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2 DFATFolha AtividadesFiscompFA – Interpolação e Diferenciação

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Academic year: 2019

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(1)

Departamento de Física Aplicada e Termodinâmica

Física Computacional A

DFAT/

FiscompFA

Interpolação e Diferenciação

Professor: Anibal Leonardo Pereira última atualização: fevereiro 2011

Estagiários:

2004/1 a 2005/2 Luciana Conceição Iecker Lima

2010/1 Magali dos Santos Leodato

2009/1 a 2010/2 Filipe da Fonseca Cordovil

Monitores:

2001/1 Diego Chagas Garcia

2002/2 Erick Azevedo Meirelles

2003/1 a 2003/2 Luciana Maria dos Santos Azevedo

2003/1 a 2003/2 Tatiana Gonçalves Martins

2003/1 a 2005/2 Renato Nascente Júnior

2004/1 a 2005/2 Públio Martins Romano M. Carreiro

2006/1 a 2007/2 Luiz Fernando Rosalba Telles Souza

2006/1 a 2007/2 Paulo Henrique Pfitzner

2008/1 a 2008/2 Filipe da Fonseca Cordovil

2008/1 a 2009/2 Magali dos Santos Leodato

2011/1 a Filipe da Fonseca Cordovil

1. Introdução

Interpolação diz respeito ao método capaz de gerar pontos intermediários em uma tabela de dados.

Diferenciação numérica é a avaliação da derivada de uma função, num dado ponto, usando os valores contidos

numa tabela, usando um polinômio interpolador ou então usando uma função.

2. Interpolação Polinomial

Quando se trabalha com dados experimentais, é comum a obtenção de uma função apenas em um conjunto de

pontos discretos, num dado intervalo

[

a , b

]

, (

os valores medidos

) que geralmente, estão colocados numa tabela.

Dispor-se de uma função

y

=

f

x

sob forma de tabela é também um evento comum. Por isto a necessidade de

se obter valores para pontos que não estão em uma tabela é também um evento bastante usual.

Quando se deseja pontos que não estão numa tabela eles geralmente são obtidos pelo uso de uma função

interpoladora (

polinômio interpolador

), quando o valor desejado está dentro do intervalo

[

a , b

]

e por um polinômio

extrapolador quando o valor desejado está fora do intervalo

[

a , b

]

definido pela tabela.

Desde Newton (

que usou muito

) diferença finita é uma técnica bastante utilizada para trabalhar com funções

colocadas em tabelas porque:

esta técnica possibilita a obtenção de valores não existentes na tabela original

possibilita o cálculo da derivada

cálculo da integral e

(2)

Uma função interpoladora (

função que gera valores intermediários numa tabela

) é uma função que passa pelos

pontos nodais, isto é, pelos pontos existentes na tabela (também chamados de nós).

Existem técnicas para a obtenção de uma função interpoladora para o caso em que:

os nós (

pontos nodais

) estão iguais espaçamento

e para o caso em que eles estão espaçados de forma desiguais

3. Diferenças Finitas

Com bastante frequência, o processo de obtenção de uma função interpoladora (

polinômio interpolador

) faz uso de

diferenças finitas.

Diferenças finitas é um conceito que pode ser facilmente introduzido utilizando-se o conceito de derivada (

isto já

foi destacado na folha de atividades: FiscompFA: Equações Algébricas e Transcendentais, mas será reapresentado aqui

).

A derivada de uma função (

uma curva

) num ponto

x

1

é

representada pela tangente à curva no ponto em questão. Por isto seu

cálculo pode ser feito usando-se a expressão

tanx=y

x

.

Entretanto, como fica visível na figura, a hipotenusa do triângulo

retângulo gerado pelos pontos

x

1

, y

1

e

x

2

, y

2

, calculada

pela expressão

yx

e a tangente à curva no ponto

x

1

não são

idênticas quando o intervalo

x

é grande.

A expressão que leva ao valor correto da derivada é

dydx=lim

x0

y

x

.

Define-se

diferença finita

como sendo os deltas, ou seja: o

y

e o

x

.

