Voz da Revolução, No. 69
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Voz da Revolução, No. 69
Alternative title Voz da RevoluçãoÓrgão oficial da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO)
Author/Creator Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) Publisher Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO)
Date 1979-10-00
Resource type Magazines (Periodicals)
Language Portuguese
Subject
Coverage (spatial) Mozambique, Zimbabwe Coverage (temporal) 1979
Source Northwestern University Libraries, L 967.905 V977 Rights By kind permission of the Mozambique Liberation Front
(FRELIMO).
Description Editorial. 25 de Setembro. Bairro do Hulene. Conferência de Londres Sobre o Zimbabwe. Cooperativas de Consumo.
Uma Arma na Resolução dos Problemas do Abastecimento.
30o Aniversário da R.D.A. Origem do Mundo. Origem do Homem.
Format extent (length/size)
36 pages
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http://www.aluka.org
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A BARREIRA INTRANSPONIVEL CONTRA
SE ESMAGAM TODAS AS MANOBRAS DA REACÇÃO
11 DE OUTUBRO DE 1979 4." ANIVERS O U
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Orgão oficial do Partido FRELIMO
Outubro 1979 N.O 69
Departamento do Trabalho Ideológico Sede Nacional do Partido
Maputo - República Popular de Moçambique
SUMÁRIO
EDITORIAL
4.O aniversário.da criação do SNASP 25 DE SETEMBRO
desfile militar: reportagem fotográfica
mensagem do Comandante-em-Chefe das FPLM aos combatentes BAIRRO DO HULENE
Contando com as suas próprias forças, a população organiza-se para solucionar os seus problemas CONFERENCIA DE LONDRES SOBRE O ZIMBABWE
COOPERATIVAS DE CONSUMO, UMA ARMA NA RESOLUÇAO DOS PROBLEMAS DO ABASTECIMENTO
tema de estudo para os membros do Partido 30.0 ANIVERSÃRIO DA R.D.A.
ORIGEM DO MUNDO, ORIGEM DO HOMEM
pág. 1
pág. 2 pág. s
pág. 8 pág. 16
pág. 18 pág. 24 pág. 26
¡editorial
Foi assinalado, no passado dia 11 de Outubro, o quarto aniversário da criação do Serviço Nacional de Segurança Po pular (SNASP). O SNASP foi criado numa fase de agudização da luta de classes no nosso País, com a tarefa de defender o Povo, o Estado e a Revolução contra todas as acções do ini migo interno e externo.
Nestes quatro anos de existência, o SNASP tem aumen tado continuamente a sua capacidade de resposta à actua ção do inimigo, tornando-se um órgão cada vez mais eficaz no combate à contra-revolução e ao banditismo. A sua acti vidade tem permitido detectar e neutralizar inúmeras acções do inimigo, que vão desde a sabotagem económica ao assas.
sinato das populações. à agitação, à subversão ideológica, à espionagem, ao terrorismo.
Em conjunto com as outras forças de Defesa e Seguran ça, o SNASP constitui hoje um instrumento poderoso na defesa da vida e dos bens do Povo.
Os sucessos alcançados pelo SNASP na salvaguarda das conquistas populares enraizam na sua profunda ligação com o Povo. Conforme salientou o Camarada Presidente Samo ra Machel por ocasião deste 4.
°aniversário, o SNASP, ao con trário dos serviços secretos dos países capitalistas, é um órgão de segurança profundamente popular, que vive no seio do Povo e se identifica totalmente com os seus interesses.
O SNASP enquadra e organiza a vigilância popular, por forma a «ue o próprio Povo, em cada local de trabalho e de residência. esteja preparado para garantir a segurança, a tranquilidade, a produção, a defesa da sua vida e dos seus bens.
Os Grupos de Vigilância Popular, que estão a ser formados em todo o País, constituem o instrumento principal desta am pla tarefa, que é decisiva para o sucesso da Revolução.
Ao assinalarmos o 4.' aniversário do SNASP comemora
mos, pois, todas as vitórias já alcançadas pelo Povo Moçam
bicano, do Rovuma ao Maputo, no combate permanente contra
os seus inimigos de classe.
25 5 DE SETEMBRO
O 25 de Setembro, Dia das Forças Populares de Libertação de Moçambique e Dia da Revo
lução, foi intensamente festejado por todo o nosso Povo, do Ro vuma ao Maputo.
As celebrações deste dia tive ram o seu início, em quase todas as capitais provinciais, com a deposição de flores em homena gem aos heróis moçambicanos que deram a vida pela libertação da Pátria. Para além desta ceri mónia, nas cidades, distritos, lo calidades, círculos, as populações comemoraram o 15.0 aniversário do desencadeamento da luta ar mada com actividades culturais e desportivas.
Na capital do País, o ponto mais alto dos festejos relativos ao 25 de Setembro, foi o grandioso desfile militar que se realizou du rante a manhã daquele dia. Du rante o desfile, do qual apresenta mos algumas imagens, o Presi dente do Partido FRELIMO, Pre sidente da República Popular de Moçambique e Comandante-em -Chefe das F.P.L.M., Camarada Samora Moisés Machel, exortou os nossos combatentes a serem sempre os soldados do 25 de Setembro, a manter bem alto a chama gloriosa do 25 de Setem bro, nesta nova fase em que as n o s s a s responsabilidades são maiores e as nossas tarefas mais complexas.
O Camarada Presidente dirigiu ainda uma mensagem aos comba tentes das F.P.L.M., em que salien tou o papel desempenhado pelas F.P.L.M durante a Luta Armada de Libertação Nacional, bem como a acção hoje desenvolvida pelos nossos combatentes ao rechaçar
as agressões imperialistas, O Camarada Presidente frisou ainda que, embora as caracterís ticas do nosso exército sejam diferentes, nesta fase, o actual combatente deve tomar como mo delo para o seu comportamento o dos combatentes da luta arma da, aprofundando as qualidades que eles sempre demonstraram,
O combar
da luta
de IiDerltŽjL
para
o soldado de boie
Os jovens que hoje ingressam nas fileiras das F.P.L.M. tomam como modelo o comportamento exem piar, o estilo de vida simples, a íntima ligação com as massas, a total dedicação à causa popular que sempre caracterizaram os heróicos combatentes da luta armada de libertação nacional.
'3
Aspecto do grandioso desfile militar que se realizou em Maputo por ocasião do 25 de Setembro de 1979.
COLHER NO 25 DE SETEMBRO FORCA
RENOVADA
PARA O COMBATE
Esta é uma data da mais alta importância na nossa vida. Dia em que comemoramos as nossas vitórias e conquistas, em que exaltamos os nossos heróis, a unidade entre o Povo e o seu braço arma do, as Forças Populares de Libertação de Moçam bique.
No dia 25 de Setembro de 1964, quando o Povo moçambicano guiado pela FRELIMO, desencadeou a luta armada, iniciámos um processo irreversível de ruptura com o colonialismo.
O 25 de Setembro foi um acto de libertação. O escravo que pega em armas e se revolta contra o opressor, é, a partir desse momento, um homem livre, porque nenhuma força pode aprisionar a sua vontade, a sua determinação, a sua coragem.
