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A ENERGIA EÓLICA E OS CONFLITOS SÓCIO-AMBIENTAIS NO CEARÁ 1

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Academic year: 2021

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A ENERGIA EÓLICA E OS CONFLITOS SÓCIO-AMBIENTAIS NO CEARÁ1

Francisco Aragão Gomes de Morais Junior2, Diego Gadelha de Almeida3, Adrissa Mendes Figueiró4, Débora Lima Mendes5

1Artigo acadêmico 2

Graduando em Tecnologia em Saneamento Ambiental (IFCE). Bolsista PIBIC/IFCE Email:[email protected]

3Professor do IFCE. Email: [email protected] 4Professora do IFCE. Email: [email protected]

5Graduando em Tecnologia em Saneamento Ambiental (IFCE). Bolsista Cagece. Email:

[email protected]

Resumo

Energia eólica é o aproveitamento da energia cinética dos ventos por meio da conversão em energia elétrica. É considerada uma fonte de energia limpa, pois não emitem poluentes, porém causa grandes prejuízos sócio-ambientais na sua implantação. Este artigo tem como objetivo delinear a energia eólica e os conflitos sócio-ambientais no Ceará. A metodologia adotada neste estudo constitui na analise de publicações relacionadas com os conflitos sócio-ambientais da implantação da energia eólica, principalmente no estado do Ceará. O resultado deste estudo indicou que apesar de a energia eólica ser considerada limpa, ela não está desprovida de impactos sócio-ambientais, porém de menores impactos, quando comparado com outras fontes convencionais de produção de energia elétrica, tornando-se viável ambientalmente. Palavras-chave: Parque Eólico, Impactos, Meio-Ambiente.

1. INTRODUÇÃO

Denomina-se energia eólica a energia cinética contida nas massas de ar em movimento (ventos). Seu aproveitamento ocorre por meio da conversão da energia cinética em energia elétrica com o emprego de turbinas eólicas, também denominadas aerogeradores.

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É uma abundante fonte de energia renovável, limpa e de fácil disponibilidade. Sob o ponto de vista renovável, os ventos são abundantes e constantes, fazendo com que essa matriz energética seja aproveitada em quase toda sua totalidade.

As usinas eólicas estão promovendo profundos impactos ambientais negativos ao longo do litoral nordestino, em particular o Estado do Ceará, dada as suas condições geográficas que se tem um grande potencial eólico. As que estão operando e as em fase de instalação nos campos de dunas revelam que a área ocupada pelos aerogeradores é gravemente degradada.

O objetivo deste estudo foi de identificar os problemas sócio-ambientais causados pela implantação dos parques eólicos no Ceará, que tem um dos maiores potenciais do mundo para ser um grande gerador de energia eólica, comparando suas velocidades dos ventos.

2. MATERIAL E MÉTODOS

A metodologia adotada neste estudo constitui na analise de publicações relacionadas com os conflitos sócio-ambientais da implantação da energia eólica, principalmente no estado do Ceará, informando as principais consequências causadas pela implantação de usinas eólicas sobre os campos de dunas através da fragmentação dos sistemas ambientais e sócias provocados pelas obras de engenharia.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1.ENERGIA ELÉTRICA PARA AS COMUNIDADES

A geração de energia elétrica constitui uma alternativa para diversos níveis de demanda, principalmente para pequenas localidades. As pequenas centrais podem suprir pequenas localidades distantes da rede, contribuindo para o processo de universalização do atendimento. Além de ser de benéfico para a sociedade, também pode ser para o meio ambiente, quando comparado com outros tipos de matrizes energéticas, com importantes ganhos, como: contribuindo para a redução da emissão, pelas usinas térmicas, de poluentes atmosféricos; diminuindo a necessidade da construção de grandes reservatórios; e reduzindo o risco gerado pela sazonalidade hidrológica, mas também gerando impactos sócio-ambientais.

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Energias renováveis não necessariamente são limpas, como é a energia eólica, vista como uma das salvadoras do planeta, mas que em uma análise detalhada dos seus impactos pode se revelar grande vilã do aquecimento.

3.2.CONFLITOS E IMPACTOS SÓCIAIS

A falta de informação leva as populações residentes nas áreas de implantação, acreditar nas promessas e melhoras da situação da população e da região, querendo emprego, renda e energia barata. Mais nem sempre é o que é pra acontecer, como, a sonegação de informações dos impactos gerados pelo empreendimento, principalmente da poeira que é gerada para a construção do projeto, rachaduras nas casas e destruição destas conflitando principalmente com comunidades de pescadores.

A implantação também poderá causar problemas de saúde, através de impactos sonoros devidos ao tráfego de veículos e máquinas de escavação no momento da implantação. Depois de implantado os aerogeradores, estes emitem ruídos constantes e excessivos impedindo o descanso da população residente na área, alterando seu comportamento, que poderá causar perda de audição ou perturbações irreversíveis.

Outro impacto negativo dos parques eólicos é a possibilidade de interferências eletromagnéticas, que podem causar perturbações nos sistemas de comunicação e transmissão de dados, principalmente rádio, televisão e telefones dos moradores.

Um impacto cultural e social da implantação das usinas e parques é a destruição dos sítios arqueológicos, presentes nas dunas, contendo diversas informações dos povos que habitaram a região.

