Curso Regular - FESUDEPERJ
Professor Valcir Spanholo
Juiz Federal da 21ª Vara Federal do foro nacional de Brasília Mestre em Direito Constitucional
Professor de Constitucional, Tributário e Financeiro para cursos preparatórios Professor de Constitucional e Financeiro para cursos de pós-graduação
Professor multidisciplinar de Informativos do STF e do STJ
@prof.valcir.spanholo.novo (Instagram)
Prof. Valcir Spanholo (YouTube)
ROLANDO VALCIR SPANHOLO
(Valcir):
Juiz Federal Substituto do foro nacional de Brasília(com lotações anteriores em Anápolis-GO e na Turma Recursal de Goiânia). Foi borracheiro, lavador de carros, costureiro, vendedor, estagiário da advocacia, advogado (por 15 anos, com foco nas áreas do Direito Administrativo, Tributário, Previdenciário e Empresarial), assessor jurídico municipal e Procurador-Geral de Município. Mestre em Direito Constitucional pelo IDP/DF e com especialização
latu sensupela AJURIS/RS.
Alcançou o 1º lugar na prova oral do concurso para Conselheiro Substituto do Tribunal de Contas do Rio
Grande do Sul (94,11 pontos). Desempenhou as funções de presidente da turma dos aprovados no XV
Concurso de Juiz Federal do TRF1 (no qual obteve a 13ª colocação dentre os 58 aprovados), bem como
integrou a equipe de Juízes Federais Orientadores (módulo prático) do Curso de Formação dos aprovados no
XVI Concurso de Juiz Federal do TRF1.
Já, no campo dos concursos públicos, obteve aprovações parciais (fases) ou finais em certames relacionados aos seguintes cargos: 1) de Promotor de Justiça doRS; 2) de Procurador do Estado do RS; 3) de Juiz do Trabalho Substituto do TRT4 (RS); 4) de Juiz de Direito
do TJSC; 5) de Juiz de Direito do TJMS; 6) de Conselheiro Substituto do Tribunal de Contas do MS; 7) de
Auditor Externo do Tribunal de Contas do RS; 8) de Conselheiro Substituto do Tribunal de Contas do RS; 09)
de Procurador da Fazenda Nacional; 10) de Juiz Federal Substituto do TRF5; 11) de Juiz Federal Substituto do
TRF3; 12) de Juiz Federal Substituto do TRF4; 13) de Juiz Federal Substituto do TRF1.
AULA TEMAS HORAS AULA 1.I.h Direitos sociais:Direitos Sociais.Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.
Democracia e Direitos Políticos. Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos. Nacionalidade
1:00:00
AULA 1.I.i Garantias constitucionais: Ações Constitucionais: mandado de segurança individual e coletivo. 3:00:00 AULA 1.I.j Ações constitucionais Ações Constitucionais: mandado de injunção, habeas data. 2:00:00
AULA 1.I.j Ações constitucionais:ação popular e ação civil pública 2:00:00
AULA 1.II.a Organização do Estado:Estado Unitário e Estado Composto. Federação: origem, características, princípios. Federação Cooperativa. Repartição de Competências administrativas e legislativas.
3:00:00 AULA 1.II.a Organização do Estado:A União. O Estado. O Distrito Federal. O Município: características dos entes e
suas autonomias.
1:00:00
AULA 1.II.b Intervenção Federal. Intervenção Estadual. Ação direta interventiva. 2:00:00 AULA 1.II.c Organização dos Poderes: Poder Legislativo. Estatuto dos Congressistas 2:00:00
AULA 1.II.c Organização dos Poderes: Processo Legislativo. 1:00:00
17:00:00
AULA 1.I.j: Ações Constitucionais: mandado de injunção e habeas
data.
1)MANDADO DE INJUNÇÃO 1.1) OBJETO:
Art. 5º (...).
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma REGULAMENTADORA torne inviável o exercício dos DIREITOS e LIBERDADES constitucionaise das PRERROGATIVAS inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;
Art. 2º (lei 13.300/16 – Lei do Mandado de Injunção) - Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta TOTAL ou PARCIAL de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.
Parágrafo único. CONSIDERA-SE PARCIAL a regulamentação quando forem INSUFICIENTES as normas editadas pelo órgão legislador competente.
=> OMISSÃO PARCIAL pode ser:
a) PARCIAL PROPRIAMENTE DITA (quando a lei existe, mas regula de forma deficiente o texto);
b)PARCIAL RELATIVA (quando a lei existe, outorgando determinado benefício a certa categoria, porém deixando de conceder a outra que deveria também ter sido contemplada – caso da isenção IPI veículos aos deficientes auditivos);
=> Regulamentação APENAS de norma CONSTITUCIONAL (não de norma INFRACONSTITUCIONAL);
ESPÉCIES DE INCONSTITUCIONALIDADE:
I)INCONSTITUCIONALIDADE POR AÇÃO:
=>edição de leis ou atosnormativosincompatíveis, no sistema vertical de normas, com a Constituição;
=> por VÍCIO FORMAL (incompatibilidade no processo de formação – por exemplo, usar lei ordinária no lugar de LC) X por VÍCIO MATERIAL (incompatibilidadeno conteúdo– por exemplo, lei autorizando a pena de morte);
=> oVÍCIO FORMAL pode ser:
a) inconstitucionalidadeformal ORGÂNICA, pela inobservância da competêncialegislativa;
b) inconstitucionalidade formal PROPRIAMENTE DITA, pela inobservância do devido processo legislativo na fase de iniciativa (vício subjetivo) ou nas demais fases posteriores(vício objetivo– formalidades como quórum, bicameralismo etc.);
II)INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSÃO:
=> decorrente da inércia (total ou parcial) do legislador ordinário na regulamentação de normas constitucionais de EFICÁCIA LIMITADA (ADI por omissão e mandado de injunção);
=> cuidar com hipóteses do chamado SILÊNCIO ELOQUENTE do legislador (quando, intencionalmente, opta por não legislar) X papel institucional daCORTE CONSTITUCIONAL (garantir direitos fundamentaisetc.);
=> CONTROLEABSTRATO/CONCENTRADO X CONTROLE DIFUSO/CONCRETO;
...
SISTEMA DIFUSO OU CONCRETODE CONTROLE:
I)ORIGEM HISTÓRICA(caso Marbury X Madison):
John ADAMS, presidente dos EUA, foi derrotado na eleição presidencial por Thomas JEFFERSON e, antes de entregar o cargo, nomeou diversas pessoas ligadas ao seu governo para o cargo de juiz federal, entre elas, MARBURY. Ao assumir o governo, Jefferson nomeou MADSION como seu Secretário de Estado e, por entender que a nomeação de Marbury era incompleta (por não ter-lhe sido entregue, até aquele momento), determinou que Madison não mais efetivasse a nomeação de Marbury. Então, como forma de buscar a sua nomeação, Marbury impetrou writ em face de Madisonperante a Suprema Corte, a qual decidiu que QUALQUER LEI INCOMPATÍVEL COM A CONSTITUIÇÃO É NULA, bem como que os tribunais e os demais departamentos são vinculados a ela (“havendo conflito entre a aplicação de uma lei em um caso concreto e a Constituição,deve prevalecer a Constituição por ser hierarquicamente superior.”).
CURIOSIDADE: Todavia, na prática, decidiu-se que a Suprema Corte não tinha competência para julgar o caso, pois não havia no writ autoridades que atrairiam a competência originária da Corte.
