SANEAMENTO BÁSICO
POLUIÇÃO DAS ÁGUAS
Ciências Biológicas, Agronomia e Engenharias - CABE Curso de Engenharia Civil
Prof. Walter C. Carvalho Jr. VÁRZEA GRANDE, 2018
O que é poluição das águas
✓ Entende-se por poluição das águas a adição de formas de
energia que, direta ou indiretamente, alterem a natureza do corpo d´agua de uma maneira tal que prejudique os legítimos usos que dele são feitos (VON SPERLING, 2005).
✓ Segundo a Lei Nº 6938 de 31/08/1981 (Política
Nacional de Meio Ambiente), a Poluição é entendida como a degradação da qualidade
Segundo OMS (2009) 88% das mortes por diarréia no mundo são causadas pelo saneamento inadequado.
UNICEF (2009) indica que é a 2º maior causa de mortes em crianças menores de 5 anos.
Com o crescimento
populacional desordenado ...
Doenças de
veiculação hídrica: cólera, hepatite, etc..
Fonte: Profº Roque Piveli Dep. Engº Hidráulica - USP
Lançamento de esgoto in natura e
clandestinos
ADUÇÃO CAPTAÇÃO TRATAMENTO ÁGUA RESERVAÇÃO DISTRIBUIÇÃO TRATAMENTO ESGOTO RECURSOS HÍDRICOS LANÇAMENTO DE EFLUENTES COLETA INDUSTRIA REUSO
Ciclo do Saneamento
Fonte: Profº Roque Piveli Dep. Engº Hidráulica - USP
Composição geral dos Esgotos
~ 99,9 % de água
~ 0,1 % de sólidos
Sólidos
PADRÕES
A análise de qualidade da água é baseada na comparação de suas características físico,
químicas e biológicas com padrões estabelecidos para os diversos tipos de usos previstos.
Variáveis biológicas
• Os organismos de interesse sanitário e ambiental são divididos em 4 grupos:
- bactérias; - Algas;
- Protozoários; - Helmintos.
Variáveis biológicas
Bactérias
• São seres unicelulares, procariontes (núcleo primitivo) podendo ser autotrófico (cianobactérias) ou heterotróficos.
• Estudo feito com
organismos indicadores de contaminação fecal. n Bactérias do grupo coliformes. Patogênica Bactérias Bactérias Intestinais Grupo coliformes C T CF
Indicadores de Contaminação Fecal
• São Bactérias típicas do intestino do ser humano e de animais de sangue quente e consequentemente presentes no excremento. Coliformes Totais, Coliformes Termotolerantes e Escherichia Coli.Variáveis biológicas
Bactérias
• A Escherichia Coli é usualmente utilizada como indicadora de contaminação fecal em águas superficiais ou de abastecimento público.
Bacilos habitantes da flora intestinal de animais de sangue quente, portanto não são nocivas a saúde.
Variáveis biológicas
Algas
• São seres uni ou pluricelulares, eucariontes (com exceção das algas azuis) e autótrofos.
Algas
• Em estações de tratamento de esgoto por lagoas de estabilização são essenciais devido á simbiose entre as bactérias.
Lagoa CPA3, Cuiabá/MT
Algas
• Em estações de tratamento de água as algas são indesejáveis no processo de cloração, devido a liberação de cianotoxinas
Algas
• Em águas superficiais podem indicar o fenômeno de eutrofização, exclusivamente pelo presença de nutrientes tais como nitrogênio e fósforo.
Variáveis biológicas
Protozoários
• Os protozoário são seres pluricelulares, eucariontes e heterotróficos. Utilizadosd como parâmetro de qualidade em efluentes de ETE’s
Variáveis biológicas
Helmintos
• Os helmintos são seres eucariontes, heterotróficos, alguns são parasitas do homem e animais de sangue quente.
• São parâmetros de controle de qualidade de efluentes finais de estações de tratamento de esgoto
O Áscaris lumbricóides é um parasita intestinal causador da ascaridíase, podem provocar , dependendo de onde as larvas se instalam, sintomas como dores abdominais, pneumonia e apatia mental.
Variáveis Físicas
Os principais parâmetros utilizados para caracterizar fisicamente as águas naturais são:
• Cor; • Turbidez; • Sólidos; • Temperatura. . pH
Variáveis Físicas
COR
• Associada ao grau de redução de intensidade que a luz sofre ao atravessá-la;
• Devido à presença de sólidos dissolvidos, principalmente material em estado coloidal orgânico e inorgânico
Variáveis Físicas
TURBIDEZ
• É a medida da dificuldade de um feixe de luz atravessar uma certa quantidade de água, conferindo uma aparência turva à mesma.
Variáveis Físicas
TEMPERATURA
-diminui a solubilidade de gases como o O2
- Favorece processos aeróbicos
O aumentoda T - Importante para manutenção da vida aquática
-mau cheiro (produtos de degradação)
Variáveis Químicas
Potencial Hidrogeniônico (pH)
• Seres vivos necessitam de água em pH próximo á neutralidade (entre 6-9)
• Tubulações de água (domésticas ou industriais) podem ser entupidas (águas duras) ou ter elementos metálicos lixiviados...
