Aplicações facilitadas pela tecnologia Parlay
Célio Rosa
Célio Rosa, engenheiro elétrico, formado pela "Ecole d'Ingénieurs de Bienne", Suiça, começou na Ericsson Suíça em 1994 com desenvolvimento de aplicações de redes inteligentes. Em 1997, foi expatriado para o Japão, onde foi responsável pelos serviços de Rede Inteligentes (IN) e aplicações para o operador Japan Telecom.
Depois de 3 anos no Japão, ele foi transferido para Buenos Aires, onde em seguida assumiu o cargo de diretor do centro regional da Ericsson para a América Latina de suporte a vendas de produtos da área de aplicações e serviços.
Em 2004, o escritório regional foi transferido para São Paulo, trazendo ele de volta a sua cidade natal. Atualmente ele é diretor responsável pelas vendas diretas do portfólio de aplicações e serviços para um determinado operador no mercado brasileiro e está concluindo seu Executive MBA na Business School São Paulo.
Em paralelo, durante esses anos, ele foi também nomeado membro do Comité Executivo de Marketing da organização Parlay (www.parlay.org), com a responsabilidade de promover a maturidade atual da norma Parlay na região. E-mail: [email protected] Duração: 15 minutos. Publicado em: 20/03/2006.
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Parlay: O que é?Com o rápido crescimento das operadoras nos últimos anos e a constante busca por novas aplicações para aumento da receita, nem todas as operadoras se prepararam como deveriam para essa evolução. O gerenciamento de aplicações tem sido um dos trabalhos mais complexos nos dias de hoje.
Serviços de voz, localização, SMS, MMS, jogos, entre outros, têm transformado a rede das operadoras em um verdadeiro emaranhando de fios, com infinitas integrações. Organizar toda essa estrutura é um grande desafio.
O receio das operadoras é que todo o investimento possa ser desperdiçado nos próximos anos, com a chegada das próximas gerações. Por outro lado, as necessidades do usuário por novos serviços e aplicações criam uma grande oportunidade de expansão de negócio.
Uma necessidade latente para uma maior integração ponta-aponta dos serviços dos usuários finais, assim como uma arquitetura para soluções de múltiplos fornecedores, foram as alavancas para a criação do conceito de “Service Delivery Platform” dentro da indústria de Telecom.
Figura 1: Necessidades de uma arquitetura horizontal.
Esse conceito teve como objetivo buscar funções em comum dentro da rede do operador, ou seja, transformar a rede vertical do operador em uma arquitetura mais horizontal, visando maximar a rentabilidade e usabilidade das suas funções e por consequencia suas aplicações e serviços.
Para tentar solucionar este impasse da indústria e transformar esse desafio em algo realmente viável, operadores de telecomunicações, desenvolvedores de aplicação, empresas de Telecomunicações e TI se uniram no final da década passada para criar o Fórum de Tecnologia Parlay, um consórcio aberto, consórcio atualmente com mais de 80 membros (http://www.parlay.org).
O Grupo Parlay desenvolveu as interfaces de programação de aplicativos (APIs), que foram projetadas para funcionar sem depender de uma linguagem ou tecnologia específica e funcionam tanto para redes móveis e fixas, além daquelas da próxima geração.
As APIs Parlay foram desenvolvidadas em conjunto com o 3rd Generation Partnership Project (3GPP), 3GPP2, o Instituto de Padrões para Telecomunicações na Europa (European Telecom Standars Institute – ETSI) e a Open Mobile Alliance (OMA), e estão disponíveis gratuitamente.. Elas foram baseadas no princípio de Open Service Architecture, de onde vem o nome Parlay/OSA.
A tecnologia Parlay/OSA permite ao desenvolvedor de software trabalhar de uma forma mais abstrata e agnóstica às camadas mais baixas dos diferentes protocolos de telecom. Essa independência de rede é fundamental para o desenvolvimento de apliações, principalmente web services para o mercado corporativo,
abrindo novas fontes de receitas para os operadores, como também para os provedores de serviços (ASPs) e vendedores de software independentes (ISVs).
A grande vantagem é o desenvolvimento e implementação mais rápida de aplicativos nas redes de telecomunicações, utilizando softwares modernos como Java e Web Services. Tudo isso, de uma forma segura, mesurável, bilhetável, com padrões abertos e compatibilidade com múltiplas redes, facilitando as integrações de TI. Esses fatores geram um aumento significativo na comunidade de desenvolvedores, e por consequência, também um grande aumento na quantidade de serviços disponíveis para o usuário final de serviços de telecomunicação.
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Parlay: ArquiteturaA tecnologia Parlay/OSA oferece uma infra-estrutura técnica e de negócios para transformar as operadoras num verdadeiro canal de varejo global para terceiros, ou seja, desenvolvedores ou provedores de conteúdo. Dentro de um plano de negócios, a camada de serviços é o “ambiente de criação de valor”, onde as operadoras conseguem diferenciar seus serviços dos demais.
Do ponto de vista da rede, a camada de serviços abrange três universos: o de conteúdo/mídia, o da operadora/provedor de serviços e o do cliente/empresa. Nesse universo complexo, nenhum participante isoladamente consegue oferecer serviços atraentes de pessoa-para-pessoa ou conteúdo-para-conteúdo.
As parcerias precisam ser desenvolvidas entre vendedores, operadoras, desenvolvedores de conteúdo e aplicativos. Por isso, a operadora precisa oferecer uma infra-estrutura técnica para integrar essas peças de maneira eficiente, formando um serviço único funcional para o usuário final.
