça do Trabalho e a Justiça Federal, vêm, através de portarias, resoluções e instruções normativas, regulando o processo

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eletrônico, com base no artigo 18 da lei 11.419, o qual garante que “os órgãos do Poder Judiciário regulamentarão esta Lei, no que couber, no âmbito de suas respectivas competências”.

O Supremo Tribunal Federal instituiu o processo eletrônico por meio da Resolução nº 287, de 14 de abril de 2004, regulamentando a tramitação eletrônica de processos judiciais, comunicação de atos e transmissão de peças processuais através da Resolução nº 344, de 25 de maio de 2007. No dia 20 de outubro de 2009, foi ampliado o peticionamento eletrônico com a Resolução nº 417, tornando-se obrigatório para as ações de controle de constitucionalidade (SOARES, T., 2012).

Desde o final de abril de 2010, o processo eletrônico no STF é regulado pela Resolução nº 427, com alterações advindas da Resolução nº 442, de 05 de outubro do mesmo ano. Em agosto de 2011 foi apresentada uma nova versão do programa, onde o objetivo é tornar eletrônico todas as fases do processo, incluindo o peticionamento, a tramitação, a comunicação e a finalização. Busca-se um processo sem papel, transparente e célere.

No âmbito do Superior Tribunal de Justiça também houve aceitação do novo sistema através da Resolução nº 2, de abril de 2007. Foi o STJ que impulsionou a tramitação dos autos digitais quando concluiu a digitalização de mais de 300 mil processos. Fato interessante é que a equipe responsável por este feito é formada por mais de 250 deficientes auditivos que, ainda, irão digitalizar e transformar todos os processos administrativos e judiciais que tramitam no STJ.

Em seu artigo Tainy de Araújo Soares (2012), apresenta vários dados embasando os citados acima, in verbis:

O Superior Tribunal de Justiça deu um enorme impulso na tramitação dos autos digitais ao concluir a etapa de digitalização de mais de 300 mil processos. Desde janeiro de 2009, todos os autos que são remetidos dos demais tribunais para aquela Corte são recebidos, digitalizados e tramitam apenas em formato eletrônico.

[...]

Assim, podemos verificar que, em pouco tempo, o Tribunal da Cidadania modernizou-se, reduziu gastos, aumentou a sua produção e melhorou a sua prestação jurisdicional, sem deixar de continuar humano e sensível, sempre voltado para o bem-estar do jurisdicionado, para a promoção da cidadania e para o fortalecimento da democracia brasileira.

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Na esfera do Tribunal Superior do Trabalho, com seus próprios recursos, ele desenvolveu um sistema exclusivo para agravos de instrumento e recursos de revista, o E-Sij, que em 02 de agosto de 2011 passou a ser usado de forma integral por ele. Ainda, regulamentou a informatização do processo, o peticionamento eletrônico, a assinatura eletrônica, entre outras, com a Instrução Normativa nº 30, de 2007.

Ao que diz respeito à Justiça Federal também houve novidades e avanços ao criar o e-Proc, um sistema de processamento eletrônico de ações que em julho de 2003 todos os Juizados Especiais do Tribunal Regional Federal da 4ª Região passaram a usar. Norteado pela Lei 10.259/2001, desde 2007 é usado por todos os Juizados Especiais Federais, Turmas Recursais e Turma Regional (SOARES, T., 2012).

Embora pouco divulgado, mas também uma inovação importante é o Creta. Presente nos Juizados Especiais Federais da Região Nordeste desde 2005 foi produzido pela Justiça Federal da 5ª Região e recentemente escolhido pelo Conselho Nacional de Justiça como o sistema que irá substituir o Projudi, visto os benefícios que trouxe em relação à economia e celeridade. Em seu texto sobre os avanços e entraves do processo eletrônico no Judiciário brasileiro em 2010, Alexandre Atheniense afirma (2010):

O Poder Judiciário na Região Sul sempre foi reconhecido pelo seu pioneirismo As primeiras experiências na tramitação de autos integralmente em formato digital aconteceram nos Juizados Especiais Federais instalados no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com utilização do e-Proc, bem antes da vigência da Lei do Processo Eletrônico em março de 2007.

[...]

O Tribunal Regional Federal da 5ª Região também merece destaque, pois tem sido utilizado pelo CNJ como modelo para expandir o sistema Creta que foi criado e desenvolvido pela empresa sergipana INFOX, através da iniciativa da Seção Judiciária de Sergipe – representada, na época, pelo juiz Carlos Rebêlo Júnior -, contando com o apoio do TRF5. O CNJ sugeriu recentemente ajustes no desenvolvimento do processo eletrônico no TRF5. Uma das alterações sugeridas à equipe técnica foi criar um mecanismo que permita ao juiz ser informado de toda movimentação dos processos que ele quiser acompanhar. Em novembro, JFPE e JFPB implantaram o processo eletrônico permitindo a tramitação digital de ações judiciais nas varas cíveis federais do Estado.

Assim como o Creta, há outros sistemas pouco conhecidos, como o e-Jur, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e o Webservice, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

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Este último tem grandes chances de ser ampliado para uso do Ministério Público e demais cidadãos que pretendem dar início ao processo.

