FLORIANÓPOLIS,
ABRIL DE 2010
-CURSO DE
JORNALISMO ANO
XXVIII,
NÚMERO
1
Professores estão
com
medo
Fotoemontagem: FelipeMachado
Especial
-Fdllcar.ão
Lei
proíbe
dupla
matricula
em
universidades
públicas
�sporte
Superatletas:
o
que
eles
têm
que você tem
também
Debates
Especialistas
em
politica
analisam
declarações
de Lula
Economia
Modelo de
agricultura
familiar
no
estado
garante
produção
Com o
projeto,
mais de 30 milvagas devem sercriadas a cadaano,
Antes,
aproximadamente
80% dos estudantes que cursavam duas fa culdades ao mesmotempo
abandonavamumadelas,
o
desempenho alcançado
por esportistas
de elite nãodepende
só dagenética
epode
serconquistado
por
qualquer
pessoadisposta
a sesubmetera um bom preparo
físico
epsicológico,
Professor de Ciência Política e pre sidente do
lELA,
estreiam a novaseção
do Zero analisandoasdeclarações
dopresidente
Lula sobre osprotestos
dos dissidentespolíticos
contrao governo cubano,
De onde vêmosalimentos quecomemostodos
os dias? Lavouras diversificadas são
consequência
decondições próprias
de se., Mas tambémdependem
depolíticas
públicas
para mantero homem nocampo,2
I
Opinião
Florianópolis,
abril de2010o
UNIVERSITÁRIO
eas
esculturas
-Inspirado
naobra de Franklin Cascaes ecomu,m.
nomequebempoderia
serdeumamusicadeCaetanoVeloso o
Boitatá
Incandescente
foiagrandeatr�ção
dessecomeçodesemestrena
UFSC. Comseus
15metrosdealturae1897
quilos
aesculturaconstruídacom
materi�l
re�proveitado
da Ponte HercílioLuz não teriames�o
comopassardespercebida
-o
que.n.ao
seria motivo paradescuidar
da
pubhctdade.
_ Notasdistribuídasàimprensa, autorida
des
presentes,
discursospronto�.
Areitorianãohavia
planejado
nada dediferen-teparaa
inauguração
daescultura,colocadaàsmargens do
lago
queseparaoCeptrode CulturaeEventose oCentro
deConvivênciada UFSC.Eis entãoqueo
DiretórioCentraldos Estudantes
(DCE)
entraemcenacom oqueestavafaltando.
Armadosde
pranchas
desurfe,
boiasemáscaras de
mergulho,
osestudantesinvadem- ou
melhor,
ocupam - aágua.
-A
manifestação
eracontrao
dinheiro
gastona
re�ital!zação
dolago.
Nada contrao,
Boltatã,
muitopelo
contrário.?
DCEsoacha que existemcoisas mais
I�portantes
do queumaobrapaisagís
tíca.Salas de
aula,
porexemplo.
Masoprotesto
lança
luz sobreajá
incandescen
te
fi?ura
.do
�oitat�
efazbrotarnopeito
doslllsatJsfeltos
duvidas
sobreofuturode
umaesculturana
UFSC.
_ Coberto derachaduras,
OGuardião
permanece
sentadoemsuagasta
arcado
saber.
Escondida
nopequen�
�osque
aolado da Biblioteca Universitana,aobra de
Elke
Hering
é vistadecostaspelo�
al��os
que
frequentam
asala deestudoíndíví-dual.Masessesnãoparecemserosseus
verdadeiros
admiradores.
-B!tucas
decigarro,
ummaçovazio,
fatias
chupadas
delimão,
sachês de salusados. Umsacode
gelo,
sacolas de três,
supermercados
diferentes,
latas decerveja
eumapacotevaziode Lovetex. Ainda
pró
ximasaocírculo deconcreto
que sustenta
a
es�u�tura,
asembalagens
deumpicolé
•delimãoedeum
salgadinho
debacon.Pouco visitadoduranteo
dia,
OGuardiãopareceterumavidanoturna
agitada.
EDITORIAL
Proximidade
e
confiança
Passavaumpoucodas6h
quando
adireto rada Escola Estadual deEducação
Básica Leopoldo
Meinenouviuumbarulho estranhoemfrenteàsuacasa,napequenacidadede Forta
leza dos
Valos,
planalto
médiogaúcho.
JuremaCatarina Bastos Fontana acordou o maridoe
foiver oqueestavaacontecendo.Lá
fora,
pais,
alunos e
professores
faziamumaserenataemhomenagem
aoDiadoDiretor.O
episódio
aconteceu em 12 de novembro de2006,
quasetrêsanosdepois
deJurematerassumidoa
direção
da escola.Lá,
elesnuncativeram
problemas
comviolência,
masela sentiafaltadeuma
relação
maispróxima
com a comunidade.Juremapassou entãoaconvidaros
pais
aparticiparem das atividades docolégio.
Nemtodosseanimaram,é
claro,
mas adiretorainsistiu. "Nós
organizamos jantares,
fizemoscamisetas. Aos poucos,osoutros
pais
começaram a
aparecer",
lembra.E nãosó parajantar.
Aossábados,
Juremaorganizava
mutirões depais
para realizarpequenasobrasnocolégio.
Comos
estudantes,
arelação
ébaseadanaconfiança.
"Esses temposquiseram
proibir
o usodecelularesnaescola.Eunãodeixei. Chameiosalunosedissequeeles
poderiam
trazerCHARGE
os
aparelhos,
mas que teriamque secomprometer a mantê-los
desligados
durante as aulas.
Funcionou",
conta.Quando
seafastou dadireção,
no fim de2009, Juremavoltou aserhomenageada pela
comunidade.A história de
Jurema
é umaexceção
emmeioatantasnotíciasde violênciacontrapro
fessores.
Reportagem
dojornal
ODia revelouque,noRiodeJaneiro,adiretoradaEscolaMu
nicipal
General Humberto de SouzaMello foiagredida
eameaçada
demorte poralunos doEnsinoFundamental. Professoresafirmam que
elafoi alvo desocos e
pontapés
aotentarseparar uma
briga.
Commedo,
a diretoradisseàpolícia
queasagressões
foramapenasverbais.Nesta
edição
umareportagemespecial
tentaentenderasrazõesdessaviolência.As
explica
çõessãomuitas,e amaioriadascausasapon
tadasestá
longe
do alcanceda escola.Reflexoda violêncianasociedadeeda
desestruturação
dasfamílias,
umalegislação
que deixaosprofessoressem
ação.
