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Janine Dodge

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Academic year: 2021

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O BRINCAR DA CRIANÇA BRASILEIRA

CARNEIRO, Maria Ângela Barbato DODGE, Janine

RESUMO

Dada a importância que a atividade lúdica tem no desenvolvimento da criança por um lado, e a falta de dados que demonstrassem o brincar da criança brasileira, por outro, o presente trabalho teve como objetivo investigar, através dos pais, quais são as brincadeiras preferidas no Brasil, realizadas entre pais e filhos e a possível relação entre elas e o rendimento escolar dos pequenos. A investigação teve um caráter quantitativo, uma vez que abordou 1014 sujeitos, pais entre 25 e 45 anos, residentes em 77 cidades brasileiras, das diversas regiões do país, e que tinham filhos entre 6 e 12 anos de idade. O instrumento utilizado foi um amplo questionário preenchido pelos pesquisadores devidamente habilitados para esta tarefa, dada a sua complexidade. A primeira parte do instrumento consistiu em uma ampla identificação dos sujeitos, enquanto a segunda incluiu perguntas sobre quais as atividades realizadas entre pais e filhos, especialmente o brincar. A pesquisa mostrou uma grande preocupação dos pais em relação ao futuro de seus filhos, principalmente quanto à vida profissional e ao ingresso deles no mercado de trabalho.A investigação deixou claro que os primeiros sabem que há uma relação entre o brincar e o desenvolvimento infantil, todavia não conseguem perceber exatamente como isso ocorre.Os pais, sujeitos da pesquisa, mostraram que depois da casa e do quarto das crianças é na escola que elas mais brincam, apontando, também, que a instituição é o local mais adequado atualmente para a realização de tal atividade. Observou-se, também que há variações na atividade lúdica como, por exemplo, assistir TV e DVD, brincar com animal de estimação, cantar e ouvir música, desenhar e brincar com bonecos e bonecas. As atividades lúdicas que envolviam espaços mais amplos eram praticadas nos finais de semana, pois exigiam a presença dos pais, especialmente nos centros urbanos, onde a insegurança é maior. Apesar de seus depoimentos mostrarem que os pais não participam das brincadeiras com os filhos, 93% deles afirmaram que existe um momento em que brincam com as crianças, geralmente no período da tarde e após o jantar. Os pais também foram indagados sobre quais características o brincar desenvolvia em seus filhos. Sobre este aspecto os sujeitos demonstraram que há uma correlação entre a brincadeira e algumas características necessárias à criança no mundo moderno como sociabilidade, extroversão, criatividade e autonomia. Além disso, para eles há uma correlação entre o brincar e o rendimento escolar.

Palavras-chave: brincadeira, criança, pais, sociabilidade, criatividade

1. Introdução

As pesquisas realizadas com especialistas , pais e crianças na primeira parte do trabalho mostrou que os sujeitos haviam notado transformações no brincar, pois as brincadeiras de seus filhos eram diferentes daquelas que os pais haviam praticado durante a infância..

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Foi possível perceber como a sociedade se transformou no último século alterando tanto as relações entre os povos, quanto as interações entre adultos e crianças e, principalmente, entre pais e filhos. Assim, foi possível observar que as alterações provocadas na cultura acabaram se verificando no brincar, pois ele é uma das formas como ela se manifesta.

As transformações na atividade lúdica foram mais nítidas em relação ao número de parceiros, à diminuição dos espaços e dos tempos. Elas foram o fruto tanto da perda dos espaços públicos e da diminuição do tamanho das moradias, como também, da diminuição das taxas de natalidade .Isso demonstra que as famílias têm cada vez menos filhos e as crianças acabam brincando isoladamente ou com animais domésticos, especialmente os cães.

_ “Ele brinca no quintal de casa, geralmente sozinho. Ele gosta de jogar bola com o cachorro.”

As pesquisas qualitativas mostraram que as brincadeiras variaram em função de vários fatores como, por exemplo, os contextos, o sexo e a classe social. Nesse caso, as meninas brincavam em espaços menores enquanto os meninos precisavam de locais mais amplos e enquanto as meninas, principalmente nas classes desfavorecidas auxiliam na realização das tarefas domésticas, nessa mesma classe, os meninos têm mais tempo para brincar.

