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Rev. Assoc. Med. Bras. vol.55 número4

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Academic year: 2018

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Rev Assoc Med Bras 2009; 55(4): 363-81

À

beira do leito

Medicina Baseada em Evidências

toxina

botulínica

ou

esfincterotomia

lateral

para

o

tratamento

da

fissura

anal

crônica

?

O objetivo do tratamento para issuras anais é induzir uma redução temporária da pressão do canal anal para promover a sua cicatrização permanentemente, sem perturbar a função normal do esfíncter anal. Uma redução no tônus do esfíncter anal é alcançado através do relaxamento do esfíncter anal interno, sob ação direta de suas células musculares lisas. Essas alterações podem ocorrer com auxílio de fármacos como a toxina botulínica.

A toxina botulínica é uma neurotoxina, com potente ação na sinapse neuromuscular, onde atua inibindo a liberação de acetil

-colina pelo axônio do neurônio motor e diminuindo a reatividade da ibra muscular lisa a esse neurotransmissor, bloqueando a contração muscular. Assim, há tempo suiciente para a cicatri

-zação da issura.

Para se obter a melhor evidência na resposta à questão, realizou-se busca na base dados MEDLINE, a im de recuperar ensaios clínicos controlados e randomizados comparando o tratamento químico ao cirúrgico. Foram utilizadas as seguintes palavras-chave: “Fissure in ano”, “Botulinum toxins” e “Rando

-mized Controlled Trial”. Apenas estudos publicados em inglês, espanhol ou português, e com pontuação igual ou maior a três na escala Jadad1 , foram selecionados para análise. Os desfechos

analisados foram cura e recorrência da issura.

Os resultados foram sustentados nos dados de quatro estudos2-5.

A síntese permitiu obter as seguintes conclusões referentes à cura e a recorrência nos respectivos períodos de seguimento:

cura

• Quatro semanas (Um mês): Aumento do risco absoluto (ARA) com toxina botulínica do paciente não ser curado variando entre 19,7% e 36% (IC95% 3,5% a 54,8%), com NNH variando de 3 a 5 (IC95% 2 a 28), quando comparado à esincterotomia lateral;

• Seis semanas: O tratamento com toxina botulínica aumenta o risco absoluto do paciente não ser curado em 44,5% (IC95% 16,7% a 72,3%), com NNH igual a 2 (IC95% 1 a 6) quando comparado à esincterotomia lateral;

• Oito semanas (Dois meses): O tratamento com toxina botu

-línica aumenta o risco absoluto do paciente não obter cura variando entre 24,2% a 36% (IC95% 12,5% a 54,8%), com NNH variando entre 3 e 4 (IC95% 2 a 8), quando comparado à esincterotomia lateral;

• Vinte e seis semanas (Seis meses): O tratamento com toxina

botulínica aumenta o risco absoluto do paciente não ser curado em 49,3% (IC95% 22,8% a 75,8%), com NNH igual a 2 (IC95% 1 a 4) quando comparado à esincterotomia lateral;

• Doze meses: O tratamento com toxina botulínica aumenta o risco absoluto do paciente não obter cura variando entre 18,6% a 47,5% (IC95% 5,9% a 64,9%), com NNH variando entre 2 e 5 (IC95% 2 a 17), quando comparado à esincte

-rotomia lateral;

recorrÊncia

• O tratamento com toxina botulínica aumenta o risco absoluto de o paciente apresentar recorrência em 13,2% (IC95% 4,1% a 22,3%), com NNH igual a 8 (IC95% 4 a 24) em

um seguimento médio de 12 meses.

O resultado da combinação dos ensaios indica a inexistência de benefício do tratamento farmacológico com toxina botulínica das issuras anais crônicas comparada ao tratamento cirúrgico.

felipe toyama aires1

romulo paris soares1

wanderley marques bernardo2

sérgio eduardo alonso araujo3

1 - Acadêmico da Faculdade de Medicina – UNILUS, Santos, SP 2 - Doutor pela Universidade de São Paulo na área de Cirurgia Torácica, Especialização em Medicina Baseada em Evidências – EBM Centre – Oxford e Especialização no Desenvolvimento de Ensaios Randomizados pela Universidade de Oxford. Membro do Comitê Técnico do Programa Diretrizes AMB/CFM, São Paulo, SP 3 - Doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo na área de Cirurgia do Aparelho Digestivo do Departamento de Gastroenterologia, Especialista em Cirurgia do Aparelho Diges

-tivo e em Coloproctologia, São Paulo, SP

Referências

1. Jadad AR, Moore RA, Carroll D, Jenkinson C, Reynolds DJ, Gavaghan DJ, McQuay HJ. Assessing the quality of reports of randomized clinical trials: is blinding necessary? Control Clin Trials, 1996;17:1-12.

