FFCLRP-USP AULA-INTEGRAL - C ´ALCULO II- ECONOMIA Professor: Jair Silv´erio dos Santos
PROPRIEDADES DA INTEGRAL
Sejam f, g : [a, b] → R fun¸c˜oes integr´aveis. Ent˜ao (i) Z b a [f (x) + g(x)]dx = Z b a f(x)dx + Z b a g(x)dx.
(ii) Se λ ´e um n´umero real, Z b a λf(x)dx = λ Z b a f(x)dx. (iii) Se c ∈ (a, b), Z b a f(x)dx = Z c a f(x)dx + Z b c f(x)dx
(iv) Se f (x) ≤ g(x) para todo x ∈ [a, b], ent˜ao Z b a f(x)dx ≤ Z b a g(x)dx.
A prova destas propriedades poder ser encontrada em O C´alculo com Geometria Anal´ıtica cujo autor ´e Luis Leithold.
Defini¸c˜ao 0.1. Seja f : [a, b] → R uma fun¸c˜ao cont´ınua tal que f(x) ≥ 0 para todo x ∈ [a, b]. A ´area A da regi˜ao R limitada entre as curvas G(f) (gr´afico de f), x = a , x = b e y = 0 ´e denominada ´area sob o gr´afico de f , e ´e dada por A =
Z b a
f(x)dx,
Defini¸c˜ao 0.2. Sejam f, g : [a, b] → R fun¸c˜oes cont´ınuas tais que g(x) ≥ f(x) para todo x ∈ [a, b]. A ´area A da regi˜ao R limitada entre as curvas G(f), G(g), x = a , x = b ´e denominada ´area entre os gr´aficos de f e g, e ´e dada por A =
Z b a
[g(x) − f(x)]dx.
Teorema do Valor M´edio Para Integrais
Teorema 0.1. Seja f : [a, b] → R uma fun¸c˜ao cont´ınua. Ent˜ao existe X ∈ [a, b] tal que Z b
a
f(x) dx = f (X)(b − a).
Este Teorema nos diz que, se f : [a, b] → R for uma fun¸c˜ao n˜ao negativa, ent˜ao existir´a um retˆangulo cujos lados paralelos tˆem medida f (X) e (b − a) respectivamente, e a ´area A deste retˆangulo ser´a dada pelo n´umero real
Z b a
f(x) dx. Note que A ´e a ´area sob o gr´afico de f .
Como f ´e cont´ınua, existem dois n´umeors reais M e m, e dois valores xM e xmno intervalo
[a, b] tais que
M = f (xM) = max{f(x), para x ∈ [a, b]}, e m = f(xm) = min{f(x), para x ∈ [a, b]}.
´
E f´acil ver que
m≤ f(x) ≤ M para todo x ∈ [a, b]. A propriedade quatro no come¸co desta lista nos diz que
m(b − a) ≤ Z b a f(x)dx ≤ M(b − a), ou seja f(xm) = m ≤ Z b a f(x)dx (b − a) ≤ M = f(xM).
Como f ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua em [a, b], o Teorema do Valor Intermedi´ario nos assegura que existe um valor X ∈ (a, b) tal que
f(X) = Z b a f(x)dx (b − a) , e portanto Z b a f(x)dx = f (X)(b − a). Exemplo 0.1. Seja f : [1 ; 2] → R dada por f(x) = x2
. Encontre o valor X ∈ (a, b) que satisfaz o Teorema do Valor M´edio para Integrais (TVMI).
Nos j´a sabemos calcular Z 3
1
x2
dxque o valor desta integral ´e 8
3. Ent˜ao pelo TVMI temos Z 2 1 f(x)dx = 8 3 = f (X)(2 − 1), portanto, X 2 = 8 3 ou seja X = 2√3 3 .
Defini¸c˜ao 0.3. Seja f : [a, b] → R fun¸c˜ao integr´avel. O valor m´edio de f em [a, b] ´e dada por Vm =
Rb
a f(x)dx
b− a .
TEOREMA FUNDAMENTAL DO C ´ALCULO
Seja f : [a, b] → R fun¸c˜ao integr´avel e x um n´umero qualquer em [a, b]. Defina F : [a, b] → R dada por
F(x) = Z x
a
f(t) dt.