II)NOÇÕES GERAIS SOBRE O CONTROLE DIFUSO:
=> realizado por qualquer juiz ou tribunal, segundo as regras de competência;
=> a declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade da lei se dá de forma incidental, no enfrentamento de um caso concreto;
=> atese de inconstitucionalidade constitui apenasCAUSA DE PEDIR (fundamento) da demanda;
=> por isso,é chamadode controle pela via de exceção ou defesa;
=> É possível“amicus curiae” emrecurso extraordinárioque cuida de controle abstrato;
=> Como regra, atuam em ações objetivas de controle abstrato, mas o STF tem aceitado nas causas com perfil de transcendência subjetiva (por exemplo, MS Coletivo), pois não seriam meros assistentes, mastitulares indiretos;
ALERTA DO VALCIR:
=> no caso das Ações Civis Públicas pode haver reconhecimento de inconstitucionalidade, desde que tal declaração seja CAUSA DE PEDIR e não PEDIDOda ação;
=> ela não pode ser sucedâneo de ADI;
=> em sede de recurso extraordinário, para fins de juízo de admissibilidade, é obrigatória a demonstração da existência de repercussão geral, nos termos do art. 102, §3º, da CF/88:
III) CONTROLEDIFUSO NOS TRIBUNAIS (RESERVA DE PLENÁRIO):
Art. 97 (CF/88). Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidadede lei ou ato normativo do Poder Público.
=> por isso, dispõe aSÚMULA VINCULANTE 10:
“Viola a cláusula de reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de tribunal que,embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte.”
=> a sua inobservância gera anulidade absolutada decisão;
=> vincula os órgãos fracionários do respectivo Tribunal (câmara ou turma), mas não vincula os demais Tribunais e nem os juízes de 1º grau (salvo hipóteses legais de efeitoserga omnese vinculante);
=>sempreque verificada a existência de questionamento incidentalsobre a constitucionalidade de lei ou ato normativo;
=> precisa ser reconhecida a plausibilidade da invocação, via questão de ordem, a ser decidida pela turma ou câmara, após oitiva obrigatória do MP;
=> amera invocação não gera automática instauração do incidente;
=> há umaCISÃO FUNCIONAL HORIZONTAL;
Art. 948 (CPC). Arguida, em controle difuso, a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo do poder público, o relator, após ouvir o Ministério Público e as partes,submeterá a questão à turma ou à câmara à qual competir o conhecimento do processo.
Art. 949 (CPC). Se a arguição for:
I -rejeitada, prosseguirá o julgamento;
II -acolhida, a questão será submetida ao plenário do tribunal ou ao seu órgão especial, onde houver.
Parágrafo único. Os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário ou ao órgão especial a arguição de inconstitucionalidade quando já houver pronunciamento destes ou do plenáriodo SupremoTribunal Federal sobre a questão.
Art. 950 (CPC).Remetida cópia do acórdão a todos os juízes, o presidente do tribunal designará a sessão de julgamento.
§ 1º As pessoas jurídicas de direito público responsáveis pela edição do ato questionado poderão manifestar-se no incidente de inconstitucionalidade se assim o requererem, observados os prazos e as condições previstos no regimento interno do tribunal.
=>NÃO SERÁ NECESSÁRIO instaurar o incidente:
a) quando já houver decisão do pleno ou do órgão especial do respectivo tribunal ou do PLENÁRIO do STF sobre o tema (CPC, art. 949, parágrafo único);Obs.: FORMA ATÍPICA brasileira deATRIBUIR EFEITO VINCULANTE às decisões.
b) na hipótese dereconhecimento da constitucionalidade (princípio da presunçãode constitucionalidade das leis);
c) em decisões de juízes singulares;
d) decisões dasturmas recursais dos juizados especiais;
e)não recepção de normas anteriores à Constituição(hipótese de revogação e não de inconstitucionalidade);
f)indeferimento de cautelar;
g) declaração de inconstitucionalidade pelasturmas do STF quando julgam RE;
IV)EFEITOS DA DECISÃO EM CONTROLE DIFUSO:
=> reconhece a nulidade;
=> Em regra, a decisão, no controle difuso, é INTER PARTES (dentro do limite subjetivo da ação) e EX TUNC (efeitos retroativos desde a edição da lei);
=> mas, EXCEPCIONALMENTE, por questão de razoabilidade e proporcionalidade, com base no art. 27 da Lei 9.868/98 (que regula as ações diretas), oSTF passou a autorizara MODULAÇÃO também no controledifuso; (caso da decadência das contribuições sociais)
=> ainda que não ocorra a modulação, os efeitos da decisão do STF em controle difuso poderão atingir terceiros (erga omnes) caso o Senado suspenda, no todo ou em parte, a execução da lei,via Resolução (CF, art. 52, inciso X);
=> talRESOLUÇÃO do Senado:
a) terá efeitos EX NUNC, salvo em relação à Administração Pública Federal (direta e indireta), para a qual os efeitos serão ex tunc (art. 1º, § 2º, do Decreto nº 2.346/97);
b) PODERÁ ALCANÇAR leis federais, estaduais, territoriais, distritais ou mesmo municipais que forem declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal;
c)NÃOpode ampliar, restringir ou interpretara extensão da decisão do STF;
d) está sujeita ao juízo deconveniência e discricionariedade do Senado, que pode se recusar a suspender a lei (separação dos Poderes);
=> nos EUA é o STARE DECISIS (respeitar as coisas decididas e não mexer no que está estabelecido) que empresta EFICÁCIA VINCULANTE às decisões da Corte Constitucional;
=>o instituto daSUSPENSÃO do art. 52, X, da CF surgiu parasuprir a falta do stare decisisno Brasil;
=> seria o que se convencionou de ABSTRATIVIZAÇÃO NO CONTROLE DIFUSO (com base na força normativa da constituição, ter-se-ia que estendera tais decisões do STF omesmo tratamentodado às decisõestomadas em sede decontrole abstrato);
=> de qualquer forma, a CRIAÇÃO dos institutos da SÚMULA VINCULANTE, da REPERCUSSÃO GERAL e da RECLAMAÇÃO, bem como da própria criação da ADPF e da aceitação do AMICUS CURIAE no extraordinário, via de regra, corroboram essa tendência de dar vazão à ABSTRATIVIZAÇÃO no controle difuso;
=> no julgamento da repercussão geral no recurso extraordinário, o legislador permitiu, inclusive, o julgamento por amostragem na hipótese de multiplicidade de recursoscom fundamentos em idêntica controvérsia;
=> após os RE 556.664, 559.882, 559.943 (prazo decadencial das contribuições sociais previdenciárias), o STF passou a aceitar a MODULAÇÃO também no controle DIFUSO;
...
