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É Possível N egar a Exist ência da Geração Y no Brasil?
OLI VEI RA, S.R.; PI CCI NI NI , V.C.; BI TTENCOURT, B.M. Juvent udes, gerações e t rabalho: é possível falar em geração Y no Brasil? Organização & Sociedade, v.19, n. 62, p.551- 558, j ul./ set . 2012.
É P
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Elz a Fá t im a Rosa V e loso
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s quest ões colocadas no t ext o “Juvent udes, Gerações e Trabalho: é possível falar em Geração Y no Brasil?” ( O&S, n. 62, 2012, seção I deias em Debat e) são m ais do que pertinentes e instigantes para prom over o debate sobre gerações no Brasil. Realm ente, diferenças de classe social, nível educacional e tipo de profi ssão, entre out ras levam pesquisadores ao quest ionam ent o sobre a validade da generalização que as refl exões sobre a Geração Y represent am . Por out ro lado, esse é um assunt o cada vez m ais lat ent e que leva pais, professores e gest ores a se quest ionarem so-bre a m elhor m aneira de lidar com j ovens que, at ualm ent e, parecem exibir reações diferent es das de gerações ant eriores. Para am pliar o debat e sobre esse assunt o, é int eressant e levant ar a seguint e quest ão, opost a à levant ada no art igo em debat e: É possível negar a exist ência da geração Y no Brasil?O olhar para além das cont rovérsias que envolvem a visão conceit ual do debat e sobre as gerações indica ser difícil negar o fat o de que diferenças de idade, por si só, j á provocam confl it os e com parações. Os m ais velhos sent em - se incom odados e, em cert a m edida, am eaçados pelos m ais novos que, por sua vez, precisam se m ost rar sufi cient em ent e aut ênt icos para negar os valores das gerações ant eriores. Na esfe-ra fam iliar, as divergências são t esfe-rat adas no am bient e dom ést ico, excet o em casos que ext rapolam os lim it es da convivência privada. Porém , em am bient es colet ivos e form ais, com o a em presa, por exem plo, os confl it os t om am out ras dim ensões, um a vez que pessoas socializadas de m aneiras diferent es convivem no m esm o espaço. É nesse t ipo de sit uação que divergências t ornam - se explícit as e, ent re elas, est ão as provocadas pela diversidade prom ovida pela variação das opiniões, dos com port a-m ent os, das a-m aneiras de enxergar e execut ar o t rabalho e da visão de a-m undo das diferent es gerações: Baby Boom ers, Geração X e Geração Y. Diant e da convivência at ual ent re essas t rês gerações no cont ext o em presarial, gest ores dos m ais diversos t ipos de em presas m anifest am preocupação com a ent rada da Geração Y no m ercado de t rabalho e sua ascensão recent e a cargos gerenciais. Mas, se pessoas m ais velhas sem pre conviveram com os m ais novos, o que há de diferent e nessa geração que t ant o preocupa esses gest ores?
Trabalhos com o o de Sm ola e Sut t on ( 2002) e Veloso, Dut ra e Nakat a ( 2008) encontraram sim ilaridades entre os X e os Y que difi cultam a distinção entre essas duas gerações. Ent re as sim ilaridades, est ão a am bição por qualidade de vida, a necessida-de necessida-de horários fl exíveis e necessida-de innecessida-dependência, a visão crít ica sobre vários aspect os do m undo corporat ivo, além do cet icism o em relação a am bient es de t rabalho form ais e opressores. Esses dois grupos, em vários aspect os, se diferenciam dos Baby Boom ers que, de form a geral, são leais à em presa, m ais cooperativos, participativos e otim istas quant o ao t rabalho. Dessa form a, falar em t rês gerações no Brasil, por si só, j á é um fat or que im plica riscos. Apesar dessas sim ilaridades ent re os X e Y, a Geração Y se dest aca no am bient e de t rabalho por algum as caract eríst icas part iculares.
Com o propósit o de aj udar gest ores a lidarem com os Y, alguns t rabalhos de pesquisa foram em preendidos: Veloso, Dut ra e Nakat a ( 2008) ; Veloso et al. ( 2009) ; Veloso, Silva e Dut ra ( 2011, 2012) ; Veloso et al. ( 2012) . Esses t rabalhos ut ilizaram a percepção dessa geração sobre o am bient e de t rabalho, sem pre em aspect os rela-cionados à carreira, e produziram result ados que são list ados a seguir.