Note que se f for n˜ao negativa, a fun¸c˜ao F ´e definida de tal modo que F (x) calcula a ´area hachurada na Figura 01. -ox O a x b ·· ·· · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · · Z x a f(t)dt oy (x, f (x)) x= b 6 F igura 1
Teorema 0.2. Seja f : [a, b] → R fun¸c˜ao cont´ınua e x um n´umero qualquer em [a, b]. Ent˜ao se F : [a, b] → R dada por
F(x) = Z x
a
f(t) dt ´e diferenci´avel e F′(x) = f (x).
Prova
Consideremos dois n´umeros reais x0 e x0+ h, onde h 6= 0 e tal que x0+ h ∈ [a, b]. Note
que F(x0+ h) = Z x0+h a f(t)dt ent˜ao F (x0+ h) − F (x0) = Z x0+h a f(t)dt − Z x0 a f(t)dt, mas pela Propriedade (iii) da 8a Lista de Exerc´ıcios tem-se
Z x0+h a f(t)dt = Z x0 a f(t)dt + Z x0+h x0 f(t)dt. Ent˜ao, F(x0+ h) − F (x0) = Z x0+h x0 f(t)dt.
Z x0+h x0 f(t)dt = f (X)h. Portanto, lim h→0 1 h Z x0+h x0 f(t)dt = lim h→0 F(x0+ h) − F (x0) h = f (X) = F ′(X).
Teorema 0.3. Seja f : [a, b] → R fun¸c˜ao cont´ınua. Se G : [a, b] → R for uma fun¸c˜ao deriv´avel tal que para todo x ∈ [a, b]
G′(x) = f (x), (1) ent˜ao Z b a f(x) dx = G(b) − G(a). (2) Prova
Se em (1), x = a ou x = b, as derivadas envolvidas ser˜ao derivada `a direita em a e derivada `a esquerda em b. Como f ´e cont´ınua em, o Teorema 0.2 nos assegura que a integral
Z x a
f(t) dt,
define uma fun¸c˜ao F (x) deriv´avel, cuja derivada ´e f (x) para todo x ∈ [a, b]. Como por (1) temos G′(x) = f (x), um Teorema j´a visto na disciplina C´aculo Diferencial e Integral I nos
diz que se duas fun¸c˜oes (F e G) tˆem mesma derivada, a diferen¸ca entre elas ´e constante, ou seja
G(x) = Z x
a
f(t) dt + k. Calculando G(a) e G(b) teremos
G(a) = Z a a f(t) dt + k = k e G(b) = Z b a f(t) dt + k. (3)
Portanto, por (3) G(b) − G(a) = Z b
a
f(t) dt.
1. FUNC¸ ˜AO PRIMITIVA E INTEGRAL INDEFINIDA
Defini¸c˜ao 0.4. Dada uma fun¸c˜ao f : [a, b] → R, se existir uma outra fun¸c˜ao deriv´avel F : [a, b] → R tal que F′(x) = f (x) para todo x ∈ (a, b). Esta fun¸c˜ao F ´e denominada
Primitiva da fun¸c˜ao f .
Seja f : [a, b] → R dada por f(x) = cos x, podemos ver facilmente que F (x) = sen x ´e tal que F′(x) = cos x = f (x). Portanto, pela defini¸c˜ao 0.4 a fun¸c˜ao F (x) = sen x ´e uma
primitiva para f (x) = cos x. Tamb´em podemos ver que Fk(x) = sen x + k, onde k ∈ R
segue da defini¸c˜ao 0.4 que para cada n´umero real k, a fun¸c˜ao Fk(x) = sen x + k ´e uma
primitiva para f (x) = cos x.
Vemos assim que se uma fun¸c˜ao qualquer f tiver uma primitiva, esta fun¸c˜ao ter´a, na verdade, uma familia de primitivas. Vejamos como confirmar esta propriedade.
Teorema 0.4. Se F1, F2 : [a, b] → R forem primitivas de uma mesma fun¸c˜ao f :
[a, b] → R, ent˜ao a diferen¸ca ´e constante, isto ´e existe k ∈ R tal que F1(x) − F2(x) =
k= para todo x ∈ [a, b].
