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SEBASTIÃO DE OLIVEIRA CASTRO FILHO

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Academic year: 2019

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SEBASTI ÃO DE OLI VEI RA CASTRO FI LHO Minist ro do Superior Tribunal de Just iça, Professor de Direit o Civil e Processual Civil, Mem bro do I nst it ut o Brasileiro de Dir eit o Processual Civil E do I nst it ut o Panam ericano de Derecho Procesal.

SUMÁRI O:

1. I nt rodução. 2. Com pet ência em m atéria civil. 2.1.Com pet ência da Just iça Federal. 2.2.Com pet ência da j ust iça est adual. 3. Det erm inação da com pet ência. 3.1. Com pet ência em razão do valor da causa. 3.2. Com pet ência em razão da m at éria. 3.3.Com pet ência funcional. 3.4. Com pet ência territorial. 4. Das diversas espécies de foro. 5. Classificação da com pet ência. 6. Prorrogação da com pet ência. 7. Conclusão

.

1 - I nt rodução. Hoj e não m ais se j ust ifica confundir, com o out rora, os conceit os de j urisdição e com pet ência.

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Já a com pet ência é o crit ério de dist ribuição ent re os vários órgãos do Poder Judiciário das at ividades relat ivos ao desem penho da j urisdição.

Todo j uiz é dot ado do poder de solucionar lit ígios. Em nom e do próprio Est ado, est á dot ado de poderes para fazer a ent rega da prest ação j urisdicional. Exat am ent e esse poder de dizer o direit o, esse poder de solucionar conflitos é a j urisdição. Ora, em sendo assim , t odo j uiz, a part ir do m om ent o em que t om a posse, se revest e de poder j urisdicional. Só que há um a espécie de com part im ent alização. Esse poder fica m ais ou m enos delim it ado. Não pode um j uiz de um est ado, por exem plo, exercit ar sua j urisdição nout ro est ado ou no Dist rit o Federal.

Pode- se afirm ar, ent ão, que a com pet ência nada m ais é que a m edida da j urisdição. Todo j uiz t em j urisdição, ent ret ant o, só pode exercit á- la em det erm inadas m at érias e em det erm inados espaços, segundo sua com pet ência, que é a det erm inação do âm bit o de at uação dos órgãos encarregados das funções j urisdicionais. Daí concluir- se que a j urisdição é inerent e à at ividade de t odo o j uiz, m as nem t odo j uiz t em poderes para j ulgar t odos os lit ígios em t odos os lugares. Só o j uiz com pet ent e t em legit im idade para fazê- lo validam ent e.

A dist ribuição da com pet ência é feit a, no Brasil, a part ir da própria Const it uição Federal, que a at ribui:

a) ao Suprem o Tribunal Federal ( art . 102) ;

b) ao Superior Tribunal de Just iça ( art . 105) ;

c) à Just iça Federal ( art s. 108 e 109)

d) às j ust iças especiais:

. Eleit oral;

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. Trabalhist a;

e) à j ust iça est adual.

A com pet ência da j ust iça est adual é determ inada por exclusão. Tudo que não for da com pet ência da Just iça Federal ou de qualquer das j ust iças especiais, pertencerá aos órgãos j urisdicionais est aduais, t ant o na área civil com o nas out ras áreas.

No Brasil, de acordo com a Const it uição, t em os várias j ust iças, cada qual com órgãos superiores e inferiores, para que se possa cum prir o cham ado duplo grau de j urisdição. São órgãos inferiores às varas, as com arcas e as seções. Os de segundo grau são os t ribunais, geralm ent e est aduais ou regionais federais. Os t ribunais superiores são o Suprem o Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justiça, o Tribunal Superior do Trabalho, o Tribunal Superior Eleit oral e o Superior Tribunal Militar. Todos eles com sua com pet ência específica.

