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Zero, 2010, ano 28, n.1, abr.

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(1)

FLORIANÓPOLIS,

ABRIL DE 2010

-

CURSO DE

JORNALISMO ANO

XXVIII,

NÚMERO

1

Professores estão

com

medo

Fotoemontagem: FelipeMachado

Especial

-Fdllcar.ão

Lei

proíbe

dupla

matricula

em

universidades

públicas

�sporte

Superatletas:

o

que

eles

têm

que você tem

também

Debates

Especialistas

em

politica

analisam

declarações

de Lula

Economia

Modelo de

agricultura

familiar

no

estado

garante

produção

Com o

projeto,

mais de 30 milva­

gas devem sercriadas a cadaano,

Antes,

aproximadamente

80% dos estudantes que cursavam duas fa­ culdades ao mesmo

tempo

aban­

donavamumadelas,

o

desempenho alcançado

por es­

portistas

de elite não

depende

só da

genética

e

pode

ser

conquistado

por

qualquer

pessoa

disposta

a se

submetera um bom preparo

físico

e

psicológico,

Professor de Ciência Política e pre­ sidente do

lELA,

estreiam a nova

seção

do Zero analisandoasdecla­

rações

do

presidente

Lula sobre os

protestos

dos dissidentes

políticos

contrao governo cubano,

De onde vêmosalimentos quecomemostodos

os dias? Lavouras diversificadas são

consequência

de

condições próprias

de se., Mas também

dependem

de

políticas

públicas

para mantero homem nocampo,

(2)

2

I

Opinião

Florianópolis,

abril de2010

o

UNIVERSITÁRIO

e

as

esculturas

-Inspirado

naobra de Franklin Cascaes ecom

u,m.

nomequebem

poderia

serde

umamusicadeCaetanoVeloso o

Boitatá

Incandescente

foiagrande

atr�ção

desse

começodesemestrena

UFSC. Comseus

15metrosdealturae1897

quilos

a

esculturaconstruídacom

materi�l

re�proveitado

da Ponte HercílioLuz não teria

mes�o

comopassar

despercebida

-o

que.n.ao

seria motivo para

descuidar

da

pubhctdade.

_ Notasdistribuídasàimprensa, autorida­

des

presentes,

discursos

pronto�.

Areitoria

nãohavia

planejado

nada de

diferen-teparaa

inauguração

daescultura,

colocadaàsmargens do

lago

quesepara

oCeptrode CulturaeEventose oCentro

deConvivênciada UFSC.Eis entãoqueo

DiretórioCentraldos Estudantes

(DCE)

entraemcenacom oqueestavafaltando.

Armadosde

pranchas

de

surfe,

boiase

máscaras de

mergulho,

osestudantes

invadem- ou

melhor,

ocupam - a

água.

-A

manifestação

eracontrao

dinheiro

gastona

re�ital!zação

do

lago.

Nada contra

o,

Boltatã,

muito

pelo

contrário.

?

DCEsoacha que existem

coisas mais

I�portantes

do queumaobra

paisagís­

tíca.Salas de

aula,

por

exemplo.

Maso

protesto

lança

luz sobrea

incandescen­

te

fi?ura

.do

�oitat�

efazbrotarno

peito

doslllsatJsfeltos

duvidas

sobreofuturode

umaesculturana

UFSC.

_ Coberto derachaduras,

OGuardião

permanece

sentadoemsua

gasta

arcado

saber.

Escondida

no

pequen�

�osque

ao

lado da Biblioteca Universitana,aobra de

Elke

Hering

é vistadecostas

pelo�

al��os

que

frequentam

asala deestudo

índíví-dual.Masessesnãoparecemserosseus

verdadeiros

admiradores.

-B!tucas

de

cigarro,

ummaço

vazio,

fatias

chupadas

de

limão,

sachês de sal

usados. Umsacode

gelo,

sacolas de três

,

supermercados

diferentes,

latas de

cerveja

eumapacotevaziode Lovetex. Ainda

pró­

ximasaocírculo deconcreto

que sustenta

a

es�u�tura,

as

embalagens

deum

picolé

delimãoedeum

salgadinho

debacon.

Pouco visitadoduranteo

dia,

OGuardião

pareceterumavidanoturna

agitada.

EDITORIAL

Proximidade

e

confiança

Passavaumpoucodas6h

quando

adireto­ rada Escola Estadual de

Educação

Básica Leo­

poldo

Meinenouviuumbarulho estranhoem

frenteàsuacasa,napequenacidadede Forta­

leza dos

Valos,

planalto

médio

gaúcho.

Jurema

Catarina Bastos Fontana acordou o maridoe

foiver oqueestavaacontecendo.Lá

fora,

pais,

alunos e

professores

faziamumaserenataem

homenagem

aoDiadoDiretor.

O

episódio

aconteceu em 12 de novembro de

2006,

quasetrêsanos

depois

deJuremater

assumidoa

direção

da escola.

Lá,

elesnuncati­

veram

problemas

com

violência,

masela sentia

faltadeuma

relação

mais

próxima

com a co­

munidade.Juremapassou entãoaconvidaros

pais

aparticiparem das atividades do

colégio.

Nemtodosseanimaram,é

claro,

mas adireto­

rainsistiu. "Nós

organizamos jantares,

fizemos

camisetas. Aos poucos,osoutros

pais

começa­

ram a

aparecer",

lembra.E nãosó para

jantar.

Aos

sábados,

Jurema

organizava

mutirões de

pais

para realizarpequenasobrasno

colégio.

Comos

estudantes,

a

relação

ébaseadana

confiança.

"Esses tempos

quiseram

proibir

o usodecelularesnaescola.Eunãodeixei. Cha­

meiosalunosedissequeeles

poderiam

trazer

CHARGE

os

aparelhos,

mas que teriamque secompro­

meter a mantê-los

desligados

durante as au­

las.

Funcionou",

conta.

Quando

seafastou da

direção,

no fim de2009, Juremavoltou aser

homenageada pela

comunidade.

A história de

Jurema

é uma

exceção

em

meioatantasnotíciasde violênciacontrapro­

fessores.

Reportagem

do

jornal

ODia revelou

que,noRiodeJaneiro,adiretoradaEscolaMu­

nicipal

General Humberto de SouzaMello foi

agredida

e

ameaçada

demorte poralunos do

EnsinoFundamental. Professoresafirmam que

elafoi alvo desocos e

pontapés

aotentarsepa­

rar uma

briga.

Com

medo,

a diretoradisseà

polícia

queas

agressões

foramapenasverbais.

Nesta

edição

umareportagem

especial

tenta

entenderasrazõesdessaviolência.As

explica­

çõessãomuitas,e amaioriadascausasapon­

tadasestá

longe

do alcanceda escola.Reflexo

da violêncianasociedadeeda

desestruturação

das

famílias,

uma

legislação

que deixaospro­

fessoressem

ação.

