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Língua Brasileira de Sinais

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Língua Brasileira de Sinais

Autoria: Kate Mamhy Oliv eira Kumada Tema 01

Percurso Histórico da Educação de Surdos: a Origem dos Mitos e Concepções

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Tema 01

Percurso Histórico da Educação de Surdos: a Origem dos Mitos e Concepções

Autoria: Kate Mamhy Oliveira Kumada

Como citar esse documento:

KUMADA, Kate Mamhy Oliveira. Língua Brasileira de Sinais: Percurso Histórico da Educação de Surdos: a Origem dos Mitos e Concepções.

Caderno de Atividades. Anhanguera Educacional: Valinhos, 2014.

Índice

© 2014 Anhanguera Educacional. Proibida a reprodução final ou parcial por qualquer meio de impressão, em forma idêntica, resumida ou modificada em língua portuguesa ou qualquer outro idioma.

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Este Caderno de Atividades foi elaborado com base no livro Libras: conhecimento além dos sinais, dos autores Maria Cristinha da Cunha Pereira, Daniel Choi, Maria Inês Vieira, Priscilla Gaspar e Ricardo Nakasato, editora Pearson Prentice Hall, 2011, Livro-Texto.

Conteúdos e Habilidades:

Nesta aula, você estudará:

• O contexto histórico da educação de surdos no mundo e no Brasil.

• As principais abordagens de ensino na educação de surdos.

• As concepções socioantropológica e clínico-patológica da surdez e dos sujeitos surdos.

• A verdade sobre os mitos envolvendo a língua de sinais.

Habilidades

Ao final, você deverá ser capaz de responder as seguintes questões:

• Qual a origem da educação de surdos no mundo e no Brasil?

• O que defendem as principais abordagens na educação de surdos?

• Qual a distinção entre a concepção de surdez clínico-patológica e socioantropológica?

• A LIBRAS é uma língua de fato?

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Percurso Histórico da Educação de Surdos: a Origem dos Mitos e Concepções

Retroceder na história é sempre uma ótima oportunidade para mudar as lentes da visão naturalizada construída a partir do que se conhece hoje. Por essa razão, contextualizar historicamente os fatos, concepções e mitos em torno da educação de surdos poderá ajudá-lo a compreender como a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), língua que você aprenderá a partir de agora, se tornou tão importante para as pessoas surdas.

Desde a Antiguidade, as pessoas surdas tiveram diferentes tratamentos. Os egípcios conferiam um ar de misticismo aos surdos, pois acreditavam que por sua forma peculiar de se comunicar, eles eram capazes de transmitir mensagens dos Deuses ao Faraó. Enquanto isso, os gregos, por atribuírem um alto valor à perfeição e à oratória, condenavam os surdos à morte, uma vez que eles não atendiam os padrões exigidos na época. Sem direito à vida em sociedade, este também era o destino das crianças surdas nascidas na Roma Antiga, que eram lançadas ao rio Tibre (CHOI et. al., 2011, p. 5-6).

Apenas no século VI, a partir do código de Justiniano, desenvolvido pelo Imperador romano Justiniano, as pessoas surdas passaram a ser consideradas pela lei. Contudo, o código de Justiniano promulgava que somente os surdos que falassem (oralmente) poderiam herdar fortunas, se unir em matrimônio e ter propriedades. Os surdos que não conseguissem se comunicar por meio da fala oral, estariam então privados de tais direitos (Ibid., p. 6).

A partir do século XVI, surgiram as primeiras intenções na educação de surdos. Nessa primeira fase, até 1760, apenas surdos de famílias abastadas tinham acesso ao ensino formal e individual, ministrado por tutores. A preocupação em educar as crianças surdas estava ligada a possibilidade, principalmente no caso de primogênitos, de serem reconhecidos pela lei para herdarem os bens da família. Nessa primeira fase, o ensino foi inspirado nos sinais utilizados pelos monges beneditinos que viviam sob o voto de silêncio e no alfabeto digital desenvolvido por educadores da época ( CHOI et.

al., 2011, p. 6-7).

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Figura 1.1 Primeiro alfabeto digital utilizado na educação de surdos.

Fonte: Disponível em: <http://commons.wikimedia.org> Acesso em: 28 abr. 2013.

