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A Escola Primaria, 1937, anno 20, n. 11 e 12, fev./mar., RJ

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O QUE JlAIS CONFORTO 'OFFERECE .AOS SENHORES VERANISTAS - O MELHOR DE '·

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ANNO

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11

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Nº. avulso 1$200

Fev. e Março de 1937

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REVISTA

J\IIENSA

L

-Directo

r:

ALFREDO

C. DE

F. ALVIIvl

Superintendeule de Ensino Particular

REDACÇÃO: RUA SETE DE SETEMBtlO, 174

RIO DE JANEIRO '

ASSIGNATURAS

:

P a r a o ·B r a s i l • j um ar1no. , ..

1

6 mezes, . , .. 12$000 6$000

S U M M

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l~ 1 O

rrancisco Prisco. , .... ... ... . .. .. Zopyro Goulart

,J oicé Piragi be, . .. , ...•..•.. , , o Brasi 1 no plano de ed ucacão

Expedienw

.Milria N. Barcellos ..•. , , . , ... . Horarios E~colares

l>r. Mes;ias do c ~rmo,, ... . A ali1nentação e a Escola

J:cd . .. .... .. , ... , ... , .... Bibliografia: Introdução à Bíblia

Sagrada

!Osrar A. Gt:i1narües, . . , .• .. . , ... Livros e cadernos

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P. A, Pinto, ... Língua Materna

Leonor Posada ...••. . , ... A Linguagem escrita na Escola

· Primaria

, O. Reis ... , , ... , , . ,.,. ... Enucaçiio i1oral ~ civica O Dever do Voto

Departamento de Educação, .•.•. O Ensino Especializado Me1,tre Escola., .• ., .. , ... , •.. ,. , • Tres palavrinhas

I. P. E. S ... -. , ... , ·,,;,.A ~aude e os cuidados corporaee

Dcp1rtamento de Educação... A babilita~ão dos Professores de

· cursos particulares

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Toda a · co rrespGndencia deve ser dirig ida á redacçãc: Rua Sete de Setembro, 174

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E' de esperar que se dê á educação! tas, e não tivessem os patria. Nos dias fe· cívica, na proxima reforma do ensino se- riados deveríamos dar nos collegios ao

cundario, o Jogar que lhe compete. menos uma aula-a aula de edt1cação

ci-Sabemos que a educação religiosa, vica. Não se faz nada. Era como se ti-quando bem feita, é tambem uma educa- vessemos vergonha de .ser brasileiros, e

ção moral, e, ainda mais, uma educação vamos fazendo assim muito inconsciente

-cívica : Si bem feita. mente, e muito imbecilmente a

propagan-Tudo depenqe desta condicional. da communista.

Rcceiamos que a falta de tempo, ou a Ha em todo o Brasil ha no Rio mui-de habilidad~

mestre, encarr~gado da tos collegios cujos propri'etarios ou dire-edu:açã? .rel1g1osa, torne esquecida a edu- ctores são estrangeiros. Estimamos ver o c~ça_o c1v1ca. Os regulamentos dão aos capital estrangeiro empregado tambem nas

d1sc1pulos facul~ade

?e.

escolha: ou pre- casas de educação, recebemos de braços ferem a educaçao re.lig1osa, . ~u terão de abertos os estrangeiros que vêm collaborar cursar a educação mora.I e ci~ica. Talve~ comnosco na formação da nossa juventu-fosse melhor tornar obr1gator1~ par~

!

1odo., de, mas estou certo de que, no intimo, os alumnos

~

~ufa de educaçao civica, e aquelles proprietarios e aquelles directores~ da~-l~es o d1re1to de op~ar pela educação lembrando-se do que se passa em seus

rel1g1osa ou pela educaçao moral; , paizes, lastimam que as leis do Brasil não

. P_orque a gra~de verdade e ~ue na I os obriguem a confiar brasileiros natos 1na10:1a dos colleg1os as d_at~s nacionaes, aque!las disciplinas que tocam bem de per-os fe1t<;>s d?s grandes bras1le1rper-os, p_assam O to á alma brasileira--a nossa geographia,

anno 1nt :1ro sen: _uma c~remo~ia, uma a nossa historia, a nossa literatura, a edu-commemoração c1

:7

1ca, e e, por isso '!1es- cação cívica. Nomes de paizes estrangeiros !'1º, cad~ vez maio~ .na adolescencia

ª

entrelaçam-se nas !aboletas de collegios r

1gnoranc1a dos patr1c1os que trabalhara.m sem que representem homenagem do Bra-e quBra-e soffrBra-eram pBra-ela grandBra-eza do Brasil. sil.