O Tribunal Regional Federal da nossa região (4ª) utiliza o e-Proc, sendo atualizado em fevereiro de 2012 para o e-Proc v2, sendo que as 55 subseções que formam o Judiciário Federal da Região Sul já o usam (SOARES, T. 2012).

Ao que diz respeito à Justiça Estadual a implementação do processo eletrônico não é tão harmoniosa, porém desde 2006 percebe-se uma efetiva mudança tanto nos Tribunais Superiores e Tribunais Federais quanto na Justiça do Trabalho e nos Tribunais de Justiça dos Estados Brasileiros.

O Conselho Nacional de Justiça está em constante busca pelo que há de mais moderno em termos de tramitação de processos, objetivando fazer com que magistrados, servidores e advogados possam usar utilizar o PJ-e, independente de onde o processo tramitar, seja na Justiça Federal, Estadual, Militar ou do Trabalho.

Na obra de Flávio Ernesto Rodrigues Silva e Leonardo Dias Borges pode-se perceber que essa busca por um processo eletrônico de excelência já era cogitado muito antes de ser elaborado qualquer tipo de lei:

Imaginem um processo como um mini “site”, cuja Home Page contém „links‟. Esses „links‟ levam à petição Inicial, à defesa. Mas também à imagem dos documentos, aos depoimentos em vídeo digital. Aos incidentes processuais e suas decisões interlocutórias. O „login‟ no „site‟ dá permissão de atuar de acordo com seu status nos autos. O autor pode peticionar como tal, o réu a mesma coisa, o serventuário pode dar cumprimento aos despachos. O Juiz pode despachar e julgar. Isso abre uma gama de possibilidade, especialmente se pensar no processo como uma sucessão de eventos e incidentes dentro de um mesmo e unificado banco de dados. Se pensar que todos os trâmites ficariam registrados em um „login‟, uma espécie de resumo de processo. O controle de prazos, de expedição de alvarás e mandados teria uma imediatidade, um sentido de controle, segurança e certeza nunca vistos. Findo o processo, bastaria gravar todo esse „site‟ (processo) em um CD e se teria um arquivo eterno, permanente, em mídia de tamanho reduzido.

Muito embora possa soar engraçado, essa era a utopia que se tinha antes de surgir qualquer esboço de um processo eletrônico. De tal forma que há expectativas de que

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futuramente também será motivo de graça a situação atual no nosso Poder Judiciário, pois o processo eletrônico já é uma realidade e, ao que tudo indica, irá eliminar o processo judicial físico.

E, por compartilhar desse pensamento que o Juiz Edison Aparecido Brandão (2002) afirmou que “o processo tal como o conhecemos está acabando, vindo a seu lugar meio inédito, apto a novas realidades, que formará e criará parâmetros de um futuro em muito diferente do que se imaginava em nosso passado ou que se tem em mente em nosso presente”.

O processo eletrônico é uma importante inovação tecnológica e não só pela celeridade processual que pode garantir, mas até mesmo pelo fato de não haver mais o uso excessivo de papel, trazendo assim vantagens até mesmo ambientais. Em breve, os autos processuais serão apenas uma pasta virtual contendo todo o andamento processual e seus respectivos documentos e vídeos, os quais poderão ser acessados em qualquer tempo e lugar do planeta.

A utilização da tecnologia no sistema judiciário não irá reparar todos os males que traz a morosidade processual, tampouco todos os problemas que se encontram no sistema, o que implicará em mais investimentos em recursos necessários e acompanhamento de capacitação e racionalização. Porém, já é um grande passo em direção às soluções para problemas diários e corriqueiros que encontramos em nosso dia-dia forense.

1.2 Da informatização do poder judiciário

A sociedade vem sofrendo grandes mudanças cujos reflexos atingem também o direito. Para acompanhar o avanço tecnológico e também como forma de “desafogar” seus sistemas, o judiciário tem promovido uma grande transformação através da implementação do processo judicial eletrônico, o qual busca, por meio do uso da tecnologia da informação, tornar mais rápida a prestação jurisdicional.

Bem se sabe que os conflitos existem desde os primórdios da humanidade. Conflitos estes que ocorrem quando duas ou mais pessoas convergem suas vontades para o mesmo bem tutelado pelo direito, surgindo pretensões resistidas de todos os lados (MARQUES, José Frederico, 1998, p.34).

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Inicialmente os litígios eram resolvidos pela força física que foi substituída, com o desenvolvimento do direito, pela jurisdição. Com o tempo houve a necessidade de racionalização dos meios de solução dos conflitos de interesse trocando a coação física por um método baseado na razão humana. O Estado nasce exatamente pela necessidade de composição racional dos conflitos dos indivíduos. (CLEMENTINO, Edilberto Barbosa, 2009, p. 33).

Conforme Adriana Grandinetti Viana (2007), o desejo por justiça é o eterno desejo humano por felicidade, não podendo encontrá-la como indivíduo isolado, procurando-a dentro de uma sociedade. A justiça representa a felicidade social, que deve ser garantida por uma ordem social, através da intervenção do Estado, de forma adequada.

Por esse e demais motivos que o judiciário vem buscando soluções mais adequadas para tratar da grande demanda de processos que hoje são recebidos diariamente nos fóruns brasileiros. Para tanto, criou-se a Emenda Constitucional n° 45, a qual buscava um novo padrão do serviço jurisdicional.

