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Decisão Administrativa:

Processo Administrativo Auto de Infração n° 0487/2013

Autuado: ALEXANDRE GUEDES VICHNEVSKI - ME

I - Relatório:

ALEXANDRE GUEDES VICHNEVSKI - ME, pessoa jurídica, inscrita no CNPJ nº 08.872.906/0001-08, estabelecida à Rua Leonardo Mota, nº 1355, bairro Meireles, Município de Fortaleza/CE, CEP nº 60.170-041, foi autuada pela fiscalização do Programa Estadual de Proteção

e Defesa do Consumidor – DECON, por infringir o arts. 6º, inciso I e 39, inciso VIII da Lei n° 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor – CDC) c/c art. 699 da Lei nº 5.530/81 e art. 14 da Lei Complementar Municipal nº 93/2011.

Segundo o Auto de Infração, no ato da fiscalização, foi constatado que a autuada incorreu nas seguintes irregularidades:

1. a empresa não apresentou Alvará de Funcionamento; 2. não possui Registro Sanitário;

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A parte autuada foi regularmente notificada para apresentar defesa no prazo de 10 dias, nos termos do art. 42 do Decreto nº 2181/1997 e do art. 21 da Lei Complementar nº 30, de 26 de junho de 2002, no entanto, conforme certidão de fls. 04, o prazo para defesa expirou sem ter havido qualquer manifestação por parte da autuada.

Durante ação de fiscalização no setor, constatou-se que grande parte dos estacionamentos encontravam-se irregulares, verificando-se comumente ausência de Alvará de Funcionamento e de Registro Sanitário, documentos destinados a assegurar a boa prática consumerista, o que ocasionou na autuação de vários estabelecimentos.

Entretanto, este Órgão de Proteção e Defesa do Consumidor, considerando a ausência de regularização e de atenção às normas consumeristas dos estabelecimentos que prestam o serviço de guarda de veículos na cidade de Fortaleza, exarou despacho de fls. 06/08, convertendo as fiscalizações ocorridas no setor em diligências, até que analisados e discutidos os problemas enfrentados pelo setor quando solicitam a documentação necessária para o início da atividade comercial.

Em continuidade às diligências promovidas no setor, realizou-se audiência pública aos 31 dias do mês de julho do ano 2013, onde estavam presentes os responsáveis pelos estabelecimentos autuados. Na oportunidade, foram abordadas as dificuldades enfrentadas pelas empresas que buscam a regularização de seus estabelecimentos diante da legislação vigente, assim como os problemas encontrados pelos consumidores na prestação do serviço.

Conforme aludido na audiência supracitada, este órgão enviou os ofícios de nº's 1510/13 e 1927/13 ao prefeito Roberto Cláudio, solicitando audiência para tratar do tema, não tendo havido resposta até a presente data.

Não obstante, esta Secretaria Executiva enviou, ainda, ofícios às Secretárias Regionais responsáveis, realizando indagações quanto aos requerimentos para concessão de documentação, andamento dos possíveis protocolos, documentos apresentados e pendências de cada estabelecimento autuado.

Diante destes fatos e de que consequentemente não resta nenhuma diligência adicional, esgotando-se, assim, as possibilidades de medidas a serem tomadas por este Órgão no presente

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caso, ponderando, ademais, o decurso de tempo desde a autuação, entende, esta signatária, por bem dar segmento ao processo administrativo instaurado mediante o auto de fiscalização lavrado.

Eis o relatório. Segue a fundamentação.

II - Fundamentação:

Inicialmente, ressaltamos que a Lei Estadual Complementar n° 30, de 26 de julho de 2002, criou o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor - DECON, nos termos previstos na Constituição do Estado do Ceará, e estabelecera as normas gerais do exercício do Poder de Polícia e de Aplicação das Sanções Administrativas previstas na Lei nº. 8.078, de 11 de setembro de 1990. Vejamos como dispõe o seu Art. 14:

“Art. 14. A inobservância das normas contidas na Lei nº 8.078 de 1990, Decreto nº 2.181 de 1997 e das demais normas de defesa do consumidor, constitui prática infrativa e sujeita o fornecedor às penalidades da Lei 8.078/90, que poderão ser aplicadas pelo Secretário - Executivo, isolada ou cumulativamente, inclusive de forma cautelar, antecedente ou incidente a processo administrativo, sem prejuízo das de natureza cível, penal e das definidas em normas específicas.” grifos nossos

Dessa forma, é evidente que o Órgão detém o mister de fiscalizar as relações de consumo firmadas no âmbito do Estado do Ceará, de sorte que, a partir deste momento, passamos a discorrer sobre cada irregularidade apontada no Auto de Infração, pelo Setor de Fiscalização, buscando o bom detalhamento e melhor fundamentação de todas as infrações cometidas.