Falta estrutura, ossalários

sãobaixos.Por

fim,

o

grande

númerodealunos

atendidos porcada

professor impede

quesecrie

uma

relação

mais

próxima

entreeles- como

aquela conquistada

emFortalezadosValos.

REDAÇÃO

CinthiaRaasch,DaelLimaco,FernandaBurigo,Francisco Dantas,LarissaCabral,LeonardoGorges, LuízaFregapaniSilva, Marial.uízaGil, MarianaPorto, Marina MartiniLopes, RafaelBalbinotti, RayaniMariano

dosSantos,Yasmine Holanda Rorini

EDIÇÃO

Capa FelipeMachadoOpiniãoDaniel LudwichEntrevistaGa­

brielaCabral Debate Marcone Tavella Geral DanielaFerreira, FelipeMachadoSaúde Natalia Izidoro

Educação

AlessandraLopes Flores Espeç!alAnnaBárbaraMedeirosEconomiaFábioQueiroz,Rafael Hertel, Thomas

MichelComportamento Ana Clara MontezEsporte BrunoVOlpato ContracapaVerônica Lemus Imagem

Felipe

MachadoFOTOG

Machado,

Larissa

Cabral,

MariaLüiza

Gil,Rafael Balbinotti,

RayapiMa-(lanadosSantosEDIT

..

.

Raasch,Cláudia

Muss!.,

DanielLudwich,

Felip'e

Machado,

Fernanda

Burigo, Jacquelinede Carvalho

MÓfeno,J_oice

Balboa,

MarconeYavella,

MariaLl/iza Gil. Mariana

Porto,

Marina

Martrlli

Lopes,

NataliaIzidoro;

Natbale

EthelFragnani, Nathaiia

Vieira

Carlesso

INFOGRAFIA.

Joice Balboa,

.

Maria Luiza Gil:MarianaPorto,

Natbale

EthelFragnani, RafaetHalbinotti PROFESSOR-COORDENADOR

JorgeKanehideIjuimMTb/SP14.543

COORDENAÇÃO

GRAFitA

Sandro LauriGalarçaMTb/RS8357

MONITORIA GabrielaCabral,Juliana Passos

IMPRESSÃO

Diáno Catarinense

CIRCULAÇÃO

Nilcional

TIRAGEM5.000exemplares

Sobre

a

chargista

Maria Luiza Gil tem 20 anos e é estudante de Jornalismo da UFSC. Atualmente estagia corno

fotógrafadaAgênciade

Comunicação

da UFSC. Para entrarem contato com aautora, escreva

paraoe-mail

[email protected]

ZERO

JORNAt

LABORATÓRI02ERO

.

Ano XXVIII-N°,1 - Abril

de2010

Universidade Federal deSantaCatarina

-UFSC

Fechamento: 7 de abril

Cursode Jornalismo- CCE- UFSC- Trindade

Florianópolis- CEP 88040-900

Tel.:(48) 3721-65991 3721-9490 Site:www.zero.ufsc.br

E-mail: [email protected]

Para

os

chargistas

Se você édaquelesque quando lê uma notícia

logo a imagina numa charge, desenhe para o ZERO e envie para [email protected]. Sua

charge podeserpublicadanesseespaçoefazer

partedas

próximas edições

dojornal.

ZERO

NO TEMPO

AdmiflHlracJo <kKI<!'í:,nl>iug bateu recorde <.'fIl�Q:Sco.m puhhciditJe FFSC lwIl)(o(�uiJ. IkIlUh<tpel,t campaeba .."<.}»ll",ll1fOIl)C HOoSpilUllk Caridade foí IIlcn.a..kl(jIlf!1r1) vC.1,l.."ósobre <'>S(l:�">'i Dlretorill d" m:SC3ument;! \),rtf'pl';I\.� ."tM11fllill:' surdiun

A

exumação

de

Floriano

Ce11tená.rfodonomo'IOf'lonópCIlf,provCH:Guma

olldo(.",ll1onl.to:(I�sponlÓYf)1.,.10ffJd_(J'O

d�Al1hcrtomlrlmJl'HH"iII'ceeuohomeno�?

O velho telefone fixo anda tão obsoleto

quanto overbo discar. Por isso mesmo a re­

portagem

do ZERO sobre o

Disque-amizade,

publicada

emmaiode

1994,

exalamaisdo que

um

compreensível

cheiro de naftalina. Paraa

maioriadosuniversitários,aideia de

aprovei­

taruma

distração

dos

pais

para pegarotelefone

escondidoediscar145nãofaz nenhum sentido.

Agora,

se

alguém

viessefalar deum

serviço

que

junta,

aleatoriamente,cincodesconhecidosem

umamesmasala de

bate-papo,

nãohaveriane­

nhuma surpresa.Iamachar queeraumnovo

tipo

de chat.

Logono

título,

amatéria avisaque "roda

de

amigos,

piadas

e

palavrões

povoam145".Ao

lado,

umacorrelatadefineo

serviço

de bate­

papo como"o

paraíso

dos

voyeurs".

'ludomuito

familiaraóqueseriadito

alguns

anos

depois

sobreainternetO

Disque-amizade,

quecome­

çoua seroferecidoem

Florianópolis

em

1990,

funcionava 24horaspor

dia,

custavaduasvezes

maisqueuma

ligação

normaleagrupavaaté cincolinhas.Emuma

central,

quatromonito­

rasdirecionavame

acompanhavam

as

ligações.

Quem

ligava

só paracontar

piada,

falar

pala­

vrãoe

perturbar

osoutroseraadvertido.

Nesta

edição,

oZEROtrazumareportagem

sobreo ChatRoulette.Assimcomo no

145,

os

encontrosnositecriado por

Andrey Ternovskiy

são

completamente

aleatórios.Existem

algumas

diferenças,

é claro. NoChatRoulettesão agru­

padas

apenas duas pessoas porvez, que, além de conversarem,

podem

se ver pormeio das

webcams. O alcance também éum

pouquinho

maior.

Enquanto

o145oferecia 24 grupos de até

cincopessoas,onovochat

temmaisde dez

mil usuárioscadastradosemtodomundo.

•••••

MelhorPeçaGráfica I, It,III, IV,VeXI Set Universitário 1 PUC-RS(1988,89,90,91,92e98)

MelhorJornal-LaboratórionoI Prêmio Foca Sindicato dos JornalistasdeSC2bOO 3°melhorJornal-Laboratóriodo Brasil EXPOCOM 1994

. ..

I , I , • , •

ZERO

Itt.

