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História - Módulo 1_2011 Gabarito dos exercícios do capítulo 6

1) (ENEM 2003) - Resposta: opção D

2) (ENEM 2006) - Resposta: opção D 3) (ENEM 2009) - Resposta: opção E 4) (ENEM 2009) - Resposta: opção B 5) (ENEM 2009) - Resposta: opção B 6) (ENEM 2009) - Resposta: opção E 7) (ENEM 2009) - Resposta: opção E

MAIS EXERCÍCIOS...

(UFRRJ 2007) – “(...) mais fortes, mais robustos, mais entroncados, mais bem dispostos e menos sujeitos a moléstias, havendo entre eles muito poucos coxos, disformes, aleijados ou doentios.” (Jean de Lery, Viagem à Terra do Brasil, RJ, BIBLIEX, p. 101)

O discurso de Lery, um dos primeiros mais detalhados sobre a vida dos ameríndios no litoral da América Portuguesa, destoa de uma visão tradicional de incapacidade para o trabalho da qual o indígena seria portador, o que justificaria a importação de africanos para o trabalho escravo. Esta interpretação mascara dois preconceitos:

a) o português não serviria como trabalhador na colônia por sua aversão à atividade agrícola e sua total incapacidade de viver em um ambiente tropical desprovido dos prazeres existentes em sua terra de origem.

b) a América Portuguesa, ao contrário da Espanhola, seria incapaz de gerar riquezas para a sua metrópole, e seus habitantes tradicionais sempre foram hostis para com os colonos, dificultando o contato entre eles.

c) o ameríndio, desacostumado às práticas do trabalho sistemático para outro, era tratado como preguiçoso, enquanto o africano, retirado à força de sua terra, recebia a pecha de ser um “bom trabalhador” (escravo).

d) as práticas indígenas de canibalismo e as guerras inter-tribais horrorizavam os colonos, o que levou a repudiar qualquer contato entre eles e a estimular a vinda de africanos muito mais civilizados.

e) o ameríndio sempre foi dócil à ação dos missionários católicos que impediam a sua escravização, enquanto os africanos, por sua formação islâmica, em sua maioria, reagiam com violência, à pregação jesuítica.

Resposta: opção C

CEDERJ 2009-1 “Achamos toda a terra habitada por gente nua, tanto os homens como as mulheres, sem cobrir suas vergonhas. (...) Não têm nem lei nem fé alguma. Vivem segundo a natureza. Não conhecem a imortalidade da alma. Não possuem entre si bens próprios, porque tudo é comum. (...) não têm rei, nem obedecem a ninguém:cada um é senhor de si.”

Este é um trecho da carta que o navegante Américo Vespúcio escreveu ao visitar o litoral brasileiro em 1502.

Nesse trecho, ele se referia aos indígenas brasileiros.

Sua maneira de descrever o modo de vida dos nativos revela: (A) uma profunda compreensão sobre os hábitos locais;

(B) o interesse econômico sobre as riquezas da terra; (C) seu estranhamento frente aos costumes dos índios; (D) sua piedade cristã face aos pecados dos nativos; (E) uma atitude em defesa da conversão dos índios. Resposta : opção C

(UFRRJ 2008) – “A produção se destinava fundamentalmente ao consumo da família, mas, ao mesmo tempo, essa família estava obrigada a entregar ao mocambo, como

comunidade, um excedente depositado em paiol situado no centro da cidadela. O excedente se destinava ao sustento dos produtores não diretos e aos improdutivos em geral: chefes guerreiros, prestadores de serviço, crianças, velhos, doentes. Produzia-se,

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ainda, um excedente dedicado a acudir emergências, como secas, pragas, ataques

externos.” FREITAS, Décio. Palmares, a guerra dos escravos. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1984, p. 37 A leitura do fragmento acima permite-nos compreender a gênese da organização produtiva de alimentos no Quilombo dos Palmares, que ainda caracteriza diversas comunidades remanescentes de quilombos e que pode ser resumida em produção

(A) comunitária, com arrecadação e administração do uso de excedentes. (B) comunitária, sem preocupação com a administração de excedentes.

(C) comunitária de baixo rendimento, o que não permitia a produção de excedentes. (D) em larga escala, de poucos produtos para o comércio em localidades próximas.

(E) de produtos variados por todos os integrantes do quilombo, não havendo preocupação em controlar excedentes.

Resposta: opção A

(UFRRJ 2006) – Leia o texto e a seguir responda à questão.

“Não há trabalho, nem gênero de vida no mundo mais parecido à cruz e paixão de Cristo, que o vosso em um desses engenhos. Em um engenho sois imitadores de Cristo crucificado (...) Cristo sem comer, e vós famintos; Cristo em tudo maltratado, e vós maltratados em tudo. Os ferros, as prisões, os açoites, as chagas,

os nomes afrontosos, de tudo isso se compõe a vossa imitação, que se for acompanhada de paciência, também terá merecimento de martírio”. (Vieira, Sermões. Apud BOSI, Alfredo. A Dialética da Colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, p.172.)

O texto anterior representa mais uma das inúmeras justificativas para a escravidão durante o período de colonização da América Portuguesa. Sobre esta questão é correto afirmar que (a) durante o primeiro século de colonização, a escravidão indígena foi empregada em várias regiões da colônia. Porém, com a adoção da mão-de-obra

africana, ela foi completamente extinta, levando os indígenas a se internarem nos sertões do Brasil.

(b) a Companhia de Jesus, assim como outras ordens religiosas, procurava manter índios e negros afastados da sociedade colonial, nas missões, a fim de preservá-los da escravidão. (c) a utilização da mão-de-obra africana articulava-se diretamente aos interesses

mercantilistas de setores da burguesia comercial e da coroa portuguesa.

(d) a capacidade de trabalho do ameríndio superava em muito a do africano, o que levou à sua escravização sistemática até a sua extinção, por volta de meados do século XVII.

(e) a Igreja Católica dedicou-se, nos primeiros tempos da colonização da América, a evitar a escravização dos negros, já que estes, ao contrário dos ameríndios, teriam alma, sendo, por isso, passíveis de conversão.