Foram apontadas como as causas da redução do brincar entre as crianças, o pouco tempo que os pais dedicam aos filhos, a perda dos espaços de brincar, a falta de tempo das crianças determinada pelo excesso de atividades que realizam, sobretudo as extra- curriculares e o advento das novas tecnologias.

Assim apesar de mostrarem o maior isolamento das crianças brasileiras, os pais foram unânimes em se preocupar com o isolamento de seus filhos. Apontaram, também, que pelo faro de correrem muito devido ao trabalho, isso tem refletido negativamente, pois diminui a disposição para que eles possam brincar com seus filhos.

_ De vez em quando eu vou no parque com os dois, mas confesso: cansa! Você tem que estar no pique, minha filha me solicita muito: pede ajuda no escorregador, no trepa-trepa. Então desanima um pouco.”

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Foi possível observar que os pais da amostra da pesquisa qualitativa demonstraram pouco comprometimento com a brincadeira pois, havia entre eles, coisas mais importantes do que essa atividade que entendem ser primordialmente divertimento infantil. E como estão pouco tempo junto de seus filhos, muitos deles tentam compensar essa falta comprando brinquedos.

A parte inicial do trabalho mostrou que faltam informações para os pais sobre a importância do brincar no desenvolvimento de seus filhos e que eles precisam de auxílio para entender como agregar positivamente sua participação nessa atividade.

No sentido de potencializar o brincar no desenvolvimento infantil os pesquisadores envolvidos no trabalho entenderam que era fundamental mapear a atitude dos pais brasileiros sobre essa questão.

Surgiu então, a necessidade de uma investigação que tivesse uma abrangência maior pois, como se sabe, não existe modelo de criança, mas muitas crianças e portanto uma diversidade de infâncias, dada a multiplicidade dos contextos.

Além disso, ficava claro para os pesquisadores como a brincadeira tem interferência sobre as diferentes dimensões da vida humana, ou seja, no desenvolvimento físico mental e emocional, na aprendizagem, na socialização e na afetividade.

Enquanto a primeira parte da investigação da Unilever, limitou-se a trabalhar com dados obtidos exclusivamente dentro da cidade de São Paulo, na segunda parte, preferiu-se realizar um trabalho de caráter quantitativo estendendo a pesquisa para todo o Brasil.

2.Objetivos

Diante das razões colocadas anteriormente o principal objetivo deste trabalho foi mapear a situação do brincar da criança brasileira para, posteriormente, detectar a relação existente entre ele e o rendimento escolar desta criança.

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Dados os resultados obtidos na pesquisa qualitativa, penou-se na necessidade de realizar uma, agora mais abrangente que se estendesse por todo o pais. Ela investigou pais de 77 municípios, envolvendo todas as regiões brasileiras.

Foram entrevistados 1014 pais com filhos de idades entre 6 e 12 anos, faixa etária esta que permitiria perceber a relação desejada, pois tratava-se de crianças que já freqüentavam a escola. Além disso, os investigadores partiram da premissa que por estarem na escola tais crianças já não são tão estimuladas a brincar, pelos pais.

A amostra foi desenhada de forma desproporcional, para possibilitar leituras regionais com bases mais robustas. Tanto para o desenho da amostra quanto para se estabelecer os fatores de ponderação, utilizaram-se apenas dados oficiais fornecidos pelo IBGE ( Censo 2000).

Os sujeitos escolhidos pertenciam à todas as classes sociais, sendo 80% da amostra constituída por mães , dada a sua maior convivência com os filhos e 20% por pais.

O trabalho de campo foi realizado por pesquisadores capacitados e contratados pela Ipsos Pubblic Affairs e durou 18 dias.

O questionário continha 47 perguntas e teve que ser preenchido pelos pesquisadores uma vez que as respostas envolviam pontuação, o que dificultaria a obtenção de dados.