Essas são imagens do primeiro alfabeto digital (ou alfabeto manual) utilizado na educação de surdos conhecido na história, produzido por Pablo Bonet e adaptado por Pedro Ponce de Léon.

Na segunda fase, entre 1760 a 1880, surgiram as primeiras escolas para surdos que marcaram a transição do ensino individual, restrito aos filhos de nobres, para o ensino coletivo e público. O precursor dessa transição foi o francês Abade Charles Michel de L’Épée, criador do método visual, baseado na educação de surdos por meio da língua de sinais francesa (Ibid., p.7-8).

O método visual oportunizou a formação de educadores surdos, algo inimaginável até então. Tais educadores se tornaram multiplicadores do método visual de L’Épée e fundaram escolas em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil.

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Figura 1.2 Imagem do Abade L’Épée, precursor da educação de surdos pública e coletiva por meio da língua de sinais.

Fonte: Disponível em: <http://commons.wikimedia.org> Acesso em: 28 abr. 2013.

Na Inglaterra, a escola fundada por Thomas Braidwood utilizava a escrita e o alfabeto digital na passagem para o aprendizado da oralidade. Já o alemão Samuel Heinicke proibia o uso de qualquer recurso manual, pois acreditava que os sinais prejudicavam o desenvolvimento da fala oral. Heinicke fundou o método oral, no qual a oralidade era o único recurso permitido no ensino de crianças surdas (CHOI et. al., 2011, p. 7-10).

A divergência entre o método visual e o método oral se intensificou ao longo dos anos e, no século XIX, apesar de admitir que o método visual propiciava maiores êxitos na educação de surdos, o método oral ainda reproduzia os discursos da Idade Antiga, defendendo que o surdo só poderia ser considerado normal se pudesse oralizar.

A disputa foi levada ao II Congresso Internacional de Educação do Surdo, realizado em Milão de 1880, onde educadores de surdos de diversas nações votaram pelo método oral e proibição da língua de sinais na educação e na comunicação com alunos surdos (CHOI et. al., 2011, p. 10-1).

Apesar da proibição, os surdos adultos continuaram veiculando a língua de sinais, criando associações e locais onde pudessem se expressar livremente. Pais surdos ensinavam aos seus filhos surdos a língua de sinais que, por sua vez, às escondidas, replicavam seu uso dentro das escolas oralistas para outros colegas surdos.

Após 1880, o período de sombras que sucedeu o Congresso de Milão, marcou a terceira fase da educação de surdos.

Durante quase cem anos de oralismo, o nível de escolarização dos surdos apresentou queda representativa, pois a

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escola se tornou um espaço terapêutico voltado exclusivamente para o ensino da fala oral. Os conteúdos escolares, tão caros para o desenvolvimento cognitivo da criança eram ignorados, pois os oralistas acreditavam que primeiro deveria ser ensinada a oralidade à criança surda. Esse falso engodo acarretou aos surdos, incapazes de oralizar, o insucesso linguístico e também escolar.

Os educadores oralistas se fortaleceram nesse período graças aos adventos da tecnologia eletroacústica que produziu os aparelhos de amplificação sonora individual (AASI), capazes de amplificar o som e aproveitar o resíduo auditivo daqueles que possuíam uma perda auditiva menor. O aproveitamento do resíduo auditivo foi atrelado ao ensino da leitura orofacial, também conhecida como leitura labial. Tudo isso parecia significar “a cura para a surdez”, mas o que acontecia é que se gastava muito tempo, mesmo com o uso do AASI, para se ensinar o surdo a falar oralmente quando nem todos os surdos seriam beneficiados por essa abordagem oralista.

Você já pode imaginar que diante do baixo rendimento escolar e linguístico dos alunos surdos educados no método oral, surgiria outra abordagem, assim foi criada a comunicação total. A comunicação total emergiu ao mesmo tempo em que a língua de sinais foi resgatada pela comunidade científica. Isso ocorreu graças aos estudos do linguista William Stokoe que publicou na década de 1960 um artigo comprovando os aspectos linguísticos da língua de sinais americana (Ibid., p.11).

Nesse sentido, a comunicação total se tornou uma nova alternativa para a educação de surdos. Preocupada com a comunicação e não com o desenvolvimento de uma língua específica, a nova abordagem defendia o uso de sinais, escrita, pantomima, alfabeto digital e fala oral. O uso simultâneo de duas modalidades de linguagem, ou seja, sinais e oralidade, ficou conhecido como bimodalismo.