Falta estrutura, ossaláriossãobaixos.Por
fim,
ogrande
númerodealunosatendidos porcada
professor impede
quesecrieuma
relação
maispróxima
entreeles- comoaquela conquistada
emFortalezadosValos.REDAÇÃO
CinthiaRaasch,DaelLimaco,FernandaBurigo,Francisco Dantas,LarissaCabral,LeonardoGorges, LuízaFregapaniSilva, Marial.uízaGil, MarianaPorto, Marina MartiniLopes, RafaelBalbinotti, RayaniMarianodosSantos,Yasmine Holanda Rorini
EDIÇÃO
Capa FelipeMachadoOpiniãoDaniel LudwichEntrevistaGabrielaCabral Debate Marcone Tavella Geral DanielaFerreira, FelipeMachadoSaúde Natalia Izidoro
Educação
AlessandraLopes Flores Espeç!alAnnaBárbaraMedeirosEconomiaFábioQueiroz,Rafael Hertel, Thomas
MichelComportamento Ana Clara MontezEsporte BrunoVOlpato ContracapaVerônica Lemus Imagem
Felipe
MachadoFOTOGMachado,
LarissaCabral,
MariaLüiza
Gil,Rafael Balbinotti,RayapiMa-(lanadosSantosEDIT
..
.
Raasch,Cláudia
Muss!.,
DanielLudwich,Felip'e
Machado,Fernanda
Burigo, Jacquelinede Carvalho
MÓfeno,J_oice
Balboa,MarconeYavella,
MariaLl/iza Gil. MarianaPorto,
MarinaMartrlli
Lopes,
NataliaIzidoro;Natbale
EthelFragnani, NathaiiaVieira
CarlessoINFOGRAFIA.
Joice Balboa,.
Maria Luiza Gil:MarianaPorto,
Natbale
EthelFragnani, RafaetHalbinotti PROFESSOR-COORDENADORJorgeKanehideIjuimMTb/SP14.543
COORDENAÇÃO
GRAFitA
Sandro LauriGalarçaMTb/RS8357MONITORIA GabrielaCabral,Juliana Passos
IMPRESSÃO
Diáno CatarinenseCIRCULAÇÃO
NilcionalTIRAGEM5.000exemplares
Sobre
achargista
Maria Luiza Gil tem 20 anos e é estudante de Jornalismo da UFSC. Atualmente estagia corno
fotógrafadaAgênciade
Comunicação
da UFSC. Para entrarem contato com aautora, escrevaparaoe-mail
[email protected]
ZERO
JORNAt
LABORATÓRI02ERO
.
Ano XXVIII-N°,1 - Abril
de2010
Universidade Federal deSantaCatarina
-UFSC
Fechamento: 7 de abril
Cursode Jornalismo- CCE- UFSC- Trindade
Florianópolis- CEP 88040-900
Tel.:(48) 3721-65991 3721-9490 Site:www.zero.ufsc.br
E-mail: [email protected]
Para
oschargistas
Se você édaquelesque quando lê uma notícia
logo a imagina numa charge, desenhe para o ZERO e envie para [email protected]. Sua
charge podeserpublicadanesseespaçoefazer
partedas
próximas edições
dojornal.ZERO
NO TEMPO
AdmiflHlracJo <kKI<!'í:,nl>iug bateu recorde <.'fIl�Q:Sco.m puhhciditJe FFSC lwIl)(o(�uiJ. IkIlUh<tpel,t campaeba .."<.}»ll",ll1fOIl)C HOoSpilUllk Caridade foí IIlcn.a..kl(jIlf!1r1) vC.1,l.."ósobre <'>S(l:�">'i Dlretorill d" m:SC3ument;! \),rtf'pl';I\.� ."tM11fllill:' surdiunA
exumação
de
Floriano
Ce11tená.rfodonomo'IOf'lonópCIlf,provCH:Guma
olldo(.",ll1onl.to:(I�sponlÓYf)1.,.10ffJd_(J'O
d�Al1hcrtomlrlmJl'HH"iII'ceeuohomeno�?
O velho telefone fixo anda tão obsoleto
quanto overbo discar. Por isso mesmo a re
portagem
do ZERO sobre oDisque-amizade,
publicada
emmaiode1994,
exalamaisdo queum
compreensível
cheiro de naftalina. Paraamaioriadosuniversitários,aideia de
aprovei
taruma
distração
dospais
para pegarotelefoneescondidoediscar145nãofaz nenhum sentido.
Agora,
sealguém
viessefalar deumserviço
quejunta,
aleatoriamente,cincodesconhecidosemumamesmasala de
bate-papo,
nãohaverianenhuma surpresa.Iamachar queeraumnovo
tipo
de chat.Logono
título,
amatéria avisaque "rodade
amigos,
piadas
epalavrões
povoam145".Aolado,
umacorrelatadefineoserviço
de batepapo como"o
paraíso
dosvoyeurs".
'ludomuitofamiliaraóqueseriadito
alguns
anosdepois
sobreainternetO
Disque-amizade,
quecomeçoua seroferecidoem
Florianópolis
em1990,
funcionava 24horaspor
dia,
custavaduasvezesmaisqueuma
ligação
normaleagrupavaaté cincolinhas.Emumacentral,
quatromonitorasdirecionavame
acompanhavam
asligações.
Quem
ligava
só paracontarpiada,
falarpala
vrãoe
perturbar
osoutroseraadvertido.Nesta
edição,
oZEROtrazumareportagemsobreo ChatRoulette.Assimcomo no
145,
osencontrosnositecriado por
Andrey Ternovskiy
sãocompletamente
aleatórios.Existemalgumas
diferenças,
é claro. NoChatRoulettesão agrupadas
apenas duas pessoas porvez, que, além de conversarem,podem
se ver pormeio daswebcams. O alcance também éum
pouquinho
maior.
Enquanto
o145oferecia 24 grupos de atécincopessoas,onovochat
já
temmaisde dezmil usuárioscadastradosemtodomundo.
•••••
•
•
MelhorPeçaGráfica I, It,III, IV,VeXI Set Universitário 1 PUC-RS(1988,89,90,91,92e98)
MelhorJornal-LaboratórionoI Prêmio Foca Sindicato dos JornalistasdeSC2bOO 3°melhorJornal-Laboratóriodo Brasil EXPOCOM 1994
. ..
