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O sentido do trabalho da mulher no exército brasileiro: unidade Santa Rosa

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Academic year: 2021

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DACEC – Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação.

Curso de Administração.

O SENTIDO DO TRABALHO DA MULHER NO EXÉRCITO BRASILEIRO - UNIDADE SANTA ROSA

Documento Sistematizador do Trabalho de Conclusão de Curso

FERNANDA RAÍZA STROCHEIN

Profª Orientadora: Cleide Marisa Rigon

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FERNANDA RAÍZA STROCHEIN

Cleide Marisa Rigon

O SENTIDO DO TRABALHO DA MULHER NO EXÉRCITO BRASILEIRO - UNIDADE SANTA ROSA

Trabalho de Conclusão de Curso

Trabalho de Conclusão do Curso de Administração da Universidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul – UNIJUI, como requisito parcial à Conclusão de Curso e conseqüente obtenção de título De Bacharel em Administração.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente à Deus, por ter me concedido saúde e sabedoria para seguir em busca dos meus sonhos e objetivos.

Aos meus pais, Roberto Clóvis e Ilse, que estão sempre ao meu lado e não medem esforços para me auxiliar e sempre me ver feliz.

A minha irmã Kely, meu cunhado Fernando e minha sobrinha Lorena, por me proporcionarem momentos de extrema alegria.

Ao meu namorado Guilherme, que sempre esteve disposto a me ajudar, que sempre me apoiou nos momentos de dificuldade, que me amparou nos momentos que precisei, que me auxiliou quando necessário e que faz o possível e impossível para me ver feliz.

A minha orientadora, professora Cleide Marisa Rigon, que sempre esteve disposta a me ajudar, me auxiliando em todas as etapas do meu estudo.

À universidade e todo o seu corpo docente e administrativo, que me proporcionaram imensa alegria e gratidão em fazer parte desta instituição, absorvendo conhecimentos e construindo um sonho.

Às militares que responderam aos meus questionários, colaborando para o desenvolvimento do meu estudo.

À toda a minha família e amigos, que me apoiaram durante todos estes anos, torcendo sempre pela minha vitória.

E a todos que direta ou indiretamente fizeram parte deste percurso.

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“Fardadas e de fuzil na mão, elas passam despercebidas no meio de tanto milico. Mas, repare bem, a camuflagem esconde recrutas com peito para defender a nação...”

Filipe Luna

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RESUMO EXPANDIDO

Introdução

O gênero feminino vem se destacando em diversas áreas com seu talento e vem aumentando significativamente o número de mulheres que deixam de ser apenas donas de casa e vão à busca da independência profissional. Estão conquistando seu espaço na sociedade e principalmente no mercado de trabalho. No cenário militar não é diferente, e, atualmente, a participação feminina nas forças armadas nacionais está cada vez maior. A grande maioria é movida pelas características próprias das carreiras: bons salários, benefícios extensivos a toda família e estabilidade.

De acordo com o Ministério da Defesa, cerca de oito mil mulheres estão empregadas na Marinha, no Exército ou na Aeronáutica, correspondendo a 2,6% do efetivo das forças armadas nacionais.

Para Herzberg (1966, 1980, 1996) e Hackman e Suttle (1977), o trabalho representa um valor importante, exerce uma influência considerável sobre a motivação dos trabalhadores e também sobre sua satisfação e sua produtividade.

Três estados psicológicos teriam, assim, um impacto importante na motivação e na satisfação de uma pessoa no seu trabalho: o sentido que uma pessoa encontra na função exercida, o sentimento de responsabilidade que ela vivencia em relação aos resultados obtidos e o conhecimento de seu desempenho no trabalho.

A escolha desse estudo justifica-se pelo fato de terem poucos estudos que falem sobre a mulher no Exército Brasileiro, gerando certa curiosidade quanto ao sentido atribuído ao trabalho por essas mulheres, bem como o segmento feminino se porta nesse meio masculino, se sua felicidade é plena, se alcançam seus objetivos assim como alcançariam em um meio feminino.

O presente estudo teve como objetivo geral investigar e analisar o sentido atribuído ao trabalho pelas colaboradoras do 19º Regimento de Cavalaria Mecanizado de Santa Rosa, considerando os aspectos da subjetividade no trabalho em que atuam, e os objetivos específicos foram identificar o perfil das mulheres militares no 19°RCMec, diagnosticar o sentido atribuído ao trabalho por estas mulheres e avaliar suas expectativas e realizações no aspecto subjetividade do trabalho.

Metodologia

Para a elaboração do presente estudo foi utilizada a pesquisa exploratória e descritiva. Para Gil (2002) a pesquisa exploratória tem como objetivo principal o aprimoramento de ideias ou a descoberta de intuições, envolvendo, na maioria dos casos, levantamentos bibliográficos, entrevista com pessoas relacionadas ao tema pesquisado e análises de exemplos para facilitar a compreensão do assunto. Considera-se que descritiva, pois descreve as diversas percepções das militares entrevistadas acerca da subjetividade no trabalho. Quanto à pesquisa descritiva, Vergara (2000) explica que este tipo de estudo expõe características de determinada população ou fenômeno, estabelecendo correlações entre variáveis e a definição de sua natureza.

Quanto aos meios ou procedimentos técnicos a investigação foi bibliográfica e de campo. De acordo com Vergara (2000), bibliográfico é o estudo desenvolvido em materiais que são acessíveis ao público em geral como, por exemplo, livros, revistas, jornais e redes eletrônicas; fornecendo material a todos os tipos de pesquisas, mas mesmo assim, podendo esgotar-se. Para Vergara (2000) a pesquisa de campo pode incluir entrevistas, aplicações de

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questionários, testes e observação participante ou não, realizada no local onde ocorrerá o estudo.

Os dados foram coletados por meio de entrevistas semi-estruturadas realizadas com profissionais do 19°RCMec, localizado no município de Santa Rosa. Para essa pesquisa optou-se por uma amostra de seis militares.

Após a realização das entrevistas, os dados foram transcritos e todas as informações coletadas no decorrer do estudo foram utilizadas para fazer a análise do conteúdo das respostas para atender aos objetivos do estudo, para realizar a análise, os dados foram divididos de acordo com o tema relacionado, em seguida receberam uma análise qualitativa seguidas de fundamentações teóricas que comprovam a informação divulgada.

Resultados

Dentre as seis entrevistadas, os resultados mostram que a maioria possui faixa etária de 26 a 36 anos, representando 67% da amostra. Quanto ao grau de escolaridade, os maiores percentuais encontram-se em formação superior, isto por que duas entrevistadas apresentam Curso Superior Incompleto e duas entrevistadas cursando Pós Graduação, sendo que uma entrevistada têm Curso Superior Completo e outra Segundo Grau Incompleto. Estes dados demonstram que as mulheres estão buscando aperfeiçoamento constante. Referente ao tempo de colaboração no 19°RCMec, percebe-se que 50% delas estão entre 1 a 3 anos, ou seja, três mulheres. Isto justifica-se, pela faixa etária das militares, que são mais jovens e acabaram de ingressar no Exército. Referente ao cargo que executa, cinco mulheres são 3° sargento e uma mulher é tenente. Na área em que atuam, cinco mulheres são da área de saúde, sendo uma tenente médica e quatro 3° sargentos. Uma mulher atua na área de alimentação, como temporária em técnica de alimentos. Com esses dados, identificamos o perfil das mulheres militares do 19°RCMec, nosso primeiro objetivo específico.

Quando questionadas sobre o prazer no trabalho, percebe-se que 96% das mulheres gostam e sentem orgulho de seu trabalho, bem como, demonstram que o trabalho é de suma importância para elas. Já 86,60% delas, sentem prazer e felicidade ao desenvolvê-lo. Das entrevistadas, 76,60% sentem-se bem e seguras nas tarefas que realizam. A mesma porcentagem de mulheres acha que o trabalho que exercem as mantém ocupadas e fazem esquecer dos problemas e dificuldades que o mundo fora da organização concede. Na questão sobre valorização, pode-se destacar que elas sentem-se gratas, satisfeitas e realizadas ao prestar serviços à organização, com uma amostra de 86,60%. Das entrevistadas, 80% dizem que a recompensa proveniente do seu trabalho lhes proporciona satisfação, e apenas 33,30% sentem-se excluídas e rejeitadas por colegas de nível superior ao realizar tarefas pertinentes. Quando perguntadas se consideram sua remuneração salarial adequada em relação às atividades que desempenham e por que, vimos que a maioria das militares entrevistadas não considera sua remuneração salarial adequada.

