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Tratamento de doenças no exterior

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Academic year: 2020

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Revista do Curso de Direito da Universidade Braz Cubas V1 N2: Junho de 2017

TRATAMENTO DE DOENÇAS NO EXTERIOR

Priscila Cristina Santejo Paixão da Costa1

Resumo

Este artigo tem por finalidade explicar como ocorre o tratamento de alguns tipos de doenças fora do Brasil. Quando determinada enfermidade não possui tratamento no país, esta medida pode ser adotada legalmente. Trata-se de um custo altamente alto, porém o Estado é obrigado a garantir a dignidade da pessoa humana contra os desmandos do poder político. Desta forma, a saúde passou a ser um direito público subjetivo, jurídico e constitucionalmente tutelado. Ao poder público incumbe formular e implementar políticas sociais e econômicas que visem garantir aos cidadãos o acesso universal e igualitário, junto à assistência médico-hospitalar. A regra é inscrita no artigo 196 e seu direito não pode ser convertido numa promessa institucional.

Palavras-Chave: Doenças; Tratamento; País; Mundo.

Sumário

1 Introdução; 2 A Criação dos Direitos Humanos; 2.1 A Inserção de Direitos Humanos, voltados à saúde, no Estado Novo; 3 A Difusão dos Direitos Coletivos e Individuais; 4 Especialistas sobre a Saúde Pública Brasileira; 5 Fundamentação Teórica – As Constituições; 5.1 Constituição Brasileira; 5.2 Constituição Chilena; 5.3 Constituição Peruana; 6 A Importância do Tratamento no Exterior; 7 Conclusão; 8 Referências.

1 Introdução

Todos têm direito à saúde. É com essa máxima, presente no artigo 196 da Constituição Federal, que discorremos sobre a necessidade da eficiência do Estado quanto ao tratamento de doenças graves. Os direitos sociais, como dimensão dos direitos fundamentais do homem, enquadram-se como um dever estatal, garantido em normas constitucionais, e possuem o objetivo de fornecer melhores condições de vida aos necessitados.

A Constituição defende que a cura e a prevenção de doenças graves devem ser feitas através de medidas que assegurem a integridade física e psíquica do ser-humano, a fim de dignificar cada indivíduo da sociedade, no entanto, quando os recursos dentro

1Graduando do Curso de Direito da Universidade Braz Cubas. Trabalho apresentado como exigência parcial para obtenção do grau de Bacharel em Direito, na Universidade Braz Cubas, sob a orientação do Professor Ivan de Oliveira Silva.

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do país são insatisfatórios para oferecer um tratamento com base nas necessidades de um portador de doença grave, a garantia de tratamento em outro país é um sinônimo de dever ou moral?

Este estudo tem como proposta fornecer argumentos, com base nos princípios legais e jurídicos, acerca da importância de garantir um tratamento digno a todo cidadão brasileiro. Nele estão presentes trechos de especialistas, citações e documentos que comprovam o fato da saúde ser o princípio fundamental para a construção de uma sociedade edificada.

2 A Criação dos Direitos Humanos

Antes de analisarmos o tema principal que rege este artigo, devemos verificar quando e como surgiu a necessidade de criar direitos de proteção à integridade de cada indivíduo.

Em 10 de dezembro de 1948 foi adotada, pela Organização das Nações Unidas (ONU), a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Seu principal idealizador, John Peters Humphrey, após a devastadora Segunda Guerra Mundial, e com a ideia de garantir com que menos pessoas sofressem as consequências dos conflitos internacionais, elaborou um tratado com o intuito de promover a democracia e a paz mundial.

Graças a esse documento, foram criados dois tratados que passaram a reger as leis universais: O Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.

De acordo com o inciso 1º, artigo XXV, presente na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH):

Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe, e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle. (2009, p.13)

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A criação da DUDH foi o que motivou a preocupação com a saúde dos seres-humanos, sendo assim um marco mundial. A partir dela, as políticas públicas começaram a se basear nos direitos e necessidades de cada indivíduo.

Sobre as políticas públicas voltadas à saúde, Comparato (2003) afirma que:

Os direitos sociais, ao contrário, têm por objeto não uma abstenção, mas uma atividade positiva do Estado, pois o direito à educação, à saúde, ao trabalho, à previdência social e outros do mesmo gênero só se realizam por meio de políticas públicas, isto é, programas de ação governamental. (2003, p.116)

Sendo assim, ele o professor-doutor reitera o quão é essencial a adoção de direitos fundamentais, básicos, para a convivência do indivíduo em sociedade.

