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Academic year: 2021

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P

oemas

1/ A Vida não é uma História 2/ Pensar o amor 3/ Amor de cão1 4/ Amor de cão2 5/ Ser velho 6/ Chuva 7/ Pássaros 8/ Árvores

9/ Nada que é tudo 10/ Gosto de ervilhas 11/ Tenho um cão que fala 12/ Fim do dia?

13/ A minha cadela engoliu um relógio

14/ Quando não quero saber os teus segredos 15/ A insistência

16/ Fala-me das flores 17/ Éden

(3)

26/ Sede 27/ Ponto final 28/ Recordação

29/ A Tríade do tempo 30/ Bola que se quer pedra 31/ Felicidade

32/ Corro 33/ Dança 34/ Pedras, 35/ Prenda

36/ Dor sem perna 37/ O Todo do Uno 38/ O sangue da pulga 39/ Fronteiras de papel 40/ Mutação 41/ Palavras 42/ A liberdade do sapato 43/ Eutanásia do futuro 44/ Jardim do inferno 45/ Zanga que se zanga 46/ Histórias Vivas 47/ Ser poeta 48/ Poesia

49/ História do medo e do cão 50/ Mergulho 51/ Morte 52/ Amor e Morte 53/ A natureza da natureza 54/ Paz 55/ A beleza é egoísta 56/ Cabelos brancos 57/ Casmurrice www.a-afonso.com / 3

(4)

58/ Árvore 59/ Verdades 60/ Pensamento 61/ Água 62/ Eu sou 63/ Diálogo improvável

(5)

Dedico este livro, estas poesias, estas palavras, estas emoções, estes desenhos, à paz, que é aí, vida em ti, e vida em mim. www.a-afonso.com / 5

(6)

P

ensar o Amor

Amor?

Ninguém sabe o que é o amor quando se pensa no amor, já fugiu...

(7)

A

mor de cão 2

O meu cão

não sabe contar histórias. O meu cão não tem rugas!

.

.

(8)

.

P

ássaros

Hoje vou falar de pássaros. Mas eu não gosto de pássaros, não consigo falar de pássaros.

O meu Max adora os pássaros do jardim quer comê-los

quer comê-los a todos

e assim deixaria de haver pássaros. Será que ele gosta mesmo de pássaros? .

(9)

A

Minha Cadela Engoliu um Relógio

A minha cadela engoliu um relógio, ou foi um relógio que a engoliu a ela? Como é que eu lhe tiro o relógio? Gostava de to oferecer,

para que os nossos encontros

se transformassem em desencontros. Gosto de jogar às escondidas

para que o amor não fuja!

(10)

Q

uando não Quero Saber os Teus Segredos

Quando não quero saber, quando não quero saber os teus segredos,

não olho nos teus olhos. Quando não quero saber dos teus desejos, torno-me surda à tua voz por detrás da voz.

quando não te quero perto de mim, falo-te como um dicionário.

Aí tu aproveitas e fazes poesias, e eu amo-te para além da eternidade!

(11)

F

ala-me das flores

Fala-me das flores

quero sentir-me perfumada. .

(12)

N

ão Gosto de Laranjas

Gosto de laranjas. Gosto de peras doces. Não gosto de laranjas. Não gosto de peras doces. Gosto de laranjas.

Gosto de peras doces. Não gosto

que me perguntem do que é que eu gosto porque ao pensar sobre isso lá salto eu da vida

e faço-me história

e penso que as peras doces e as laranjas vão acabar, e depois penso que tenho que ir trabalhar,

de depois penso

(13)

B

alada da Vida e da História

A vida

não é uma história mas tantas vezes que a história é uma vida! OK, respira, grita, salta, abraça,

vamos outra vez começar a história, e ver se é desta que conseguimos fazer vida!

(14)

R

ecordação

Toda a recordação é história, joguei fora as minhas ponto final .

(15)

A

Tríade do Tempo

O futuro são binóculos com as lentes amarelecidas pelo passado.

O passado,

é uma lupa muito velha, toda partida

pelas expectativas do futuro. O presente

é um beijo ardente de desejo, é o coração que se dissolve na imensidão do universo!

