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GRUPOIDES SIMPLÉTICOS E GEOMETRIA DE POISSON

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Academic year: 2022

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Lilian Cordeiro Brambila

GRUPOIDES SIMPLÉTICOS E GEOMETRIA DE POISSON

Curitiba, 2013.

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Lilian Cordeiro Brambila

GRUPOIDES SIMPLÉTICOS E GEOMETRIA DE POISSON

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Matemática Aplicada da Universidade Federal do Paraná, como requi- sito parcial à obtenção do grau de Mestre em Matemática.

Orientador: Prof. Cristián Ortiz González.

Curitiba, 2013.

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Nestas linhas espero expressar a gratidão que sinto por tantas pessoas que passaram pela minha vida e direta ou indiretamente me influenciaram a seguir estudando.

Começo agradecendo à CAPES pelo apoio financeiro e ao PPGMA pela oportunidade de seguir com o mestrado.

Ao meu orientador, o professor Cristián Ortiz. Sua preocupação foi essencial para que este trabalho fosse concluído. Posso dizer que realmente aprendi muito devido a sua dedicação e seriedade em fazer um bom trabalho.

Aos professores Eduardo Hoefel e Alexandre Kirilov que durante toda a minha gradu- ação me motivaram a seguir em frente.

A todos os meus amigos e colegas. Aqui cito pessoas essenciais: Pamela, Minero, Físico, Kelly, May, Fernando e Cris. Pessoas que tornaram essa jornada mais leve.

Ao Ricardo, pelos maravilhosos anos que já vivemos e pelos que estão por vir. Mesmo morando a alguns quilômetros de distância, sempre esteve presente, me apoiando e aju- dando a seguir em frente. Certamente eu não chegaria até aqui sem toda a compreensão, a alegria que me proporciona e o amor que dedica a mim.

Finalmente, aos meus sobrinhos, Maria Luiza e João Vitor, que ainda tão pequenos me motivam a seguir em frente, sua alegria de criança me renova. Ao meu irmão Ricardo, um grande amigo e por quem tenho um profundo amor. E mais importante, meus pais, pessoas essenciais em minha vida. Se hoje tenho algo bom devo a eles, que me dão óti- mos exemplos de amor e dedicação. Sinto-me imensamente grata por todo seu esforço em realizar meus sonhos e se abdicarem do que for necessário para me tornar uma pes- soa melhor e feliz. Não existem palavras suficientes que expressem todo o amor e grati- dão que tenho por ambos.

5

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Renato Russo

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Nesta dissertação estudamos o conceito de grupoide simplético e sua relação com a ge- ometria de Poisson. Seguindo a referência[3], mostramos que a base M de um gru- poide simplético(G,ω) herda uma única estrutura de Poisson π de forma que o alge- broide de LieA(G)deG é isomorfo ao algebroide de LieTM canonicamente associado à variedade de Poisson(M,π). Posteriormente, introduzimos o conceito de grupoideG- Hamiltoniano e mostramos que o espaço de órbitas de uma ação de Poisson numa varie- dade de Poisson integrável, é também integrável como variedade de Poisson e, é possível construir um grupoide simplético que integra esta variedade de Poisson via redução de Marsden-Weinstein para grupoidesG-Hamiltonianos. Finalmente, relacionamos nos- sos resultados com os obtidos por Mikami e Weinstein em[20].

Palavras-chave:ações Hamiltonianas, algebroides de Lie, variedades de Poisson, grupoi- des simpléticos.

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In this dissertation we study the notion of symplectic groupoid and its relation with Pois- son geometry. Following[3], we show that the baseM of a symplectic groupoid(G,ω) inherits a unique Poisson structureπ in such a way that the Lie algebroid A(G)of G is canonically isomorphic to the Lie algebroid TM associated to the Poisson manifold (M,π). Then, we introduce G-Hamiltonian groupoids, proving the main result of this work which says that the orbit spaceM/G of a Poisson action on an integrable Poisson manifoldM, is always integrable, whenM/G is smooth. Moreover, a symplectic grou- poid integratingM/G is constructed via Marsden-Weinstein reduction forG-Hamiltonian groupoids. Finally, we relate our results with the ones obtained by Mikami and Weinstein in[20].

Keywords:Hamiltonian actions, Lie algebroids, Poisson manifolds, symplectic groupoids.

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Resumo 7

Abstract 8

Introdução 1

1 Geometria Simplética 4

1.1 Variedades Simpléticas . . . 4

1.2 Simplectomorfismos . . . 11

1.3 Subvariedades . . . 12

1.4 EspaçosG-Hamiltonianos . . . 15

1.4.1 Ações Hamiltonianas . . . 15

1.4.2 Redução Simplética . . . 16

2 Grupoides e Algebroides de Lie 21 2.1 Grupoides de Lie . . . 21

2.2 Algebroides de Lie . . . 26

2.3 O funtor de Lie . . . 28

2.3.1 O algebroide de Lie de um grupoide de Lie . . . 28

2.3.2 O funtor de Lie em morfismos . . . 31

2.4 Integração de algebroides de Lie . . . 33

3 Geometria de Poisson 35 3.1 Estruturas de Poisson . . . 35

3.2 Bivetores de Poisson . . . 38

3.3 Morfismos de Poisson . . . 39

3.3.1 O Teorema de Libermann . . . 40

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4 Teoria de Lie e Geometria de Poisson 44 4.1 O algebroide de Lie de uma estrutura de Poisson . . . 44 4.2 Grupoides simpléticos . . . 49 4.3 O algebroide de Lie de um grupoide simplético . . . 56