Nem o oralismo e nem a comunicação total obtiveram êxito na educação de surdos. Assim, na década de 1980, os surdos se uniram para reivindicar o respeito aos seus direitos, em especial o direito de serem educados na língua de sinais. Esse movimento sensibilizou alguns educadores da área, e com isso uma nova proposta de ensino para surdos surgiu: o bilinguismo.

O bilinguismo se configurou pela abordagem educacional norteada por duas línguas, sendo a língua de sinais considerada a primeira língua dos surdos e a língua majoritária, de preferência na modalidade escrita, a segunda.

Mas você já deve estar perguntando como todo esse contexto histórico influenciou o Brasil? Como dito anteriormente, o método visual francês do Abade L’Épée também foi adotado na educação de surdos brasileiros. A primeira escola

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para surdos do país foi fundada em 1857, no Rio de Janeiro, pelo surdo francês Ernest Huet. Em decorrência da origem francesa de Huet, a língua de sinais francesa se misturou às línguas de sinais utilizadas pelos surdos brasileiros da época e deu origem a língua brasileira de sinais (CHOI et. al., 2011, p.13).

Seguindo a tendência mundial, após o Congresso de Milão, o instituto adotou o oralismo, mais adiante a comunicação total e, atualmente, com mais de 150 anos de legado na área, o Instituto Nacional de Educação de Surdos trabalha a partir do bilinguismo.

Figura 1.3 Educação de surdos no Brasil em 1886. Obra “A palavra dos surdos-mudos” de Oscar Pereira da Silva.

Fonte: Disponível em: <http://commons.wikimedia.org> Acesso em: 28 abr. 2014.

O bilinguismo tem suas raízes no método visual e se alinha a uma concepção socioantropológica de surdez que respeita a LIBRAS como língua natural dos surdos, e os inclui em situação de minoria linguística, assim como ocorre com os índios e imigrantes no país. Já o oralismo deriva do método oral e parte de uma concepção clínico-patológica, onde o surdo é visto como deficiente que necessita de tratamento e reabilitação para aprender a falar oralmente e, assim, ser integrado à sociedade ouvinte.

Como você pode notar, a rivalidade entre língua de sinais e oralidade se arrasta desde a Idade Moderna. É fato que os surdos têm alcançado inúmeras conquistas, entre elas o reconhecimento linguístico e legal da LIBRAS. Mas, apesar disso, atualmente, ainda é possível vislumbrar inúmeros mitos envolvendo a língua de sinais.

O primeiro mito envolve a falsa crença que a língua de sinais é universal, ou seja, que existe apenas uma língua de

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sinais no mundo, como se tais línguas estivessem imune às influências culturais e de região, tal como ocorre nas línguas orais. Na verdade, cada país possui sua própria língua de sinais que são, inclusive, independentes das línguas orais, ou seja, mesmo em países com a mesma língua oral, tal como Brasil e Portugal, apresentarão línguas de sinais distintas e com uma gramática própria (CHOI et.al., 2011, p.17-8).

Do mesmo modo, muitas pessoas, acreditam que a língua de sinais é icônica, ou seja, que todos os sinais estão associados à imagem de seu conceito, o que, inclusive, faz com que alguns entendam que a língua de sinais não define conceitos abstratos. Isso também é um mito, pois a língua de sinais, enquanto língua de fato, pode discutir qualquer assunto (seja política, religião etc.) e expressar conceitos abstratos e concretos, sem necessariamente estar vinculada a forma do objeto identificado (Ibid., p.18-9).

E não cessa por aqui, nos próximos temas deste Caderno de Atividades você estudará a importância da LIBRAS no formação da cultura e identidade surda, seus aspectos linguísticos e sua influência no contexto educacional.

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A educação de “surdos-mudos” e o repetidor Flausino da Gama

• Leia o artigo Companheiros de infortúnio: a educação de “surdos-mudos” e o repetidor Flausino da Gama, de Cássia Geciasukas Sofiato e Lucia Helena Reily. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 16, n. 48, Dec. 2011. O artigo ampliará seus conhecimentos sobre a história da educação de surdos no Brasil, abordando a influência do educador surdo Flausino da Gama no Instituto Nacional de Educação de Surdos, a instituição de ensino para surdos mais antiga do Brasil.

Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782011000300006&lng=en&nr m=iso>. Acesso em: 28 abr. 2014.

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Instituto Nacional de Educação de Surdos

• Acesse o site do Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES. Navegando pelo site você poderá encontrar a história do instituto através de textos e vídeos que retratam os 150 anos de memórias e produções.

Disponível em: <http://www.ines.gov.br>. Acesso em: 28 abr. 2014.

Um pouco da História das Diferentes Abordagens na Educação dos Surdos

• Leia o artigo Um pouco da história das diferentes abordagens na educação dos surdos, de Cristina B. F. Lacerda. Caderno CEDES, Campinas, v. 19, n. 46, set. 1998. O artigo aprofundará seus conhecimentos sobre as principais abordagens educacionais na área da surdez, apresentando a história e as diferenças entre o oralismo, a comunicação total e o bilinguismo.

Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-32621998000300007&lng=pt&nr m=iso>. Acesso em: 28 abr. 2014.

Língua Brasileira de Sinais

• Leia o Decreto n. 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei n. 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras. Portal do MEC. O decreto dispõe sobre as implicações da Lei n. 10.436 na prática, desde a inclusão da disciplina de LIBRAS em cursos de licenciatura e fonoaudiologia até a formação e atuação do intérprete de LIBRAS.

Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Decreto/D5626.htm>. Acesso em: 28 abr. 2014.

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Questão 1

Certamente você já deve ter ouvido as expressões “surdo-mudo”, “mudo”, “surdo”, “deficiente auditivo” ou outras. Refletindo sobre essa variedade de termos, escreva um texto de 10 a 15 linhas, informando qual a expressão que você utiliza e justificando sua escolha. Com base no seu conhecimento prévio descreva também o que você sabe sobre a diferença entre essas terminologias.

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Instruções:

Agora, chegou a sua vez de exercitar seu aprendizado. A seguir, você encontrará algumas questões de múltipla escolha e dissertativas. Leia cuidadosamente os enunciados e atente-se para o que está sendo pedido.

História Da Educação De Surdos

• História da educação de surdos. O vídeo apresenta uma síntese sobre o percurso histórico da educação de surdos no Brasil, de forma dinâmica e com imagens ilustrativas percorre desde a criação do INES, em 1857, até o reconhecimento da LIBRAS, em 2002, e suas contribuições atuais.

Disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=3VlJOxt9bag>. Acesso em: 28 abr. 2013.

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Questão 2

O paradigma da inclusão é o modelo de ensino apregoado atualmente, contudo, ao retroceder na história é possível observar que outros destinos foram reservados às pessoas surdas até conquistarem o direito de serem respeitados e incluídos no ensino regular. Desse modo, analise as alternativas abaixo e indique se são (V) Verdadeiras ou (F) Falsas:

( ) Na Roma e Grécia antiga os surdos não eram considerados educáveis, por isso muitas crianças surdas foram destinadas à morte.

( ) Até 1760, apenas filhos de nobres e famílias mais abastadas tinham direito e acesso ao ensino formal.

( ) Entre 1760 e 1880, o Abade L’Épée criou o método oral e proibiu o uso da língua de sinais.

( ) Entre 1760 e 1880, educadores Surdos, discípulos do Abade L’Épée fundaram escolas em diversas partes do mundo.

( ) Em 1880, o II Congresso Internacional de Educação de Surdos oficializou a língua de sinais como língua de instrução dos surdos.

a) V, V, F, V, F.

b) F, V, V, V, F.

c) V, F, F, F, V.

d) V, V, V, F, F.

e) V, F, V, V, F.

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Questão 3

No Brasil, a primeira instituição de ensino criada para surdos foi o Imperial Instituto de Surdos-Mudos, situada no Rio de Janeiro.

No início, a instituição brasileira se alinhou ____________________, posteriormente, no século XIX, diante da tendência mundial, adotou ____________________, cem anos depois implantou ____________________ e, atualmente, trabalha a partir do bilinguismo.

Considerando seu aprendizado sobre as principais abordagens de ensino e analisando o enunciado acima, a alternativa que melhor completa as lacunas é:

a) Ao Método Oral; o Método Visual; o Bilinguismo.

b) Ao Oralismo; a Língua de Sinais; o Bimodalismo.

c) Ao Bilinguismo; o Bimodalismo; o Oralismo.

d) Ao Método Visual; o Oralismo; a Comunicação Total.

e) A Comunicação Total; o Método Oral-Aural; o Oralismo.