Resposta: opção C

(UFMG 2009) - Considerando-se as reduções, ou missões, jesuítico-guaranis fundadas no início do século XVII, na América do Sul, é INCORRETO afirmar que

A) entraram em conflito com os encomenderos da América Espanhola e com os bandeirantes, que penetravam na região com o objetivo de aprisionar e escravizar os indígenas.

B) resistiram às pressões das Coroas Espanhola e Portuguesa e continuaram a existir até o fim do período colonial, tendo sido destruídas por ocasião dos movimentos de

independência.

C) se estabeleceram na região platina, em áreas fronteiriças dos Impérios Espanhol e Português, que correspondem, atualmente, a territórios do Paraguai, do nordeste da Argentina e do sul do Brasil.

D) tinham por objetivo a cristianização dos índios guaranis, que foram concentrados em comunidades aldeãs, administradas pelos jesuítas, sob rígida organização e disciplina de trabalho.

Resposta: opção B

UFU 2008 - Leia o trecho : “Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e- Minho, porque neste tempo d’agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendoa aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem! Contudo, o melhor

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fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui estapousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber,

acrescentamento da nossa fé!” CAMINHA, Pero Vaz de. Carta de Pero Vaz de Caminha. In: CHANDEIGNE, Michel (org.). Lisboa ultramarina:1415-1580: a invenção do mundo pelos navegadores portugueses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992, p.165.

Com base no fragmento acima, marque para as afirmativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção.

1 ( ) Caminha sugere que não há potencialidades econômicas na nova terra descoberta, pois não sabe se há nela ouro e prata. Assim, a única justificativa para a posse do território seria a expansão da fé.

2 ( ) Para Caminha, mesmo que a terra não oferecesse outros atrativos econômicos e políticos, utilizá-la como entreposto para o caminho das Índias já seria, em si, algo útil a Portugal.

3 ( ) A carta de Caminha sugere que as grandes riquezas do Brasil são as suas matas e sua beleza natural, de modo que as atividades econômicas extrativas (como, por exemplo, a coleta do pau-brasil) deveriam ser privilegiadas em relação às atividades agrícolas.

4 ( ) A carta de Caminha revela uma ética missionária presente nas falas dos descobridores portugueses, o que, inclusive, atendia às necessidades da coroa de legitimar as novas possessões por meio do seu reconhecimento pela Igreja.

Resposta: F V F V

(UFU 2009) - Analise o trecho abaixo que descreve um ataque de bandeirantes à redução indígena de Jesus Maria, fundada por jesuítas espanhóis.

“No dia de São Francisco Xavier (3 de dezembro de 1637), [...] cento e quarenta paulistas com cento e cinqüenta tupis, todos muito bem armados [...] bandeira tendida e ordem militar, entraram pelo povoado [...] acometendo a igreja, disparando seus mosquetes. [...] ... determinaram queimar a igreja, onde se acolhera a gente. [...] ...os refugiados viram-se obrigados a sair. Abriram um postigo e saindo por ele a modo de ovelhas que sai do curral para o pasto, com espadas, machetes e alfanjes lhes derribavam cabeças, truncavam braços, desjarretavam pernas, atravessavam corpos. [...] Compensará tais horrores a

consideração de que por favor dos bandeirantes pertencem agora ao Brasil as terras

devastadas?” CAPISTRANO DE ABREU, J. Capítulos de História Colonial: 1500-1800 & Os Caminhos Antigos e o Povoamento do Brasil. Brasília: Universidade de Brasília, 1982. p. 116.

A respeito da ação dos bandeirantes e do papel desses bandeirantes na estruturação da Colônia, marque para

1 ( ) O bandeirante paulista foi produto social de uma região em franco processo de desenvolvimento, região essa com uma vida econômica diversificada e que contava com amplos recursos materiais para a produção de riquezas.

2 ( ) Em um contexto de crescente necessidade de mão-de-obra escrava para atender a expansão da economia açucareira do Nordeste, a Coroa portuguesa optou pela organização e pelo financiamento de entradas e bandeiras que objetivavam capturar indígenas e vendê-los como escravos para as lavouras de cana-de-açúcar.

3 ( ) Ao escrever que “por favor dos bandeirantes pertencem agora ao Brasil as terras devastadas”, o autor refere-se ao processo de interiorização da colonização que foi propiciado pelas ações dos bandeirantes, percorrendo o território, fundando povoados e vilas, sem respeitarem os limites definidos pelo Tratado de Tordesilhas.

4 ( ) No trecho citado acima, há uma descrição da violência praticada pelos bandeirantes contra os povos indígenas. Essa descrição presta-se para questionar a construção da figura do herói bandeirante, visto como homem excepcional que desbravou o sertão, alargou as fronteiras e foi Resposta

Resposta: F F V V

(UFU 2009) – No Brasil colonial, a violência permeava o cotidiano da sociedade, marcada pelo escravismo, pelas insatisfações e pelos conflitos de interesses entre a metrópole e os colonos.

Sobre as resistências anticoloniais, marque para as alternativas abaixo (V) Verdadeira, (F) Falsa ou (SO) Sem Opção.

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1 ( ) Rebeliões como a Revolta de Beckman, no Maranhão; a Guerra dos Emboabas, em Minas Gerais; a Guerra dos Mascates, em Pernambuco; e a Revolta de Filipe dos Santos, em Minas Gerais, evidenciaram uma consciência nacional dos colonos em luta contra a

metrópole.

2 ( ) Os escravos resistiram de diversas formas à opressão a que eram submetidos. O suicídio, a automutilação e a organização coletiva, por meio da fuga das fazendas e da formação de aldeamentos (os quilombos), constituíram formas comuns de resistência. 3 ( ) A Revolta de Beckman e a Guerra dos Mascates foram rebeliões que desafiaram o poder metropolitano, ao exigirem profundas alterações na estrutura socioeconômica da Colônia, entre elas: o fim dos monopólios; a liberdade de comércio; e a integração de toda a população em uma nova sociedade, sem

as marcas da estratificação social.

4 ( ) Os primeiros movimentos coloniais de contestação ao domínio metropolitano foram manifestações contra medidas isoladas que prejudicavam os interesses dos colonos de determinadas regiões, os quais lutavam para que suas reivindicações fossem atendidas, porém sem proporem a independência da colônia.