II.1 – Da aplicação do Código de Defesa do Consumidor e Diálogo das Fontes

A tutela do consumidor no Brasil teve seu marco através da Constituição Federal de 1988, que integrou em seu texto a proteção do consumidor, de forma expressa, atribuindo como direito e garantia fundamental a promoção da defesa do consumidor pelo Estado (art. 5º, inciso XXXII), entretanto o legislador foi além e designou no art. 170, inciso V, que a Defesa do Consumidor constitui princípio da Ordem Econômica.

É necessário, por sua vez, afastar desde já qualquer argumento de conflito entre os princípios inerentes à Ordem Econômica, Livre Iniciativa e Defesa do Consumidor. Em nosso sistema jurídico,

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a Ordem Pública e o interesse social, objetivos que compõem o Direito do Consumidor, prevalecem sobre o privado, que neste caso tem como finalidade o lucro, ainda que seja este de colossal importância para economia do país. Rizzato Nunes complementa este entendimento:

Ora, a Constituição Federal garante a livre concorrência? Sim. Estabelece garantia à propriedade privada? Sim. Significa isso que, sendo proprietário, qualquer um pode ir ao mercado de consumo e praticar a “iniciativa privada” sem nenhuma preocupação de ordem ética no sentido de responsabilidade social? Pode qualquer um dispor de seus bens de forma destrutiva para si e para os demais partícipes do mercado? A resposta a essas duas questões é não. (NUNES, 2013, p.102, Curso de Direito do Consumidor)

As leis de defesa do consumidor não proíbem o desempenho da atividade, apenas determinam posturas essenciais para a existência de uma Ordem Econômica. Se o fornecedor objetiva atingir bons consumidores com suas ofertas e obter sucesso com a sua atividade comercial, deve adotar também a postura de bom fornecedor, promovendo a conscientização do consumidor e as boas práticas consumeristas, para, assim, impulsionar o mercado.

Sabe-se que se faz necessária, no país, a intervenção estatal na relação recíproca fornecedor- consumidor, haja vista a ausência de autotutela do mercado nesse tipo de interação. Deste modo, a Constituição Federal, em seu art. 5º, inciso XXXII, assim previu : “ o Estado promoverá, na forma

da lei, a defesa do consumidor”.

Outrossim, a criação e a denominação do Código de Defesa do Consumidor advêm da ADCT, art. 48, que determina: “O Congresso Nacional, dentro de cento e vinte dias da promulgação da

Constituição, elaborará código de defesa do consumidor”, por isso, é imprescindível que este seja

visto como um sistema único e autônomo dentro do nosso ordenamento jurídico, respondendo somente a Constituição Federal.

No que diz respeito à aplicação do CDC, a sua abrangência é demasiadamente ampla, tanto é que, antes de julgar qualquer processo onde exista responsabilidade civil, o juiz deverá analisar se a lide configura uma relação de consumo, caso positivo será obrigado a aplicar as normas consumeristas.

Por isso, hodiernamente, os juristas vêm adotando a expressão, já consolidada pelo STJ e STF, diálogo das fontes, na qual as normas devem se complementar, resultando, assim, em uma

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aplicabilidade mais abrangente, a fim de que seja empregada a norma mais favorável ao consumidor.

Cumpre ressaltar que o diálogo das fontes encontra previsão normativa no artigo 7º do Código de Defesa do Consumidor, que preceitua sobre a complementariedade dos direitos previstos em diferentes diplomas normativos. Se não, vejamos:

Art. 7° Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como dos que derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e eqüidade.

Deste modo, em virtude da multiplicidade e da complexidade de fontes legislativas que regulam o mesmo fato, surgiu o diálogo das fontes como uma ferramenta hermenêutica que ultrapassa o tradicional critério de solução de antinomias, qual seja, o hierárquico, o cronológico e o da especialidade. Utilizando-se de proporcionalidade e coerência, é possível que, sob a égide da Constituição Federal, as leis sejam aplicadas simultaneamente, de modo que se complementem, e não se excluam.