2.1 A inserção de direitos humanos, voltados à saúde, no Estado Novo

A época de Getúlio Vargas é tida como uma das principais no Brasil quando o assunto é políticas públicas com foco na manutenção dos direitos humanos à saúde, até porque este foi um dos períodos mais turbulentos da história do país.

Marcado por disputas, forte censura e guerras por poder, o que foi promulgado na Declaração Universal dos Direitos Humanos foi sendo deixado de lado, motivando a revolta e a busca pela igualdade.

De acordo com Ângela de Castro Gomes (1999, p.59):

A preocupação com uma organização científica do trabalho podia ser sentida desde o momento revolucionário, ainda em 1930. Ela se traduzira por duas grandes iniciativas: as criações do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e do Ministério da Educação e Saúde. As medidas administrativas e legislativas levadas a efeito por esses dois ministérios revelavam a cooperação necessária para a superação de todos os problemas dos trabalhadores brasileiros (p.59).

Entretanto, este período serviu de base para a valorização dos direitos coletivos e individuais. O que antes era visto como algo inalcançável teve a Ditadura de Vargas como propulsora da luta pela garantia de políticas públicas eficientes em prol de toda a sociedade.

3 A Difusão dos Direitos Coletivos e Individuais

Todos os direitos fundamentais, em qualquer hipótese, devem ser analisados com base na proteção. Deve-se compreender que esta difusão de direitos aos indivíduos deve

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integrar, principalmente, o direito à saúde, conforme dita o artigo 196 da Constituição Federal de 1988:

A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação (1988, p.164).

De acordo com Mancuso (1994, p.89), esta contestação, quanto aos seus contornos, denomina-se litigiosidade interna e representa uma característica marcante no sentido de que as transições e mutações no tempo e no espaço são constantes.

Desta forma, pode-se compreender que os direitos difusos representam um fato que requer proteção, ainda que isso não seja delimitado juridicamente, ou que esta norma tenha critério muito amplo ou genérico, impossibilitando assim uma informação precisa.

Há quem caracterize o direito à saúde como coletivo, individual homogêneo e, inclusive, difuso, e há ainda quem o enxergue tanto com dimensão individual quanto coletiva. Este direito à saúde está acima da questão da nacionalidade, afinal um estrangeiro que venha ao Brasil pode usufruir do Sistema Único de Saúde (SUS), o que não significa afirmar o apoio do Estado com relação à vinda de estrangeiros, somente, para tratamentos médicos, pois isto ocasionaria uma sobrecarga no serviço de saúde pública. Entretanto, conforme determina o artigo 196 da Constituição Federal (visto anteriormente), todos têm direito à saúde e ao uso de medicamentos.

Sobre isto, Sarlet (2011, p.131) diz que:

Inicialmente e primariamente, os direitos sociais teriam tutela individual, o que não impede, entretanto, que tal tutela possa ocorrer de forma coletiva, ou mesmo difusa, não há necessidade de disjunção, mas de juntar objetivos e primar pela possibilidade de concretização do direito fundamental, objetivo de atualidade. (2011, p.131)

Sendo assim a saúde considerada um direito difuso, cabe ao Estado cumprir com o que dispõem os artigos 196 e 198, II, da Constituição da República, os quais o obrigam a fornecer tratamentos de saúde, incluindo a questão da dispensação de medicamentos, incluídos ou não em listagens oficiais como RENAME (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais).

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A ação civil pública garante legitimidade ao Ministério Público para inserir os requerimentos de saúde e atribui legitimidade à Defensoria Pública para a realização dos atos.

4 Especialistas sobre a Saúde Pública Brasileira

A maioria dos especialistas em saúde pública concorda que, este assunto, não é tratado com a devida importância no país e, quando isto ocorre, o que deve ser levado em conta é a integridade do ser-humano e a necessidade de se tratamento, principalmente em casos graves.

Especialista em saúde pública e administração hospitalar, mestre e doutor em saúde pública pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Carvalho (2013) considera que o essencial, primeiramente, é oferecer incentivos básicos de prevenção de doenças:

Promoção da Saúde, segundo o Glossário do Ministério da Saúde, é "o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo… indivíduos e grupos devem saber identificar aspirações, satisfazer necessidades e modificar favoravelmente o meio ambiente". Mais comumente, dizemos que promover a saúde é trabalhar nas causas do adoecer, com participação efetiva das pessoas, como sujeitos e atores de sua própria vida e saúde.