2. Menteş BB, İrkörücü O, Akin M, leventoğlu S, Tatlicioğlu E. Comparison of botulinum toxin injection and lateral internal sphincterotomy for the treatment of chronic anal issure. Dis Colon Rectum 2003;46:232-237.

3. Arroyo A, Pérez F, Serrano P, Candela F, Lacueva J, Calpena R. Surgical versus chemical (botulinum toxin) sphincterotomy for chronic anal issure: long-term results of a prospective randomized clinical and manometric study. Am J Surg 2005;189:429-434.

4. Iswariah H, Stephens J, Rieger N, Rodda D, Hewett P. Randomized pros -pective controlled trial of lateral internal sphincterotomy versus injections of botulinum toxin for the treatment of idiopathic issure in ano. ANZ J Surg 2005;75:553-555.

5. Massoud BW, Mehrdad V, Baharak T, Alireza Z. Botulinum toxin injection versus internal anal sphincterotomy for the treatment of chronic anal issure. Ann Saudi Med 2005;25(2):140-142.

Medicina Farmacêutica

por

que

revisar

os

critérios

de

resposta

em

tumores

sólidos

?

recist v1.1 (Response Evaluation Criteria In Solid Tumours)

Medir a redução tumoral e determinar a progressão da doença de acordo com um método único constituiu uma ferramenta clínica de grande importância na avaliação da resposta objetiva a tratamentos oncológicos. O critério RECIST é mundialmente aceito e tem sido utilizado na determinação dos objetivos dos estudos clínicos, seja por investigadores, grupos acadêmicos, indústria farmacêutica ou entidades governamentais.

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À

beira do leito

tabela 1 - resumo das mudanças mais importantes do recist 1.0 para recist 1.1

item recist 1.0 recist 1.1 racional

tamanho das lesões tumorais mensuráveis

TC: 10 mm espiral 20mm não-espiral

Clinicamente:

20 mm

Linfonodos: nao mencionado

TC: (não é necessário TC espiral)

10 mm

Clinicamente: 10 mm (deve ser mensurável)

Linfonodos na TC: 15 mm no diâmetro para lesão alvo

10–<15 mm para lesão não-alvo <10 mm não é considerado patológico

Espessura dos cortes no aTC é geralmente

5mm ou menor.

É melhor limitar o intervalo entre os cortes

para 5mm

Linfonodos são estruturas normais e existia a necessidade de deinir qual é seu tamanho

patológico.

outras lesões tumo-rais mensuráveis

Inclui lesões ósseas e císticas Informação adicional

Determinação da extensão do tumor número de lesões-alvo

10 lesões (cinco por órgão) 5 lesões (Duas por órgão)

A revisão do banco de dados mostrou que não há perda de informação se o número de lesões for reduzida de 10 para 5. O máximo de duas

lesões por órgão é suiciente

critério de resposta para as lesões-alvo

rc:

Linfonodos não eram utilizados

PD:

20% de aumento na soma das lesões ou nova(s) lesão(ões).

rc:

linfonodos devem ser <10 mm no diâmetro

menor

PD:

aumento em 20% na soma das lesões e

aumento absoluto de pelo menos 5 mm na soma das lesões ou presença de novas lesões

Determina o tamanho normal dos linfonodos PD: além do aumento em 20% na soma das lesões, é necessário também aumento absoluto

em 5mm a im de evitar classiicar-se como PD, quando a soma total e muito pequena e 20% de aumento está dentro do erro de

medida.

critério de resposta em lesões não-alvo

Progressão inequívoca das lesões não-alvo era conside

-rada PD

Detalhes sobre PD a im de explicar melhor que

a mudança deve ser representativa de toda a

doença e não o aumento de uma única lesão.