O uso de tal procedimento pode ser justificado uma vez que ele buscava investigar quatro tipos de informação do ponto de vista didático que poderiam ter relação com o brincar.

A primeira parte consistia em uma identificação dos sujeitos a fim de obter informações tais como idade, sexo, classe social, atividades exercidas, nível de escolaridade, profissão, lazer,etc..

A segunda parte incluiu perguntas sobre quais eram as atividades realizadas entre pais e filhos, especialmente o brincar. Tais questionamentos foram feitos em um primeiro momento, de maneira espontânea e, depois, de forma estimulada.

Na terceira parte, levantaram-se os dados com indagações estimuladas que mostraram como os pais viam as brincadeiras de seus filhos. Buscava-se entender melhor os hábitos das

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brincadeiras das crianças, ou seja, quais as atividades praticadas, onde eram realizadas e qual a participação dos pais nas atividades.

Finalmente, os pais foram indagados sobre algumas variáveis de desenvolvimento infantil que pudessem caracterizar melhor as crianças como peso e altura, sobre questões de desempenho social e emocional e sobre a maneira como viam seus filhos na escola.

Os dados obtidos foram tabulados e apresentados de diversas maneiras pelo grupo de especialistas da empresa de pesquisa Ipsos Pubblic Affairs permitindo um amplo estudo sobre o assunto.

3.1. Os pais

Como os pais da amostra tinham mais do que um filho entre 6 e 12 anos de idade, foi realizado um sorteio envolvendo as crianças, para que nas respostas dadas eles considerassem especificamente apenas um dos filhos.

Os resultados mostraram que 70,1% dos pais tinham primeiro grau,, 21,7% possuíam curso médio e 8,2% curso superior. Neste último caso a maioria deles concentrava-se nas capitais.

A amostra representou fielmente o universo ( pais com filhos entre 6 e 12 anos) no que se refere a três variáveis básicas de controle: escolaridade, situação de atividade econômica e idade dos pais.

Para o grupo de trabalho, duas questões formavam a chave para o mapeamento das atitudes dos pais em relação ao brincar., ou seja, entender melhor a posição que a inter-relação dos pais com os filhos ocupava nas atividades ligadas ao prazer e à descontração e mapear a agenda de prioridades dos pais para as crianças de forma geral.

Quando solicitados a mencionar espontaneamente as atividades que lhes proporcionavam maior prazer, as mais escolhidas foram as relaxantes, acessíveis e de postura passiva, como, por exemplo, assistir TV (48%) e ouvir música ( 22%), que pode ser observado na Tabela I :

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Tabela I – Atividades prazerosas para os pais

Total% Assistir à TV ( noticiários, novelas, filmes, esportes) 48

Ouvir música 27

Ficar com a família 25

Passear com os filhos 22

Ir à igreja/culto 19

Praticar esportes 18

Passear, sair com amigos 17

Brincar com os filhos 14

Visitar a família 14

Ler jornais/revistas/ livros 14

Base 1014

Os dados apresentados mostram que as atividades realizadas pelos pais que poderiam ser mais compartilhadas com os filhos, além da TV seriam estar com a família e passear com as crianças. No entanto, de forma espontânea a atividade lúdica só apareceu ocupando o oitavo lugar.

Outra questão abordada foi o que os sujeitos consideravam importante para as crianças. Nas respostas obtidas houve uma grande preocupação por parte dos pais em relação à qualidade de ensino nas escolas, aspecto este diretamente relacionado á inserção dos filhos no mercado de trabalho. Porém, embora os pais demonstrassem ser esse um dos seus objetivos, foi possível perceber que nem todos conseguem atingi-lo.

Outras preocupações que aparecem claramente são as da segurança e da saúde.

Já enfatizada na pesquisa qualitativa a questão da segurança emergiu de uma maneira muito forte mostrando como ela se constitui em um grande impedimento para um brincar mais livre das crianças que, geralmente, ocorre nas ruas.