Não ha jogador de foot-ball, não ha cam-peão ou campeã de natação, de tenni,s, de voléy óu de basket, não ha artista de cir,e-111a, c11ja vida seja ignorada pelos moços,

conhecem-na bem e minuci osamente. Se

mandassemos parar de repente, na hora da

· vadiação, em pler.1a Avenida , todos aquel-les moços, e perguntassemos a cadia um q11en1 foi Barroso, ou Caxi~s, ou Luiz de Vasconcellos, ou Oswaldo Crt1z, ou Car· los Chagas. ficaríamos surpres os por ver que não sabem nada de nada a re speito

destes grandes vultos, ao passo que co-nhecem admiravelmente bem o Domin-gos, o feitiço, a Martha Eggert e a Greta

Garbo . Uma vergonha.

Note-se que o dia de festa nacional é feriado nos collegios. Para com111emorar

uma

data da Patria, a qual synthetiza o esforç c colossal e o trabalho insanr. de

mui tos brasileiros, deixa-se de trab a lhar. Não ha aulas, <) colle g io fecha.

Cor1sa-gra-se o Tiradentes heroe bra :- ileiro, mar-cando-se de vespera 11m passeio a · Pa-quetá. Era como si fossemos

communis-Tenho passado por muitos collegios em dias feriados , e nao sei si admittiriam na patria dos respectivos. directores que

um collegio brasileiro nos dias nacionaes içasse ao lado da bandeira ingleza, por, exemplo, a bandeira do Brasil. Nestes dias certos collegios parecem ser legações es-trangeiras. E isto é inconcebivel.

Em cada collegio secundario deveria haver obrigatoriamente, ao menos un1 t:I11b-pan-americar10, e um cen.tro de brasiljda

-de. A Arrie rica e o Brasil - assumptos constantes durante o anno lectivo, idéas centráes-e em torno dellas toda a vida escolar, todas as actividades dos mestres~ discipulos.

Os illustres professores que estão or-ganizando o plano de reforma do ensino,

darão a tudo o que pt1der desenvolver o amor

á

Patria-um grancJe relevo. Devia ter sido sempre assim, e não o foi. Mais

do que nunca deve ser assim, e nao preci-samos dizer o porque.

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Um dos problemas capitais da nossa ça seus movimentos naturais de expansão organização escolar

é

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sem duvida, o nos- muscular, dos quais estivera privada , d

u-so atual horario. rante a aula. Naturalmente volta o aluno

Ultimamente, varias têm sido as vozes para a classe, iatisfeita essa necessidade de que, através dos jornais, defendem a re-, movimento e, assin1, poderá exigir-se-lhe dução dos horarios e outras pretendem maior atenção. O recreio , assim

parcela-aumentá-lo. do e de pequena duração, satisfaz e refaz

Carecem de base as argumentações a êapacidade de expansão da criança,não para o horario de cinco e mais horas · dia- chégando, contudo, a f-atigá- la, o que se rias. O dia escolar já é demasiado Jgngo. observa no nosso sistema escolar, em que

Constitue noção rudimentar de psicologia ,o al11no após o recreio, diminue, sensível-da criança a sua evidente instabilisensível-dade de mente, 'o seu poder de assimilação.

movimentos e de atenç.ão, variando essa Em relação ao 1

º

,

2º e 30 Anos e, prin-desate~ção e esses. movimentos de acord? cipalmente, em tratando.se de analfabétos,

co!'1 a _1d~_de da criança. Esse . estado

_PS!·

0 nosso hora rio é exaustivo e improfícuo. qu1ço, alia s, faz parte da propr1a const1tu1, Com a nossa elevadissima temperatura, em

ção mental do homem. salas contendo quarenta e mais crianças,

· ' A permanencia em classe de crianças não é possfvel, por mais inteligente qt1e de primeiro ano, principalmente, durante seja o professor, por melhor

encaminha-r.'cinco horas diarias, constitue um verda- da $ que sejam as aulas, manter

o

interes-deiro martírio para alunos e professor~s.

1 se infantil. e obter perfeito _aproveitamento

P·ara essas classes, quatro horas bem d1s- r das lições. Fatigan1-se as pobres crianças,

tribuidas são mais que suficientes. Não : que só desejam ouvir o sinal de saída ·e é pretendemos reduzir o trabalho do profes- 1 facil imaginar o estado em que se encon-sor, defendendo assim uma causa própria . . tra'rá a p'.l'ofessora, ao terminar o dia.