Quando questionado quais os fatores que geram valorização para estas mulheres, o fator que mais gera valorização para elas, é o reconhecimento. Sobre independência e sobrevivência, observamos que as questões mais significativas para as entrevistadas referem-se aos treinamentos e cursos oferecidos pela organização, referem-sendo considerados satisfatórios e com muita importância, fazendo-as sentirem-se realizadas profissionalmente, com uma amostra de 83,30%. A carga horária também é considerada satisfatória, com uma amostra de 70%. Já nos seus discursos fica mais evidente o aspecto financeiro: o trabalho como elemento fundamental para garantir a sobrevivência. Para elas o trabalho proporciona independência e sobrevivência através da remuneração, plano de saúde, moradia militar e alimentação no quartel.

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Para Cohen e Fink (2003), uma das razões pelas quais as pessoas trabalham, e provavelmente a razão universal, é a sobrevivência – isto é, assegurar os meios de obter adequada alimentação e proteção do perigo.

Sobre desenvolvimento, 83,30% das mulheres, sentem-se seguras em termos de estabilidade no emprego. Elas consideram suficientes os programas de treinamentos e de educação que a organização oferece. Através de cursos, palestras e seminários têm tido a oportunidade de se atualizarem e aperfeiçoarem-se. Das entrevistadas, 76,60% acreditam que a organização motiva-as ao crescimento e a qualificação profissional. No que se refere à alienação, 96,60% acreditam naquilo que fazem e sabem o porquê estão executando tal tarefa. Com uma amostra de 86,60%, elas acreditam que seu trabalho tem resultados satisfatórios para a organização. Garantem que seu trabalho é fonte de relações humanas satisfatórias e executam tal função por ser a coisa mais importante de suas vidas. Quando se fala em coerência, com porcentagens altas, as entrevistadas deixam claras as questões de identificação com a empresa, acreditam no que fazem e crêem que o trabalho gera aprendizado e crescimento.

Sobre utilidade, constata-se que 80% das mulheres acreditam que seu trabalho agrega valor a organização. Já, 83,30% delas, acreditam que contribuem para o crescimento e 80% acham que satisfazem a expectativa da mesma. Na organização do trabalho, observa-se que as mulheres encontram sentido em seu trabalho, pois 80% delas acreditam que possuem autonomia ao executar o trabalho e podem expor criatividade. Com uma amostra de 76,60%, elas sentem-se desafiadas ao desenvolverem tarefas pertinentes ao seu trabalho e não o caracterizam como rotineiro. Acreditam que o trabalho que executam é inovador. Quando abordada a questão sobre as relações interpessoais, 86,60% das entrevistadas dizem que aceitam as críticas com facilidade e com perspectiva de crescimento. Das militares, 80% sentem-se à vontade para solicitar ou oferecer ajuda aos seus colegas, 80% também se relacionam tranquilamente com os colegas de cargos inferiores, iguais e superiores e garantem existir integração entre colegas e cooperação de todos para que os resultados sejam atingidos. Com uma amostra de 76,60%, elas dizem que o relacionamento entre os cargos mais altos e mais baixos é considerado bom e que a organização fornece atenção suficiente aos subordinados e possui um sistema bem sucedido quanto à orientação de tarefas. Quando falado de utilidade, verifica-se altos índices de concordância. Das entrevistadas, 93,30% acredita que seu trabalho é moralmente aceito pela sociedade e que ele não traz danos a mesma, trabalham para o crescimento e não deixam de lado a responsabilidade social, e com uma amostra de 96,60% elas acreditam que seu trabalho é ético. Percebe-se com esses dados o sentido atribuído ao trabalho por essas mulheres, nosso segundo objetivo específico.

Sobre avaliar as expectativas e realizações no aspecto subjetividade no trabalho, ela foi percebida e analisada, mas pelo público ser reduzido, ela ficou unilateral e a análise com mais profundidade não se fez plenamente completa.

Conclusões

A realização deste estudo possibilitou um conhecimento mais amplo sobre temas relacionados ao sentido do trabalho e a mulher no Exército Brasileiro.

Constataram-se através do estudo, os elementos que fazem parte das razões e motivações que as mulheres tiveram para chegar aonde chegaram, bem como, as dificuldades e desafios enfrentados.

Na dimensão individual, percebe-se que as militares gostam de fazer seu trabalho, sentem orgulho do mesmo, sentem prazer e felicidade ao desenvolvê-lo e são realizadas profissionalmente. Elas são valorizadas, reconhecidas e sentem-se seguras em termos de estabilidade no emprego e identificam-se com o trabalho que exercem. Na dimensão organizacional, elas acreditam que seu trabalho agrega valor, contribui para o crescimento e

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satisfaz a expectativa da organização. Na dimensão social, elas acreditam que seu trabalho é ético e moralmente aceitável pela sociedade. Percebe-se então, que o trabalho faz sentido para as militares, pois elas sentem prazer e satisfação trabalhando, e seu executor percebe sua contribuição e responsabilidade no trabalho executado.

Entende-se que os objetivos foram cumpridos, pois se pôde fazer uma interligação entre os objetivos estipulados, a fundamentação teórica utilizada e os resultados obtidos através das entrevistas realizadas, sendo de extrema importância para o conhecimento da acadêmica, que pôde aprofundar seus conhecimentos na área do sentido do trabalho.

Palavras-chave: mulher; sentido do trabalho; prazer; razões e motivações; Referências Bibliográficas

COHEN, Allan R.; FINK, Stephen L. Comportamento organizacional – conceitos e estudos de casos. 7ª ed. Rio de Janeiro: Campus, 2003.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Editora Atlas S.A, 4ª Edição, 2002.

HERZBERG, F. I. Trabalho e da natureza do homem. Cleveland: World PublishingCo., 1966.

HERZBERG, FI Maximizando trabalho e minimizando trabalho.Semana da Indústria, v 206, n. 8, p. 61-64, 1980.

HERZBERG, FI Os quatro questões existenciais: o seu efeito sobre a motivação eo comportamento humano organizacional. Em: Pauchant, T. C. et al. (Coord.). A busca de sentido: Gerenciando organizações de saúde dos indivíduos, das sociedades e da natureza. Quebec : Organização Publishing, 1996.

VERGARA, S. C. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 3ª edição. São Paulo: Editora Atlas S.A, 2000.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

LISTA DE FIGURAS

Figura 01: Faixa etária. ... 42

Figura 02: Grau de Escolaridade. ... 43

Figura 03: Tempo de colaboração no 19°RCMec. ... 44

Figura 04: Cargo que executa ... 44

Figura 05: Área em que atua ... 46

LISTA DE TABELAS Tabela 01- As características de um trabalho que tem sentido e princípios da organização ... 26

Tabela 02 – Ramo de atuação. ... 38

Tabela 03: Prazer ... 48

Tabela 04: Valorização ... 50

Tabela 05: Independência e Sobrevivência ... 52

Tabela 06: Desenvolvimento ... 53

Tabela 07: Alienação ... 54

Tabela 08: Coerência ... 56

Tabela 09: Utilidade ... 57

Tabela 10: Organização do Trabalho ... 58

Tabela 11: Relações Interpessoais ... 59

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SUMÁRIO INTRODUÇÃO ... 10 1CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO ... 12 1.1 Apresentação do Tema ... 12 1.3 Questão de Estudo ... 14 1.4 Objetivos ... 14 1.4.1 Objetivo Geral ... 14 1.4.2 Objetivos Específicos ... 14 1.5 Justificativa ... 14 2 REFERENCIAL TEÓRICO ... 17 2.1 A Organização do Trabalho ... 17 2.2 A subjetividade do trabalho ... 19 2.3 O Sentido do Trabalho ... 22