Diferenças finitas podem ser: Aqui, usa-se a simbologia:

y

i

=

f

x

i

=

f

i

diferenças finitas ascendentes ou

progressiva

f

i

=

f

i1

f

i

O índice zero está colocado no início da tabela. Veja tabela ao lado

i

x

i

f

i

f

i

0

1.00 1.00000

f

0

1

1.05 1.02470

f

1

2

1.10 1.04881

f

2

3

1.15 1.07238

diferenças finitas descendentes ou

regressiva

f

i

=

f

i

f

i−1

Observe que o índice na diferença finita regressiva inicia com zero, mas o zero está colocado no final da tabela, não no início

i

x

i

f

i

f

i

-3

1.00

1.00000

-2

1.05

1.02470

f

−2

-1

1.10

1.04881

f

−1

(3)

diferenças finitas centradas ou

central

f

i

=

f

i1 2

f

i−1 2

=

1

2

f

i1

f

i−1

As diferenças finitas ascendentes de ordem mais elevadas são obtidas pela expressão:

k

f

i

=

k−1

f

i1−k−1

f

i

.

As diferenças finitas ascendentes são calculadas assim:

0

f

i

=

f

i

diferença finita progressiva de ordem zero

f

i

=

f

i1

f

i

primeira ordem

2

f

i

=

f

i1

−

f

i

segunda ordem

3

f

i

=

2

f

i1

−

2

f

i

terceira ordem

k

f

i

=

k−1

f

i1

−

k−1

f

i

késsima ordem

É usual coloca-se as diferenças finitas num quadro (ou tabela).

Tabela de diferenças finitas progressivas

i

x

i

0

f

i

1

f

i

2

f

i

3

f

i

4

f

i

5

f

i

0

x

0

y

0

f

0

2

f

0

3

f

0

4

f

0

5

f

0

1

x

1

y

1

f

1

2

f

1

3

f

1

4

f

1

2

x

2

y

2

f

2

2

f

2

3

f

2

3

x

3

y

3

f

3

2

f

3

4

x

4

y

4

f

4

5

x

5

y

5

Por exemplo, a tabela de diferenças finitas progressivas para a função

y

=

x

4

, com x variando de 1 a 6, onde

o incremento em x é sempre o mesmo, é mostrado a seguir:

i

x

i

f

i

0

1

1

1

2

16

2

3

81

3

4

256

4

5

625

5

6

1296

Observe que existem 6 pontos na tabela, e que o índice da tabela inicia sua contagem em zero, portanto existem n+1 pontos: 5+1=6.

As diferenças finitas, podem ser representadas assim:

índice 0:

0

f

0

1

f

0

2

f

0

3

f

0

4

f

0

índice 1:

0

f

1

1

f

1

2

f

1

3

f

1

4

f

1

índice 2:

0

f

2

1

f

2

2

f

2

3

f

2

4

(4)

i

x

i

0

f

i

1

f

i

2

f

i

3

f

i

4

f

i

5

f

i

0

1

1

15

50

60

24

0

1

2

16

65

110

84

24

2

3

81

175

194

108

3

4

256

369

302

4

5

625

671

5

6

1296

Observou que

y

i

e

0

f

i

são a mesma entidade, isto é,

y

i

=

0

f

i

.

4. Interpolação Progressiva de Newton

O método de obtenção de um polinômio interpolador que utiliza as diferenças finitas ascendentes é chamado de

interpolação progressiva de Newton (

ou simplesmente de interpolação de Newton

).

Admita que se disponha de um conjunto de (n+1) pontos

ordenados de forma crescente e igualmente

espaçados

.

Partindo destes dados (

como no exemplo da função

y

=

x

4

) é possível construir uma tabela de diferenças finitas

progressiva.