Sobre o tema Rafael Costa Fortes (2009) descreve:

A EC nº 45 foi promulgada em 08 de dezembro de 2004. Após tramitar no Congresso Nacional por quase treze anos, ela alterou vinte e cinco artigos da Constituição Federal e acrescentou-lhe quatro novos artigos.

[...]

O §3º do artigo 5º da Constituição Federal foi uma das principais alterações realizadas. Segundo o novo dispositivo os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais.

A emenda também criou um novo órgão integrante do Poder Judiciário brasileiro o Conselho Nacional de Justiça (art.92, I-A, CF). O conselho tem a função de controlar a atuação administrativa e financeira do judiciário e zelar pelo cumprimento dos deveres funcionais dos servidores deste poder, inclusive dos magistrados, passando a ser curador do Estatuto da Magistratura.

A criação do CNJ é resultado de muitos debates no Congresso Nacional acerca da necessidade ou não de criação de controle do Poder Judiciário. Inicialmente, imaginou-se a possibilidade de instituição de um órgão competente para receber denúncias de corrupção e reclamações quanto aos serviços do Judiciário. Entretanto, ao longo do tempo, amadureceu a

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idéia de criação de um órgão que pudesse pensar o Judiciário em nível nacional, desenvolvendo uma política nacional para o Poder Judiciário, e, em tarefa complementar à das corregedorias, exercer o controle disciplinar (BANDEIRA, Regina Maria Groba, 2005, p. 37).

Pedro Lenza (2005), em seu artigo sobre a reforma do judiciário traz uma esquematização das principais novidades. Do texto pode-se destacar:

Podemos destacar as principais novidades:

A todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (art. 5.º, LXXVIII, e art. 7.º da EC n. 45/2004)

[...]

Previsão do controle externo do MP por meio do Conselho Nacional do

Ministério Público, como a criação de ouvidorias para o recebimento de

reclamações (arts. 52, II; 102, I, "r"; 130-A e art. 5.º da EC n. 45/2004). [...]

Previsão de que as custas e os emolumentos sejam destinados exclusivamente ao custeio dos serviços afetos às atividades específicas da Justiça, fortalecendo-a, portanto (art. 98, § 2.º).

Desta forma, após um longo período de reflexão e construção legislativa, a Emenda Constitucional 45/2004 modernizou a engrenagem jurisdicional, assegurando a necessária agilidade, eficiência na solução dos litígios e a garantia de menores níveis de desmandos, a lisura e o equilíbrio, bem assim o sentido de segurança e efetiva tutela para as relações que se processam no seio da nossa sociedade (CAGGIANO, Mônica Herman, 2005. p.1).

Em decorrência de uma iniciativa firmada pelos três poderes de Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário), a qual a Emenda Constitucional 45/2004 faz parte, no dia 15 de dezembro de 2004, foi assinado o I Pacto Republicano, em favor de um judiciário mais rápido e republicano, com a finalidade de adotar medidas conjuntas para minimizar os problemas do Poder Judiciário que atrasam o crescimento nacional.

O primeiro Pacto Republicano visava à obtenção de um sistema de justiça mais acessível, efetivo e ágil, e, ao menos no Legislativo, teve um bom resultado com a aprovação de algumas reformas processuais e atualização de normas legais. Conseguiu-se, até certo ponto, combater a morosidade dos processos judiciais e prevenir a multiplicação de demandas sobre um mesmo tema. Além disso, foi possível agilizar e simplificar os julgamentos, sem prejuízo das garantias individuais.

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O segundo Pacto Republicano de Estado por um Sistema de Justiça mais acessível, ágil e efetivo foi assinado no dia 13 de abril de 2009. Segundo informações do site do Ministério da Justiça:

É um pacote de ações que visa dar mais celeridade, acesso e efetividade à Justiça. O II Pacto é formado por projetos de lei antigos e novos que tratam, por exemplo, da regulamentação do uso de algemas e de interceptação telefônica e da alteração da lei da ação civil pública.

[...]

O presente Pacto Republicano de Estado por um sistema de Justiça mais acessível, ágil e efetivo, tem os seguintes objetivos:

1) Acesso universal à Justiça, especialmente dos mais necessitados; [...]

2) Aprimoramento da prestação jurisdicional, mormente pela efetividade do princípio constitucional da razoável duração do processo e pela prevenção de conflitos;

[...]

3) Aperfeiçoamento e fortalecimento das instituições de Estado para uma maior efetividade do sistema penal no combate à violência e criminalidade, por meio de políticas de segurança pública combinadas com ações sociais e proteção à dignidade da pessoa humana.

Por sua vez o III Pacto Republicano visa dar continuidade ao processo de aprimoramento da ordem jurídica, consolidando o processo de modernização do Poder Judiciário. Segundo se extrai da página do Supremo Tribunal Federal (2013), a proposta inicial do III Pacto, formulada pelo Ministro Cezar Peluso, foi bem recebida pelos Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e pela Presidente da República e agora se encontra em fase de formalização.

Desta maneira a informatização bate as portas dos tribunais e do judiciário brasileiro, redimensionando o futuro da Ciência Jurídica Nacional. Este processo tornou-se possível por conta do avanço tecnológico, principalmente no que diz respeito ao computador e a internet. No ano de 1992, surgiram muitas empresas e provedores, espalhando a internet pelo mundo, surgindo então a World Wide Web, mais conhecida como “www”. Este também é o ano de ingresso do Brasil na rede mundial de computadores (FORTES, 2009).