Assim, se algum dispositivo legal garante algum direito ao consumidor, este deve ser aplicado, complementando o Código de Defesa do Consumidor e garantindo, assim, uma proteção mais efetiva e favorável ao consumidor, que é a parte comumente mais lesada na relação consumerista. Sobre o diálogo das fontes, preceitua o jurista Flávio Tartuce:

A convergência de princípios e cláusulas gerais entre o CDC e o CC/2002 e a égide da Constituição Federal de 1988 garantem que haverá diálogo e não retrocesso na proteção dos mais fracos na relação contratual, mas o jurista brasileiro está preparado.(TARTUCE, 2011, p.43, Teoria Geral dos Contratos e Contratos em Espécie).

A aplicação do diálogo das fontes deve ser, evidentemente, realizada à luz dos preceitos constitucionais, de modo a assegurar a conformidade das mais diversas fontes do direito com a Carta Magna. Ademais, o método em comento de aplicação de leis já vem sendo amplamente utilizado pela jurisprudência nacional, demostrando, assim, a aceitação e a efetividade desta nova forma de interpretar a legislação.

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reguladas apenas pelo CDC, mas sim por todo o sistema jurídico, através do diálogo das fontes, de modo a tornar mais abrangente a proteção do consumidor. Nesse sentido, colacionamos a seguinte decisão do STJ:

CONSUMIDOR E CIVIL – ART. 7.º DO CDC – APLICAÇÃO DA LEI MAIS FAVORÁVEL. DIÁLOGO DE FONTES. RELATIVIZAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. RESPONSABILIDADE CIVIL. TABAGISMO. RELAÇÃO DE CONSUMO. AÇÃO INDENIZATÓRIA. PRESCRIÇÃO. PRAZO. O mandamento constitucional de proteção do consumidor deve ser cumprido por todo o sistema jurídico, em diálogo de fontes, e não somente por intermédio do CDC. Assim, e nos termos do art.7.º do CDC, sempre que uma lei garantir algum direito para o consumidor, ela poderá se somar ao microssistema do CDC, incorporando-se na tutela especial e tendo a mesma preferência no trato da relação de consumo. Diante disso, conclui-se pela inaplicabilidade do prazo prescricional do art.27 do CDC à hipótese dos autos, devendo incidir a prescrição vintenária do art.177 do CC/1916, por ser mais favorável ao consumidor. Recente decisão da segunda Seção, porém, pacificou o entendimento quanto à incidência na espécie do prazo prescricional de 05 anos previsto no art. 27 do CDC, que deve prevalecer, com a ressalva do entendimento pessoal da relatora. Recursos especiais providos. (STJ, Relatora:

Ministra NANCY ANDRIGHI, Data de Julgamento: 13/04/2014, T3 – TERCEIRA TURMA.) (grifo nosso)

Portanto, o códex consumerista deve ser aplicado conjuntamente aos demais dispositivos legais que disciplinam direitos relativos ao consumidor, porquanto se torna possível, através da complementação dessas normas, proteger ainda mais a parte vulnerável da relação.

II.2 – Da regularização do serviço às normas consumeristas

É notável que a aquisição de veículos vem sendo facilitada nos últimos anos, o que levou a um aumento da frota de automóveis no município de Fortaleza, uma vez que o transporte público não supre as expectativas dos usuários, que optam por adotar o automóvel como meio de locomoção, agravando o problema da mobilidade urbana e aumentando a demanda do serviço de guarda de veículos. Sabe-se que o tempo desprendido no trânsito é grande, e que os veículos passam mais tempo parados do que em locomoção, trazendo ao setor um importante papel no sistema de transportes e mobilidade urbana.

O serviço, ora em análise, diante da demanda evidenciada anteriormente, deixou de ser ofertado pelos estabelecimentos como uma conveniência, para ser explorado como uma atividade comercial. A regularização desta atividade, entretanto, não foi realizada, estando em desconformidade com os parâmetros basilares do CDC.