Resposta: F V F V

UFU 2009) --- Leia o fragmento: Que é que os descobridores do Novo Mundo viram surgir nas praias atlânticas? ‘Homens sem fé, sem lei, sem rei’, nas palavras dos cronistas do século XVI. A causa era evidente: esses homens em estado de natureza não tinham ainda ascendido ao estado de sociedade. CLASTRES, P. Arqueologia da violência: a guerra nas sociedades primitivas. In: Guerra, Religião e Poder. Lisboa: Edições 70, 1980.

Tomando o trecho acima como ponto de partida e considerando as formas de relacionamento entre os “conquistadores” e os povos ameríndios no contexto da

colonização européia da América entre os séculos XV e XVII, marque para as alternativas abaixo (V) verdadeira, (F) falsa ou (SO) sem opção.

1 ( ) O estereótipo dos índios como homens que viviam sem qualquer autoridade instituída (“fé, lei ou rei”) não foi igualmente aplicado pelos europeus a todas as civilizações pré-colombianas. Os Astecas, por exemplo, eram vistos como um grande Império.

2 ( ) A idolatria, como forma de “falsa” religião, foi atribuída pelos europeus ao conjunto dos índios da América, especialmente aos Guaranis, que cultuavam o Deus Sol (Tupã), representado sob a forma de um asno de ouro.

3 ( ) Como os indígenas da América não tinham leis, rei ou religião, a Igreja postulou que eles não eram homens e que não tinham alma, legitimando, assim, sua escravização pelos europeus e o genocídio que marcou os processos de conquista.

4 ( ) Devido ao fato de índios da América não terem Estado, religião e noção de “propriedade privada”, eles viviam pacificamente entre si. Porém, com a chegada dos europeus na América, esses povos tornaram-se guerreiros.

Resposta:

V F F F

(PUC-RIO 2009) – Sobre as características da sociedade escravista colonial da América

portuguesa estão corretas as afirmações abaixo, À EXCEÇÃO de uma. Indique-a.

(A) O início do processo de colonização na América portuguesa foi marcado pela utilização dos índios – denominados “negros da terra” - como mão-de-obra.

(B) Na América portuguesa, ocorreu o predomínio da utilização da mão-de-obra escrava africana seja em áreas ligadas à agro-exportação, como o nordeste açucareiro a partir do final do século XVI, seja na região mineradora a partir do século XVIII.

(C) A partir do século XVI, com a introdução da mão-de-obra escrava africana, a escravidão indígena acabou por completo em todas as regiões da América portuguesa.

(D) Em algumas regiões da América portuguesa, os senhores permitiram que alguns de seus escravos pudessem realizar uma lavoura de subsistência dentro dos latifúndios agroexportadores, o que os historiadores denominam de “brecha camponesa”.

(E) Nas cidades coloniais da América portuguesa, escravos e escravas trabalharam

vendendo mercadorias como doces, legumes e frutas, sendo conhecidos como “escravos de ganho”.

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(UFU - 2006)

O mapa abaixo apresenta uma série de imagens representativas de uma prática que os europeus associavam aos povos indígenas do Brasil nos séculos XVI e XVII.

Detalhe do mapa: America sive quartae orbis partis nova etexactissima descriptio, de Diego Gutiérrez, 1562. Sobre esta prática, é correto afirmar que ela está relacionada,

I - aos sacrifícios humanos, pois segundo os portugueses e os espanhóis, os índios do Brasil eram idólatras e ofereciam esse tipo de sacrifício aos seus deuses (vistos, pelos cristãos, como demônios);

II - ao canibalismo, introduzido no Brasil após a cristianização dos índios, como resultado da incompreensão indígena a respeito dos sentidos corretos da eucaristia;

III - à ingestão de carne humana, que, segundo alguns autores, pode ser explicada como um ritual de vingança contra tribos rivais e inimigos de guerra;

IV - à antropofagia, cujas evidências de ter realmente existido são controversas e próprias de um imaginário europeu detrator das práticas culturais indígenas,entendidas, em muitos casos, como diabólicas e bestiais.

Assinale a alternativa que apresenta somente afirmações corretas.

A) II e IV B) I e III C) III e IV D) I e II Resposta: opção C

(UFMG) Leia estes trechos de documentos:

I. E logo os ditos procuradores dos ditos senhores reis e rainha de Castela, de Leão, de Aragão, de Sicília, de Granada [...] e do dito senhor rei de Portugal e Algarves [...] disseram: que visto como entre os ditos senhores seus constituintes há certa divergência sobre o que a cada uma das ditas partes pertence do que até hoje [...] está por descobrir no Mar

Oceano.

II. Irá diretamente à Bahia, e logo que chegue, deve apossar-se da cerca ou fortificação que havia feito o donatário Francisco Pereira Coutinho [...]

Todavia, como consta que esse local não é dos mais apropriados, o estabelecimento que fizer nele será de natureza provisória e deve escolher outro mais pela baía dentro [...] com que pelo tempo adiante venha a povoação a ser a cabeça de todas as capitanias.

III. O modo que os Padres da Companhia tiveram sempre [...] foi ajudá-los assim no temporal como no espiritual [...] Ensinavam-lhes os Padres todos os dias pela manhã a doutrina, esta geral, e lhes dizem missa para os que a quiserem ouvir antes de irem para suas roças; depois disto ficam os meninos na escola, onde aprendem a ler e escrever, contar e outros bons costumes pertencentes à política cristã.

IV. E de modo como se avier com [eles] depende o tê-los bons ou maus para o serviço. Por isso é necessário comprar cada ano algumas peças, e reparti-las pelos partidos, roças, serrarias e barcas. E porque, comumente são de nações diversas, e uns mais boçais que outros, e de figuras muito diferentes, há de fazer-se repartição com reparo e escolha, e não às cegas.

Nos trechos I, II, III e IV, faz-se referência, respectivamente,

A) ao Tratado de Tordesilhas; ao estabelecimento do Governo Geral; à catequese do gentio; à escravidão negra.

B) à expansão ultramarina portuguesa quatrocentista; à fundação da França Antártica; aos fundamentos cristãos dos colégios da América Portuguesa; à diversidade econômica do Brasil colonial.

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C) à separação do Condado Portucalense de Castela; à divisão da América Portuguesa em capitanias hereditárias; às escolas coloniais de primeiras letras; ao apresamento de índios tapuias.