A introdução do cenário tecnológico na esfera dos conflitos, somada à inovação que ganha espaço no dia-a-dia da sociedade e na vida privada dos próprios atores envolvidos com a prestação jurisdicional (magistrados, membros do Ministério Público, e advogados),

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terminou por alertar os tribunais sobre a necessidade de adequar suas estruturas internas com o esse novo mundo tecnológico (BOTELHO, Fernando Neto, p.19).

Nesse sentido, Almeida Filho (2009, p. 13-14 e 16) comenta:

Ao redigir o Pacto Republicano, o Governo Federal admitiu importância na informatização dos sistemas judiciais, e a súmula dessas ideias pode ser visualizada no portal de Reforma do Judiciário. A informatização judicial é de suma importância para a adaptação do processo ao tipo de litígio.

[...]

Com a ampliação dos conflitos e a necessidade de um Judiciário mais rápido e eficaz, o meio eletrônico se apresenta como adequado e eficaz para enfrentar essa situação.

[...]

Finalmente, a fim de nos adequarmos à terceira onda, para que as questões envolvendo informática e conflitos provocados na Internet, a necessidade de adoção do procedimento eletrônico.

Oportuno aqui esclarecer o que significa terceira onda, haja vista ser muito comentado quando o assunto é processo eletrônico. Através da obra de Mauro Cappelletti, amplamente aceita no Brasil, o tema “acesso à justiça” teve grande avanço no continente latino-americano, resultando em um marco na busca de “soluções para tornar a Justiça uma instituição acessível a todos [...] reformulando as estruturas judiciárias, e, especialmente, as legislações processuais, com o propósito de alcançar esse objetivo”, conforme afirma J. E. Carreira Alvim (2002).

A primeira onda cappellettiana caracteriza-se pela assistência judiciária para os pobres, a segunda pela representação dos interesses difusos e, a terceira, pelo acesso à representação em juízo, a uma concepção mais ampla de acesso à justiça e um novo enfoque de acesso à justiça (ALVIM, 2002).

Nas palavras de Rodrigo dos Santos Ribeiro (2012, p. 7), in verbis:

Por fim, a terceira onda tratou de buscar soluções para dificuldades ainda mais pontuais como: a) a adoção de procedimentos mais especializados e que sejam ao mesmo tempo econômicos e eficientes; b) a promoção de uma justiça mais acessível, baseada em critérios de equidade distributiva e social, tendo como determinantes a conciliação e a mediação.

Este terceiro movimento teve como ponto de partida a busca por um novo enfoque do acesso à justiça. Engloba as duas outras reformas, mas as qualifica como apenas algumas das séries de mudanças a serem realizadas.

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Fazem referência aos direitos dos inquilinos, pobres e consumidores, que continuam a ter problemas para tornar seus direitos efetivos. Perceberam que a simples representação judicial não é suficiente, às vezes o próprio procedimento e a instituição não é eficiente nesta promoção. Trazem uma meditação, por conseguinte, do próprio sistema judiciário.

Tais pensamentos deram ênfase a Lei 11.419/06, que em seu artigo 1º admite a possibilidade de tramitação de processos judiciais através de meio eletrônico, preferencialmente pela internet (inc. II do § 2º). A própria lei define meio eletrônico como sendo qualquer forma de tráfego e armazenamento de informações, documentos e arquivos digitais. Ainda, afirma que todo o procedimento de comunicação de atos, transmissão de petições será estabelecido nos termos da Lei e poderá ser aplicada ao processo civil, penal e trabalhista (FORTES, 2009).

Araújo e Silva (2010) aborda o tema da seguinte forma:

O diploma legal em comento reconheceu expressamente o meio eletrônico como sistemática válida na tramitação de processos judiciais, comunicação de atos e transmissão de peças processuais (art. 1º), permitindo-se assim que toda manipulação dos autos seja feita de maneira totalmente eletrônica, sem necessidade da apresentação posterior de documentos em papel. E, para que não restassem dúvidas quanto à expressão „meio eletrônico‟, também tratou o legislador de dar-lhe interpretação autêntica, definindo-a como "qualquer forma de armazenamento ou tráfego de documentos e arquivos digitais" (art. 1º, §2º, I).

Com base nesse novo sistema processual trazido pela Lei 11.419/06, podemos falar em uma nova sistematização da jurisdição, porque com a internet, inúmeros atos processuais poderão ser realizados digitalmente, sem fronteiras. Um juiz de um Estado poderá ouvir, pessoalmente e a qualquer tempo, uma testemunha de outro Estado ou de qualquer lugar do mundo (LIMA, George Marmelstein, 2002, p. 8).

Essa importante mudança é abordada por Almeida Filho (2009, p. 22 – 23, 28), conforme pode-se ver a seguir:

A idéia de uma nova sistematização da jurisdição, diante da importância do instituto para a aplicação do processo, não é absurda. Ao contrário, a idéia de criação de varas especializadas em matérias eletrônicas seria uma conquista. Mas para que a especialização do direito processual avance, é preciso que se avancem a doutrina e a jurisprudência. Paralelamente, entendemos de bom alvitre que o legislador pátrio esteja atento às constantes mudanças de

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comportamento da sociedade e insira no texto constitucional a possibilidade de criarmos essa quarta jurisdição – especial -, que seria a eletrônica.