O 25 de Setembro foi um acto supremo de afir mação do nosso Povo, da sua identidade, da sua personalidade própria. Com o início da luta armada, o Povo Moçambicano demarca-se completamente
Ido
colonizador, para começar a viver a sua própria vida, a determinar o seu próprio destino.No 25 de Setembro celebramos a fundação das Forças Populares de Libertação de Moçambique.
Os duzentos e cinquenta combatentes que ini-
Excertos da mensagem do Co mandante-em-Chefe das F.P.L.M., aos combatentes, por ocasião do 15.0 aniversário do desencadea mento da Luta Armada de Liber tação Nacional.
ciaram a luta armada contra um exército moderno, numeroso, superiormente armado e equipado, assu miram conscientemente a alta missão de constituir o instrumento de libertação do nosso Povo.
Aquilo que hoje somos, a nossa República Popular, o poder das classes trabalhadoras mo çambicanas, as nossas conquistas revolucionárias, os alicerces que se erguem de um futuro socialista, de liberdade, prosperidade, paz, progresso, mergu lham as suas raízes no dia 25 de Setembro de 1964.
Por isso, no dia 25 de Setembro celebramos o Dia da Revolução.
Falar da história das FPLM é falar da história da Revolução moçambicana.
Os primeiros tiros disparados em 25 de Setem bro de 1964 ecoam por todo o Pais, galvanizam a consciência e a determinação de todos os moçam bicanos do Rovuma ao Maputo, levando a palavra libertadora das armas lá onde a palavra estava amordaçada e os homens acorrentados.
Nos nossos centros de preparação político-mili tar treinam lado a lado moçambicanos de todas e de cada uma das províncias. Juntos, eles desco
brem que a exploração brutal das plantações e das fábricas, o trabalho forçado, os espancamentos sá dicos nas administrações, a humilhação quotidiana
do racismo, são experiência comum de todo o Povo Moçambicano sob a dominação colonial. Eles cons tatam que a rivalidade tribal, o regionalismo e o obscurantismo são instrumentos utilizados pelo colo nialismo para dividir o Povo e perpetuar a explo ração.
Nas longas marchas, na vida em comum, nas actividades culturais e de produção, na escola, o mundo dos nossos soldados rompe as.fronteiras da tribo. O seu conhecimento da natureza e dos fenó menos da vida libertam-nos das concepções mági cas da sociedade tradicional-feudal
Quando entre si trocam os conhecimentos que possuem das guerras de resistência histórica ao colonialismo, os nossos soldados verificam que a causa sistemática da derrota dos exércitos tribais foi sempre o carácter local das revoltas, a corrup ção e a conivência dos chefes tradicionais com o ocupante. A consciência nacional e a unidade em torno da FRELIMO, guia de todo o Povo Moçambi cano do Rovuma ao Maputo, são assim forjadas na prática quotidiana no seio das FPLM.
No combate contra os novos exploradores, as FPLM escrevem uma das mais belas páginas da Revolução moçambicana e da luta das classes tra balhadoras.
Utilizando algumas posições importantes que haviam usurpado nas nossas estruturas, os novos exploradores desenvolvem intrigas e manobras para desvirtuar o sentido do nosso combate libertador.
O seu objectivo é a exploração. As suas armas são o tribalismo, o racismo, o regionalismo e o verba lismo radical dos oportunistas e aventureiros. Para impor as suas ideias erradas eles não recuam perante a traição e o crime.
Temperados pelo combate travado no seio das FPLM contra os vestígios da velha sociedade, for jados pelo trabalho constante de mobilização e reso lução dos problemas das massas populares, os qua dros e combatentes das FPLM colocam-se, com a sua consciência e as suas armas, na primeira linha de defesa do povo contra o inimigo que surge nas nossas fileiras.
Nas crises que atravessa a Frente de Liberta ção de Moçambique nos anos de 1967-1969 e que culminam no assassinato do Presidente Eduardo Mondlane, a acção das FPLM no combate pela vitória da linha reíolucionária, consagra o triunfo dos interesses populares, e consagra, ao mesmo tempo, o nascimento da ideia do Partido no seio da Frente.
O Programa do Partido FRELIMO atribui às FPLM a grande responsabilidade de defesa e conso lidação da independência e soberania nacional e a
Os jovens que hoje ingressam no nosso exército assumem e continuam as tradições gloriosas das FPLM porque têm como modelo os combatentes que se forjaram e tempera ram na grande escola que para todos nós é a luta armada de libertação nacional.
O soldado das FPLM, o soldado da FRELIMO, deve por Isso caracterizar-se pelo sentido de hierarquia, disciplina, pontuali dade, vida organizada, consciência colectiva e de classe, pela coragem, espírito de sacri fício e estilo de vida simples.
Deve ter a preocupação de manter a prontidão combativa. Deve estudar e elevar
constantemente o nível dos seus conheci mentos teóricos e práticos.
Ele deve desenvolver em alto grau o sentido de, classe, a consciência do seu papel na defesa dos interesses das classes trabalhadoras e da Revolução.
Deve permanentemente cultivar o espí rito de amar e servir o Povo.
Nos locais de trabalho e de residência, nos lugares públicos, nos cinemas e recintos desportivos, nos machimbombos, nas bichas, nas estradas e em todos os lugares e momen tos, ele observa sempre a correcção, a deli cadeza e o respeito.
O soldado das FPLM é cortês, humilde e disciplinado, é carinhoso para com as crianças, é atencioso e respeitador para com as senhoras e velhos, para com o Povo em geral.
Formando os nossos soldados nestes princípios e valores, as FPLM são uma grande escola de cidadãos conscientes na República Popular de Moçambique.
defesa da integridade territorial. As FPLM devem transformar-se num exército moderno, forte e bem equipado, capaz de defender a Pátria e as conquistas da nossa Revolução.
Os combatentes das FPLM, conservando a tra dição heróica da luta armada de libertação nacional, vêm aceitando todos os sacrifícios para defender a integridade da nossa Pátria.
Nas zonas de confrontação directa com o ini migo, em condições difíceis, o seu heroismo, a sua determinação constituem fonte permanente de inspi ração para todo o nosso Povo.
Na resposta firme e corajosa às agressões crimi nosas do inimigo, os combatentes das FPLM apoia dos pelo Povo inteiro, transformaram-se numa mura lha indestrutível que protege a Pátria e o Socialismo, numa força irresistível que pune severamente os agressores. O sangue dos combatentes, de novo generosamente oferecido, consolida a unidade nacio
nal, educa as novas gerações no espírito de heroismo, reforça a determinação do Povo inteiro em avançar resolutamente no caminho do Socialismo.
m unsolioaçao das vitórias obtidas, das realiza ções já concretizadas ou em curso com vista a me lhorar as condições de vida do povo, exigem a cria ção de forças armadas poderosas. Não se pode construir o Socialismo sem um exército forte, capaz de defender o povo e as suas conquistas dos inimi gos da Revolução, do imperialismo, inimigo perma nente dos povos.
É esta a experiência comum dos povos que constroem o socialismo, é esta a nossa experiência neste quinto ano da nossa independência.