D) ao financiamento da frota de Colombo; à transferência da sede da América Portuguesa para o Rio de Janeiro; à cristianização dos negros; às reduções jesuíticas.

Resposta: opção A

(ENEM 2003) - O mapa abaixo apresenta parte do contorno da América do Sul destacando a bacia amazônica. Os pontos assinalados representam fortificações militares instaladas no século XVIII pelos portugueses. A linha indica o Tratado de Tordesilhas revogado pelo

Tratado de Madri, apenas em 1750.

Adaptado de Carlos de Meira Mattos. Geopolítica e teoria de fronteiras.

Pode-se afirmar que a construção dos fortes pelos portugueses visava, principalmente, dominar

(A) militarmente a bacia hidrográfica do Amazonas. (B) economicamente as grandes rotas comerciais. (C) as fronteiras entre nações indígenas.

(D) o escoamento da produção agrícola. (E) o potencial de pesca da região. Resposta: opção A

ENEM _ 2001) - Rui Guerra e Chico Buarque de Holanda escreveram uma peça para teatro chamada Calabar,pondo em dúvida a reputação de traidor que foi atribuída a Calabar, pernambucano que ajudou decisivamente os holandeses na invasão do Nordeste brasileiro, em 1632.

- Calabar traiu o Brasil que ainda não existia? Traiu Portugal, nação que explorava a colônia onde Calabar havia nascido? Calabar, mulato em uma sociedade escravista e

discriminatória, traiu a elite branca?

Os textos referem-se também a esta personagem.

Texto I: “...dos males que causou à Pátria, a História, a inflexível História, lhe chamará infiel,desertor e traidor, por todos os séculos”

Visconde de Porto Seguro, in: SOUZA JÚNIOR, A. Do Recôncavo aos Guararapes. Rio de Janeiro: Bibliex, 1949. Texto II: “Sertanista experimentado, em 1627 procurava as minas de Belchior Dias com agente da Casa da Torre; ajudara Matias de Albuquerque na defesa do Arraial, onde fora ferido, e desertara em conseqüência de vários crimes praticados...” (os crimes referidos são ode contrabando e roubo).CALMON, P. História do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1959.

Pode-se afirmar que:

(A) A peça e os textos abordam a temática de maneira parcial e chegam às mesmas conclusões.

(B) A peça e o texto I refletem uma postura tolerante com relação à suposta traição de Calabar, e o texto II mostra uma posição contrária à atitude de Calabar.

(C) Os textos I e II mostram uma postura contrária à atitude de Calabar, e a peça demonstra uma posição indiferente em relação ao seu suposto ato de traição.

(D) A peça e o texto II são neutros com relação à suposta traição de Calabar, ao contrário do texto I, que condena a atitude de Calabar.

(E) A peça questiona a validade da reputação de traidor que o texto I atribui a Calabar, enquanto o texto II descreve ações positivas e negativas dessa personagem.

Resposta : opção E

(UFMG 2006) -- Em pouco mais de cem anos, a ênfase passa do controle dos moradores

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emerge: a do capitão-do-mato [...]. O termo capitão-do-mato já aparece em diversos documentos coloniais desde meados do século XVII [Contudo o cargo foi normatizado apenas no início do século XVIII.] Que terá acontecido no período que vai de meados do século XVII às primeiras décadas do século XVIII para que essa ocupação se estabelecesse tão firmemente na vida colonial?

REIS, João José; GOMES, Flávio dos Santos (Orgs.). Liberdade por um fio. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p.85.

Considerando-se as informações desse texto, é CORRETO afirmar que o crescente

fortalecimento do cargo de capitão-do-mato, entre meados do século XVII e início do século XVIII, se explica como conseqüência da

A) interiorização da população em direção à área das drogas do sertão, o que resulta numa ocupação desordenada desses espaços produtivos por brancos e negros.

B) explosão demográfica ocorrida na região das minas dos Goiases e de Cuiabá, que implica um adensamento populacional propício às desordens e violência, sobretudo as praticadas por escravos fugidos.

C) urbanização do Nordeste, derivada da crise açucareira, gerada pela expulsão dos holandeses, crise que promove, nas vilas e arraiais, a concentração de escravos, que, até então, trabalhavam nos engenhos.

D) dificuldade das campanhas para a destruição do quilombo de Palmares e a possibilidade do surgimento de novos e resistentes núcleos de quilombolas tanto no Nordeste quanto em outras áreas de interesse metropolitano.

Resposta : opção D

(?)“Se uma pessoa chega na terra a alcançar dois pares de escravos, ou meia dúzia deles, ainda que outra coisa não tenha de seu, logo tem remédio para poder honradamente sustentar a sua família. Porque um lhe pesca e outro lhe caça, e os outros lhe cultivam e granjeiam suas roças, e desta maneira nem fazem os homens despesas em mantimentos com os seus escravos, nem com suas pessoas ...”

GANDAVO, Magalhães. Apud NADAI, Elza; NEVES, Joana. História do Brasil. São Paulo: Saraiva, 1996. p. 62. Assinale a(s) proposiçãoCORRETA, com base no texto e nas circunstâncias em que foi escrito.

A) O autor justifica a escravidão, como uma necessidade econômica, mas adverte que não é moralmente aceitável entre os homens honrados da colônia.

B) No texto caracteriza-se a relação típica da escravidão. Uma pessoa (escravo) é considerada propriedade do seu dono, para quem terá de trabalhar e produzir o seu sustento.

C) Segundo o texto só uns poucos homens livres poderiam ter escravos, uma vez que a sua manutenção era extremamente dispendiosa.

D) O autor demonstra grande preocupação com o destino do escravo. Defende que, devido aos méritos do seu trabalho, deve ser alforriado.

E) A escravidão no Brasil, apesar da violência, teve pouca duração. Os primeiros escravos foram importados como mão-de-obra para a extração do pau-brasil, mas já no início do século XVIII as idéias iluministas influenciaram o governo a libertar os escravos.

Resposta : opção B

(??) “No ano de 1649 partiram os moradores de São Paulo para o sertão, em demanda de uma nação de índios distante daquela capitania muitas léguas pela terra adentro, com a intenção de os arrancarem de suas terras e os trazerem às de São Paulo e aí se servirem deles como costumam. Após meses de viagem, encontraram uma aldeia de índios da doutrina dos padres da Companhia, pertencentes à Província do Paraguai. Todos estavam na igreja, e o padre rezava missa, quando entraram os soldados de mão armada na aldeia, e dentro da mesma igreja prenderam todos os índios e índias que não puderam escapar” . Carta do Pe. Antônio Vieira, ao Provincial dos Jesuítas, escrita do Maranhão em 1653.

