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1. O pensamento marxista e o contexto contemporâneo

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Academic year: 2021

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Prof. Dr. Elydio dos Santos Neto

AS CONTRIBUIÇÕES DE ANTONIO GRAMSCI PARA COMPREENDER A ESCOLA E O PROFESSOR NA ESTRUTURA DA SOCIEDADE

CAPITALISTA

Capa de Cadernos do Cárcere – v.6 Ed. Civilização Brasileira • No campo da educação Antonio

Gramsci foi muito estudado nas décadas de 1980 e primeira metade da década de 1990;

• O declínio dos estudos

gramscianos, no Brasil, vem com a “crise do pensamento marxista”, expressa de modo especial com a queda do Muro de Berlim e do socialismo real, no leste europeu;

1. O pensamento marxista e o contexto contemporâneo

1. O pensamento marxista e o contexto contemporâneo

• Esta tendência é acentuada com o predomínio da orientação neoliberal na economia e na sociedade de modo geral;

• Fukuyama e a tese do “fim da história”: o capitalismo venceu! Não há mais o que fazer senão aperfeiçoar o capitalismo. Fim das ideologias? SERÁ MESMO????

Capa de Cadernos do Cárcere – v.3 Ed. Civilização Brasileira

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2. A necessidade de retomar os estudos sobre Gramsci

• Gramsci foi um dos principais autores que ajudou os pesquisadores e educadores brasileiros a pensarem, na década de 1980, as relações entre educação/escola e sociedade; • A década de 1990 e esta primeira década do

século XXI: hegemonia do pensamento neoliberal e de um certo tipo de pensamento pós-moderno que olha com desconfiança para o pensamento crítico;

• Daí a necessidade de re-examinar a relação educação/escola e sociedade. E de fazer isto considerando o contexto das ciências contemporâneas!

• Uma das principais perguntas talvez seja: Em que Gramsci pode continuar nos ajudando quando pensamos na escola e nos professores no interior do sistema capitalista?

2. A necessidade de retomar os estudos sobre Gramsci

3. Quem foi Gramsci?

In: “Filosofia para principiantes” de Richard Osborne, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 4 ed. , 1998. Com ilustrações de Ralph Edney, página 170.

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4. Algumas obras de

Gramsci

5. Algumas obras sobre Gramsci

6. Um olhar sobre sua maneira de compreender a sociedade e, dentro dela, a

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7. Alguns conceitos importantes de Gramsci

7.1. Senso comum:

– “(...) é a ‘filosofia dos não filósofos’, isto é, a concepção do mundo absorvida acriticamente pelos vários ambientes sociais e culturais nos quais se desenvolve a individualidade moral do homem médio. (...) seu traço fundamental e mais característico é o de ser uma concepção (inclusive nos cérebros

individuais) desagregada, incoerente, inconseqüente, adequada à posição social e cultural das multidões, das quais ela é a filosofia”.

GRAMSCI, In: Concepção Dialética da História, p. 143, (8ed., Civilização Brasileira)

7.2. Bom-senso:

“Ademais, ‘senso comum’ é um nome coletivo, como ‘religião’: não existe um único senso comum, pois também ele é um produto e um devenir histórico. A filosofia é a crítica e a superação da religião e do senso comum, e, nesse sentido, coincide com o ‘bom senso’, que se contrapõe ao senso comum.”

GRAMSCI, Concepção Dialética da História, p. 14

– Assim, é possível dizer que, para Gramsci, há um bom senso além do senso comum, ou um núcleo de bom senso no interior do senso comum, mas que, no entanto, precisa ser desenvolvido e transformado em algo unitário e coerente.

7.3. Filosofia da Práxis:

– É aquela que, considerando o pensamento de Marx e Engels se constrói como crítica a todo pensamento que a precedeu, na filosofia e na cultura.

– Para Gramsci esta construção se faz em dois momentos:

• A crítica do senso comum, buscando aproveitar o que nele há de bom senso;

• A crítica da filosofia dos intelectuais tendo como referência, conforme já se apontou, a filosofia de Marx e Engels.

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7.4. Intelectuais orgânicos:

“Autoconsciência crítica significa, histórica e politicamente, criação de uma elite de intelectuais: uma massa humana não se ‘distingue’ e não se torna independente ‘por si’, sem organizar-se (em sentido lato); e não existe organização sem intelectuais, isto é, sem organizadores e dirigentes, sem que o aspecto teórico da ligação teoria-prática se distinga

concretamente em um estrato de pessoas

‘especializadas’ na elaboração conceitual e filosófica”.

GRAMSCI, Concepção Dialética da História, p. 21

• É possível pensar em intelectuais orgânicos da classe dominante e intelectuais orgânicos das classes populares subalternas.

• O intelectual orgânico é coerente, consistente, unido e necessário ao

desenvolvimento dos interesses de sua classe social.

7.5. Hegemonia:

– Conjunto das funções de domínio e direção de uma classe social, a dominante, dentro de um período histórico, sobre as classes subalternas:

“(...) a supremacia de um grupo social de manifesta de dois modos, como ‘domínio’ e como ‘direção moral e intelectual’. Um grupo social é dominante sobre os grupos adversários que tende a ‘liquidar’ ou a submeter com a força armada, e é dirigente em relação aos grupos afins ou aliados”

(Gramsci citado por Portelli: In: Gramsci e o Bloco Histórico, 1977, Paz e Terra, p. 69)

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• Assim, toda relação de hegemonia é também uma relação pedagógica, isto é, promove a consciência crítica e a luta político-ideológica. • As classes subalternas para chegarem ao poder hegemônico precisam elaborar a sua própria ideologia ou visão de mundo coerente e homogênea. A escola pode auxiliar nisto. • A hegemonia pode ser obtida por COERÇÃO: poder das armas por meio da sociedade política; ou por CONSENSO: por meio da presença da ideologia dominante nos aparelhos privados da sociedade.