5 GrupoidesG-Hamiltonianos 62

5.1 Ações em grupoides de Lie . . . 62 5.2 Ações Hamiltonianas em grupoides simpléticos . . . 63 5.3 O grupoide fundamental de uma variedade simplética . . . 69

Conclusão 75

Referências Bibliográficas 76

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É conhecido que na formulação Hamiltoniana da mecânica clássica, os objetos geomé- tricos que representam espaços de fase correspondem a variedades simpléticas. Umava- riedade simpléticaé um par(M,ω), ondeM é uma variedade diferenciável eω2(M) é uma 2-forma emM que é fechada e não-degenerada. Similarmente, o estudo de siste- mas mecânicos com simetrias se traduz matematicamente numa ação de um grupo de LieG numa variedade simplética(M,ω), preservando a estrutura simpléticaω2(M). SeG for compacto e a ação deG emM é livre, então o espaço de órbitasM/G é uma variedade diferenciável, mas não necessariamente uma variedade simplética. De fato, M/G herda umaestrutura de Poisson.

De forma concreta, umavariedade de Poissoné um par(N,{·,·}), ondeN é uma va- riedade diferenciável e {·,·} é uma estrutura de Poisson na álgebra de funções suaves C(N). Isto é,

{·,·}:C(NC(N)−→C(N)

é um colchete de Lie, tal que, para cada fC(N), tem-se que{f,·} ∈Der(C(N)) é uma derivação na álgebraC(N). Por um lado, um resultado clássico garante que existe uma correspondência 1-1 entre grupos de Lie simplesmente conexos e álgebras de Lie de dimensão finita. Por outro lado, a álgebra de funções(C(N),{·,·})de uma variedade de Poisson é naturalmente uma álgebra de Lie (de dimensão infinita). Uma questão natural é a seguinte:

Pergunta 1: Qual é o objeto global associado à álgebra de Lie(C(N),{·,·})?

Esta dissertação trata esta questão. Embora a álgebra de Lie(C(N),{·,·})tenha di- mensão infinita, o fato que{f,·} ∈Der(C(N))é uma derivação, para cada fC(N), permite associar à variedade de Poisson(N,{·,·})um objeto geométrico de dimensão fi- nita chamado algebroide de Lie.

1

(12)

O conceito de algebroide de Lie unifica as noções de álgebra de Lie, folheação regular e fibrado tangente, e corresponde à versão infinitesimal do conceito de grupoide de Lie.

Desta forma, a pergunta 1 pode ser reformulada da seguinte maneira:

Pergunta 2:Qual a geometria global associada ao algebroide de Lie de uma variedade de Poisson?

Neste trabalho, veremos que a versão global de uma variedade de Poisson é umgru- poide simplético. Um grupoide simplético é um grupoide de Lie munido de uma forma simplética compatível com a multiplicação de grupoide, veja[3]. Grupoides simpléticos foram introduzidos de forma independente por A. Weinstein e M. V. Karasev em conexão com problemas de quantização. Grosso modo, grupoides simpléticos estão para grupos de Lie, como variedades de Poisson estão para algebroides de Lie.

O objetivo principal desta dissertação consiste em explicar em que sentido varieda- des de Poisson correspondem ao análogo infinitesimal de grupoides simpléticos. Para tal, usamos a referência[3]. Em particular, estamos interessados em descrever grupoides simpléticos associados a variedades de Poisson da formaM/G, ondeM é uma variedade de Poisson eG é um grupo de simetrias deM.

Esta dissertação está organizada da seguinte maneira:

O capítulo 1, cujas principais referências são [1] e [6], consiste numa introdução à Geometria simplética. Definimos variedades simpléticas e apresentamos os exemplos principais destes objetos. Em seguida, estudamos morfismos entre variedades simpléti- cas e finalizamos o capítulo com o estudo de espaçosG-Hamiltonianos.

No capítulo 2, usamos principalmente as referências[5],[8], apresentamos os con- ceitos de grupoide de Lie e algebroide de Lie. Também explicamos de forma detalhada a construção do funtor de Lie entre a categoria dos grupoides de Lie e a categoria dos algebroides de Lie.

No capítulo 3, usamos[8]e[15], são apresentados os conceitos fundamentais da geo- metria de Poisson. Explicamos a relação entre estruturas de Poisson e bivetores de Pois- son e, também estudamos os exemplos principais destas estruturas e o conceito de mor- fismo de Poisson. Finalmente, mostramos o Teorema de Libermann sobre estruturas de

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Poisson na base de uma submersão cujo espaço total é uma variedade simplética.

O capítulo 4, cujas referências foram[3],[8]e[24], é a parte central desta dissertação.