[...]

Enfrentaremos um primeiro problema ao tentar justificar a criação de uma nova jurisdição, mas a idéia não pode ser desprezada.

Tais fatos nos remetem ao princípio da aderência do território posteriormente abordado e aos problemas que ainda devem ser sanados ao delimitar a aderência ao território na internet. Desta forma, o processo eletrônico traz mudanças, adaptando o processo ao tipo de litígio que hoje se encontra na nossa sociedade.

Hodiernamente surge a necessidade de um Judiciário mais célere e eficaz e a conseqüente exclusão dos entraves do Poder Judiciário, caracterizando a terceira onda na qual se possa vislumbrar uma ampla e total efetividade no acesso à justiça. Para compreender melhor os efeitos desta informatização, passa-se a analisar o processo eletrônico e seus princípios norteadores.

1.3 Princípios norteadores do e-processo

Diante das inovações judiciárias trazidas com a Lei 11.419/06 e com o intuito de compreender o funcionamento do processo eletrônico, verifica-se a necessidade de identificar os principais princípios que norteiam o e-processo.

É de pleno conhecimento que no Direito é indispensável a presença da tríplice combinação entre tipos, leis e princípios, pois no entender de Miguel Reale (1998), para que exista a norma jurídica é necessário a tipificação ou configuração por tipos relativos às situações de fato, encaradas sob os vários aspectos da vida social.

A grande maioria dos princípios processuais aplicados à jurisdição também são aplicados ao processo eletrônico. Segundo Almeida Filho (2009, p. 30), a maioria dos princípios processuais pode ser adotada no processo eletrônico sem maiores problemas, mas alguns deles sofrerão – ou, pelo menos, devem sofrer – algumas alterações.

Partindo de um ponto inicial, pelo princípio da universalidade é permitido que todas as áreas do Poder Judiciário brasileiro adotem o processo eletrônico, tornando viável à interação entre tribunais, varas e comarcas. Acerca do tema, Araújo e Silva (2010) escreve:

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A lei do processo eletrônico prevê expressamente a possibilidade de tramitação de autos total ou parcialmente eletrônicos, circunstância que leva ao entendimento de que não se faz obrigatória a completa informatização do processo. Tal está correto, especialmente pelo fato de que o processo eletrônico necessita de tempo para a sua implementação, inclusive com testes e treinamentos dos atores envolvidos no sistema, devendo essa forma híbrida permanecer por um considerável período. Ademais, há casos em que a digitalização de documentos é totalmente inviável devido ao seu estado de conservação, o que levará o processo a tramitar de forma mista. Contudo, apesar de a Lei 11.419/06 apenas facultar, e não determinar, aos tribunais a adoção do processo eletrônico, o CNJ, por meio de algumas resoluções [79] e de suas metas de nivelamento, tem estimulado fortemente a adoção dessa nova forma processual nos vários tribunais brasileiros, em todas as jurisdições e esferas de poder, como forma de conferir maior agilidade e eficiência à tramitação dos processos, melhorar a qualidade e transparência do serviço jurisdicional prestado e ampliar o acesso do cidadão brasileiro à justiça.

Em decorrência deste princípio e de seus efeitos no novo sistema processual, cabe aqui se lembrar do principio da investidura, o qual não se altera nem se modifica em relação ao processo eletrônico. O juiz, regularmente constituído nas funções jurisdicionais, ainda é o que exerce a jurisdição, mesmo diante da liberdade e do conforto processual que a Lei 11.419/06 trouxe com ela.

E por falar em conforto, o e-processo permite que o advogado leia e peticione pelo seu próprio escritório, por meio da internet. Não há horário limite para o acesso, tampouco para o peticionamento, podendo o signatário acompanhar o recebimento da petição eletrônica e ter a segurança de que os dados foram encaminhados com êxito, visto que todo o documento enviado recebe um protocolo eletrônico e uma assinatura digital, certificando a origem e garantindo o conteúdo, determinando com precisão a origem de cada acesso.

Deste modo, inúmeras são as vantagens desse novo procedimento, haja vista que torna tudo mais viável e rápido, gerando economia e celeridade processual, além de permitir uma maior interação do Poder Judiciário com a sociedade. Através de login e senha, somente usuários cadastrados possuem acesso instantâneo aos dados processuais, o que garante a segurança e a veracidade dos documentos anexados.

Entretanto, diante de toda essa liberdade surge um problema quanto ao princípio da aderência ao território, haja vista que cada juiz exerce sua autoridade nos limites da sua

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competência jurisdicional. Em seu livro sobre Processo Eletrônico e Teoria Geral do Processo Eletrônico (2009, p. 32), Almeida Filho aborda a questão da seguinte forma:

O maior problema a ser enfrentado quanto a este princípio é o da desterritorialização.

[...]

Internamente não haverá maiores problemas, porque os juízes poderão comunicar-se por meio de cartas, mas quando a questão envolve a alocação de domínios da Internet alocados em outros países, mas com efeitos no Brasil, o princípio da aderência ficará de certa forma mitigado.