(16)

O

Todo do Uno

Como podemos ser livres

se estamos ligados a tudo e a todos. Se cada sentimento

que os outros sentem, eu sinto.

Se aquilo que eu sinto, os outros sentem.

Esta paz que agora sinto, será minha?

será tua?

Esse amor que agora sentes, será teu?

será meu?

Ou será daquela flor? Ou será do teu avô?

(17)

H

istória do Medo e do Cão

Se tens medo, vai para a rua,

vai aos canis municipais, procura na net,

corre,

age depressa,

pois o medo estrangula-te.

(18)

Faz como achares melhor, esconde-te do medo, mas anda, corre... O IMPORTANTE É,

DEIXARES-TE ENCONTRAR POR UM CÃ0!. Depois, passeias o cão,

dás comida ao cão, fazes festas ao cão, Limpas o cóco do cão Observas o cão, Observas o cão, ...

De repente tornas-te cão. E ao tornares-te cão, Tornas-te poeta. E quando és

pessoa transformada em cão que se transforma em poeta, o medo é roubado

pela rápida e astuta assassina beleza.

(19)

Nunca percas o cão. Lembra-te sempre, que perdido o cão, o medo vem,

pois a beleza já se foi. A beleza nunca perde o cão, porque o cão gosta de jardins, gosta de ouvir os segredos das árvores.

(20)

A

Natureza da Natureza

Hoje vou falar-te de bolas saltitonas. Daquelas bolinhas muito coloridas,

cujo improviso do salto nos fazem sorrir.

Mas será que a natureza das bolinhas saltitonas é mesmo saltar?

Se não lhes mexeres, elas ficam imóveis, paradas,

não são bolas saltitonas, são apenas bolas,

são apenas redondas. Elas só são saltitonas quando tu as atiras com muita, muita força,

(21)

A

Beleza é Egoísta

Já reparas-te que a beleza é egoísta, É tão plenamente egoísta,

que onde ela está,

não há dor, tristeza, raiva, ódio, ou qualquer outro sentimento, que nos faça ardor,

ou mesmo cócegas.

Só existe simplesmente beleza, até nós ficamos eternamente belos, porque a beleza entra-nos no sangue, atravessa-nos os poros,

e torna-se mais do que plasma e tecido,

e músculos e células.

Ela transforma-se na música que dá ritmo ao nosso ADN. Assim a beleza é uma poderosa ladra assassina que nos tira a dor, e depois fica sentada, atenta como a minha cadela, e não deixa ninguém entrar,

porque o território é dela.

Tenham cuidado com esta ladra,

(22)

devastadora assassina. Eu sei onde é que ela está, além de estar à minha porta com a minha cadela.

Quem já se sentiu triste a ver o mar?

Quem já se sentiu zangado no meio das árvores,

ou com os pés descalços, a fazer cócegas à relva? Quem já se sentiu deprimido no cimo de uma montanha, ou a sentir o Sol?

Quem nunca se confundiu

com a beleza no toque feito amor? E aí que a Beleza se esconde, em tudo o que é Natureza Viva que sabe tocar harpa.

(23)

Á

rvore

Livres são as árvores que por não correrem

não se perdem da sua natureza de ser árvore

e assim aproveitam o vento para se coçar e refrescar

e dançar

e assim aproveitam o sol para desenhar

e assim aproveitam a chuva para se vestir.

Livres são as árvores que são sempre belas, por não correrem atrás daquilo que querem delas!

(24)

E

u sou

Desordem é terra arável. Ordem é cultura intensiva. Eu sou um girassol

sem terra

nascido numa nuvem por detrás da lua cheia

regado com o sal dos Himalaias. Eu sou pétala ao vento

lágrima da alegria que faz de pulga no gato da vizinha. Eu sou o vento que levanta as folhas

deitadas na relva dos jardins. Eu sou o latir do cão

que não te deixa dormir. Eu sou o sono fechado numa lata de conserva. Eu sou a charrua que lavra o desejo escondido por detrás

Referências

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