Fundamentado(a) no fragmento da correspondência do Pe. Antônio Vieira e nos seus conhecimentos da História do Brasil Colonial, leia com atenção as afirmativas abaixo.

I - Foram freqüentes os ataques dos Bandeirantes às Reduções Jesuíticas, durante o século XVII, com o objetivo de apresamento de índios a serem utilizados como escravos.

II - A escravização de índios e negros africanos era uma exigência da Santa Sé para facilitar a sua evangelização.

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III - Durante o período histórico conhecido como Brasil Colônia, os jesuítas justificavam a escravização dos negros, mas condenavam a escravização dos índios aldeados.

IV - Os Bandeirantes agiam por ordem dos Reis de Portugal, que desejavam enfraquecer o poderio militar dos espanhóis apoiados pelos índios do Paraguai.

Assinale :

A) se estão corretas apenas as afirmativas I e II B) se estão corretas apenas as afirmativas II e III. C) se estão corretas apenas as afirmativas I, II e III. D) se estão corretas apenas as afirmativas I, II e IV E) se estão corretas apenas as afirmativas II e IV Resposta : opção C

UFGO 2004 -- O conde de Sabugosa, vice-rei entre 1720 e 1735, apoiou a comunidade de

negociantes baianos em seus esforços em preservar o monopólio do tráfico negreiro com a África em oposição aos interesses dos comerciantes de Lisboa, que tinham o apoio de D. João V. [...] Em 1734 houve um protesto contra o monopólio do sal e contra os preços exorbitantes, o juiz de fora de Santos liderou um ataque contra o depósito de sal, colocando o produto à venda com preço reduzido.

RUSSEL-WOOD, John. Centro e periferia no mundo brasileiro, 1500-1508.Revista Brasileira de História. São Paulo: Anpuh/Humanitas, 18:36 (1988)232-233.

Os relatos indicam a especificidade da relação colonial na América portuguesa. Da leitura dos relatos conclui-se que

(A) o sistema colonial português na América baseava-se na relação de respeito, entre as partes, derivada do pacto colonial.

(B) a especificidade do sistema colonial português na América vinculava-se à subordinação política e econômica da colônia à metrópole.

(C) a transgressão do princípio da autoridade absoluta do Rei efetivou-se nos atos praticados pelos representantes da Coroa e pela população administrada. (D)a organicidade do sistema colonial estava assegurada pelas formas de domínio

político-administrativo da metrópole.

(E) a rigidez do domínio metropolitano impediu o atendimento às demandas políticas e econômicas da população colonial.

Resposta : opção C

(UFU 2006) -- Ainda que tenham sofrido transformações no decorrer do tempo, até hoje, em diversas partes do Brasil, várias festas tradicionais, introduzidas desde o tempo da colônia, fazem parte do repertório da cultura popular.

A respeito de algumas dessas festas, assinale a alternativa INCORRETA.

A) As cavalhadas foram introduzidas no Brasil pelos portugueses no século XVI.Elas tratam, basicamente, de representações do confronto bélico entre mouros e católicos na

península ibérica, ocorrido no final da Idade Média.

B) A folia de reis é uma festa originalmente religiosa que celebra a visita dos três reis magos ao menino Jesus. Sua introdução no Brasil deu-se no período colonial, recebendo influências de culturas não cristãs.

C) O carnaval é, por excelência, uma festa profana, que se introduziu no Brasil colonial sob a condenação da Igreja Católica, por meio da fusão de batuques africanos com ritos pagãos (celtas e romanos) que se preservavam na cultura oral portuguesa.

D) As congadas originaram-se no interior de Irmandades Católicas de escravos no período colonial, representando a coroação da família real congo, a partir de uma tradição africana anterior à cristianização dos negros.

Resposta: opção C

(UFGO 2007) -- Leia o “Sermão da Sexagésima”, do Padre Vieira.

“ Para uma alma se converter por meio de um sermão, há de haver três concursos: há de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; há de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; há de concorrer Deus com a graça, alumiando. Que coisa é a conversão de uma alma, senão entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo. GOMES, Eugênio (Org.). Vieira: Sermões. Rio de Janeiro: Agir, 1992. p.120. [Adaptado].

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O jesuíta Antônio Vieira fez sua carreira eclesiástica na Bahia. Esse sermão foi proferido em Lisboa no ano de 1655. Considerando os conflitos vividos na Colônia, o debate sobre a conversão se vinculava à

(A) capacidade do ouvinte para interpretar livremente as escrituras e, por meio do entendimento, concorrer à conversão de sua alma.

(B) defesa da cristianização do gentio, persuadindo o colono de que a prática da escravidão indígena deveria ser evitada.

(C) garantia da liberdade indígena, pois convertidos ao cristianismo seriam reconhecidos como portadores de direitos.

(D) supremacia da autoridade da Igreja perante o Estado na condução dos negócios na Colônia, definindo a primazia da ordem jesuítica.

(E) condenação a todas as formas de escravidão no mundo colonial, por meio da formação de uma consciência de si.

Resposta: opção B

(

UFU 2006) – Por volta da década de 1570, começou-se a substituir a mão-de-obra escrava indígena pela mão-de-obra escrava africana nos engenhos e plantações de cana-de-açúcar no Brasil. Aproximadamente em 1585, cerca de 75% da população escrava africana do Brasil vivia na Capitania de Pernambuco, onde o número de engenhos contabilizava mais da metade do total dos engenhos da colônia. A Capitania de São Vicente por sua vez, em 1685, quase não possuía habitantes de origem africana e o número de engenhos não passava de 3% do total da Colônia, situação bem diferente da do ano de 1549, quando cerca de 30% dos engenhos de açúcar localizavam-se naquela capitania. (adaptado de: COUTO, Jorge. A construção do Brasil: ameríndios, portugueses e africanos, do início do povoamento a finais de Quinhentos. Lisboa:Cosmos, 1995)

A respeito da escravidão africana no Brasil, com base nas informações acima, assinale a alternativa INCORRETA.