Explicamos em detalhe a relação entre grupoides simpléticos e variedades de Poisson, seguindo a referência[3]. Mostramos que toda variedade de Poisson(N,{·,·})induz cano- nicamente uma estrutura de algebroide de Lie no fibrado cotangenteTN. Terminamos este capítulo com um resultado devido a Coste-Dazord-Weinstein[3], que mostra que a baseN de um grupoide simplético(G,ω)N herda uma única estrutura de Poisson de forma que o algebroide de Lie deG é isomorfo ao algebroide de LieTN determinado por(N,{·,·}).

O capítulo 5 apresenta os resultados principais deste trabalho. Introduzimos o con- ceito de grupoideG-Hamiltoniano, isto é, grupoides simpléticos munidos de uma ação Hamiltoniana compatível com a estrutura de grupoide. Mostramos que o espaço de ór- bitas de uma ação de Poisson numa variedade de Poisson integrável, é também inte- grável como variedade de Poisson e, é possível construir um grupoide simplético que integra esta variedade de Poisson via redução de Marsden-Weinstein para grupoidesG- Hamiltonianos. Finalmente, relacionamos nossos resultados com os obtidos por Mi- kami e Weinstein em[20].

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Geometria Simplética

Neste capítulo fizemos uma introdução às variedades simpléticas. Começamos defi- nindo e dando alguns exemplos de variedades simpléticas. Em seguida estudamos mor- fismos entre variedades simpléticas e subvariedades. Finalmente, estudamos simetrias de variedades simpléticas e apresentamos o Teorema de Marsden - Weinstein sobre quo- cientes simpléticos.

1.1 Variedades Simpléticas

SejamM uma variedade diferenciável de dimensãon eω2(M)uma 2-forma emM. Dizemos queωénão-degeneradase, para todopM, vale o seguinte: seωp(u,v) =0 para todouTpM, entãov =0,vTpM.

Definição 1.1. Uma variedade simpléticaé um par (M,ω), onde M é uma variedade diferenciável eω2(M)é uma forma simplética. Isto é, ωé uma2- forma fechada e não-degenerada.

Observação 1.1. Se(M,ω)é uma variedade simplética epM, então a forma bilinear ωp:TpM ×TpM →Ré não-degenerada e anti-simétrica. Com isto, seAé a matriz asso- ciada aω, entãoAé não-singular e

(−1)ndet(A) =det(−A) =det(AT) =det(A). Decorre do anterior que toda variedade simplética tem dimensão par.

Vamos agora exibir alguns exemplos de variedades simpléticas.

4

(15)

Exemplo 1.1. Seja M =R2n com coordenadas(x1,· · ·,xn,y1,· · ·,yn).Considere a2-forma ω0=

Xn

j=1

d xjd yj.

Afirmamos que (R2n,ω0) é uma variedade simplética. Note que ω0 é fechada, de fato é exata

ω0=d

n

X

j=1

xjd yj

! .

Vejamos queω0é não-degenerada. Seja vTpM,tal queω0(u,v) =0,para todo uTpM. Vamos mostrar que v=0.Tome u=x

j,

yj,j=1,· · ·,n,então d xj(v) =ω0

∂yj,v

=0=ω0

∂xj,v

=d yj(v) j=1,· · ·,n.

Ou seja, d xj(v) =d yj(v) =0,para todo j =1,· · ·,n.Isto é, v =0.Portanto,ω0é uma forma simplética emRn.

Exemplo 1.2. Considere o espaçoCn ={(z1,· · ·,zn)|zj ∈C,j =1,· · ·,n}.Usando a iden- tidadeR2n 'Cn dada por(x,y)7→x +i y,a forma simplética do exemplo anterior induz uma forma simplética emCn 'R2n dada por

ω0= i 2

n

X

j=1

d zjdz¯j.

Segue queCn é naturalmente uma variedade simplética.

Exemplo 1.3. Sejam(M1,ω1),(M2,ω2)variedades simpléticas. Considere M =M1×M2a variedade produto com as projeções canônicas

prj :MMj j=1, 2.

Entãoω:=pr1ω1+pr2ω2define uma forma simplética em M.Observe queωé fechada, pois

=pr11+pr22=0,

onde usamos o fato deω1,ω2serem fechadas. Vejamos queωé não-degenerada.

(16)

Sejam(u1,u2),(v1,v2)∈TpM,sendo p= (p1,p2)∈M1×M2,então

ωp((u1,u2),(v1,v2)) = (pr1ω1)p1((u1,u2),(v1,v2)) + (pr2ω2)p2((u1,u2),(v1,v2))

= (ω1)p1(u1,v1) + (ω2)p2(u2,v2). Suponha que(v1,v2)é tal que, para todo(u1,u2)∈TpM,tem-se

ωp((u1,u2),(v1,v2)) = (ω1)p1(u1,v1) + (ω2)p2(u2,v2) =0.

Então, tomando u1 = 0e u2 6= 0e usando o fato de ω2 ser não-degenerada, segue que v2=0.De modo análogo, segue que v1=0.Portanto,ω=pr1ω1+pr2ω2define uma forma simplética em M =M1×M2.

