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Cad. Saúde Pública vol.13 número3

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Academic year: 2018

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Cad . Saúd e Púb l., Rio d e Jane iro , 13(3):567-569, jul-se t, 1997 RESEN HAS REVIEWS

M ANUAL PARA TÉCNICOS EM BIOTERISM O. Ro-sália Regina De Luca, Sandra Regina Alexandre, Thais M arques, N ívea Lopes de Souza, José Luís Bernadino M erusse & Silvânia Peris N eves. São Paulo: Winner Graph, 1996, 259 pp.

A p u b lica çã o é u m a re visã o a m p lia d a d a p rim e ira ed ição, d o M an u al p ara Técn icos em Biotério, elab o-ra d o e m 1990, p e la Pro faVa ld e re z Ba sto s Va le ro, d a Escola Pau lista d e Med icin a. Ap ós cin co an os, a Profa Rosália Regin a De Lu ca, d o In stitu to d e Ciên cias Bio-m éd icas d a Un iversid ad e d e São Pau lo, ed itou , ju n ta-m e n te co ta-m d e ta-m a is p ro fe sso re s, e ste ta-m a n u a l, q u e d escreve d e form a sim p les, atu alizad a e p rofu n d a, a ciên cia d os an im ais d e lab oratório.

Os ca p ítu lo s fo ra m revisa d o s p o r veterin á rio s, biom édicos e biólogos, do Colégio Brasileiro de Exp e-rim en tação An im al (Cob ea). A form a d id ática n a ex-p osição dos assun tos ex-p ossibilita ao leitor, m esm o o lei-go, avan çar em cad a cap ítu lo com o em u m a viagem agradável n o un iverso dos an im ais de exp erim en tação. A p rim eira p arte trata d as esp écies con ven cion ais d e a n im a is d e la b o ra tó rio s: ca m u n d o n go s, ra to s, h a m ste rs, co b a ia s e co e lh o s. Os a u to re s d isco rre m sob re: os asp ectos h istóricos d esses an im ais; as con d u tas ética e m oral, q u e d evem ser ap licad as n os en -sa io s in v iv o; a s in sta la çõ e s e e q u ip a m e n to s a p ro -p ria d o s -p a ra cria çã o e m a n u ten çã o, a ssim co m o a s con d ições d e con trole d os an im ais, in clu in d o con cei-tos d e h igien e, rep rod u ção, sexagem , id en tificação e registros, n ecessid ad es n u tricion ais, saú d e e con trole sa n itá rio, e m u m a se q ü ê n cia b e m co n d u zid a , q u e, u m a vez se gu id a , p e rm itirá u m e le va d o p a d rã o d e qu alid ad e n os resu ltad os exp erim en tais.

O m an u al tam b ém ab ord a, ain d a n esta p rim eira p arte, a m on itorização gen ética, técn icas an estésicas, d e tran sp orte, d e eu tan ásia, além d e segu ran ça e h i-gie n e d o tra b a lh o. Ca d a ca p ítu lo é a b so lu to n a su a p rop osição, sen d o en fático n o b em -estar d os an im ais d e cria çã o, rep rod u çã o e exp erim en ta çã o. Os tem a s relacion am -se en tre si, p rop orcion an d o u m a leitu ra ab ran gen te sob re b ioterism o.

Na segu n d a p arte, são ap resen tad as três esp écies n ão con ven cion ais d e an im ais d e lab oratório: p rim a-tas, cães e rãs. Esses an im ais, d evid o a su a com p lexi-d alexi-d e, p rin cip alm en te os lexi-d ois p rim eiros, n ecessitam d e regras m ais rigorosas n o seu m an u seio, com con stan te fiscalização p elos com itês d e ética, com o aqu e -le e xe rcid o p e la Pre fe itu ra d a Cid a d e d e Sã o Pa u lo, qu an to ao u so d e cães p ara o en sin o e a p esqu isa.

