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Rev. adm. empres. vol.52 número2

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Academic year: 2018

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RAE n S ã o P a u l o n v . 5 2 n n . 2 n m a r / a b r. 2 0 1 2 1 4 3 I S S N 0 0 3 4 - 7 5 9 0

EDITORIAL

A

discussão sobre direitos autorais em artigos científicos publicados em periódicos acadê-micos tem se tornado cada vez mais impor-tante. Nos últimos meses, vários episódios foram sintomáticos da crescente insatisfação dos pes-quisadores com os mecanismos de controle sobre sua produção científica.

Um artigo ácido publicado num conhecido jornal inglês, em agosto último, apontava as editoras acadê-micas como os capitalistas mais selvagens do plane-ta. Além de atacar a extorsiva política de preços das editoras mais relevantes do setor, o que fatalmente joga contra a democratização do conhecimento, que é essencial para o desenvolvimento da Ciência, o artigo também destacava a forma abusiva de apropriação dos direitos sobre a produção dos pesquisadores por parte dessas mesmas editoras, que controlam as principais revistas científicas.

O discurso de que editoras acadêmicas teriam se tornado “inimigas da Ciência” ganhou adeptos de peso, inclusive no Brasil. Uma das maiores universida-des norte-americanas entrou na polêmica com a força do seu prestígio para garantir que seus professores pudessem publicar artigos de sua autoria em suas pá-ginas na web, sem o risco de serem processados pelas editoras, a quem são obrigados a repassar os direitos de cópia, caso queiram ter seus trabalhos publicados. Sob forte pressão de pesquisadores renomados no mundo todo, uma das mais importantes corporações do mercado editorial científico anunciou recentemente uma significativa redução em sua política de preços. Mesmo assim, não mudou o essencial: o controle absoluto sobre os textos publicados continua com as editoras, não com os autores.

A RAE, assim como a maioria dos periódicos

acadêmicos no Brasil, disponibiliza gratuitamente todo seu acervo de mais de 2.000 artigos publicados em mais de 50 anos de existência, incluindo todo o conteúdo de toda nova edição que é lançada. Faltava aperfeiçoar o mecanismo de licenciamento, trabalho que vínhamos desenvolvendo há, pelo menos, dois anos. Os autores, agora, assinam conosco um termo de licença que lhes garante todos os seus direitos de uso, ao mesmo tempo que ampara legalmente a cir-culação normal da RAE.

Algumas alterações mais significativas foram: a) o documento que se chamava “declaração de cessão e transferência de direitos patrimoniais” passa a ser “declaração de licença de direitos patrimoniais”; b) se

o autor declarava que “cede e transfere, em caráter universal, definitivo, irretratável, com exclusividade e a título gratuito”, agora ele afirma que “licencia, a título gratuito”; c) foi excluído o poder da FGV, como editora, de “ceder os direitos do autor para terceiros”; d) eliminou-se a obrigatoriedade de o autor consultar a RAE para reprodução do artigo em outros veículos,

indicando apenas o compromisso de citar a fonte original em que o artigo foi publicado. Esperamos estar contribuindo para o aperfeiçoamento do bom relacionamento, absolutamente indispensável, entre pesquisadores e editoras científicas, para garantir a mais ampla disseminação do conhecimento produzi-do na academia.

Nesta segunda edição de 2012, publicamos quatro artigos que tratam do tema da responsabilidade so-cial corporativa, originados do Fórum Transformare, apresentado por seus organizadores na página 148. Além destes, a edição conta também com “Efeitos da comunidade de origem no participante de comuni-dades virtuais de marca”, que testa o efeito do tipo de gestão de comunidades virtuais sobre o relacio-namento com a marca, as influências da comunidade e as intenções de seus participantes. “Segurando na mão de Deus: organizações religiosas e apoio ao empreendedorismo” investiga mecanismos de apoio ao empreendedorismo proporcionados por organiza-ções religiosas. “Pessoa com deficiência intelectual: a nova ‘ralé’ das organizações do trabalho” analisa a promoção da igualdade de oportunidade para trabalhadores com deficiência intelectual. “O papel das cooperativas de reciclagem nos canais reversos pós-consumo” identifica a contribuição social e am-biental das cooperativas de reciclagem para os canais reversos de resíduos sólidos pós-consumo.

Completam esta edição a pensata do professor Yoshiaki Nakano, “A grande recessão: oportunidade para o Brasil alcançar os países desenvolvidos”, uma resenha sobre o livro A vida imortal de Henrietta La-cks, de Rebecca Skloot, e as indicações bibliográficas de Maria Cecilia Coutinho de Arruda, sobre ética nas organizações, e de Andrea Leite Rodrigues e Sylmara Lopes F. Gonçalves Dias, sobre sustentabilidade, mer-cado e sociedade.

Tenham todos uma boa leitura!

Eduardo Diniz

Referências

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