2.4 As dimensões do sentido do trabalho ... 28

2.5 A inserção da mulher no mercado de trabalho ... 30

2.6 Ampliando a compreensão sobre o trabalho no Exército Brasileiro ... 33

3 METODOLOGIA ... 36

3.1 Classificação da pesquisa ... 36

3.2 Sujeitos da pesquisa e Universo amostral... 37

3.3 Coleta de dados ... 37

3.4 Análise e interpretação dos dados ... 38

4 RESULTADOS ... 40

4.1 Caracterização da Organização ... 40

4.2 Perfil das entrevistadas ... 41

4.3 O sentido atribuído ao trabalho das mulheres do 19° RCMec ... 46

4.3.1 Dimensão Individual ... 47 4.3.2 Dimensão Organizacional ... 56 4.3.3 Dimensão Social ... 60 CONCLUSÃO ... 63 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 66 ANEXO ... 71

ANEXO A: Roteiro de perguntas utilizado para a realização da entrevista com as empresárias, e respostas transcritas ... 71

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INTRODUÇÃO

Durante a Segunda Guerra Mundial, as mulheres oficialmente ingressaram no Exército Brasileiro. Desde lá, elas vêem conquistando um espaço notório em um cenário quase todo masculino.

Para Lannes (2008), um exército voltado exclusivamente para o campo de batalha dificulta a inserção feminina, mas ao se pensar em um Exército como pilar da sociedade brasileira, o qual se volta para a produção de conhecimento e inteligência, a inserção feminina torna-se possível.

De acordo com Lopes (2005), embora a incorporação feminina nas Forças Armadas represente um grande passo nesse processo de democratização da sociedade, como um pressuposto de igualdade para todos e respeito à multiplicidade independente de gênero, sexo, sexualidade, etnia, etc., ainda há muito a ser feito no que diz respeito aos discursos acerca da “mulher” que ainda predominam em nossa cultura e instituições, colonizando o imaginário social, levando a uma restrição com relação às mulheres no exercício pleno de suas escolhas profissionais.

Assim, este trabalho de conclusão de curso – TCC, tem por objetivo investigar e analisar o sentido atribuído ao trabalho pelas colaboradoras do 19º Regimento de Cavalaria Mecanizado de Santa Rosa - RS, considerando o aspecto da subjetividade do trabalho.

A pesquisa configura-se de um estudo de caráter exploratório descritivo de abordagem quanti – qualitativo. Os procedimentos metodológicos se utilizaram de entrevistas com as profissionais, bem como a aplicação de um questionário a seis colaboradoras do 19º RCMec, buscando avaliar o sentido do trabalho por essas mulheres.

O trabalho de conclusão de curso está estruturado em quatro capítulos. Inicia, com a contextualização do estudo, em que se apresenta o tema, a questão de estudo, a justificativa e os objetivos gerais e específicos.

No segundo capítulo, apresenta-se o referencial teórico em que são abordados estudos realizados com base em autores sobre o referido tema, trazendo conceitos sobre a organização do trabalho, a subjetividade do trabalho, o sentido do trabalho, as dimensões do sentido do trabalho, a inserção da mulher no mercado de trabalho e amplia a compreensão sobre o trabalho no Exército Brasileiro.

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O terceiro capítulo ocupa-se dos procedimentos metodológicos utilizados, onde se caracteriza o tipo de pesquisa que foi realizada, o universo amostral bem como a explicação de como se procedeu à coleta e análise dos dados.

No quarto capítulo, apresenta-se a análise do estudo, sendo dividida em duas partes: a primeira análise desenvolvida foi quantitativa, onde se refere ao perfil das seis entrevistadas, após esta etapa é apresentada a análise quantitativa, com base nas respostas das entrevistas realizadas, apresentando os resultados sobre a dimensão individual com questões sobre: prazer, valorização, independência e sobrevivência, desenvolvimento, alienação e coerência; dimensão organizacional com questões sobre utilidade, organização do trabalho e relações interpessoais; dimensão social com questões sobre utilidade. Foram utilizadas como base teórica as idéias de alguns autores sobre o tema estudado.

Por fim, é apresentada a conclusão do estudo, a bibliografia com todos os livros e autores utilizados para desenvolver o embasamento teórico e o anexo, onde constam as entrevistas realizadas.

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1CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESTUDO

1.1 Apresentação do Tema

A composição dos efetivos profissionais nos diversos ramos trabalhistas sofre uma constante evolução, acompanhando a transformação de mentalidade de nossa sociedade. Esse fenômeno é percebido na inserção em massa da mulher no mercado de trabalho.

Gradativamente esse segmento alterou seu perfil: de dona do lar para chefe de família. È possível verificar essa evolução em citação de Góes (2010, p. 18):

Num passado não muito remoto, quando uma mulher tinha profissão ou emprego, dizia-se que trabalhava fora. O trabalho dos homens dispensava explicação – só podia mesmo ser fora. Essa diferença nem tão sutil traduz à perfeição o velho modelo da existência feminina: a casa era a regra, o mundo a exceção e a atividade doméstica, leve ou pesada, não era reconhecida como ocupação. Agora a Mulher representa metade da mão de obra do mundo Ocidental (no Brasil 42,4%).

Esta realidade é observada também em um dos meios considerado por muito tempo exclusivo para homens: o Exército. Seu espaço foi conquistado aos poucos. Desde 1992, com a instituição do Quadro Complementar de Oficiais (QCO), conforme site do Exército, mulheres ocupam apenas cargos técnicos dentro da Força, atuando na Saúde, na Educação e na Informática. Após projeto sancionado pela presidente Dilma Rousseff, aguarda-se o avanço feminino sobre uma das últimas trincheiras ocupadas exclusivamente por homens no Brasil: o setor combatente do Exército Brasileiro. Outro indicativo do processo de incorporação feminina nas Forças Armadas como aponta Suzeley Kalil Mathias em 2005, em artigo para revista Resdal, é o sucesso que obtiveram nas polícias militares, onde foram interpretadas como humanizadoras das forças militares.

Representando 3,35% do total do contingente militar, segundo site do Ministério da Defesa, e ainda isentas do serviço militar obrigatório, a presença do segmento feminino nas fileiras do Exército surgiu de uma necessidade de progresso em diversos setores da Força. Sabia-se da facilidade feminina em administrar, em se tratar com o público, em organizar o trabalho, mas não se sabia aproveitar tais qualidades. A partir dessa aceitação, a mulher foi ingressando, ainda que de maneira tímida, em escolas de formação de carreira, tais como a Escola de Saúde do Exército (EsSEx) e a Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx).

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Apesar de não declarado oficialmente, ainda persistem resistências internas e muitas incertezas na Força em relação à entrada do sexo feminino às fileiras militares. Discute-se, principalmente, as condições físicas e psicológicas das mulheres, geralmente justificadas como frágeis e despreparadas para o cotidiano de combate.

Para Arkin & Dobrofski (1995), o mundo do soldado é caracterizado por „uma masculinidade estereotipada(...) associado à guerra, ao poder, opressão, enquanto a não-masculinidade situa-se numa matriz simbólica de paz, passividade, maternidade, ineficácia, submissão.‟

Para compreender como e porque se deu a inserção das mulheres em um ambiente tão masculino, deve-se entender que o desempenho de uma organização depende fortemente da contribuição das pessoas que a compõe e da forma como elas estão organizadas, são estimuladas e capacitadas, e como são mantidas num ambiente de trabalho e num clima organizacional adequado. Lannes (2008), no seu estudo sobre „A inserção da mulher no moderno Exército Brasileiro‟, nos apresenta um estudo que relaciona o ingresso das mulheres na Força Terrestre brasileira como prova da evolução dessa instituição.

