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REPUBLICA DE ANGOLA TRIBUNAL CONSTITUCIONAL. Ac6RDAO N. o 120/2010

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REPUBLICA DE ANGOLA TRIBUNAL CONSTITUCIONAL

Ac6RDAO N.o 120/2010 Processo n° 62/2008

(processo relativo a partidos politicos e coligcq:oes alinea j) do artigo 3° da Lei n° 03/08

Acordam em Conferencia, no Plemirio do Tribunal Constitucional:

Miguel Joao Sebastiao, ora Requerente, residente em Luanda, no Bairro da Corimba, Rua da Samba, n° 102, intentou contra Alexandre Sebastiao Andre, residente em Luanda, no Bairro Neves Bendinha Rua do Colombo, n° 604-A Zona 12, ora Requerido.

U ma accao de anula~ao dos Congressos realizados e das delibera~oes tomadas por Alexandre Sebastiao Andre durante os mesmos em nome do P AJOCA - Partido da Alian~a Juventude, Openirios e Camponeses de Angola, impugnando-os em Processo Relativo a Partidos Politicos, ao abrigo das disposi~oes combinadas dos artigos, 30° da Lei n° 2/08 de 17 de Junho, lei Organica do Tribunal Constitucional, 28° da Lei dos Partidos Politicos, e da alinea d) do n° 1 do artigo 63.0

da Lei n° 3/08, de 17 de Junho, Lei Organica do Processo do Tribunal Constitucional,

Para fundamentar 0 pedido alegou resumidamente os seguintes faetos:

LL\~nV

1. Que e Presidente e fundador do PAJOCA - Partido da Alian~a ~'\(

Juventude, Operarios e Camponeses de Angola, desde 1992 como atestam os documentos 1, 2, 3 e 4 nos autos;

2. Que em 1995 por ocasiao da 1 a Conferencia Nacional Constituinte do PAJOCA, realizada de 18 a 19 de Janeiro de 1995, foi reconduzido ao cargo de Presidente do supracitado partido e 0 Requerido ao cargo de

Vice- Presidente;

(2)

3. Que as desaven~as iniciaram a 26 de Janeiro de 1998 por ocasiao da reuniao do Conselho Politico do PAJOCA, convocada de acordo com os Estatutos do partido pelo Requerente, enta~ Presidente, ap6s ter sido declarado suspenso das suas fun~oes e 0 Requerido na altura dos factos,

Vice-Presidente ter sido indicado para interinamente exercer a fun~ao de Presidente;

4. Que a convocat6ria do congresso realizado alOe 11 de Abril de 1998 deve ser declarada invalida e inexistente por ter sido sustentada por documentosfalsos e contnirios aos estatutos do partido, doc. 10 ell,

5. Que nao reconheceu a medida de suspenstio que the foi aplicada, por nao estar prevista nos Estatutos do partido e ter sido assinada pelo Presidente em exercicio, orgao estatutariamente inexistente.

6. Que por considerar-se licitamente no exercicio do cargo de Presidente realizou urn outro 1° Congresso de 29 a 31 de Mar~o de 2000, durante 0

qual foi reconduzido a Presidente do P AJOCA, cargo que vinha ja exercendo desde a realiza~ao da supracitada 1 a Conferencia.

7. Que 0 Requerido intitula-se tider do PAJOCA· Partido popular e nao do

PAJOCA - Partido da Alian~a Juventude, Operarios e Camponeses de Angola, 0 que demonstra uma indefini~ao relativamente a sua posi~ao

de lideran~a, porque 0 PAJOCA· Partido Popular, nao tern

personalidade juridica por nao estar inscrito como partido politico no Tribunal Constitucional.

Do pedido

Termina 0 Requerente pedindo ao Tribunal Constitucional:

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• Que considere nulos e sem efeito os congressos realizados pelo Requerido,

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Alexandre Sebastiao Andre, nos anos de 1998 e de 2007, e

consequentemente considere ilegitima a sua elei<;ao como Presidente do ~ ~ ~

P AJOCA. ' .. _,

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• Que 0 Requerente seja declarado Presidente legitimo e unico representante ~1"

do PAJOCA - Partido da Alian~a Juventude, Operarios e Camponeses de

Angola. '

(3)

o

Tribunal Constitucional e competente para conhecer processos relativos a

conflitos intra-partidarios, que decorrem da aplica~ao dos estatutos e conven~oes

dos Partidos Politicos, nos termos das disposi~oes combinadas do n° 2 do artigo

28.° da Lei 2/05 de 1 de Julho, Lei Organica do Tribunal Constitucional, da alinea j) do artigo 3°, da alinea d) do n° 1 do artigo 63.°, e do n° 1 do artigo 66°, todos da Lei n° 03/08, de 17 de Junho, Lei Organica do Processo Constitucional,

conjugados com 0 n° 2 do artigo 28° da Lei n° 2/05, Lei dos Partidos Politicos.

Legitimidade das Partes

o

Requerente

e

parte legitima visto ser militante e dirigente do P AJOCA e como

tal tern interesse directo em demandar .

o

Requerido

e

igualmente militante e dirigente do P AJOCA tern legitimidade

passiva, enquanto parte demandada e tern interesse directo em contradizer.