I , I , • , •
ZERO
Itt.
Florianópolis,
abril de2010Entrevista
I 3
No
início
de
março,
Florianópolis
sediou
o
10
Encontro Nacional
dos
Conselhos
de
Medicina.
No evento
foram
debatidos
temas
relevantes
para
o
futuro
da
profissão,
como a
criação
de
um
plano
de carreira para
médicos
e a
melhoraria da
qualidade
dos
cursos
universitários.
O
plano,
que
está
para
ser
aprovado
pela
Câmara
dos
Deputados,
garante
progressão
na
carreira
e
melhores
salários.
O ZERO
entrevistou
José
Francisco
Bernardes,
presidente
do
Conselho
Regional
de
Medicina de
Santa Catarina
(Cremesc),
que
discute
as
mudanças
na
profissão
e a
situação
médica
no
estado.
Divulgação
FormadoemMedicina
pela
UFSCem1978,
José Francisco Bernardes épresidente
doConselho
Regional
de Medicina de SantaCatarina(Cremesc)
desde dezembro de 2009.NascidonoRio deJaneiro,
veioparaFlorianópolis
em1965. Aos 57 anos,éprofessor adjunto
doDepartamento
deClínicaCirúrgica
daUFSC,
além deinstrutor doPrograma
deResidênciaMédicaemOrtopedia
doHospital
Governador Celso Ramos.
É
mestreemmedicinapela
USPnaáreadeOrtopedia
e
Traumatologia
etemtrabalhospublicados
naáreadecirurgia
deombro. Omédico
ortopedista
do Ministério da Saúdejá
presidiu
aSociedade CatarinensedeOrtopedia
emdoismandatos.José
Francisco
Bernardes
llsanta
Catarina
é
um
dos
estados
mais
homogêneos
do
país
na
distribuição
de
médicos.
Em
praticamente
todos
os
municípios
há.
profissionais
com
especialização"
ZERO:
Quaisfatores determinaramaela
boração
deumprojeto
delei queprevê
oplano
de carreiranaMedicina? Anecessidadedequeomédicoatueem umúnico
local,
oqueantigamente
erachamadotempointegral
geográfico.
Issofazcomqueoprofissional
tenhafunção pública
e local de trabalhoestabelecido,
salá riocompatível
com adedicação
exclusiva a umúnicovínculo
público.
Acrescente-se a isto a dificuldade demanter o médico nos
municípios
maislongínquos.
Amaior
queixa
dosjovens
médicosnãoéaremuneração,e sim o "abandono científico" aque ficam
sujeitos,
afalta de
perspectiva
deumdiapoderem
semudarparaumlocal commelhoresrecursos
tecnológicos.
A
Federação
Nacionaldos Médicos(Fenam)
tenta háanosqueoplano
decarreiraseja
aprovado
naCâmara dos
Deputados.
Por que atéhoje
não foiaceito?
O queaFenam sempre
defendeu,
e continua adefenderé aexistência de um
piso
salarial único paramédicos, hoje
em torno dosR$
7.000,00. Presentemente,a
Federação
tem dado mostras que encampou a ideia da Carreirade Estadoparamédicosjuntamente
com asoutras entidadesmédicas
nacionais,
como oConselhoFederal de Medicina(CFM)e a
Associação
MédicaBrasileira
(AMB).
Como ficará na
prática
se oprojeto
de lei foraprovado?
A
partir
daaprovação,
haveráanecessidade daedição
de umaleipelo
Congresso
Nacionalqueregulamente
o novo
dispositivo
constitu-cional.
\
Certamente concursos
públicos
serão realizadosdeterminando os locais de
trabalho, funções específicas
e salário único para desem
penhar
as mesmas atividades emqualquer
dosmunicípios
brasileiros.Issofará comque
o médico
esteja
àdisposição
dapopulação pelo
intervalodetempoquealei
determinar,
quando
entãoserásubstituídoe
progredirá
nacarreira,sendo transferido paraumcentro
maior,commaisrecursos.
Você acredita que o
plano
decarreirade
algum
modopossa melhoraroatendimento
público?
Sim, o médico é um serhumanocomo
qualquer
pessoa, que estimulado por
remuneração
digna
-sem a
necessidade de ter outras atividades
profissionais
paralelas
-e
perspectiva
futura de ascenderna carreira,certamenteterámaistempoe
tranquilidade
paraprestarumatendimento de melhor
qualidade.
Estima-seque 500cidades nãotenhamummédico
sequer. O
plano
de carreiraajudaria
a distribuirmelhor osmédicos
pelo
país? Qual
asituação
catarinense?
A carreira de estadopara médicos
ajudaria
sim adistribuição
dosprofissionais
pelo
Brasil. Santa Catarinaé um dos estados mais
homogêneos
dopaís.
Em praticamente todos os
municípios
existem médicos comespecialização,
ouseja,
residência médica. As cidadesque não
dispõem
demédico,
geralmente
é por faltaabsoluta de estrutura, pois se houver uma
verificação
in
loco,
essascidades também nãocomportamum supermercado, pela
pequenapopulação
oupela pobreza
que láexiste.
Quais
osprincipais problemas
que oprofissional
de medicina enfrenta no
país
e como oplano
decarreira
pode
melhorarestequadro?
O que
vejo
comoprincipal
é a falta deestrutura dosgestores
públicos
paraproporcionar
o atendimentomédico nos
municípios
maislongínquos
e menos favorecidos.Como
dito,
aremuneração
deformageral
éaté atraente,mas ainfraestruturaexistente
geralmente
é ruim,e afalta de
perspectiva
docrescimentoprofis
sional é desestimulante.Nadaseresolvesecolocarmos
postos de saúde em cada
esquina.
Muitas vezes, há anecessidade da
internação
dopaciente
queacabou deser
atendido,
não havendo nenhuma estruturahospi
talarquegarantaacontinuidadedotratamento
após
oatendimento
prestado
no posto desaúde. Opaciente
éatendidoempostos
próximos
a suaresidênciaedepois
nãohámaisoquefazerporele.Nãohávagas
garanti
dasparaa
internação
dequem necessita.Faltamleitoshospitalares,
mesmo noshospitais
ditosdereferênciaeinclusiveem
Florianópolis.