E assim se afirma diante da desterritorialização que vem sendo perpetrada com os novos canais de comunicação. Ainda que a autoridade competente seja brasileira, a alocação de um domínio no exterior esbarrará na questão da soberania estatal. Não queremos dizer, com isto, que o princípio não se aplica ao processo eletrônico, mas encontra diversas barreiras a serem suplantadas. Essas barreiras poderão ser superadas com a assinatura de tratados, porque a realidade eletrônica e as suas conseqüências não podem ser mais renegadas.

Em virtude das mudanças que vierem com a Lei 11.419/06 e pelo fato do e-processo ainda estar em fase de implementação, surgem dúvidas e problemas a serem revolvidos, afinal o processo deixou suas costumeiras folhas de papel e assumiu uma forma eletrônica, podendo ser acessado em qualquer lugar, em qualquer horário.

Insurge então o princípio da ubiqüidade judiciária e em decorrência dele serão necessárias algumas mudanças e aperfeiçoamentos no Judiciário, haja vista a onipresença da justiça. Fernando Neto Botelho, afirma que:

Com isso, a justiça (eletrônica) sofre significativa alteração principiológica: disponibiliza-se a todos, em todo local, em tempo real. Quando se projetou, no passado, uma justiça Itinerante, que pudesse romper barreiras geográficas impostas à jurisdição nacional, indo a rincões distantes dos centros onde localizados e instalados os serviços físicos judiciários, para atendimento de populações remotamente localizadas, tem-se, agora, essa possibilidade efetivada através do acesso eletrônico-remoto, assegurado isonomicamente todos, pois por ele se permite que o serviço público da justiça se torne uma realidade francamente ubíqua, ou, presente, “virtualmente” (leia-se, eletronicamente), em toda a jurisdição territorial brasileira, a despeito de instalado, ou não, o serviço no local físico-convencional dos interessados. [...]

Desse modo, se os processos, fisicamente, não estarão mais (como arquivos eletrônicos computacionais que passam a constituir) no âmbito geográfico de jurisdições locais ou regionais, perderá sentido, em longo prazo, a própria divisão judiciária cujos pressupostos se encontram, na atualidade, balizados por conceitos geográficos convencionais analógicos.

A divisão futura deverá centrar-se mais em tarefas judiciárias, pensamos, que em lotações de cargos e respectivas funções territorialmente definidos. A

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atividade jurisdicional passará a corresponder, tão somente, à necessidade e especialização por funções, mas não mais por designação de cargos e funções espacialmente delimitados.

Outro princípio importante para o processo eletrônico é o da publicidade, garantido pela Constituição Federal no artigo 93, inciso IX. No entender de Clementino (2011, p. 148), “pelo princípio da publicidade os atos e termos do processo devem, via de regra, ser acessíveis ao conhecimentos de todos. A publicidade do ato tem como principal objetivo oferecer a oportunidade de se fiscalizar a boa atuação do juiz”.

A regra geral no sistema processual brasileiro é o da publicidade e da transparência dos atos administrativos estatais, com exceção apenas às hipóteses legais de sigilo processual. Do trabalho de George Marmelstein Lima (2002), destaca-se:

Com o desenvolvimento da tecnologia da informação, a publicidade processual atingirá patamares universais. Qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, por exemplo, poderá acompanhar uma determinada audiência judicial, desde que tenha acesso à Internet.

[...]

A publicidade, enfim, será plena. Isso permitirá não apenas o acompanhamento do processo por qualquer interessado, mas uma maior fiscalização pública dos atos judiciais e administrativos praticados pelos membros do Poder Judiciário.

Para complementar a ideia acima, oportuno considerar as palavras de Araújo e Silva (2010):

Com essa nova roupagem do processo, o trabalho dos seus atores - magistrados, advogados e promotores de justiça - entra em fase inédita de publicidade, na qual os recursos eletrônicos transformam-se, em esgrima com o papel, no suporte fundamental do processo, conduzindo a informação processual a uma nova instância de depuração e fiscalização, em razão do acesso facilitado aos dados dos litígios, e permitindo, dessa forma, que as partes prejudicadas por atrasos injustificáveis possam identificar o exato ponto de obstrução para procederem com mais acurácia e fundamentação na regularização do processo, como nos casos em que se necessita representar às corregedorias. É a transparência, no serviço público-judiciário, levada à potência máxima. Sem dúvida, o futuro mostrará que tal traço de publicidade adicional, por si só, motivará a otimização e o maior cuidado no preparo das peças jurídicas, demonstrando as dificuldades e acertos de cada ente processual, além de alterar a própria dinâmica da vida social em geral, na medida em que a "visão da justiça" sobre fatos concretos se tornará universal e democrática, acessível a todos os cidadãos pela rede mundial de computadores.

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Porém apesar de toda essa transparência é necessário impor limites à publicidade, evitando que ela confronte os princípios da intimidade e da privacidade. Pensando nessa hipótese e como forma de prevenir problemas futuros, o CNJ formou um grupo constituído por diversos juízes estaduais e em diferentes competências, com o intuito de formular normas de compatibilização com os referidos princípios e definir o tipo de informações que serão disponibilizadas para acesso na rede.

Almeida Filho (2009, p. 63 e 69), também traz importantes considerações:

Temos que adotar critérios objetivos para a aplicação do princípio da publicidade. A adoção, por exemplo, de princípios como os da proporcionalidade e razoabilidade ainda são praticados com enorme subjetividade e não nos parece a melhor solução. Mas ponderar princípios constitucionais e prestigiar a nova redação conferida pela Emenda Constitucional 45/2004 é a alternativa mais segura.