Exemplo 1.4(Fibrado Cotangente). Seja M uma variedade de dimensão n com coorde- nadas(x1,· · ·,xn).O fibrado cotangente de M é definido por,

TM :=a

p∈M

TpM.

Considere a projeção canônica:

pr : TM −→ M ξp 7−→ p. Para cadaξpTpM,considere a derivada

Dpr(ξp):Tξp(TpM)−→TpM. Definimos a1-forma tautológicaα1(TM)por,

αξp(v):=ξ(Dpr(ξp)(v)), ξTM,vTξp(TM). (1.1) A partir disso, definimos a2-forma canônicaωcan2(TM),por

ωcan := −. (1.2)

Proposição 1.1. A2-formaωcan2(TM)é uma forma simplética.

Demonstração: De(1.2)segue queωcan é fechada. Vejamos queωcané não-degenerada.

(17)

Considere coordenadas(x1,· · ·,xn)em M.Isto induz coordenadas locais(x1,· · ·,xn,ξ1,· · ·,ξn) em TM,onde cada pontoξpTpM tem a expressão

ξp =

n

X

j=1

ξjd xj(p).

Considere a seguinte base para Tξp(TM):

B =

∂x1,· · ·,

∂xn,

∂ ξ1

,· · ·,

∂ ξn

. Então, temos a seguinte expressão local para a1-forma tautológica

α=

n

X

j=1

ξjd xj.

Localmenteα=Pn

j=1(ajd xj) +Pn

j=1(bjj),onde aj,bjC(M)serão determinadas a seguir. Note que,

Dpr(ξp)

∂xj ξp

=

∂xj p

e Dpr(ξp)

∂ ξj

ξp

=0.

Logo

ajp) = αξp

∂xj ξp

=ξ

Dpr(ξp)

∂xj ξp

= ξ

∂xj p

=ξjp).

Ou seja,ξj =αj,para todo j =1,· · ·,n.De modo análogo, temos queβj =0,para todo j=1,· · ·,n.Portanto,

α=

n

X

j=1

ξjd xj. Logo,

ωcan:=−=

n

X

j=1

d xjj.

Ou seja, localmente, ωcan é a forma simplética canônica em R2n. Portantoωcan é uma

(18)

forma simplética em TM. SejaM uma variedade diferenciável. Denotamos pork(M)o espaço dask-formas emM. Dado um campo de vetoresX ∈X(M)temos os seguintes operadores:

1. Contração:

ıX : k(M) −→ k−1(M) η 7−→ η(X,·,· · ·,·)

2. Derivada de Lie: Sejaϕt :MM o fluxo deX, parat ∈(−ε,ε), comεsuficiente- mente pequeno. Então,

LX : k(M) −→ k(M) η 7−→ d

d t

t=0ϕtη.

A derivada de Lie e o operador de contração estão relacionados através daFórmula de Cartan:

LXη=dXη) +ıX(dη). (1.3) Para uma demonstração da fórmula de Cartan veja[23].

Exemplo 1.5(Órbitas Coadjuntas). Seja G um grupo de Lie com álgebra de Lieg.A repre- sentação coadjunta de G emgé dada por

k: G −→ GL(g)

g 7→ kg : g −→ g ξ 7→ (Adg−1)ξ, Sejaξ∈ge considereOξa órbita coadjunta que passa porξ.Então,

TξOξ=

aduξ;u∈g . De fato, sejamξ∈ge u∈g.Considere a seguinte aplicação

ξ(t) =kg(t)(ξ),

(19)

sendo, g :[0, 1]→G tal que g(0) =eG e g0(0) =u.Então ξ(t)é uma curva emOξ que satisfazξ(0) =ξ.Sendo assim,

d d t

t=0〈ξ(t),v〉= d d t

t=0〈ξ,Adg−1(t)(v)〉. Logo,

〈ξ0(0),v〉=−〈ξ, adu(v)〉=−〈adu(ξ),vpara todo v ∈g.Portantoξ0(0) =−adu(ξ)e segue que

TξOξ={aduξ;u∈g}.

A partir disso, definimos uma forma bilinear, anti-simétrica em TξOξ,por

ωξ(adu(ξ), adv(ξ)) =〈ξ,[u,v]〉. (1.4) Desta maneira, obtemos uma2-forma emOξ.

Proposição 1.2. Sejaδ∈ Oξ,arbitrário. EntãoOξadmite a seguinte estrutura simplética:

ωδ(adu(δ), adv(δ)) =〈δ,[u,v]〉.

Demonstração:Para todo u∈g∈gtemos a representação coadjunta degemg ad: g −→ End(g)

u 7−→ adu : g −→ g δ 7−→ δ◦adu.

Vamos verificar queω2(Oξ) é suave. Observe que ω é invariante por tranformações coadjuntas. De fato, sejam u,v ∈ g ∈g,como a ação adjuntaAdg :g →gpreserva colchetes de Lie, então

〈Adg−1(δ),[Adg(u),Adg(v)]〉=〈Adg−1(δ),Adg[u,v]〉=〈δ[u,v]〉. Além disso, estas ações são transitivas emOξ.Ou seja,ω2(Oξ)é suave.