Quando a coluna de diferenças finitas de ordem k se torna constante e a próxima coluna (

ordem k+1

) se torna

zero, o polinômio interpolador será um polinômio de ordem k, isto é, pode-se criar um polinômio interpolador cujo

maior grau será igual a

k

:

P

k

x

. Por exemplo, num conjunto de (n+1) pontos ascendentes igualmente

espaçados, representados pelos dados:

x

i

, y

i

, i

=

0,1 ,2 ,3

,

, n

quando k for igual a três, o polinômio interpolador de Newton será expresso pela equação:

P

3

x

=

b

0

b

1

x

b

2

x

2

b

3

x

3

ou

P

3

x

=

b

0

b

1

x

x

0



b

2

x

x

0



x

x

1



b

3

x

x

0



x

x

1



x

x

2

no intervalo

x

0

, x

n

para o conjunto de dados fornecidos.

Porque o espaçamento entre os pontos nodais é sempre o mesmo, pode-se definir a constante

h

=

x

1

x

0

que é chamada de

passo

ou

incremento

.

O coeficiente

b

0

do polinômio é calculado pela expressão

b

0

=

0

f

0

=

f

0

enquanto os outros coeficientes

são calculados pela expressão

b

j1

=

1

j

!

j

f

i

h

j

com j variando de 1 até o grau máximo do polinômio.

A expressão do polinômio interpolador ascendente de Newton de ordem n (

ou grau n; geralmente o grau do polinômio interpolador é ≤ 9

) pode ser escrita da seguinte forma:

Pnx=b0b1xx0b2xx0xx1b3xx0xx1xx2⋯bnxx0xx1xx2xx3xxn−1

(5)

P

n

x

=

b

0

+

b

1

x

x

0

+

b

2

x

x

0



x

x

1

+

b

3

x

x

0



x

x

1



x

x

2

+

b

4

x

x

0



x

x

1



x

x

2

x

x

3

+

b

n

x

x

0



x

x

1



x

x

2

x

x

3

x

x

n−1

Por conveniência, faz-se uma mudança de variável para se trabalhar com o polinômio interpolador. Define-se

uma variável local

s

da seguinte forma :

s

=

x

x

0

h

.

Utilizando esta variável local

s

pode-se escrever o polinômio interpolador da seguinte forma:

P

n

x

=

P

n

x

sh

=

k=0 n

s

k

k

f

0

onde

s

0

=

1

s

1

=

s

s

2

=

1

2 !

s

s

1

s

3

=

1

3 !

s

s

1



s

2

s

n

=

1

n

!

s

s

1



s

2

⋯

s

n

1

Os

s

i

são os coeficientes binomiais.

Por exemplo, quando o grau do polinômio interpolador é igual a cinco (n=5) tem-se:

P

5

x

=

k=0 5

s

k

k

f

0

=

s

0

0

f

0

s

1

1

f

0

s

2

2

f

0

s

3

3

f

0

s

4

4

f

0

s

5

5

f

0

=

f

0

+

s

f

0

+

1

2 !

s

s

1



2

f

0

+

1

3!

s

s

1



s

2



3

f

0

+

1

4 !

s

s

1



s

2



s

3



4

f

0

+

1

5 !

s

s

1



s

2



s

3



s

4



5

f

0

Observe que os valores das diferenças finitas que aparecem nesta equação são os mesmos que aparecem na

primeira linha da tabela de diferença finitas (

veja a tabela de diferença finita que segue: a primeira linha contém os

valores:

f

0

f

0

2

f

0

3

f

0

).

(6)

Tabela de diferenças finitas progressivas

0

f

i

1

f

i

2

f

i

3

f

i

4

f

i

y

0

f

0

2

f

0

3

f

0

4

f

0

y

1

f

1

2

f

1

3

f

1

4

f

1

y

2

f

2

2

f

2

3

f

2

y

3

f

3

2

f

3

y

4

f

4

5. Interpolação de Newton com Espaçamento Não Uniforme

O método da interpolação progressiva de Newton utiliza uma tabela com espaçamento uniforme. Mas, nem

sempre a tabela com a qual se está trabalhando contém os dados com espaçamentos iguais, portanto é necessário

obter um polinômio interpolador para este caso.

O esquema de interpolação de Newton pode ser estendido para o caso do espaçamento dos pontos não uniforme,

utilizando-se diferença dividida.