Os cap ítu los sob re os p rim atas e as rãs são extre-m a extre-m en te extre-m in u cio so s, n o s extre-m o ld es a p resen ta d o s n a p rim eira p arte. Os textos são escritos com a clareza e a exp erên cia d os au tores, fu n d am en tad os em exten sa b ib lio gra fia , q u e p ro p o rcio n a u m a fo n te d e d a d o s im p o rta n tes p a ra p esq u isa d o res q u e u tiliza m esses an im ais em seu s en saios. Tod avia, esp erava-se m ais n o cap ítu lo referen te aos cães.

O M an u al p ara Técn icos em Bioterism o, segu n d a e d içã o, é le itu ra o b riga tó ria p a ra o s su p e r viso re s e técn icos d e b iotérios e p rin cip alm en te p ara p rofesso-res e p esqu isad orofesso-res en volvid os em estu d os realizad os com an im ais.

O re fe rid o livro é u m a co le tâ n e a d o s p ro ce d i-m e n to s o p e ra cio n a is p a d rã o (POP) n o b io te risi-m o. Esp e ra m o s q u e a tira ge m in icia l d e m il e xe m p la re s seja am p liad a p ara facilitar a su a d ivu lgação.

Elizab eth Gloria Barb osa San tos Dep artam en to d e Ciên cias Biológicas Escola Nacion al d e Saú d e Pú b lica/ Fiocru z Rio d e Jan eiro

PREVEN CIÓ N PRIM ARIA DE LO S DEFECTO S CO N GÉN ITO S. M aria da Graça Dutra, org. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1996, 147 pp. ISBN: 85-85676-26-4

O Estu d o La tin o Am erica n o d e Ma lfo rm a çõ es Co n gên itas (ECLAMC) con tin u a p rod u zin d o p reciosas in -form ações sob re este assu n to (con ferir a resen h a d e ou tro livro, p u b licad o p elo m esm o gru p o, em Cad er -n os d e Sa ú d e Pú b lica, 12:425-426, 1996). O te m a ab ord ad o n a p resen te ob ra refere-se exclu sivam en te à p reven ção p rim ária d os d efeitos con gên itos, u m as-su n to se m d ú vid a im p o rta n te, p o is, d e a co rd o co m o s a u to res, a m eta d e d eles p o d eria ser evita d a . O li-vro é excelen te sob tod os os a sp ectos, d esd e a a p re-sen tação gráfica, até as in form ações, exp ostas d e for-m a clara e sifor-m p les, d o qu e é e d o qu e n ão é teratogên ico. O p la teratogên eja m eteratogên to foi cu id a d oso e eteratogên volveu a m -p la d iscu ssão com tod os os -p artici-p an tes d o ECLAMC n a su a reu n ião an u al d e 1994. É im p ortan te salien tar o q u e o livro a p re se n ta o u d e ixa d e a p re se n ta r. Po r exem p lo, n ão existe u m cap ítu lo sob re o acon selh a-m e n to ge n é tico, p ro sp e ctivo o u re tro sp e ctivo, q u e ta m b é m se co n stitu iria e m im p o rta n te fa to r p a ra a p reven ção p rim ária d e d oen ças h ered itárias id en tificá ve is a o n a sce r (e q u e, se m d ú vid a , tê m d e se r in -clu íd as n o con ceito d e m alform ações con gên itas).

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va n ta ge n s d a d im in u içã o d o ta b a gism o d u ra n te a gravid ez são óbvias.