=> mas, voltando aoOBJETO DO MANDADO DE INJUNÇÃO:
=> Caso daCONVERSÃO DO TEMPO DE SERVIÇO PÚBLICO prestado sob CONDIÇÕES ESPECIAIS em COMUM para fins previdenciários (STF, RE 104286,REPERCUSSÃO GERAL, TEMA 942,Plenário, Min. Edson Fachin, j.28/08/2020):
CONTEXTUALIZAÇÃO: Em sede de
MANDADO DE INJUNÇÃO
, o TJ-SP reconheceu aos assistentes agropecuários vinculados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento estadual o direito à averbação do tempo de serviço prestado em atividades insalubres, para fins de concessão de aposentadoria especial, mediante a aplicação das regras do RGPS (art. 57, §1º, da Lei 8.213/91). Contra essa decisão, o estado de SP sustentava a AUSÊNCIA DE PREVISÃO CONSTITUCIONAL para contagem diferenciada de tempo de serviço prestado sob condições especiais, sendo inviável a possibilidade de converter tempo de atividade especial em tempo comum, mediante aplicação do multiplicador correspondente, responsável por ‘aumentar’ o tempo de contribuição, por configurar hipótese de “tempo ficto”, vedada pela CF/88 para o serviço público.DECISÃO VINCULANTE DO STF:
a) é possível a conversão em comum do período de serviço público prestado sob condições especiais até o advento da EC 103/19, ficando sujeito aos fatores 1,4(homem)e 1,2 (mulher) previstos para o RGPS;
b) não procede o argumento de que o fator de conversão seria uma forma de contagem de tempo ficto, pois se trata apenas de um ajuste da relaçãode trabalhosubmetida a condições especiais;
c) o inciso III do §4º art. 40 da CF/88 (que esteve vigente até o advento da EC 103/2019), previa a possibilidade de aposentadoria especial nesses casos;
d) Súmula Vinculante 33 já assegurava o direito dos servidores públicos à aposentadoria especial, mas não previa a conversão, agora assegurada (“Aplicam-se ao servidor público, no que couber, as regras do regime geral da previdência social sobre aposentadoria especial de que trata o artigo 40, § 4º, inciso III da Constituição Federal, até a edição de lei complementar específica.”);
e)após a vigência da EC n.º 103/19, o direito à conversão em tempo comum, do prestado sob condições especiais pelos servidores obedecerá à legislação complementar dos entes federados, nos termos da competência conferida pelo art. 40, § 4ºC, da Constituição da República”;
Art. 40 (CF/88)– (...).
§ 4ºÉ vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciadospara a concessão de aposentadoriaaos abrangidos pelo regime de que trata este artigo, ressalvados,nos termos definidos emleis complementares, os casos de servidores: (REDAÇÃO REVOGADA pela EC 103/19)
I portadores de deficiência;
II que exerçam atividades de risco;
III cujas atividades sejam exercidassob condições especiaisque prejudiquem a saúde ou a integridade física.
§ 4ºÉ vedada a adoção de requisitos ou critérios diferenciadospara concessão de benefícios emregime própriode previdência social, ressalvadoo dispostonos §§ 4º-A, 4º-B, 4º- C e 5º. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 4º-A.Poderão ser estabelecidos por lei complementar do respectivo ente federativo IDADE E TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO DIFERENCIADOS para aposentadoria deservidores com deficiência, previamente submetidos a avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 4º-B. Poderão ser estabelecidospor lei complementardo respectivo ente federativo idade e tempo de contribuição diferenciados para aposentadoria de ocupantes do cargo de agente penitenciário, de agente socioeducativo ou de policialdos órgãos de que tratam o inciso IV do caput do art. 51, o inciso XIII do caput do art. 52 e os incisos I a IV do caput do art.
144. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 4º-C. Poderão ser estabelecidos por lei complementar do respectivo ente federativo idade e tempo de contribuição diferenciados para aposentadoria de servidores cujasatividades sejam exercidas com efetiva exposição a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, vedada a caracterização por categoria profissional ou ocupação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§ 5º Os ocupantes do cargo deprofessor terão idade mínima reduzida em 5 (cinco) anos em relação às idades decorrentes da aplicação do disposto no inciso III do § 1º, desde que comprovem tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio fixado em lei complementar do respectivo ente federativo.
...
=> Caso daREGULAMENTAÇÃO DO ACESSO A GRADUÇÕES NO EXÉRCITO (STJ, MI 324 – DF, Corte Especial, Min. Herman Benjamin, d.
25/08/2020):
CONTEXTUALIZAÇÃO FÁTICA:Militar do Exército ajuizou mandado de injunção
contra o Comandante do Exército
alegandoque, diversamente do ocorrido em relação aos Taifeiros da Aeronáutica, não houve a regulamentação do art. 50 do Estatuto dos Militares que lhe garantiriaacesso às graduações superiores,conforme previsto no art. 142, §3º, X, da CF.
PROBLEMÁTICAS: Cabe mandado de injunção para atacar falta de regulamentação PREVISTA EM NORMA INFRACONSTITUCIONAL? De quem é a competência para deflagrar processo legislativo envolvendo os militares das Forças Armadas? O fato de direito idêntico ter sido concedido a carreira similarautoriza a intervenção judicial?
DECISÃO DO STJ:
a) para o CABIMENTO do Mandado de Injunção, é imprescindível a existência de direito previsto NA CONSTITUIÇÃO que não esteja sendo exercido por ausência de norma regulamentadora, NÃO SENDO REMÉDIO destinado a sanar lacuna ou ausência de regulamentação de direito previsto em NORMA INFRACONSTITUCIONAL;
b) não cabe ao Comandante do Exército, por ato infralegal, nem por iniciativa própria, inovar no ordenamento jurídico quanto à promoção de militaresdas Forças Armadas, sob pena de violação dacompetência privativa do Presidente(art. 61, § 1º, II, "f", da CF/88);
AGRAVO REGIMENTAL NO MANDADO DE INJUNÇÃO. DIREITOS DO NASCITURO. AUSÊNCIA DE IMPOSIÇÃO CONSTITUCIONAL DO DEVER DE LEGISLAR. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O mandado de injunção, nos termos do art. 5º, LXXI, da Constituição Federal, reclama a demonstração de que a falta de norma regulamentadora torna inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. 2. A jurisprudência desta Corte é remansosa no sentido do descabimento do mandado de injunção quando INEXISTIR um direito constitucional que não possa ser exercido por ausência de norma regulamentadora (Precedente: MI 5.470 AgR, Rel. Min. Celso de Mello, Plenário, DJe 20/11/2014). 3. Agravo Regimental DESPROVIDO. (MI 6591 AgR, Min. LUIZ FUX, j. 16/06/2016)
AGRAVO REGIMENTAL NO MANDADO DE INJUNÇÃO. DIREITO À MORTE DIGNA. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. AUSÊNCIA DE LACUNA TÉCNICA. INEXISTÊNCIA DE EFETIVO IMPEDIMENTO DO EXERCÍCIO DO DIREITO ALEGADO. INADMISSIBILIDADE DO WRIT.
DESPROVIMENTO DO AGRAVO. 1. O cabimento do mandado de injunção pressupõe a existência de omissão legislativa relativa ao gozo de direitos ou liberdade garantidos constitucionalmente pelas normas constitucionais de eficácia limitada stricto sensu e a existência de nexo de causalidade entre a omissão e a inviabilidade do exercício do direito alegado. 2. In casu, não restando demonstrada a existência de lacuna técnica quanto ao descumprimento de algum dever constitucional pelo legislador no tocante ao direito à morte digna, bem como ante a inexistência da efetiva inviabilidade do gozo do direito pleitado, impõe-se o não conhecimento do mandado de injunção. 3. Agravo regimental desprovido. (MI 6825 AgR, Min. EDSON FACHIN, j. 11/04/2019)
AÇÃO RESCISÓRIA. MANDADO DE INJUNÇÃO N.º 795. APOSENTADORIA ESPECIAL. POLICIAL CIVIL. ART. 40, § 4º, CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. VIOLAÇÃO AO INCISO LXXI DO ARTIGO 5º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. RESCISÃO DO ACÓRDÃO E DENEGAÇÃO DA ORDEM. 1. A Lei Complementar nº 51/1985, que trata da aposentadoria especial dos servidores públicos policiais, foi recepcionada pela Constituição Federal de 1988 (ADI 3.817/DF). 2. Havendo norma incidente sobre a situação concreta que ampare o exercício do direito à aposentadoria especial, em plano diferenciado dos servidores públicos em geral, submetidos às previsões do art. 40 da Constituição Federal e demais regras de transição, carece a parte de interesse na impetração, uma vez ausente qualquer omissão a ser sanada. 3. Ação rescisória julgada procedente para denegar a ordem do mandado de injunção. (AR 2289, Min. EDSON FACHIN, j. 11/09/2019)
AGRAVO REGIMENTAL EM MANDADO DE INJUNÇÃO. APOSENTADORIA ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO PORTADOR DE DEFICIÊNCIA.
INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR REGULAMENTADORA. ARTIGO 40, § 4º, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR 142/2013 E DO ART. 57 DA LEI 8.213/1991. INJUNÇÃO PARCIALMENTE CONCEDIDA. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I – Conforme disposto no inciso LXXI do artigo 5º da Constituição Federal, conceder-se-á mandado de injunção quando necessário ao exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. II - O referido writ caracteriza-se como ação mandamental, e não simplesmente como ação declaratória de omissão. III - Na falta de disciplina específica que regule a aposentadoria especial dos servidores públicos portadores de deficiência, impõe-se a aplicação da Lei Complementar 142/2013 e do art. 57 da Lei 8.213/1991, reservando-se à Administração o exame do preenchimento dos requisitos legais no caso concreto. IV - Agravo regimental a que se nega provimento.(MI 6751 AgR, Min. RICARDO LEWANDOWSKI, j. 22/03/2019)
AGRAVO REGIMENTAL NO MANDADO DE INJUNÇÃO. ALEGADA OMISSÃO NA ELABORAÇÃO DE NORMA REGULAMENTADORA DE CANDIDATURAS AVULSAS EM ELEIÇÕES MAJORITÁRIAS. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO LEGISLATIVA QUE INVIABILIZE A FRUIÇÃO DE DIREITOS E LIBERDADES CONSTITUCIONALMENTE ASSEGURADOS E DE PRERROGATIVAS RELATIVAS À NACIONALIDADE, SOBERANIA E CIDADANIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. As candidaturas avulsas em eleições majoritárias NÃO ENCONTRAM na Carta Magna obrigação jurídico-constitucional de regulamentação, revelando-se inocorrente a inércia legislativa e inadequada a utilização do remédio injuncional. 2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, na Questão de Ordem no ARE 1.054.490 (rel. min. Roberto Barroso, Tribunal Pleno, DJe 9/3/2018 - Tema 974 RG), reconheceu a existência de repercussão geral da “discussão acerca da admissibilidade ou não de candidaturas avulsas em eleições majoritárias, por sua inequívoca relevância política”.
Consectariamente, a viabilidade constitucional dessa espécie de candidatura será analisada no âmbito do Tema 974 da Repercussão Geral, de sorte que a via injuncional não se mostra adequada para o desenlace da questão. 3. No julgamento da Questão de Ordem no ARE 1.054.490, esta Suprema Corte ainda assentou que o tema das candidaturas avulsas envolve controvérsia interpretativa acerca do “significado e o alcance da exigência de filiação partidária, prevista no art. 14, § 3º, da Constituição, à luz: (...). (MI 7003 AgR, Min. LUIZ FUX, j. 20/09/2019)
Agravo regimental no mandado de injunção. Policial militar do Estado de Pernambuco. Existência de disciplinamento normativo regulamentador de aposentadoria especial. Agravo regimental ao qual se nega provimento. 1. O mandado de injunção possui natureza mandamental e volta-se à colmatagem de lacuna legislativa capaz de inviabilizar o gozo de direitos e liberdades constitucionalmente assegurados, bem assim de prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania (art. 5º, LXXI, CF/1988). 2. Havendo norma incidente sobre a situação concreta do impetrante, num ou noutro sentido, que ampare o exercício do direito à aposentadoria especial, em plano obviamente diferenciado dos servidores públicos em geral, submetidos às previsões do art. 40 da Constituição Federal e demais regras de transição,carece de interesse a impetração, uma vez ausente qualquer omissão a ser sanada. 3. A MERA INSATISFAÇÃO OU INJUSTIÇA com o conteúdo normativo não autoriza o manuseio do instrumento, havendo de ser resolvida a discrepância entre os interesses da categoria e a realidade jurídica abstrata no plano estritamente legislativo. Precedentes. 4. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (MI 6464 AgR, Min. DIAS TOFFOLI, j. 07/10/2015) DIREITO CONSTITUCIONAL. AGRAVO INTERNO EM MANDADO DE INJUNÇÃO. PESSOA COM DOENÇA GRAVE. VAGAS RESERVADAS EM CONCURSO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA. 1. O dispositivo constitucional em que se ampara a inicial (princípio da igualdade) não assegura diretamente o direito que se alega pendente de regulamentação – direito de pessoa com doença grave, que não se enquadra no rol de deficiências do Decreto nº 3.298/1999, de concorrer para as vagas reservadas em concurso para pessoas com deficiência. 2. É certo que a Constituição assegura a reserva de percentual dos cargos e empregos públicos para pessoas com deficiência (art. 37, VIII). No entanto, o DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL JÁ FOI REGULAMENTADO pelo art. 5º, § 2º, da Lei nº 8.112/1990, pela Lei nº 7.853/1999 e pelo Decreto nº 3.298/1999, que define quais pessoas são consideradas com deficiência. Tais normas regularam a matéria por inteiro, tendo em vista que estabeleceram todos os critérios para a concorrência das vagas destinadas às pessoas com deficiência. Não há que se falar, assim, em omissão parcial. 3. A falta de norma regulamentadora (CF/1988, art. 5º, LXXI) é pressuposto de admissibilidade do mandado de injunção. A EXISTÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO ordinária IMPEDE o conhecimento do writ. 4. Agravo a que se nega provimento por manifesta improcedência, com aplicação de multa de 2 (dois) salários mínimos, ficando a interposição de qualquer recurso condicionada ao prévio depósito do referido valor, em caso de decisão unânime (CPC/2015, art. 1.021, §§ 4º e 5º, c/c art. 81, § 2º). (MI 6984 AgR, Min. ROBERTO BARROSO, j.
28/09/2018)
1.2)LEGITIMIDADE ATIVA E PASSIVA DO MANDADO DE INJUNÇÃO:
Art. 3º (lei 13.300/16) - São LEGITIMADOS para o mandado de injunção, como impetrantes, as pessoas naturais ou jurídicas que se afirmam titularesdos direitos, das liberdades ou das prerrogativas referidos no art. 2º e, COMO IMPETRADO, o Poder, o órgão ou a autoridade com atribuição para editara norma regulamentadora.
Art. 102 (CF/88).Compete ao SupremoTribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
I - processar e julgar, originariamente:
(...).
q) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Mesas de uma dessas Casas Legislativas, doTribunal de Contas da União, de um dosTribunais Superiores, ou dopróprio Supremo Tribunal Federal;
II - julgar, em recurso ordinário:
a) ohabeas corpus, o mandado de segurança, o habeas datae o mandado de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão;
Art. 105 (CF/88).Compete ao Superior Tribunal de Justiça:
I - processar e julgar, originariamente:
(...)
h) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição de órgão, entidade ou autoridade federal, da administração direta ou indireta, excetuados os casos de competência do Supremo Tribunal Federal e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal;
Caso da REGULAMENTAÇÃO DO ACESSO A GRADUÇÕES NO EXÉRCITO (STJ, MI 324 – DF, Corte Especial, Min. Herman Benjamin, d.