Além disso, para os pais, passar mais tempo na escola e ter acesso às atividades extra-curriculares tem mais prioridade do que o brincar, mostrando a relação destes dados com aqueles obtidos com os especialistas de que está diminuindo o tempo de brincar.

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Havia, no questionário, algumas informações que versavam sobre a atitude dos pais em relação ao brincar de seus filhos que procuravam investigar um pouco mais sobre suas crenças, posturas e atitudes, conhecendo o passado e tentando refletir sobre o futuro.

Nesse sentido 64% dos pais concordaram que precisavam deixar as crianças terem mais tempo para brincar, 63% mostrou que brincara mais que os filhos na infância e 70% afirmou que os pequenos de sua época eram mais felizes do que os de agora porque brincavam mais.

As concepções apresentadas pelos pais sobre o brincar registravam as memórias que tinham de suas infâncias.

Quando indagados sobre os benefícios do brincar, foram as seguintes as respostas obtidas – Gráfico II ( Inserir o gráfico III da p. 201 que aqui fica como gráfico II)

Tanto nas respostas espontâneas (31%) quanto nas estimuladas (58%) o maior benefício do brincar está no processo de socialização da criança. Este aspecto, já demonstrado na pesquisa qualitativa parece estar ameaçado uma vez que as crianças têm pouco espaço e oportunidades seguras para brincar em grupo..

É importante observar que 1/5 dos pais mencionou de forma espontânea, outros benefícios do brincar para o desenvolvimento infantil. Tal fato aumentou ainda mais quando eles foram estimulados. Embora 5% da amostra afirmou que a brincadeira não traz nenhum benefício.

A equipe de trabalho considerou que um dos maiores desafios para se entender e analisar o brincar da criança brasileira consistia no levantamento e na preparação de uma base de dados detalhando minuciosamente o brincar na percepção dos pais. Para tal estudo foram consideradas algumas dimensões tais como: tempo e espaço disponíveis para brincar, quais os participantes das brincadeiras dos filhos e se elas aconteciam isoladamente ou em grupo. A partir dessas análises chegou-se a um total de 35 atividades lúdicas para serem incluídas na pesquisa. Essas ações foram detalhadas considerando-se o costume, a freqüência, o tempo médio para a realização, o local, os parceiros e o incentivo ou não dos pais às brincadeiras. Alguns resultados foram selecionados para este trabalho.

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Tabela II- Local onde as crianças mais brincam Repostas não estimuladas % Repostas estimuladas % Quintal da casa 26 56

No quarto dele (a) 22 49

Escola 7 46

Rua 18 40

Sala 10 33

Casa de amigos/parentes 7 32

Praça pública/parque perto de casa 2 9

Outros espaços da casa 3 8

Área de serviço da casa 2 5

Área de lazer ou playground do prédio/ conjunto habitacional

1 3

Base 1014

Chamou bastante atenção o fato de que só 7% dos pais, quando não estimulados, mencionarem a escola como o lugar onde os filhos mais brincam. Esse percentual sobe para 46%. Tal dado, comparado aos resultados da pesquisa qualitativa, coincide com as informações oriundas das crianças, ou seja, que para elas a instituição ocupa um lugar privilegiado no brincar.

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Tabela III _ Percentual de pais que consideram cada local como adequado para as crianças brincarem

%

Quintal da casa 88

Escola 84

Num quarto de brincar 76

Num cantinho de brincar ( cantinho da sala, por exemplo) 76

No quarto dele (a) 75

Brinquedoteca 74

Clube 73

Praça pública/parque perto de casa 71

Área de lazer ou playground do prédio/ conjunto habitacional 69

Sala 68

Outros espaços da casa 63

Casa de amigos/ parentes 62

Área de serviço da casa 38

Rua 31

Cozinha 9

Base 1014

Embora as brincadeiras realizadas na rua foram as preferidas das crianças , a Tabela III evidencia que elas não são incentivadas pelos pais, nem o local é considerado adequado para eles, dada a falta de segurança.

No entanto, uma das grandes ambições do projeto de pesquisa era realizar um mapeamento nacional das brincadeiras das crianças brasileiras, pois a equipe de trabalho entendia que isso poderia contribuir de forma considerável para o desenvolvimento de ações relacionadas ao brincar.