(3)

Florianópolis,

abril de2010

Entrevista

I 3

No

início

de

março,

Florianópolis

sediou

o

10

Encontro Nacional

dos

Conselhos

de

Medicina.

No evento

foram

debatidos

temas

relevantes

para

o

futuro

da

profissão,

como a

criação

de

um

plano

de carreira para

médicos

e a

melhoraria da

qualidade

dos

cursos

universitários.

O

plano,

que

está

para

ser

aprovado

pela

Câmara

dos

Deputados,

garante

progressão

na

carreira

e

melhores

salários.

O ZERO

entrevistou

José

Francisco

Bernardes,

presidente

do

Conselho

Regional

de

Medicina de

Santa Catarina

(Cremesc),

que

discute

as

mudanças

na

profissão

e a

situação

médica

no

estado.

Divulgação

FormadoemMedicina

pela

UFSCem

1978,

José Francisco Bernardes é

presidente

doConselho

Regional

de Medicina de SantaCatarina

(Cremesc)

desde dezembro de 2009.NascidonoRio de

Janeiro,

veiopara

Florianópolis

em1965. Aos 57 anos,é

professor adjunto

do

Departamento

deClínica

Cirúrgica

da

UFSC,

além deinstrutor do

Programa

deResidênciaMédicaem

Ortopedia

do

Hospital

Governador Celso Ramos.

É

mestreemmedicina

pela

USPnaáreade

Ortopedia

e

Traumatologia

etemtrabalhos

publicados

naáreade

cirurgia

deombro. O

médico

ortopedista

do Ministério da Saúde

presidiu

aSociedade Catarinensede

Ortopedia

emdoismandatos.

José

Francisco

Bernardes

llsanta

Catarina

é

um

dos

estados

mais

homogêneos

do

país

na

distribuição

de

médicos.

Em

praticamente

todos

os

municípios

há.

profissionais

com

especialização"

ZERO:

Quaisfatores determinaram

aela­

boração

deum

projeto

delei que

prevê

o

plano

de carreiranaMedicina? Anecessidadedequeomédicoatueem um

único

local,

oque

antigamente

erachamadotempoin­

tegral

geográfico.

Issofazcomqueo

profissional

tenha

função pública

e local de trabalho

estabelecido,

salá­ rio

compatível

com a

dedicação

exclusiva a umúnico

vínculo

público.

Acrescente-se a isto a dificuldade de

manter o médico nos

municípios

mais

longínquos.

A

maior

queixa

dos

jovens

médicosnãoéaremuneração,

e sim o "abandono científico" aque ficam

sujeitos,

a

falta de

perspectiva

deumdia

poderem

semudarpara

umlocal commelhoresrecursos

tecnológicos.

A

Federação

Nacionaldos Médicos

(Fenam)

tenta háanosqueo

plano

decarreira

seja

aprovado

na

Câmara dos

Deputados.

Por que até

hoje

não foi

aceito?

O queaFenam sempre

defendeu,

e continua adefen­

deré aexistência de um

piso

salarial único paramé­

dicos, hoje

em torno dos

R$

7.000,00. Presentemente,

a

Federação

tem dado mostras que encampou a ideia da Carreirade Estadoparamédicos

juntamente

com as

outras entidadesmédicas

nacionais,

como oConselho

Federal de Medicina(CFM)e a

Associação

MédicaBra­

sileira

(AMB).

Como ficará na

prática

se o

projeto

de lei for

aprovado?

A

partir

da

aprovação,

haveráanecessidade da

edição

de umalei

pelo

Congresso

Nacionalque

regulamente

o novo

dispositivo

constitu-cional.

\

Certamente concur­

sos

públicos

serão realizados

determinando os locais de

trabalho, funções específicas

e salário único para desem­

penhar

as mesmas atividades em

qualquer

dos

municípios

brasileiros.Issofará comque

o médico

esteja

à

disposição

da

população pelo

intervalo

detempoquealei

determinar,

quando

entãoserásubstituído

e

progredirá

nacarreira,sen­

do transferido paraumcentro

maior,commaisrecursos.

Você acredita que o

plano

decarreirade

algum

modo

possa melhoraroatendimento

público?

Sim, o médico é um serhumanocomo

qualquer

pes­

soa, que estimulado por

remuneração

digna

-sem a

necessidade de ter outras atividades

profissionais

pa­

ralelas

-e

perspectiva

futura de ascenderna carreira,

certamenteterámaistempoe

tranquilidade

parapres­

tarumatendimento de melhor

qualidade.

Estima-seque 500cidades nãotenhamummédico

sequer. O

plano

de carreira

ajudaria

a distribuir

melhor osmédicos

pelo

país? Qual

a

situação

ca­

tarinense?

A carreira de estadopara médicos

ajudaria

sim adis­

tribuição

dos

profissionais

pelo

Brasil. Santa Catarina

é um dos estados mais

homogêneos

do

país.

Em pra­

ticamente todos os

municípios

existem médicos com

especialização,

ou

seja,

residência médica. As cidades

que não

dispõem

de

médico,

geralmente

é por falta

absoluta de estrutura, pois se houver uma

verificação

in

loco,

essascidades também nãocomportamum su­

permercado, pela

pequena

população

ou

pela pobreza

que láexiste.

Quais

os

principais problemas

que o

profissional

de medicina enfrenta no

país

e como o

plano

de

carreira

pode

melhorareste

quadro?

O que

vejo

como

principal

é a falta deestrutura dos

gestores

públicos

para

proporcionar

o atendimento

médico nos

municípios

mais

longínquos

e menos fa­

vorecidos.Como

dito,

a

remuneração

deforma

geral

é

até atraente,mas ainfraestruturaexistente

geralmente

é ruim,e afalta de

perspectiva

docrescimento

profis­

sional é desestimulante.Nadaseresolvesecolocarmos

postos de saúde em cada

esquina.

Muitas vezes, há a

necessidade da

internação

do

paciente

queacabou de

ser

atendido,

não havendo nenhuma estrutura

hospi­

talarquegarantaacontinuidadedotratamento

após

o

atendimento

prestado

no posto desaúde. O

paciente

é

atendidoempostos

próximos

a suaresidênciae

depois

nãohámaisoquefazerporele.Nãohávagas

garanti­

dasparaa

internação

dequem necessita.Faltamleitos

hospitalares,

mesmo nos

hospitais

ditosdereferênciae

inclusiveem

Florianópolis.

O Secretário de Saúde

Suplementar

da Fenam,

Márcio

Bichara,

acredita que a carreira acabaria

com

contratações

precárias

em

época

eleitoral. Vocêconcorda?

Não há dúvidaquanto a isso. Em São

José,

o

Hospital

Regional

não consegue

completar

o número de mé­

dicos necessários para o seu

perfeito funcionamento,

porque só oferececontratosdevinte

horas,

comsalário

irrisório. Háanosfazconcursosenão consegue preen­

cherasvagas.