* Dout ora em Adm inist ração pela Universidade de São Paulo – USP. Professora da Faculdade FI A de
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Elza Fát im a Rosa Veloso
A Geração Y no Brasil
De form a geral, os resultados das pesquisas em preendidas m ostraram que essa geração se sent e ot im ist a sobre suas possibilidades de crescim ent o profi ssional na em presa onde t rabalham som ent e quando acredit am que o am bient e organizacional cria signifi cado pessoal e proporciona aprendizado, desenvolvim ent o e possibilidades de ident ifi cação com o t rabalho.
Ent re os vários dados obt idos, um deles cham ou a at enção dos part icipant es do evento científi co onde foram apresentados, o Academ y of Managem ent Meeting 2012: diferent e das out ras duas gerações, os Y enxergam de m aneira negat iva o uso de relações pessoais com colegas para obt er crescim ent o profi ssional na em presa onde t rabalham . Tal reação dos part icipant es do event o indicou que essa caract eríst ica dos j ovens brasileiros, quant o ao uso de net works profi ssionais, a princípio, parece ser diferent e da dos j ovens de out ros países.
A percepção dessa geração, t am bém , se diferencia das dem ais pela m aior força do im pact o da possibilidade de obt er balanceam ent o ent re t rabalho e vida pessoal sobre a sensação de com prom et im ent o afet ivo com a em presa onde t rabalham .
Algum as int erpret ações foram realizadas nos t rabalhos m encionados, sem pre com parando as t rês gerações, por m eio do t rat am ent o do banco de dados das Melho-res Em pMelho-resas para Você Trabalhar, realizada anualm ent e pelo Program a de Est udos em Gest ão de Pessoas ( PROGEP) da Fundação I nst it ut o de Adm inist ração ( FI A) , em parceria com a Edit ora Abril. De form a geral, é possível not ar que a geração Y agrupa pessoas que necessit am de ident ifi cação com o t rabalho e de aprendizado const ant e. Apesar de m ant erem - se conect ados em redes sociais, esses j ovens preferem ser reconhecidos por suas com pet ências do que obt er favorecim ent o por m eio de suas relações sociais. Essas pessoas esperam , tam bém , que as em presas correspondam às suas necessidades de at ividades sociais, próprias da idade. O vínculo com a em presa é bast ant e ligado à aprovação dos valores organizacionais, que precisam provocar ident ifi cação diret a com os valores pessoais.
Com o form a de ilust rar essas refl exões, vale m encionar a pesquisa das Melho-res Em pMelho-resas para Você Com eçar a Carreira que, em sua edição de 2012, m ost rou resultados condizentes com as constatações anteriores. Quando questionados sobre o fat or que os levava a considerarem um a em presa um excelent e lugar para com eçar a carreira, os jovens apontaram os seguintes tópicos, ordenados por ordem de frequência de respost as: 1º Aprendizado e Desenvolvim ent o; 2º Salário e pacot e de benefícios com pat íveis com suas responsabilidades; 3º Equilíbrio ent re t rabalho e vida pessoal; 4º Crescim ent o profi ssional e; 5º Reconhecim ent o.
Apesar desses argum ent os, um a lim it ação principal perm eia o pont o de vist a aqui defendido: os j ovens respondent es das pesquisas analisadas nos est udos m en-cionados são pessoas que est ão em pregadas em em presas que procuram se dest acar posit ivam ent e em t erm os de clim a organizacional e prát icas de gest ão de pessoas. Esses são j ovens, de algum a form a, privilegiados no cont ext o brasileiro, t ão clara-m ent e probleclara-m at izado no t ext o da O&aclara-mp;S, eclara-m debat e. Por out ro lado, o aprendizado que o cont ext o organizacional pode proporcionar sobre esses j ovens t em o pot encial de com plem ent ar as discussões sobre a Geração Y. Dessa form a, a com paração da percepção dessa geração com a de pessoas das out ras gerações, part icipant es desse m esm o cont ext o organizacional e sob as m esm as condições de gest ão, apresent a part icularidades que podem t razer pist as para responder à pergunt a que int it ula est e conj unt o de argum ent ações, ou sej a, apesar de ser difícil afi rm ar a exist ência da Ge-ração Y no Brasil, negá- la, t am bém , im plica um a at it ude lim it adora dos avanços na com preensão da at ual j uvent ude brasileira.
Referências
747 o&s- Salvador, v.19 - n.62, p. 745- 747 - Julho/ Set em bro - 2012
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