Note que se F1(x) e F2(x) s˜ao primitivas de f ent˜ao
F′
1(x) = f (x) e F2′(x) = f (x).
Defina φ : [a, b] → R dada por φ(x) = F′
1(x) − F2′(x). Note φ ´e deriv´avel e φ′(x) =
F′
1(x) − F2′(x) = 0 para todo x ∈ [a, b]. Pelo Teorema do Valor M´edio, φ(x) − φ(a) =
(x − a)φ′(ξ), onde ξ ´e um n´umero real no intervalo (a, x). Como φ′(ξ) = 0, teremos
φ(x) − φ(a) = 0 para todo x ∈ [a, b], o que nos diz que φ(x) = φ(a) ou seja F1(x) −
F2(x) = φ(a) = constante.
Defini¸c˜ao 0.5. Dada uma fun¸c˜ao f : [a, b] → R, se F : [a, b] → R for uma primitiva Primitiva da fun¸c˜ao f , ent˜ao
Z
f(x)dx = F (x) + C, C ∈ R. F(x) + C ´e a integral indefinida de f (x).
Exemplo 0.2. Seja f, g : [a, b] → R dada por f(x) = x3
com g(x) = x4 . Note que Z f(x)dx = Z x3dx= 1 4x 4 + C, C ∈ R, e Z g(x) dx = Z x4dx= 1 5x 5 + K, K ∈ R;
Teorema 0.5. Seja f : [a; b] → R dada por f(x) = xp. Ent˜ao;
a : Se p 6= −1; Z f(x) dx = 1 p+ 1x p+1+ k, k ∈ R. b : Se p = −1; Z f(x) dx = Z 1 xdx= ln |x| + k, k ∈ R. Exemplo 0.3. Seja f (x) = x3 e g(x) = x−5. Calcule Z f(x) dx e Z g(x) dx.
Resolu¸c˜ao O Teorema 0.5 nos diz que Z x3 dx= 1 3 + 1x 3+1 + k = 1 4x 4 + k; k ∈ R Z x−5 dx= 1 −5 + 1x −5+1+ k = −1 4x −4+ k; k ∈ R. S ´OLIDO DE REVOLUC¸ ˜AO
Considere a fun¸c˜ao f : [a, b] → R, cont´ınua, n˜ao negativa e a regi˜ao R limitada pelas curvas G(f ), x = a, x = b e y = 0. A rota¸c˜ao de 2π radianos da regi˜ao R em torno do eixo ox forma um s´olido S (ver figura abaixo). O volume V (S) deste S´olido ´e dado por V(S) = Z b a π[f (x)]2 dx. -ox O a x b ·· · ·· ·· ··· · ···· ··· ··· ··· ·· · ·· − − − − − − − − − − −− − − − − − − − − − − −− − − − − − − − − − − −− − − − − − − − − − − −− − − − − − − − − − − −− − − − − − − − − − −− − −− − − −−− −−−− x= a x= b (x, f (x)) 6 Exerc´ıcios
Calcule a ´area A sob o g´afico de f(x) quando. Fa¸ca um esbo¸co gr´afico da regi˜ao R cuja ´area ´e A.
(i) f : [0, 1] → R, dada por f(x) = x(1 − x). (ii) f : [0, 1] → R, dada por f(x) = x2
(1 − x).
(iii) f : [−2, 3] → R, dada por f(x) = sen x. (iv) f : [0, π] → R, dada por f(x) = x2
(v) f : [−5, 5] → R dada por f(x) =√25 − x2, R. 25π
2 (vi) f : [−5, 5] → R dada por
f(x) = −√25 − x2, R. 25π 2 .
Exerc´ıcios
1 Calcule as integrais abaixo (i) Z 2 0 2x2√ x3+ 1 dx, R. 104 9 . (ii) Z 3 0 x√x+ 1dx, R. 116 15. (iii) Z 4 −3 |x + 2| dx, R. 37 2 . ( iv) Z 4 −3 |x + 3| dx, R. 49 2. (v) Z 1 −1 √ 1 − x2 dx, R. π 2. (vii) Z 4 −4 √ 16 − x2 dx, R 8π. (vi) Z a −a √ a2 − x2 dx, onde a > 0. R. a2 π 2 , (vii) Z a −a √ a2 − b2x2 dx. ond a, b > 0.