Uma representação da hegemonia. IN: “Filosofia para principiantes”, página 171.

7.6. Sociedade civil, sociedade política e Estado:

– A sociedade civil “é o conjunto de organismos

chamados comumente de ‘privados’” (Os

intelectuais e a organização da cultura, p. 10);

– O conjunto de organismos da sociedade política “correspondem à função de ‘hegemonia’ que o grupo dominante exerce em toda a sociedade e àquela de ‘domínio direto’ ou de comando, que se expressa no Estado e no governo ‘jurídico’. Estas funções são precisamente organizativas e conectivas”. (idem, p. 11)

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–“Por Estado deve-se entender, além do aparelho governamental, também o aparelho privado de hegemonia ou sociedade civil” (In: Maquiavel, a política e o Estado Moderno, p. 147, 4ed., Civilização Brasileira)

7.7. Ideologia:

– Para Gramsci ideologia é “uma concepção do mundo que se manifesta implicitamente na arte, no direito, na atividade econômica, em todas as manifestações da vida individual e coletiva” (CDH, p. 41);

– Cada classe social tem sua ideologia: visão de mundo, valores, ética, projeto de vida individual e coletiva;

– Na sociedade capitalista existe um conflito ideológico pela hegemonia: o grupo

dominante não quer perdê-la e os grupos subalternos querem ganhá-la;

– A ideologia do grupo que tem o domínio e a direção da sociedade é a ideologia

dominante: cimento que une a estrutura da sociedade capitalista. Esta ideologia é elaborada pelos seus intelectuais orgânicos.

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8. Um outro olhar sobre a maneira gramsciana de compreender a sociedade e, dentro dela, a escola:

neo-marxismo.

9. Como a escola reproduz a sociedade capitalista?

• A escola reproduz quando em seu interior a ideologia dominante da sociedade é aquela que tem a hegemonia, manifestando-se:

– Na visão de mundo e nos valores defendidos no projeto político-pedagógico;

– Na organização curricular;

– Na organização do trabalho coletivo dentro da escola; – Nas normas disciplinares;

– Nos costumes e na cultura desenvolvida dentro da escola;

– Nas diferentes relações de poder no interior da escola, etc.

10. Como o professor reproduz este modelo?

• Na sua prática pedagógica e na maneira como transmite e ensina seus valores:

– Na definição dos objetivos; – Na escolha do material didático;

– Na forma de se relacionar com os alunos; – No modo como avalia e dá retorno aos

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– Nas interpretações mais autoritárias ou mais problematizadoras que realizar; – No modo como lida com a disciplina (relação, condição para o trabalho); – Na maneira como faz o trabalho coletivo; – Na maneira como dialoga sobre sua própria visão de mundo com os alunos;

11. ALGUMAS IMAGENS POR MEIO DE UMA HQ:

A PEDAGOGIA DA CALÇADA

Autor: BOUCQ

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12. A escola pode participar do processo de transformação da sociedade? “Se a escola sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda” Paulo Freire

• Leitura crítica da concepção neoliberal que orienta a definição de políticas públicas em educação e as recentes reformas curriculares; • PCNs, RNCEI e Diretrizes Curriculares:

referências e crítica;

• Usar os espaços de contradição do sistema educacional;

• A construção coletiva do Projeto Político-Pedagógico;

• O diálogo crítico em torno das concepções fundantes do projeto: ser humano, conhecimento e política;

• Prática pedagógica criativa, aberta, dialogal, coletiva;

• Luta política: participação, criticidade, esperança, colaboração, solidariedade;

• Educação problematizadora e compromissada com as necessidades dos educandos em seus contextos;

• Trabalho crítico e político sério: situação gnosiológica.

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E o professor? O que pode fazer?

• Ter consciência filosófica do próprio projeto; • Fazer uma leitura crítica da trajetória

formativa vivida;

• Capacidade de dialogar, argumentar e travar luta política, com respeito ao trabalho dos demais;

• Leitura crítica da política educacional; • Leitura crítica das propostas curriculares;

• Leitura crítica da “pedagogia cultural”; • Trabalhar nos espaços de contradição da escola;

• Favorecer a problematização e o desenvolvimento do pensamento crítico;

• Rever plano (objetivos, conteúdos, estratégias, avaliação, materiais, relação) e prática

permanentemente;

• Trabalho coletivo e colaborativo, sabendo dialogar e trabalhar com o conflito.

Considerações Finais

POR QUE LER ANTONIO GRAMSCI HOJE NA LICENCIATURA?

• Políticas educacionais; • Políticas curriculares;

• Tempos neoliberais, pós-modernos e pós-críticos; • A necessidade de construir sínteses entre o

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• O desafio das subjetividades e da objetividade do mundo econômico-político;

• A necessidade de considerar o econômico, o social, o cultural, o ambiental;

• A necessidade de construir novas propostas escolares;

• A necessidade de pensar um “outro mundo possível”.

Boa semana

Referências

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