A) a mão-de-obra africana foi incentivada em um momento em que se intensificavam as rebeliões, fugas e ataques indígenas contra engenhos e povoações portuguesas no litoral brasileiro.

B) a adoção da mão-de-obra africana foi um fator decisivo para o desenvolvimento das economias das capitanias do norte da colônia e colaborou para a diminuição da importância econômica das capitanias do sul em relação às do norte.

C) adoção da mão-de-obra africana teve sucesso, pois atendia às necessidades lusas de imposição de um controle social mais eficaz e de fomento de uma nova atividade comercial lucrativa: o trafico negreiro.

D) a mão-de-obra escrava indígena, por conta do adestramento praticado pelos jesuítas e de sua passividade em relação à escravidão, era mais produtiva que a africana. Porém, foi substituída por essa em função da lucratividade do tráfico negreiro.

Resposta: opção D

QUESTÕES DISCURSIVAS...

OBS.: AS RESPOSTAS SÃO OFICIAIS, DIVULGADAS PELAS UNIVERSIDADES. AS QUESTÕES SEM RESPOSTAS FORAM AQUELAS ONDE NÃO HOUVE POSSIBILIDADE DE OBTER O GABARITO OFICIAL)

UFRJ - 2001 “Os livros dos descobridores deste outro hemisfério dão-nos a conhecer suficientemente o que é este Brasil, em que paralelo está situado, de que maneira os brasilianos, tupinambás e tapuias, os povos desse país, se guerreavam antigamente e devoravam os vencidos; como os portugueses, subjugando estes miseráveis, se fizeram assinalar por horríveis efusões de sangue; como, também os franceses, tendo-se tornado senhores de uma parte do país por meio de sangrentas expedições, os portugueses lha fizeram abandonar com a vida [...]. Posteriormente, os Estados Gerais dos Países Baixos aí levaram as suas armas e conquistaram a melhor parte, não tendo sido poupadas as

devastações e saques, companheiros da guerra.”

Fonte: Moreau, Pierre. História das últimas lutas no Brasil entre holandeses e portugueses. Belo Horizonte:Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1979, pp. 17-18.

A descrição acima foi escrita por Pierre Moreau, sobre quem se conhece pouco além do fato de ter vivido no Brasil em meados da década de 1640. Dentre outras coisas, o trecho

(10)

mostra que não raro os países europeus questionavam os termos em que o Tratado de Tordesilhas dividira a América.

a) Identifique no texto dois exemplos concretos deste questionamento;

Gabarito: O candidato deverá identificar dois únicos casos: a tentativa de implantação da França Antártica -“também os franceses, tendo-se tornado senhores de uma parte do país” -, e o estabelecimento dos holandeses no

nordeste (neste caso, seja por meio da tentativa de conquista de Salvador, seja pela efetiva conquista de parte do Nordeste a partir da conquista do Recife) - “os Estados Gerais dos Países Baixos aí levaram as suas armas e conquistaram a melhor parte”;

b) A partir de seus conhecimentos, estabeleça três diferenças observadas entre os exemplos citados no item anterior.

Gabarito: O candidato deverá comentar,, pelo menos, que enquanto a tentativa francesa, sob o comando de Villegaignon foi efêmera e ocorreu no Rio de Janeiro do século XVI, a dos holandeses, comandados por Maurício de Nassau, traduziu-se em domínio efetivo e por longo tempo da mais rica região açucareira das Américas na primeira metade do século XVII. Poderá ainda inserir considerações acerca dos franceses terem se estabelecido em território insular, enquanto os holandeses fincaram raízes no continente; ou sobre as diferentes envergaduras de ambos os capitais comerciais patrocinadores dos dois processos. Por fim, poderá mencionar que a ação batava decorreu se inseria nos intentos de debilitar a Coroa espanhola através da conquista da zona mais rica da parte portuguesa do império -- o que, obviamente, não era a conjuntura da época de Villegaignon.

UFRJ - 2002 Sexo e idade dos escravos africanos importados para o Rio de Janeiro, 1838-1852

Idades Número de

Homens Número deMulheres Total

De 0 a 9 anos 17 12 29

de 10 a 19 anos 194 68 262

de 20 a 29 anos 102 16 118

30 ou mais anos 13 12 25

Total 326 108 434

Fonte: Karasch, Mary C. A vida dos escravos no Rio de Janeiro, 1808-1850. São Paulo:Companhia das Letras, 2000, p. 69.

A tabela acima foi construída através de registros relativos a alguns navios negreiros capturados depois de 1830,e constitui uma eloqüente amostra de certas características demográficas dos mais de três milhões e meio de africanos desembarcados no Brasil entre os séculos XVI e XIX. Seus dados permitem visualizar o perfil sexo-etário do trabalhador que os grandes plantadores escravistas almejavam.

a) Identifique duas características relacionadas a este perfil sexo-etário;

Gabarito: O candidato deverá identificar o predomínio de escravos da faixa entre 10 e 29 anos de idade (isto é, em idade produtiva ótima) e a preponderância de cativos do sexo masculino. Alternativamente, poderá indicar a pequena

participação de crianças e de escravos de mais de 30 anos de idade.

b) Relacione as características identificadas no item anterior às expectativas econômicas dos grandes plantadores escravistas do Brasil.

Gabarito:O candidato deverá correlacionar o predomínio de escravos em

idade produtiva ótima à necessidade de imediata integração dos

cativos ao processo de produção (o que também será válido se, no item

anterior, houver ressaltado a pequena participação de crianças e de

escravos de mais de 30 anos de idade); e a exigüidade de mulheres às

duras tarefas a serem desempenhadas pelos escravos, ou ainda à

inexistência de perspectivas auto-reprodutivas dos cativos por parte

dos plantadores escravistas.

(11)

UFRJ --- 2002 Movimento da alfândega da cidade de São Paulo de Assunção de Luanda

no período de 1785 a 1794 (em réis)

Regiões Importações Valores

Área A: Portugal e outras

regiões européias Tecidos e gêneros agrícolas e industriais 2:187:975$370 Área B: Brasil e Índia Tecidos, gêneros agrícolas e demais

produtos

2:680:897$560

Total 4:868:872$930

Fonte: Adaptado de SANTOS, Corcino. O Rio de Janeiro e a conjuntura atlântica. Rio de Janeiro, Expressão e Cultura, 1993, p. 156.