25/08/2020): não cabe ao Comandante do Exército, por ato infralegal, nem por iniciativa própria, inovar no ordenamento jurídico quanto à promoção de militaresdas Forças Armadas, sob pena de violação dacompetência privativa do Presidente(art. 61, § 1º, II, "f", da CF/88).
Agravo regimental no mandado de injunção. Incompetência originária do STF para conhecer da ação. Ausência de indicação de omissão legislativa. Recurso não provido. 1. Não tem êxito o agravo interno que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão singular (art.
317, § 1º, RISTF). Precedentes. 2. O mandado de injunção possui natureza mandamental e se volta à colmatagem de lacuna legislativa capaz de inviabilizar o gozo de direitos e liberdades constitucionalmente assegurados, bem como de prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania (art. 5º, LXXI, da CF/88). 3. A competência originária do STF, em sede injuncional, É RESTRITA a ato omissivo das autoridades elencadas no art. 102, I, q, da CF/88. 4. Agravo regimental não provido. (MI 6272 AgR, Min. DIAS TOFFOLI, j. 18/03/2015) Obs.: ação atacava omissão de Município
Mandado de Injunção [....] - Somente pessoas estatais podem figurar no pólo passivo da relação processual instaurada com a impetração do Mandado de Injunção, eis que apenas a elas é imputável o dever jurídico de emanação de provimentos normativos. - A natureza jurídico- processual do instituto do Mandado de Injunção - ação judicial de índole mandamental - inviabiliza, em função de seu próprio objeto, a formação de litisconsórcio passivo, necessário ou facultativo, entre particulares e entes estatais. (STF, MI 335/DF AgR, Relator Ministro Celso de Mello, Pleno, por maioria, julgado em9.8.1991, DJ: 17.6.1994, p. 29)
1.3)PROCEDIMENTO DO MANDADO DE INJUNÇÃO:
Art. 4º Apetição inicial deverá preencher os requisitos estabelecidos pela lei processual eindicará, além do órgão impetrado, a pessoa jurídicaque ele integra ou aquela a que está vinculado.
(...)
§ 2º Quando o documento necessário à prova do alegado encontrar-se em repartição ou estabelecimento público, em poder de autoridade ou de terceiro, havendo recusa em fornecê-lo por certidão, no original, ou em cópia autêntica, será ordenada, a pedido do impetrante, a exibição do documento no prazo de 10 (dez) dias, devendo, nesse caso, ser juntada cópia à segunda via da petição.
§ 3º Sea recusa em fornecer odocumento for do impetrado, a ordem será feita no próprio instrumento da notificação.
Art. 5º Recebida a petição inicial, será ordenada:
I - a notificação do impetradosobre o conteúdo da petição inicial, devendo-lhe ser enviada a segunda via apresentada com as cópias dos documentos, a fim de que, no prazo de 10 (dez) dias, preste INFORMAÇÕES;
II - aciênciado ajuizamento da ação ao órgão de representação judicial dapessoa jurídica interessada, devendo-lhe ser enviada cópia da petição inicial, para que, querendo, ingresse no feito.
Art. 6º Apetição inicial será desde logo indeferidaquando a impetraçãofor manifestamente incabívelou manifestamente improcedente.
Parágrafo único. Da decisão de relator que indeferir a petição inicial, caberá agravo, em 5 (cinco) dias, para o órgão colegiado competente para o julgamento da impetração.
Art. 7º Findo o prazo para apresentação das informações, será ouvido oMinistério Público, que opinará em10 (dez) dias, após o que, com ou sem parecer, os autos serão conclusos para decisão.
Art. 8ºReconhecidoo estado de mora legislativa, serádeferidaa injunçãopara:
I - determinarprazo razoávelpara que o impetradopromova a ediçãoda norma regulamentadora;
II - estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá o interessado promover ação própriavisando a exercê-los,CASO NÃO SEJA SUPRIDA A MORAlegislativano prazo determinado.
Parágrafo único. Será dispensadaa determinação a que se refere oinciso I docaputquando comprovado que oimpetrado deixou de atender, em mandado deinjunção anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma.
Art. 9º A decisãoterá EFICÁCIA SUBJETIVA limitada às partese produziráEFEITOS ATÉ O ADVENTO da normaregulamentadora.
§ 1ºPODERÁser conferidaEFICÁCIA ULTRA PARTES OU ERGA OMNESà decisão, quando isso for inerente ou indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa objeto da impetração.
§ 2º Transitada em julgado a decisão, seus efeitospoderãoserESTENDIDOS AOS CASOS ANÁLOGOSpordecisão monocráticado relator.
§ 3º O indeferimento do pedido porinsuficiência de provanão impede a renovaçãoda impetração fundada em outros elementos probatórios.
Art. 10. Sem prejuízo dos efeitos já produzidos, adecisão PODERÁ SER REVISTA, a pedido de qualquer interessado, quando sobrevieremrelevantes modificaçõesdas circunstâncias de fato ou de direito.
Parágrafo único. AAÇÃO DE REVISÃOobservará, no que couber, oprocedimento estabelecido nesta Lei.
Art. 11. A norma regulamentadora superveniente produzirá EFEITOS EX NUNC em relação aos beneficiados por decisão transitada em julgado, salvo se a aplicação da norma editada lhes for mais favorável.
Parágrafo único. EstaráPREJUDICADAA IMPETRAÇÃO se anorma regulamentadora for editada antes da decisão, caso em que o processoserá extintosem resolução de mérito.
Art. 12. O mandado deinjunção COLETIVOpode ser promovido:
I - peloMinistério Público, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a defesa da ordem jurídica, doregime democrático ou dos interesses sociais ou individuais indisponíveis;
II - por partido político com representação no CongressoNacional, para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas de seus integrantes ou relacionados com a finalidade partidária;
III - por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 (um) ano, para assegurar o exercício de direitos, liberdades e prerrogativas em favor da totalidade ou de parte de seus membros ou associados, na forma de seus estatutos e desde quepertinentes a suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial;
IV - pela DEFENSORIA PÚBLICA, quando a tutela requerida for especialmente relevante para a promoção dosDIREITOS HUMANOSe a defesa dos direitos individuais e coletivos dos NECESSITADOS, na forma doinciso LXXIV do art. 5º da Constituição Federal.
Parágrafo único. Os direitos, as liberdades e as prerrogativas protegidos por mandado de injunção coletivo são os pertencentes, indistintamente, a umacoletividade indeterminadade pessoasoudeterminada por grupo, classe ou categoria.
ALERTA DO VALCIR: A Defensoria não está inserida no art. 5º, LXX, da CF e nem no art. 21 da Lei nº 12.016/09 que definem o rol de legitimiados para o MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO.
Art. 13. No mandado de injunção coletivo, a sentença fará COISA JULGADA limitadamente às pessoas integrantes da coletividade, do grupo, da classe ou da categoria substituídos pelo impetrante, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º e 2º do art. 9º.
Parágrafo único. O mandado de injunção coletivo não induz LITISPENDÊNCIA em relação aos individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante que não requerer aDESISTÊNCIAda demanda individualno prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração coletiva.
Art. 14.Aplicam-se subsidiariamenteao mandado de injunção as normas do mandado de segurança, disciplinado pelaLei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009, e doCódigo de Processo Civil, instituído pela Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, e pelaLei nº 13.105, de 16 de março de 2015, observado o disposto em seusarts. 1.045 e 1.046.