Há tam b ém a ap resen tação d e u m m étod o m u ito in teressan te p ara a avaliação d e riscos d e m alform ção n a p role, ten d o em con ta sim u ltan eam en te q u a-tro variáveis: id ad e avan çad a, m u ltíp ara com n ativivo a n te rio r, m u ltíp a ra co m a b o rto o u n a tim o rto a n te-rior, e m etrorragia n o p rim eiro trim estre d a gestação. Qu e a p reven ção d e m alform ações n ão será fácil está exem p lificad o p ela p roib ição d a ven d a d o m iso-p rostol (u sad o com o ab ortivo e iso-p oten cialm en te tera-togên ico) n o Rio d e Jan eiro. Desen volveu -se u m m er-ca d o n e gro in te re sta d u a l, e a s fa rm á cia s er-ca rio er-ca s agora estão ven d en d o a d roga d e m an eira clan d esti-n a e acim a d o p reço esti-n orm al! A atrib u ição d e virtu d es tera p êu tica s à ta lid om id a com rela çã o a n ove situ a -ções p atológicas (qu e en volvem d esd e a cu ra d a Aid s a té o a lívio d e en xa q u eca s!) ta m b ém p o d erá co n d i-cion a r o seu retorn o à s esta n tes d a s fa rm á cia s, com ven d as p ou co con trolad as.

Os au tores salien tam , com razão, a existên cia in -ju stificável d e d u as su b p op u lações n itid am en te d ifere n cia d a s co m ifere la çã o a o d e se n vo lvim e n to só cio -eco n ô m ico n o s p a íses d a Am érica d o Su l (co m o u m p a rên tese, p o d e-se a d icio n a r q u e o Bra sil situ o u -se em p rim eiro lu gar qu an to à con cen tração d e riqu eza d os 20% m ais ricos com relação aos 20% m ais p ob res, qu an d o com p arad o a 58 ou tras n ações, 40 d o terceiro m u n d o e 18 d o p rim e iro ; Va n d e rm e e r, J., 1996. Re -con stru ctin g Biology. New York: Wiley). Mas em tod as as situ ações, m esm o n as m ais vexatórias, h á sem p re u m lad o b om (com o salien taria o Dr. Pan gloss, céleb re p erson agem d e Voltaire). Com o 80% d as m u lh e -res grávid as n ão trab alh am fora d o lar n os p aíses su la m ericla n o s, ella s estã o livres d o s p ro b lem la s terla to -gê n ico s d o s lo ca is d e tra b a lh o e xtra la r (a lgu n s d o s qu ais estão d ocu m en tad os n esta ob ra).

Pa ra n ã o d izer q u e o livro é p erfeito (n este ca so teria sid o escrito p or d ivin d ad es!), é p elo m en os cu -rio so q u e a s co n clu sõ es a p a reça m sem p re n o in ício d os cap ítu los e n ão n o fim , ap ós a avaliação d e tod as as evid ên cias. Talvez u m term o m ais ap rop riad o p ara a s m e sm a s fo sse re su m o o u sín te se. A e xte n sã o d o con ceito d e ab iotrofias (d oen ças gen éticas com m a-n ifestação tard ia) p ara o d e ea-n ferm id ad es coa-n gêa-n itas d o a d u lto (p. 41) é cla ra m e n te in co m p a tíve l co m a d e fin içã o d e m a lfo rm a çã o co n gê n ita d a p á gin a 15 (d e fe ito s p re se n te s a o n a scim en t oe n ã o p o ste rio r-m e n te, co r-m o n o s d o is e xe r-m p lo s cita d o s). E d ificil-m en te p od er-se-ia classificar o b oificil-m b ard eio d e Hiros-h im a com o u m acid en te (p. 117)!

Os au tores d evem ser felicitad os p ela elab oração d e m ais u m a ob ra qu e d everá p erm an ecer com o fon -te d e referên cia n esta área p or m u itos an os.

Fran cisco M. Salzan o Dep artam en to d e Gen ética

Un iversid ad e Fed eral d o Rio Gran d e d o Su l Porto Alegre

UM A REBELIÃO CULTURAL SILENCIOSA: INVES-TIGAÇÃO SOBRE OS SUICÍDIOS ENTRE OS GUA-RANI DO M ATO GROSSO DO SUL.