A vida e os bens do povo trabalhador moçam bicano têm de ser protegidos do assassinato, dos massacres, dos bombardeamentos, da pilhagem, da destruição. Os grandes projectos económicos que contribuem para a transformação e melhoria radical das condições de vida do povo têm de ser defen didos.
O desenvolvimento das Forças Armadas deverá por isso ganhar novo ímpeto e determinação, fun dado na consciência de que tudo o que construímos só tem sentido se o soubermos defender.
Devemos desenvolver as Forças Armadas, refor çando os seus diversos ramos, as Forças Terrestres, a Defesa Antiaérea, a Marinha Popular, a Força Popular Aérea e as Forças de Guarda-Fronteira, ga rantindo a sua elevada capacidade operacional. Deste modo asseguramos a defesa da Pátria e do Socia lismo, da integridade territorial, garantimos a invio labilidade das nossas fronteiras terrestres e marítimas e do nosso espaço aéreo, preservamos a tranquili dade e a Paz que o nosso Povo e todos os Povos ambicionam.
As FPLM reforçam a sua colaboração e a frater nidade de armas com os exércitos irmãos dos países socialistas, nossos aliados naturais.
Os países socialistas dão uma contribuição fun damental na transformação das FPLM em exército moderno, forte e bem equipado. A nossa cooperação assenta na identidade dos nossos objectivos, nos princípios sólidos do marxismo-leninismo e do inter nacionalismo proletário.
As FPLM desenvolvem a sua cooperação solidá ria com os Movimentos de Libertação, força decisiva dos Povos na primeira linha da confrontação com o imperialismo.
As FPLM reforçam as relações de colaboração e amizade com os exércitos dos países da Linha da Frente e com outros países africanos progressistas, na luta comum contra o colonialismo, o racismo e o apartheid, agentes da guerra e da agressão, ameaça permanente à paz, independência e ao progresso do nosso continente.
Toda a acção de edificação das forças armadas é realizada sob a direcção do Partido FRELIMO e acompanhada pela estruturação do Partido ao nível de cada unidade combatente, em cada estrutura das Forças Armadas.
Só a direcção do Partido, só a educação dos nossos soldados nos princípios do marxismo-leni nismo permitirá que, em cada momento, o comba tente compreenda por que luta e o que defende,
conheça em cada fase o inimigo e as suas mani festações.
A edificação das Forças Armadas modernas, fortes e bem equipadas atinge agora uma fase em que se torna necessário definir com maior rigor e clareza os níveis de responsabilidade e decisão dentro das FPLM, pelo que a estruturação das for ças armadas implica o estabelecimento de hierar quias claras entre oficiais, sargentos e soldados.
O Presidente Samora Machei numa das frentes de combate, durante a luta arma da de libertação nacional.
PARTIDO ORGANIZA POPULACÃO PARA RESOLVER OS SEUS PROBLEMAS
1 - SITUAÇAO INICIAL
Até Fevereiro do ano em curso o bairro do Hulene, na cidade de Maputo, era um bairro desor ganizado.
A sua população, de uma forma geral com poucos recursos económicos, via as suas condições de vida agravadas pela falta de algumas das infra -estruturas essenciais à vida organizada de uma população de cerca de 36 000 pessoas.
O colonialismo pouco fez pelo bairro. Duas escolas e algumas ruas alcatroadas por onde pudes sem passar as forças repressivas em caso de neces
sidade. Como cruel ironia, num bairro que não possui água canalizada, ambas as escolas possuem piscina.
O abastecimento de água à população faz-se
através de poços. Existem no bairro alguns poços públicos, a maioria dos quais, em Fevereiro, se encontravam inoperantes devido a avarias várias.
O problema dos abastecimentos era igual mente grave. Para uma população que representa uma pequena cidade, não havia um único talho, havia um posto de venda de pão mal fornecido, uma cooperativa de consumo com reduzido núme ro de sócios, um bazar de pau-a-pique e com péssi mas condições higiénicas, uma loja do povo e algumas cantinas.
Em relação aos transportes a situação era também difícil. Uma carreira com terminal no interior do bairro tinha sido extinta e de momento
havia algumas carreiras que passavam por dentro do Hulene mas que tinham a sua términal noutros bairros. Na prática, isto significava que, nas horas
de ponta, os machimbombos nem paravam nas paragens do Hulene pois vinham já cheios desde a terminal.
A situação sanitária era grave. Sem ne nhum posto médico ou centro de saúde, os doentes deviam deslocar-se numa grande distância até ao Hospital de Mavalane para qualquer consulta ou mesmo para pequenos tratamentos.
O facto de não existir no bairro nenhum telefone, nem público nem privado, agravava ainda esta situação, dificultando muito a chamada de
ambulâncias em casos de necessidade.
A par desta situação difícil, e em grande parte como consequência dela, encontramos no bairro mais de vinte seitas religiosas, com cerca de setenta locais de culto fixos e vários outros
em casas particulares.
Paralelamente encontrava-se um Grupo Di namizador essencialmente inoperante, uma OMM a funcionar mas minada por grandes contradições internas e uma OJM que se encontrava reduzida a dois ou três pequenos grupos desorganizados.
2- PLANIFICAÇÃO DO TRABALHO DO DTIP É neste contexto que se realiza a acção do Departamento do Trabalho Ideológico do Partido.
Na sua planificação para 1979, o DTIP tinha decidido fazer um trabalho experimental de mo bilização política em alguns pontos seleccionados como representativos de muitos outros.
De acordo com os resultados dessa experiên cia, a ofensiva seria posteriormente alargada ao nível nacional.
Para a experiência foram escolhidos:
" Um bairro de caniço
° Um bairro de cimento
" Uma escola
" Um hospital
* Uma aldeia comunal
" Uma repartição pública
" Uma fábrica com trabalhadores predomi nantemente femininos
* Uma fábrica com trabalhadores predomi nantemente masculinos.
Analisada a situação em vários bairros de caniço, foi escolhido para o trabalho o bairro do Hulene, por ser daqueles em que os problemas
eram mais graves.
Foi enviada para o bairro uma brigada que deveria fazer um levantamento aprofundado dos problemas existentes.
Paralelamente, o DTIP criou uma Comissão, dirigida pelo Responsável Provincial do Trabalho Ideológico de Maputo, que deveria centralizar os trabalhos.
3-CONSOLIDAÇÃO DA COMISSÃO
A constituição e consolidação deste grupo de trabalho foi difícil e demorada.
Imagem do antigo bazar de pau-a-pique recentemente demolido no bairro do Hulene.
Tendo-se marcado uma reunião semanal para análise dos avanços realizados e resolução das dificuldades surgidas, depressa se começaram a notar grandes anomalias no funcionamento da Comissão.
Essencialmente notava-se um elevado nú mero de faltas às reuniões, normalmente moti vadas por outras tarefas simultâneas, um apare cimento em cada reunião de novos elementos que desconheciam por completo o trabalho e um desaparecimento definitivo de outros elementos.