Passos (2008), no estudo „Militar como uma construção de gênero‟, apresenta a trajetória da inserção feminina no Exército e os espaços que ocupa na Força. Conclui que o gênero feminino se insere de três maneiras: nas relações sociais entre os sujeitos militares, mulheres e homens; na articulação dos papéis desenvolvidos pela mulher no ambiente público e privado; e as transformações das relações entre superior/subordinado, mulher/homem e nos círculos hierárquicos.

O trabalho possibilita ao homem concretizar seus sonhos, atingir suas metas e objetivos de vida, além de ser uma forma de expressão. É o trabalho que faz com que o indivíduo demonstre ações, iniciativas e desenvolva habilidades. É com o trabalho que ele também poderá aperfeiçoá-las. O trabalho faz com que o homem aprenda a conviver com outras pessoas, com as diferenças, a não ser egoísta e pensar na organização, não apenas em si.

O trabalho faz com que o indivíduo aprenda a fazer algo com um objetivo definido, e com isso, o ser humano, começa a conquistar seu próprio espaço, respeito e consideração dos demais, exemplo das mulheres, que com o passar dos tempos conquistaram seu lugar em um ambiente masculinizado, como as Forças Armadas. Assim, a mulher conquistou merecidamente e gradativamente seu espaço, aliando oportunidade, competência e profissionalismo, derrubando antigas barreiras machistas disseminados nos diversos quartéis desse país.

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1.3 Questão de Estudo

Compreender os sentidos do trabalho hoje é um desafio importante para os administradores, tendo em vista as múltiplas transformações que têm atingido as organizações e os “mundos do trabalho”.

Traduzindo idéias de Herzberg (1966, 1980, 1996); Hackman e Suttle (1977), o trabalho representa um valor importante, exerce uma influência considerável sobre a motivação dos trabalhadores e também sobre sua satisfação e sua produtividade.

De acordo com a temática apresentada no presente projeto, teve-se como questão central: Qual o sentido atribuído ao trabalho pelas colaboradoras do 19º Regimento de Cavalaria Mecanizado de Santa Rosa, considerando os aspectos da subjetividade no trabalho em que atuam?

1.4 Objetivos 1.4.1 Objetivo Geral

Investigar e analisar o sentido atribuído ao trabalho pelas colaboradoras do 19º Regimento de Cavalaria Mecanizado de Santa Rosa, considerando os aspectos da subjetividade no trabalho em que atuam.

1.4.2 Objetivos Específicos

- Identificar o perfil das mulheres militares do 19º RCMec. - Diagnosticar o sentido atribuído ao trabalho por estas mulheres.

- Avaliar suas expectativas e realizações no aspecto subjetividade do trabalho.

1.5 Justificativa

Segundo o Ministério da Defesa (2013), o efetivo profissional de mulheres no Exército Brasileiro chega hoje a 6.700. Esse número é reflexo da inserção feminina em ambientes masculinos.

A participação feminina no mercado de trabalho cresceu significativamente nos últimos anos, onde pode-se perceber o aumento gradativo de mulheres em busca da independência financeira ultrapassando barreiras para ir em busca de seus objetivos.

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Bruschini e Lombardi (2003), além de atribuírem o significativo aumento da inserção feminina na atividade produtiva à necessidade econômica decorrente das mudanças no mundo do trabalho e às novas oportunidades surgidas a partir de então, apontam também como causas dessa tendência, as transformações demográficas, culturais e sociais que vêm modificando o perfil das famílias brasileiras. Isso pode ser constatado, por exemplo, pela redução do número de filhos e pelo aumento quantitativo de famílias chefiadas por mulheres. Essas autoras ainda destacam que as mudanças culturais relativas ao papel social da mulher, decorrentes dos impactos provocados pelos movimentos feministas iniciados na década de 1970, e o aumento da presença feminina no mercado de trabalho contribuíram para a sua maior aceitação no espaço produtivo.

Segundo o artigo Mulher e Trabalho (2006), dentre os brasileiros que trabalham, as mulheres são quase a metade (42%). As mulheres são responsáveis pelo sustento de aproximadamente um terço das famílias no país, além de serem provedoras que exercem múltiplos papéis na família: esposa, mãe, cozinheira, faxineira, gerenciadora de crises, contadora, professora, lavadeira, jardineira, motorista, enfermeira, psiquiatra, médica, lavadora de louças e coletora de lixos.

Conforme Chu (2003, p.130):

É hora de vocês, mulheres que usam no trabalho toda a criatividade, inovação e capacidade de adaptação, começarem a transferir as habilidades da vida profissional para a vida doméstica. É possível abraçar o marido, os filhos e a carreira – tudo ao mesmo tempo.

Para competir nesse mundo dominado por homens, mulheres tiveram de ser duplamente boas em suas tarefas e ver homens com a mesma competência que elas recebendo salários três vezes mais altos. Depois da batalha dos sexos travada no século anterior, as mulheres estão mais seguras do que nunca em seu eu feminino.

No trecho do livro „A Arte da Guerra para as Mulheres‟ que diz: „Antes eu queria me casar com um milionário. Agora, quero ser milionária‟, percebemos o quanto as mulheres estão em busca da sua independência financeira. É uma corrente de feminilidade universal que atravessa e ultrapassa fronteiras e culturas, inclusive no Exército Brasileiro.

A escolha da organização em estudo se dá, devido ao meu próprio interesse, pois sempre me interessei pelo exército brasileiro; pela admiração que tenho por essas mulheres, além do ganho no aprendizado em realizar a conclusão de curso nessa área. Desejo buscar o

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sentido do trabalho na vida das pessoas, como este influencia na sua personalidade, na sua vida mental, nos seus desejos, na sua família.

A pesquisa deste tema “o Sentido do Trabalho” é de grande importância para o curso de Administração, pois, nos dá novas idéias e novas interpretações sobre o homem e suas relações com o trabalho. Trata-se de um assunto que é muito pouco explorado: as relações entre trabalho e a vida psíquica. Mulheres trabalhando sobre a pressão do dia-a-dia, em meio a tiros, preconceitos e treinamento pesado.

Acredito que essas mulheres devem orgulhar-se do trabalho que executam, defendendo sua pátria e superando muitos preconceitos, e é isso que desejo descobrir.

Por fim, buscou-se verificar detalhadamente como o segmento feminino se porta nesse meio masculino, se sua felicidade é plena e se alcançam seus objetivos assim como alcançariam em um meio feminino.

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2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 A Organização do Trabalho

É necessário haver a organização do trabalho para que tudo funcione como um relógio de precisão. Cada peça funcionando em conformidade com as demais, formando um grupo organizado e conseguindo alcançar a qualidade, isto é a organização do trabalho. A organização do trabalho é uma engrenagem perfeita para realizar todos os tipos de tarefas as quais nos propomos, com uma realização final mais satisfatória.

Se a organização se organiza, colhe os frutos. As pessoas que fazem parte da organização confiam nela, quando ela se mostra organizada. Sem organização do trabalho, os objetivos ficam longe de serem cumpridos, causam problemas e são o terror das organizações. Para Morin (2002), a organização do trabalho deve oferecer aos trabalhadores a possibilidade de realizar algo que tenha sentido, de praticar e desenvolver suas competências, de exercer seus julgamentos e seu livre-arbítrio, de conhecer a evolução de seus desempenhos e de se ajustar. O princípio que guia a organização do trabalho é o de modificar os comportamentos de tal forma que, gradualmente, os trabalhadores sejam conduzidos a desenvolver atitudes positivas com relação às funções executadas, à empresa que os emprega e a eles próprios. É o comprometimento com o trabalho que constitui o principal indicador de uma organização eficaz.

Foi Frederick Taylor (1900), quem estabeleceu as bases do que ficou conhecido como a 'Teoria da Organização Científica do Trabalho', publicado em 1904. As suas idéias, centradas na forma como as tarefas são executadas, têm como principal base a ética protestante do trabalho árduo, racionalidade econômica e individualismo. São assim uma orientação pragmática para aumentar a eficiência do trabalho.

Para Taylor (1990, p. 24), “o principal objetivo da administração deve ser o de assegurar o máximo de prosperidade ao patrão e, ao mesmo tempo, o máximo de prosperidade ao empregado.”