Des-_Exija-se-nos o horario de cinco horas em- · se cansaço físico . e intelectual dos

mes-'pregado, porém, o excesso nas funç~es tres , resultam as aulas improvisadas , tão

· extra classe , que são varias atualmente prejudiciais á criança e os exercícios apres-(caixa escolar, cooperativas. pelotões de. sados, frequentemente falhos de valor pe·

saúde, bibliot~ca , cinema edu.c_ativo,

cen-1 dagogico.

tros pan-am<:_r1ca~os e de bras1_!1dade, etc.) ; · Ansiam o s pequen 0 s pelo regresso à

e ~u:. poderao ainda ser amp_l1ados com a • casa, onde tratam apenas de recuperar o cr1açao de um centro de leitura par~ o ' .tempo que estiveram encerrados na esco-prof::sor. aulas . mo~elos, conferencias, la, entregando -se aos folguedos tão natu-reun1o~s para apl1caçao de processos pe- . rais ness es verdes anos. Minimo é o

tem-dagog1cos. 1 po que , mesmo os mais aplicados,

empre-0

ho~ario es~olar de quat~o horas ; gam no preparo das lições .

não const1tue novidade nos meios peda- 1 Reduza-se o numero de alun·os das gogico; modernos. ~a .re~t1blica Arger:ti- 1 tu rn,as e diminua-se o _hora rio escolar, na êle e adotado e d1str1bu1do de maneira torne-se mais suave o tr:s1no · para alunos assás interessante: a primeira aula é sem-

e

professores e o resultado será o 1nais

sa-pre de linguagem, demorando-se quarenta tisfatorío possível.

e cinco ~inutos; segue-se-lhe um re_creio , Lembremo-nos que quasi todos os sis, de dez m1nu.to1; durante o qual a cr1an\a temas educacionais partiram quasi que ex-tem a mpla l1berd~~e de ação. Ve'!1 depois clusivamente do ensi no in dividual e,sendo a aula de mate~at1ca e, l~go apos, no,vo assim, adaptam-se com dif iculdade e so-desc~nso_ e assim, s_ucess1vamente, ate a bre falsas bases quando a plicados ao s

is-term1naçao do horar10. · tema escolar ora adotad o .

' .

E:-:sa divisão do tempo escolar é em

-pregado do 1° ao 6° «Orado » .

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t~s, e não tivessem os patria. Nos dias fe-c1v1ca,

!1ª

proxima reforma do ensino se- r1ados deveríamos dar nos collegios ao cundar10, o Jogar que lhe compete. menos uma aula-a aula de educação

ci-Sabemos que a educação religiosa, vica. Não se faz nada. Era como se ti-quando bem fe_ita, é ta~bem uma educa- vessemos vergonha de .ser brasileiros, e ção moral, e, ainda mais, uma educação vamos fazendo assim muito inconsciente civica : Si bem feita. . . , mente, e muito imbecilmente a

propagan-Tudo depenqe desta cond1c1onal. da communista. ·

de hab1I1dad~ ~o mestre, encarr~gado da tos collegios cujos proprietarios ou dire-edu~açã? _religiosa, torne esquecida a edu- ctores são estrangeiros. Estimamos ver o c~ça_o c,v,ca · Os . regulamentos .dão aos capital estrangeiro empregado tarnbem nas d1sc1pulos facul~ade ~e. escolha· ou,. pre- casas de educação, recebe:mos de braços ferem a educaçao religiosa, . °:u terão de abertos os estrangeiros que vêm collaborar cursar a educação mora_l e ci~ica. Talvez comnosco na formação da nossa juventu-fosse melhor tornar obr1gator1~ par~ ~odo3 de, mas estou certo de que, no intimo, os alumnos

~

~ula de educaçao civ,ca, e aquelles proprietarios e aquelles directores~ da~-l~es o direito de op~ar pela educação lembrando-se do que se passa em seus rel1g1osa ou pela educaçao moral: . , paizes, lastimam que as leis do Brasil não . P_orque a gra~de ve rd ade e que na

i

os obriguem a confiar brasileiros natos 1na10:1a dos colleg~os as d_at~s nacionaes, aque!las disciplinas qt1e tocam bem de pt:r-os fe1t<;is d_pt:r-os grandes bras1le1rpt:r-os, p_assam o to á alma brasileira--a npt:r-ossa geographia, anno int:iro se"'! _uma c~remo~ia, uma. a nossa historia, a nossa literatura, a edu-commemoração ci~ica, e e, por isso ~es- cação cívica. Nomes de paizes estrangeiros