2- Com pet ência em m at éria civil. A com pet ência em m at éria civil é residual. Result a da exclusão das m at érias at ribuídas a out ras "j ust iças", especiais ou não. Por exclusão, o que não for penal, o que não for eleit oral, não for m ilit ar nem t rabalhist a, será civil. De sort e que na civil se int egram t am bém aquelas m at érias de nat ureza const it ucional, adm inist rat iva, com ercial, t ribut ária. Tudo é considerado com o da j urisdição civil, da com petência de j uízo cível. A com pet ência, nesses casos, est á afet a t ant o à Just iça Federal quant o a j ust iça est adual.

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2.2 - Com pet ência da j ust iça est adual. A ela pert ence t udo o que não est iver afet o às out ras "j ust iças". Por exceção, o que não for da j ust iça especial nem da federal, a com pet ência será da j ust iça est adual. Mesm o algum as causas, que, por sua natureza, seriam da j ustiça federal, são com et idas pela Const it uição da República à j ust iça est adual. É o caso, por exem plo, da ação de acident e do t rabalho.

3 - Det erm inação da com pet ência. Há várias regras nort eadoras, em m at éria civil, no que concerne à com pet ência int erna, que podem ser de natureza obj et iva funcional ou territorial. Para det erm inação da com pet ência, int ernam ent e, devem ser observados os seguint es crit érios:

a) obj et ivo: funda- se no valor da causa, nat ureza da ação ou qualidade da part e;

b) funcional: orienta- se pelo foro e j uiz ( no prim eiro grau) e no segundo, tribunal, câm ara, relator. Regulam as atribuições dos diversos órgãos e seus com ponentes, com o, no prim eiro grau, qual o foro ou qual o j uiz; no caso de t ribunal, qual a câm ara, o relat or, qual a turm a ou a seção. É a cham ada com pet ência funcional, que se est abelece de acordo com a função;

c) t errit orial: t em por base o dom icílio da part e, a localização da coisa ou o local do fat o. Tam bém conhecida com o com petência de foro, refere- se aos lim it es t errit oriais de at uação de cada órgão.

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Elaborado o proj et o de lei pelo Judiciário est adual, a Assem bléia Legislat iva ou Chefe do Execut ivo não poderão am pliá- lo. Poderão negar- lhe aprovação em parte ou at é t ot alm ent e, não, alt erá- lo, por falt ar- lhes legit im idade.

Diz o art igo 258 do Código de Processo Civil que "A t oda causa será atribuído um valor cert o, ainda que não tenha conteúdo econôm ico im ediat o". E que "O valor da causa const ará sem pre da pet ição inicial" ( art . 259) .

De sorte que o autor deve atribuir valor cert o, ainda que a causa não t enha cont eúdo econôm ico im ediat o. O valor da causa é part e int egrant e e im prescindível da pet ição inicial. Se à part e aut ora não atribuir valor à causa, o j uiz deverá, ant es de det erm inar a cit ação, m andar que com plem ent e a pet ição inicial, no prazo de dez dias, sob pena de indeferim ent o.

A at ribuição de valor à causa, além de servir, em cert as sit uações, à det erm inação da com petência, t em im port ância t am bém sob out ros aspect os, com o para orient ar sobre o rit o a ser seguido, com o nos casos de procedim ent o sum ário ou sum aríssim o, este dos j uizados especiais.

3.2 - Com pet ência em razão da m at éria. Em regra, é t am bém est abelecida por norm as de organização j udiciária local.

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Vencida essa prim eira fase, e determ inado o território, é que se faz à dist ribuição, agora sim , em relação à m at éria propriam ent e dit a ( fam ília, falência, execução, regist ros públicos) .

É de se t er present e que det erm inadas causas, com o as que se referem à capacidade das pessoas, só podem ser decididas por “ j uízes de direit o” , ist o é, aqueles que reúnem os predicat ivos de inam ovibilidade, vit aliciedade, irredut ibilidade de vencim ent os.

3.3 - Com pet ência funcional. Diz respeit o à dist ribuição das at ividades Jurisdicionais entre os diversos órgãos que podem atuar no processo.

Pode ser classificada:

a) pelas fases do procedim ent o;

b) pelo grau de j urisdição;

c) pelo obj et o do j uízo.