Objecto de Aprecias:io

No caso sub-judice deveria 0 Tribunal Constitucional pronunciar-se sobre 0 pedido

de anula~ao dos congressos realizados pelo Requerido, Alexandre Sebastiao Andre

nos anos de 1998 e de 2007, bern como as delibera~oes tomadas em nome do

PAJOCA- Partido da Alian~a, Juventude, Openirios e Camponeses de Angola, (ou

tao somente Partido Popular) e dec1arar quem e 0 Presidente legitimo do P AJOCA,

uma vez que 0 Ac6rdao n° 102/2009 relativo ao processo n° 8112009 c1arificou

definitivamente a questao de saber, se 0 PAJOCA·Partido Popular e 0

PAJOCA-Partido da A1ian~a, juventude, Openirios e Camponeses de Angola, enquanto

Partido Politico legalizado e inscrito no Tribunal Constitucional

e

urn s6, ou sao

dois partidos distintos.

Apreciando

o

P AJOCA foi urn dos partidos legalmente constituidos que durante anos esteve

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envolvido em conflitos de lideranra no seu seio, desde 0 remoto ana de 1998 por

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ocasiao da reuniao do Conselho Politico, durante a qual 0 Requerente entao

Presidente foi suspenso das fun~oes e 0 Requerido na altura dos factos

Vice-Presidente foi designado para interinamente exereer a fun,iio de Vice-Presidente.

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.

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.

Tais factos foram reiterados durante 0 1 ° Congresso realizado a 10 e 11 de Abril de

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1998 que reconduziu 0 Requerido a Presidente do PAJOCA e destituiu 0 h~

Requerente do cargo. Este nao acatou a decisao e realizou urn outro 1° Congresso

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de 29 a 31 de Mar~o de 2000, durante 0 qual foi do mesmo modo eleito Presidente.

A partir daqui instalou-se 0 conflito ate

a

data da extin~ao do Partido.

(4)

Nao vamos nesta sede fazer a cronologia dos factos que as duas alas durante a mais de 10 anos, pleiteando pela lideran~a do Partido, nao s6 por economia processual, mas porque tais factos deixaram de ter relevancia juridica em virtude de facto surperveniente (extin~ao do PAJOCA) como veremos infra_

Sem prejuizo do que foi antes referido remetemos a quem ainda assim, tais factos possam interessar, para 0 ac6rdao n° 102/2008, relacionado com 0 processo n° 8112008 de extin~ao do PAJOCA e 0 ac6rdao n° 10412009 relativo ao processo n° 55/2008, sobre conflito resultante da aplica~ao dos Estatutos do referido partido. Recorde-se que aos 12 de Janeiro de 2009, na sequencia do visto do Ministerio Publico, foi ordenada a suspensao do processo por conveniencia processual, com fundamento nas disposi~oes combinadas do artigo, 2° da Lei n° 3/08 de 17 de Junho, da alinea e) do artigo 287.° e do n° 1 do artigo 279.°, ambos do CPC, ate decisao do processo de extin~ao do PAJOCA promovido pelo Ministerio Publico,

face a rela~ao de dependencia existente entre as duas ac~oes em curso, ser ~~~.,... susceptivel de tomar inutil a decisao a proferir na primeira, (conflito de lideran~a)

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em virtude de na segunda (de extin~ao) estar em causa uma questao essencial

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relacionada com a subsistencia do Partido. ' .J\j

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Tendo sido decidida a causa que determinou a paraliza~ao e levantada a suspensao conc1uiu 0 Tribunal Constitucional, que 0 deferimento da ac~ao de extin~ao desencadeada pel0 Ministerio Publico ao abrigo do artigo 33.° da Lei n° 2/05 de 1 de Julho, Lei dos Partidos Politicos, abalou 0 fundamento do pedido formulado pelo Requerente porquanto, nao faz sentido prosseguir com 0 processo para averiguar 0 fundo da causa, por nao ter relevancia juridica dec1arar quem efectivamente e 0 Presidente legitimo do P AJOCA ja que a extin~ao do partido poe igualmente fim ao conflito de lideran~a e seja qual for a decisao do Tribunal neste sentido, nao tera qualquer efeito util.

(5)

Sem custas (artigo 15° da lei n° 3/08 de 17 de Junho, Lei Organica do Processo Constitucional) .

N otifique-se e pUblique-se

Tribunal Constitucional aos 08 de Setembro de 2010

OS JUtZES CONSELHEIROS

Dr. Rui Constantino da Cruz Ferreira (Presidente)

Dr. Agostinho Antonio Santos .

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Dr.' Efigenia Mariquinha S. L. C ente (Relatora)

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Dr.'

Luzia Bebiana de Almeida Sebastiao

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Dr.' Maria Imaculada

Lour~nco

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Dr. Miguel Correia '\

Dr. Onofre Martins dos Santos_~::....::..::~=-::::.!'!!:,!!!!!!¥~=~_ _ _ __

Referências

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