Diferença dividida é calculada assim:

[

0,1

]=

f

x

1

−

f

x

0

x

1−

x

0

para o caso geral:

[

0,1,

, k

]=

[

1,

, k

]−[

0,1,

, k

1

]

x

k

x

0

Cálculo da

primeira diferença dividida:

[

0,1

]=

f

1

f

0

x

1−

x

0

=[

1, 0

]

Segunda diferença dividida:

porque

[

x

i

, x

j

, x

k

]=

[

x

j

, x

k

]−[

x

i

, x

j

]

x

k

x

i

podemos escrever

[

0,1, 2

]=

[

1, 2

]−[

0, 1

]

x

2

x

0

A forma de expressar a

diferença dividida em termos dos valores da função

é:

[

0,1, 2

]=

f

0

x

0−

x

1

x

0−

x

2

f

1

x

1−

x

0

x

1−

x

2

f

2

(7)

Diferença dividida de ordem k:

como

[

0,1,

, k

]=

[

1,

, k

]−[

0,1,

, k

1

]

x

k

x

0

temos :

[

0,1

,

, k

]

=

f

0

x

0−

x

1



x

0−

x

2



x

0−

x

k

+

f

1

x

1−

x

0



x

1−

x

2



x

1−

x

k

+

+

f

k

x

k

x

0



x

k

x

1



x

1

x

k−1

=

=

f

0

j=1 k

x

0

x

j

+



f

l

j=0 j≠l k

x

l

x

j

+

+

f

k

j=0 j≠k k

x

k

x

j

Colocada numa tabela as diferenças divididas ficam assim:

i

x

i

y

i

[

i , i

1

]

[

i , i

1

, i

2

]

[

i , i

1

, i

2

,i

3

]

[

i , i

1

, i

2

,i

3

,i

4

]

0

x

0

y

0

[

0,1

]

[

0,1,2

]

[

0,1,2 ,3

]

[

0,1,2 ,3 ,4

]

1

x

1

y

1

[

1,2

]

[

1,2 ,3

]

[

1,2 ,3 ,4

]

2

x

2

y

2

[

2,3

]

[

2,3,4

]

3

x

3

y

3

[

3,4

]

4

x

4

y

4

Por exemplo, considere a tabela de diferenças divididas para a função

y

=

x

4

, com x variando de 1 a 15 onde

o espaçamento na variável x não é igual.

i

x

i

y

i

0

1

1

1

3

81

2

6

1296

3

7

2401

4

10

10000

5

15

50625

Da tabela, pode-se construir:

[

0,1

]=

f

1

f

0

x

1−

x

0

=

81

1

3

1

=

80

2

=

40

Construindo as outras diferenças divididas:

[

3,4,5

]=

[

4,5

]−[

3,4

]

x

5

x

3

=

8125

2533

15

7

=

5592

8

=

699

[

0,1,2 ,3 ,4

]=

[

1,2 ,3 ,4

]−[

0,1,2 ,3

]

x

4

x

0

=

26

17

10

1

=

(8)

A tabela de diferenças divididas fica assim:

i

x

i

y

i

[

x

i

, x

i1

]

[

x

i

x

i2

]

[

x

i

x

i3

]

[

x

i

x

i4

]

[

x

i

x

i5

]

0

1

1

40

73

17

1

0

1

3

81

405

175

26

1

2

6

1296

1105

357

38

3

7

2401

2533

699

4

10

10000

8125

5

15

50625

Tabela 01: Diferenças divididas

Para um conjunto de (n+1) pontos ascendentes com espaçamento desigual, o polinômio interpolador de Newton

com espaçamento desigual é escrito assim:

P

n

x

=

f

0

i=1 n

[

0,

, i

]

j=0 i−1

x

x

j

Por exemplo para um polinômio interpolador de grau 4 tem-se:

P

4

x

=

f

0

i=1 4

[

0,

, i

]

j=0 i−1

x

x

j

=

=

f

0

+

[

0,1

]⋅ 

x

x

0

+

[

0,1,2

]⋅ 

x

x

0



x

x

1

+

[

0,1,2 ,3

]⋅ 

x

x

0



x

x

1



x

x

2

+

[

0,1,2 ,3 ,4

]⋅ 

x

x

0

x

x

1

x

x

2



x

x

3

Fazendo uso da tabela 01 pode-se escrever o polinômio interpolador:

P

4

x

= 1 +

40

x

1

+

73

x

1



x

3

+

17

x

1



x

3



x

6

+

1

x

1



x

3



x

6



x

7

ou

P

4

x

=

1

x

4

1

=

x

4

que obviamente é a função tabelada.