2 Calcule a ´area A sob o g´afico de f(x) quando. Em cada fa¸ca um esbo¸co gr´afico de A. (i) Calcule a ´area ltda entre os gr´aficos de f (x) = x2
, g(x) = −x2
+ 4x, ∈ [0, 4] . R. 16. (ii) Calcule a ´area limitada entre os gr´aficos de f (x) = x2
− 6, g(x) = −x2
+ 4x. (iii) Calcule a ´area limitada entre as curvas y = x2
, y = −x2
+ 4x, x = 0 e x = 4. R 16. (iv) Calcule a ´area limitada entre as curvas y2
= 2x − 2, y = x − 5x. Resp 16 3.
(v) Calcule a ´area limitada entre as curvas πy = 2√2 x, y = cos x, x ∈ [0,π 4].
(vi) Calcule a ´area limitada entre as curvas 7πy = 2√2 x, y = cos x, x ∈ [π 2,
7π 4 ].
(vii) Calcule a ´area limitada entre as curvas y =sen x, π2
y= 8√2 x2
, x ∈ [0,π 4].
(viii) Calcule por integrais a ´area de uma circunferˆencia de raio a > 0. (ix) Calcule por integrais a ´area de el´ıpse x
2
a + y2
b = 1 onde a, b > 0. 3 Em cada item calcule o valor m´edio da fun¸c ao f dada.
(i) f : [1, 3] → R dada por f(x) = x2
, R. 13
3. (ii) f : [0, π] → R dada por f(x) = sen 2
x. (iii) f : [0, 2] → R dada por f(x) = x2+ x + 11 . (iv) f : [0, 3] → R dada por
f(x) = 1
x2+ 1. (v) f : [ π 2,
3π
2 ] → R dada por f(x) = cos 2
x. (vi) f : [0,π
4] → R dada por
f(x) = sec x.
EXERC´ICIOS
1 Use a Defini¸c˜ao 0.3 da Lista 08 para resolver os ´ıtens abaixo.
(i) Dada f (x) = x√x− 4, calcule o valor m´edio de f no intervalo [0, 4], R. 466
45. Encontre
o valor X ∈ [0, 4] tal que f assume o valor m´edio. (ii) Dada f (x) = 8x − x2
, calcule o valor m´edio de f no intervalo [5, 8]. R. 32
3 . Encontre
2 Use o Teorema 0.2 e calcule as seguintes derivadas : (i) d dx Z x 0 √ 4 + t2dt. (ii) d dx Z x 0 dt 1 + t2. (iii) d dx Z x 0 √ 4 + cos t2 dt.
3 Calcule a ´area A da regi˜ao R localizada no semiplano {(x, y) ∈ R2
,tal que y ≥ 0} e limitada y = |x| e x2
+ y2
= a2
, onde a > 0. Fa¸ca um esbo¸co gr´afico da regi˜ao R.
4 Considere a fun¸c˜ao f : [a, b] → R. Seja a regi˜ao sob o gr´afico de f. Em cada item abaixo, rotacione R regi˜ao em em torno do eixo ox e calcule o volume do s´olido gerado por esta rota¸c˜ao.
(i) f : [−1, 2] → R dada por f(x) = x2
+ 1. (ii) f : [0, 2] → R dada por f(x) = √x. (iii) f : [−1, 2] → R dada por f(x) = √1 − x2.
(iv) Encontre a ´area A da regi˜ao R limitada entre as curvas y = x2
e y = −x2
+ 4; Resp. 8
3 . (v) Calcule o volume do s´olido
regrado pela rota¸c˜ao desta regi˜ao em torno do eixo ox (vi) Calcule o volume da esfera de raio a, (a > 0). (vii) Encontre o volume do s´olido gerado pela rota¸c˜ao em torno do eixo 0x, da regi˜ao limitada pela par´abola y = x2