Precisamos verificar queωestá bem-definida, poisadu :g→gé um campo de vetores emg.Sejam

adu(δ), adu¯(δ), adv(δ), adv¯(δ)∈g,

(20)

tais que

adu(δ) =adu¯(δ) e adv(δ) =adv¯(δ). Então,

ω(adu(δ), adv(δ)) =〈δ,[u,v]〉=〈δ,[u, ¯¯ v]〉=ω(adu¯(δ), adv¯(δ)). Ou seja,

ω(adu(δ), adv(δ)) =ω(adu¯(δ), adv¯(δ)). Portanto,ωestá bem-definida.

Note queωé não-degenerada. Suponha que, para cadaadv(δ),δ∈g ω(adu(δ), adv(δ)) =0,

então, de(1.4),temos

〈δ,[u,v]〉=0.

Mas,

〈δ,[u,v]〉=〈δ, aduv〉=δ◦adu(v) =adu(δ)(v) para todo v ∈g,ou seja,adu(δ) =0. Portanto,ωé não-degenerada.

Finalmenteωé fechada. Para u∈garbitrário, temos que d u define uma1-forma em g, tal que, para quaisquerη∈g∈g,temos,

(d u)η(δ) =δ(u), Logo,

(d u)η(adv(δ)) =adv(δ)(u) = (δ◦adv)(u) =δ(adv(u)) = (1.5)

=δ([v,u]) =〈δ,[v,u]〉. Por outro lado,

(ıad

u(δ)ω)(adv(δ)) =ω(adu(δ), adv(δ)) =〈δ,[u,v]〉. (1.6) Ou seja, de(1.5)e(1.6),segue que

ıaduω=−d u.

(21)

E com isso temos que ıad

uωé exata. Então d(ıad

uω) =0.Pela fórmula de Cartan, segue que ıad

u=Lad

uωd(ıad

uω) =0.

Isto é, para cada u,w ∈gtemos que d(ω(adu,w)) =0,ou seja, dω=0.Portanto,ωé uma 2-forma fechada e temos queωé uma forma simplética emOξ.

1.2 Simplectomorfismos

Nesta seção introduzimos o conceito de morfismo entre variedades simpléticas.

Definição 1.2. Sejam(M1,ω1),(M2,ω2)duas variedades simpléticas da mesma dimensão.

Um difeomorfismoϕ : M1M2 é umsimplectomorfismo entre (M1,ω1) e (M2,ω2) se ϕω2=ω1.Isto é, para cada pM1e u,vTpM1,

2)ϕ(p)(Dϕ(p)u,Dϕ(p)v) = (ω1)p(u,v).

SejamM1,M2 variedades diferenciáveis. O objetivo do próximo resultado é mostrar como um difeomorfismo entre variedades diferenciáveis induz um simplectomorfismo entre os fibrados cotangentes correspondentes. Para isto, considereϕ : M1M2 um difeomorfismo. Olevantamento cotangentedeϕé a aplicação

ϕˆ:= (Dϕ−1):TM1TM2. Note que o diagrama

TM1 ϕˆ //

pr1

TM2

pr2

M1 ϕ //M2

,

comuta, onde prj :TMjMj,j=1, 2, são as projeções canônicas.

Proposição 1.3. Sejamα1,α2as formas tautológicas em TM1e TM2,respectivamente.

Então

ϕˆα2=α1.

(22)

Demonstração:SejampjMj eξjTMj,j =1, 2. Sabemos de(1.1)que (αj)j)p j =ξj(Dprjj)pj)

pelo visto no Exemplo(1.4). Se ˆϕ(ξ1) =ξ2 evT1)p

1(TM1), ϕˆα2

ξ1(v) = (α2)ξ2 Dϕ(ξˆ 1)(v)

=ξ2(Dpr22)) Dϕ(ξˆ 1)(v)

= ξ2(D(pr2ϕ)(ξˆ 1)(v))

= ξ2(D(ϕ◦pr1)(ξ1)(v))

= (Dpr11))(Dϕ(p1))2)(v)

= (Dpr11))1)(v)

= (α1)ξ1(v).

Sejaωj =−j2(TMj), a 2-forma canônica emTMj,j =1, 2. O seguinte resul- tado é consequência imediata da proposição anterior.

Corolário 1.4. O difeomorfismoϕˆ:TM1TM2é um simplectomorfismo.

Demonstração:Basta observar que

ϕˆω2=ϕˆ(−2) =ϕˆ(d(−α2)) =−d ϕˆα2

=−1=ω1.

1.3 Subvariedades

Diremos que(V,Ω)é umespaço vetorial simpléticoquandoV é umR-espaço vetorial munido de uma formaR-bilinearque é anti-simétrica e não-degenerada. Considere WV um subespaço vetorial. Oortogonal simpléticodeW é o conjunto,

W:={uV |Ω(u,v) =0, vW}. Diremos queW é um subespaço:

1. SimpléticoseWW={0};

(23)

2. IsotrópicoseWW; 3. CoisotrópicoseWW; 4. LagrangianoseW =W.

Observação 1.2. SeW é um subespaço isotrópico deV, então dimW ≤ 12dimV. Com isto, subespaços lagrangianos são subespaços isotrópicos de dimensão máxima.