Observe que na tabela as diferenças divididas de ordem quatro são iguais e portanto as diferenças divididas de

ordem cinco são nulas. Isto nos diz que o grau máximo do polinômio é quatro (

como obtido

).

É possível escrever polinômios de ordem menor que quatro (

graus 1, 2 e 3

) para representar a função, mas eles

não serão uma representação tão boa para a função quanto o polinômio de grau máximo.

Observe também que porque existem seis pontos na tabela (

número de pontos = n+1 = 5+1 = 6

) seria possível

(9)

6. Interpolação de Lagrange

Outro método utilizado para gera um polinômio interpolador para pontos desigualmente espaçados é o método

chamado de interpolação de Lagrange.

Para n+1 pontos distintos, colocados em ordem crescente, que podem ter espaçamento desiguais é possível

obter-se um polinômio de ordem k

P

k

x

(

o grau k do polinômio será menor ou igual a n

) tal que

P

x

i

=

y

i

,

para todo i.

O polinômio

P

x

pode ser escrito assim:

P

n

x

=

a

0

a

1

x

a

2

x

2



a

n

a

n

ou

P

n

x

=

i=0 n

a

i

x

i

Para utilizar este polinômio basta conhecer os coeficientes

a

0

, a

1,

a

2

, a

3,

, a

n

.

Porque os pontos da tabela devem satisfazer o polinômio, ou seja

P

n

x

i

=

y

i

, pode-se escrever o sistema de

equações:

{

a

0

a

1

x

0

a

2

x

02



a

n

x

0n

=

y

0

a

0

a

1

x

1

a

2

x

12



a

n

x

1n

=

y

1



a

0

a

1

x

n

a

2

x

n 2



a

n

x

n n

=

y

n

Para determinar os coeficientes do polinômio deve-se resolver este sistema de equação.

O método de Lagrange permite encontrar o polinômio sem que seja necessário resolver diretamente o sistema

de equação mostrado.

Para evitar a solução do sistema de equação e obter o polinômio de Lagrange procede-se assim:

i

x

i

y

i

0

x

0

y

0

1

x

1

y

1

. . .

. . .

n

x

n

y

n

Para uma tabela de pontos

x

i

, y

i

i

=

0,1

,

, n

considere o produto dos fatores

V

0

F

0

x

=

x

x

1



x

x

2



x

x

n

ou

F

i

x

=

j=0 j≠i n

x

x

j

Neste produto o ponto

x

0

é o único que não aparece na expressão (

o produto é uma função que passa pelos

outros pontos tabelados

). Portanto a função

F

0

x

é um polinômio em x, de ordem n, que torna-se zero nos

(10)

Dividindo

F

0

x

por

F

0

x

0

obtém-se:

L

0

x

=

x

x

1



x

x

2



x

x

n

x

0−

x

1



x

0−

x

2



x

0−

x

n

Esta função

L

0

x

se torna unitária quando

x

=

x

0

e zero para

x

=

x

1

, x

=

x

2

,

, x

=

x

n

É possível gera polinômios similares para os outros pontos. A expressão

L

i

x

=

F

i

x

F

i

x

i

=

j=0 j≠i

n

x

x

j

x

i

x

j

é um

polinômio de grau n, que satisfaz as seguintes condições:

L

i

x

=

0

para

i

j

L

i

x

j

=

1

para

i

=

j

ou seja, nos n+1 pontos da tabela.

