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Arq. Bras. Cardiol. vol.96 número1

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Academic year: 2018

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Carta ao Editor

1. Valle FH, Costa AR, Pereira EMC, Santos EZ, Pivatto Junior F, Bender LP et al. Morbimortalidade em pacientes acima de 75 anos submetidos à cirurgia por estenose valvar aórtica. Arq Bras Cardiol. 2010;94(6):720-5.

2. Grinberg M, Accorsi TAD. Estenose aórtica no idoso: perspectiva brasileira.

Arq Bras Cardiol. 2009;92(2):e36-9.

3. Iung B, Baron G, Tornos P, Gohlke-Bärwolf C, Butchart EG, Vahanian A. Valvular heart disease in the community: a European experience. Curr Probl Cardiol. 2007;32(11):609-61.

Referências

Estenose Aórtica e o Idoso

Aortic Stenosis and the Elderly

Max Grinberg e Maria Cecilia Solimene

Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP - Brasil

Correspondência: Maria Cecília Solimene •

Rua Otávio Nébias, 182/71 - Paraíso - 04002-011 - São Paulo, SP - Brasil E-mail: [email protected], [email protected]

Artigo recebido em 15/06/10; revisado recebido em 15/06/10; aceito em 13/07/10.

Palavras-chave

Estenose da valva aórtica, idoso.

Caro Editor,

Valle e cols.1 enfocam tema de interesse emergente no

Brasil devido não somente ao aumento da população de idosos entre nós2 bem como à revelação feita pelo Euro

Heart Survey - que pacientes têm percentual expressivo de negação, pelos serviços médicos, à cirurgia valvar em função da idade avançada3. A mortalidade de idosos com

75 anos ou mais em 230 correções cirúrgicas de estenose aórtica consecutivas, em um período de 6 anos, foi de 13,9%, sendo 9,4% em procedimentos isolados e 20,9% em associações; complicações não fatais surgiram em 30% dos casos, 25,2% nos portadores de estenose aórtica isolada e 37,4% em associações1. Esses dados assemelham-se aos da

literatura. Os autores concluem que a morbimortalidade no pós-operatório da correção cirúrgica de estenose aórtica é

“um pouco maior” nos idosos do que nos “mais jovens”. Algumas considerações devem ser feitas, pois há dissociações entre os métodos e a conclusão: 1) Os autores concluíram que a morbimortalidade dos idosos é “um pouco maior” que a dos mais jovens, mas não analisaram um grupo “mais jovem” para a comparação e nem se referiram a dados de literatura; 2) Existem questões de semântica e interpretação que levam o leitor a dúvidas, como a imprecisão do termo “um pouco maior” para a morbimortalidade; 3) O termo “idoso” não nos parece adequado, pois é definido como “idoso” o indivíduo com 60 anos ou mais; seria mais apropriado se referir especificamente aos maiores de 75 anos. Devido a pouca disponibilidade de tempo frente à avalanche de informações científicas, a Conclusão funciona como triagem e referência de memória, por isso ela é fator importante na comunicação entre autor e leitor e, como tal, exige perfeita sintonia com objetivo e método. Valle e cols.1

trazem resultados úteis para a aplicação no cotidiano da clínica em portador de estenose aórtica. Contudo, a maioria dos leitores que se vale do resumo para o aprendizado corre o risco de fazer uma memorização equivocada.

Carta-Resposta

Inicialmente, agradecemos pelo interesse em nossa publicação e pelos comentários efetuados. Em relação às considerações realizadas, seguem esclarecimentos:

Devido ao seu caráter descritivo, nosso estudo não fornece resultados que permitam mensurar precisamente o papel da “idade” na cirurgia valvar aórtica. Nosso objetivo foi descrever os resultados de uma série consecutiva de 230 pacientes de 75 anos ou mais de idade com estenose

aórtica que foram tratados com cirurgia valvar aórtica. Para a análise da magnitude da variável “idade” como fator de acréscimo de morbimortalidade aos pacientes submetidos à cirurgia valvar aórtica seria aconselhável a realização de trabalho com metodologia analítica, preferencialmente “Estudo de Coorte Prospectivo”, o que não foi o nosso caso. Entretanto, as informações obtidas têm sua relevância específica. Não comparamos com uma série de “jovens”, mas esses dados existem em abundância na literatura e podem ser consultados.

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Carta ao Editor

Grinberg e cols. Estenose aórtica e o idoso

Arq Bras Cardiol 2011; 96(1): 87-88

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a definição do termo “idoso” é variável, pois ela estabelece que idosos são pessoas com mais de 60 anos nos países em desenvolvimento, ou mais de 65 anos nos países desenvolvidos. Dentre os 230 pacientes avaliados em nossa série, o texto expressa claramente que todos são idosos com mais de 75 anos.

O exponencial acréscimo de artigos científicos à literatura, associado ao cotidiano de longas jornadas de trabalho, pode dificultar a leitura de publicações

relevantes. Contudo, sugerimos que a memorização e o aprendizado sejam adquiridos através da análise integral dos estudos. Dessa forma, os resumos devem ser vistos como instrumento de seleção dos trabalhos a serem analisados. Nesse contexto, esperamos que nossa publicação seja útil ao manejo da frequente combinação de estenose aórtica e idade avançada.

Atenciosamente,

Felipe H. Valle e Renato A. Kalil

Referências

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