A tabela acima reproduz o movimento de importações da alfândega de Luanda em fins do século XVIII. Indicam-se aqui as fontes provedoras de mercadorias que serviam à aquisição sobretudo de escravos, mas também de cera e marfim nesta parte do império português.

É comum afirmar-se que o comércio colonial lusitano tinha por objetivo principal o enriquecimento da metrópole e, por meio dela, do restante da Europa em transição para o chamado capitalismo industrial. Daí derivam, dentre outras idéias, a da fragilidade dos circuitos mercantis que uniam as diferentes partes do império português.

1. Identifique a área mencionada na tabela que se constituía na principal parceira comercial de Luanda no período considerado;

Gabarito: O candidato deverá indicar que o principal parceiro de Luanda, nas suas vendas externas, foi o conjunto formado pela América e Índia -- portanto, outros mercados coloniais do próprio Império ultramarino português que não a Metrópole e a Europa.

2. Explique como a resposta dada ao item anterior pode questionar a noção de “Antigo Sistema Colonial”.

Gabarito: Tomando em conta o eixo central da teoria do Antigo Sistema Colonial (o pacto colonial), o candidato deverá explicar que, em fins do século XVIII, o fortalecimento das trocas intercoloniais em detrimento das que se realizavam com a Metrópole podia questionar a plena subordinação das colônias aos interesses econômicos de Portugal.

UERJ -

a) Cite duas características da sociedade colonial da América portuguesa

Gabarito: sociedade predominantemente rural e patriarcal; utilização de mão de obra escrava negra nas atividades econômicas

b)Estabeleça uma diferença quanto à participação política dos “chapetones” e “criollos” nas colônias espanholas na América

Gabarito : chapetones, brancos nascidos na Espanha, dominavam os mais importantes cargos administrativos, militares e eclesiásticos nas colônias

espanholas na América. Aos criollos, elite econômica colonial, era praticamente vedado o acesso aos cargos referidos acima. Tinham participação política nos cabildos (órgãos de poder local)

UFRJ Confissão de Fernão Ribeiro, índio do Brasil, em 12 de agosto de 1591: “Por querer confessar sua culpa, ser do gentio desta Bahia, e não saber a língua

portuguesa, esteve presente o padre Francisco de Lemos, religioso da Companhia de Jesus, como intérprete.

(...)

E confessando-se, contou que há dois anos disse-lhe um outro gentio, de nome Simão, que os cristãos que comungam (...) são os homens mais virtuosos. Então ele, confessante, respondeu ao dito Simão que naquele Sacramento de comunhão estava a morte, e que quem comungava recebia a morte [muitos índios associavam este sacramento à morte porque, por vezes, ele era ministrado a moribundos]. Depois de o ter dito ficou muito arrependido e lhe pesou muito o Diabo lhe fazer dizer tão ruim palavra. Contou ainda que, sabendo do ocorrido, o padre superior de sua aldeia, João Alvares, da Companhia de Jesus, que tem cuidado de os doutrinar e instruir na fé, o prendeu e penitenciou na igreja,

(12)

fazendo-o pedir perdão a todos e aplicando-lhe castigos, ao que ele, confessante, satisfez (...).”

(Adaptado de Vainfas, Ronaldo (org.) Confissões da Bahia. São Paulo:Companhia das Letras, 1997. P. 81-2) O texto acima registra uma das inúmeras confissões que, entre julho de 1591 e fevereiro de 1592, os moradores da cidade de Salvador e do Recôncavo Baiano prestaram à Visitação do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa.

Destaque duas características do papel da Igreja Católica no processo de colonização da América.

UFRJ – adaptada “...se é de globo mundo que se trata e de império e rendimentos que impérios dão, faz o infante D. Henrique fraca figura comparado com este D. João, quinto já se sabe de seu nome na tabela dos reis, sentado numa cadeira de braços de pau-santo, para mais comodamente estar e assim com outro sossego atender ao guarda-livros que vai escriturando no rol os bens e as riquezas, de Macau as sedas, os estofos, as porcelanas, os lacados, o chá, a pimenta, o cobre, o âmbar cinzento, o ouro,de Goa os diamantes brutos, os rubis, as pérolas, acanela, mais pimenta, os panos de algodão, o salitre, de Diu os tapetes, os móveis tauxiados, as colchas bordadas, de Melinde o marfim, de Moçambique os negros, o ouro, de Angola outros negros, mas estes menos bons, o marfim, que

esse,sim, é o melhor do lado ocidental da África, de São Tomé a madeira, a farinha de mandioca, as bananas,os inhames, as galinhas, os carneiros, os cabritos, o índigo, o açúcar, de Cabo Verde alguns negros, a cera, o marfim, os couros, ficando explicado que nem todo o marfim é de elefante, dos Açores e Madeira os panos, o trigo, os licores, os vinhos

secos, as aguardentes, as cascas de limão cristalizadas,os frutos, e dos lugares que hão de vir a ser Brasil o açúcar, o tabaco, o copal, o índigo, a madeira, os couros, o algodão, o cacau, os diamantes,as esmeraldas, a prata, o ouro, que só deste vem ao reino, ano por ano, o valor de doze a quinze milhões de cruzados, em pó e amoedado, fora o resto, e fora também o que vai ao fundo ou levam os piratas...”

(Saramago, José. Memorial do convento. Rio de Janeiro:Bertrand Brasil, 1994, p.227-8)

O trecho acima remete à formação e expansão dos impérios coloniais entre os séculos XV e XVIII. O Mercantilismo era dos pincipais pilares dos Estados Nacionais europeus dessa época.

a) Identifique quatro características do mercantilismo.

b) identifique as áreas do Império colonial português citadas no texto.

UFRJ – 2003 “Os índios Wainasses, depois de terem perdido muitíssimos homens em combates com os adversários tamoios, chamaram os portugueses em seu auxílio. Em conseqüência, meu amo, governador da cidade, mandou o filho Martim de Sá a socorrê-los com setecentos portugueses e dois mil índios (...). Veio ter conosco um selvagem de nome Alécio, o qual trouxe consigo oitenta flecheiros, e ofereceu-se para acompanhar o capitão Martim de Sá com os seus (...). Na seguinte noite, vendo o capitão que Alécio estava deitado no chão, tomou-me a rede em que eu tencionava dormir, e deu-a ao canibal, de modo que tive de resignar-me a pernoitar no chão.”