Flores as m ais belas foram d a lu z criad as: a fé, ald eia e selvas, m as h oje ressecad as, vivas ficaram d elas só m igalh as h erd ad as!

No d istan te sertão, d essas flores n ascem os! olh a h om em este ch ão! Esqu eceste qu e viem os tod os d o m esm o grão? – qu e a ele voltarem os?

Boa sorte sen h or! – teu p é qu e esp ez in h a, sen te arom a d e d or. Lu z , a ele cam in h a! e volte-n os as flores n esse ch ão soz in h as!

O livro d e Maria Ap arecid a d a Costa Pereira m an tém acesa a ch am a d o esp írito d e in vestigação cien tífica, a lia d o à re vo lt a d ia n t e d o ju go a q u e se u o b je t o é su b m e t id o. A Fu n a i e st á d e p a ra b é n s p e la d ivu lga -çã o, p orq u e à s vezes con h ece-se essa a rra sta d a ep i-d e m ia n o s jo rn a is i-d o e xt e rio r, se m q u e t e n h a m o s n o sso s d a d o s a t u a liza d o s. Po d e -se a go ra a firm a r co m b a se e m fo n t e a u t o riza d a q u e o co rre ra m 128 su icíd io s a o lo n go d e 15 a n o s, d e 1978 a 1992, en tre o s in d íge n a s Nh a n d é va e Ka iwá d o m u n icíp io d e Dou rad os, em Mato Grosso d o Su l. O m aterial é fru to d e u m lo n go tra b a lh o d a a u to ra , te n d o id o à re giã o vá ria s vezes a o lo n go d e seis a n o s, so b o s a u sp ício s d a Fu n a i. Su a t a re fa e ra d a r u m e n ca m in h a m e n t o p sicológico à q u estão d o su icíd io n aq u elas com u n id a id es, p a rte em q u e a p resen te resen h a m a is se id e -tém . O livro d escreve o co n ju n to d a s ta refa s d e q u e se d e sin cu m b iu , a t e n d o -se m a is a o s re su lt a d o s d e oiten ta en trevistas realizad as com ín d ios ‘velh os’, os rezad ores, os líd eres e ín d ios q u e ten taram su icíd io. Isso p e rm it iu -lh e fa ze r u m b o m le va n t a m e n t o d o id iom a d os in d ígen as, su as p rin cip ais trad ições, b em com o d e escolas, serviços d e saú d e e seitas religiosas existen tes n a região.

O quantitativo das vítimas

Com b ase n o gráfico (p. 55) e valores ab solu tos (p. 45) d o livro d e Maria Ap arecid a, foi feita a Tab ela 1, a fim d e o b se rva r a fre q ü ê n cia d e a n o a a n o co m m a io r p recisão. É b astan te p rovável q u e as ten tativas arro-la d a s ten h a m sid o a s m a is gra ves – co m a p esso a já n o ritu al q u e, se con su m ad o, seria su icíd io. Isto p or-qu e em três an os d a casu ística, o n ú m ero d e su icíd ios foi m aior qu e o d e ten tativas n o m esm o an o. Qu an d o ten tativas b en ign as são in clu íd as e tom ase o cu id a -d o -d e re gistra r to -d a s a s o co rrê n cia s, o n ú m e ro -d e ten tativas ch ega a ser d ez vezes m aior qu e o d e su icí-d ios. Portan to, o q u e foi registraicí-d o p ela au tora sob a ru b rica d e ten tativa, foi su icíd io evitad o.

A d istrib u ição cron ológica evid en cia algu m a ten -d ê n cia ? Co m o se o b se rva n a Ta b e la 1, o s a n o s -d e 1990, 91 e 92 foram os m ais d u ros, p orq u e tan to su i-cíd io, q u an to ten tativa foram os m ais elevad os; a co-m u n id ad e foi ‘co-m ord id a p or d en tro’ d e co-m an eira co-m u ito atroz. Porém , em an os an teriores, 1979, 80, 82 e 86, o p rob lem a já era aflitivo, som an d o su icíd ios com ten -tativas.