Questão 4

Considerando as principais abordagens de ensino na educação de surdos, marque a alternativa correta:

a) O Oralismo defende o uso da escrita, oralidade e sinais.

b) A Comunicação total está preocupada com o desenvolvimento de uma língua, seja oral e/ou de sinais.

c) O Bilinguismo defende a instrução do surdo a partir de duas línguas, língua de sinais e língua majoritária (oral e/ou escrita).

d) O Oralismo considera a surdez como minoria linguística.

e) O Oralismo e a Comunicação Total apresentaram grande êxito na escolarização de alunos surdos.

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Questão 5

Considerando o conteúdo sobre os mitos envolvendo a língua de sinais, analise as alternativas abaixo e indique qual delas se trata de um mito:

a) A língua de sinais é capaz de expressar conceitos abstratos e concretos.

b) A língua de sinais é universal.

c) A língua de sinais pode discutir qualquer assunto (política, religião etc.).

d) A LIBRAS é a língua oficial da comunidade surda do Brasil.

e) A língua de sinais possui gramática própria.

Questão 6

Leia a reportagem “Casal britânico quer direito de escolher embrião surdo”, onde um casal de surdos britânicos criou polêmica ao desejar, através do tratamento de fertilização, escolher o embrião da criança para que esta também seja surda. Disponível em:

<http://www.estadao.com.br/noticias/geral,casal-britanico-quer-direito-de-escolher-embriao-surdo,138871,0.htm>. Acesso em: 1 maio 2014.

Após a leitura, considere o posicionamento do casal de surdos mencionado na reportagem e identifique qual a concepção de surdez e de surdos é defendida pelo casal. Justifique sua resposta em um texto de pelo menos três linhas.

Questão 7

Imagine que você é um professor e precisa explicar aos familiares de seu aluno surdo sobre as principais e atuais abordagens de ensino (Oralismo e Bilinguismo) para encaminhamento da criança. Descreva pelo menos um aspecto a favor e um contra de cada abordagem que poderia ser mencionado aos pais da criança surda.

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Questão 8

Durante a mudança de administração do INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos), entre 1930 a 1947, a escritora Cecília Meirelles escreveu algumas crônicas sobre as crianças surdas que ela observou na referida instituição. Analise o excerto da crônica abaixo e, considerando seu aprendizado sobre a história da educação de surdos, identifique onde e em que período da história esse olhar de encantamento para a forma particular de comunicação dos surdos já foi revelado. Justifique sua resposta.

(...) espreitando, curiosas, gesticulando, rindo, encolhendo-se com desconfiança pelos cantos, ou olhando passivamente ao acaso, umas doze crianças vestidas de azul, nos aparecem, com essa estranha physionomia dos que não ouvem e não falam, e que nos dão a impressão de os podermos, de repente, desencantar... (observadoras, curiosas, desconfiadas, de olhares passivos, vestidas de azul, uniformizadas, de fisionomia estranha, dão impressão que são encantadas) (COSTA, J. P. B. A educação do surdo ontem e hoje: posição sujeito e identidade. Campinas: Mercado das Letras, 2010, p.62)

Questão 9

Segundo o historiador Paulo Vaz de Carvalho (2007, p.62) “O fatídico Congresso Internacional de Milão, em 1880, foi o momento mais obscuro da História dos Surdos”. Por que o autor afirma isso?

CARVALHO, P. V. de. Breve história dos surdos – no mundo e em Portugal. Lisboa: Surd’Universo, 2007.

Questão 10

O Abade Charles Michael de L’Épée e o linguista William Stokoe apresentam grande protagonismo na história da educação de surdos pelas contribuições inestimáveis com relação à língua de sinais. Indique quais foram os feitos de tais personagens que os tornaram tão importantes?

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REFERÊNCIAS

CHOI, D.; PEREIRA, M.C.C.; VIEIRA, M.I.; GASPAR, P.; NAKASATO, R. Libras: conhecimento além dos sinais. 1. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011.