!11º,

cad~ vez maio~

_na

adolescencia

ª

entrelaçam-se nas taboletas de collegios r

1gnoranc1a dos patr1c1os que irabalhar~m sem que representem homena em do Bra-.. e que soffreram pela grandeza do Brasil. sil. g

Não ha jogador de foot-ball, não ha

cam-peão ou campeã de natação, de tenn(s, de Tenho passado por muitos collegios voley ou de basket, não ha artista de cir,e- em dias feriados, e não sei si admittiriam ,na, ct1ja vida seja ignorada pelos moços, na patria dos respectivos directores que conhecem-na bem e minuci osamente. Se um collegio brasileiro nos dias nacionaes

mandassemos parar de repente, na hora da içasse ao lado da bandeira ingleza, por vadiaçao, em pler1a Avenida , todos aquel- exemplo, a bandeira do Brasil. Nestes dias les moços, e perguntassemos a cad~ um certos collegios parecen1 ser legações es-qt1en1 foi Barroso, ou Caxi:is, ou Luiz de trangeiras. E isto é inconcebivel.

Vasconcellos. ou Oswaldo Cruz, ou• Car· Em ~ada c?llegio secundario deveria los Chagas. ficaria mos surpre$ os por ver haver obr!gator1amente, ao menos un1 ~~t-

ib-que não sabem nada de nada a respeito pan-amer1car10, ~ tlm cen.tro de bras1l1da-·

destes grandes vultos, ao passo que co- . de . . A Arr,erica e o Brasil - ~ssun:ir!os nhecem admiravelmente bem o Domin- constantes durante o anno lect1vo, 1deas gos o feitiço a Martha Eggert e a Greta centráes-e em torno dellas toda a vida Ga;bo . Uma' vergonha. e~co_lar, todas as actividades dos mestres

e-Note .se que o dia de festa nacional é d1sc1pulos.

feriado ~os collegios. Para con11nemorar Os illustres professores que estão or-uma data da Patria, a qual synthetiza o ganizando o plano de reforma do ensino,

esforçc colossal e o trabalho insan"' de darão a tudo o que puder desenvolver o muitos brasileiros, deixa-se de trabalhar. amor á Patria-um grande relevo. Devia Não ha aulas,<) collegio fecha. Co11sa- ter sido sempre assim , e não o foi. Mais gra-se o Tiradentes heroe bra sileiro, , mar~ do que nunca deve ser assim , e nao preci-cando-se de vespera 11m passeio a · Pa- samos dizer o porque.

qt1etá. Era como si fossemos com munis-

Jo

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' • •

A ESCOLA PRIMARIA

14

3

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U,n dos problemas capitais da nossa ça seus movimentos naturais de expansão organização escolar é, sem duvida, o nos- muscular, dos quais estivera privada · du-so atual horario. rante a aula. Naturalmente volta o aluno

Ultimamente, _varia~ têm sido as vozes para a classe, iatisfeita essa necessidade de que, através dos 1_orna1s, defendem a re-, movimento e, assin1, poderá exigir-se-lhe dução dos horar1os e outras pretendem maior atenção. O recreio , a ssim

parcela-aumentá· lo. do e de pequena duração, satisfaz e refaz Carecem_ de b_ase as ar_gumentaçõ_es a capacidade de expan são da criança,não P.ara o h~rario de c~~c~ e mais_ horas dia- chegando, contudo, a fatigá-ta, o que se rias. ~ dia esc_olar

J~

e demasiado_ 1'1ng~. observa no nosso sisJema_escolar, em que

Const1tue noçao rudimentar de ps1c0Iog1a o aluno após o recreio, diminue

sensível-da

criança a sua evidente instabilidade de ·mente, 'o seu poder de assimilação.

movimen!os e de atenç_ão , variando essa Em relação ao 1

º

,

2º e 30 Anos e, prin-desate~çao e es ses. movimentos de acord? cipalmente, em tratando-se cie analfabétos,

co?1 a _1d~,de da criança. Esse. estado

_PS!·

o nosso horario é exaustivo e improficuó. qu1ço, alias , faz parte da propria constitui· Com a nossa elevadissima temperatura, em ção mental do homem. salas contendo qt1arenta e mais crianças

· '

~

p~rmanencia ~m. classe de crianças não é possfvel, por mais inteligente qu; d.e primeiro a~o,. pr1nc1palr:nente, durante seja o professor, por melhor

encaminha-" c1nco horas d1ar1as, const1tue um verda- das que sejam as aulas, manter o

ihteres-deiro martirio para alunos e professor~s.