Definição 1.3. Seja(M,ω)uma variedade simplética. Uma subvariedade N ,M é dita lagrangiana(respectivamente simplética, isotrópica e coisotrópica) se, para todo pN,TpN é um subespaço lagrangiano (respectivamente simplético, isotrópico e coisotrópico) de (TpM,ωp).

Para os próximos exemplos vamos considerar o fibrado cotangente munido da estru- tura simplética definida pela fórmula (1.2).

Exemplo 1.6. Considere a seção nula Z do fibrado cotangente TM definida da seguinte forma

Z : M −→ TM p 7→ (p, 0p).

Vejamos que a imagem de Z é uma subvariedade lagrangiana de TM.De fato, sabemos que localmente, a forma simplética em TM tem a seguinte expressão,

ωcan=

n

X

j=1

d xjj,

como cadaξj =0em Z,segue queωcan|Z =0.Além disso, como os pontos em Z são da forma(p, 0p),então,dimZ =dimM =12dim(TM).Portanto, Z é subvariedade lagrangi- ana de TM.

Exemplo 1.7. Cada fibra TpM do fibrado cotangente TM é uma subvariedade lagrangi- ana de TM.De fato, temos quedim(TpM) =dimM =12dim(TM).Vejamos queωcan|TpM = 0.Sejam(x1,· · ·,xn,ξ1,· · ·,ξn)coordenadas locais em TM,então, nessas coordenadas,

ωcan=

n

X

j=1

d xjj.

(24)

Como pM está fixado, então as coordenadas xj,em TpM,para todo j =1,· · ·,n,são constantes. Logo d xj|TpM =0,daí,ωcan|TpM =0.Portanto, cada fibra TpM de TM é uma subvariedade lagrangiana de TM.

Exemplo 1.8. Sejam M uma variedade diferenciável de dimensão n e N ,M uma sub- variedade de dimensão k.Então ofibrado conormalde N,definido por,

CN

(p,ξ)TM |pM,ξTpM e ξ|TpN =0©

é uma subvariedade lagrangiana de(TM,ωcan).De fato, tome coordenadas locais(x1,· · ·,xn) em M tais que(x1,· · ·,xk)são coordenadas induzidas em N e(x1,· · ·,xn,ξ1,· · ·,ξn)são co- ordenadas induzidas em TM.Da definição de CN,temos que (x1,· · ·,xk,ξk+1,· · ·,ξn) são as coordenadas induzidas em CN.Então,dim(CN) =dimM = 12dim(TM).Veja- mos queωcan|CN =0.Sabemos queωcan=−,então basta verificar queα|CN =0.Como, localmente,

α= Xn

j=1

ξjd xj

então claramenteα|CN =0.Portanto, CN é uma subvariedade lagrangiana de TM. Sejam(M1,ω1)e (M2,ω2)duas variedades simpléticas. O próximo resultado nos dá uma condição para verificar quando um difeomorfismoϕ : (M1,ω1) → (M2,ω2) é um simplectomorfismo.

Proposição 1.5. Sejam(M1,ω1),e(M2,ω2) duas variedades simpléticas. Um difeomor- fismoϕ:M1M2é um simplectomorfismo se, e somente se,Graf(ϕ):=

(p,ϕ(p))|pM1 é uma subvariedade lagrangiana de M1×M2,onde M2está munida da forma simplética (−ω2).

Demonstração: Vejamos que Graf(ϕ)⊂M1×M2 é subvariedade lagrangiana. Note que dimGraf(ϕ) =dimM1=12dim M1×M2

. Além disso,

T(p,ϕ(p))Graf(ϕ) =Graf(Dϕ(p))⊂TpM1×Tϕ(p)M2.

Para mostrar que Graf(ϕ)é isotrópico considere(u,Dϕ(p)u),(v,Dϕ(p)v)∈T(p,ϕ(p))Graf(ϕ). Então,

ω(p,ϕ(p))(u,Dϕ(p)u),(v,Dϕ(p)v) = (ω1)p(u,v)−(ω2)ϕ(p)(Dϕ(p)u,Dϕ(p)v)

(25)

Daí,ω|Graf(ϕ)=0 se, e somente se,ϕω2=ω1.

1.4 Espaços G -Hamiltonianos

1.4.1 Ações Hamiltonianas

Definição 1.4. Sejam(M,ω)uma variedade simplética eψ:G×MM uma ação suave de um grupo de Lie G em M.Diremos queψé umaação simplética, se para todo gG , ψg :MM,p7→ψ(g,p),é um simplectomorfismo.

Seg é a álgebra de Lie de G e u ∈ g, considereuM ∈ X(M) o gerador infinitesimal associado au, cujo fluxo éϕt =ψexpt·u :MM. Logo,

LuMω= d d t

t=0ψexpt·uω= d d t

t=0ω=0,

pois a ação deG emM é simplética. Além disso, comoωé fechada, segue da fórmula de Cartan que

0=LuM(ω) =d(ıuMω).

Ou seja, para cadau ∈g, a 1-formaıuMω1(M)é fechada. Estamos interessados em encontrar primitivas deıuMω. A seguinte definição aponta nesta direção.