FINALIZANDO

Neste tema 1, você estudou sobre a história da educação de surdos, aprendeu sobre a origem da língua de sinais e das abordagens educacionais adotadas. Você pôde acompanhar como algumas representações sobre a língua de sinais, o surdo, a surdez e sua educação mudaram ao longo do tempo, mas outras ainda veem sendo perpetuadas por discursos que não apresentam respaldo científico. Diante do seu conhecimento sobre a trajetória histórica de avanços e retrocessos na área da surdez, você já pode compreender por que a comunidade surda tem reivindicado igualdade de direitos, intérpretes de LIBRAS, escolas bilíngues, entre outros que foram e ainda vem sendo recusados aos surdos.

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GLOSSÁRIO

Alfabeto digital: também conhecido como alfabeto manual ou datilologia, o alfabeto manual se trata da representação das letras do alfabeto por meio de configurações de mãos. Da mesma forma que ocorre com os sinais, o alfabeto digital também se diferencia para cada país.

Método visual: baseia-se no uso de sinais, gestos, alfabeto manual e escrita para promover a educação de surdos.

Método oral: baseia-se no ensino da língua oral através da leitura orofacial (ou leitura labial), da oralidade e do uso do aparelho de amplificação sonora individual.

Oralismo: abordagem de ensino que defende que o ensino e a comunicação dos surdos se dê pela oralidade, sendo os sinais e gestos proibidos.

Pantomima: gesticulações soltas e expressões corporais que não estão atreladas linguisticamente à língua de sinais oficial.

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Questão 1

Resposta: A questão de conhecimento prévio é importante para problematizar a presença de diversas formas de se referir a pessoa surda. Durante a disciplina, o aluno terá a oportunidade de elaborar melhor suas hipóteses sobre tais expressões, complementando seu conhecimento e compreendendo, por exemplo, através da leitura do tema 1 que a concepção clínico-patológica é quem defende a expressão deficiente auditivo, por enxergar no surdo o que lhe falta: a audição. Por outro lado, a expressão surdo está associada a uma visão socioantropológica da surdez que percebe o surdo enquanto diferente, e que respeita e valoriza essa diferença linguística. Já as expressões “surdo-mudo” e “mudo”

foram criadas quando a língua de sinais ainda não era reconhecida enquanto língua e por isso acreditava-se que o surdo que não tinha fala, mas na verdade a fala do surdo é feita através dos sinais. Contudo, neste momento deverá ser considerada a organização das hipóteses do aluno, apresentando o que o mesmo conhece sobre a temática e se ele conseguiu realizar a apropriação de alguma parte do conteúdo tema 1 no complemento desse conhecimento prévio.

Questão 2

Resposta: Alternativa A.

Questão 3

Resposta: Alternativa D.

Questão 4

Resposta: Alternativa C.

Questão 5

Resposta: Alternativa B.

GABARITO

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Questão 6

Resposta: O casal adota uma concepção de surdo e de surdez socioantropológica, pois Tomato Lichy (o marido) afirma na reportagem que a surdez não é uma deficiência, argumento central da concepção socioantropológica de surdez. Além disso, a reportagem aponta que o casal faz parte de um movimento ativista que vê a surdez como uma comunidade de cultura rica, língua própria, histórias e tradições. Isso se distancia do olhar patologizado da concepção cliníco-patológica que percebe o surdo como deficiente que precisa ser tratado, curado, normalizado. Essa questão é relevante para o aprendiz de LIBRAS, pois faz parte da cultura e identidade surda adotadas por usuários da LIBRAS, o aprendiz que se dirigir ao surdo, mesmo que em LIBRAS, sob um olhar patologizado da surdez como deficiência pode ser rejeitado pela comunidade e seu discurso tido como uma ofensa.

Questão 7

Resposta: Essa questão é importante para refletir sobre as principais abordagens de ensino utilizadas atualmente na educação de surdos. O conhecimento sobre cada abordagem é importante para que o aluno da disciplina de LIBRAS compreenda porque muitas vezes pessoas surdas, educados a partir do Oralismo, desconhecem a LIBRAS.

Oralismo – A favor: o aluno pode desenvolver a oralidade e a leitura orofacial fazendo uso da comunicação oral com pessoas ouvintes, sem a necessidade que seu interlocutor conheça e/ou domine a língua de sinais. O uso do Aparelho de Amplificação Sonora Individual e/ou Implante Coclear são benefícios da tecnologia eletroacústica que podem auxiliar surdos com perdas menores a amplificar o som e ter acesso a um desenvolvimento linguístico oral.