O Secretário de Saúde
Suplementar
da Fenam,Márcio
Bichara,
acredita que a carreira acabariacom
contratações
precárias
emépoca
eleitoral. Vocêconcorda?Não há dúvidaquanto a isso. Em São
José,
oHospital
Regional
não conseguecompletar
o número de médicos necessários para o seu
perfeito funcionamento,
porque só oferececontratosdevinte
horas,
comsalárioirrisório. Háanosfazconcursosenão consegue preen
cherasvagas.
Haja
vistaoproblema
recentecom afalta deanestesistas. Se
já
houvesseumplano
decargose
salários,
issocertamentenãoocorreria. Ascontratações
precárias geralmente
realizadasporprefeituras,
principalmente
em anoseleitorais,
com empresasterceirizadas e ou mesmo cooperativas de
médicos,
nãogarante que a
população
continue a ser assistida se essescontratos nãoforem honradosou renovados pelaspartescontratantes.
Uma das
questões
debatidas no 10 Encontro Na cional dos Conselhos de
Medicina foi a
qualidade
doscursos de Medicina. O
planó
de carreirapode
dealguma
maneira motivaroscursos amelhorarem o
ensino?
Não acredito que o
plano
de carreira tenha influência
marcante nas Escolas Médi
cas. A
qualidade
dos cursosestádiretamente relacionada
à
contratação
deprofessores
suficientemente
qualifica-dos,
quequeiram
se dedicar àprática
da medicina e aoensino. Muitos cursos pagam de forma ridícula seus
docentes,
enquanto cobram mensalidades astronômicas de seus alunos. A maioria das universidades
pú
blicas
já
tem seus currículos direcionadospara a formação
de médicos visandoosistemapúblico
de saúde.Nestas,
também,
os salários estão bastantedefasados,
comode todoofuncionalismo
público ligado
aopoder
executivo.
Forao
plano
decarreira,
quais
sãoosprojetos
delei demaior interesse da classe médica?
Tivemos aimensa
satisfação
deconseguir
aprovar naCâmara dos
Deputados,
no anopassado,
oPL7703/06,
quetratade
regulamentação
do exercício daMedicina,
sendoaúnica
profissão
daáreade saúde que aindanãotem suas
atribuições
estabelecidas em lei.Esperamos
sua
aprovação
também no Senado ainda noprimeiro
semestre deste ano. Além
disso,
temos umprojeto
delei
parado
no Senado que estabelece aClassificação
Brasileira de Honorários para Procedimentos Médicos
(CBHPM),
como oúnicoparâmetro
depagamentoparao
serviço
dosmédicos,seja
noatendimentoporplanos
de
saúde,
bem como para o SistemaÚnico
de Saúde(SUS).
Oque certamente trarábenefícios aosmédicoseà
população
atendida, independente
deseremdeten toresdeplano
de saúdeou usuáriosdoSUS.ZERO
.. ;�.\:.
.4
I
Debates
.Florianópolis,
abril de2010Dissidentes cubanos
pedem ajuda
Mas
presidente
brasileiro diz que
greve
de fome
não
pode
ser
pretexto
dos Direitos Humanos
para
libertar
presos
"O
presidente
Lula tem escolhidomuito bem as
viagens
que fará esteano", sintetizou o porta-voz da Pre
sidência,
MarceloBaumbach,
antesda
viagem
de Lula por quatropaíses
daAmérica Latina- entre eles Cuba- realizada
entre21 e 27 de fevereiro desteano.
Doisdias
depois
departir,
emHava na,capital
cubana,
aagenda
dopresi
dente brasileiro incluíaumavisitaao
líder FidelCastroe oanúncio de
apoio
à
construção
doporto de Marielcominvestimentode
US$
300 milhões.Noentanto, dois incidentesocorri
dos duranteaestadia de Lulaemter
ritóriocubano colocaramemdúvidaa
afirmação
deBaumbach, pelo
menos emrelação
àescolha das datas dasvia genspresidenciais.
Após
85 dias de greve defome,
oencanador de42anosOrlando
Miguel
Zapata Tamayo
faleceudepois
de sertransferido do
presídio
deChamaguey
parao
hospital.
Nodiaseguinte
a suamorte, 24 de
fevereiro,
Guillermo Farifías iniciou um
jejum
emdefesadapreservação
dos direitos humanos epela libertação
de 26 presos doentes.Osdois cubanosestãoentreos75 dis
sidentes
políticos
detidos desde2003,
amparados
naLei88,queprevê
"aproteção
daindependência
nacionaledaeconomiade Cuba".
Imediatamente
após
amortedeZapata,Estados
Unidos,
UniãoEuropéia,
Organização
dos Estados Americanos(OEA)
e dasNações
Unidas(ONU)
sejuntaram
àorganização
de defesa dosdireitos humanos Anistia
Internacio-nalem
campanha
contraogovernodeCuba.Comagreve de fome deFarinas
como
principal
argumento, estes órgãos
enações
solicitaramàs autorida des da ilhaaolongo
demarçorespeito
aosdireitos humanos e
libertação
dos26presos.
Em
contrapartida,
opresidente
deCuba,
RaúlCastro,
lamentou amortede
Zapata,
masdisseque nãocederáapressão
dequalquer
ordem. Paraolíder
cubano,
os75prisioneiros
não são"presos
de consciência"como aAnistiaInternacional
define,
mas "mercenários"e"terroristasdeEstado"aserviço
dosEUA. Paraogovernoda
ilha,
Zapa
taeFarinas sãoduaspeças
manipula
dascontraCuba.
Lula estava em Cuba durante os
fatose se tornouum dos personagens
deste debate internacional. Antes de
chegar
emCuba,
50 presospediram
porcartaao
presidente
brasileiro queintercedesse por suas
libertações
noencontrocom osCastros.Amensagem
diziaque Lulaseriaum
"magnífico
interlocutorpara
conseguir
queogoverno cubano realizeas reformas econô
micas,
políticas
esociaisurgentemente
necessárias". Lula afirmounãoterre
cebidocarta
alguma.
Questionado
sobre o método deprotesto utilizado
pelos
dissidentespolíticos,
opresidente
brasileiroseposicionoucontraagrevedefomee com
paroua
situação
dos presoscubanos adosbrasileiros. "Eu achoque greve de
fome não
pode
serutilizadacomo umpretexto dos Direitos Humanos para
libertar pessoas.
Imagine
se todos osbandidosqueestão presosemSão Pau
loentrassememgreve defomee
pedis
sem
liberdade",
declarouopresidente.
