BIBLIOTECA VIRTUAL DE CIÊNCIAS HUMANAS
JUSTIÇA, CIDADANIA E
DEMOCRACIA
Roberto Livianu
Coordenador
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JUSTIÇA, CIDADANIA E
Roberto Livianu
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LIVIANU, R., cood. Justiça, cidadania e democracia [online]. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisa Social, 2009. pp. 1-5. ISBN 978-85-7982-013-7. Available from SciELO Books
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Roberto Livianu
Coordenador
Justiça, cidadania e
democracia
Rio de Janeiro 2009idadania e
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I
É alentador sabermos que há membros do Ministério Público paulista que se ocupam em estudar e escrever sobre a melhor forma de se exercer a “Justiça, Cidadania e Democracia”, objeto desta obra coletiva que está sendo publicada no momento em que o Movimento do Ministério Público Democrático celebra seus 15 anos de fundação.
Os temas abordados pelos autores são da maior relevância
jurídico-social. A universalização do acesso à justiça é condição sino qua nonpara a
prática da cidadania, sendo preocupação de primeira ordem, que a recente criação da Defensoria Pública paulista demonstra. A democracia, por sua vez, é um direito conquistado pelos brasileiros que depositaram no Ministério Público a incumbência de sua defesa.
A compreensão exata da expressão “direitos humanos” e a predisposição de todos – sem exceção – à inclusão dos cidadãos que ao longo de nossa história republicana foram alijados de seus direitos básicos são indispensáveis à concretização de um verdadeiro Estado Democrático de Direito. A educação formal de qualidade, a segurança alimentar aliada a um meio ambiente saudável, o emprego digno e o acesso ao transporte e serviços de saúde públicos são direitos fundamentais que precisam ser universalizados.
O exemplo de associativismo que os integrantes do MPDemocrático dão à sociedade serve de incentivo àqueles que sonham em contribuir para a transformação da sociedade brasileira em uma verdadeira nação. Um Brasil onde a desigualdade social tenha sido erradicada e a dignidade dos cidadãos não seja apenas expressão retórica.
A leitura deste livro servirá de inspiração não apenas para especialistas, como também para estudantes de Direito e Ciências Humanas, além de todos aqueles que se interessam pelo exercício da cidadania. Queira Deus que o MPD e a Imprensa Oficial prossigam com a edição de outras inúmeras obras desta mesma grandeza.
Cláudio Lembo
Governador
II
A
PRESENTAÇÃOA Constituição Federal, fruto da atuação dos movimentos sociais no enfrentamento de ditadores erigiu o Ministério Público como função do poder responsável pela defesa da ordem jurídica, do regime democrático e do interesse social.
Trata-se da Constituição cidadã, uma vez que temos no atual Ministério Público uma resposta aos anseios do povo por efetivo exercício dos direitos fundamentais.
O respeito ao princípio da independência e autonomia funcional do Ministério Público é fundamental para a maioria dos brasileiros que, convivendo com o estado de miserabilidade e sem voz nesta sociedade, encontram nos membros do Ministério Público a certeza do cumprimento da Constituição.
Todos os advogados compromissados com os Direitos Humanos têm sua experiência positiva com a atuação do Ministério Público, quer nas parcerias com a OAB SP em defesa dos interesses difusos e coletivos, quer na organização de cursos e seminários que buscam a formação de lideranças populares.
A experiência do Ministério Público europeu foi fundamental para a formalização, entre nós, do Movimento do Ministério Público Democrático, movimento social que mantém laços estreitos com a Associação Juízes para a Democracia e com o Instituto Brasileiro de Advocacia Pública, que vêm prestando relevantes serviços públicos à comunidade, principalmente trabalhando a informação junto a segmentos discriminados para enfrentar a questão de gênero, a questão racial, a violência doméstica, bem como o socorro às crianças exploradas pelo crime organizado.
Para esta cidadã, advogada é uma honra poder apresentar esta obra com temas interdisciplinares tão significativos, do acesso à Justiça à inclusão social, passando pelas questões da ética abordadas pelos nossos melhores humanistas e integrantes do Ministério Público, defensores intransigentes da Pessoa Humana.
III
Nossa experiência na Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania tem muitas vezes buscado informações técnicas e apoio institucional no digno Ministério Público de São Paulo, na efetivação de nossos projetos sociais.