Estudada a situação, verificou-se que a quase totalidade dos elementos que formavam a Comissão estava sobrecarregada com outras tare fas. O critério pelo qual tinham sido seleccionados, isto é, os bons resultados de outras tarefas de que tinham sido encarregados, se por um lado parecia garantir um bom trabalho, por outro lado compro metia o sucesso da ofensiva, na medida em que estes elementos continuavam afectos às suas outras tarefas.
Tinha sido igualmente definido que as Orga nizações Democráticas de Massas deveriam des tacar alguns elementos para fazerem parte da Comissão. Mas o plano não funcionou, pela razão seguinte: numa semana era destacado um elemen to. Esse elemento tomava nota do trabalho a realizar e assumia compromissos. Na semana se guinte aparecia na reunião outro elemento, igno rando completamente o trabalho e os compromis sos assumidos na reunião anterior.
Todos estes problemas levaram a uma re formulação dos critérios de escolha no interior da Comissão. De uma forma geral procurou-se manter as pessoas que tivessem o menor número de outras tarefas e, dessa forma, pudessem garan tir uma permanência e assiduidade essenciais a este trabalho.
4- INCIO DOS TRABALHOS NO HULENE No início dos seus trabalhos a Comissão realizou, paralelamente, duas tarefas.
Por um lado, executar um reconhecimento físico e geográfico do bairro. Com base nesse reconhecimento foi elaborado um mapa aproxi mado da localização de:
" Fontenários
" Poços e depósitos de água
" Cantinas ou tendas
" Escolas
° Chuveiros e retretes
° Paragens de machimbombo Bares
Depósito de pão
" Posto de venda de gás
° Mercados
° Loja do povo Campo de futebol
° Cooperativa de consumo
* Cooperativa de costura
° Igrejas
Por outro lado, estudar a forma como o
DTIP poderia realizar o seu trabalho no bairro.
Foi decidido criar comissões de moradores para realizarem as tarefas necessárias para a reso lução dos principais problemas da população.
5- 1. FASE DA OFENSIVA
Na primeira fase da ofensiva foi definido que os objectivos a atingir seriam a resolução dos principais problemas que afectavam a vida dos moradores do bairro do Hulene.
Este objectivo veio posteriormente a inte grar-se nos trabalhos que se seguiram à 1. Reunião Nacional sobre Cidades e Bairros Comunais. Ao mesmo tempo, seria a base sobre a qual se poderia começar posteriormente o trabalho mais directa mente ideológico.
Traçados os objectivos e os meios para os pôr em prática, foi convocada uma reunião geral dos moradores do bairro, dirigida pelo Se cretário do Comité Central para o Trabalho Ideo lógico, para o dia 4 de Fevereiro, na Célula A.
Nessa reunião o camarada Jorge Rebelo fez o ponto da situação no bairro e pediu a parti cipação dos moradores, para enriquecerem a ideia comum sobre a situação existente.
Através destas intervenções foi possível ava liar melhor as prioridades nas acções a realizar e acrescentar alguns pontos, a que os trabalhos anteriores não tinham concedido a devida Impor táncia.
No final da reunião o camarada Jorge Rebelo propôs à população do Hulene que se organizasse em comissões de moradores para a resolução dos seus problemas. Esta proposta foi entusiasticamente aceite.
Para implementar esta proposta, a Comissão decidiu subdividir-se -em dez comissões, ficando cada um dos elementos da antiga Comissão como responsável de cada uma das seguintes comissões de moradores:
° Político-cultural Água e telefone
° Abastecimentos
Cooperativas de produção Cooperativas de consumo
° Transportes Saúde
' Conservação de escolas Término de obras
° Assuntos religiosos
Desta forma, dos doze elementos que for mavam inicialmente a Comissão, três, incluindo o Responsável Provincial do Trabalho Ideológico, ficaram na Comissão Político-Cultural. Os outros nove elementos ficaram como responsáveis das outras comissões.
A Comissão Político-Cultural assumiria, para além das suas tarefas próprias, a coordenação e orientação de todos os trabalhos.
Em meados de Fevereiro o Secretário do Comité Central para o Trabalho Ideológico dirigiu na Célula G do bairro uma reunião com respon-
sáveis do Grupo Dinamizador a nível de Círculo e Células, membros do Partido e deputados das Assembleias do Povo residentes no Hulene, respon sáveis da OMM e OJM e das Milícias Populares e Grupos de Vigilância.
No decurso dessa reunião foram democrá ticamente eleitos os elementos que deveriam fazer parte de cada Comissão.
Foi definido que o responsável-adjunto de cada comissão deveria ser um morador do bairro, membro do Partido. O objectivo dessa orientação era que, gradualmente, esses responsáveis-adjun tos fossem assumindo a responsabilidade efectiva da comissão, libertando os elementos do DTIP
para outras tarefas.
A forma como as comissões foram consti tuídas e como realizam o seu trabalho mostraram ser correctas, permitindo uma boa implantação no seio da população que se reconhece nelas e as apoia em trabalho e em dinheiro.
Desde o princípio que se definiu que, a todo o momento, deveriam ser dadas à população contas dos trabalhos realizados e da forma como era gasto o dinheiro das contribuições populares. Foi igualmente criado o hábito de entregar a cada pessoa que contribui financeiramente um recibo comprovativo. Estas medidas permitiram ultrapas sar uma certa desconfiança previamente existente e devida essencialmente a vários casos de desvio
Aspecto geral do novo mercado do bairro do Hulene
Seis meses mais tarde, em Agosto, já são dirigidas por moradores do bairro as Comissões de:
e Abastecimentos
• Transportes
Conservação de escolas
° Término de obras
° Assuntos religiosos
A Comissão Político-Cultural foi dividida, permanecendo os três elementos do DTIP como uma Comissão Central coordenadora do processo e criando uma Comissão Cultural dirigida por um morador do bairro.
de fundos ocorridos no bairro.
6 RESULTADOS DA PRIMEIRA FASE
Os trabalhos da primeira fase da ofensiva do DTIP no Hulene desenvolveram-se nos meses que vão de Fevereiro a Junho. Com a inauiguração em 24 de Junho de uma série de melhoramentos no bairro pode-se considerar encerrada esta fase.
Isto não significa que a actividade das comissões tenha siclo interrompida. Pelo contrario, ela con tinua a fim de consolidar as conquistas alcançadas.
Quais foram, então, essas conqcistas?
Iremos analisá-las comissão a comissão.
AGUA E TELEFONE
Construção de quatro poços, limpeza de vários outros e reparação de avarias em bombas.
Construção de quatro cabines telefónicas públicas, duas das quais já em funciona mento e as outras duas aguardando que a empresa dos telefones possua material para a sua colocação.
COOPERATIVAS DE CONSUMO
Mobilização massiva da população para se tornar sócia da cooperativa de consu mo do bairro. Esta mobilização leva a que a cooperativa tenha subido o seu número de sócios para mais de mil, com uma entrada de contribuições como quo tas que já ultrapassa os 700 000$00.
Abertura de um novo posto de venda da cooperativa, início de obras para a abertura de mais um e negociações com um cantineiro que não utiliza a sua
cantina para comércio no sentido de ele ceder as suas instalações para a abertura de um quarto posto de venda.