"Temos de
respeitar
adeterminação
daJustiça
edo governo de Cuba de deterpessoasemrazãoda
legislação daquele
país,
comoqueroquerespeitem
oBrasil".
O
presidente
Lulaagiu
de formacorretaao se
posicionar
contraoprotesto
utilizado
pelos prisioneiros
cubanosecreditar
totallegitimidade
àJustiça
deCubana
condenação
aos75presos?
O'
professor
de Ciência Política daUFSC,
HéctorRicardo Leis, e opresi
dente do Instituto deEstudos Latino
Americano
(rELA)
estréiam a sessãoDebates,
doZERO,com suasopiniões
sobre a
questão
cubanae as declarações
dopresidente
brasileiro.o drama de
Lula
em
Cuba
Talvez,
com a únicaexceção
daForças
Armadas Revolucionárias da Colômbia
(FARC),
nenhum revolucionário latino americanodos
anos 60e 70
pretenderia
seguir
hoje
o manual de luta armada queentão
guiava
suaação.
A democracia
"burguesa"
quehoje
temos emtodaaAmerica Latina
-com aúnica
exceção
de Cuba- não estavanos
planos
dessageração,
nocomeço desua
longa
marcha.Mastambémé verdade que
naqueles
anos erampoucos osatores que manifestavam um
compromisso
autêntico com ademocraciae os direitos hu
manos,de ambososlados do
espectro
político.
O
aprendizado
foi decertaforma do
conjunto
da sociedade.A
rigor,
nossas sociedades nãotinham
aprendido
aindaaviverem
democracia,
nem arespei
tarosdireitos humanos.Asex
periências
anterioresestiveramquase sempre contaminadas
porinteresses
oligárquicos.
O
registro
democrático doséculo 20emAméricaLatinafoi
tão
pobre, padeceu
detantasinterrupções,
quesepode
afirmarqueoprocesso de
transição
de-mocrática,
iniciadonosanos80,
foi paramuitosdos
países
quesaiamdo autoritarismoopri
meiroprocesso de
construção
democráticasemrestrições
oligárquicas
oumilitares.Noentanto,apesar de quea
região
retiroupraticamente
deseuhorizontea
possibilidade
deumretornoaosregimes
autoritáriosde outrora, aconstrução
democráticanãotransitasemsobressaltos.
Um
exemplo
disto foi dadopelo presidente
Lula,
durantesuarecentevisitaaCuba,
umdosprisioneiros
de consciência doregime
castrista,
morreu
depois
deumlongo período
'de greve defome. Frenteaeste acontecimento houveuma
rápida
reação
porparte
dacomunidade internacional,
vindotantodasmaisreconhecidasorganizações
nãogovernamentais
internacionaisde defesa dos direitos
humanos,
como de umHéctorRicardoLeis
professor
deCiência PoliticanaUFSCsem-número de
lideranças
políticas
de todasas cores.
Apesar disso,
Lulafez como se nadaestivesseacontecendonailhaesubiu aoavião de retornosemfazer
qualquer
declaração
arespeito.
Parapiorar
aindamais asituação,
já
noBrasil,
Lula comparou asituação
dos presospolíticos
em Cubacom a de presos comuns noBrasil.
Arthur Koestler
conseguiu
mostrarcomo
ninguém
os labirintos da mentalidade daes
querda
revolucionária. No seulivro,
OZeroe oInfinito(publi
cadoem
1941,
apropósito
dosJuízos
deMoscou),
elenos contaa
tragédia
do velhobolchevique
Rubachov,
queprefere
confessarumaculpa
quenãotem,antesdeacusarao
partido
comunistapela
suainjusta prisão,
já
que issopoderia
enfraquecer
a causada
revolução.
A atitude do
presidente
Lula comrelação
aCuba faz lembrarocomportamento do perso
nagem Rubachov. Talvezo
presidente
brasileironão
consiga
criticar Cuba porque pensa que issopoderia
seraproveitado pela
"direita".Masfazendo isso estaria evidenciando uma falta
de
convicção democrática,
já
queestariacolocando
hoje
à defesa dos direitos humanosedademocracia de forma subordinada aos ideais
revolucionários de ontem,
expressados
nasuaanacrônica solidariedadecom a"revolucioná
ria"ditadurados Castro.
Cuba
e os
direitos humanos
"Lula
não
deve
interferir
em
conflito
interno cubano"
A
imprensa
estadunidense(leia-se CNN), jun
tamentecoma
européia
e adealguns
países
latino-americanos,
desencadeouumapropaganda
sistemáticacontra
Cuba,
alegando,
nestecaso,odesrespeito
aos direitos humanos por parte dogoverno de Havana. Na
realidade,
estacampanhanãoénova
já
queteveinícioem1961
quando FidelCastro
proclamou
ocaráter socialista daRevolução
Cubana.Por contadestaposturasoberana,
Washington
sevaleu doterrorismodeEstado para inviabilizaros avançossociaisda
Ilha,
começando
com aguerrabacteriológica
contraos
canaviais,
passando pela
peste
suínacontraosanimais,
chegando
àpropagação
dadengue
contraoshumanose
permanecendo
todosestesanosno constante
ataque
contraCuba,
afirmando onão
respeito
aosdireitoscivisdas pessoas. Naverdade,
sãoos Estados Unidos os grandes violadores dos direitos humanos. Bastaver
os vários
porto-riquenhos
que cumprem penade
aproximadamente
trinta anos em cadeiasestadunidenses por lutarem
pela independência
de Porto
Rico;
osmuitosafegãos
eiraquianos
torturados na base navalde Guantánamo por
se oporem àinvasãode Cabule
Bagdá;
osgrupos de resistência no
Iraque
que foram presose humilhados de forma vexatória na
prisão
deAbu
Ghraib;
osnegros,oslatinose osindígenas
que sofrem umracismo constante e
persistente
dentroda sociedade
estadunidense,
reclamandodireitos
iguais
aosbrancosanglo-saxônicos.
Cuba sempre
foi,
desdearuptura
desuas relações
diplomáticas
com osEstadosUnidos,
umademocracia militarizada. Isso se deve ao não
reconhecimento de
Washington
à soberania deHavana. A Casa Branca tentoude todas as for
mas derrubar o governo revolucionário cuba
no,
começando
com ainvasãoarmada(1961),
passando pela
LeideAjuste
(1966),
que confereatodo cubanoa
condição
derefugiado político,
chegando
aLeiTorricelli(1992)
eHelms-Burton(1996)
quetratamdocerceamentodo comércioe de
negócios.