Eunice Aparecida de Jesus Prudente
Secretária da Justiça e da Defesa da Cidadania
4
S
UMÁRIOQuinze anos de trabalho em busca de mais justiça, cidadania e
democracia ... 6 Antonio Visconti, Inês do Amaral Buschel, Roberto Livianu
Igualdade ... 13 Airton Florentino de Barros
Direito de propriedade e direito de moradia ... 27 Alexander Marfins Matias e Claudionor Mendonça dos Santos
Algumas reflexões sobre as políticas de saúde no Brasil... 38 Anna Trotta Yaryd
A independência do Ministério Público ... 49 Antonio Visconti
Proporcionalidade no Direito ambiental ... 61 Beatriz Lopes de Oliveira
MPD e jornalistas: uma luta por luz ... 74 Claudio Julio Tognolli
Ministério público: advogado do povo ... 90 Dalmo de Abreu Dallari
O dever de transparência e motivação da administração pública ... 96 Daniel Serra Azul Guimarães
O papel da escola para a educação inclusiva ... 108 Ela Wiecko V. de Castilho
Justiça restaurativa ... 120 Elaine M. C. Tiritan M. Caravellas
A inclusão social e o reconhecimento da universalidade dos direitos humanos: da tolerância às ações afirmativas ... 132 Fernanda Leão de Almeida
O acesso ao Direito e à Justiça ... 148 Inês do Amaral Buschel
Ministério Público: estratégia, princípios institucionais e novas formas de organização ... 158 Marcelo Pedroso Goulart
5
Acesso à justiça: porta de entrada para a inclusão social ... 170 Maria Tereza Aina Sadek
Alternativas à pena de prisão e Ministério Público ... 181 Mônica Louise de Azevedo
Ministério Público e os direitos humanos ... 193 Renata Christina Ballei
Mídia e cidadania ... 202 Roberto Livianu
Ética e Ministério Público. Uma reflexão em três momentos ... 213 Roberto Romano
A participação popular nas escolhas públicas por meio do poder Judiciário: o papel das ações coletivas ... 229 Susana Henriques da Costa
6
Q
UINZE ANOS DE TRABALHO EM BUSCA DE MAIS JUSTIÇA,
CIDADANIA E DEMOCRACIA
O título do livro coletivo reúne três dos principais valores que marcaram a trajetória e os objetivos do Movimento do Ministério Público Democrático (MPD) – Justiça, Cidadania e Democracia.
A capa traz Roma, cujo Direito é a própria origem do Direito brasileiro. Nela vemos também la bocca della veritá (a boca da verdade), verdade que deve ser sempre buscada na distribuição do Direito e da Justiça.
O Movimento do Ministério Público Democrático foi formalmente constituído em agosto de 1991, sob a forma jurídica de uma associação civil sem fins econômicos. Seu nascimento foi um sonho acalentado por inúmeros integrantes do Ministério Público brasileiro que ao longo de décadas idealizavam uma instituição estatal menos autoritária e burocrática.
Almejavam não só democratizar o ambiente interno, mas também as formas de composição de seus órgãos superiores. Queriam um Ministério Público comprometido com os anseios do povo e que fosse independente em relação aos outros Poderes, em especial do Executivo. Queriam mais transparência e que o MP, e a própria Justiça, fossem mais acessíveis a todos.
Desde o início dos anos 80, membros do Ministério Público paulista pleiteavam que a defesa da legalidade democrática fosse atribuição constitucional da Instituição e, com a instalação da Assembleia Nacional Constituinte em 1985 para a elaboração da minuta de uma nova Constituição Federal, os combativos membros do Ministério Público do Brasil se deslocaram para Brasília para ajudar a escrever um novo Capítulo de atribuições do Ministério Público na futura ordem constitucional.
A Constituição Federal promulgada em outubro de 1988 estabeleceu novas e revolucionárias atribuições para o Ministério Público brasileiro, correspondendo ao sonho de muitos membros da instituição, que para isso lutaram bravamente.
Restava, contudo, a interminável tarefa da mudança cultural, que é fazer com que os membros do Ministério Público deixem de atuar apenas burocraticamente nos processos judiciais individuais. Sua prioridade deveria passar a ser a atuação no plano coletivo com ações civis públicas de