Haja

vistao

problema

recentecom afal­

ta deanestesistas. Se

houvesseum

plano

decargos

e

salários,

issocertamentenãoocorreria. Ascontrata­

ções

precárias geralmente

realizadaspor

prefeituras,

principalmente

em anos

eleitorais,

com empresaster­

ceirizadas e ou mesmo cooperativas de

médicos,

não

garante que a

população

continue a ser assistida se essescontratos nãoforem honradosou renovados pe­

laspartescontratantes.

Uma das

questões

deba­

tidas no 10 Encontro Na­ cional dos Conselhos de

Medicina foi a

qualidade

doscursos de Medicina. O

planó

de carreira

pode

de

alguma

maneira motivar

oscursos amelhorarem o

ensino?

Não acredito que o

plano

de carreira tenha influência

marcante nas Escolas Médi­

cas. A

qualidade

dos cursos

estádiretamente relacionada

à

contratação

de

professores

suficientemente

qualifica-dos,

que

queiram

se dedicar à

prática

da medicina e ao

ensino. Muitos cursos pagam de forma ridícula seus

docentes,

enquanto cobram mensalidades astronômi­

cas de seus alunos. A maioria das universidades

pú­

blicas

tem seus currículos direcionadospara a for­

mação

de médicos visandoosistema

público

de saúde.

Nestas,

também,

os salários estão bastante

defasados,

comode todoofuncionalismo

público ligado

ao

poder

executivo.

Forao

plano

de

carreira,

quais

sãoos

projetos

de

lei demaior interesse da classe médica?

Tivemos aimensa

satisfação

de

conseguir

aprovar na

Câmara dos

Deputados,

no ano

passado,

oPL

7703/06,

quetratade

regulamentação

do exercício da

Medicina,

sendoaúnica

profissão

daáreade saúde que aindanão

tem suas

atribuições

estabelecidas em lei.

Esperamos

sua

aprovação

também no Senado ainda no

primeiro

semestre deste ano. Além

disso,

temos um

projeto

de

lei

parado

no Senado que estabelece a

Classificação

Brasileira de Honorários para Procedimentos Médicos

(CBHPM),

como oúnico

parâmetro

depagamentopara

o

serviço

dosmédicos,

seja

noatendimentopor

planos

de

saúde,

bem como para o Sistema

Único

de Saúde

(SUS).

Oque certamente trarábenefícios aosmédicos

população

atendida, independente

deseremdeten­ toresde

plano

de saúdeou usuáriosdoSUS.

ZERO

.. ;�.\:.

.

(4)

4

I

Debates

.

Florianópolis,

abril de2010

Dissidentes cubanos

pedem ajuda

Mas

presidente

brasileiro diz que

greve

de fome

não

pode

ser

pretexto

dos Direitos Humanos

para

libertar

presos

"O

presidente

Lula tem escolhido

muito bem as

viagens

que fará este

ano", sintetizou o porta-voz da Pre­

sidência,

Marcelo

Baumbach,

antes

da

viagem

de Lula por quatro

países

daAmérica Latina- entre eles Cuba

- realizada

entre21 e 27 de fevereiro desteano.

Doisdias

depois

de

partir,

emHava­ na,

capital

cubana,

a

agenda

do

presi­

dente brasileiro incluíaumavisitaao

líder FidelCastroe oanúncio de

apoio

à

construção

doporto de Marielcom

investimentode

US$

300 milhões.

Noentanto, dois incidentesocorri­

dos duranteaestadia de Lulaemter­

ritóriocubano colocaramemdúvidaa

afirmação

de

Baumbach, pelo

menos em

relação

àescolha das datas dasvia­ gens

presidenciais.

Após

85 dias de greve de

fome,

o

encanador de42anosOrlando

Miguel

Zapata Tamayo

faleceu

depois

de ser

transferido do

presídio

de

Chamaguey

parao

hospital.

Nodia

seguinte

a sua

morte, 24 de

fevereiro,

Guillermo Fa­

rifías iniciou um

jejum

emdefesada

preservação

dos direitos humanos e

pela libertação

de 26 presos doentes.

Osdois cubanosestãoentreos75 dis­

sidentes

políticos

detidos desde

2003,

amparados

naLei88,que

prevê

"apro­

teção

da

independência

nacionaleda

economiade Cuba".

Imediatamente

após

amortedeZa­

pata,Estados

Unidos,

União

Européia,

Organização

dos Estados Americanos

(OEA)

e das

Nações

Unidas

(ONU)

se

juntaram

à

organização

de defesa dos

direitos humanos Anistia

Internacio-nalem

campanha

contraogovernode

Cuba.Comagreve de fome deFarinas

como

principal

argumento, estes ór­

gãos

e

nações

solicitaramàs autorida­ des da ilhaao

longo

demarço

respeito

aosdireitos humanos e

libertação

dos

26presos.

Em

contrapartida,

o

presidente

de

Cuba,

Raúl

Castro,

lamentou amorte

de

Zapata,

masdisseque nãocederáa

pressão

de

qualquer

ordem. Paraolí­

der

cubano,

os75

prisioneiros

não são

"presos

de consciência"como aAnistia

Internacional

define,

mas "mercená­

rios"e"terroristasdeEstado"aserviço

dosEUA. Paraogovernoda

ilha,

Zapa­

taeFarinas sãoduaspeças

manipula­

dascontraCuba.

Lula estava em Cuba durante os

fatose se tornouum dos personagens

deste debate internacional. Antes de

chegar

em

Cuba,

50 presos

pediram

porcartaao

presidente

brasileiro que

intercedesse por suas

libertações

no

encontrocom osCastros.Amensagem

diziaque Lulaseriaum

"magnífico

in­

terlocutorpara

conseguir

queogover­

no cubano realizeas reformas econô­

micas,

políticas

esociais

urgentemente

necessárias". Lula afirmounãoterre­

cebidocarta

alguma.

Questionado

sobre o método de

protesto utilizado

pelos

dissidentes

políticos,

o

presidente

brasileirosepo­

sicionoucontraagrevedefomee com­

paroua

situação

dos presoscubanos a

dosbrasileiros. "Eu achoque greve de

fome não

pode

serutilizadacomo um

pretexto dos Direitos Humanos para

libertar pessoas.

Imagine

se todos os

bandidosqueestão presosemSão Pau­

loentrassememgreve defomee

pedis­

sem

liberdade",

declarouo

presidente.

"Temos de

respeitar

a

determinação

da

Justiça

edo governo de Cuba de deter

pessoasemrazãoda

legislação daquele

país,

comoqueroque

respeitem

oBra­

sil".