Quando isto não é realizado de forma digna, o Estado tem o dever de fornecer tratamento ao cidadão que necessita, porém, comumente, isto é feito de modo ineficiente:

Recuperação da saúde é cuidar daqueles que já estejam doentes ou tenham sido submetidos a todo e qualquer agravo à saúde. É a ação mais evidente dos serviços de saúde. Somos, infelizmente, tendentes a reduzir a ação do setor saúde a essa área. Costumo dizer que quando temos que tratar de doentes ou de acidentados, tenho uma sensação de fracasso dos serviços de saúde e da sociedade por não ter nem conseguido evitá-los.

Com relação à infraestrutura dos serviços públicos e da qualificação de profissionais, Lucchese (2015), consultor legislativo, em reportagem à Agência Câmara de Notícias, defende que:

Os centros de formação formam profissionais para o mercado de saúde. O SUS é uma política pública de Estado, não é mercado. A saúde no SUS é vista como direito social, enquanto que no mercado é vista como mercadoria.

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Para a mesma reportagem, também foi entrevistado o médico e ex-presidente do Conselho Federal de Medicina, d’Ávila (2015), o qual ressalta que não há gestão qualificada no Brasil. “Há fraude, há corrupção. Isso precisa ser resolvido e se resolve com um gerenciamento competente e também com um financiamento adequado”, diz o especialista.

5 Fundamentação Teórica – As Constituições 5.1 Constituição Brasileira

A Constituição Brasileira tem a garantia dos direitos a todos os indivíduos em sua base. As fases do direito à saúde, esculpidas nela, visam proporcionar um direito público subjetivo, indisponível e assegurado à generalidade das pessoas.

“Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução dos riscos de doença e de outros agravos e o acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Além desse artigo, complementa-se com a lei 8.080/90, em seu artigo 2°, que “a saúde é um direito fundamental do ser-humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício”.

Nos dizeres de Henrique Hoffmann Monteiro Castro (2005), a saúde:

“Corresponde a um conjunto de preceitos higiênicos referentes aos cuidados em relação às funções orgânicas e à prevenção das doenças. "Em outras palavras, saúde significa estado normal e funcionamento correto de todos os órgãos do corpo humano", sendo os medicamentos os responsáveis pelo restabelecimento das funções de um organismo eventualmente debilitado”.

O autor citado ainda complementa que a tutela do direito à saúde se apresenta em duas fases:

A de preservação, que se dá com políticas de redução de risco de uma determinada doença, numa esfera genérica, e a de proteção, que se caracteriza como um direito individual de tratamento e recuperação da pessoa.

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“A saúde também é uma construção através de procedimentos. (...) A definição de saúde está vinculada diretamente a sua promoção e qualidade de vida. (...) O conceito de saúde é, também, uma questão de o cidadão ter direito a uma vida saudável, levando a construção de uma qualidade de vida, que deve objetivar a democracia, igualdade, respeito ecológico e o desenvolvimento tecnológico, tudo isso procurando livrar o homem de seus males e proporcionando-lhe benefícios”.

A Lei Fundamental não faz qualquer distinção no que tange ao direito à saúde, englobando expressamente o acesso universal a ações de promoção, proteção e recuperação de saúde, nos âmbitos individual e genérico. A questão do fornecimento de medicamentos e tratamentos pelo Estado se inclui, obviamente, na faceta de proteção à saúde.

Já André da Silva Ordacgy afirma que o Estado tem o dever de fornecer suporte ao indivíduo portador de doença grave:

“A Saúde encontra-se entre os bens intangíveis mais preciosos do ser humano, digna de receber a prevenção estatal, porque em característica indissociável do direito à vida. Dessa forma, a atenção à Saúde constitui um direito de todo cidadão e um dever do Estado, devendo estar plenamente integrada às políticas públicas governamentais”.

A Constituição Federal, em seu supracitado artigo 196, contém uma norma de natureza programática, demandando complementação legislativa ordinária. Henrique Hoffmann analisa que, de acordo com ela, “o Estado assume a responsabilidade na criação dos serviços necessários à saúde e o faz por via de normas infraconstitucionais”.