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O qu e se con clu i é qu e n ão h á u m a ten d ên cia qu e in d iqu e d ecréscim o d o p rob lem a; u m a vez qu e se co-n h ecem m al as forças p rod igiosas qu e geram tal esta-d o esta-d e coisas, e as qu e são con h eciesta-d as m an têm -se es-tab ilizad as, a p ersp ectiva n ão é otim ista. Maria Ap a-recid a p a rece q u e se co n to rcia p a ra co n h ecer essa s forças; ‘reb elião’ é a p alavra-ch ave d o títu lo d o livro, q u e e m gra n d e e xte n sã o é u m va i-e -ve m e m to rn o d aq u elas forças. Recon h ece q u e n a trad ição m itológica d o gru p o h á u m a esp écie d e fator p red isp on en -te, m as qu e este só vem à ton a em situ ações d e op res-são d u rad ou ra. Relata qu e os ín d ios ‘velh os’ lem b ram d e su icíd io s a té 65 a n o s a trá s – a té a o n d e a lca n ça a m em ória d e cad a u m . Mas n o p assad o eram esp orá -d ico s e p o u p a va m o s jove n s, e n q u a n to q u e n a m o-d ern io-d ao-d e são estes os p rim eiros a se m atarem e em q u a n tid a d e d e d a r p a vo r e tre m o r n a co m u n id a d e. Co m isso, co lo ca -se a q u e stã o e m q u e a civiliza çã o o cid e n ta l p a tin a h á ta n to s sé cu lo s: q u a l é a m e lh o r solu ção p ara u m a d iversid ad e cu ltu ral in con ciliável? Nossa civilação se exp an d e a tod o vap or em tod os os p aíses; os qu e n ão se su b m etem a seu s valores são es-m agad os ou es-m argin alizad os ees-m gu etos.

Saúde indígena e a prestação de serviços na área mental

É d ifícil e sq u e m a tiza r o s se rviço s d e sa ú d e m e n ta l, m as o livro d e Maria Ap arecid a d á im p ortan tes p istas ao lon go d e várias p ágin as p ara organ izar tais ser vi-ços; p erceb e-se qu e ela estava con stan tem en te p reo-cu p ad a com essa q u estão. Dá con ta d e q u e n a região h á u m p o sto d e sa ú d e p a ra a ten d im en to a m b u la to -ria l; o s ca so s m a is sér io s fica m a o s cu id a d o s d e u m h o sp ita l e m Do u ra d o s. H á ta m b é m u m a p lê ia d e d e m issões e seitas religiosas qu e p rop õem cu id ar d e

vá-rios p rob lem as, in clu sive p sicológicos. Parece q u e o m ais im p ortan te é b u scar u m a in tegração com os re-p resen ta n tes d a s vá ria s com u n id a d es; isto é, ter em m e n te q u e p re se r va r se u s va lo re s é e m si u m a a çã o d e saú d e fu n d am en tal.

Nos EUA, h á u m a red e d e serviços d e sa ú d e d is-p o n íve is is-p a ra se u 1,5 m ilh ã o d e n a tivo s in d íge n a s, m etad e d os q u ais h ab ita em reservas d o govern o fe-d eral. Em 1990 h avia 130 u n ife-d afe-d es fe-d e saú fe-d e (h osp ital ou clín ica), e 80% d elas d isp u n h am d e serviço esp e-cífico p ara saú d e m en tal. A m aior p arte d esses servi-ços p erten ce ao govern o, o q u al cu steia 75% d o p es-soal, m as a ad m in istração é feita em p arceria com as lid eran ças locais. Tam b ém é assim n o Can ad á e Au s-trália. Há con sen so d e q u e o su cesso p ara im p lan tar u m n ovo serviço é co m eça r sem p re co m a s lid era n -ças. Os cu ran d eiros n ativos são recon h ecid os, m u itos d os q u ais trab alh am d e m an eira in tegrad a aos servi-ço s d e sa ú d e, p o r terem a ceita çã o im ed ia ta e a ssim p rop iciarem con fian ça n os serviços d e saú d e.