O

presidente

Lula

agiu

de formacor­

retaao se

posicionar

contrao

protesto

utilizado

pelos prisioneiros

cubanose

creditar

totallegitimidade

à

Justiça

de

Cubana

condenação

aos75

presos?

O'

professor

de Ciência Política da

UFSC,

HéctorRicardo Leis, e o

presi­

dente do Instituto deEstudos Latino­

Americano

(rELA)

estréiam a sessão

Debates,

doZERO,com suas

opiniões

sobre a

questão

cubanae as declara­

ções

do

presidente

brasileiro.

o drama de

Lula

em

Cuba

Talvez,

com a única

exceção

da

Forças

Ar­

madas Revolucionárias da Colômbia

(FARC),

nenhum revolucionário latino americanodos

anos 60e 70

pretenderia

seguir

hoje

o manu­

al de luta armada queentão

guiava

sua

ação.

A democracia

"burguesa"

que

hoje

temos em

todaaAmerica Latina

-com aúnica

exceção

de Cuba- não estavanos

planos

dessa

geração,

nocomeço desua

longa

marcha.Mastambém

é verdade que

naqueles

anos erampoucos os

atores que manifestavam um

compromisso

autêntico com ademocraciae os direitos hu­

manos,de ambososlados do

espectro

político.

O

aprendizado

foi decertafor­

ma do

conjunto

da sociedade.

A

rigor,

nossas sociedades não

tinham

aprendido

aindaaviver

em

democracia,

nem a

respei­

tarosdireitos humanos.Asex­

periências

anterioresestiveram

quase sempre contaminadas

porinteresses

oligárquicos.

O

registro

democrático do

século 20emAméricaLatinafoi

tão

pobre, padeceu

detantasin­

terrupções,

quese

pode

afirmar

queoprocesso de

transição

de-mocrática,

iniciadonosanos

80,

foi paramui­

tosdos

países

quesaiamdo autoritarismoo

pri­

meiroprocesso de

construção

democráticasem

restrições

oligárquicas

oumilitares.Noentanto,

apesar de quea

região

retirou

praticamente

de

seuhorizontea

possibilidade

deumretornoaos

regimes

autoritáriosde outrora, a

construção

democráticanãotransitasemsobressaltos.

Um

exemplo

disto foi dado

pelo presidente

Lula,

durantesuarecentevisitaa

Cuba,

umdos

prisioneiros

de consciência do

regime

castrista,

morreu

depois

deum

longo período

'de greve de

fome. Frenteaeste acontecimento houveuma

rápida

reação

por

parte

dacomunidade inter­

nacional,

vindotantodasmaisreconhecidasor­

ganizações

não

governamentais

internacionais

de defesa dos direitos

humanos,

como de um

HéctorRicardoLeis

professor

deCiência PoliticanaUFSC

sem-número de

lideranças

políticas

de todas

as cores.

Apesar disso,

Lulafez como se nada

estivesseacontecendonailhaesubiu aoavião de retornosemfazer

qualquer

declaração

a

respeito.

Para

piorar

aindamais a

situação,

no

Brasil,

Lula comparou a

situação

dos presos

políticos

em Cubacom a de presos co­

muns noBrasil.

Arthur Koestler

conseguiu

mostrarcomo

ninguém

os la­

birintos da mentalidade daes­

querda

revolucionária. No seu

livro,

OZeroe oInfinito

(publi­

cadoem

1941,

a

propósito

dos

Juízos

de

Moscou),

elenos con­

taa

tragédia

do velho

bolchevique

Rubachov,

que

prefere

confessaruma

culpa

quenãotem,

antesdeacusarao

partido

comunista

pela

sua

injusta prisão,

que isso

poderia

enfraquecer

a causada

revolução.

A atitude do

presidente

Lula com

relação

a

Cuba faz lembrarocomportamento do perso­

nagem Rubachov. Talvezo

presidente

brasileiro

não

consiga

criticar Cuba porque pensa que isso

poderia

ser

aproveitado pela

"direita".Mas

fazendo isso estaria evidenciando uma falta

de

convicção democrática,

queestariacolo­

cando

hoje

à defesa dos direitos humanoseda

democracia de forma subordinada aos ideais

revolucionários de ontem,

expressados

nasua

anacrônica solidariedadecom a"revolucioná­

ria"ditadurados Castro.

Cuba

e os

direitos humanos

"Lula

não

deve

interferir

em

conflito

interno cubano"

A

imprensa

estadunidense

(leia-se CNN), jun­

tamentecoma

européia

e ade

alguns

países

la­

tino-americanos,

desencadeouuma

propaganda

sistemáticacontra

Cuba,

alegando,

nestecaso,o

desrespeito

aos direitos humanos por parte do

governo de Havana. Na

realidade,

estacampa­

nhanãoénova

queteveinícioem

1961

quan­

do FidelCastro

proclamou

ocaráter socialista da

Revolução

Cubana.Por contadestaposturasobe­

rana,

Washington

sevaleu doterrorismodeEsta­

do para inviabilizaros avançossociaisda

Ilha,

começando

com aguerra

bacteriológica

contra

os

canaviais,

passando pela

peste

suínacontraos

animais,

chegando

à

propagação

da

dengue

con­

traoshumanose

permanecendo

todosestesanos

no constante

ataque

contra

Cuba,

afirmando o

não

respeito

aosdireitoscivisdas pessoas. Na

verdade,

sãoos Estados Unidos os gran­

des violadores dos direitos humanos. Bastaver

os vários

porto-riquenhos

que cumprem pena

de

aproximadamente

trinta anos em cadeias

estadunidenses por lutarem

pela independência

de Porto

Rico;

osmuitos

afegãos

e

iraquianos

torturados na base navalde Guantánamo por

se oporem àinvasãode Cabule

Bagdá;

osgru­

pos de resistência no

Iraque

que foram presos

e humilhados de forma vexatória na

prisão

de

Abu

Ghraib;

osnegros,oslatinose os

indígenas

que sofrem umracismo constante e

persistente

dentroda sociedade

estadunidense,

reclamando

direitos

iguais

aosbrancos

anglo-saxônicos.

Cuba sempre

foi,

desdea

ruptura

desuas re­

lações

diplomáticas

com osEstados

Unidos,

uma

democracia militarizada. Isso se deve ao não

reconhecimento de

Washington

à soberania de

Havana. A Casa Branca tentoude todas as for­

mas derrubar o governo revolucionário cuba­

no,

começando

com ainvasãoarmada

(1961),

passando pela

Leide

Ajuste

(1966),

que confere

atodo cubanoa

condição

de

refugiado político,

chegando

aLeiTorricelli

(1992)

eHelms-Burton

(1996)

quetratamdocerceamentodo comércio

e de

negócios.