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Tabela IV_ As brincadeiras realizadas com mais freqüência pelas crianças brasileiras Brincadeira/atividade % das crianças que brincam % das crianças que brincam + de três vezes por semana

Assistir TV / vídeos/ DVDs em casa 97 96

Brincar com animal de estimação 49 82

Cantar/ ouvir música 81 78

Desenhar 81 59

Brincar com boneca, boneco, homenzinhos e acessórios 57 59

Dançar 57 57

Brincar com coleções ( cartas de jogadores de futebol, figurinhas auto colantes, papéis de carta...)

46 57

Jogar videogame conectado à TV/ jogar game boy 38 51

Andar de bicicleta patinete, skate, patins, carrinho de rolimã, carrinho de lomba

79 45

Jogar bola 68 45

Jogar bolinha de gude 38 44

Brincar de pega-pega, esconde-esconde, polícia-e-ladrão 65 42 Ficar no computador jogando videogame, navegando na

internet, no MSN (e-mail) ou bate -papo

16 42

Ler histórias ( livros e gibis) 59 41

Brincar com tinta 45 40

Como a pesquisa qualitativa já havia apontado, mais uma vez, assistir a TV/ vídeos/DVDs apareceu ocupando o primeiro lugar nas brincadeiras realizadas com mais

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freqüência pelas crianças, demonstrando a influência que as novas tecnologias vêm exercendo sobre os pequenos.. Além de ser a brincadeira mais comum, essa atividade é aquela em que há mais participação dos pais.

No entanto, algumas brincadeiras apareceram com mais freqüência nos finais de semana porque são realizadas em espaços mais amplos e inseguros e demandam da participação dos pais. Isso pode ser observado na tabela V.

Tabela V – Brincadeiras mais freqüentes nos finais de semana

Brincadeira / atividade %

Brincar em parques e espaços públicos 60

Brincar com água: esguicho, banheira, piscina 48

Esportes: vôlei, futebol ( não por competição) 41

Andar de bicicleta, patinete, skate, patins, carrinho de rolimã 79

Nos segmentos menos favorecidos da população (C e D) a pesquisa apontou também uma dificuldade maior por parte dos pais em oferecerem atividades lúdicas com características mais culturais tais como, teatro, shows, cinema ou ida à praia e sítio.

Todavia pelo fato de terem, via –de - regra, a parceria dos pais as atividades mais freqüentes nos finais de semana, são as preferidas das crianças.

Na tabela VI pode-se observar as brincadeiras em que há maior participação dos pais.

Tabela VI – Brincadeiras com maior participação dos pais

Brincadeira/ atividade %

Assistir TV/ Vídeos/ DVDs em casa 96

Cantar/ ouvir música 78

Ler histórias ( livros e gibis) 41

Dançar 57

Andar de bicicleta, patinete, skate, patins, carrinho de rolimã,, carrinho de lomba

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Apesar da dificuldade de os pais estarem junto com os filhos durante as brincadeiras, 93% deles afirmaram que existe um momento em que brincam com os pequenos, enquanto 7% disseram que isso não ocorre.

O momento da parceria entre pais e filhos é o final da tarde e à noite, pelo fato dos primeiros estarem envolvidos no trabalho, nos outros momentos do dia.

4. Os resultados

A pesquisa mostrou que está havendo uma modificação do brincar da criança em função da diminuição dos espaços e dos tempos destinados a essas atividades. As brincadeiras têm cada vez menos parceria dos pais por falta de tempo e quando elas se realizam a mais freqüência é assistir TV, isto é, uma atividade extremamente passiva que dificilmente envolve o diálogo, ficando claro que o momento mais freqüente para a sua ocorrência é o final da tarde e o princípio da noite quando os pais estão em casa.

No entanto, apesar das modificações no brincar são as brincadeiras realizadas em espaços amplos e que se desenrolam com parceiros as preferidas das crianças, porque geralmente envolvem a participação dos pais.

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