Com a facilidade apresentada pela tecnologia Parlay/OSA, todos os aplicativos são acionados por meio de um Parlay Gateway, e assim não necessitam de integrações individuais na rede da operadora. Isso abre também a possibilidade para os desenvolvedores de poderem negociar seus aplicativos com qualquer operador no planeta utilizando um Parlay Gateway.
Figura 3: Arquitetura agnóstica da tecnologia Parlay/OSA.
Embora o custo de implementação de um serviço de rede represente apenas uma fração do custo total de infra-estrutura da rede, a camada de serviços pode aumentar a renda média por usuário (average revenue per user - ARPU) de maneira significativa, expandindo a base de clientes em mercados novos. Para a operadora, esse fato significa maior retorno sobre os investimentos na rede, não somente pelos serviços oferecidos, mas também nos seguintes aspectos:
• Redução de rotatividade de clientes, diferenciando o oferecimento da operadora dos demais, e oferecendo serviços para usuários finais com altos níveis de personalização;
• Redução do tempo para mercado de novos serviços para rapidamente explorar novas tendências, focando em mercados de nicho menores – e mais lucrativos;
• Geração de mais receita com serviços antigos por meio da integração dos mesmos em novos serviços e a inclusão de melhorias — por exemplo, um serviço de correio de voz que envia um SMS ou propaganda com número para retorno a cada mensagem gravada;
• Expansão da cadeia de valor da operadora, entrando em novos segmentos de negócios e mercados – por exemplo, possibilitando o pagamento do estacionamento por meio do celular;
• Expansão de ferramentas de marca disponibilizadas para as operadoras, possibilitando novas estratégias de mercado por meio do desenvolvimento rápido e econômico de novos serviços, pelo aproveitamento de aplicativos de terceiros, e o uso de provedores de serviços de aplicativos externos.
Uma camada de serviços bem estruturada com funções comuns, interfaces bem definidas, com segurança para interoperabilidade e baseadas em padrões internacionais independentes da rede, reduz o custo de implementar múltiplos serviços.
A tecnologia Parlay/OSA possibilita a utilização dos mesmos serviços em redes de circuitos comutados e de pacotes, facilitando a evolução para uma rede baseada inteiramente numa estrutura IP, protegendo receitas existentes e reduzindo as complicações para usuários na adoção de redes e aparelhos mais avançados.
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Parlay: Parlay e IMSA tecnologia Parlay/OSA acompanhou os avanços tecnológicos, agregando suporte para Web Services. As APIs Parlay-X foram projetadas exclusivamente com um conjunto simples de módulos de telecomunicações para o grande número de desenvolvedores na Internet (ISVs). As APIs Parlay-X estão sendo adotadas rapidamente, com mais de 20 implementações em operadores.
Essa evolução permite a tecnologia Parlay/OSA a se posicionar como uma excelente ferramenta de migração das redes atuais para IMS, pois as APIs definidas no Grupo Parlay abrangem a evolução para um rede futura all-IP, isolando a lógica de serviços e aplicações da evolução de redes e protocolos.
Em sintonia com as normas do 3GPP/3GPP2, as APIs de Parlay/OSA podem ser a ferramenta necessária aos operadores para oferecer permanentemente serviços inovativos aos seus clientes, enquanto se financia gradualmente a migração dos mesmos usuários para uma rede puramente IP. A próprias normas de 3GPP/3GPP2 de IMS definem essa necessidade e co-existência:
Figura 4: Parlay definido como um dos ambientes de serviços nas normas 3GPP/3GPP2 IMS.
Figura 5: Parlay permitindo uma evolução de rede, com aumento do número de desenvolvedores de aplicações.
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Parlay: Considerações FinaisEm função desses benefícios, o usuário final pode usufruir de uma grande variedade de serviços, com integração total do portfólio de serviços, interoperabilidade e ao mesmo tempo um portfólio de serviços personalizado.
Esta integração é possível porque já existem hoje cerca de 250 produtos disponíveis nesse mercado, entre Parlay Gateways, Application Servers, aplicações diversas, ambiente de criação de serviços, treinamento, literatura, etc.
Todos desenhados especialmente para promover esta integração e que já estão sendo utilizados comercialmente por 80 operadoras em todo o mundo, inclusive na América Latina.
Parlay: Teste seu Entendimento 1. Assinale a alternativa falsa:
As principais vantagens para um operador em adotar uma arquitetura de rede horizontal são Uma maior integração ponta-aponta dos serviços dos usuários finais, assim como uma arquitetura para soluções de múltiplos fornecedores, visando maximar a rentabilidade e usabilidade das aplicações e serviços disponíveis ao usuário final.
Os segmentos de mercado que foram os principais criadores do grupo Parlay foram: Os Operadores de telecomunicações, desenvolvedores de aplicação, empresas fornecedoras de equipamentos de Telecom e TI.
No processo de criação das APIs Parlay, as principais organizações que suportam a publicação das normas são : 3GPP/3GPP2, o Instituto de Padrões para Telecomunicações na Europa (European Telecom Standars Institute – ETSI) e a Open Mobile Alliance (OMA).
A principal vantagem em usar a tecnologia Parlay/OSA é que ela não permite ao desenvolvedor de software trabalhar de uma forma independente das camadas mais baixas da rede e dos diferentes protocolos de telecom.
2. Os componentes básicos da arquitetura Parlay/OSA são:
Aplicação seguindo as APIs Parlay/OSA API’s, um “application server” e um “Parlay/OSA Gateway”. Redução no custo do desenvolvimento das aplicações.
3GPP/3GPP2, ETSI e OMA. As APIs Parlay-X e IMS.