Mediante a criação do SUS, foram definidos os papéis das esferas governamentais na busca da saúde, considerando-se o município como o responsável imediato pelo atendimento das necessidades básicas. Explicita Henrique Hoffmann Monteiro Castro (2005):

“Para os cidadãos, deve ser indiferente como o Estado se organiza para promover o direito à saúde. O importante é que efetivamente o assegure. Subsiste o direito das pessoas de exigir que o Estado intervenha ativamente para garanti-lo. Não é passível de omissão. O Poder Público, qualquer seja a esfera institucional no plano da organização federativa brasileira, não pode se mostrar indiferente ao problema da saúde da população, sob pena de incidir, ainda que por censurável omissão, em grave comportamento inconstitucional”.

Complementa André da Silva Ordacgy (2007) a necessidade de que o direito à saúde seja estendido amplamente, “não se restringindo apenas aos casos de risco à vida ou de grave lesão à higidez física ou mental, mas deve abranger também a hipótese de se assegurar um mínimo de dignidade e bem-estar ao paciente”.

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As recentes decisões judiciais determinando o fornecimento de tratamentos não oferecidos pelo Sistema Único de Saúde, inclusive a título de tutela antecipada e mediante a cominação de multa diária, têm representado um gesto solidário de apreço à vida e à saúde das pessoas, especialmente daquelas que nada têm, exceto a própria vida e dignidade.

É dever do Estado arcar com os tratamentos de doenças graves, mas o que fazer quando não existe tratamento pelo SUS?

Este tem sido um desafio muito grande enfrentado por brasileiros, os quais têm de recorrer à justiça para que o governo arque com os custos no exterior, porém esse gasto varia de acordo com cada doença enfrentada, e, muitas das vezes, é o único tratamento para que a pessoa possa se curar ou, até mesmo, para que se mantenha viva.

De acordo com o procurador do Ministério Público Federal (MPF), Jefferson Aparecido Dias (2015, p.10), em matéria publicada na Justiça em Revista, o principal motivo para que esse debate seja tão comum se dá pelo fato de ainda não existir uma lei específica para esse problema. Muitas vezes as ações são julgadas improcedentes e a atuação do MPF só se é favorável ao se tratar de uma criança, de um idoso ou de uma pessoa com deficiência, no entanto, mesmo assim, não há critérios relevantes que ditam quem será tratado ou não.

Há algumas decisões judiciais onde, racionalmente, foi avaliado o quão será eficaz o tratamento no exterior. A relevância se dá devido a alguns casos em que o valor é alto e, mesmo com o tratamento, não há sucesso. Portanto o STF tem argumentado quanto à cessação dos tratamentos experimentais, exigindo uma maior relevância de modo a ter certeza da eficácia do tratamento pleiteado.

Apesar de todos os custos recorridos ao poder judiciário, as pessoas buscam garantir a saúde e a vida. O tratamento no exterior combate a ação e não o problema, pois esse tipo de tratamento poderia ser revisto, uma vez que não é concebível tempo para que o mesmo seja analisado. Já que, hoje, temos tantos casos de ações para autorizar tratamentos no exterior, poderiam solucionar o problema juntando todas as pessoas que sofrem de uma mesma doença, realizando políticas públicas que visem formar profissionais e criar centros de referências no país, os quais atinjam o mesmo nível de técnicas e de resultados existentes no exterior, a fim de evitar gastos excessivos

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e de modo a atrair a exportação de serviços, motivando indivíduos de outros países a realizar tratamento em território nacional.

5.2 Constituição Chilena

Alguns dados ressaltam e evidenciam o quanto o Chile se preocupa com a qualidade de vida de sua população.

O Chile é um país que se divide entre o Oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes. Ele possui uma população com características étnicas e aspectos culturais muito variados (cerca de 5% dos habitantes é de raça indígena pura).

De acordo com um estudo realizado por María Eliana Labra, a capital, Santiago do Chile, concentra 33,4% da população nacional, que é bastante jovem: 30,6% são menores de quinze anos, ao passo que os maiores de 64 anos representam 6%.

Alguns dados oficiais, de 1991, mostram que a esperança média de vida ao nascer é de 72 anos, correspondendo 75,6 anos para as mulheres e 68,5 para os homens; a taxa de natalidade é de 22,4 nascimentos por mil habitantes e a mortalidade geral é de 5,6 por mil; a mortalidade infantil em menores de um ano por mil nascidos vivos é de 14,6; a mortalidade neonatal é de 7,9 e a mortalidade materna de 35,4, sendo a principal causa o aborto com treze óbitos por cem mil.

Segundo o Ministério da Saúde (2003), a estrutura das causas de morte é própria de uma fase de transição epidemiológica em que as doenças do aparelho circulatório e os tumores malignos ocupam os dois primeiros lugares, seguidos dos acidentes e das doenças respiratórias.