[...]

O Processo moderno não deve se intimidar diante das novas tecnologias, ao mesmo passo em que as novas tecnologias não podem suplantar princípios seculares consagrados.

[...]

Esperamos, assim, que a ideia de publicidade em matéria eletrônica seja adotada com o máximo critério de legalidade. Contudo, entendemos que não se trata de política pública ou legislativa a questão da publicidade, mas de verdadeira experimentação ética e comprometida com os ideias do Processo. Não precisamos criar conflitos em uma ciência tão bela quanto a processual.

Botelho apresenta ainda outro benefício adquirido através do princípio da publicidade aplicado ao processo eletrônico:

Outro ponto importante que decorre da inovação – a publicidade especial dos atos processuais, através dos diários eletrônicos – é o que marca a mudança dos critérios de acompanhamento processual, pela advocacia e pelo Ministério Público.

Sempre dificultosos e onerosos, os meios de acompanhamento da atualidade, por serem físicos e geograficamente distribuídos juízos aos quais afetados os processos sem papel, exigem dos advogados montagem de equipes de estagiários, paralegais, novos advogados.

Esses são obrigados a comparecerem, diariamente, a foros e juízos, onde se acumulam em movimentações como verdadeiros custodiadores do andamento processual.

Com a possibilidade de acompanhamento remoto-integral, e com o andamento processual totalmente automatizado por soluções computacionais amparadas em inteligência artificial (IA) reduz-se, significativamente, a necessidade, por consequência os próprios custos estruturais dos serviços advocatícios, que poderão ser empregados em qualificação e em otimização das estruturas da profissão.

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Como forma de conclusão do explicitado acima, Junior Gonçalves Lima (2012), traz importante contribuição:

Todos esses aspectos suscitados, contidos no princípio da publicidade, levam-nos a concluir ser ele mais um preceito a justificar a implantação do processo judicial eletrônico, tendo em vista que atende aos seguintes critérios: a) assegura e amplia o conhecimento pelas partes de todas as suas etapas, propiciando-lhes manifestação oportuna; b) enseja e amplia o conhecimento público do Processo Judicial, bem como do conteúdo das decisões ali proferidas, para plena fiscalização da sua adequação pelas partes e pela coletividade.

Importante destacar a presença do princípio da economia processual no processo eletrônico. No ponto de vista de Daniel Amorim Assumpção Neves (2009, p. 65), “observando-se o sistema como um todo, significa que, quanto menos demandas existirem para se chegar aos mesmos resultados, melhor será em termos de qualidade da prestação jurisdicional como um todo”.

Sobre a temática, Araújo e Silva (2010) disserta sobre alguns benefícios que o processo eletrônico apresenta frente à economia processual, in verbis:

Além de uma melhor utilização da mão-de-obra, também será possível a redução de espaços físicos, pois, processando-se quase tudo em ambiente eletrônico, acessível via Internet na comodidade do lar ou do escritório, não haverá mais necessidade de manterem-se autos físicos nas prateleiras e birôs dos tribunais, e o atendimento aos advogados e ao público restará reduzido em face disso. Serviços como protocolo e distribuição terão redução perto de 100%. O próprio arquivo morto desaparecerá, já que todos os processos arquivados estarão guardados e conservados em mídia digital, onde a capacidade se faz imensurável em pequeno espaço. Os próprios advogados e partes envolvidas terão redução em seus custos, notadamente os relativos a deslocamentos para realização de atos processuais ou aquisição de informações sobre o procedimento. Até mesmo o gasto com papel será reduzido, o que, sem dúvida, será de grande auxílio para a preservação ambiental. Enfim, a possibilidade de economia de tempo processual, de espaço e de recursos pode ser alcançada no mais alto grau, à medida que nos adaptamos ao sistema eletrônico.

Almeida Filho (2009, p. 70-71), também trata do tema, como se pode ver a seguir:

Com a adoção do processo eletrônico no Brasil o princípio da economia processual será alargado, porque haverá menor desperdício na produção dos atos processuais.

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[...]

As economias – processual e financeira – que o processo eletrônico produz devem ser pensadas sob todos os ângulos. O direito processual não se mede pelo valor da causa, porque todas têm a mesma importância, já que a lide deve ser solucionada. Neste ponto destaca-se o brilhantismo de nosso Código de Processo Civil que não faz qualquer distinção econômica. Todas as causas são importantes, porque a intenção é compor a situação conflituosa.

O processo eletrônico é a tradução de economia processual, pois através de vários instrumentos e ferramentas ele tem tornando o processo, economicamente, muito mais viável. Com isso conquista-se economia de custos, de tempo, de atos e uma considerável eficiência na administração da justiça.

No sistema de procedimentos eletrônicos brasileiro ainda é possível encontrar a presença dos princípios da igualdade e da celeridade. O princípio da igualdade, por sua vez, encontra-se assegurado no caput do artigo 5º da Constituição Federal e afirma que todos são iguais perante a Lei.