1.4)DISTINÇÕES PRÁTICAS ESSENCIAIS ENTRE O MANDADO DE INJUNÇÃO E A ADO:
=> Na ADO (controle abstrato e tem fungibilidade) haverá perda do objeto: a) se a norma que não tinha sido regulamentada é revogada; b) se for encaminhado projetode lei visando sanar a inércia;
=> mas, a regulamentação superveniente não gera a perda do objeto do MANDADO DE INJUNÇÃO (a decisão pode regular atos concretos anteriores);
=>DIFUSO (injunção) X ABSTRATO (ADO);
=> ADO écompetência privativa do STF X INJUNÇÃO a competência varia conforme o responsável pela omissão de regulamentar;
=> ADO éirrecorrível X INJUNÇÃO admite recurso a depender do órgão julgador de origem;
=> ADO tem legitimidade ativarestrita (CF/88, art. 103) X INJUNÇÃO admite a legitimidade de qualquer prejudicado e também de substitutos processuais;
=> ADO não admite rescisória/revisão X INJUNÇÃO admite revisão se alterados significativamente os fatos;
=> ADO sempre efeitos vinculantes eerga omnes X INJUNÇÃO podem ter efeitos ultra partes;
=> ADO surgiu com força DECLARATIVA, mas, atualmente, o STF tem adotado posição CONCRETISTA x INJUNÇÃO quase sempre foi CONCRETISTA (mas, de índole intra partes);
=> Caso da DEFASAGEM DO VALOR DO BOLSA FAMÍLIA e dos PROGRMAS SOCIAIS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA (MI 7300 - DF, STF, Plenário, redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, julgamento virtual em 26/04/2021):
CONTEXTUALIZAÇÃO FÁTICA: Por meio de mandado de injunção, interposto pela DPU em favor de um cidadão que alegou carecer dos recursos necessários para manutenção de existência digna (vive em situação de rua, está desempregado, tem deficiência intelectual moderada e sobrevive apenas com recursos recebidos do Programa Bolsa Família, no valor de R$ 81), que teve negado benefício de prestação continuada destinado a pessoas com deficiência. Para tanto, a DPU apontava omissão do Poder Executivo federal na regulamentação do programa, previsto em lei editada há 17 anos, e solicitou a fixação do valor da renda básica em um salário mínimo mensal, até que o benefício previsto na lei de 2004 seja regulamentado.
DECISÃO DO STF:
a) Compete ao STF processar e julgar mandado de injunção quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do Presidente da República (CF/88, art. 102, I,q), como no caso da ausência de fixação do valor da renda básica de cidadania, instituída pela Lei 10.835/04;
b) O Poder Executivo federal deverá adotar todas as medidas legais cabíveis para atualização dos valores dos benefícios básicos e variáveis do PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA (lei 10.836/04) e aprimorem os PROGRAMAS SOCIAIS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA atualmente em vigor, conciliando-os com a lei 10.835/04 e unificando-os, se possível, inclusive mediante alteração do Plano Plurianual (PPA) e da previsão da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA)de 2022.
2)HABEAS DATA 2.1) OBJETO:
Art. 5º (CF/88)- (...).
LXXII - conceder-se-á"habeas-data":
a) para assegurar o CONHECIMENTO de informações relativas à pessoa DO IMPETRANTE, constantes de registros ou bancos de dados de entidadesgovernamentaisou de caráter público;
b) para a RETIFICAÇÃO de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo;
Art. 7° (Lei 9.507/97– Lei do HABEAS DATA) - Conceder-se-á habeas data:
I - para assegurar o CONHECIMENTO de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registro ou banco de dados de entidades governamentais ou de caráter público;
II - para a RETIFICAÇÃO de dados, quandonão se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo;
III - para a ANOTAÇÃO nos assentamentos do interessado, de CONTESTAÇÃO OU EXPLICAÇÃO sobre dado verdadeiro mas justificável e queesteja sob pendência judicialou amigável.
=>CONHECER (limitado à pessoa do impetrante),RETIFICAR eANOTAR (contestação ou explicação).
=>Habeas data é a ação mandamental,sumáriae especial(não comporta dilação probatória, como no mandado de segurança).
2.2) CADASTROS SUJEITOS A CONTROLE:
=> constantes deregistros ou bancos de dados de entidadesGOVERNAMENTAIs ou deCARÁTER PÚBLICO;
Art. 1º (Lei 9.507/97) - (VETADO)
Parágrafo único. Considera-se de CARÁTER PÚBLICO todo registro ou banco de dados contendo informações que sejam ou que possam ser TRANSMITIDAS a terceirosou que não sejam de uso privativodo órgão ou entidade produtora ou depositária das informações.
=>Critério daTRANSMISSIBILIDADE;
2.3) PROCEDIMENTO:
=>FASE ADMINISTRATIVA:
Art. 2° (Lei 9.507/97) - O requerimento será apresentado ao órgão ou entidade depositária do registro ou banco de dados e será DEFERIDO ou INDEFERIDOno prazo de quarenta e oito horas.
Parágrafo único. A decisão serácomunicada ao requerente em vinte e quatro horas.
Art. 3° (Lei 9.507/97) - Ao deferir o pedido, o depositário do registro ou do banco de dados marcará dia e hora para que o requerente TOME CONHECIMENTOdas informações.
Art. 4° (Lei 9.507/97) – Constatada a inexatidão de qualquer dado a seu respeito, o interessado, em petição acompanhada de documentos comprobatórios,poderá requerer sua RETIFICAÇÃO.
§ 1° FEITA A RETIFICAÇÃO em, no máximo, dez dias após a entrada do requerimento, a entidade ou órgão depositário do registro ou da informação dará ciência ao interessado.
§ 2° Ainda que não se constate a inexatidão do dado, se o interessado apresentar explicação ou contestação sobre o mesmo, justificando possível pendênciasobre o fato objeto do dado,tal EXPLICAÇÃO
SERÁ
anotada no cadastro do interessado.=>FASE JUDICIAL:
Art. 8° (Lei 9.507/97) –A petição inicial, que deverá preencher os requisitos dosarts. 282 a 285 do Código de Processo Civil, será apresentada em duas vias, e os documentos que instruírem a primeira serão reproduzidos por cópia na segunda.
Parágrafo único. A petição inicial deverá ser instruída com prova:
I - da RECUSA ao acessoàs informações ou do decurso de mais de dez dias sem decisão;
II - da RECUSA em fazer-se a retificação ou do decurso de mais de quinze dias, sem decisão; ou
III - da RECUSAem fazer-se a anotação a que se refere o § 2° do art. 4° ou do decurso de mais de quinze dias sem decisão.
Art. 9° (Lei 9.507/97) – Ao despachar a inicial, o juiz ordenará que se notifique o coator do conteúdo da petição, entregando-lhe a segunda via apresentada pelo impetrante, com as cópias dos documentos, a fim de que, noprazo de dez dias, preste as informações que julgar necessárias.
Art. 10 (Lei 9.507/97) – A inicial será desde logo INDEFERIDA, quando não for o caso de habeas data, ou se lhe faltar algum dos requisitos previstos nesta Lei.
Parágrafo único. Do despacho de indeferimento caberá recurso previsto no art. 15.
Art. 12 (Lei 9.507/97) - Findo o prazo a que se refere o art. 9°, e ouvido o representante do Ministério Público dentro de cinco dias, os autos serão conclusos ao juiz para decisão a ser proferida em cinco dias.