Organizadamente, a .
população abastece-se
de água nos fontená- ,,,
rios que recentemente 'Y+ .
foram montados no
bairro. . #I
- COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO
Abertura de duas cooperativas, uma para criação de coelhos e outra para criação de patos.
A de criação de coelhos, que se iniciou com 35 animais Já tem, em Agosto, cerca de cem cabeças.
Entretanto estão em construção mais duas cooperativas de patos e coelhos e estuda-se a localização para a criação
de galinhas e porcos.
- TÉRMINO DE OBRAS
Cobertura das sedes das células J e H e reinício das obras nas células A e D.
Continuação das obras do Centro Cul tural com aumento do palco, colocação de portas e janelas e reboco de parte das paredes internas.
Execução da base de cimento para a torre-suporte do sistema de altifalantes.
A experiência aqui relatada, bem como as experiências de organização de
outros bairros, serviram de base à 1
.'Reunião Nacional sobre Cidades e
Bairros Comunais. São as decisões desta Reunião Nacional que agora orien
tam todo o trabalho de organização das Cidades e Bairros Comunais.
CONSERVAÇÃO DE ESCOLAS
Construção de cercaduras em duas das escolas.
Obtenção de cerca de 400 novas carteiras e recuperação de elevado número de
antigas.
Obtenção de livros escolares e cadernos.
Recuperação dos parques infantis das escolas.
Aquisição de vidros para as Janelas e conserto da instalação eléctrica.
Mobilização de professores e alunos para a conservaçãodo material existente em boas condições.
- COMISSÃO DE SAÚDE
Realização de várias campanhas de edu cação sanitária e nutrição.
Apoio à construção de latrinas.
Abertura de um posto médico com a presença diãria de um enfermeiro e o apoio regular do Hospital de Mavalane.
Envio de moradores do bairro para está gios no Hospital de Mavalane para que possam vir a apoiar o trabalho no posto médico.
- COMISSÃO DE TRANSPORTES Reabertura da carreira de machimbom
bos com terminal no interior do bairro.
Melhoramento das vias de comunicação no interior do Hulene.
COMISSÃO DE ABASTECIMENTOS Abertura do novo mercado e do respectivo
talho.
Fornecimento de galinhas vivas ao mer cado e congeladas à cooperativa de consumo.
Melhoria substancial no fornecimento de géneros às cantinas e controlo destas para evitar o açambarcamento e espe culação.
Fornecimento de pão através da loja do Povo e cooperativa de consumo e aber tura de novos postos de venda. Quando não há problemas de farinha ou trans portes, o fornecimento diário de pães ao bairro atinge cerca de 9 000.
Desmantelamento do sistema que existia de os responsáveis de qualquer estrutu
ra política passarem à frente nas bichas da população.
- COMISSÃO POLITICO-CULTURAL Realização, com o apoio da Direcção Na cional de Habitação, de um recensea
mento do bairro, cujos resultados está0ý em fase final de compilação.
Realização regular (semanalmente)
Este depósito, construído fio âmbito da ofensiva desencadeada pelo DTIP no Hulene, permitiu melhorar o abastecimento de água à população.
espectáculos de cinema, teatro e música.
Abertura de uma biblioteca pública e preparação de outra que aguarda apenas o final das obras no Centro Cultural para a sua instalação.
Instalação de um sistema de altifa lantes.
Curso e palestras para mobilizadores familiares.
Distribuição de cartazes da DNPP.
Coordenação e apoio às actividades de todas as outras comissões.
7 - CONCLUSõES DA PRIMEIRA FASE
Como conclusões úteis a tirar da primeira fase dos trabalhos no Hulene podemos contar as seguintes:
" Necessidade de um certo profissionalis mo na Comissão Coordenadora e dos
responsáveis das comissões. Isto signi fica uma grande disponibilidade de tem po para o trabalho e não ter outras tarefas que se sobreponham.
" Grande importância das reuniões sema nais para analisar o trabalho realizado - definir as tarefas para a semlan e-
1
¶
As crianças do bairro i
do Hidene brincam P num dos p.ixques
infantis construfdos 7 - - '- ;'¿: f
com base em recur- - -:
sos locais.
gunte, Estas reuniões foram o grande mofor do 'vanço dos trabalhos.
Necessidade de um elemento que s%.
capaz de se encarregar de uma tesouraria que lida ecm centenas de contos e de, a todo o romentLo, poder apresentar contas.
Grande importncia de uma permanên cia da Comissão Coordenadora no bairro, com freouència.
Grande importaneia da criação de rela ções democrrticas no decorrer do tra balho, ate a população sentir os elemen tos de fora como sendo gente do bairro.
Para isto é necessária a maior clareza nas relações com o povo e uma explica ção exaustiva de cada acção a desenvol ver, berm como um espírito aberto às ideias e sugestões da população.
8- INICIO DA SEGUNDA FASE
Após o dia 24 de Junho, tendo atingido alguns dos principais objectivos previstos para
a primeira fase dos trabalhos, iniciou-se a segunda.
A oova fase caracteriza-se essencialmente por uni trabalho le carácter mais ideológico e ligado as e.tt, uras poííticas do bairro.
A data de 24 de Jinho nao se pode consi derar comno u ia sep taç' rígida entre as duas fases, Depois de I or.íou o trabalho das comis sões e jd aýtes d i. se fa ti abalho ideológico no bai-rc
Fst.io no epctáiculos de cinema e de flatro , - ¿ eoran: e u apresentados ao
Squanto o tempo n o Ú'etro Cultural.
:co criação dos , o
plestras que
foram dados a estes elementos.
Os mobilizadores são moradores do bairro escolhidos pelo critério de um mobilizador para cada dez famílias, incluindo a sua própria. A sua tarefa é transmitir às famílias que lhe correspon dem as orientações do Partido e recolher a opi nião dessas famílias para a transmitir ao Partido.
Este tipo de estrutura exige um grande apoio por parte das estruturas centrais do Partido, sob pena de desmobilizar rapidamente.
Após o 24 de Junho, e dando cumprimento às orientações da 1.' Reunião Nacional sobre Cidades e Bairros Comunais, iniciaram-se os tra balhos para a reestruturação do Grupo Dinami zador e sua adaptação às novas tarefas.
Para esse efeito realizaram-se quatro reu niões com responsáveis de todas as estruturas existentes no bairro - Grupo Dinamizador de Círculo e Células, membros do Partido e deputados residentes no bairro, responsáveis da OMM e OJM, das Milícias Populares e Grupo de Vigilância, mobilizadores familiares e membros das comissões de moradores.
Nessas reuniões foi explicada claramente a nova orientação que devem seguir os Grupos Dinamizadores e as suas funções essencialmente administrativas.
Fez-se em seguida uma ampla e profunda crítica e autocrítica dos elementos do actual Gru po Dinamizador como forma de evitar de futuro os erros e desvios cometidos até aqui.
Por fim fez-se a eleição de candidatos aos cargos de Secretário e Secretário-Adjunto do Grupo Dinamizador.
Escolhidos esses elementos, realizou-se uma reunião geral de moradores do bairro, onde se repetiu o processo de crítica e autocrítica e foram poste riormente apresentados os dois candidatos.