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designados pela legislação em vigor ao setor, tais como: adequação das condições físicas dos

estabelecimentos, e formalização da autorização do inicio da atividade através da documentação inerente, das quais são essenciais o Alvará de Funcionamento, o Registro Sanitário e o Certificado do Corpo de Bombeiros. A própria Lei nº. 5.530/81 determina expressamente que estes documentos deverão preceder o início da atividade do estabelecimento, ou seja, anterior a qualquer oferta de produtos ou serviços, vejamos:

Art. 699 – As associações, sociedades, fundações, organizações religiosas, partidos políticos, empresários individuais, profissionais autônomos, pessoas físicas ou jurídicas, só poderão instalar-se em imóveis e iniciar suas atividades após receberem o alvará de funcionamento expedido pelo Município de Fortaleza.

Complementarmente, o consumidor tem a legítima expectativa de que o serviço que lhe é ofertado atende à legalidade imposta para ser comercializado, pois não possui o conhecimento técnico e específico do profissional que atua no setor, confiando que este obteve a certificação através dos documentos de Alvará de Funcionamento, Registro Sanitário e Certificado do Corpo de Bombeiros, os quais possuem competência para avaliar o estabelecimento e deferir ou indeferir o início da atividade comercial e suas condições.

A expectativa do consumidor no que se refere à saúde, segurança e qualidade do serviço é legítima, e encontra-se prevista entre os direitos básicos inseridos no CDC, que, resguardado no princípio da boa-fé, deposita a sua confiança no fornecedor e nos Órgãos competentes para a fiscalização de que o serviço ofertado atende os requisitos legais que lhe são impostos, garantindo assim a segurança, saúde, qualidade e informação sobre o serviço prestado, conforme observa-se:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor: […]

I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;

Uma vez atuando na ilegalidade ou sob a ausência de formalidade, o estabelecimento lesa as expectativas do consumidor ocasionando no rompimento da presunção de boa-fé pelo fornecedor ao prestar ou vender o serviço antes de estar autorizado para fazê-lo, concomitantemente é

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Neste sentido, existe a obrigação de que, ao fabricar e antes de pôr seu produto no mercado à disposição dos consumidores, o produto ou serviço deve estar de acordo com as normas e

elementos de segurança expedidos por órgãos oficiais, regulamentadores de sua atividade, inclusive estando esta obrigação presente no art. 39, inciso VIII do CDC:

Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas:[...]

VIII - colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (CONMETRO).

Observando-se o já mencionado diálogo das fontes acolhido pelos tribunais, se o estabelecimento não possui os documentos determinados por lei para o início de sua atividade – Lei nº. 5.530/81 – logo o serviço encontra-se em desacordo com a referida norma.

A ausência dos documentos que autorizam o início da atividade comercial resulta em insegurança quanto a qualidade e os riscos que o serviço pode apresentar, por isso é necessário que o estabelecimento comercial apenas passe a atuar no mercado após a concessão dos documentos inerentes ao serviço de guarda de veículos, que certificam a atenção do fornecedor às normas e às disposições vigentes.

No caso em comento, durante a visita do Agente Fiscal, o responsável pelo estabelecimento não apresentou o Alvará de Funcionamento e Registro Sanitário, que consistem em documentos que certificam a segurança e qualidade do serviço prestado. Além disso, foi constatado que não há tempo de tolerância de permanência do consumidor, sendo este forçado a pagar uma hora cheia, ainda que tenha ficado apenas um minuto ou mesmo que tenha entrado e saído logo em seguida. Por esta razão, foi lavrado auto de infração em epígrafe.

II.3 – Da Análise da Defesa Administrativa

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para apresentar defesa administrativa, no prazo de 10 dias, a contar da notificação, nos termos do art. 44 do Decreto nº 2181, de 20 de Março de 1997 (Sistema Nacional de Defesa do Consumidor – SNDC).

“Art. 44. O infrator poderá impugnar o processo administrativo, no prazo de dez dias, contados processualmente de sua notificação, indicando em sua defesa[...]”

Da mesma forma, extrai-se do art. 21 da Lei Complementar Estadual nº 30, de 26 de julho de 2002 que parte Ré poderá apresentar defesa administrativa, no prazo de 10 dias, contados da notificação. In verbis:

Art. 21. O infrator ou reclamado poderá impugnar o processo administrativo, no prazo de dez dias, contados processualmente de sua notificação, indicando em sua defesa[...]