Em virtude da nova era digital que atingiu também os tribunais brasileiros, o judiciário busca alcançar toda a população igualmente através de uma justiça efetiva. Sobre o referido tema, cabe ressaltar as palavras de Rafael Costa Fortes (2009):

O êxito na implantação do Processo Judicial Eletrônico está diretamente associado a políticas públicas de inclusão social/digital, para que esta não se torne uma via de uso exclusivo das classes economicamente mais favorecidas da população, criando-se uma duplicidade de Justiça: a dos ricos (informatizada e, consequentemente, mais rápida) e a dos pobres (tradicional e, consequentemente, mais lenta), maculando de vez o princípio em discussão.

A informatização do judiciário não pode ficar paralisada até que toda a população possua um computador e acesso à internet. Contudo, deve-se ter cuidado com as normas que obrigam a tramitação de processos exclusivamente pela via eletrônica. Estas diretrizes têm que estar atreladas a uma política de inclusão digital e formas alternativas de tutela dos indivíduos que não possuem contato com as novas tecnologias.

Já quanto ao princípio da celeridade, não há dúvida que é um dos principais objetivos do judiciário com a implantação do e-processo. Tudo porque o procedimento eletrônico contribui com a comunicação dos atos processuais, a tramitação de petições, dentre outros. Em razão disso, o processo judicial virtual reduz o tempo de tramitação, abrevia a

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concretização do comando das decisões judiciais restituindo mais rápido a paz social e a justiça (CLEMENTINO, 2009, p. 158).

Segundo Botelho, "a formação automatizada do processo e de seus atos trará eliminação do tempo inútil, atual, do andamento e do fluxo processual." O processo deve visar um resultado útil e exato, porém existe um prazo razoável para que isso ocorra sem dilações desnecessárias. Em artigo publicado em 2009, Mauro Ivandro Dal Pra Slongo é categórico ao afirmar:

A morosidade é um fenômeno conhecido por todos. Ela acarreta uma duração excessiva do processo. Tem-se, desta forma, que com a morosidade a prestação da tutela jurisdicional não observa o direito natural, uma vez que uma tardia justiça está mais próxima de ser considerada injustiça.

[...]

Resta clarificado, portanto, que o Processo Judicial Virtual ou Eletrônico, instituído pela Lei 11.419/06, proporcionará ao nosso ordenamento jurídico uma ampla facilitação no que diz respeito à comunicação dos atos processuais e a transmissão de peças processuais por meio eletrônico, dispensando a utilização de enorme quantidade de papel hoje necessária. Em seus mais diversos ramos, o sistema legal positivado tem a celeridade como um dos objetivos a ser perseguido e, nesse sentido, um dos fins que se almeja alcançar com a adoção do processo eletrônico é justamente o aumento da celeridade na comunicação dos atos processuais, na tramitação dos feitos, tornando mais rápida e efetiva a prestação jurisdicional.

Todos os princípios aqui elencados são de extrema importância para o processo eletrônico. E não apenas esses, mas outros tantos que tornam esse novo sistema de procedimentos eficaz e efetivo. No decorrer do presente trabalho pode se observar que mesmo indiretamente alguns princípios como o da oralidade, da imediação, da instrumentalidade das formas e da lealdade processual vão sendo trabalhados e aplicados à organização e funcionalidade do e-processo.

Entretanto o princípio do acesso à justiça, carro chefe no âmbito do processo eletrônico, será abordado mais detalhadamente no capítulo seguinte, destinado à análise do acesso à justiça no Brasil, com a finalidade de verificar se ele tem cumprido com eficácia seu papel social no Poder Judiciário Brasileiro.

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2 O ACESSO A JUSTIÇA E O PROCESSO

O processo eletrônico é uma novidade no sistema judiciário brasileiro, sendo que a fase de maior evidência iniciou em 2006, com o lançamento do projeto PROJUDI, por iniciativa do Conselho Nacional da Justiça. Desde então ele vem se desenvolvendo, passando por fases de testes, produção e uso estável, apresentando uma maior movimentação de fluxo de informações ao público externo.

Muito embora o e-processo torne o sistema judiciário mais célere, assegurando às partes resposta ao conflito levado ao conhecimento do judiciário, a celeridade na produção dos atos processuais e decisórios do processo precisa estar conexa à certeza de que a grande maioria da população terá acesso ao novo sistema proposto pelo CNJ.

O acesso à justiça é um dos mais importantes direitos fundamentais previstos no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988. Conhecido como direito de ação, pode ser chamado princípio do livre acesso ao judiciário ou princípio da inafastabilidade da jurisdição, o que será abordado a seguir.

2.1 O acesso à justiça no Brasil

Acesso à justiça, no entendimento de Cappelletti e Bryant Garth (1988), serve para determinar duas finalidades básicas do sistema jurídico, ou seja, para que pessoas possam reivindicar seus direitos e/ou resolver seus litígios sob os auspícios do Estado. O sistema deve ser igualmente acessível a todos e consequentemente deve produzir resultados que sejam individual e socialmente justos.

Na concepção tradicional fazer justiça é cumprir a lei, promovendo a justiça mediante o exercício da jurisdição. Espera-se que o processo ofereça e realize resultados, sempre visando escolhas que melhor convenham à realização dos objetivos eleitos pela sociedade. De tal forma, jurisdição é mais que um meio ou um instrumento de inclusão social. Ela é um compromisso estatal e não uma simples atividade de mero exercício, independente dos fins do Estado.

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