Art. 13 (Lei 9.507/97)–. Na decisão, se JULGAR PROCEDENTE o pedido, o juiz marcará data e horáriopara que o coator:
I -APRESENTE ao impetranteas informações a seu respeito, constantes de registros ou bancos de dadas; ou II - apresenteem juízo aprova da RETIFICAÇÃO ou da ANOTAÇÃO feita nos assentamentos do impetrante.
Art. 15 (Lei 9.507/97) -Da sentença que conceder ou negar o habeas datacabe apelação.
Parágrafo único. Quando a sentença conceder o habeas data, o RECURSO terá efeito meramente devolutivo.
Art. 18 (Lei 9.507/97)–O pedido de habeas data poderá ser RENOVADO se a decisão denegatória não lhe houver apreciado o mérito.
Art. 19 (Lei 9.507/97) – Os processos de habeas data terão prioridade sobre todos os atos judiciais, exceto habeas-corpus e mandado de segurança. Na instância superior, deverão ser levados a julgamento na primeira sessão que se seguir à data em que, feita a distribuição, forem conclusos ao relator.
Art. 21 (Lei 9.507/97) –. São GRATUITOS o procedimento administrativo para acesso a informações e retificação de dados e para anotação de justificação,bem como a ação dehabeas data.
Art. 5º (CF/88)– (...).
LXXVII - são gratuitasas ações de"habeas-corpus" e"habeas-data", e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania.
Art. 20 (Lei 9.507/97) -O julgamento do habeas data COMPETE:
I -originariamente:
a) ao Supremo Tribunal Federal, contra atos do Presidenteda República, das Mesasda Câmara dos Deputados e do Senado Federal, do Tribunal de Contas da União, do Procurador-Geral da República e do próprio Supremo Tribunal Federal;
b) ao Superior Tribunal de Justiça, contra atos de Ministro de Estado ou do próprio Tribunal;
c) aos Tribunais Regionais Federais contra atos do próprio Tribunal ou de juiz federal;
d) a juiz federal, contra ato de autoridade federal, excetuadosos casos de competência dos tribunais federais;
e) a tribunais estaduais, segundo o disposto na Constituição do Estado;
f) a juiz estadual, nos demais casos;
II - em grau de recurso: (...).
"Habeas data é a garantia constitucional adequada para obtenção, pelo cidadão, de dados concernentes ao pagamento de tributos constantes dos sistemas informatizados de apoio à arrecadação dos órgãos de arreia fazendária dos entes estatais".
STF, RE 673.707, Min. Luiz Fux, repercussão geral, j. 16/06/2015
Súmula 2-STJ: Não cabe o habeas data (CF, art. 5º, LXXII, letra "a") se não houve recusa de informações por parte da autoridade administrativa.
Aprovada em 08/05/1990, DJ 18/05/1990.
ANEXO – ACESSO À INFORMAÇÃO
=>Dispositivos CONSTITUCIONAISque asseguram oACESSO E A PROTEÇÃO DE INFORMAÇÕES:
Art. 5º– (...).
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
(...)
XII -é inviolável o sigiloda correspondência e das comunicações telegráficas, de dadose das comunicações telefônicas,salvo,no último caso,por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a leiestabelecer para fins deinvestigação criminal ou instrução processual penal;
(...)
XXXIII- todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade,ressalvadasaquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;
Art. 37– (...).
§ 3º Alei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta, regulando especialmente:
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços;
II -o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X e XXXIII;
Art. 216.Constituem patrimônio culturalbrasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
(...)
§ 2º Cabem à administração pública, na forma da lei, a gestão da documentação governamental e as providências para franquear sua consulta a quantos dela necessitem.
=>Lei de ACESSO À INFORMAÇÃO nº 12.527/11:
Art. 1º Esta Lei dispõe sobre os procedimentos a serem observados pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, com o fim de garantir o acesso a informações previsto noinciso XXXIII do art. 5º , no inciso II do § 3º do art. 37 e no§ 2º do art. 216 da Constituição Federal.
Parágrafo único.Subordinam-seao regime desta Lei:
I - os órgãos públicos integrantes da administração direta dos Poderes Executivo, Legislativo, incluindo as Cortes de Contas, e Judiciário e do Ministério Público;
II - as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
Art. 2º Aplicam-se as disposições desta Lei, no que couber, às ENTIDADES PRIVADAS SEM FINS LUCRATIVOS que recebam, para realização de ações de interesse público, recursos públicos diretamente do orçamento ou mediante subvenções sociais, contrato de gestão, termo de parceria,convênios, acordo, ajustes ou outros instrumentos congêneres.
Parágrafo único. A publicidade a que estão submetidas as entidades citadas no caput refere-se à parcela dos recursos públicos recebidos e à sua destinação,sem prejuízo das prestações de contasa que estejam legalmente obrigadas.
Art. 5º É dever do Estado garantir o direito de acesso à informação, que será franqueada, mediante PROCEDIMENTOS OBJETIVOS e ÁGEIS, de forma transparente, clara e em linguagem de fácil compreensão.
§ 4º A NEGATIVA DE ACESSO às informações objeto de pedido formulado aos órgãos e entidades referidas no art. 1º , quando NÃO FUNDAMENTADA, sujeitará o responsável a medidas disciplinares, nos termos do art. 32 desta Lei.
§ 5º Informado do EXTRAVIO DA INFORMAÇÃO solicitada, poderá o interessado requerer à autoridade competente a imediata abertura de sindicânciapara apurar o desaparecimento da respectiva documentação.
§ 6º Verificada a hipótese prevista no § 5º deste artigo, o responsável pela guarda da informação extraviada deverá, no prazo de 10 (dez) dias, JUSTIFICAR o fato e indicar testemunhas que comprovem sua alegação.
Art. 8º É DEVER dos órgãos e entidades públicas promover, independentemente de requerimentos, a divulgação em local de fácil acesso, no âmbito de suas competências, deinformações de interesse coletivo ou geral por elesproduzidasou custodiadas.
§ 1º Na divulgação das informações a que se refere ocaput,deverão CONSTAR, no mínimo:
I - registro das competências e estrutura organizacional,endereços e telefonesdas respectivas unidades e horários de atendimento ao público;
II - registros de quaisquerrepasses ou transferências de recursos financeiros;
III - registros dasdespesas;
IV - informações concernentes a procedimentos licitatórios, inclusive os respectivos editais e resultados, bem como a todos os contratos celebrados;
V -dados gerais para o acompanhamentode programas, ações, projetos e obras de órgãos e entidades; e VI -respostas a perguntas mais frequentesda sociedade.
§ 2º Para cumprimento do disposto no caput, os órgãos e entidades públicas deverão utilizar todos os meios e instrumentos legítimos de que dispuserem, sendoOBRIGATÓRIA a divulgação em sítios oficiais da rede mundial de computadores (internet).
Art. 9º O acesso a informações públicasserá assegurado mediante:
I - criação de serviço de informações ao cidadão, nos órgãos e entidades do poder público, em local com condições apropriadas para:
a) atender e orientar o público quanto ao acesso a informações;
b) informar sobre a tramitação de documentos nas suas respectivas unidades;
c) protocolizar documentos e requerimentos de acesso a informações; e
II - realização deaudiências ou consultas públicas, incentivo à participação popularou a OUTRAS FORMAS de divulgação.
Art. 10. Qualquer INTERESSADO poderá apresentar pedido de acesso a informações aos órgãos e entidades referidos no art. 1º desta Lei, por qualquer meio legítimo,devendo o pedido conter aIDENTIFICAÇÃO do requerente e a ESPECIFICAÇÃO da informaçãorequerida.