Taylor (1990), considera que, maximizando a eficiência, se maximizarão também os rendimentos, quer de trabalhadores quer de empresários, pelo que o conflito entre o capital e o trabalho estaria resolvido por esta via. Parte assim do pressuposto de que bastam recompensas financeiras para motivar os trabalhadores e que os administradores se conformariam a ver o

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seu papel reduzido à organização "científica" do processo produtivo, recorrendo à uniformização de tarefas e à divisão do trabalho.

A abordagem taylorista é parcial na forma como encara a gestão, pois considera a organização como uma organização fechada e se debruça apenas sobre o processo produtivo em si, esquecendo, por exemplo, a estrutura da própria organização.

Embora continuem a não considerar as inter-relações da empresa com o seu ambiente, as teorias centradas na estrutura consideram a totalidade da organização, indo além da mera racionalização do trabalho.

A 'Teoria Clássica' de Henri Fayol (1841-1925) foi o primeiro contributo nesta perspectiva, assumindo uma visão anatômica da estrutura formal da organização. A sua principal preocupação residia nas relações e funções dos diversos órgãos dentro da empresa. Fayol identificou também as principais funções da empresa (técnicas, comerciais, financeiras, de segurança, de contabilidade e administrativas ou de gestão), estabelecendo uma terminologia que ainda hoje é aceita.

A 'Teoria Clássica' preconizava uma estrutura hierárquica, que traduzia uma cadeia de comando clara, revelando uma orientação de natureza militar. Contudo, considerava que a função de gestão estava presente em todos os níveis hierárquicos, crescendo a sua importância nos níveis mais elevados. A função de gestão teria um papel de coordenação das cinco restantes, envolvendo prever, organizar, comandar, coordenar e controlar.

Os princípios para uma boa gestão também foram enunciados: divisão do trabalho, autoridade e responsabilidade, disciplina, unidade de comando, subordinação dos interesses individuais aos coletivos, centralização, ordem, iniciativa e espírito de corpo.

Henri Fayol (1989), propõe uma abordagem na sua 'Teoria Clássica' eminentemente prescritiva e normativa. Propõe-se prescrever receitas, para conduzir os empresários ao sucesso e aos lucros.

Max Weber (2007), têm outra teoria centrada na estrutura. Trata-se da 'Teoria da Burocracia', que procura alcançar a máxima eficiência e racionalidade da organização formal. A teoria assenta na formalização, divisão do trabalho, hierarquia, impessoalidade, competência técnica, separação entre propriedade e administração e profissionalização do funcionário.

A 'Teoria Clássica' e a 'Teoria Burocrática' são semelhantes em aspectos como a divisão do trabalho ou a hierarquia, pois ambas partem da estrutura formal da organização. No entanto, onde a primeira insiste na disciplina e no comando, a segunda aponta para a impessoalidade e o formalismo.

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Um modelo deste tipo seria racionalmente perfeito e poderia ser aplicado virtualmente a qualquer tipo de organização, independentemente da sua natureza. Contudo, esquece a dimensão humana e informal das organizações, conduzindo a disfunções como a despersonalização do relacionamento no trabalho, o conformismo (que conduz ao declínio da criatividade e da qualidade de desempenho), o formalismo excessivo e uma enorme resistência à mudança.

A teoria de Max Weber (1864-1920) pode ser, por isso, uma ameaça à própria sobrevivência de qualquer organização. Quando deixa que a realidade ultrapasse o quadro normativo estável que procura implantar ou que a indiferença e conformismo se instalem, está a destruir as capacidades fundamentais que uma organização deve possuir para, pelo menos, se adaptar à evolução do mundo que a rodeia.

Segundo Senge (1990), nenhuma organização se torna grande se não tiver objetivos, valores e missão que se tornem compartilhadas através de toda a organização. Uma declaração de visão ou o carisma do líder não são suficientes. Uma visão genuína gera excelência e aprendizagem porque as pessoas da organização querem se empenhar por suas metas.

2.2 A subjetividade do trabalho

Morin (2002, p. 40), destaca que, “o trabalho desenvolvido em certas condições exerce pressão psíquica sobre o trabalhador, gerando sofrimento devido ao embate entre expectativas e projetos de vida do trabalhador e uma dada organização do trabalho que não abra espaço para que eles sejam considerados”.

Para Dejours (1993), o sofrimento no trabalho constitui-se uma das conseqüências da insistência do ser humano em viver em um ambiente que lhe é adverso.

Segundo Silveira (1996), refletir sobre subjetividade e trabalho remete a pensar nas diversas formas de relação do ser humano e o trabalho, nos diversos tipos de significados e reações que apresenta diante do percebido e vivenciado, tanto podendo adotar posturas de conformação dos modos de agir, pensar e sentir, como através das resistências transgressoras ou de mobilização coletiva, de discussões nos espaços públicos e espontâneos de decisões com outros trabalhadores, para apontarem disfunções, para transformarem o que é gerador de sofrimento no trabalho e buscar o prazer na atividade laborativa.

As vivências de sofrimento aparecem associadas à divisão e à padronização de tarefas com subutilização do potencial técnico e da criatividade, o trabalho fatigante, aquele que não

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encontra a possibilidade de acomodação pelo trabalhador, torna-se insustentável, mostrando que a carga psíquica do trabalho aumenta quando a liberdade de organização deste diminui, a rigidez hierárquica, com excesso de procedimentos burocráticos, centralização de informações, falta de participação nas decisões, não-reconhecimento e pouca perspectiva de crescimento profissional.

Segundo Mazzili, Paixão e Lemos (2002, p. 3), “sofrimento e prazer são vivências subjetivas de um individuo concreto, situado historicamente, que expõe sua interioridade ao contato com a objetividade do contexto das relações de trabalho”, surgidas do processo de adaptação.

Para Dejours (1993, p.14),

trabalhar envolve a mobilização do corpo e da inteligência para um objetivo de produção, em que se objetiva a engenhosidade humana, de tal modo que se produzem no mesmo movimento o trabalho e a si mesmo, engendrando-se aí a potência de transformar o sofrimento em prazer. Enfim, trabalhar define-se como aquilo que o sujeito deve agregar às prescrições para poder atingir os objetivos que lhe são assinalados. Ou ainda, aquilo que deve agregar de si mesmo para fazer face ao que não funciona quando se segue escrupulosamente as prescrições.

O modo como o trabalhador arma suas defesas perante as circunstâncias desfavoráveis e a conduz exerce grande influência sobre a sua saúde. Então, se a intervenção fortalecer adequadamente o comportamento de enfrentamento, os riscos de adoecimento serão amenizados.

O processo de trabalho é um conceito que se refere não só à base técnica, mas também aos componentes da organização social do trabalho, de modo que considera o processo técnico, social e econômico.

Conforme Davel e Vergara (2001, p.43), a subjetividade pode também “ser vista como constituída a partir da experiência social”. De modo que, torna-se parte integrante da organização do trabalho.

A organização do trabalho é de certa forma, a vontade de outro. Ela determina não somente a divisão do trabalho, mas também a divisão dos homens.

Segundo Dejours (1993), a carga psíquica do trabalho resulta:

 A confrontação do desejo do trabalhador (história pessoal, motivações e necessidades psicológicas que confere a cada indivíduo características únicas)  A injunção do empregador contida na organização do trabalho.

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quando não há mais arranjo possível da organização do trabalho pelo trabalhador, quando a relação do trabalhador com a organização do trabalho (conflito com a tarefa) é bloqueada, o sofrimento começa. Para transformar um trabalho desgastante em um trabalho prazeroso, precisa-se flexibilizar a organização do trabalho, de modo a deixar maior liberdade ao trabalhador para rearranjar seu modo operatório.