A papulação do bairro confirmou a candidatura 1 , i
dos dolt- ÚT~3,-j., x zI 'ora ser apresentada às estruturas centrais do Partido.
Na mesma altura iniciaram-se as emissões do sistema de altifalantes do bairro. Este sistema, montado junto ao Centro Cultural, é formado por uma cabine, apetrechada com microfones, gira -discos, gravador e amplificador, por uma torre de cerca de dez metros de altura e quatro potentes altifalantes, que podem ser ouvidos em todo o
*bairro.
Diariamente realizam-se d u a s emissões uma de manhã e outra ao fim da tarde, onde são transmitidos programas políticos, culturais e de divertimento, noticiários em cadeia com a Rádio Moçambique e informações de interesse para o bairro (reuniões, mensagens pessoais, crianças perdidas, etc.). Ao domingo à tarde um programa desportivo transmite os relatos dos jogos de fu tebol em cadeia com a RM.
Este sistema, a que a população do bairro chama a «Rádio do Huýene». ganhou rapidamente grande popularidade ÷ é um poderoso meio de mobilização popular.
Igualmente foram iniciados processos de reestruturação da OMM e da OJM.
Em relação à primeira daquelas organiza ções de massas, o trabalho tem-se mostrado difícil devido ao elevado número de contradições internas e a um clima de intriga que não permite um avanço seguro. Está-se neste momento a fazer um inquérito à situação, como forma de se poder posteriormente continuar o trabalho de forma correcta.
No que diz respeito à OJM, a quase com pleta inexistência de estruturas desta organização no bairro se, por um lado, dificulta um pouco o arranque dos trabalhos, por outro lado permite um avanço mais rápido e correcto do que no caso da OMM.
Igualmente parece importante uma reestru turação dos Grupos de Vigilância e das Milícias Populares, como forma de engajar estas estruturas de uma forma mais correcta no processo que
decorre no bairro e de evitar alguns desvios e ca sos de abuso de poder que, por vezes, se registam.
Não foi, no entanto, possível até ao momen to iniciar este processo.
9- CONCLUSÕES DA SEGUNDA FASE
Em relação a esta segunda fase que decorre, ainda não é possível fazer juizos definitivos. No entanto há aspectos que desde já se podem apon tar.
" Razoável amadurecimento político dos moradores do Hulene, patente nas reu niões realizadas para reestruturação do Grupo Dinamizador.
" Necessidade de uma rápida profissiona lização de alguns quadros do novo Grupo Dinamizador. Esta necessidade torna-se mais imperiosa para se poderem ímple mentar as orientações do camarada Pre sidente do Partido FRELIMO sobre re quisições do Partido às empresas. No caso do Hulene parece-nos indispensável a profissionalização de 4/5 elementos sob pena de o processo ser travado e mesmo regredir.
" Boa aceitação e eficácia do sistema de altifalantes.
" Eficácia dos mobilizadores familiares desde que convenientemente apoiados.
RESULTADOS DO RECENSEAMENTO População do bairro ...
Número de famílias ...
Percentagem de homens ...
Percentagem de mulheres ...
Crianças com menos de 6 anos ...
Crianças e jovens com menos de 16 anos Pessoas com mais de 60 anos ...
30 910 5 714 49%
51%
27%
51%
Quase todas as casas são propriedade dos mora dores.
A luta pela libertação do Zimbabwe tem sido intensificada no decorrer das últimas sema nas, com sucessos marcantes no plano diplomático, político e mi litar. No interior do Zimbabwe, com o crescente apoio e parti cipação das massas populares, os combatentes da liberdade conti nuam a infligir sérios reveses às forças inimigas, ao mesmo tempo que na Conferência de Lancaster House, em Londres, a Frente Patriótica afirma e re força o seu prestígio internacio nal, como o único e legitimo re presentante do povo do Zimba bwe.
As conversações de Londres constituem por si só uma vitória, reflectindo os desaires sofridos pelo imperialismo ao tentar o reconhecimento Internacional para o regime ilegal de Salisbú ria e o chamado «acordo inter no». O poder colonial, a Grã -Bretanha, que publicamente de clarou o seu apoio ao regime de Salisbúria e a sua intenção de unilateralmente cessar as san ções impostas à Rodésia, foi for çado a alterar as suas posições face ao inequívoco apoio inter nacional de que goza a Frente Patriótica.
Isto foi claramente manifes tado no acordo de 5 de Agosto durante a Conferência da Com monwealth, em Lusaka, na qual a Grã-Bretanha teve de aceitar a sua responsabilidade na desco lonização do Zimbabwe, e de reconhecer que a Constituição adoptada pelo regime ilegal de veria ser substituida por um do cumento democrático. A Grã -Bretanha teve igualmente de concordar que a Frente Patrió tica deveria ser envolvida nas negociações e que havia a neces sidade de realização de eleições livres e democráticas e que de veria ser convocada uma con ferência sobre a independência do território.
Depois disto, tem-se falado muito sobre as «concessões» e
«compromissos» da Frente Pa triótica durante as conversações de Londres. De facto, as altera ções fundamentais têm-severifi cado não pela parte da Frente Patriótica, mas da parte do poder colonial. Estas mudanças, ma
nifestadas primeiramente n o acordo de Lusaka durante a 16
conflerência de Londres sobre o Zimbabwe
Conferência da Commonwealth, reflectem um recuo das posições imperialistas face aos sucessos alcançados pela Frente Patrióti ca. É contudo uma estratégia de recuo e não uma rendição.
O Imperialismo encontra-se numa nova situação e natural mente espera manobrar a seu favor nas novas condições cria das, prosseguindo a guerra de agressão contra o povo do Zim babwe e contra os Estados da Linha da Frente.
A Conferência de Lancaster House começou a 10 de Setem bro com a presença de delega ções da Frente Patriótica, do Governo britânico e do regime ilegal. 0 Conferência convocada pelos britânicos tem como pre sidente, o Ministro dos Negócios Estrangeiros Inglês, Lord Car rington.
O poder colonial iniciou a Conferência com algumas van tagens. Entre elas, a sua longa experiência de manobras em ne gociações com os movimentos nacionalistas das suas antigas colónias, e o grande apoio ma ciço fornecido por grande parte da informação ocidental. A Fren te Patriótica, por seu turno, tem comparativamente pouca expe riência neste tipo de negociações e tem de contar com o facto de que os interesses da imprensa capitalista ocidental, que mani pula milhões de pessoas, são fun damentalmente opostos aos an seios do povo zlmbabweano.
É bastante claro que as for ças representativas do imperia lismo, compelidas a aceitar con versações pelas vitórias alcan çadas pela Frente Patriótica e pelas pressões feitas pela comu nidade internacional, esperam usar a conferência para legiti mar o regime ilegal rodesiano e marginalizar a Frente Patrió tica.
Tremendos esforços têm sido feitos para apresentar o grupo de Salisbúria como um governo africano, confrontado com um bando de intransigentes «terro ristas.»
Os membros do regime ile gal têm sido constantemente mencionados na imprensa capi talista como «ministros» e, mes mo, como «líderes nacionalistas».