Oralismo – Contras: Nem todas as crianças desenvolvem a oralidade e, conforme apresentado na história da educação de surdos discorrida neste tema 1, o Oralismo proíbe o uso da língua de sinais. Essa proibição pode comprometer a criança surda em seu desenvolvimento escolar e linguístico. O surdo é visto como deficiente que precisa de tratamento, nunca é considerado uma pessoa normal, é sempre visto através do que lhe falta, torna-se dependente de aparelhos de amplificação sonora individual ou do implante coclear que não podem entrar em contato com a água (piscina, chuva, praia) o que o limita nesses espaços a estabelecer uma comunicação efetiva.

Bilinguismo – A favor: a abordagem bilíngue privilegia ao aluno duas línguas, sendo, no caso do surdo brasileiro, a LIBRAS como primeira língua e a língua portuguesa como segunda língua, preferencialmente na modalidade escrita que por ser visual é mais acessível ao surdo. Isso o permite ao surdo adquirir a LIBRAS de forma natural através da modalidade visual-gestual, desenvolvendo-se linguisticamente e tendo acesso aos conteúdos pedagógicos através da LIBRAS e da escrita. O Bilinguismo não proíbe o surdo de aprender a língua oral e/ou escrita.

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Bilinguismo – Contra: O aluno depende da exposição e aprendizado da língua de sinais, visto que majoritariamente os familiares de crianças surdas desconhecem a LIBRAS. A criança surda depende de um intérprete de LIBRAS e/ou de um professor capacitado. E isso, infelizmente, ainda não ocorre em todos os espaços da sociedade, inclusive nos espaços escolares.

Questão 8

Resposta: No Egito, durante a Antiguidade, os egípcios também acreditavam nos surdos como “encantados”, quando conferiam um ar de misticismo aos surdos, pois acreditavam que por sua forma peculiar de se comunicar, eles eram capazes de transmitir mensagens dos Deuses ao Faraó. Esta pergunta é importante, pois demonstra que algumas representações em torno do surdo feitas por uma escritora de renome como Clarice Lispector reproduz um discurso de milênios a.C. Do mesmo modo, como vários discursos hoje são feitos em torno do surdo e da língua de sinais, pois tem sido perpetuado ao longo do tempo sem respaldo científico para tanto.

Questão 9

Resposta: Porque durante o Congresso de Milão houve uma votação entre os principais educadores de surdos do mundo, onde a língua de sinais foi proibida, tornando-se um marco na história da educação de surdos. A partir de então, inúmeros educadores surdos foram demitidos, pois eram vistos como maus exemplos. A língua de instrução e comunicação eleita no Congresso foi a língua oral e os surdos tiveram grande retrocesso em seu desenvolvimento linguístico e escolar. É de grande relevância que os alunos desta disciplina de LIBRAS conheçam os marcos históricos que envolvem a cultura surda.

Questão 10

Resposta: L’Épée e Stokoe são protagonistas na história da educação de surdos, L’Épée por ter sido o primeiro a se interessar pela língua de sinais, aprendendo-a com os próprios surdos e utilizando-a para educar surdos de classes sociais mais baixas. A passagem do ensino individual e reservado aos filhos de famílias abastadas para o ensino público e coletivo também foi iniciativa de L’Épée. A primeira escola para surdos do mundo foi fundada pelo Abade L’Épée. Sua contribuição foi ainda imprescindível, pois o abade formou educadores surdos que disseminaram seu método visual em diferentes países do mundo, tais como Brasil e Estados Unidos. Foi então nos Estados Unidos, em uma das escolas fundadas por um discípulo de L’Épée que William Stokoe comprovou cientificamente que a língua de sinais se tratava de uma língua. Na década de 1960, o linguista publicou um artigo com a organização linguística da língua de sinais americana, descrevendo a presença de parâmetros linguísticos e equiparando-a às línguas orais. Como conhecer uma língua ultrapassa o conhecimento do léxico, essa pergunta se faz importante para o aluno da disciplina de LIBRAS, pois nesta pergunta o aluno deve demonstrar o domínio sobre conteúdos históricos que constituíram tal língua. O aluno que responder pelo menos um feito dos personagens solicitados deverá ser considerado correto.

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Referências

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