3.3.IMPACTOS AMBIENTAIS

Os impactos ambientais se da desde a implantação dos aerogeradores, como a retirada da cobertura vegetal através de queimadas, como mostra a Figura 1.

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Figura 1 – Retirada da cobertura vegetal através de queimadas do campos de dunas da Taíba-CE

Fonte: J. Meireles, 2008.

Este impacto está relacionado com atividades de queimadas para a abertura de vias de acesso, área de manobra para caminhões, máquinas, tratores e preparação do terreno para a instalação do canteiro de obras. Esta intervenção destrói as dunas fixas, pois a retirada da vegetação é seguida de terraplanagem, onde o material remobilizado pela terraplanagem é lançado sobre as dunas, onde poderá acarretar soterramento da vegetação das dunas fixas, modificando a morfologia e topografia do ecossistema.

Com a abertura de vias de acesso ao local de implantação, poderá haver soterramento e seccionamento de lagoas presentes nas dunas, além de cortes e aterramento das dunas fixas e móveis através da introdução de material sedimentar para impermeabilização e compactação do solo, impactando diretamente no ecossistema local, como mostra a Figura 2.

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Figura 2 – Lagoa interdunar seccionada por uma via de acesso no campo de dunas de Canoa Quebrada – CE

Fonte: J. Meireles, 2009.

Estas atividades alteram o nível hidrostático do lençol freático, influenciando no fluxo de água subterrânea e na composição e abrangência espacial das lagoas presentes nas dunas.

O material sedimentar para impermeabilizar e compactar as dunas é introduzido na via para proporcional o tráfego de veículos sobre as vias de acesso.

Para efetivar a construção de vias de acesso e a base para edificação dos demais equipamentos de construção civil, há introdução de compostos sedimentares provenientes de outros ecossistemas (principalmente da formação de barreiras), para fixação artificial das dunas móveis, como mostra a Figura 3.

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Figura 3 – Utilização de Palhas de coqueiro para fixação das dunas móveis que se direcionam para a estrada no campo de dunas de Canoa Quebrada – CE

Fonte: J. Meireles, 2009.

Desta forma os materiais sedimentares alóctones e as vias modificadas, impactam na medida em que, seccionam as dunas, os lagos presentes nas dunas e a planície de aspersão eólica, evidenciando a continuidade dos impactos ambientais, na medida em que imobiliza e modifica a morfologia e o ecossistema das dunas móveis.

CONCLUSÕES

Apesar de a energia eólica não emitir poluentes atmosféricos, produzindo energia elétrica a partir de uma fonte renovável (vento), essa matriz energética não está desprovida de impactos sócio-ambientais, porém de menores impactos, quando comparado com outras fontes convencionais de produção de energia elétrica, tornando-se viável ambientalmente. Ela altera paisagens com suas torres e hélices, modificam o ecossistema local, traz transtorno a população, etc.

O problema dos impactos da implantação de um parque eólico, é que instalam um parque levando em conta somente a dimensão econômica, ignorando os custos ambientais e sociais desse projeto, apresentam o projeto como se fosse ser feito em uma

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praia deserta, mas não, há pessoas que vivem nesses lugares a vida toda e que agora sofrem uma interferência violentíssima.

Mas nem sempre os impactos são vistos como forma negativa, como alterações na paisagem natural, esses impactos tendem a atrair turistas, gerando renda, emprego, arrecadações e promovendo o desenvolvimento regional.

REFERENCIAS

BRAGA, B. et al. Introdução à Engenharia Ambiental. O desafio para o desenvolvimento sustentável. 2ª Ed. Pearson Prentice Hall. São Paulo, 2005.

MEIRELES, A.J.A. Impactos ambientais decorrentes da ocupação de áreas reguladoras do aporte de areia: a planície Costeira da Caponga, município de Cascavel, litoral leste cearense. Revista Mercator Eletrônica, v. 14, p. 167-178, 2008. MEIRELES, A.J.A. e GURGEL Jr., J.B. Dinâmica costeira em áreas com dunas móveis associadas a promontórios, ao longo do litoral cearense. 38o Congresso Brassileiro de Geologia, Balneário de Camboriú/SC. Anais...v1, 1994, 403-404p.

MEIRELES, A.J.A. e SERRA, J.R. Evolução paleogeográfica da planície costeira de Jericoacoara/Ceará. Mercator, Revista de Geografia da UFC, vol. 1 (1), 2002, 79-94 MEIRELES, A.J.A; SILVA, E.V. e THIERS, P.R.L. Os campos de dunas móveis: fundamentos dinâmicos para um modelo integrado de planejamento e gestão da zona costeira. GEOUSP - Espaço e Tempo, São Paulo, Nº 20, pp. 101 - 119, 2006. PEREIRA, M.M. Um estudo do aerogerador de velocidade variável e sua aplicação para fornecimento de potência elétrica. Dissertação de Mestrado em Ciências em Engenharia Elétrica. Universidade Federal de Juiz de Fora – MG. Juiz de Fora, 2004. SILVA, N.F. Fontes de energias renováveis complementares na expansão do setor elétrico brasileiro: o caso da Energia Eólica. Tese de doutorado em Ciências em Planejamento Energético. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2006.

SOUZA, M.J.N. Contribuição ao estudo das unidades morfo-estruturais do Estado do Ceará. Revista de Geologia-UFC 2:32-57, Fortaleza, 1988.

Referências

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