Pelas fases do procedim ent o. Depende do caso concret o, quando m ais de um órgão j urisdicional pode atuar no processo nas suas diferent es fases. Por exem plo, execução num j uízo, penhora nout ro. Muitas vezes, o bem que a ser penhorado, que vai ser confiscado para garant ia do débit o, não se encontra na m esm a com arca do j uízo da execução. Nest e caso, se faz a penhora at ravés de carta precat ória. Às vezes, t am bém , no processo de conhecim ento, pode ocorrer a necessidade de produção de prova em um a out ra com arca, o que pode ser feit o at ravés de cart a precat ória. Tem - se aí um a diversidade de com pet ência.

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com pet ência originária, com o no da ação rescisória ou então em casos de com pet ência recursal.

Pelo obj et o do j uízo. Pode ocorrer, exem plificadam ent e:

a) no 1º grau: quando o j uiz que deve efet ivar a penhora ou cum prir a m edida cautelar for de outra com arca, caso em que será de sua com pet ência a apreciação de event uais em bargos de t erceiro.

b) nos t ribunais: suscit ada a quest ão de inconst it ucionalidade, há algum as part icularidades a respeit o da com pet ência funcional. De acordo com a Const it uição e com o próprio Código de Processo Civil, os incident es de inconst it ucionalidade só podem ser decididos pelo órgão m aior do tribunal. Diferente seria se a suscitação se desse no prim eiro grau. Se num a det erm inada causa, o autor ou réu questionar a const it ucionalidade do at o originário obj eto daquela ação, o j uízo m onocrát ico poderá sozinho resolver a quest ão e dizer se trata de at o inconst it ucional ou não, de lei inconst it ucional ou não. No t ribunal, curiosam ent e, um dos seus m em bros não pode fazê- lo. Nem o próprio órgão. Em sede de colegiado, só o órgão m aior pode declarar a inconst it ucionalidade incident al, que é a cham ada inconst it ucionalidade

" incident er t ant um ” .

3.4 - Com pet ência t errit orial. A com pet ência t errit orial é atribuída aos diversos órgãos j urisdicionais t endo em consideração a divisão do próprio t errit ório. No que concerne à Just iça Federal, que t am bém é j ust iça com um , o País é divido em regiões, que, por sua vez, se dividem em seções. Os est ados se dividem em com arcas.

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com pet ência de foro. No que concerne à j ust iça com um , pode ser federal ou est adual.

A Just iça Federal é const it uída por Tribunais Regionais Federais e seções, enquanto a j ust iça est adual, sob o ponto de vista t errit orial, est á classificada em t ribunais e com arcas.

Os t ribunais dos est ados, os t ribunais de j ust iça, com o são denom inados, exist em em t odas as capit ais, inclusive no Dist rit o Federal. Mas, em alguns est ados ( hoj e são apenas t rês: São Paulo Minas Gerais e Paraná) , há t am bém t ribunais de alçada, que são igualm ent e t ribunais de segundo grau. E as com arcas, com um a única ou com várias varas, est ão espalhadas por t odo o País, em t odos os est ados, abrangendo t odos os m unicípios.

4 . Das diversas espécies de foro. No Brasil, t em os duas espécies de foro: o com um ou geral e o especial.Com um ou geral, é aquele det erm inado por exclusão, geralm ent e pelo dom icílio do réu. Essa é a regra geral. Por isso é cham ado de foro com um ou foro geral.

Dent ro ainda do foro com um ou geral, há um a outra m odalidade, que é o foro subsidiário ou supletivo. Verifica- se nos casos de dom icílio m últ iplo ou, ent ão, quando incert o ou ignorado o local de residência ou de dom icílio do réu.

Foro especial t em sua divisão subm et ida a certos crit érios com o m at éria, pessoa e local. Daí a com pet ência rat ione m at eriae, rat ione

personae ou rat ione loci.

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O foro da União, na condição de aut ora, é o do dom icílio do réu. A União não têm , nesse caso, privilégio de foro. O foro é o com um , do dom icílio do réu. Na condição de ré, o foro poderá ser o DF, o próprio dom icílio do réu, o local do at o ou do fat o lit igioso ou o local onde se encont rar a coisa lit igiosa.