A empresa acima qualificada foi autuada em 27/05/2014, de acordo com o Auto de Infração nº 487/13, e notificada para apresentar defesa no prazo de dez dias, tendo este expirado em 06 de junho de 2013, sem manifestação da autuada, conforme certidão de fls. 04.

Ademais, apesar de não ter sequer havido defesa por parte do estabelecimento autuado, alguns pontos merecem ser destacados, a fim de que não restem dúvidas acerca da culpabilidade e da negligência da empresa em não ter providenciado documentos essenciais para o exercício da atividade por ela desempenhada.

Os documentos de Alvará de funcionamento e de Registro Sanitário são pré-requisitos

inerentes à instalação, início e oferta da atividade comercial. O estabelecimento que inicia suas atividades sem esta documentação o faz de forma ilegal, pois não possui a autorização imposta pelas normas vigentes para fazê-lo, lesando assim o consumidor, que receberá o produto ou serviço ofertado, de um estabelecimento que não possui certificação alguma.

Outrossim, é importante destacar que o Órgão não possui o objetivo de penalizar qualquer empresa, apenas exige a regulamentação e formalidade previstas por lei, da mesma forma, a autuação em comento não verificou apenas a ausência de Alvará de Funcionamento e de Registro Sanitário, mas também que a empresa cobra do consumidor vantagem

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manifestamente excessiva, quando não permite tempo algum de tolerância de permanência do mesmo no local.

Ressalta-se, ainda, que já decorre um tempo razoável da data da autuação do estabelecimento, e não foi juntado aos autos processuais os documentos em questão. A autuada

já deveria, no mínimo, ter sua documentação expedida e apresentada e este Órgão, entretanto, nota-se que não há empenho algum por parte da empresa em providenciar os documentos solicitados. Ademais, a Secretaria Regional II, em resposta ao Ofício nº 1902/2013/GAB/DECON/CE, informou a este Órgão que a empresa continua sem Alvará de Funcionamento e sem Registro Sanitário.

Conclui-se, portanto, que a empresa autuada violou os arts. 6º, inciso I e 39, inciso VIII da Lei n° 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor – CDC) c/c art. 699 da Lei nº 5.530/81 e art. 14 da Lei Complementar Municipal nº 93/2011.

III – Da estipulação da multa

Com efeito, as sanções administrativas previstas para as praticas infrativas contra o consumidor estão determinadas no art. 56 da Lei n° 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor –

CDC) e no art. 18 do Decreto nº 2181, de 20 de Março de 1997 (Sistema Nacional de Defesa do

Consumidor – SNDC), entre elas a pena de multa e de interdição total ou parcial.

A pena de multa deverá ser graduada de acordo com a gravidade da infração, a vantagem auferida e a condição econômica do fornecedor, em montante não inferior a duzentas e não superior a três milhões de vezes o valor da Unidade Fiscal de Referência (UFIR), como dispõe o art. 57, parágrafo único da Lei n° 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor – CDC); levando-se, também, em conta as circunstancias atenuantes e agravantes, além dos antecedentes do infrator, nos termos dos arts. 24 a 28 do Decreto nº 2181, de 20 de Março de 1997 (Sistema Nacional de Defesa do Consumidor – SNDC).

As circunstâncias atenuantes estão previstas no artigo 25 do Decreto nº 2.181. São elas: a ação do infrator não ter sido fundamental para a consecução do fato; ser o infrator primário e ter o infrator adotado as providências pertinentes para minimizar ou de imediato reparar os efeitos do ato

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lesivo.

As circunstâncias agravantes estão previstas no artigo 26 deste mesmo decreto, que assim dispõe: I - ser o infrator reincidente; II - ter o infrator, comprovadamente, cometido a prática infrativa para obter vantagens indevidas; III - trazer a prática infrativa consequências danosas à saúde ou à segurança do consumidor; IV - deixar o infrator, tendo conhecimento do ato lesivo, de tomar as providências para evitar ou mitigar suas consequências; V - ter o infrator agido com dolo; VI - ocasionar a prática infrativa dano coletivo ou ter caráter repetitivo; VII - ter a prática infrativa ocorrido em detrimento de menor de dezoito ou maior de sessenta anos ou de pessoas portadoras de deficiência física, mental ou sensorial, interditadas ou não; VIII - dissimular-se a natureza ilícita do ato ou atividade; IX - ser a conduta infrativa praticada aproveitando-se o infrator de grave crise econômica ou da condição cultural, social ou econômica da vítima, ou, ainda, por ocasião de calamidade.