Adaptado de KNIVET, Anthony. “Notável viagem que, no ano de 1591 e seguintes, fez Antônio Knivet, da Inglaterra ao mar do sul, em companhia de Thomas Candish”, in: Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, t. 56, vol. 48, 1878, pp. 224 – 226.

O relato acima foi escrito por um corsário inglês aprisionado e escravizado por Salvador Correia de Sá, governador do Rio de Janeiro em fins do século XVI. Mesmo escravizado, Knivet não se conformava em receber um tratamento pior do que o oferecido ao “canibal”. Este texto põe em dúvida as análises que reduzem as relações entre os portugueses e os índios ao genocídio e à escravização.

1 – Explique um aspecto presente nas relações entre colonos e populações

indígenas que, para além do genocídio e da escravização, tenha caracterizado o processo de formação da sociedade colonial.

Resposta: O candidato deverá mencionar o estabelecimento de alianças entre os conquistadores lusos e as lideranças indígenas. Para os lusos essas alianças ensejavam a fixação nas novas terras e a arregimentação de guerreiros contra os inimigos da Coroa. Outro aspecto que o candidato poderá citar é o surgimento de uma elite colonial miscigenada, resultante não tanto da escassez de mulheres européias na América, mas de decisões políticas precisas.

(13)

2 – Explique como a concepção predominante entre as populações indígenas acerca da guerra contribuiu para a montagem da sociedade colonial no século XVI.

Resposta: O candidato deverá lembrar que a cultura indígena tendia a naturalizar os enfrentamentos bélicos, tornando guerra e vingança elementos essenciais à afirmação da identidade da comunidade. É nesse sentido que ocorreu grande interferência da lógica cultural e social das populações indígenas para a montagem da sociedade colonial – a guerra produzia prisioneiros, os quais podiam passar às mãos dos portugueses aliados a um dos lados em conflito, para logo serem transformados em escravos. O candidato poderá ainda

mencionar que tal transformação muitas vezes encontrava resistência da parte dos indígenas (prisioneiros ou vencedores), pois era logicamente contrária à própria reiteração da identidade comunal.

UFRJ 1998 -"O Reino de Portugal, enquanto reino e enquanto monarquia está obrigado, não só de caridade, mas de justiça, a procurar efetivamente a conversão e salvação dos gentios ... Tem esta obrigação Portugal enquanto reino, porque este foi o fim particular para que Cristo o fundou e instituiu, como consta da mesma instituição. E tem esta obrigação enquanto monarquia, porque este foi o intento e contrato com que os Sumos Pontífices lhe concederam o direito das conquistas, como consta de tantas bulas

apostólicas " ( ... )

Não só são apóstolos os missionários, senão também os soldados e capitães, porque todos vão buscar gentios e trazê-los ao lume da fé e ao grêmio da Igreja? Sim, porque muitas vezes é necessário que os soldados com suas armas abram e franqueiam a porta, para que por esta porta aberta e franqueada se comunique o sangue da Redenção e a água do Batismo ". ( Antônio Vieira. Sermões V e VII )

Os jesuítas exerceram um papel importante na difusão do catolicismo no mundo colonial português. No Brasil, um missionário que se destacou foi o Padre Antônio Vieira, autor de Os Sermões.

a) Transcreva do documento apresentado a justificativa de Antônio Vieira para a função desempenhada pelo Estado português na colonização das terras

conquistadas.

Gabarito:" O reino de Portugal, enquanto reino e enquanto monarquia está obrigado, não só de caridade , mas de justiça, a procurar efetivamente a conversão e salvação dos gentios..."

b) Relacione a catequização efetuada pela Companhia de Jesus no Brasil ao contexto de crise política e religiosa da Igreja Católica.

Gabarito:" A expansão do protestantismo na Europa abalava o prestígio político e religioso da Igreja Católica. Para conter essa expansão, a Igreja organizou um movimento que ficou conhecido como a Contra-Reforma. Em tal contexto,

destaca-se a criação da Companhia de Jesus, idealizada por Ignácio de Loyola. " Os Soldados de Cristo " , como eram conhecidos os jesuítas, tinham a função de difundir o catolicismo com o objetivo de recuperar e conquistar novos fiéis. No Brasil Colonial, a política de difusão da fé católica se materializou na luta dos jesuítas pela conversão dos gentios ao catolicismo.

c) Apresente duas implicações da colonização portuguesa para as sociedades indígenas do Brasil.

Gabarito:" O aluno deverá apresentar duas implicações da colonização portuguesa para as sociedades indígenas no Brasil, considerando que: a

ocupação das terras, conquistadas pelos portugueses a partir da expansão da lavoura canavieira, acarretou a expulsão dos indígenas de sua terra nativa; a ocupação de base militar empreendida pelos portugueses para defender o

território contra as expedições estrangeiras acarretou o aniquilamento das tribos que ora se posicionavam ao lado dos portugueses ora ao lado dos inimigos dos portugueses; a aculturação dos indígenas, à medida que a colonização

portuguesa se consolidava, principalmente com a participação dos jesuítas na catequização dos indígenas.

(14)

UFF2007 -- Nos últimos anos, historiadores latino-americanos têm procurado discutir um dos mais arraigados mitos sobre alguns países do continente: a pouca importância da etnia negra na formação da sociedade e da cultura destes países. Para deslegitimar tal mito, os pesquisadores têm ressaltado a importância da escravidão nos quadros da formação da sociedade latino-americana.

Com base nesta afirmativa:

a) indique a política econômica desenvolvida pelos países ibéricos no contexto da expansão européia do século XVI;

Resposta : O candidato deve indicar Mercantilismo ou política mercantil.

b) analise a presença de comerciantes portugueses nos territórios coloniais espanhóis em relação à mão de obra nos séculos XVI e XVII.

Resposta : O candidato deverá destacar que a presença comercial de portugueses nos

territórios colônias espanhóis efetuou-se preferencialmente através dos rios e caminhos do Rio do Prata, imprimindo um intenso comércio na Região de Buenos Aires. A principal mercadoria que seguia por todos os diversos caminhos desta expansão eram os escravos.

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