1 se infantil e obter perfeito .aproveitamento

P·~ra essas classes! quatro ho~a~ bem d1s- : das lições. Fatigari1. se as pobres crianças,

tr1buidas são mais_ que suf1c1entes. Não I qu~ só desejam ouvir o sinal de saída ·e é

pretendemos reduz•~ o trabalho do pr,of~s-

!

facil imaginar o estado em que se encon-so~,. defendendo assi:n uma. causa propr1a. : tra'rá a p!ofessora : ao terminar o dia.

Des-,Ex11a-se-nos o horar10 de cinco horas em- ; se cansaço físico e intelectual dos mes-'pregado, porém, o excesso nas funçt?es tres. resultam as aulas improvisadas , tão

extra classe, que são varias atualmente prej,udiciais

á

criança e os exercicios apres-(ca}xa es~o!ar, coo_perativas. pel_otões de. sados, frequentemente talhos de valor pe-saude, b1bliot~.ca: cinema edu_c_atsvo,

cen-1 dagogico.

tros pan·am:,rica~os e de bras1_lidade, etc.) , · Ansiam o s pequen iJ s pelo regresso à

e ~ue poderao ainda ser amp_liados com a · casa, onde tratam apenas d e recuperar 0 criação de um centro de leitura par~ o , tempo que estiveram encerrados na esco-prof:~sor. aulas . mo?elos, conferencias, la entre<Tando-se aos foi uedos tão 11a· tu-reun1o~s para apl1caçao de processos pe- ra'i s ness~s verdes anos. tinimo é o tem-dagogicos. . 1 po que , mesmo os mais aplicados,

empre-0 horar10 escolar de quatro horas ' gam no preparo das lições.

n ão constitue novidade nos meios peda- Reduza-se o numero de altinos das gogicos modernos. Na rept1blica Argenti- turmas e diminua-se o hora r: io escolar na êle é adotado e distribuido de maneira tor~e-se mais suave o tnsino · para aluno~ assás interessante: a primeira aula é sem- e professores e o resultado será o 1nais

sa.-pre_ de lin~uagem, demorando-se quarenJa tisfatorío possivel.

e cinco ~inutos; segue-se-lhe ttm re_creio , Lembremo-nos que quasi todos os sis-de sis-dez m1nu~O'- durante o qual a crian~a temas educacionais partiram quasi que ex-tem ampla liberd~~e de ação. Ve':!1 depois clusivamente do ensi no in dividual e,sendo a aula de mate"!latica e, l~go apos, no,vo a 5sim, adaptam-se com dificuldade e so

-desc~nso_ e assim, s_ucess1vamente, ate a bre falsas bases quando a p licados ao s is-terminaçao do horario · · , tema escolar ora adotad o.

E,.:sa divisão do tempo escolar e em

-pregado do 1° ao 6° «Orado » . E' clara a I

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fina lid ade desse criterio : rest ituir á

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A

traz para o aluno, além dos habitas de

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giene, corno 1nastigação perfeita, asseio,

1 dece11cia, a preferencia por certos

alimen-__'.'Foi o pedagogo quem prirneiro deu

I

tos, até então ·desconhecidos. Os medicas

o arito de alarn .a nos casos de sub-ali- escolares tê rn observado aqui e• em toda

mtntação, verifica11do pelas observações parte, que algumas crianças que 11ão

gos-em escolares, ser esta 11ma das causas tavam de leite, de pão, de verduras e

mais freq11entes de atrazo pedagogico. frutas, por falta de costume, no convivio

Aprofundando os estudos, notã~am da escola adquirem este gosto, e o levam os mestres que a maioria das crianças vi- para casa, influindo na modificação da nha para a escola insuficiente1nente ali- rotina de fan,ilia.

mentadcs e durante as aulas quasi sem- Além de todas estas vantagens reais,

pre dormiam ou ficavam desatentas; fica ga

1rantida á criança, pelo menos, uma ·

submetidas a exercicios físicos tinham ás refeição sadia, feita ao ar livre 011 em lo ·.

vezes de os interromper, prezas de lipo· gar arejado, nu1n ambiente de alegria e timia, concorrendo estes acidentes para felicidade, que nem sempre póde ser o do

diminuir o coeficiente de ,rendimento da lar, além de banir o pernicioso costutne

escola. Comumente a criança ao sair de das gttloseimas, balas, doces, sem valor

casa torr.a uma canequinha de café com 1111tritivo· ·

un1 pedaço de pão, e se Sttbrnete a ttm A Escola não é some11te o

instr11rnen-long:o turno de aula_ cheia _de atividades, to ele edt1cação, o é tambem de

saúde;