O governo de Havana

permite

todae

qualquer

críticaao

sistema,

desde que o

movimento não

esteja

à

serviço

efinanciado

pe-Waldir

Rampinelli

presidente

do lELA los Estados Unidos.Estafoiuma

revolução

que

custoumilharesde vidasenãose

pode

permitir

queo

inimigo

adestruacom a

complacência

do Estadosocialista.

Umgrupo de mulheres

cubanas,

conhecidas

comoasdamasde

blanco,

quevemsemanifes­

tando contraogovernocomcerta

regularidade

não estão

pleiteando

liberdade para criticar o

Estado cubano- elas

otem- e simodireito

dedestruiroEstado socialista.

É

evidenteacone­

xão existente entreo

Departamento

deEstadoe

a

manifestação

havidaemMiami

dirigida pela

cantoraGloria

Estefan,

filha deumministrodo

ditador

Fulgencio

Batista,

passeatada

qual

tam­

bém

participou

o terroristaPosada Carilles em

apoio

a estassenhoras e ao

grevista

Guillermo

Farinas.Pedirama

intervenção

da

ONU,

da OEA

edosEUAnão apenascontra

Cuba,

mastambém

contraaVenezuela.Liberdadepara

intervir,

este

foiolema.

Combase nestebrevehistóricoque

relatei,

o

presidente

Lulanãodeveenão

pode

interferirem

umconflitointernodeumEstadosoberano.Antes de

exigir

qualquer

atitude do governo

cubano,

os

organismos

internacionaisdeveriam

obrigar

os

EstadosUnidosareconheceroEstadoSocialista

Cubanocomoumaentidadesoberana.

ZERO

"Talvez Lula

não

consiga

criticar Cuba

por pensar

que

isso

poderia

ser

aprovenadç

pela

(5)

Florianópolis,

abril de2010

Meio

Ambiente

I

5

Os

tremores

que sacudiram

o

mundo

Recentes

terremotos

reacendem

discussões

sobre

economia

e as

influências

do

homem

sobre

o

planeta

Maloanode2010 começoue o

pla­

neta

sofreu maisde 44 terremotos

com

magnitude

acimade 6 graus na

escala Richter. Com mais de 223.000

vítimas,

esse

éo

segundo

pior

anodo

séculoXXI sefor levadoemconsidera­

ção

onúmerodemortosemdecorrên­

ciade abalossísmicos. Muitasdúvidas

surgiram

sobreareal causade desas­

tresnaturaiscadavezmaisfortesefre­

quentes.Em meioàs

catástrofes,

foram

observadasas

profundas diferenças

so­

ciaisdentro de um mesmocontinente.

Chilee Haiti,

países

social eeconomi­

camenteopostos,

buscaram,

cadauma suamaneira,minimizarosefeitos das

hecatombes recentemente vivenciadas

porseushabitantes.

Oterremotoocorrido no dia 27 de

fevereiro de 2010 deixou

pelo

menos

500 mortos, além de milhares de desa­

brigados.

No

Haiti,

ostremores

registra­

dosem12de

janeiro

geraram

prejuízos

emtornode8bilhões de

dólares;

foram

mais de 220.000mortos e milhões de

desabrigados.

No entanto, a

magni-tude do terremoto ocorrido em Porto

Príncipe

(7

graus)

foimenordo quea

sofrida

pelo

Chile

(8,8 graus). Segundo

o

professor

de

Geologia

da

UFSC,

Edi­

son Ramos

Tomazzoli,

esse fato tem

uma

explicação:

"O efeito danoso de

umterremotonão

depende

apenas da

magnitude,

ou

seja,

da

energia

porele

liberada,

mas também desua intensi­

dade,

que éa

força

comqueele

atinge

determinada cidadeoulocal".O

profes­

sorTomazzoliensina queolocal onde

é

originado

o terremoto denomina-se

hipocentro.

"O

epicentro

é o

hipocen­

tro

projetado

em uma

superfície,

edele

depende

aintensidade deumterremo­

to", diz . Nocasodo

Chile,

ascidades

estavam amaisde100 Km do

epicen­

tro - localizado no mar.

no

Haiti,

o

tremor ocorreu

praticamente

debaixo decentros

urbanos,

a25Kmda

capital

Porto

Príncipe.

O maior motivo, entretanto, para

as

diferenças

no número de mortos entreesses

países

é odesenvolvimento

econômico de cada

região.

O

professor

RafaefBalbinotti

ProfessorTomazzoli

explica

osfatores quedeterminamosefeitosdestrutivosdos terremotos

Massato

Kobiyama,

do cursode

Enge­

nharia Ambiental da

UFSC,

afirmaque

"não háforma melhorpara um

país

se protegerde desastres ambientais do

que através do crescimento econômi­

co". Comamaiorrendaper

capita

da

América Latina, o Chile tem sido nas

últimas décadas modelodedesenvolvi­

mento,emcontrastecom oHaiti,uma

das

nações

mais

pobres

dasAméricas.

Assim, o Chile

pode

seprecaver de tremores através de

construções

mais

resistentes;comonãoé

possível

prever

quando

e onde vão ocorrer terremo­ tos,uma

legislação

exige

paredes

mais grossasesistemas antitremorem casas

eedifícios. Deacordo com o

professor

Massato, embora ainda não

seja

pos­

sível prever abalos

sísmicos,

existem

estudos

promissores

nesse

sentido,

que

levamemcontaas

radiações

emitidas

pela

terra.

Umadas

polêmicas surgidas

duran­

teosúltimosanosésehaveria

alguma

relação

entre o aumento no número

deterremotose o

aquecimento global.

Neste ano,essasdiscussões voltaramà

tona. Além dos

ambientalistas,

agora

também

alguns geólogos

afirmam que

a

sequência

deterremotosdos últimos

anos comprovam a influência do ho­

memsobreanatureza.

Segundo

Patrick

Wu,

geólogo

daUniversidade de Alber­ ta no

Canadá,

oderretimento do

gelo

no

Ártico

-umadas

consequências

do

aquecimento

global

-já

vem provo­

candoumnúmero maiordetremores

na

região

e deslizamentos subterrâne­ os.O

pesquisador prevê

queasmudan­

ças climáticas devem trazer "muitos

terremotos"."O peso do

gelo

exerce um enormeestressesobreacrosta,ede al­

gumaforma inibeosterremotos,mas se

o

gelo derreter,

maisterremotosdevem

ocorrer.

É

o mesmoque espremeruma

bola de futebol. Ao retiraro peso, ela

retornará àsuaforma

original",

com­

pleta.