O governo de Havanapermite
todae
qualquer
críticaaosistema,
desde que omovimento não
esteja
àserviço
efinanciadope-Waldir
Rampinelli
presidente
do lELA los Estados Unidos.Estafoiumarevolução
quecustoumilharesde vidasenãose
pode
permitir
queo
inimigo
adestruacom acomplacência
do Estadosocialista.Umgrupo de mulheres
cubanas,
conhecidascomoasdamasde
blanco,
quevemsemanifestando contraogovernocomcerta
regularidade
não estão
pleiteando
liberdade para criticar oEstado cubano- elas
já
otem- e simodireitodedestruiroEstado socialista.
É
evidenteaconexão existente entreo
Departamento
deEstadoea
manifestação
havidaemMiamidirigida pela
cantoraGloria
Estefan,
filha deumministrododitador
Fulgencio
Batista,
passeatadaqual
também
participou
o terroristaPosada Carilles emapoio
a estassenhoras e aogrevista
GuillermoFarinas.Pedirama
intervenção
daONU,
da OEAedosEUAnão apenascontra
Cuba,
mastambémcontraaVenezuela.Liberdadepara
intervir,
estefoiolema.
Combase nestebrevehistóricoque
relatei,
opresidente
Lulanãodeveenãopode
interferiremumconflitointernodeumEstadosoberano.Antes de
exigir
qualquer
atitude do governocubano,
osorganismos
internacionaisdeveriamobrigar
osEstadosUnidosareconheceroEstadoSocialista
Cubanocomoumaentidadesoberana.
ZERO
"Talvez Lula
não
consiga
criticar Cuba
por pensar
que
isso
poderia
ser
aprovenadç
pela
Florianópolis,
abril de2010Meio
Ambiente
I
5
Os
tremores
que sacudiram
o
mundo
Recentes
terremotos
reacendem
discussões
sobre
economia
e as
influências
do
homem
sobre
o
planeta
Maloanode2010 começoue o
pla
neta
já
sofreu maisde 44 terremotoscom
magnitude
acimade 6 graus naescala Richter. Com mais de 223.000
vítimas,
essejá
éosegundo
pior
anodoséculoXXI sefor levadoemconsidera
ção
onúmerodemortosemdecorrênciade abalossísmicos. Muitasdúvidas
surgiram
sobreareal causade desastresnaturaiscadavezmaisfortesefre
quentes.Em meioàs
catástrofes,
foramobservadasas
profundas diferenças
sociaisdentro de um mesmocontinente.
Chilee Haiti,
países
social eeconomicamenteopostos,
buscaram,
cadauma suamaneira,minimizarosefeitos dashecatombes recentemente vivenciadas
porseushabitantes.
Oterremotoocorrido no dia 27 de
fevereiro de 2010 deixou
pelo
menos500 mortos, além de milhares de desa
brigados.
NoHaiti,
ostremoresregistra
dosem12dejaneiro
geraramprejuízos
emtornode8bilhões de
dólares;
forammais de 220.000mortos e milhões de
desabrigados.
No entanto, amagni-tude do terremoto ocorrido em Porto
Príncipe
(7
graus)
foimenordo queasofrida
pelo
Chile(8,8 graus). Segundo
o
professor
deGeologia
daUFSC,
Edison Ramos
Tomazzoli,
esse fato temuma
explicação:
"O efeito danoso deumterremotonão
depende
apenas damagnitude,
ouseja,
daenergia
poreleliberada,
mas também desua intensidade,
que éaforça
comqueeleatinge
determinada cidadeoulocal".O
profes
sorTomazzoliensina queolocal onde
é
originado
o terremoto denomina-sehipocentro.
"Oepicentro
é ohipocen
tro
projetado
em umasuperfície,
edeledepende
aintensidade deumterremoto", diz . Nocasodo
Chile,
ascidadesestavam amaisde100 Km do
epicen
tro - localizado no mar.
Já
noHaiti,
otremor ocorreu
praticamente
debaixo decentrosurbanos,
a25Kmdacapital
Porto
Príncipe.
O maior motivo, entretanto, para
as
diferenças
no número de mortos entreessespaíses
é odesenvolvimentoeconômico de cada
região.
Oprofessor
RafaefBalbinotti
ProfessorTomazzoli
explica
osfatores quedeterminamosefeitosdestrutivosdos terremotosMassato
Kobiyama,
do cursodeEnge
nharia Ambiental da
UFSC,
afirmaque"não háforma melhorpara um
país
se protegerde desastres ambientais do
que através do crescimento econômi
co". Comamaiorrendaper
capita
daAmérica Latina, o Chile tem sido nas
últimas décadas modelodedesenvolvi
mento,emcontrastecom oHaiti,uma
das
nações
maispobres
dasAméricas.Assim, o Chile
pode
seprecaver de tremores através deconstruções
maisresistentes;comonãoé
possível
preverquando
e onde vão ocorrer terremo tos,umalegislação
exige
paredes
mais grossasesistemas antitremorem casaseedifícios. Deacordo com o
professor
Massato, embora ainda não
seja
possível prever abalos
sísmicos,
existemestudos
promissores
nessesentido,
quelevamemcontaas
radiações
emitidaspela
terra.Umadas
polêmicas surgidas
duranteosúltimosanosésehaveria
alguma
relação
entre o aumento no númerodeterremotose o
aquecimento global.
Neste ano,essasdiscussões voltaramà
tona. Além dos
ambientalistas,
agoratambém
alguns geólogos
afirmam quea
sequência
deterremotosdos últimosanos comprovam a influência do ho
memsobreanatureza.
Segundo
PatrickWu,
geólogo
daUniversidade de Alber ta noCanadá,
oderretimento dogelo
noÁrtico
-umadas
consequências
doaquecimento
global
-já
vem provocandoumnúmero maiordetremores
na
região
e deslizamentos subterrâne os.Opesquisador prevê
queasmudanças climáticas devem trazer "muitos
terremotos"."O peso do
gelo
exerce um enormeestressesobreacrosta,ede algumaforma inibeosterremotos,mas se
o
gelo derreter,
maisterremotosdevemocorrer.