Este expressão aberta nos leva ao sistema de equações:

{

L

0

x

=

x

x

1

x

x

2



x

x

n

x

0

x

1



x

0

x

2



x

0

x

n

L

1

x

=

x

x

1



x

x

2



x

x

n

x

1

x

0



x

1

x

2



x

0

x

n



L

n

x

=

x

x

1

x

x

2



x

x

n−1

x

n

x

0



x

0

x

1



x

n

x

n−1

Ao multiplicar-se cada

L

i

x

por

y

i

e adicionando-se todos os produtos obtidos, a expressão gerada será

um polinômio de grau n.

O polinômio construído desta forma é o

polinômio interpolador de Lagrange

.

P

n

x

=

x

x

1



x

x

2



x

x

n

x

0−

x

1

x

0−

x

2



x

0

x

n

y

0

x

x

0



x

x

2



x

x

n

x

1−

x

0

x

1−

x

2



x

1−

x

n

y

1

+

+

x

x

0



x

x

1



x

x

n−1

x

n

x

0



x

n

x

1



x

n

x

n−1

y

n

ou

P

n

x

=

i=0

n

y

i

L

i

x

=

i=0 n

y

i

j=0 ij

n

x

x

j

(11)

Exemplo:

i

x

y

0

85

900

1 206

866

2 335

740

Considere a tabela ao lado contendo apenas 3 pontos.

Utilize a interpolação de Lagrange para obter o valor y referente ao ponto x=250

Com n = 2 teremos

L

0

x

,

L

1

x

e

L

2

x

. Então:

P

n

x

=

i=0

n

y

i

L

i

x

=

y

0

L

0

x



y

1

L

1

x



y

2

L

2

x

P

n

x

=

i=0

n

y

i

L

i

x

=

y

0

x

x

1



x

x

2

x

0

x

1



x

0

x

2

y

1

x

x

0



x

x

2

x

1

x

0



x

1

x

2

y

2

x

x

0



x

x

1

x

2

x

0



x

2

x

1

P

2

x

=

900

x

206



x

335

85

206



85

335

866

x

85



x

335

206

85



206

335

740

x

85



x

206

335

85



335

206

que é o polinômio de interpolação de Lagrange para a função tabelada.

Não é usual expandir-se este polinômio, porque o cálculo do valor desejado pode ser feito diretamente com ele.

Utilizando o polinômio de Lagrange temos para x=250:

y

=

779.520

7. Diferenciação Numérica

Observação

Porque (

quase

) todas funções podem ser explicitadas por uma

série de Taylor

(

quase

) todas as funções podem ser

pensadas como sendo um polinômio.

Toda função analítica possuí uma série de Taylor

(

função de Taylor ou polinômio de Taylor

).

Função analítica é aquela que possui todas as derivadas contínuas em x = a e na sua vizinhança.

A série de Taylor é expressa por:

f

x

=

f

a



h f

'

a



h

2

2!

f

' '

a



h

3

3 !

f

' ' '

a



h

4

4 !

f

4

a



h

m

m

!

f

m

a

onde:

h

=

x

a

e

f

'

f

' '

f

m

são as derivadas primeira, segunda, . . . , até a derivada de ordem m

Diferenciação numérica é o processo de calcular a derivada de uma função cuja especificação é feita por valores

colocados numa tabela.

(12)

As três aproximações da derivada primeira de uma função

f

x

no ponto

x

0

é mostrada a seguir.

Progressiva

Forward

Central

Regressiva

Backward

As aproximações são escritas assim:

Aproximação

Progressiva

f

'

x

0

≃

f

x

0

h

−

f

x

h

Aproximação

Regressiva

f

'

x

0

≃

f

x

0

−

f

x

0

h

h

Aproximação

Central

f

'

x

0

≃

f

x

0

h

−

f

x

0

h

2h

Para uma derivada de ordem p, a menor quantidade de pontos necessária para a obtenção da aproximação da

derivada é p+1.

Então, para a derivada primeira de uma função são necessários pelo menos dois pontos.

