DIREITO ADMINISTRATIVO Resumo 3
Princípios da Administração Pública
▪ “O direito administrativo brasileiro consiste no conjunto harmônico dos princípios jurídicos que regem os órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a realizar concreta, direta e imediatamente os fins desejados pelo Estado”. (Hely Lopes Meirelles).
▪ Regime jurídico administrativo – regime de direito público (respeitando a supremacia e a indisponibilidade do interesse público).
1)Princípio da legalidade
* A Administração Pública só pode atuar conforme a lei autorize e determine.
* Os atos ilegais podem ser anulados pela própria AP (princípio da autotutela) ou pelo Poder Judiciário.
2) Princípio da impessoalidade
* Ausência de subjetividade no exercício da atividade administrativa (exemplo é a vedação ao nepotismo, a necessidade de licitação).
3) Princípio da moralidade
* O administrador público deve atuar com honestidade, ética, transparência, boa- fé e probidade.
* Penalidades aplicáveis àquele agente público que fere o princípio da moralidade: sanções administrativas (perda da função pública); sanções políticas (suspensão dos direitos políticos) e sanções civis (obrigação de ressarcir ao erário e declaração de indisponibilidade dos bens).
4) Princípio da Publicidade
* Trata-se da acessibilidade dos administrados aos atos praticados pela Administração Pública.
* É condição de eficácia aos atos administrativos.
* O administrado pode reclamar a publicidade dos atos da Administração Pública por meio de “direito de petição” e pela expedição de “certidões”.
* A publicidade deve ser em órgão oficial da AP – diário oficial ou jornais contratados para publicação de atos oficiais. Além disso, podem os atos serem fixados na sede das prefeituras, câmaras municipais e assembleias legislativas.
5) Princípio da eficiência
* Satisfação das necessidades de modo menos oneroso para a Administração Pública.
Outros princípios:
- Princípio da supremacia do interesse público sobre o do particular.
- Princípio da indisponibilidade do interesse público (o administrador deve atuar nos limites da lei).
- Princípio da autotutela (É a possibilidade de revisão dos atos praticados pelo administrador público; pode resultar em anulação dos atos ilegais ou revogação dos atos inconvenientes ou inoportunos).
- Princípio da continuidade dos serviços públicos (Exceção são os casos de urgência e aviso prévio ao usuário do serviço público).
- Princípio da tutela ou controle (da Administração Pública direta sobre a AP indireta – “controle externo”).
- Princípio da isonomia (igualdade formal e material).
- Princípio da motivação (o administrador deve motivar, justificar, expressar todos os atos que edita; com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos).
- Princípio da razoabilidade e proporcionalidade (adequação, necessidade ou exigibilidade e proporcionalidade strictu sensu).
- Princípio da boa-fé ou confiança
• Os atos praticados pela Administração Pública podem ser “convalidados”
quando observada a possibilidade de correção de vícios superáveis no ato.
A “Convalidação” também é chamada de aperfeiçoamento ou sanatória.
- Princípio da segurança jurídica
* garante a estabilidade do sistema jurídico.
Poderes da Administração Pública
▪ É uma prerrogativa da AP para buscar a supremacia e indisponibilidade do interesse público.
▪ Compõem a estrutura do Estado e integram a organização constitucional.
▪ “Poder – dever” de agir no interesse da coletividade.
▪ Características
*Irrenunciabilidade (obrigação de agir no interesse da comunidade).
* Observância ao princípio da legalidade (O administrador público só pode fazer o que a lei manda). O “abuso de poder” ocorre quando há excesso de poder (o administrador vai além do que por lei está determinado) ou desvio de finalidade (ou desvio de poder), que é o disfarce na conduta praticada pelo agente.
*Limite de competência (evitar o “excesso de poder”).
*Observância aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade.
Poderes em espécie
▪ Poder vinculado ou regrado – o agente público deve estar inteiramente preso ao enunciado da lei.
▪ Poder discricionário – o agente público pode lançar mão de um juízo de valor e de conveniência e oportunidade para escolher qua a melhor opção no caso concreto.
▪ Poder disciplinar – é a possibilidade de o agente público aplicar sanção a um de seus subordinados em razão de prática de falta disciplinar. O agente público que sofrer sanção disciplinar pode defender-se sem auxílio de advogado (defesa técnica, sem que isso resulte em ofensa ao princípio da ampla defesa).
▪ Poder hierárquico – é o instrumento por meio do qual o Executivo distribui e escalona as funções de seus órgãos, ordena e rever a atuação de seus agentes, estabelecendo a relação de subordinação entre os servidores de seu quadro de pessoal.
▪ Poder de Polícia – limita a atuação o particular em nome do interesse público.
Incide sobre a liberdade e a propriedade e não pode ser delegado para entes da iniciativa privada, exceto os atos materiais ou de mera execução.
O poder de Polícia possui os seguintes atributos; discricionariedade, autoexecutoriedade (independe e autorização do Poder Judiciário) e coercibilidade.
É autorizado à AP a aplicação sumária e sem defesa de sanção em situações urgentes, quando o particular agir de modo a pôr em risco a segurança ou a saúde pública ou quando tratar de situação de flagrância.
O poder de polícia é indelegável. O caso do capitão de navio é uma exceção a essa regra (Celso A. Bandeira de Mello).
▪ Poder regulamentar ou normativo – exercido quando o chefe do Executivo
“complementa a lei” por meio de ato normativo secundário (ex. Portaria, decreto, edital, circular).
Regulamentos autônomos ou independentes = são aqueles editados pela autoridade competente para dispor sobre matérias constitucionalmente reservadas ao Executivo.
Atos administrativos
▪ É toda manifestação de vontade da Administração Pública.
Classificação
▪ Ato simples – é uma única manifestação da vontade. Pode ser singular ou colegiado.
▪ Ato composto – mais de uma manifestação de vontade e agentes em patamar de desigualdade no mesmo órgão.
▪ Ato completo – mais de uma manifestação de vontade e agentes em patamar de igualdade em órgãos diferentes.
▪ Quanto aos destinatários pode ser: gerais (erga omnis) ou normativos;
individuais ou especiais (singular ou plúrimo – exemplo: lista de aprovados em concurso).
▪ Quanto à exequibilidade podem ser: perfeitos (possuem todos os elementos necessários a sua execução); imperfeitos; pendentes (quando falta fator de eficácia para produção dos efeitos); e consumados.
Atributos
▪ Presunção de legitimidade (é relativa, ou seja, admite prova em contrário a administrado que alegar ilegalidade do ato).
▪ Autoexecutoriedade (exigibilidade + executoriedade).
▪ Tipicidade (o ato administrativo deve corresponder a figuras previamente descritas na lei).
▪ Imperatividade – o ato administrativo constitui unilateralmente em obrigações do administrado.
Elementos ou requisitos dos atos administrativos
▪ Forma – modo de exteriorização da vontade (regra: forma escrita – princípio da solenidade).
Vícios de forma:
a) Meras irregularidades (ato será válido).
b) Vícios sanáveis (ato é anulável, permite convalidação).
c) Vícios insanáveis (ato é nulo).
▪ Finalidade- busca do interesse público.
▪ Sujeito competente
- A competência (inerente ao cargo ocupado) é irrenunciável.
- A competência é definida:
a. Em razão da matéria (especificidade da função a ser exercida);
b. Em razão da hierarquia;
c. Em razão do lugar;
d. Em razão do tempo.
Em situações excepcionais a competência poderá ser delegada (delegação) e acocada (avocação).