É
o mesmoque espremerumabola de futebol. Ao retiraro peso, ela
retornará àsuaforma
original",
completa.
Deacordo comONU,
onúmerocatástrofes naturais no mundo vem
aumentando nos últimos trinta anos
numataxamédiaanual de
6%,
e umpossível
motivo seria a interferênciahumana sobreaTerra. Essesdados
pre-ocupantes vêm em um momento em
que háumaacirrada
disputa
entreambientalistasecéticosquantoa
questões
climáticas.
Em 2007, em visitaao Chile para a
conferência
"Aquecimento
Global eMudanças
Climáticas" ocorrida nacapital
Santiago,
o exvice-presidente
americanoAl Gore afirmouqueosgo vernostentamesconderofato dequea
influência do homem é decisivaparao
futuro do
planeta.
Nessamesmaconferência,
aentãopresidente
chilenaMichele Bachelet disse: "Emborao Chile
represente apenas
algo
em torno de0,2%dasemissões
mundiais,
opaís
estápronto para promover o desenvolvi mentosustentável".Para
ela,
"noChile,
nosEUAe nomundoavontade
política
éum recursorenovável".
Nessamesma
conferência,
a entãopresidente
chilena Michele Bachelet disse:"EmboraoChilerepresenteape nasalgo
emtornode0,2%dasemissõesmundiais,
opaís
estáprontoparapromover o desenvolvi- mento sustentá vel".Para
ela,
"noChile,
nosEUAenomundoavontade
política
éumrecursorenovável". Entretanto, o fracasso da
última conferência mundial do
clima,
ocorrida em
Copenhague,
na Dinamarca, emdezembro do ano
passado,
mostraqueos
países
ricostêmprocurado esconder debaixo do tapete, em
nomedocrescimento
econômico,
todae
qualquer
ação
contraasemissõesqueprovocamo
aquecimento
doplaneta.
Rafael Balbinotti
Graus
da
escala Richter
8,8TremornoChile
6/Saúde
Florianópolis,
abril de2010A
eficiência
da
gargalhada
contra
a
dor
Os
Terapeutas
da
Alegria
mostram
que
fazer
o
bem traz
benefícios
aos
pacientes
e
aos
próprios
integrantes
do grupo
"Quando
eu comecei a fazer aprática
doprojeto,
indo aohospi
tal vestidade Ora.
Palhaço,
minhavontadeeraauxiliaraspessoasque
estavam
lá,
tirando o foco de meobservar enquanto acadêmica. O
importante
é vocêconseguir
fazero bem
naquele
momento,ajudar
a
criança
a esquecer-se da dorenquantoelanão
volta,
fazendo-arir,brincare atémesmo refletirsobrea
situação
em que ela está vivendo".Liliane
Fernandes,
estudantede Psicologia
naUnisul,
é tambémaOra.Ricotaefazpartedos
Terapeutas
daAlegria
háquatroanos.O grupo, que busca levara ale
gría
etornarmenosdolorosaapassagem das pessoas
pelo hospital,
foi criado em 2002. Suas
primeiras
atividadestiveraminício atravésde
cincoacadêmicosefuncionários da
Unisul que realizavam apresenta
ções
de músicaeteatronoHospital
Nossa Senhora da
Conceição,
emTubarão. Ogrupo passou a organi
zar visitas semanais aos
pacientes
internadosno
hospital
e achamara
atenção
de acadêmicos que estagiavam
nolocal.Oprojeto
começoua crescer,
ganhou
projeção
ehoje
temsuaáreade
atuação
naUnisul,
Udesc e UFSC. Os estudantes inte
ressadossão,namaioria, decursos
da área da
saúde
como Nutrição,Psicologia
eFisioterapia.
Aatividade por eles desenvolvidaé abordada
em Patch
Adams,
o amor é contagioso,
filme que mostra alunosde medicina que buscam criarum
atendimento
hospitalar
humanizado,
desenvolvendo acapacidade
desecolocarno
lugar
dopróximo.
Formação
dogrupoGustavo
Tanus,
oDr. Pimenta,écoordenador de visitas e formador
dos futuros doutores. Ele
explica
que ser um dos
Terapeutas
daAlegria
nãoésimplesmente
vestir-sedepalhaço
eiraohospital.
Os interessadosemfazerpartedogrupopas
sam por seis mesesde treinamento
emque têm aula deteatro,bio-dan
çae
expressão
corporal.
Depois
são mais seis meses deestágio
em que os voluntários participam
das visitas e, no fim desteano de atividade em grupo, é que
eles recebem seus
diplomas.
Essapreparação
ajuda
naversatilidade,
naimprovisação
e no amadurecimento dos
participantes.
"Duranteotempode
formação
sãoabordados assuntosqueajudam
osfuturosterapeutasa lidarem melhorcom si
tuações
quepodem
serencontradasdentro do
Hospital,
comodoenças
epossíveis
mortes",
afirmaGustavo. Para osenvolvidos,
o trabalhocomo
Terapeuta
daAlegria
émuitogratificante.
"Diversasvezes ospais
vieram nos
agradecer,
dizerquefi zemos adiferença
na vida de seusfilhos",
contao Dr. Pimenta. Pessoalmente,
ele acredita queaexperiência trouxe umareflexão maior
sobre suas
prioridades
e sobre oogrupo
Terapeutas
daAlegria,
formadoem2002,
atrai cadavezmaisointeressede estudantes decursosdaUnisul,
UFSCeUdesc"Às
vezes
tive
um
dia
complicado
e
ir
para
as
visitas
me
alegra,
por
saber
que
estou
fazendo
o
bem"
valor de suavida:
"Às
vezes pensono
porquê
deeu estaraqui
saudá vel eaquelas
crianças, àsvezes recém-nascidas,
estareminternadas,
passando
por tratamentospesados
esofrendo".
Benefícios
Todos os
Terapeutas
daAlegria
concordam que o trabalho é uma
terapia
para elestambém."Às
vezestive um dia
complicado
e ir para as visitas mealegra,
porsaber que es
tou fazendo o
bem",
explica
Moni queRocha,
a Ora. Boneca, estudante daquinta
fase deNutrição
da UFSC.Já
Ana LuizaNogueira,
aOra.
Carambola,
afirma ter aprendido a lidar melhor com
situações
adversas. "Oqueeuestou
passando
é muitopequenose
comparado,
porexemplo,
ao que as crianças estãovivendo",
reflete.Monique
diz queaprendeu
acontrolar o quesente e ficou mais
desinibida.