Deacordo com

ONU,

onúmero

catástrofes naturais no mundo vem

aumentando nos últimos trinta anos

numataxamédiaanual de

6%,

e um

possível

motivo seria a interferência

humana sobreaTerra. Essesdados

pre-ocupantes vêm em um momento em

que háumaacirrada

disputa

entream­

bientalistasecéticosquantoa

questões

climáticas.

Em 2007, em visitaao Chile para a

conferência

"Aquecimento

Global e

Mudanças

Climáticas" ocorrida na

capital

Santiago,

o ex

vice-presidente

americanoAl Gore afirmouqueosgo­ vernostentamesconderofato dequea

influência do homem é decisivaparao

futuro do

planeta.

Nessamesmaconfe­

rência,

aentão

presidente

chilenaMi­

chele Bachelet disse: "Emborao Chile

represente apenas

algo

em torno de

0,2%dasemissões

mundiais,

o

país

está

pronto para promover o desenvolvi­ mentosustentável".Para

ela,

"no

Chile,

nosEUAe nomundoavontade

política

éum recursorenovável".

Nessamesma

conferência,

a então

presidente

chilena Michele Bachelet disse:"EmboraoChilerepresenteape­ nas

algo

emtornode0,2%dasemissões

mundiais,

o

país

estáprontoparapro­

mover o desenvolvi- mento sustentá­ vel".Para

ela,

"no

Chile,

nosEUAeno

mundoavontade

política

éumrecurso

renovável". Entretanto, o fracasso da

última conferência mundial do

clima,

ocorrida em

Copenhague,

na Dina­

marca, emdezembro do ano

passado,

mostraqueos

países

ricostêmprocu­

rado esconder debaixo do tapete, em

nomedocrescimento

econômico,

toda

e

qualquer

ação

contraasemissõesque

provocamo

aquecimento

do

planeta.

Rafael Balbinotti

Graus

da

escala Richter

8,8TremornoChile

(6)

6/Saúde

Florianópolis,

abril de2010

A

eficiência

da

gargalhada

contra

a

dor

Os

Terapeutas

da

Alegria

mostram

que

fazer

o

bem traz

benefícios

aos

pacientes

e

aos

próprios

integrantes

do grupo

"Quando

eu comecei a fazer a

prática

do

projeto,

indo ao

hospi­

tal vestidade Ora.

Palhaço,

minha

vontadeeraauxiliaraspessoasque

estavam

lá,

tirando o foco de me

observar enquanto acadêmica. O

importante

é você

conseguir

fazer

o bem

naquele

momento,

ajudar

a

criança

a esquecer-se da doren­

quantoelanão

volta,

fazendo-arir,

brincare atémesmo refletirsobrea

situação

em que ela está vivendo".

Liliane

Fernandes,

estudantede Psi­

cologia

na

Unisul,

é tambémaOra.

Ricotaefazpartedos

Terapeutas

da

Alegria

quatroanos.

O grupo, que busca levara ale­

gría

etornarmenosdolorosaapas­

sagem das pessoas

pelo hospital,

foi criado em 2002. Suas

primeiras

atividadestiveraminício atravésde

cincoacadêmicosefuncionários da

Unisul que realizavam apresenta­

ções

de músicaeteatrono

Hospital

Nossa Senhora da

Conceição,

em

Tubarão. Ogrupo passou a organi­

zar visitas semanais aos

pacientes

internadosno

hospital

e achamar

a

atenção

de acadêmicos que esta­

giavam

nolocal.O

projeto

começou

a crescer,

ganhou

projeção

e

hoje

temsuaáreade

atuação

na

Unisul,

Udesc e UFSC. Os estudantes inte­

ressadossão,namaioria, decursos

da área da

saúde

como Nutrição,

Psicologia

e

Fisioterapia.

Aativida­

de por eles desenvolvidaé abordada

em Patch

Adams,

o amor é con­

tagioso,

filme que mostra alunos

de medicina que buscam criarum

atendimento

hospitalar

humaniza­

do,

desenvolvendo a

capacidade

de

secolocarno

lugar

do

próximo.

Formação

dogrupo

Gustavo

Tanus,

oDr. Pimenta,é

coordenador de visitas e formador

dos futuros doutores. Ele

explica

que ser um dos

Terapeutas

daAle­

gria

nãoé

simplesmente

vestir-sede

palhaço

eirao

hospital.

Os interes­

sadosemfazerpartedogrupopas­

sam por seis mesesde treinamento

emque têm aula deteatro,bio-dan­

çae

expressão

corporal.

Depois

são mais seis meses de

estágio

em que os voluntários par­

ticipam

das visitas e, no fim deste

ano de atividade em grupo, é que

eles recebem seus

diplomas.

Essa

preparação

ajuda

na

versatilidade,

na

improvisação

e no amadureci­

mento dos

participantes.

"Durante

otempode

formação

sãoabordados assuntosque

ajudam

osfuturoste­

rapeutasa lidarem melhorcom si­

tuações

que

podem

serencontradas

dentro do

Hospital,

como

doenças

e

possíveis

mortes",

afirmaGustavo. Para os

envolvidos,

o trabalho

como

Terapeuta

da

Alegria

émuito

gratificante.

"Diversasvezes os

pais

vieram nos

agradecer,

dizerquefi­ zemos a

diferença

na vida de seus

filhos",

contao Dr. Pimenta. Pes­

soalmente,

ele acredita queaexpe­

riência trouxe umareflexão maior

sobre suas

prioridades

e sobre o

ogrupo

Terapeutas

da

Alegria,

formadoem

2002,

atrai cadavezmaisointeressede estudantes decursosda

Unisul,

UFSCeUdesc

"Às

vezes

tive

um

dia

complicado

e

ir

para

as

visitas

me

alegra,

por

saber

que

estou

fazendo

o

bem"

valor de suavida:

"Às

vezes penso

no

porquê

deeu estar

aqui

saudá­ vel e

aquelas

crianças, àsvezes re­

cém-nascidas,

estarem

internadas,

passando

por tratamentos

pesados

esofrendo".

Benefícios

Todos os

Terapeutas

da

Alegria

concordam que o trabalho é uma

terapia

para elestambém.

"Às

vezes

tive um dia

complicado

e ir para as visitas me

alegra,

por

saber que es­

tou fazendo o

bem",

ex­

plica

Moni­ que

Rocha,

a Ora. Boneca, estudante da

quinta

fase de

Nutrição

da UFSC.

Ana Luiza

Nogueira,

a

Ora.

Carambola,

afirma ter apren­

dido a lidar melhor com

situações

adversas. "Oqueeuestou

passando

é muitopequenose

comparado,

por

exemplo,

ao que as crianças estão

vivendo",

reflete.

Monique

diz que

aprendeu

a

controlar o quesente e ficou mais

desinibida.

