ADVOCACIA & CONSULTORIA EVILSON BRAZ
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ILUSTRÍSSIMA SENHORA PRESIDENTE DA COMISSÃO DE INQUÉRITO E PROCESSO ADMINISTRATIVO DA PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTA RITA/PB.
“RECURSO EXTRAORDINÁRIO.
CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO.
CUMULAÇÃO DE CARGOS. BLOQUEIO DE
VENCIMENTOS. DEFESA PRÉVIA.
OBRIGATORIEDADE. 1. Ato do Secretário de Saúde do Estado do Ceará que determinou o bloqueio dos vencimentos da recorrida, por entender que ela acumulava ilegalmente dois cargos públicos. 2. A jurisprudência desta Corte sempre reconheceu o poder da Administração rever seus atos para, observada alguma irregularidade, anulá-los (Súmulas STF nº 346 e 473). Essa capacidade, todavia, não pode ser exercida de forma arbitrária, devendo respeitar os ditames constitucionais e garantir aos atingidos a devida defesa. 3. Recurso extraordinário conhecido e improvido.” (RE 292586/CE – Rel. Min. Ellen Gracie – 2ª T do STF)
JOSE
, brasileiro, casado, professor (Mat.), vem perante Vossa Senhoria, para diante do Edital de Convocação publicado no DOE (07/08/2012), expor e requerer:
1- Em pese a discussão sobre a acumulação de cargos, bem como, a recomendação do Tribunal de Contas da Paraíba, para que seja verificado a existência de situações que envolvam a pessoa do servidor em questão, deve-se observar o direito ao contraditório e a ampla defesa, bem como, as vedações do período eleitoral.
2- Da ótica legal, o procedimento em questão não pode ter seguimento, porquanto, encontra-se em período de condutas vedadas, a que alude a incidência da Lei nº 9.504/97, impedindo a demissão de funcionário no período, até a posse dos eleitos.
3- A demissão sumária de funcionário concursado e efetivo, sem oportunizar-se a ampla defesa, mediante processo, é irregular, mesmo com indicação, a tanto, do Tribunal de Contas.
4- Da mesma forma, suspensão de salários, cortes ou exclusão de vantagens no período vedado, são terminantemente proibidos por lei, sendo uma ilegalidade qualquer ato praticado pela administração pública, incorrendo em total nulidade, e, restabelecimento do direito violado.
5- A suspensão do presente procedimento, é medida mais prudente a administração, devendo retornar apartir da posse dos eleitos, que ocorrerá em janeiro de 2013.
6- Assim, encontra-se preconizado na Lei Federal nº 9.504/97, assim vazada:
“Art. 73. São proibidas aos agentes públicos, servidores ou não, as seguintes condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos nos pleitos eleitorais:
V - nomear, contratar ou de qualquer forma admitir, demitir sem justa causa, suprimir ou readaptar vantagens ou por outros meios dificultar ou impedir o exercício funcional e, ainda, ex officio, remover, transferir ou exonerar servidor público, na circunscrição do pleito, nos três meses que o antecedem e até a posse dos eleitos, sob pena de nulidade de pleno direito, ressalvados:
a) a nomeação ou exoneração de cargos em comissão e designação ou dispensa de funções de confiança;
b) a nomeação para cargos do Poder Judiciário, do Ministério Público, dos Tribunais ou Conselhos de Contas e dos órgãos da Presidência da República;
c) a nomeação dos aprovados em concursos públicos homologados até o início daquele prazo;
d) a nomeação ou contratação necessária à instalação ou ao funcionamento inadiável de serviços públicos essenciais, com prévia e expressa autorização do Chefe do Poder Executivo; e) a transferência ou remoção ex officio de militares, policiais civis e de agentes penitenciários;
7- O servidor em alusão, é concursado. Ademais, as únicas ressalvas que permitem a administração a demissão, não se aplicam a situação do professor que tem direito a responder processo formal administrativo, garantido, inclusive, após sua consumação o direito de opção, contudo, qualquer ato demissionário nesse período que antecede a posse dos eleitos é totalmente nulo, corrigível pela via do Mandado de Segurança, daí porque, a necessidade de SUSPENSÃO de todos os atos.