§ 1º Para o acesso a informações de interesse público,a identificaçãodo requerentenão pode conter exigências queinviabilizem a solicitação.
§ 2º Os órgãos e entidades do poder público devem viabilizar alternativa de encaminhamento de pedidos de acesso por meio de seus sítios oficiais na internet.
§ 3ºSão VEDADAS quaisquer exigências relativas aos MOTIVOS determinantesda solicitaçãode informaçõesde INTERESSE PÚBLICO.
Art. 11. O órgão ou entidade públicadeveráautorizar ou conceder o ACESSO IMEDIATO à informação disponível.
§ 1º Não sendo possível conceder o acesso imediato, na forma disposta no caput, o órgão ou entidade que receber o pedido deverá, em prazo não superior a20 (vinte) dias:
I -comunicar a data, local e modo para se realizar a consulta, efetuar a reprodução ou obter a certidão;
II - indicar as razõesde fato ou de direito da recusa, total ou parcial, do acesso pretendido; ou
III - comunicar que não possui a informação, indicar, se for do seu conhecimento, o órgão ou a entidade que a detém, ou, ainda, remeter o requerimento a esse órgão ou entidade, cientificando o interessado da remessa de seu pedido de informação.
Art. 24. A informação em poder dos órgãos e entidades públicas, observado o seu teor e em razão de sua imprescindibilidade à segurança da sociedade ou do Estado, poderá ser classificada comoULTRASSECRETA, SECRETA ouRESERVADA.
§ 1º Os prazos máximos de restrição de acesso à informação, conforme a classificação prevista no caput, vigoram A PARTIR da data de sua produçãoe são os seguintes:
I -ultrassecreta: 25 (vinte e cinco) anos;
II - secreta: 15 (quinze) anos; e III - reservada: 5 (cinco) anos.
§ 2º As informações que puderem colocar em risco a segurança do Presidente e Vice-Presidente da República e respectivos cônjuges e filhos(as) serão classificadas como reservadas e ficarão sob sigilo até o término do mandato em exercício ou do último mandato, em caso de reeleição.
§ 3º Alternativamente aos prazos previstos no § 1º , poderá ser estabelecida como termo final de restrição de acesso a ocorrência de determinado evento, desde que este ocorraantes do transcursodo prazo máximo de classificação.
§ 4º Transcorrido o prazo de classificação ou consumado o evento que defina o seu termo final, a informação tornar-se-á, automaticamente, de acesso público.
§ 5º Para a classificação da informação em determinado grau de sigilo, deverá ser observado o interesse público da informação e utilizado o critério menos restritivo possível, considerados:
I - agravidade do risco ou dano à segurança da sociedade e do Estado; e
II - oprazo máximo de restrição de acesso ou o evento que defina seu termo final.
Art. 27. A classificaçãodo sigilo de informações no âmbito da administração pública federalé de competência:(Regulamento) I - no grau de ultrassecreto, das seguintes autoridades:
a) Presidente da República;
b) Vice-Presidente da República;
c) Ministros de Estado e autoridades com as mesmas prerrogativas;
d)Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica; e
e)Chefes de Missões Diplomáticas e Consularespermanentes no exterior;
II - no grau de secreto, das autoridades referidas no inciso I, dos titulares de autarquias, fundações ou empresas públicas e sociedades de economia mista; e
III - no grau de reservado, das autoridades referidas nos incisos I e II e das que exerçam funções de direção, comando ou chefia, nível DAS 101.5, ou superior, do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores, ou de hierarquia equivalente, de acordo com regulamentação específica de cada órgão ou entidade, observado o disposto nesta Lei.
§ 1º A competência prevista nos incisos I e II, no que se refere à classificação como ultrassecreta e secreta, poderá ser DELEGADA pela autoridade responsável a agente público, inclusive em missão no exterior,vedada a subdelegação.
§ 2º A classificação de informação no grau de sigilo ultrassecreto pelas autoridades previstas nas alíneas “d” e “e” do inciso I deverá ser ratificadapelos respectivos Ministros de Estado, no prazo previsto em regulamento.
§ 3º A autoridade ou outro agente público que classificar informação como ultrassecreta deverá encaminhar a decisão de que trata o art. 28 à Comissão Mista de Reavaliação de Informações, a que se refere o art. 35, no prazo previsto em regulamento.
Art. 29. A classificação das informaçõesserá REAVALIADA pela autoridade classificadora ou por autoridade hierarquicamente superior, mediante provocação ou de ofício, nos termos e prazos previstos em regulamento, com vistas à sua desclassificação ou à redução do prazo de sigilo, observado o disposto no art. 24.(Regulamento)
§ 1º O regulamento a que se refere o caput deverá considerar as peculiaridades das informações produzidas no exterior por autoridades ou agentes públicos.
§ 2º Na reavaliação a que se refere o caput, deverão ser examinadas a permanência dos motivos do sigilo e a possibilidade de danos decorrentes do acesso ou da divulgação da informação.
§ 3º Na hipótese de redução do prazo de sigilo da informação, o novo prazo de restrição manterá como termo inicial a data da sua produção.
Art. 30. A autoridade máxima de cada órgão ou entidade publicará, anualmente, em sítio à disposição na internet e destinado à veiculação de dados e informações administrativas, nos termos de regulamento:
I - rol das informações que tenham sidodesclassificadasnos últimos 12 (doze) meses;
II - rol de documentos classificados em cada grau de sigilo, com identificação para referência futura;
III - relatório estatístico contendo a quantidade de pedidos de informação recebidos, atendidos e indeferidos, bem como informações genéricas sobre os solicitantes.
§ 1º Os órgãos e entidades deverão manter exemplar da publicação prevista nocaput para consulta pública em suas sedes.
§ 2º Os órgãos e entidades manterão extrato com a lista de informações classificadas, acompanhadas da data, do grau de sigilo e dos fundamentos da classificação.
Art. 31. O tratamento das INFORMAÇÕES PESSOAIS deve ser feito de forma transparente e com respeito à intimidade, vida privada, honra e imagemdas pessoas, bem como àsliberdades e garantias individuais.
§ 1º Asinformações pessoais, a que se refere este artigo, relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem:
I - terão seu acesso restrito, independentemente de classificação de sigilo e pelo prazo máximo de 100 (cem) anos a contar da sua data de produção, a agentes públicos legalmente autorizados e à pessoa a que elas se referirem; e
II - poderão ter autorizada sua divulgação ou acesso por terceiros diante de previsão legal ou consentimento expresso da pessoa a que elas se referirem.
§ 2º Aquele que obtiver acesso às informações de que trata este artigoserá responsabilizado por seu USO INDEVIDO.
§ 3º OCONSENTIMENTO referido no inciso II do § 1º não será exigidoquando as informações forem necessárias:
I - à prevenção e diagnóstico médico, quando a pessoa estiver física ou legalmente incapaz, e para utilização única e exclusivamente para o tratamento médico;
II - à realização de estatísticas e pesquisas científicas de evidente interesse público ou geral, previstos em lei, sendo vedada a identificação da pessoaa que as informações se referirem;
III - ao cumprimentode ordem judicial;
IV - àdefesa de direitos humanos; ou
V - à proteção dointeresse público e geral preponderante.
§ 4º A restrição de acesso à informação relativa à vida privada, honra e imagem de pessoa não poderá ser invocada com o intuito de prejudicar processo de apuração de irregularidades em que o titular das informações estiver envolvido, bem como em ações voltadas para a recuperação de fatos históricos de maior relevância.
§ 5ºRegulamentodisporá sobre os procedimentos para tratamento de informação pessoal.