.

ai

prat1carnente se.m a~tmentaç~o: , é a encruzilhada por onde passa a

maio-E,tes fatos 1nflu1rarn decisivamente no ria e por onde se pode chegar a tempo

esrJirito do_s reformadore_s d~ Escola , dan-, de salvar uma geração que se degrada

do logar a ca.rnpanha vitoriosa em favor pelos varias fatores disgênicos,

princi-d_? copo de. le1t~, da !nerenda, do_ prato d_e paimente os hereditarios. C. Octavio

Bun-sopa, da v1tam1:1a trut.as, laran1adas ,, li- ge, um dos maiores conhecedores de

pe-n:ionadas, manteiga), cuJos resultados tem dagogia e educação, acha que o conforto

sido tantas vezes exaltados. que todos supõem i11dispensavel á vida

Um problema desde logo se impoz, é moderna, nada seria sem a nutrição

ade-que nem todas as crianças poderiam tra· quada ade-que somente póde ser aprendida na zer suas merendas para a escola, <)li por· escola e que deve ser a chave da seleção

que os páis não t;nhari1 recursos ou por- l111111ana e o elemento rna'is precioso

da

que não corn·preendia111 esta necessidade. terapeutica.

Tambem outra questão_ era a de s.aber qual Pela Escola

é

facilirr10 fazer o

diag-a merenda que deveria ser trazi~a, para nostico precoce de sub-alimentação e,com

evitar que se c';lm;Juzesse de aliment~s lo trabalho em cooperação. hoje f-eguido,

f~rmenJado~, fr_1Qs, capazes de produzir esta taréfa é perfeitamente accessivel ao

d.1s!urb1.os d1gest1vos ou repugnar ao ape- J mestre. á enfermeira escolar, á visitadora,

t,te delicado de um escn lar. 1 à grande numero de páis (membros dos .

A fundação de Circulos de Páis e] circulas), cabendo ao clinico escolar ser o

mestres, congrega11dó estes elementos, arbitro destes diagnosticas, nos exames

criou nova mentalidade entre páis e re5• periodicos dos se11s escolares.

ponsaveis, os quais se tornaram apaixona- Ao mestre não é difícil distinguir um

dos partidarios da merenda escolar, coa· .aluno com defeitos físicos, anemia, visão

djuvando na formação de cooperativas es 1mperfeita, caries dentari-as, desatenç~o,

so-colares , orga11izações exceler1tes que per·/ nolencia, irritabilidade, e e1n tais

condi-mitern 11ma re~ular distrib11ição dt'I rnereri· ções enviar o menino á Clinica corno

s11s-'

.

da e de ali1nenlos que11tes, corno sopas, peito de sub-nutrição·.

mingá:.is e chocolate. ..\.s cr_iança~ t~m u ·.

seu lanche garantido pela ajuda 1nd1r~ta

I

A ·acatada educadora no1te-amer1ca11a,

dos outros alunos e dessa sorte, c01n a I Doutora S.

Bc\KER,

em seu esplendido

pratica do Ia11che _escolar, ficou perfeita- '. livro «Çf!ILD }IY~ IENE». estudand? a

mente estabelecido o tip o de n1ere11da a , st1b-nt1tr1çao. cr)n s1dera cau sas gerais

e

vir de casa e o for necido pela e~cola. Isto

I

cau sa s ligada·s

á

alimer1tação, resumindo:

1 1 1 • '

A

ESCO

L

,

\

PR

I~IARIA

l º) -~nsuficie11cia da quantidade;

2°) -alin,entação irnpropria ;

3°) -má ass:milaçao;

4°) - disturbio da digestão;

5°)- irregularidade nas refeições.

Tudo isto num aparelhar;-iento escolar

inteligente póde ser pesquizado ,

constan-do de fic l1amento simples, para que seja

sempre passivei tirar dedução imediata,

capaz de inspirar providencias adeqttadas.

• •

145

-•

1 10

·

r a Ia

·

introdução

á

Biblia

Sa-'

I

l

'

grada

' •

Acaba de sair do prelo, com aprova-çãÓ eclesiastica, o importante e esperado

li,·ro de autoria da ilustre S11perintendente Atendendo-se á gr2. nde massa de es- de; Educação Professora Alba Cafiisares

colares que irá adotando e dif11ndindo os Nascimento - sob o titulo -

J,it,·odução

ensinamentos de bôa alir11entação 1 adqtti- á

Biblia

S

ag,·ada.

ridos na pratica, diante de u1n2 1n esa be111 '

:ervida, é justo ~on siderar que pela escola Esta obra é destinada a dar aos pro

-e que sera poss1vel levar !l termo um tra · fessores de relio-ião (i)S necessa rios

conhe-balho bem orientado de higiene alin1entar.

l

ciriientos acerc: da Bíblia Sa,R·rada,

fun-. . . . / damento da Religião Catolica .