Definição 1.5. Dizemos que a ação simpléticaψ:G×MM é umaação Hamiltoniana se existe uma aplicação, que chamaremos deaplicação momento,µ:M →gque satifaz:

1. µé equivariante com respeito à ação coadjunta. Isto é, para cada gG,o diagrama

M ψg //

µ

M

µ

g

Adg−1

//g

é comutativo.

2. Para cada u∈ga função

µu : M −→R p 7−→µ(p)(u)

(26)

satifaz dµu =ıuMω.

Neste caso(M,ω,G,µ)é denominado umespaçoG-Hamiltoniano.

Definição 1.6. Sejam(M,ω)uma variedade simplética e fC(M).Ocampo Hamilto- nianode f é o único campo de vetores Xf ∈X(M)tal que

ıXfω=d f. (1.7)

Observação 1.3. Pode-se mostrar, pela não-degenerescência de ω, que Xf está bem- definido.

Observação 1.4. Para todoX ∈X(M), segue de(1.7)que

ω(Xf,X) =ıXfω(X) =d f(X) =X(f) =LX(f). (1.8) Observação 1.5. Se(M,ω,G,µ)é um espaçoG-Hamiltoniano, para cadau∈go campo uM ∈X(M)é o campo Hamiltoniano deµuC(M).

Exemplo 1.9. Seja(M,ω,G,µ)um espaço G -Hamiltoniano. Denote por ψg :MM a ação Hamiltoniana de G em M.Sabemos que(M ×M,Ω),ondeΩ=pr1ω−pr2ω,é uma variedade simplética. Então, se gG,a aplicação

Φg :M ×M −→ M ×M

(p,q) 7−→ (ψg(p),ψg(q)),

define uma ação Hamiltoniana de G em M ×M,com a seguinte aplicação momento:

J :M ×M −→ g

(p,q) 7−→ µ(p)−µ(q).

1.4.2 Redução Simplética

Nesta seção estamos interessados em construir quocientes na categoria de variedades simpléticas. Para tal, vamos considerar um espaçoG-Hamiltoniano(M,ω,G,µ), com ação Hamiltonianaψg :MM,gG. Para demonstrar tal fato, precisamos de alguns resultados:

(27)

Lema 1.6. Suponha que0∈gé um valor regular deµe que G age livremente emµ−1(0). Então Tpµ−1(0) = (TpOp)ω,ondeOpM é a órbita que passa pelo ponto pµ−1(0).

Demonstração:Como a ação deG emM é livre, entãoTpOp={uM(p)|u ∈g}. Logo v ∈kerDµ(p) ⇔

Dµ(p)v,u

=0 para cadau ∈g,

ω(uM(p),v) =0

v ∈(TpOp)ω

Portanto,

(TpOp)ω=Tpµ−1(0).

Lema 1.7. Seja(V,Ω)um espaço vetorial simplético e WV um subespaço isotrópico.

EntãoΩinduz uma estrutura simplética canônicaΩredem W/W. Demonstração:Sejam[u],[v]∈W/W. Defina,

red([u],[v]) =Ω(u,v).

Vamos mostrar queredestá bem-definida. Para tal, observe que para cadaw1,w2W, Ω(u+w1,v+w2) = Ω(u,v) +Ω(u,w2) +Ω(w1,v) +Ω(w1,w2)

= Ω(u,v)

poisΩ(u,w2) =Ω(w1,v) =Ω(w1,w2) =0, já queu,vW,w1,w2W ew1,w2∈[0]. Falta mostrar queredé não-degenerada. Suponha que

red([u],[v]) =0, [u] ∈W/W. Queremos mostrar que[v] = [0]. Mas

Ω(u,v) =red([u],[v]) =0,

Segue da não-degenerescência deque[v] = [0].

(28)

Feito isso, podemos agora dar uma demonstração para o teorema a seguir, devido a Marsden, Weinstein e Meyer.

Teorema 1.8(Redução Simplética.[19],[17]). Seja(M,ω,G,µ)um espaço G -Hamiltoniano para um grupo de Lie G compacto. Suponha que 0 ∈ g é valor regular de µ. Seja ı : µ−1(0),M a inclusão canônica. Assuma que G age livremente emµ−1(0).Então,

1. O espaço de órbitas Mred=µ−1(0)/G é uma variedade diferenciável;

2. Existe uma única forma simpléticaωredem Mredtal que, ıω=prωred.

Demonstração:

1. Como 0∈gé valor regular deµ:M →g, entãoµ−1(0)é uma subvariedade deM. Além disso, a ação deG emµ−1(0)é livre eG é compacto, daí,

Mred=µ−1(0)/G

é uma variedade diferenciável. Para tal fato, consulte[6], Teorema 23.4.

2. Vamos mostrar que TpOp é subespaço isotrópico de TpM. Sejam uM(p),vM(p) ∈ TpOp quaisquer, então,

ωp(uM(p),vM(p)) =µ[u,v](p) =

µ(p),[u,v]

=0.