Evitar as dúvidas que ocorrem na versão do RECIST 1.0, em que alguns consideravam que PD podia ser deinida se qualquer uma das lesões não-alvo aumentassem, mesmo quando a lesão-alvo era estável ou estava

respondendo.

novas lesões tumorais

– progressão livre de doença é um dos objetivos e RECIST é utilizado em estudos aonde a nem todos os pacientes têm lesão-alvo mensu

-rável no início do estudo.

Deinir melhor quando uma lesão deve ser considerada uma nova lesão e, portanto, PD

Como conirmar a

resposta

Para RC e RP: o critério deve ser conirmado quatro semanas

após a documentação inicial

Manter este requerimento soMente para

estudos não-randomizados em que o objetivo primário é a resposta tumoral

O banco de dados mostrou que as taxas de resposta aumentam quando a conirmação não é utilizada. A única circunstância é em estudos clínicos não-comparativos, em que o objetivo é

a resposta tumoral.

FDg-Pet na deter-minação de novas lesões tumorais

-se FDg-Pet é negativo inicialmente: Deine-se “Progressão” se houver uma nova lesão no acompanhamento

se FDg-Pet não foi utilizado no início Deine-se “Progressão” se houver uma lesão PET positiva em uma nova lesão determinada pelo CT

Não é progressão se nenhuma nova lesão for deinida pelo TC

Utilização de FDG-PET

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mais de 6.500 pacientes e de uma vasta revisão da literatura, a versão 1.1 do RECIST foi publicada recentemente.

o que é que não mudou no recist 1.1

• A doença tumoral continua a ser determinada pela a avaliação do tamanho tumoral.

• As lesões tumorais devem ser mensuráveis uni ou bidimensionalmente

• O critério de resposta:

- Resposta completa (RC)

- Resposta parcial (RP): 30% na redução da soma das lesões tumorais em relação às medidas iniciais

- Doença estável (DE)

- Progressão da doença (PD): 20% no aumento da soma das lesões tumorais em relação às medidas iniciais

o que é que mudou no recist 1.1

• O número de lesões-alvo necessárias para determinar a resposta tumoral foi reduzido de 10 para o máximo de 5, e de 5 para 2 por órgão anatômico.

• Linfonodos/nódulos patológicos são também considerados lesões tumorais mensuráveis se o seu diâmetro menor for

superior a 15 mm.

• Linfonodos/nódulos com diâmetro menor <10 mm são consi -derados normais.

• O diâmetro menor das lesões tumorais deve ser utilizado no cálculo da soma das lesões e na determinação da resposta tumoral.

• Conirmação da resposta não é mais necessária em estudos clínicos randomizados, visto que o controle serve como um

meio apropriado de interpretação dos dados.

• Progressão da doença é agora deinida como o aumento de 20% aumento da soma das lesões tumorais em relação às medidas iniciais, mais o aumento absoluto de 5 mm a im de evitar que se declare PD quando a soma das lesões é muito

pequena.

• Além disso, um guia sobre o que é “progressão inequívoca” das lesões não mensuráveis/lesões não-alvo e, inalmente, como interpretar FDG-PET scan e um apêndice com recomendações sobre de como melhor avaliar as imagens.

Vale lembrar que a avaliação bidimensional dos tumores ainda é válida e que a única exceção é o uso do FDG-PET como um método adicional de determinação de PD (Tabela 1).

marcelo marotti

Clinical Research Physician AstraZeneca Clinical Development Alderley Park - England

Referências

1. Eisenhauer EA, Therasse P; Bogaerts J, Schwartz LH, Sargent D, Ford R, et al. New response evaluation criteria in solid tumours: revised RECIST guideline (version 1.1). Eur J Cancer. 2009;45(2):228-47.

2. Therasse P, Arbuck SG, Eisenhauer EA, Wanders J, Kaplan RS, Rubinstein L, et al. New guidelines. to evaluate the response to treatment in solid tumors (RECIST Guidelines). J Natl Cancer Inst. 2000;92(3):205-16.

Imagem

tabela 1 - resumo das mudanças mais importantes do recist 1.0 para recist 1.1

Referências

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