Ha taboas mt11~0 m1nuc1osas, co 1:10 as ·' Sem

º,

~onheci~ento da Sagradà

Es-de «

JVOOD-BALDT,V/N»,

para os do1s_se- cr1tura - e 1mposs1vel uma exata c

ompre-xo s, que estabelecem o peso cornpat1vel ensão do Cat olicismo , O livro da Pro -com a altura e a idade dos escolares , da11- fessora Alba Canisares ten1 ainda a

im-do bastante elasticidade, de modo a !-e portancia de ser O primeiro tr abal ho, no

poder determinar o litniar do peso normal genero, em lingua portugtieza, tendo sido

e st1rpreender os primeiros 1;ráos de st1b- re cebido com os maiores encomios pela

n11trição. Ta,nbem ha as ta boas de RO - critica .

BERT WOODBURY, do CHILDREN'S BU

-REAU, U.

S

.

DEPARTl\íEN'r OF LABOR »

para crianças de 11m ano até os pre -esco

lares.

Citamos estas ta boas ptla sua fa.

cilidade de manejo e facil adaptabilidade

A autora destinou o prodt1cto da obra ao 1patrimonio do Conselho Arquidiocesa

-no de Ensi-no Religioso. Está a venda na

Li yraria Alves.

entre nós. Em São Paulo a il11 stre douto- Ei s como a re speito da obra se

ex-ra

EMMA DE AZEVEDO, organizou urria pressou a autoridade eclesiastica:

tabéla interessante para os doí!- sexos.que

preenche bem os seus fins 11 c s serv iços

de antropometria e diagnostico dos

dis-turbios da nutrição.

l

A Sociedade Brasileira de Nutrição,

compreendendo a extensão dos problemas

de

alimentação, formou-se sob bazes

ecle-ticas ~. assim, póde contár com a

cola-boração do Professor. Set1 primeiro

tra-balho pratico foi um inquerito realizado em uma escola, com u1n sucesso que

ex-cedeu á espectativa. ·

Jf

ESSIAS

DO

CARlJ!JO

.

Apreciação da obra pe J o

'

Padre João Baptista de Siqueira

1 ( Oensor 1la 011rl1~ 11·"tr1•11olit1,n,,

O novo livro da Professora Alba

Ca-fiizares Nascimento INTRODUÇÃO A'

BI-BLIA SAGRA DA, foi escrito

especialmen-te para instruir a mocidade das escolas, os

est'udantes. Com esse intuito procurou a

autora basear a sua exposição em

argtt-mentos de Filosofia, Literatura, Historia,

etc.

O

valor do 1 i vro

é

total e nã·o

sim-•

(6)

• • • •

146

A

ESCOLA PRIM

A

RI

A

- - - ~

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[ ._,- l.!. -..

plesmente mistico.

El

'

recomendavel sob

todos os pontos de vista pelos quais se apreciam as obras literarias.

A INTRODU

ÇÃ

O

A'

B

IBLIA SA

G

RA-DA

certo estou , prestará relevantes

servi-ços á cultura religiosa.

Na ma teria, é o primeiro ensaio

ten-tado entre nós, 11or uma escritora

cultis-.

.

'

s1ma, CUJO nom e e bastante para re c

omen-da-la . Seria isto o s11ficiente para lhe dar·

o mere cido valor, mas, além d isso , lhe dá

valor a solida ;, rgu me n tação filo sofica •

so-bre a exceleucia do Catolicismo.

A autora realizará, de certo o seu propósito de instruir e convencer.'

A INTROD

U

ÇÃO A' BIBLIA

SAGRA-DA

é fruto de anos de estudo e

represen-ta o pensamento e a devoção á causa de

Jesus Cristo, que por desconhecido, não é

por todos amado. ·

. O livro define , esclarece, distingue e

1l_ustra, mostrando que a fé catolica é

ra-cional

Recomendo a obra, com sumo

empe-nho; a todos os catolicos, e a q~antos se

intere ssam pela cultura em geral.

• •

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1VIA

RIA

147

-

. . .

O livro e o caderno são materiaes de multiplicidade de cadernos não permitte

uso tradicional na escola.

uma apreciação de conjunct

o,

acerca do

A escola tem passado por transformá- trabalho e da vida escolar.