"Hoje

tem uma

criança

que

precisa

dos

Terapeutas.

Para

ela é

importante

que nós

estejamos

lá,

ela

precisa

mais

daquilo

doque

eu

preciso

fazeroutrascoisas,como

sair,

por

exemplo",

diza

estudante,

que

hoje

.vê o grupo como uma

prioridade.

Ana Luiza

completa

o

raciocínio:

"Às

vezes são só cinco

minutos, mas ela está

interagindo

com

alguém

diferente do médicoe

isso

pode

mudaro seudia".

A Ora. Ricotaafirma que apren­

de com cada

criança

que visita e

que elas fazem com que acredite

que as pessoas ainda

podem

ser

melhores. "Outracoisaque me

mo-tiva é tentar fazercom que outros

profissionais

da área da saúde ve­

jam

que há muito mais a ser feito doqueatécnica

aprendida

durante o cursode

graduação".

Lucas

D'Avilla,

estudante dePsi­

cologia

na UFSC,é um dospoucos

meninosdogrupo. Para

ele,

ser um

Terapeuta

da

Alegria

faz com que se sinta mais humano: "Sinto-me bem me

aproximando

de

alguém

que não

conheço

para fazê-lo

sen-tir-se

melhor,

ajudando

sem esperar nada em troca". Ele ressalta a im­

portância

que otrabalho tem, não sópara as

crianças,

mas para os

pais

dos

pacientes

e paraos funcio-nários do hos­

pital.

"Às

vezes,

os

pais precisam

demais

motivação

que as

crianças

e a presença deles

durante as visitas dos

Terapeutas

faz com que seus filhos sintam-se

seguros em

participar

das brinca­

deiras".

Parao

pediatra

Thiago Demathé,

um dos idealizadores do

projeto

e

coordenador dos grupos, o

projeto

Terapeutas

da

Alegria

contribuiu

muito paraa sua

formação. profis­

sonal e

pessoal.

Ele afirma que é

muito

importante

olhar paraopa­

cientee se interessarpor

ele,

fazer

com que

haja

uma

empatia

nesta

relação

enão

simplesmente

darum

diagnóstico.

"O

projeto

ajudou

muitonami­

nha

formação

como

pediatra,

pois

oDoutor

Palhaço

mefez

aprender

a

lidar melhorcom

crianças".

Pense

nesta

situação:

se você tivesse que ir ao

médico,

não iria

preferir

um com o

espírito

de Doutor

Palhaço,

alguém

quefizesse da consulta

algo

não traumatizante?

Impressões

sobreogrupo

Carina, de16 anos,conheceuos

Terapeutas

da

Alegria

enquantoes­

tavainternadano

Hospital

Infantil no ano

passado,

fazendotratamento

para câncerno

pulmão

e no

fígado.

"EuadorooDr. Pimenta. A presen­

çadeleeramuito

boa, pois

àsvezes eu estavatriste e eleme

alegrava",

referindo-seaopersonagemdeGus­

tavoTanus.Osterapeutasfazemum

trabalho lúdico com as

crianças,

criando situações em que elas têm

que

imaginar,

representar ou

pelo

menosbrincar de

alguma

maneira. "Duranteavisita,sempre passamos uma mensagem para fazê-Ias ter

força

e estimularopensamentoem

coisas

boas",

dizLucas.

Dentro do

hospital,

as

opiniões

se

dividem;

alguns

funcioná­

rios,

eventualmente,

até

participam

das brinca­

deiras,

enquanto outrospen­ sam que o trabalho de­

les não

pode

ajudar.

Sabendo

disso,

os Tera­

peutas evitam fa­

zer muito barulho

ou

atrapalhar

as re­

feições

dos

pacientes.

"Às

vezes a

criança

não quer comer e, se nós

entramos no quarto e a distraí­

mos,dificilmente elavai

conseguir

seacalmare seconcentrarnarefei­

ção",

explica

Monique.

Thiago

Demathé afirma que, cli­

nicamente,

orisoe a

alegria

fazem

com que o corpo libere hormônios

quecontribuemparaobemestare a

melhoria do

paciente,

como aendo­

firnae a adrenalina. Considerando

sua

experiência,

ele conta queessa

melhora évisível duranteasvisitas,

podendo

sernotadanahora."Nãoé

necessário fazerexames de sangue

paraver se foram liberadososhor­

mônios. Vemos e sentimos isso na

alegria

que eles

demonstram,

pelo

fato de estarem sorrindo

naquele

ambiente que não é

propício

para

isso",dizo

pediatra.

Segundo Thiago,

os benefícios

do grupo

atingem

doispontos.Para

os

acadêmicos,

dá-se de forma in­

direta,

voltada para a

formação

pessoal.

Durante a

faculdade,

os

estudos são direcionados para o

profissional,

deixando em

segundo

plano

as

relações

pessoais

entre

profissional

e

paciente:

"O estudo

de medicina é muito voltado para

fazer

diagnósticos,

prescreverrecei­

tas,e esse

tipo

de

formação

fazcom

que nãose

priorize

olado humano

doatendimento".

Por outro

lado,

para o

paciente,

além da

liberação

de

hormônios,

uma melhora na

qualidade

de vida

enquantoestãono

hospital.

A visitade

um

Terapeuta

da

Alegria

fazcomque arotinade

doença

e ocontatoapenas

commédicoseenfermeiras

seja

que­

brado.

É

ummomentoemqueopa­

cienteesquece,mesmoqueporpouco

tempo,a

situação

que estávivendo.

Resultados

Em

2010,

o grupo

pretende

au­

mentar o tempo de

formação

dos

terapeutas de um paradois anose

incluir um semestre mais voltado para

pesquisa,

medidaque

enrique­

cerá ainda mais a

formação

aca­

dêmica dos

participantes.

A cada

seis meses, são abertas

aproxima­

damente 80 vagas e a demanda é

cadavezmaior.

Sempre

pessoas

interessadas que não conseguem vagas.

Além de buscar co­

nhecer diversas áreas

durante a

faculdade,

os estudantes estão

mais conscientes do

tipo

de

profissio­

nais que

desejam

serno futuro e buscam uma

formação

dife­

renciada,

que

pode,

nesse caso, ser propor­ cionada Pe los

Terapeutas

da

Alegria.

O tempo que

eles

participam

do grupo e

dasvisitas às

crianças

fazcomque

se transformem em

profissionais

capazes de realmente se

importar

com o

próximo

e isso fazcomque, no

futuro,

sejam

médicos,

psicó­

logos,

fisioterapeutas

ou nutricio­

nistas muito bem

preparados

para

atendere

ajudar

todos

aqueles

que

osprocurarem.. LuizaFregapani , .... ,

ZERO

t ••• I , •••••• fi

Referências

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