Já o foro rat ione personae é aquele est abelecido em consideração à própria pessoa. Assim com pet ent e é o da residência da m ulher, sej a ela autora ou ré, nas ações de separação ou anulação de casam ent o. No caso de divórcio, porém , a m ulher não t em foro privilegiado, t alvez porque, quando se edit ou o Código, não havia previsão de divórcio na nossa legislação. Todavia, o do dom icílio ou residência do alim ent ando é o com pet ent e para a ação de alim ent os, e o do dom icílio do devedor, nos casos de anulação de t ít ulos ext raviados ou dest ruídos. O dom icílio do devedor é t am bém o foro com pet ent e para as ações de cobrança.

As pessoas j urídicas, na condição de aut oras, não t em foro privilegiado. É o com um , do dom icílio do réu. Todavia, com o ré, será o de sua própria sede ou o da agência ou da sua sucursal, nest e caso, em referência às obrigações cont raídas pela agência ou pela sucursal.

As quest ões de int eresse dos est ados e dos m unicípios, nas capit ais, são resolvidas pelas varas da Fazenda Pública, quer sej a Fazenda Pública est adual, quer sej a Fazenda Pública m unicipal. Contudo, nos dem ais m unicípios, segue a regra geral. Se não houver vara especializada, a com pet ência será de um a vara com um .

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5- Classificação da com pet ência. Divide- se em absoluta e relat iva.

A absolut a, em regra, não pode sofrer m odificação por vont ade das part es. A com pet ência é absolut a em razão da m atéria e em razão da hierarquia, est a est abelecida segundo o grau de j urisdição.

A relat iva é passível de m odificação, sej a por vont ade das part es, sej a por prorrogação, com o nos casos de conexão ou cont inência. É relativa a com petência em razão do valor e do território, isto é, quando não envolver questão inerente à m atéria ou à hierarquia. Em sendo relat iva, poderá ser alt erada, sej a por vont ade das part es ou por conexão ou cont inência. Em causas que envolvam direit os reais im obiliários, quando for part e a União, ou nas ações de falência, em bora relat iva à com pet ência t errit orial e, port ant o, passível de prorrogação, nesses casos ela é im odificável.

6- Prorrogação da com pet ência. Pode ocorrer por força de lei ou por vont ade das partes. Prorroga- se por força de lei, nos casos de conexão ou cont inência. São os casos de prevenção. Diz o Código de Processo Civil brasileiro:

" Art . 103. Reput am - se conexas, duas ou m ais ações, quando

lhes for com um o obj et o ou a causa de pedir” .

"Art . 104. Dá- se a cont inência ent re duas ou m ais ações, sem pre que há ident idade quant o às part es e à causa de pedir, m as o obj et o de um a, por ser m ais am plo, abrange o das out ras” .

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ident idade de partes. Porém , sej a cont inência ou conexão, um a e out ra são causas de prorrogação da com pet ência.

A prorrogação por causa voluntária decorre de ato de vontade das próprias part es. I sso se dá, por exem plo, nos casos de foro de eleição. As próprias part es, volunt ariam ent e, convencionam o foro. Mas só nos casos em que a com petência for relat iva e desde que não incidam as t rês exceções faladas acim a: casos em que a União for parte, nas hipóteses de ação real im obiliária e nos casos de ação de falência. Ressalvadas essas t rês exceções, sem pre que a com pet ência for relat iva, as part es poderão dispor a respeit o.

É de se ressalt ar ainda que a prorrogação volunt ária pode- se dar não só por eleição de foro, m as tam bém , por falt a de oposição de exceção. Por se t ratar de com pet ência relat iva, propost a a ação, ainda que não sej a no foro com pet ent e, cit ado o réu, se ele nada alegar, prorroga- se para esse j uízo a com petência, desde que não incida, claro, quaisquer daquelas t rês ressalvas.

7- Conclusão. Em resum o, com o se pode verificar por essas rápidas observações, não é o at ual Código de Processo Civil brasileiro excessivam ent e exigent e em m at éria de com pet ência. É até bastant e liberal quando se cuida de com pet ência relat iva, adm it indo, na grande m aioria dos casos, at é sej a ela prorrogada.

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