Para Dejours (1999), o trabalho significa para o trabalhador uma forma de afirmar sua identidade por meio das atribuições individuais inseridas por ele na realização da tarefa. Desta forma o sentido atribuído pelos indivíduos ao trabalho é composto pela utilidade para a organização e para a sociedade, relacionado com a idéia de finalidade e objetivo. Ao mesmo tempo confere ao operário a identificação com a tarefa permitindo o sentimento de realização e satisfação com a execução de um trabalho, além de sentir-se inserido no grupo ao ter seu trabalho reconhecido.

Dejours (1999), relata ainda que a organização do trabalho, concebida por um trabalho especializado da empresa e estranho aos trabalhadores, choca-se diretamente com a vida mental e com a esfera das realizações, das motivações e dos desejos do indivíduo, levando-o à perda do sentido na realização das tarefas. No trabalho artesanal, que precedeu a organização científica do trabalho e, ainda hoje, rege as tarefas muito qualificadas, uma parte da organização do trabalho é definida pelo próprio operador. A organização temporal do trabalho, a escolha das técnicas operatórias, os instrumentos e os materiais empregados permitem-lhe, dentro de alguns limites, adaptar o trabalho as suas aspirações e competências, conferindo parte de sua identidade na realização das tarefas, colaborando para que o trabalho tenha sentido para o executor. É através do trabalho que o ser humano tem buscado atender suas necessidades, atingir seus objetivos e realizar-se.

Segundo Morin (2002, p.72),

o trabalho representa um valor importante, exerce uma influência considerável sobre a motivação dos trabalhadores e também sobre sua satisfação. Vale a pena, então, tentar compreender o sentido do trabalho hoje e determinar as características que ele deveria apresentar a fim de que tenha um sentido para aqueles que o realizam.

O trabalho é essencial ao crescimento, desenvolvimento e sobrevivência do ser humano e, ainda, fonte de prazer.

A inter-relação entre o trabalho como gerador de prazer, e em contrapartida de sofrimento, buscou mostrar a fragilidade do trabalhador em seu papel adaptativo, porque cada trabalho implica um envolvimento, que pode gerar vivências de prazer ou sofrimento.

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Quando o trabalho favorece a valorização, admiração, respeito, reconhecimento e a possibilidade de expressar criatividade, ocorrem o prazer. Porém, quando o trabalho é submetido à rigidez hierárquica, centralização de informações e falta de participação nas decisões, o trabalho torna-se fonte de sofrimento. Este sofrimento é capaz de desestabilizar o individuo, e resultar no adoecimento, como também é natural a luta contra ele.

Para a psicodinâmica do Trabalho, estudada por Dejours (1999), o trabalho saudável é aquele capaz de respeitar a identidade e os limites do ser humano. E na impossibilidade de mudar a organização do trabalho, o caminho é a reorientação profissional, auxiliar o trabalhador através de intervenções, que o ajude a enfrentar de maneira mais adequada as situações desfavoráveis.

2.3 O Sentido do Trabalho

Há diferentes teorizações a respeito do sentido do trabalho. Algumas o vêem como experiência psicossocial de prazer e sofrimento; outras, de adoecimento mental; e outras, de equilíbrio psíquico.

Na área da Administração, um dos primeiros estudos sobre o sentido do trabalho foi realizado por Hackman e Oldham (1975), citados por Tolfo e Picinini (2007, p. 39). Para Hackman e Oldham (1975), um trabalho com sentido precisa ser importante, útil e legit imo para quem o realiza e apresenta três características fundamentais: a variedade das tarefas; não ser um trabalho alienante, isto é, deve oferecer a possibilidade de realizar algo do começo ao fim com resultado; e, ainda, precisa oferecer o retorno ao trabalhador sobre seu desempenho. Segundo Antunes (2000), para que haja uma vida dotada de sentido, é necessário que o indivíduo encontre na esfera do trabalho o primeiro momento de realização. Se o trabalho for auto-determinado, autônomo e livre, será também dotado de sentido ao possibilitar o uso autônomo do tempo livre que o ser social necessita para se humanizar e se emancipar em seu sentido mais profundo. A busca de uma vida dotada de sentido a partir do trabalho permite explorar as conexões decisivas existentes entre trabalho e liberdade.

Para Herzberg (1966, 1980, 1996) e Hackman e Suttle (1977), o trabalho representa um valor importante, exerce uma influência considerável sobre a motivação dos trabalhadores e também sobre sua satisfação e sua produtividade.

Morin (2002, p.71), afirma que „o trabalho conserva um lugar importante na sociedade. E mesmo que ganhássemos muito dinheiro para viver confortavelmente pelo resto da vida, mesmo assim a maioria de nós ainda trabalharia‟, pois existem outras razões para o

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trabalho, tais como, relações interpessoais, satisfação e identidade. O homem é um ser produtivo, sobressaiu-se dentre os demais animais pelo fato de se organizar em sociedade. Portanto, trabalhar, ainda nos dias atuais, conserva esse caráter de relacionamento e um sentimento de vinculação.

Três estados psicológicos teriam, assim, um impacto importante na motivação e na satisfação de uma pessoa no seu trabalho: o sentido que uma pessoa encontra na função exercida, o sentimento de responsabilidade que ela vivencia em relação aos resultados obtidos e o conhecimento de seu desempenho no trabalho.

Antunes (2000), destaca a relação entre sentido e trabalho na atual realidade social em uma perspectiva sociológica. Para que exista uma vida cheia de sentido fora do trabalho, é necessária uma vida dotada de sentido dentro do trabalho. Não é possível compatibilizar trabalho assalariado, fetichizado e estranhado com satisfação, realização e pertença que trazem sentido para a vida dos indivíduos. Uma vida desprovida de sentido no trabalho é incompatível com uma vida cheia de sentido fora do trabalho.

Para Hackman e Oldham (1975), um trabalho tem sentido para uma pessoa quando ela o acha importante, útil e legítimo.

Conforme Davis e Newstrom (1992, p. 151) “as dimensões essenciais tendem a promover a motivação, a satisfação e a qualidade do trabalho e a reduzir a rotatividade e o absenteísmo.”

Os aspectos baseados no cargo são (CHIAVENATO, 1999, p. 392):

• Variedades de habilidades: o cargo exercido deve exigir várias e diferentes habilidades e conhecimento.

• Identidade da tarefa: ressalta a importância do indivíduo sobre as suas tarefas, o trabalho deve ser realizado do inicio ao fim, para que este perceba que produz um resultado palpável.

• Significado da tarefa: a pessoa deve ter uma clara percepção de que forma o seu trabalho produz conseqüência e impactos sobre o trabalho dos demais.

• Autonomia: defende-se a responsabilidade pessoal para planejar e executar as tarefas e independência para desempenhá-las. Um exemplo seria a prática de gerência por objetivos, pois proporciona um papel importante aos trabalhadores no estabelecimento de seus próprios objetivos e na busca de planos para conseguí-los. • Feedback: refere-se às informações, pode ser dividido em retroação do próprio

trabalho e retroação extrínseca. A idéia do feedback é simples, mas de grande importância para as pessoas no trabalho, pois através desse retorno é que o

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trabalhador poderá fazer uma auto-análise, visando melhorias em sua conduta profissional. O feedback permite ao colaborador avaliar e corrigir as possíveis falhas na execução das atividades.

• Retroação do próprio trabalho: os superiores devem proporcionar informação de retorno para que o próprio indivíduo possa avaliar o seu desempenho.

• Retroação extrínseca: deve haver um retorno dos superiores hierárquicos ou cliente a respeito do desempenho de sua tarefa.

• Inter - relacionamento: o contato interpessoal do ocupante com outras pessoas ou clientes devera ser estimulado e possibilitado.

Pelos indicadores citados, observa-se a importância dos administradores para a conscientização da qualidade de vida dos trabalhadores. Por exemplo, no quesito significado da tarefa depende da visão administrativa em mostrar a importância da tarefa para o executor. Ou seja, a tarefa pode ser simples, mas de vital importância para o processo e isso ser entendido pelo executor, o que traz um sentido de satisfação pessoal ao indivíduo no ato de desempenhar o trabalho que lhe foi designado.