Considere que a função pode ser representada por um polinômio e que a série de Taylor (

que é um polinômio

) da

função

f

x

em torno do ponto

x

0

é expressa assim:

f

x

0

h

=

f

x

0



x

x

0

f

'

x

0



x

x

0

2

2 !

f

' '

x

0



x

x

03

3 !

f

' ' '

x

0



x

x

0

m

m

!

f

m

x

0

onde o incremento

h

é obtido de

x

=

x

0

h

h

=

x

x

0

.

Explicitando-se o valor

f

'

na expressão da série de Taylor temos:

f

'

x

0

=

f

x

0

h

−

f

x

0

x

x

0

1

2

x

x

0

f

' '

x

0

−

1

6

x

x

0

2

f

' ' '

x

0

−

(13)

f

'

x

0

=

f

x

0

h

−

f

x

0

x

x

0

O

h

truncando-se a série depois do primeiro termo, a expressão se torna a aproximação progressiva da derivada

f

'

x

0

=

f

x

0

h

−

f

x

0

x

x

0

Para o caso do incremento na tabela ser constante e igual a

h

=

x

x

i

=

x

x

0

a expressão pode ser escrita

assim:

f

'

x

i

=

f

x

i1

−

f

x

i

h

1

2

h f

' '

x

i

−

1

6

h

2

f

' ' '

x

i

−

que após truncada nos leva a expressão

f

'

x

i

=

f

x

i1

−

f

x

i

h

. Estra expressão permite calcular a derivada primeira em qualquer ponto

x

i

.

Ao truncar a série, o erro (

representado pelo primeiro termo

) é expresso por

O

h

=−

1

2

h f

' '

x

i

. Por este

motivo diz-se que o erro é proporcional ao intervalo entre os pontos da tabela.

A

aproximação regressiva

nos leva a expressão :

f

x

0−

h

=

f

x

0

−

h f

'

x

0

h

2

2!

f

' '

x

0

−

h

3

3!

f

' ' '

x

0



que resolvendo para

f

'

gera:

f

'

x

0

=

f

x

0−

f

x

0−

h

h

O

h

onde

O

h

=

1

2

h f

' '

x

i

A

aproximação central

nos leva a expressão :

f

'

x

0

=

f

x

0

h

−

f

x

0

h

2h

O

h

2

onde

O

h

2

=−

1

6

h

2

f

' ' '

x

i

Porque na aproximação central o erro é proporcional a

h

2

em vez de

h

, quando o valor

h

diminui o erro

cai mais rapidamente que o erro nas outras aproximações.

Usando mais de dois pontos:

Ao utilizar mais de dois pontos no cálculo da derivada um resultado mais acurado é obtido.

O cálculo da derivada progressiva utilizando três pontos nos leva à equação:

f

'

x

i

=

f

x

i2



f

x

i1

−

3

f

x

i

2h

O

h

2

onde

O

h

2

=

1

3

h

2

(14)

As tabelas que seguem listam as derivadas mais frequentemente utilizadas.

2-pontos

f

'

x

i

=

f

i1

f

i

h

3-pontos

f

'

x

i

=

f

i2

f

i1

3

f

i

2h

4-pontos

f

'

x

i

=

2

f

i3

9

f

i2

18f

i1

11

f

i

6h

Tabela 02 :

Derivada primeira

- Aproximação progressiva

2-pontos

f

'

x

i

=

f

i

f

i−1

h

3-pontos

f

'

x

i

=

3f

i

4f

i−1

f

i−2

2h

4-pontos

f

'

x

i

=

11f

i

18f

i−1

9f

i−2

2f

i−3

6h

Tabela 03 :

Derivada primeira

- Aproximação regressiva

2-pontos

f

'

x

i

=

f

i1

f

i−1

2h

4-pontos

f

'

x

i

=

f

i2

8f

i1

8f

i−1

f

i−2

12h

Tabela 04 :

Derivada primeira

- Aproximação central

3-pontos

f

' '

x

i

=

f

i2

2f

i1

f

i

h

2

4-pontos

f

' '

x

i

=

f

i3

4f

i2

5f

i1

2f

i

h

2

Tabela 05 :