Fixa-se, a priori, multa de 600 (seiscentas) UFIRCE para cada irregularidade constatada, no caso, três: 1) a ausência do documento de Alvará de Funcionamento; 2) ausência de Registro Sanitário, e 3) cobrança de vantagem manifestamente excessiva, perfazendo o total de 1.800 (mil e

oitocentas) UFIR do Ceará. Ainda, no caso em tela, não existem nos autos informações quanto aos

antecedentes da parte infratora, supondo-se que se trata de primária, circunstância atenuante, o que nos leva a reduzir a pena em 1/3 (um terço), perfazendo o valor de 1.200 (mil e duzentas)

UFIRCE. No entanto, ao levar em consideração a circunstância agravante de ocasionar a prática

infrativa dano coletivo e de caráter repetitivo, aumenta-se a pena em 1/3 (hum terço), perfazendo o valor de 1.600 (mil e seiscentas) UFIRCE. Considerando a condição econômica do fornecedor, entendemos aumentar a multa, totalizando o valor da MULTA DEFINITIVA em 1.600 (mil e

seiscentas) UFIR do Ceará.

Dentre as sanções administrativas previstas no art. 56, está a interdição total ou parcial do estabelecimento, visando cessar a atividade irregular e garantir a saúde e segurança do consumidor. Tal medida deve ser aplicada ao caso em razão das consequências danosas trazidas ao consumidor pela prestação de serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes, como restou claramente demonstrado na fundamentação e nos próprios fólios do Auto de Infração. Assim, DETERMINO a INTERDIÇÃO, em virtude

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de, até a presente data, não constar nos autos documentação que comprove a regularização da situação da fornecedora autuada.

IV – Decisão:

AO EXPOSTO, julgo procedente o auto de infração, tendo em vista que a parte autuada infringiu os arts. 39, V e VIII da Lei n° 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor – CDC) c/c art. 699 da Lei nº 5.530/81 e art. 14 da Lei Complementar Municipal nº 93/2011, aplicando-lhe a pena

de multa correspondente a 1.600 (mil e seiscentas) UFIR do Ceará, nos termos do art. 57,

parágrafo único da Lei n° 8.078/90 e dos arts. 24 a 28 do Decreto nº 2.181/97.

Decreto, ademais a PENA DE INTERDIÇÃO TOTAL DO ESTABELECIMENTO, até

que seja demonstrada a plena regularização, que deverá ser comprovada perante este Órgão, mediante o encaminhamento da documentação pertinente devidamente autenticada, a ser conferida com os originais, devendo o SETOR DE FISCALIZAÇÃO ADOTAR AS PROVIDÊNCIAS

PERTINENTES AO CASO VISANDO À EFICÁCIA DA PRESENTE DECISÃO.

Intime-se à parte autuada da presente decisão, nos termos do art. 41 da Lei Estadual Complementar nº 30, de 26 de julho de 2002, para efetuar seu recolhimento no prazo de 10 (dez)

dias (Caixa Econômica Federal, agência 919 - Aldeota, conta nº 23.291-8, operação 006), ou se pretender, ofereça recurso administrativo, no mesmo prazo, contra a referida decisão, à Junta Recursal do Programa Estadual de Proteção ao Consumidor – JURDECON, como dispõe o

art. 23 § 2º e art. 25, do mesmo diploma legal. O recolhimento da multa deverá ter seu valor convertido em moeda nacional, com a atualização monetária correspondente.

Caso a empresa autuada não apresente recuso da decisão administrativa, ou não apresente o comprovante ORIGINAL de pagamento da multa aqui aplicada, ficará sujeito as penalidades do artigo 29 da lei complementa nº 30 de 26.07.2002 (D.O 02.08.02).

Art. 29. Não sendo recolhido o valor da multa no prazo de trinta dias, será o débito inscrito em dívida ativa, para subsequente cobrança executiva.

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Informo ainda, que o valor atual da UFIR Ce (Unidade Fiscal de Referência do Ceará) corresponde a R$ 3,2075 (três reais e dois mil e setenta e cinco décimos milésimos de real).

Cumpra-se.

Fortaleza, 25 de agosto de 2014.

Ann Celly Sampaio Cavalcante Promotora de Justiça

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