Morin (2002), se baseou nas pesquisas realizadas por Emery (1964) e Trist (1978), desenvolvidas para apresentar propriedades do trabalho que estimulam o comprometimento, sendo identificadas seis propriedades de valores intrínsecos ao trabalho: variedade e desafio, aprendizagem contínua, autonomia, reconhecimento e apoio, contribuição social e futuro desejável.

A variedade e o desafio referem-se ao trabalho que deve ser razoavelmente exigente – em outros termos que o de resistência física – e incluir variedade. Esse aspecto permite reconhecer o prazer que podem trazer o exercício das competências e a resolução dos problemas.

A aprendizagem contínua é quando o trabalho deve oferecer oportunidades de aprendizagem em uma base regular. Isso permite estimular a necessidade de crescimento pessoal.

Segundo Senge (1990), para se tornar uma organização que aprende é fundamental que se incentive o domínio pessoal, a disciplina do crescimento e da aprendizagem pessoal. Através desta disciplina, as pessoas mudam a forma de encarar a vida pois têm clareza das suas visões, sabem onde estão e aonde querem chegar. Expandem a sua capacidade de criar resultados que realmente procuram porque aprendem a perceber e a trabalhar com as forças de mudanças, ao invés de resistir a elas.

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Uma margem de manobra e a autonomia é quando o trabalho deve invocar a capacidade de decisão da pessoa. Deve-se reconhecer a necessidade de autonomia e o prazer retirado do exercício de julgamentos pessoais no trabalho.

O reconhecimento e o apoio refere-se ao trabalho que deve ser reconhecido e apoiado pelos outros na organização. Esse aspecto estimula a necessidade de afiliação e vinculação.

Uma contribuição social que faz sentido é quando o trabalho deve permitir a união entre o exercício de atividades e suas conseqüências sociais. Isto contribui à construção da identidade social e protege a dignidade pessoal. Esse âmbito do trabalho reconhece o prazer de contribuir para a sociedade.

Um futuro desejável remete quando o trabalho deve permitir a consideração de um futuro desejável, incluindo atividades de aperfeiçoamento e orientação profissional. Isso reconhece a esperança como um direito humano.

Essa abordagem sócia-técnica considera, além dos aspectos intrínsecos ao trabalho, os aspectos extrínsecos que afetam o comprometimento como salário, regras organizacionais e estrutura física. Embora existam outros fatores que influenciam o comportamento, como diferenças individuais, os autores consideram que esses apresentados contribuam apreciavelmente para a melhoria na qualidade de vida no trabalho e para o desempenho organizacional (MORIN, 2002).

Os dois modelos apresentam pontos em comum, que recomendam a organização do trabalho de uma forma que favoreça a produção de sentido para o trabalhador, e que ele possa praticar e desenvolver, ainda, um sentido de vinculação.

Pelas pesquisas realizadas, Morin (2002), determina os atributos de um trabalho com sentido com a finalidade de sugerir formas concretas de organizar o trabalho durante as transformações organizacionais (Tabela 1).

Um dos atributos é quando um trabalho é eficiente. De acordo com Morin (2002), um trabalho é uma atividade produtiva que agrega valor a alguma coisa; para isso, deve ser organizado de forma eficiente, cuja realização conduza a resultados úteis, gastando-se energia de maneira rentável. É importante que os objetivos visados e os resultados esperados sejam claros e significativos para as pessoas que o realizam.

Além da eficiência, um trabalho que faz sentido é um trabalho satisfatório. Morin (2002), descreve que o prazer e o sentimento de realização que podem ser obtidos na execução das tarefas dão sentido ao trabalho. O interesse pelo trabalho estaria relacionado com as exigências que este proporciona ao indivíduo, com o conjunto de valores, interesses e

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competências do sujeito, com a possibilidade de provar suas habilidades, com a autonomia, responsabilidade e feedback sobre suas tarefas.

Um trabalho que é moralmente aceito, segundo Morin (2002), é aquele realizado em um contexto social que respeite o dever e o saber viver em sociedade tanto na realização quanto nos objetivos que estabelece. O Sujeito rejeita lugares que exaltam valores não compartilhados pelo indivíduo, que realizam práticas desrespeitosas, injustas, contra-produtivas e desonestas;

Morin (2002), descreve um trabalho que permita relações humanas, uma atividade que coloca as pessoas em relação com as outras, contribuindo para o desenvolvimento de suas identidades. Um trabalho com sentido é um trabalho no qual se encontram pessoas de qualidade, honestos, francos, com quem se pode ter prazer em trabalhar, poder ajudar uns aos outros. Sentido no trabalho é encontrado por meio de fortes laços sociais, permitindo escapar do sentimento de isolamento:

Tabela 01- As características de um trabalho que tem sentido e princípios da organização

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Um trabalho que garanta segurança e autonomia, segundo Morin (2002), é quando o trabalho está associado ao salário que permite prover as necessidades de base, dá um sentimento de segurança e possibilita ser autônomo e independente. As condições nas quais o trabalho se realiza também foram consideradas importantes;

De acordo com Morin (2002), um trabalho que mantenha as pessoas ocupadas, é quando o trabalho é uma atividade programada com horários e rotinas. O trabalho é uma necessidade que ajuda as pessoas a se situarem, que ocupa o tempo da vida e que lhe dá um sentido, sobretudo quando se tem autonomia.

Para Borges e Filho (2001, p. 179), entende-se „o significado do trabalho como uma cognição subjetiva, histórica e dinâmica, caracterizado por múltiplas facetas que se articulam de diversificadas maneiras‟. É subjetivo, pois o sentido do trabalho apresenta variação de pessoa para pessoa, em função de sua história de vida. É social, pois apresenta aspectos compartilhados em sociedade por um conjunto de indivíduos que vivenciam o mesmo momento histórico. E é dinâmico, pois está em constante processo de construção.

Para Dejours (1987), o trabalho precisa fazer sentido para o próprio sujeito, para seus pares e para a sociedade. Segundo o autor, o sentido do trabalho é formado por dois componentes: o conteúdo significativo em relação ao sujeito e o conteúdo significativo em relação ao objeto. Relativo ao conteúdo significativo do trabalho em relação ao sujeito o autor identifica as dificuldades práticas das tarefas, a significação da tarefa acabada em relação a uma profissão (noção que contém ao mesmo tempo a idéia de evolução pessoal e de aperfeiçoamento) e a posição social implicitamente ligada ao posto de trabalho determinado. O sentido do trabalho, desta forma, permite a construção da identidade pessoal e social do trabalhador por meio das tarefas que executa, do seu trabalho, permitindo que ele consiga se identificar com aquilo que realiza.

D'Acri (2003), em estudo que realizou com os empregados da indústria têxtil de amianto no Rio de Janeiro, ressaltou que, embora esta atividade seja extremamente insalubre, os trabalhadores encontram sentido em seu trabalho. Com base na fala dos trabalhadores, mesmo sob más condições de trabalho, incluindo sofrimento, esforço e dor, existe a alegria da realização, da criação de um fazer humano e do sentimento de participação no mundo. A autora afirma ainda que, mesmo em um trabalho alienado, há espaço para que o indivíduo encontre sentido na execução de suas atividades. Os operários sentem-se importantes como pessoas e por ajudar a família, apesar de que muitos fazem referência ao trabalho apenas pelo aspecto econômico. Outros, no entanto, demonstraram uma acentuada preocupação com a autonomia econômica que influencia a forma como atuam na construção da vida da própria

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família. No que diz respeito ao sentido do trabalho, exaltaram experiências com a realização das atividades; as formas como solucionavam as dúvidas ou problemas; o insucesso com as tarefas prescritas, das quais não participavam; a inovação e a criatividade para atender à execução do trabalho.

2.4 As dimensões do sentido do trabalho

Morin; Tonelli e Pliopas (2007), realizaram uma análise com o objetivo de construir um instrumento de pesquisa válido para pesquisar os sentidos do trabalho para brasileiros, por meio da exploração qualitativa de dados de entrevistas. As entrevistas foram realizadas com quinze alunos do curso de especialização em administração. De uma forma geral, os resultados corroboram outros estudos, indicando que autonomia, reconhecimento, bem como a função de garantir a sobrevivência e a segurança são fundamentais para que o trabalho tenha sentido. Além disso, mostram que, para essa amostra pesquisada, o trabalho é essencial na vida das pessoas e que estas buscam, ao mesmo tempo, utilidade para suas atividades dentro das organizações e também para a sociedade.