"Hoje
tem umacriança
que
precisa
dosTerapeutas.
Paraela é
importante
que nósestejamos
lá,
elaprecisa
maisdaquilo
doqueeu
preciso
fazeroutrascoisas,comosair,
porexemplo",
dizaestudante,
que
hoje
.vê o grupo como umaprioridade.
Ana Luizacompleta
oraciocínio:
"Às
vezes são só cincominutos, mas ela está
interagindo
comalguém
diferente do médicoeisso
pode
mudaro seudia".A Ora. Ricotaafirma que apren
de com cada
criança
que visita eque elas fazem com que acredite
que as pessoas ainda
podem
sermelhores. "Outracoisaque me
mo-tiva é tentar fazercom que outros
profissionais
da área da saúde vejam
que há muito mais a ser feito doqueatécnicaaprendida
durante o cursodegraduação".
Lucas
D'Avilla,
estudante dePsicologia
na UFSC,é um dospoucosmeninosdogrupo. Para
ele,
ser umTerapeuta
daAlegria
faz com que se sinta mais humano: "Sinto-me bem meaproximando
dealguém
que não
conheço
para fazê-losen-tir-se
melhor,
ajudando
sem esperar nada em troca". Ele ressalta a importância
que otrabalho tem, não sópara ascrianças,
mas para ospais
dospacientes
e paraos funcio-nários do hospital.
"Às
vezes,os
pais precisam
demaismotivação
que ascrianças
e a presença delesdurante as visitas dos
Terapeutas
faz com que seus filhos sintam-se
seguros em
participar
das brincadeiras".
Parao
pediatra
Thiago Demathé,
um dos idealizadores do
projeto
ecoordenador dos grupos, o
projeto
Terapeutas
daAlegria
contribuiumuito paraa sua
formação. profis
sonal e
pessoal.
Ele afirma que émuito
importante
olhar paraopacientee se interessarpor
ele,
fazercom que
haja
umaempatia
nestarelação
enãosimplesmente
darumdiagnóstico.
"O
projeto
ajudou
muitonaminha
formação
comopediatra,
pois
oDoutorPalhaço
mefezaprender
alidar melhorcom
crianças".
Pensenesta
situação:
se você tivesse que ir aomédico,
não iriapreferir
um com oespírito
de DoutorPalhaço,
alguém
quefizesse da consultaalgo
não traumatizante?Impressões
sobreogrupoCarina, de16 anos,conheceuos
Terapeutas
daAlegria
enquantoestavainternadano
Hospital
Infantil no anopassado,
fazendotratamentopara câncerno
pulmão
e nofígado.
"EuadorooDr. Pimenta. A presen
çadeleeramuito
boa, pois
àsvezes eu estavatriste e elemealegrava",
referindo-seaopersonagemdeGus
tavoTanus.Osterapeutasfazemum
trabalho lúdico com as
crianças,
criando situações em que elas têm
que
imaginar,
representar oupelo
menosbrincar dealguma
maneira. "Duranteavisita,sempre passamos uma mensagem para fazê-Ias terforça
e estimularopensamentoemcoisas
boas",
dizLucas.Dentro do
hospital,
asopiniões
sedividem;
alguns
funcionários,
eventualmente,
atéparticipam
das brincadeiras,
enquanto outrospen sam que o trabalho deles não
pode
ajudar.
Sabendodisso,
os Terapeutas evitam fa
zer muito barulho
ou
atrapalhar
as refeições
dospacientes.
"Às
vezes acriança
não quer comer e, se nósentramos no quarto e a distraí
mos,dificilmente elavai
conseguir
seacalmare seconcentrarnarefei
ção",
explica
Monique.
Thiago
Demathé afirma que, clinicamente,
orisoe aalegria
fazemcom que o corpo libere hormônios
quecontribuemparaobemestare a
melhoria do
paciente,
como aendofirnae a adrenalina. Considerando
sua
experiência,
ele conta queessamelhora évisível duranteasvisitas,
podendo
sernotadanahora."Nãoénecessário fazerexames de sangue
paraver se foram liberadososhor
mônios. Vemos e sentimos isso na
alegria
que elesdemonstram,
pelo
fato de estarem sorrindo
naquele
ambiente que não é
propício
paraisso",dizo
pediatra.
Segundo Thiago,
os benefíciosdo grupo
atingem
doispontos.Paraos
acadêmicos,
dá-se de forma indireta,
voltada para aformação
pessoal.
Durante afaculdade,
osestudos são direcionados para o
profissional,
deixando emsegundo
plano
asrelações
pessoais
entreprofissional
epaciente:
"O estudode medicina é muito voltado para
fazer
diagnósticos,
prescreverreceitas,e esse
tipo
deformação
fazcomque nãose
priorize
olado humanodoatendimento".
Por outro
lado,
para opaciente,
além da
liberação
dehormônios,
háuma melhora na
qualidade
de vidaenquantoestãono
hospital.
A visitadeum
Terapeuta
daAlegria
fazcomque arotinadedoença
e ocontatoapenascommédicoseenfermeiras
seja
quebrado.
É
ummomentoemqueopacienteesquece,mesmoqueporpouco
tempo,a
situação
que estávivendo.Resultados
Em
2010,
o grupopretende
aumentar o tempo de
formação
dosterapeutas de um paradois anose
incluir um semestre mais voltado para
pesquisa,
medidaqueenrique
cerá ainda mais a
formação
acadêmica dos
participantes.
A cadaseis meses, são abertas
aproxima
damente 80 vagas e a demanda é
cadavezmaior.
Sempre
hápessoasinteressadas que não conseguem vagas.
Além de buscar co
nhecer diversas áreas
durante a
faculdade,
os estudantes estão
mais conscientes do
tipo
deprofissio
nais que
desejam
serno futuro e buscam uma
formação
diferenciada,
quepode,
nesse caso, ser propor cionada Pe losTerapeutas
daAlegria.
O tempo queeles
participam
do grupo edasvisitas às
crianças
fazcomquese transformem em
profissionais
capazes de realmente se
importar
com opróximo
e isso fazcomque, nofuturo,
sejam
médicos,
psicó
logos,
fisioterapeutas
ou nutricionistas muito bem
preparados
paraatendere
ajudar
todosaqueles
queosprocurarem.. LuizaFregapani , .... ,