Portanto,ωp|TpOp =0, ou seja,TpOp ⊂(TpOp)ω=Tpµ−1(0). Segue do Lema(1.7), que existeωredem(Tpµ−1(0))/(TpOp)não-degenerada. No ponto[p]∈Mredtemos que

T[p]Mred'(Tpµ−1(0))/(TpOp).

Vejamos que valeıω=prωred. Sejampµ−1(0)eu,vTpµ−1(0), então, (ıω)p(u,v) =ωp D ı(p)(u),D ı(p)(v)

=ωp(u,v).

(29)

Por outro lado,

(prωred)p(u,v) = ωred[p] Dpr(p)(u),Dpr(p)(v)

= ωred[p]([u],[v])

= ωp(u,v) Portanto,

ıω=prωred.

Falta mostrar que ωred é fechada. Mas isso segue de ıω =prωred, e do fato de pr:2(Mred)→2−1(0))ser injetora, pois

pr(dωred) =d(prωred) =dω) =ı(dω) =0.

Definição 1.7. A variedade simplética(Mred,ωred)é chamada o quociente de Marsden- Weinsteinde(M,ω)com respeito a(G,µ).

Este resultado nos dá um método para achar novas variedades simpléticas a partir de variedades simpléticas conhecidas. Vejamos um exemplo.

Exemplo 1.10. Considere a variedade simplética(Cn,ω0)do exemplo(1.2) ω0=i

2

Xd zjdz¯j =X

d xjd yj.

Em coordenadas polares, xj =rjcos(θj)e yj =rjsin(θj).Nestas coordenadas, temos a se- guinte expressão paraω0

ω0=X

rjd rjj. O grupoS1age em(Cn,ω0)via

ψexp(i t)(z) =exp(i t)z. O gerador infinitesimal associado é

uM =

∂ θ1

+· · ·+

∂ θn

.

(30)

Considere a aplicação µ : Cn → R, dada por µ(z) = −|z|22. Como S1 é abeliano, a ação coadjunta é trivial. Além disso,µé invariante por rotação. Segue que

µψt =µ, t ∈R. Precisamos verificar que vale

ıuMω=. Como

µ(z) =−

n

X

j=1

xj2+yj2

2 =−

n

X

j=1

rj2 2 , então

=−

n

X

j=1

2rj 2d rj. Por outro lado

ıuMω(v) =ω(uM,v) = Xn

j=1

rjd rjj

∂ θ1

+· · ·+

∂ θn

,v

=− Xn

j=1

2rj

2d rj(v). E segue que

ıuMω=. Além disso,

µ−1



−1 2

‹

=S2n−1. E com isso temos que

Mred=S2n−1/S1=CPn−1. Pode-se mostrar que,

ωred=ωFS,

ondeFS)[z]=2i∂∂¯log(|z|2)é a2-forma de Fubini-Study emCPn−1,para tal consulte[6].

(31)

Grupoides e Algebroides de Lie

Neste capítulo introduzimos o conceito de grupoides de Lie e suas versões infinitesimais, isto é, algebroides de Lie. Construímos o funtor de Lie entre a categoria de grupoides de Lie e a categoria de algebroides de Lie. Finalizamos este capítulo com alguns resultados sobre integração de algebroides de Lie.

2.1 Grupoides de Lie

Definição 2.1. Umgrupoidesobre um conjunto de pontos M é um conjuntoG,munido de aplicações estruturais s,t :G →M (source,target), umprodutoparcialmente definido m :G(2)→G,ondeG(2)=

(g,h)∈G ×G |s(g) =t(h) ,umaseção identidade":M →G e umainversãoı :G →G,satisfazendo as seguintes propriedades:

1. (g ·hk=g ·(h·k);

2. s(g·h) =s(h)e t(g ·h) =t(g); 3. "(t(g))·g =g =g ·"(s(g)); 4. g ·ı(g) ="(t(g))

5. ı(g)·g ="(s(g));

Em geral, escrevemos ı(g) =g−1.

Diremos queG é o conjunto das flechas e queM é o conjunto dos pontos de base, ou simplesmente, base do grupoideG. Denotaremos um grupoideG sobre um conjuntoM porG ⇒M.

21

(32)

Exemplo 2.1. Um grupo G é um grupoide sobre um conjunto unitário M ={p}.Neste caso as aplicações source e target são constantes, a multiplicação m(g,h) =g ·h é a mul- tiplicação do grupo G,"(p) =eG é a identidade do grupo G e ı(g) =g−1é a inversão do grupo G.

Exemplo 2.2. O grupoide trivial MM.

As aplicações source e target são s,t =IdM :MM.

O produto é definido da seguinte maneira, m(p,p):=p.

A seção identidade é,

" : M −→ M p 7−→ p.

A inversão é,

ı : M −→ M p 7−→ p.

Exemplo 2.3. O grupoide do par M ×MM.

As aplicações source e target são:

s : M ×M −→ M (p,q) 7−→ p.

e

t : M ×M −→ M (p,q) 7−→ q.

Como (M ×M)(2) =

(p1,q1),(p2,q2)∈M ×M |p1=q2 , definimos o produto da se- guinte maneira,

m((q,p2),(p1,q)):= (p1,p2).

A seção identidade é,

" : M −→ M ×M p 7−→ (p,p).

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