Para a elaboração do construto Morin; Tonelli e Pliopas (2007), classificaram, de acordo com três dimensões, o sentido do trabalho: individual, organizacional e social. Na esfera individual encontram-se quatro elementos: satisfação pessoal, independência e sobrevivência, crescimento e aprendizagem e identidade. Na dimensão organizacional têm-se dois elementos: a utilidade e o relacionamento proporcionado pelo trabalho. A questão social é composta pela inserção social e contribuição social oferecida pelo trabalho.

Quando o trabalho que tem sentido dá prazer a quem o exerce e a pessoa gosta de sua atividade, aprecia o que faz, é a dimensão individual e satisfação pessoal. Além disso, o sentido do trabalho e a satisfação estão relacionados à contribuição pessoal do indivíduo para o próprio trabalho: o trabalho faz sentido se quem o executa tem a sensação de superar desafios e se seu executor percebe sua contribuição e responsabilidade no trabalho executado. Chiavenato (1999), descreve que para o psicólogo norte-americano Abraham Maslow, adepto da psicologia humanista, a motivação está diretamente ligada à satisfação de necessidades. Ele define um conjunto de cinco necessidades: primeiramente, as necessidades fisiológicas (básicas), tais como a fome, a sede, o sono, o sexo, a excreção, o abrigo; as necessidades de segurança, que vão da simples necessidade de sentir-se seguro dentro de uma casa a formas mais elaboradas de segurança como um emprego estável, um plano de saúde ou um seguro de vida; as necessidades sociais ou de amor, afeto, afeição e sentimentos tais como

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os de pertencer a um grupo ou fazer parte de um clube; as necessidades de estima, que passam por duas vertentes, o reconhecimento das nossas capacidades pessoais e o reconhecimento dos outros face à nossa capacidade de adequação às funções que desempenhamos; as necessidades de auto-realização, em que o indivíduo procura tornar-se aquilo que ele pode ser. É neste último patamar da pirâmide que Maslow considera que a pessoa tem que ser coerente com aquilo que é na realidade: „... temos de ser tudo o que somos capazes de ser, desenvolver os nossos potenciais.‟

Quadro 01 - As dimensões do trabalho

Fonte - Oliveira, Piccinini e Fontoura (2004).

Para Morin; Tonelli e Pliopas (2007), quando o dinheiro ganho como fruto do trabalho é associado à perspectiva de autonomia e independência do trabalhador estamos falando de dimensão individual e autonomia e sobrevivência. Tal autonomia pode ser presente ou projetada ao futuro: o indivíduo se percebe trabalhando muitas horas nos dias atuais para poder progredir na escala hierárquica, passar a receber remunerações maiores e poder

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conquistar seus sonhos: ter mais tempo disponível, ganhar o suficiente para poder sustentar filhos, adquirir moradia e atingir uma melhor qualidade de vida. A autonomia financeira está também relacionada à liberdade de escolhas, a não depender de outro para tomar suas decisões. Quando a perspectiva de galgar as escalas hierárquicas traz sentido ao trabalho estamos falando da dimensão individual e aprendizagem e crescimento. Este é o crescimento desejado e esperado dentro do mundo organizacional. Porém, acredita-se que a ascensão organizacional ocorra antes para os mais competentes, para os mais aptos. Assim, trabalho com sentido passa a ser aquele que proporciona a aquisição de habilidades e conhecimentos, que permite o aprimoramento de competências do indivíduo. Não faz sentido realizar trabalho que não carregue consigo potencial de crescimento, nem tampouco realizar trabalho que não explore o potencial de desenvolvimento das pessoas.

Segundo Morin; Tonelli e Pliopas (2007), a dimensão individual e identidade é quando podemos inferir que a organização contribui significativamente para a identidade das pessoas: trata-se de um exemplo típico da quase totalidade das pessoas que se apresentam tendo a empresa onde trabalham como complemento de seu nome. Um dos sentidos do trabalho é o status que este fornece: a empresa onde a pessoa trabalha, o cargo que ocupa, os benefícios que usufrui e o dinheiro que ganha são componentes importantes na atribuição de sentido do trabalho. Além disso, o tipo de trabalho realizado pela pessoa tem um importante significado. Quando a atribuição de sentido ao trabalho se dá devido a sua utilidade estamos falando de dimensão organizacional e utilidade. O trabalho tem sentido se o produto do trabalho servir a algum propósito. Narrar que um sistema desenvolvido no antigo emprego ainda é utilizado é exemplo de trabalho que faz sentido. Quando o sentido do trabalho é dado pelo reconhecimento de alguém, que muitas vezes distingue o trabalho do funcionário como útil, falamos de dimensão organizacional e relacionamentos.

A dimensão social e inserção na sociedade é uma maneira de pertencer ao conjunto social. A formação profissional, o trabalho exercido, a empresa onde o trabalho é exercido e a própria remuneração são papéis que permitem ao homem interagir de e com diferentes grupos sociais. Um trabalho tem sentido quando presta alguma contribuição à sociedade é a dimensão social e contribuição para sociedade. Um trabalho moralmente inaceitável é um trabalho absurdo (MORIN; TONELLI e PLIOPAS, 2007).

2.5 A inserção da mulher no mercado de trabalho

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mente), quando os homens iam para as batalhas e as mulheres eram responsáveis pelos cuidados com a família e pelas obrigações que antes pertenciam aos seus maridos no mercado de trabalho.

Após o fim das Guerras, muitos homens estavam impossibilitados de voltar à rotina trabalhista, começando aí a participação efetiva da mulher no mercado de trabalho. No século XIX, com o capitalismo, iniciaram várias mudanças através da tecnologia e maquinários, fazendo com que as mulheres fossem transferidas para as grandes fábricas exercerem sua mão de obra. A partir daí surgiram algumas leis e benefícios voltados para as mulheres.

Para Paoli (1985), a utilização lucrativa da mão-de-obra feminina passou a chamar a atenção, principalmente no setor têxtil, muito lucrativo, no início do século XIX, quando o trabalho feminino era visto como provisório, complementar e subalterno, e o capital utilizava-se disso para abaixar os custos com salários e para substituir os operários demitidos em épocas de crise.

Porém as condições de trabalho ainda eram precárias e, em 08 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos dos Estados Unidos, decidiram entrar em greve reivindicando melhores condições de trabalhos. Mas, a manifestação das trabalhadoras não foi aceita, o que resultou em violência, onde tecelãs foram trancadas dentro das fábricas onde atearam fogo, matando aproximadamente 130 mulheres carbonizadas. Após esse fato histórico desumano, a ONU decretou o dia 08 de março como o Dia Internacional da Mulher.

Blay (1978), destaca a presença da mulher no desenvolvimento da industrialização: „a expansão do mercado de trabalho industrial brasileiro se fez com a utilização do trabalho feminino e masculino. Mais do que dados censitários, inexpressivos para todo o século XIX e começo do XX, são os movimentos sindicais e as lutas operárias que contam sobre a participação econômica da mulher naquela época.‟

Silva (2013; apud RAPOSO e ASTONI 2007), ressalta que: „Em 1940, quase metade (48%) da população ativa feminina era focada no setor primário da economia, basicamente na agricultura. Em 1990, mais de dois terços (74%) da população economicamente ativa feminina era concentrada no setor terciário, ou seja, em serviços, principalmente em alguns setores da economia, como atividades comunitárias, áreas voltadas à educação, serviços de saúde e principalmente serviços domésticos. Hoje, versatilidade é a qualidade que resume a condição atual da vida feminina.‟

Aos poucos as mulheres foram conquistando melhores espaços no mercado de trabalho, nos mais diversos setores e hoje ocupam importantes cargos empresariais.

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