De fato, em 1991, as taxas por cem mil habitantes para as principais causas eram as seguintes: doenças do aparelho circulatório - 159,7; tumores malignos - 109,3; traumatismos e acidentes - 69,1; doenças do aparelho respiratório - 61,1; doenças do aparelho digestivo - 39,5; doenças infecciosas e parasitárias - 15,7. O grupo de causas mal definidas representou 5,8% do total, com uma taxa de 32,3.

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5.3 Constituição Peruana

A constituição do Peru tem como base a promoção do direito a todos os cidadãos, fornecendo garantias para que a saúde seja posta em primeiro lugar.

Os artigos que seguem são:

Artigo 7: Defende que todos têm direito à proteção de sua saúde, a do médio familiar e a da comunidade, bem como o dever de contribuir para a sua promoção e defesa. A pessoa incapacitada para velar por si mesma, por causa de uma deficiência física ou mental, tem direito ao respeito de sua dignidade e a um regime legal de proteção, atenção, readaptação e segurança.

Artigo 9: O Estado determina a política nacional de saúde. O Poder Executivo norma e supervisiona sua aplicação. Ele é responsável por desenhá-la e conduzi-la em forma plural e descentralizadora para facilitar a todos o acesso equitativo aos serviços de saúde.

Artigo 11: O Estado garante o livre acesso a prestações de saúde e a pensões, através de entidades públicas, privadas ou mistas. Supervisiona assim mesmo seu eficaz funcionamento.

6 A Importância do Tratamento no Exterior

Quando ocorre inexistência de serviços básicos capazes de fornecer determinado tratamento, no Brasil, a uma grave doença, em contrapartida, a medida que surge é a da garantia de tratamento em outro país que possua qualidade técnica para realizar os procedimentos em busca da cura do paciente.

No entanto, o grande embate que surge, juridicamente, é com base na dificuldade de estimar se haverá resultado satisfatório com o tratamento, afinal este é um método caro a ser custeado pelo Estado.

De acordo com a lei 196, como vimos anteriormente, é indispensável fornecer os direitos relativos à saúde, educação e trabalho a todos os cidadãos brasileiros, por este motivo, o aumento dos processos judiciais, ao se tratar deste tema, tornou-se comum.

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Em 17 de março de 2010, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela obrigatoriedade de tratamentos de alto custo no país, conforme afirma Carvalho (2011):

A interpretação é que esta decisão seja vinculante e que atinja vários tipos de tratamento fruto desta demanda: medicamentos, suplementos alimentares, órteses e próteses, leitos hospitalares e de UTI, contratação de mais profissionais de saúde, cirurgias e exames, tratamento fora do domicílio e inclusive no exterior.

Porém, na prática, ainda não há garantia de que esta decisão tem sido aceita e muitos portadores de doenças graves precisam lutar para receber tratamento.

O tratamento no exterior coberto pelo SUS é de suma importância para a sociedade brasileira, visto que o nosso ordenamento jurídico traz o direito à saúde a todos, dever do Estado, independente se o tratamento é feito no território brasileiro ou estrangeiro, pois o que deve ser obedecido é o direito digno do cidadão de ter saúde integral, para tanto o Estado deve arcar com todas as despesas para que esse fim seja atingido, eis um direito fundamental garantido pela Constituição Federal. (XAVIER, 2014)

Os direitos humanos, civis e sociais, de cada indivíduo, devem ser preservados e o tratamento no exterior tem um custo mínimo se analisarmos o valor da vida. Nosso bem mais precioso é a saúde, física e mental, e ele deve ser mantido em qualquer circunstância.

7 Considerações Finais

O presente estudo teve como objetivo avaliar a forma como a saúde é tratada no Brasil. Tratamentos de doenças graves costumam ser caros e, por vezes, não há subsídio para que o indivíduo realize-o no país. Deve se observar os princípios fundamentais das leis, no Brasil e no mundo, que regem pelos direitos de cada cidadão a um serviço digno e eficaz. Fato é que não existe uma lei que obrigue a realização dos procedimentos em outros. Em alguns casos, também não há garantia que o paciente alcançará a cura, mas o importante é fornecer um atendimento digno e de qualidade. O ideal seria que, no Brasil, fossem implantadas políticas públicas mais eficazes, fossem criados hospitais de primeira linha, a fim de que o país se tornasse uma grande potência e referência quando o assunto é saúde, no entanto falta determinação para transformar sonhos em realidade.

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8 Referências

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Referências

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