Em paralelo, a imprensa bri tânica tem publicado desde o inicio da conferência artigos emanados de Salisbúria, tentan do apresentar a falsa imagem de uma Frente Patriótica divi dida por profundas divergências internas e os seus guerrilheiros como assassinos impiedosos das populações civis. Como exemplo demonstrativo da intransigência da Frente Patriótica, a questão dos lugares reservados às dele gações à Conferência, levantada pela Frente Patriótica, foi apre sentada pela imprensa reaccio nária, como uma «provas de que a Frente não tinha propósitos sérios a respeito da Conferência, sendo seu objectivo sabotá-la.
No entanto, não foi mencio nado que a questão dos lugares foi rapidamente resolvida após alguns minutos de discussão.
As razões desta campanha tornaram-se claras logo no iní cio, quando o regime de Salisbú ria anunciou que a sua estadia em Londres era meramente para discutir com os britânicos algu mas alterações na presente «cons tituição». Os representantes do regime pretendiam uma consti tuição revista, aprovada pelos britânicos, e regressarem a Salis búria para a implementarem, marginalizando a Frente Patrió tica.
Isto estava em clara con tradição com o que tinha sido
acordaco u , o britânico, embora o seu intento fosse ajudar o regime rodesiano, não podia fazer publicamente a apologia das posições de Salis búria. De acordo com o docu mento subscrito em Lusaka, a Frente Patriótica deveria ser en volvida na Conferência e as dis cussões sobre o período de tran sição estariam incluídas na agen da de trabalhos. Os britânicos propuseram uma agenda para a Conferência, dividida em duas partes: a primeira relativa à constituição para o futuro país independente e a segunda envol vendo a problemática das elei ções e outros assuntos decorren tes do período de transição, ante rior à independência.
Nesse sentido, o ponto nú mero um da agenda - a consti tuição para a independência poderia ser concluído com um acordo assinado pelos britânicos, pela Frente Patriótica e pelo regime ilegal. A Conferência po deria então ser sabotada, as culpas atribuídas aos *intransí gentes e divididos terroristas»
e a nova constituição seria to mada p^Ao regime ilegal no sen tido de a implementar sem a participação da Frente Patrióti ca. O imperialismo reuniria então as condições necessárias para pedir o levantamento interna cional das sanções contra a Ro désia, citando inclusivamente o facto de a Frente Patriótica ter aceitado a nova constituição.
A Frente Patriótica «furou»
este esquema e apresentou os seus argumentos para um acor
do global à comunidade interna cional. A sua posição era mani festamente justa e os britânicos foram forçados a concordar que
«nenhum acordo sobre a consti tuição poderia ser atingido, a não ser que fosse atingido um acordo em todos os pontos apre sentados na agenda. O acordo sobre a constituição é contin gente a um acordo sobre as estru turas do período de transição incluindo as questões relativas ao exército>.
Isto foi uma importante vi tória para o movimento de liber tação e um desaire para os inte resses imperialistas.
Desde então, têm havido várias disputas sobre os mais
diversos assuntos que possam levar a um acordo. Em todas essas disputas a Frente Patrió tica tem energicamente defendi do os mais altos interesses do povo do Zimbabwe. Em contra partida, o punhado de zimba bweanos que optaram por servir o regime nascido a partir da Declaração Unilateral de Inde pendência (UDI), tem mostrado ao mundo o seu papel de meros agentes da minoria racista.
Assim, estes aceitaram ime diatamente a proposta britânica para que continuassem a haver no Parlamento lugares reserva dos para os deputados brancos, eleitos exclusivamente pela mi noria branca, enquanto a Frente Patriótica resistia a esta imposi ção. Só quando os britânicos agi ram no sentido de interromper a Conferência, o movimento de li bertação viria a aceitar aquela proposta, não sem no entanto ter exigido garantias do poder colo nial de que os deputados selec cionados em termos raciais, não teriam mais poder do que é atri buído normalmente aos repre sentantes dos pequenos partidos minoritários nos parlamentos de outros países.
Através do debate sobre a constituição, tornou-se ainda mais evidente que havia apenas duas partes envolvidas na Con ferência: a Frente Patriótica, por um lado, e o poder colonial e o regime ilegal, do outro. O próprio regime está dividido em várias facções, mas sempre de acordo com os propósitos imperialistas de garantir uma solução neocolo nial como única hipótese de sobrevivência, dado que não é possível ganharem a guerra con tra o povo do Zimbabwe liderado pela Frente Patriótica.
Assim, quando a maior con frontação sobre a questão cons titucional teve lugar - sobre a questão das terras - o regime ilegal aceitou de imediato as exi gências britânicas, de que o go verno do futuro Zimbabwe inde pendente deveria pagar compen sações aos colonos cujas terras
fossem alvo de uma nova redis tribuição. Isto seria aplicado mesmo aos colonos que já não vivessem no Zimbabwe e envol veria largas somas de moeda convertvel. Na prática, esta ques-
tão representa um veto soore a capacidade do futuro governo em proceder à redistribuição das terras.
A Frente Patriótica recusou aceitar essa exigência. O Gover no britânico decidiu então igno rar a Frente Patriótica e negociar apenas com o regime ilegal, em flagrante violação dos princípios acordados em Lusaka.
Esta nova manobra para tentar marginalizar a Frente Patriótica falhou igualmente.
A Frente Patriótica havia já demonstrado ao mundo duas coisas: que defenderia por todos os meios os interesses populares, e que a sua atitude face às negociações por um processo de descolonização legítimo era séria e honesta. Isto levou à interven ção da Commonwealth, cujo Se cretário-Geral lembraria aos bri tânicos as suas obrigações nos termos do acordo de Lusaka.
Na mesma altura um comunica do emitido pelos Países da Linha da Frente declarava o seu 'apoio à insistência da Frente Patriótica de que o governo britânico deve ria garantir fundos de compen sação à disposição do futuro governo do Zimbabwe.
Face à vigorosa oposição internacional aos intentos britâ nicos, estes finalmente concor daram em garantir que os fun dos seriam estabelecidos. A Con ferência provou assim, com um crescente prestigio para a Frente Patriótica, que é o movimento de libertação que verdadeiramen te defende o direito do povo à terra.
Contudo, o acordo sobre a nova constituição não resolveu por completo o processo do Zim babwe. Questões fundamentais relativas às eleições, á organiza ção militar e administrativa du rante o período de transição ainda têm de ser acordadas.
Nesta fase de discussão o impe rialismo tentará sem dúvida ma nobras ainda mais desesperadas para marginalizar a Frente Pa triótica ou conduzir eleições pou co legitimas. O imperialismo sabe que todos os seus candidatos estão desacreditados aos olhos do povo do Zimbabwe e que, em eleições claras e livres, a Frente Patriótica obterá com certeza a vitória.
, dos problemas que mais afectam a nossa ' O, principalmente nas grandes cidades, é e d haate.entcs. Todos sabemos qiue, em mui
t e;nanos ainda de perder horas nas b; %a p, r ,:.nseguirmos obter os produtos de pri
r,, e < IJa"pe como a farinha, o óleo, o pão, a ci e sabã ( _ o arroz, o açúcar, etc.