8- A respeito do assunto, tem assim entendido a jurisprudência:
“[...] 1. A contratação e demissão de servidores temporários constitui, em regra, ato lícito permitido ao administrador público, mas que a Lei Eleitoral torna proibido, nos três meses que antecedem a eleição até a posse dos eleitos, a fim de evitar qualquer tentativa de manipulação de eleitores. 2. A contratação temporária, prevista no art. 37, IX, da Constituição Federal, possui regime próprio que difere do provimento de cargos efetivos e de empregos públicos mediante concurso e não se confunde, ainda, com a nomeação ou exoneração de cargos em comissão ressalvadas no art. 73, V, da Lei no 9.504/97, não estando inserida, portanto, na alínea a desse dispositivo. 3. Para configuração da conduta vedada pelo art. 73 da Lei das Eleições, não há necessidade de se perquirir sobre a existência ou não da possibilidade de desequilíbrio do pleito, o que é exigido no caso de abuso de poder. 4. As condutas vedadas no art. 73 da Lei no 9.504/97 podem vir a caracterizar, ainda, o abuso do poder político, a ser apurado na forma do art. 22 da Lei Complementar no 64/90, devendo ser levadas em conta as circunstâncias, como o número de vezes e o modo em que praticadas e a quantidade de eleitores atingidos, para se verificar se os fatos têm potencialidade para repercutir no resultado da eleição. 5. O uso da máquina administrativa, não em benefício da população, mas em prol de determinada candidatura, reveste-se de patente ilegalidade, caracterizando abuso do poder político, na medida em que compromete a legitimidade e normalidade da eleição. [...]” (Ac. no 21.167, de 21.8.2003, rel. Min. Fernando Neves.) TSE.
“MANDADO DE SEGURANÇA - ADMINISTRATIVO - SERVIDOR CONTRATADO TEMPORARIAMENTE - DISPENSA IMOTIVADA DURANTE O PERÍODO ELEITORAL - VIOLAÇÃO DO ARTIGO 73, V, DA LEI 9.504/97 - ILEGALIDADE - DIREITO LÍQUIDO E CERTO DEMONSTRADO - SEGURANÇA CONCEDIDA.- ''A legislação eleitoral, da qual irradiam efeitos sobre o Direito Administrativo, veda a exoneração e a demissão sem justa causa, ainda que se trate de agente contratado temporariamente - que não adquire estabilidade, no período correspondente aos três meses anteriores à realização do escrutínio, até a posse dos eleitos, afastando, assim, influência sobre a vontade dos eleitores.'' (Apelação Cível n. 1.0295.08.019945-4/001. Relator Des. Moreira Diniz. j. 21.05.2009).- A concessão de Mandado de Segurança não produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria - Súmula 271 do Supremo Tribunal Federal.- Reforma parcial da sentença em reexame necessário.” (Reexame Necessário-Cv 1.0512.08.058034-7/001, Rel. Des.(a) Heloisa Combat, 7ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 12/01/2010, publicação da súmula em 29/01/2010) TJMG
“ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO. NOMEAÇÃO FORA DO PERÍODO ELEITORAL PROIBITIVO. POSSIBILIDADE. EXONERAÇÃO DO APELADO SEM DIREITO A AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO. ATO ILEGAL. NECESSIDADE DE ABERTURA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO.
APLICAÇÃO DA TEORIA DOS MOTIVOS
DETERMINANTES. ART. 21 DA LRF. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO. 1. O princípio de que a administração pode anular (ou revogar) os seus próprios atos, quando eivados de irregularidades, não inclui o desfazimento de situações constituídas com aparência de legalidade, sem observância do devido processo legal e ampla defesa. A desconstituição de ato de nomeação de servidor provido, mediante a realização de concurso público devidamente homologado pela autoridade competente, impõe a formalização de procedimento administrativo, em que se assegure, ao funcionário demitido, o amplo direito de defesa.
(RMS.257/MA, Rel. Min. Demócrito Reinaldo, Primeira Turma, julgado em 17/10/1994, DJ 14/11/1994, p. 30916.) 2. No mesmo sentido: "Conforme a jurisprudência do Pretório Excelso e deste Superior Tribunal de Justiça, é vedada a exoneração de servidor público em razão de anulação de concurso, sem a observância do devido processo legal." (RMS 31.312/AM, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, julgado em 22/11/2011, DJe 01/12/2011.) Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 150.441/PI, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/05/2012, DJe 25/05/2012) STJ
9- O princípio de que a administração pode anular (ou revogar) os seus próprios atos, quando eivados de irregularidades, não inclui o desfazimento de situações constituídas com aparência de legalidade, sem observância do devido processo legal e ampla defesa. A desconstituição de ato de nomeação de servidor provido, mediante a realização de concurso público devidamente homologado pela autoridade competente, impõe a formalização de procedimento administrativo, em que se assegure, ao funcionário demitido, o amplo direito de defesa.
10- Não é de se olvidar que a administração ao justificar o ato administrativo fica vinculada às razões ali expostas, para todos os efeitos jurídicos, de acordo com o preceituado na teoria dos motivos determinantes. A motivação é que legitima e confere validade ao ato administrativo discricionário. Enunciadas pelo agente as causas em que se pautou, mesmo que a lei não tenha imposto tal dever, o ato só será legítimo se elas realmente tiverem ocorrido.
Diante do exposto, requer a SUSPENSÃO de todos os atos do presente procedimento, inclusive, a não retenção de salários ou demissão sumária, por contrariar o inciso V do art. 73 da Lei nº 9.504/97, até a posse dos eleitos, como forma de lídima justiça.
Por fim, pugna mais afrente pelo direito do exercício de optar.
J. esta aos autos, P. Deferimento.
Santa Rita/PB, 2012.
José