• Água com sabor desagradável e pode ter efeitos laxativos
Variáveis Químicas
Nitrogênio e Fósforo
⚫ Nutrientes presentes em efluentes domésticos e fertilizantes ⚫ Àguas pluvias podem carrear os nutrientes para os corpos
receptores;
⚫ Excesso de nutrientes podem ocasionar o fenômeno de eutrofização (crescimento excessivo de algas e plantas aquáticas)
• Oxigênio Dissolvido •
• É muito fundamental para a respiração dos microorganismos aquáticos;
• A temperatura é um dos fatores mais
Oxigênio Dissolvido (OD)
?
Matéria orgânica OD distânciaVariáveis Químicas
Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO)
• A DBO corresponde à fração biodegradável dos compostos presentes na amostra, que é mantida cinco dias a uma temperatura constante de 20°C.
Variáveis Químicas
Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO)
• Em outras linhas a DBO corresponde uma medida
indireta de matéria orgânica biodegradável.
• Quantidade de oxigênio requerida por microrganismos
aeróbios para a oxidação de compostos orgânicos presentes na fase líquida.
COMPORTAMENTO DO OD E DBO
NA NATUREZA
AUTODEPURAÇÃO
“Autodepuração é a capacidade que um corpo d’água tem de se restabelecer seu equilíbrio naturalmente após o despejo dos poluentes”.
É a conversão da matéria orgânica em produtos mineralizados inertes por mecanismos naturais. (Von Sperling, 1996)
Autodepuração Natural
• Equação de Streeter - Phelps:
• Dt: deficit de oxigênio dissolvido, em relação à saturação, nos diversos instantes t, em mg/L. • k1: coeficiente de desoxigenação, em d-1
• k2: coeficiente de reaeração, em d-1
• La: DBO total de 1oestágio das águas do rio, imediatamente após a mistura com os esgotos, em mg/L.
• Da: deficit inicial de oxigênio dissolvido, isto é, deficit de oxigênio no ponto de lançamento dos esgotos, em relação à saturação, em mg/L. • t: tempo, em dias.
(
)
k t a t k t k a tL
D
k
k
k
D
10
1.10
2.10
2 1 2 1 −−
−+
−−
=
Ex: Curva depleção OD e DBO
4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 D B O e O D ( m g/L) Córrego Esparramo
ANÁLISE DA QUALIDADE DA
ÁGUA
Qual é a importância de analisar
parâmetro?
A introdução de matéria orgânica em um corpo d'agua resulta, indiretamente, no consumo de oxigênio dissolvido.
Tal se deve aos processos de estabilização da matéria orgânica realizados pelas bactérias decompositoras
Após o lançamento dos esgotos, o curso d’água poderá se recuperar por mecanismos puramente naturais, constituindo o fenômeno da
Qual é a importância deste parâmetro?
É de grande importância o conhecimento do fenômeno de autodepuração e da sua quantificação, tendo em vista os seguintes objetivos:
• Utilizar a capacidade de assimilação dos rios;
• Impedir o lançamento de despejos acima do
que possa suportar o corpo d'água.
Critérios de Análise Avaliação dos Pedidos
CAPTAÇÃO SUPERFICIAL
→ Individual: até 20% da Q95 → Vazão Outorgável até 70% da Q95
DILUIÇÃO DE EFLUENTES
→ Individual: Vazão de Diluição até 50% da Q95 → Vazão Outorgável até seção do corpo hídrico
Qdil = vazão de diluição em m³/s; Qlanç = vazão de lançamento em m³/s;
Clanç = Concentração do DBO de lançamento em mg/l;
( ) (Cpermitida Cnatural) Cpermitida Clanç Qlanç Qdil − − = .
Como obter os dados de entrada?
São os seguintes os dados de entrada necessários para a utilização das equações de diluição:
• Vazão do rio, a montante do lançamento (Q95%) • Vazão de esgotos (Qlanç)
• DBO5 do esgoto (Clanç)
• DBO5 no rio, a montante do lançamento (Cnatural)
Como obter os dados de entrada?
a) Vazão do curso d'água (Q95%)
A vazão mínima é utilizada para o planejamento da bacia hidrográfica, para a avaliação do
cumprimento aos padrões ambientais do corpo receptor e para a alocação de cargas poluidoras.
b) Vazão de esgotos (Qlanç)
A vazão de esgotos é obtida através dos procedimentos convencionais, utilizando-se dados de população, contribuição per capita, infiltração, contribuição específica (no caso de despejos industriais) etc.
Ou por monitoramento da vazão através de calhas ou vertedouros.
d) DBO do esgoto (Clanç)
A concentração da DBO dos esgotos domésticos tratados. Dependem do tipo de tratamento e da eficiência da ETE.
tem suas unidades medidas em (mg/l = g/m3).
• Resolução CONAMA 430/2011 define uma remoção mínima de DBO de 60%.
C) DBO no rio (Cnatural)
A DBO5 no rio, a montante do lançamento, é função dos despejos lançados ao longo do percurso até o ponto em questão.
Klein (1962) propõe a classificação apresentada no Quadro 1, na ausência de dados específicos.
Condição do rio DBO5 do rio (mg/l) Bastante limpo Limpo Razoavelmente limpo Duvidoso Ruim 1 2 3 5 >10
Exercício
Um empreendimento imobiliário tem seus efluentes tratados através de uma ETE compacta que ao final deste é lançado em um corpo receptor, cuja a classificação se enquadra em classe 2.
Fazer uma análise do lançamento deste efluente tratado quanto ao padrão ambiental vigente.