Derivada segunda

- Aproximação progressiva

3-pontos

f

' '

x

i

=

f

i

2f

i−1

f

i−2

h

2

4-pontos

f

' '

x

i

=

2f

x

i

−

5f

x

i−1



4f

x

i−2

−

f

x

i−3

2h

(15)

3-pontos

f

' '

x

i

=

f

i1

2f

i

f

i−1

h

2

5-pontos

f

' '

x

i

=

f

i2

16f

i1

30f

i

16f

i−1

f

i−2

12h

2

Tabela 06 :

Derivada segunda

- Aproximação central

A utilização dos pontos tabelados para os cálculos das derivadas de ordem superior a 2 (derivada segunda)

apresentam erros elevados, por este motivo, na prática, não são utilizados.

8. Usando as Diferenças Finitas

Considere a definição dos três operadores que segue

Operador diferença progressiva:

f

x

i

=

f

i1

f

i

Operador diferença regressiva:

f

x

i

=

f

i

f

i−1

Operador diferença central:

f

x

i

=

f

x

i1 2

f

x

i−1

2

ou

f

x

i1 2

=

f

i1

f

i

onde

f

x

i1 2

=

f

x

i

h

2

pode-se obter as derivadas das funções utilizando as diferenças finitas.

Operador:

Um operador pode ser visto como uma caixa que recebe uma entrada e dá uma saída.

Então, entrando com o valor

y

k

no operador a saída será

y

k1

y

k

.

Uma forma adequada de pensar o operador é:

(

) quando o operador é aplicado a um valor gera (

produz

) um resultado.

(16)

Os operadores diferenças (

progressiva, regressiva e central

) definidos anteriormente obedecem a seguinte

propriedade:

(

) se

C

1

e

C

2

são constantes então:



C

1

y

k

C

2

z

k

=

C

1

⋅

y

k

C

2

⋅

z

k

Usando estes conhecimentos, pode-se construir o operador diferença progressiva de ordem dois assim:

2

f

k

=

f

k

= 

f

k1

f

k

=

f

k2

2

f

k1

f

k

Observe que o resultado obtido com

2

f

k

foi o

numerador

da

derivada segunda - aproximação

progressiva

, com 3 pontos.

Como se sabe, o polinômio interpolador de Newton representa uma função que se ajusta aos n+1 pontos de uma

tabela onde a os valores da variável independente estão em ordem crescente e com espaçamento igual.

P

n

x

=

k=0 n

s

k

k

f

0

=

f

0

s

f

0

1

2!

s

s

1



2

f

0

1

3 !

s

s

1



s

2

 

3

f

0

1

4 !

s

s

1



s

2



s

3

 

4

f

0



onde

s

=

x

x

k

h

Porque este polinômio

P

n

x

é uma aproximação da função

f

x

representada na tabela, a derivada deste

polinômio é também a derivada da função.

Considere o polinômio interpolador de segundo grau (

n=2

), então:

p

2

x

=

f

k

s

f

k

1

2

s

s

1



2

f

k

derivando temos

f

'

x

=

1

h

[

f

k

1

2

2s

1



2

f

k

]

Como n=2 (

polinômio de grau 2

) existem 3 pontos,

x

0

, x

1

, x

2

, que geram os valores

s

=

0,

s

=

1,

s

=

2

.

Substituindo os valores de

s

na equação temos:

f

'

x

k

=

1

2h

[

2

f

k

−

2

f

k

]

=

1

2h

[

f

k2

4

f

k1

3

f

k

]

f

'

x

K1

=

1

2h

[

2

f

k



2

f

k

]

=

1

2h

[

f

k2

f

k

]

f

'

x

k2

=

1

2h

[

2

f

k

3

2

f

k

]

=

1

2h

[

3

f

k2

4

f

k1

f

k

]

Imagem

Tabela de diferenças finitas progressivas
Tabela 01: Diferenças divididas
Tabela 02 : Derivada primeira - Aproximação progressiva
Tabela 06 : Derivada segunda - Aproximação central
+2

Referências

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