O

caderno a

ções profundas e radicaes.

Modernizou- limpo nada 1nais é do que ttm caderr10 de

s

e sob normas scientificas. Reformou e apparatos,

·

que nada informa e nada

si-r

ea

j

ustou os seus trabalhos. O uso do li- gnifi

c

a. falta-lhe cunho pe

s

soal,

expres-vro e do cade.1no mantcm-se sob forma são exacta de valor, e,

sobretudo

,

sin,

,

trad

i

cional : livro uni

c

o, cadernos multi- ceridade

.

O caderno de rascunho

,

por seu

plo

s

.

turno não habilita a julgar do valor e do

E

s

cola

s

ha que estabel

e

cem uma se- progresso d

o

alumno. Foi

trabalhado

rie interminavel de cadernos um para r.a, sem cuidado

,

sem attenção, certo de que

da di

s

cip

l

ina, um para cada typo deexer

-

o que ahi se fizesse 11ão seria trabalho

de-c

ici

os

, um para os exercicios em classe

,

finitivo e ne1n constituiria elemento de

u

m para os exercícios mensaes. E ha até prova de capacidade e de progresso

es-um

t

y

po extranho de caderno, creado por colar.

uma ima

g

inação ainda mais extranha : o

Respeito ao livro

,

pode-se dizer que

ca

de

rno a limpo.

·

não merece applauso o uso do livro

uni-Quanto aos livros

,

a propria a

<l

minis- co. O uso de um só livro para toda a

tração do ensino é que intervem, deter- classe e para todo um semestre ou um

minando : livro tal

,

para tal sé1ie ou tal anno lectivo é pratica que incorre em

fal-anno do curso.

P

ara o semestre

,

ou para ta contra preceitos da escola moderna .

o anno todo.

O

livro unico não desperta interesse

H

a

,

em tud

o

i

s

so

,

erros e falhas que 11a ciasse, antes a aborrece e enfada, ao

ap

o

n

t

ar

,

princip

a

lmente se se examinam cabo de algum tempo

,

quando não ha

detalhes da questão

á

luz dos princípios mais novidades a cons11ltar. Desgosta ao

que nort

e

iam a e~cola moderna.

alumno ter de compulsar e mar,usear dia·

Primeiro

,

com re

f

erencia ao caderno. riamente o mesmo volume, já gasto e

se-P

orque e para que o caderno n1ultiplo

?

bento, ler e reler as mesmas lições, ver as

·

Essa exigen:ia ott essa praxe parece ser mesmas illustrações.

decorr

e

ncia do p

r

incipio de especialização

,

·

Uma capa de livro nova

,

um dorso

principio qu

i!

a tneoria moder

,

,a condem- diff

e

rente, uma gravura variada, uma

his-na e orocura afa

s

tai do ensino prima rio. toria desconhecida

,

attrae a creança e con-

,

Condemnação 111aior deve recahir so- vida a manusear o livro, convida a ler.

bre o uso do caderno a limpo e o seu Esses elementos de attração e de

interes-correlat

o

. caderno de rascunhos

.

Importa ses

,

essa attitt1de mental dos alumnos

de-essa pratica em não considerar o trabalho veriam estar sempre presentes

ás

aulas de

escripto senão depois de corrigido e pas- leitura. O livro unico não satisfaz a essas

sado a limpo. Obriga

,

portanto,

a

fazer necessidades e a esses preceitos.

Soffre

duas vezes o mesmo trabalho

,

forma o com isso o ensino, soffre o rendimento

habito mau de fazer sem cuidado o traba- escolar.

tho escripto, para depois copiai-o. Além

Uma revisão

,

portanto, mas praticas

disso. a copia se faz q

1asi sempre depois escolares referentes ao uso de livros e

dos

'

retoques e correcções feitas pelo cadernos parece-nos medidas necessarias,

professor.

á vista do que acima ficou exposto.

O

r

a

,

o oaderno deve ser o reflexo da

As envez do livro unico e do caderno

vida escolar. Deve informar sobre o pro- multiplo

,

como está sanccionado na

prati-gresso e o desenvolvimento do alumno. ca act11almente em voga

,

o contrario

é

que

Deve, ainda, informar indirectamente,so- a nosso ver

,

estaria mais acertado : livro

bre a materia dada pelo professor

,

os pon- multiplo, caderno unico.

tos ou os themas tratados em aula e a

·

orientação seguida.

O

uso do caderno

OSCAR ARTHUR GUIMARÃES.

multiplo tudo isso desvirtua e falsea. A

(Do

Minas Geraes)

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