A 'ie se deve esta situação? Como já explicá o .e .z da Revolução- n. 66, texto ,Porquê a.. ch » esta situação é consequência, por
T , ;a pada herança colonial e, por outro d~s , s próprias insuficiências.
S0 jrçse ipreos eliminar totalmente as bichas brob
s steeientos quando aumen :i ':« mais a produção e a produti 1d em todos o, sectores, miarndo melhorarmos .' a rede de dístibução dos produtos,
quando elevarmos muito mais o nosso grau de organização,
Uma das formas concretas de organização de que dispomos para enfrentarmos as dificuldades de abastecimento, são as cooperativas de consumo.
Elas constituem uma poderosa arma na luta contra as bichas, elas permitem-nos um acesso mais fácil aos produtos de primeira necessidade. Na fase difícil que hoje atravessamos, no que respeita ao abaste cimento das grandes cidades, a organização em cooperativas de consumo permite-nos superar ou minorar grande parte dos problemas com que nos debatemos, Além disso, na cooperativa de consumo não somos explorados nos preços. Como é isto possível?
O QUE É A COOPERATIVA DE CONSUMO
Urna cooperativa de consumo é uma associa ção de pessoas e famílias que se organizam num local de residência, para resolverem colectivamente um problema comum a todos: o problema dos abas tecimentos.
Fssa acção é dinamizada e enquadrada pelo nosso Partclo FRELIMO e recebe todo o apoio do nr.se h'tdo P,'pular.
Como é que a cooperativa de consumo permite resolver, em parte, o problema dos abastecimentos?
Vamos supor que um grupo de duzentas famí lias, com um total de mil e duzentas pessoas, resi dentes numa determinada célula, formou uma coo perativa. Antes disso, cada uma dessas duzentas famílias tinha de andar, de cantina em cantina, em longas bichas, para obter o arroz, o açúcar, o óleo, etc. Como fazem agora essas duzentas famí lias, organizadas numa cooperativa, para obter esses produtos?
Tomemos o arroz como exemplo. Os responsá veis da cooperativa dirigem-se à empresa estatal
encarregada da distribuição do arroz e comunicam -lhe as necessidades da cooperativa neste pro duto. A empresa estatal atribui então à cooperativa uma cota, ou seja uma determinada quantidade de arroz que lhe será fornecida todas as semanas.
Dentro das possibilidades existentes, essa quan tidade deverá ser suficiente para abastecer as mil e duzentas pessoas abrangidas 15ela cooperativa.
O arroz atribuído à cooperativa é depois distribuído semanãlmente aos membros, de acordo com o número de pessoas que tem a respectiva família (agregado familiar). Assim, uma família com seis pessoas, por exemplo, receberá duas vezes mais do que uma que tenha apenas três pessoas.
Como é feito um contrôle na venda do arroz aos membros, assegura-se assim que a distribuição se faça entre todos de uma forma justa. Como todos têm uma determinada quantidade de arroz assegurada todas as semanas (quota semanal), então não há necessidade de formar bicha, nem se corre o risco de chegar a nossa vez e o arroz ter acabado.
OUTRAS VANTAGENS
DA COOPERATIVA DE CONSUMO
Mas dissemos atrás que, através das coopera tivas de consumo, evitamos igualmente ser explora dos nos preços dos produtos. Como é isso?
Em primeiro lugar, é preciso compreendermos como é que somos explorados na cantina privada.
Qual é o objectivo do cantineiro ao abrir o seu negócio? É obter lucros tão altos quanto possível -o seu único objectivo é ganhar dinheiro. Então, ele também vai comprar o arroz, em grandes quan tidades, mas depois procura vendê-lo o mais caro
possível, a fim de o seu lucro ser maior. Além disso, muitas vezes falsifica a balança, para obter um lucro suplementar na pesagem. Sucede ainda que, quando há grande escassez de um produto, ele só vende uma parte do que comprou e guarda o r6sto para os amigos ou para aqueles que estão dispostos a pagar um preço especulativo.
Estes são casos que todos nós conhecemos pela nossa própria experiência. Não quer dizer que todos os comerciantes sejam desonestos, mas sabe
mos que isso sucede com frequência
P o r é m, mesmo que seja um comerciante honesto e não pratique a especulação ou o açam barcamento, a sua preocupação, quando recebe um produto, é despachá-lo o mais depressa oossível.
a fim de realizar mais rapidamente o seu lucro.
Assim, mesmo que esteja a faltar o arroz, por exem plo, ele não se importa de vender dez ou vinte quilos a cada pessoa- o que quer dizer que o arroz acabará rapidamente e a maioria ficará de mãos a abanar, muitqs vezes depois de ter espe rado longas horas na bicha.
Outro problema é que, se chegarmos cedo à bicha podemos conseguir o arroz numa cantina - mas depois já não temos tempo para ir à bicha da outra cantina que tem o açúcar, por exemplo.
Todos estes problemas desaparecem quando formamos a cooperativa de consumo. Aí, como já explicámos, cada membro tem guardada a sua quota semanal de arroz, açúcar, óleo, farinha, etc.
Portanto, não precisa de se preocupar em ir cedo para a bicha, nem precisa de correr de loja em loja à procura dos produtos, ou então de distribuir os filhos (que por isso faltam'à escola) pelas diver sas bichas a fim de obter aquilo que necessita.
Outro aspecto ainda é que a cooperativa fica lá, no nosso bairro, na nossa célula, e não precisa mos de acordar às 3 horas para ir formar bicha na cidade.
E porque é que os preços na cooperativa são mais baixos? Porque, enquanto o comerciante pri vado, mesmo o mais honesto, procura obter gran des lucros, pois o seu objectivo é ganhar dinheiro, na cooperativa o objectivo é servir o Povo, somos nós próprios que nos organizamos para resolver os nossos problemas. Assim, os produtos na coope rativa são vendidos apenas com um pequeno lucro que se destina à manutenção da própria coopera tiva-pagamento dos empregados, compra de mais produtos, etc.
Quem são os donos da cooperativa? Somos nós próprios, os membros. Quem administra a coo perativa? Somos nós próprios, os membros. Por tantp, não há lugar para a exploração. A haver exploração, estaríamos a explorar-nos a nós pró prios. Por isso a cooperativa vende mais barato, lá não existe a especulação nem o açambarca mento.
Estas são as grandes vantagens das coopera tivas de consumo.
NUNCA HÁ FALTAS
NAS COOPEATIVAS DF CONSUMO?
Esta é uma pergut_ que muitos de nós pode rão fazer. E a resposta é: por vezes também há faltas na cooperativa de consumo.
Isto sucede porque, na fase em que estamos, ainda não produzimos o suficiente para as neces sidades de toda a população. Assim, também na cooperativa de consumo falta por vezes, na fase
em que estamos, o arroz, ou o açúcar, ou o óleo.
Qual é então a diferença?
A diferença é que, na cooperativa, se esta semana não há arroz, é porque o produto não che gou, mas chegará na próxima semana e lá teremos então a nossa quota guardada, sem necessidade de fazer bicha.