De p re ssã o, a lco o lism o e p ro b le m a s q u e cu lm i-n am em violêi-n cia estão ei-n tre os m ais com u i-n s, resu l-tan tes d e d istú rb ios d e relacion am en to in terp essoal e d esaven ças fam iliares. Pob reza e fru strações con tín u a s sã o o d etín o m itín a d o r co m u m d o s va ria d o s p ro -b lem a s d e sa ú d e. As ta xa s d e su icíd io, h o m icíd io e m orte ‘a cid en ta l’ en tre os joven s d o sexo m a scu lin o sã o d u a s a q u a tro veze s m a io re s q u e a s co rre sp o n -d e n te s ta xa s n a p o p u la çã o. Em su m a , p a re ce q u e a q u estã o cen tra l é a m esm a n o s vá rio s p a íses; é essa coisa terrível qu e algu n s ch am am d e ‘b atalh a d e d u as civiliza çõ e s’. É ó bvio q u e, se é b a ta lh a , a s d u a s sã o d e sp ro p o rcio n a lm e n te d e sigu a is; u m a d izim a ria a ou tra p or com p leto. Ain d a b em q u e m u itos an trop ólogos, p sicólogos e religosos b u scam u m n ovo en ten -d im en to -d essa m agn a qu estão.

O lírico no livro de M aria Aparecida

An tes d e m ais n ad a, o qu e seu livro m ais evoca é u m a tristeza p oética in trín seca à cu ltu ra in d ígen a; o n h ista ten tou cap tá-la com a n oven a ao ab rir a rese-n h a , e rese-n ca rrese-n a rese-n d o o s la m e rese-n to s d e Do u ra d o s e o s d e m ães d e u m a trib o can ad en se, p ran tean d o os in for-tú n io s in in te rru p to s d e se u p ovo. Va m o s e n ce rra r com as estrofes ab aixo, in sp irad as n o lirism o d o livro; d ele são exem p los d ois lem as d e líd eres d a com u n i-d a i-d e : “Ca d a su jeit o q u e se m a t a , fra ca ssa u m a p ro-p ost a com u n it á ria”, e “Se n ã o fiz erem a lgu m a coisa p or n ós, é m elh or ap agar o Sol”. O p rim eiro ab re a in -tro d u çã o d o livro e o segu n d o fech a -o ; n isto a rese-n h a terese-n tou ser igu al ao livro.

An astácio Morgad o

Dep artam en to d e Ep id em iologia e Métod os Qu an titavivos em Saú d e Escola Nacion al d e Saú d e Pú b lica/ Fiocru z Rio d e Jan eiro

Tab e la 1

Distrib uiç ão c ro no ló g ic a d e 128 suic íd io s e 180

te ntativas o c o rrid o s e m 15 ano s e ntre o s G urarani

(Nhand é va e Kaiwá) d e Do urad o s.

Ano Suicídio Tentativa

n % n %

1978 7 5,5 9 5,0

1979 5 3,9 10 5,6

1980 7 5,5 19 10,6

1981 5 3,9 7 3,9

1982 8 6,2 15 8,3

1983 8 6,2 7 3,9

1984 5 3,9 2 1,1

1985 2 1,5 8 4,4

1986 16 12,5 20 11,1

1987 7 5,5 8 4,4

1988 7 5,5 9 5,0

1989 7 5,5 11 6,1

1990 19 14,9 31 17,3

1991 14 10,9 11 6,1

1992 11 8,6 13 7,2

Referências

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