MATEMÁTICA INCLUSIVA - TEA
Tendências didático-metodológicas da Educação Matemática para a Educação Básica I ENOPEM
Maria Aparecida de Souza Leonardo1
Resumo
O trabalho em questão tratará de elencar algumas dificuldades encontradas para ministrar a disciplina específica de matemática para o aluno com TEA, bem como sugestões de atividades auxiliares ao professor. De acordo com as constantes mudanças nas leis que regem a Educação no país e as normas de inclusão devemos estar preparados para mediar essa integração para que tenhamos êxito no ensino aprendizagem como um todo. Ensinar as habilidades acadêmicas e em especial matemática para o aluno autista que está inserido agora no ensino regular se tornou um grande desafio que deve ser abraçado pela escola, professores e alunos. No entanto, cabe ao corpo técnico e formador preparar atividades com metodologias diferenciadas que venham de encontro às necessidades do aluno com TEA. A abordagem dessa pesquisa tem caráter qualitativo, quanto a sua natureza é básica, descritiva e de cunho bibliográfico. Através da mesma, percebemos que o número de autistas vêm aumentando gradativamente com a identificação precoce dos casos e cabe ao público na área da Educação em geral adaptar-se a essa realidade. Na Educação Matemática mobilizar estratégias e recursos que auxiliem os educadores nesse processo em que a maioria dos alunos com TEA relacionam-se bem com a disciplina.
Palavras-chave: Autismo. TEA. Estratégias. Matemática.
1. Introdução
O autismo é um tema desafiador para o professor e aluno no ensino aprendizagem principalmente na disciplina de matemática. As dificuldades apresentadas pelo aluno autista em seu desenvolvimento social afetam o seu aprendizado como um todo e requer estratégias elaboradas com objetivos específicos para sanar ou amenizar esse problema. Desta forma, buscamos esclarecer dúvidas, conhecer melhor o comportamento e desenvolvimento do aluno que apresenta essa deficiência para pesquisar ou criar estratégias direcionadas para a evolução do mesmo na aprendizagem.
1 Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS; Programa de Pós-graduação em Educação Matemática;
Para se concretizar o trabalho houve a necessidade de investigarmos o aluno em todas as fases circunstanciais dentro e/ou fora da escola, a relação de convivência com todos os envolvidos nesse processo e seu comportamento apresentado em muitos casos.
Ao analisar casos no ensino regular onde temos a inserção de um aluno com TEA e também reconhecermos as dificuldades ou sermos leigos no tema nos permite que façamos aperfeiçoamento de nossa prática e evoluamos uma vez que, a inclusão é fato e necessária em nossas escolas.
É possível uma criança com TEA aprender matemática? Quais são as estratégias a utilizar para que ocorra aprendizagem?
É daí que vem a necessidade que temos de pesquisar ou criar formas de auxiliar o aluno com TEA na aprendizagem. Buscar estratégias para essa educação inclusiva, que ofereça o melhor ao aluno respeitando suas diferenças e limitações.
Precisamos estar capacitados e aptos a fazer o melhor pelo aluno permitindo que a sua inclusão seja natural e progressiva, sem deixar de lado a aprendizagem que é o foco para o ensino.
Diagnosticar situações comportamentais dos alunos com TEA; Verificar as situações em que ocorrem dificuldades na realização de atividades devido ao comportamento; pesquisar estratégias ou metodologias relacionadas que possam contribuir para o aprendizado; validar a aplicabilidade das atividades desenvolvidas in loco a fim de torná-las eficazes para o ensino e desenvolvimento dos alunos com TEA.
Todos os objetivos acima propostos são embasados da necessidade que temos em realizar a pesquisa buscando informações úteis e cabíveis dentro da nossa realidade, pois é a partir dela que iniciamos o trabalho a fim de buscar soluções viáveis que auxiliem a nossa prática em sala de aula na inclusão dos alunos com TEA. E, diante do exposto, todavia percebemos a dificuldade em especial na matemática, assim sendo, o trabalho se pauta em grande parte na referida disciplina.
2. Fundamentação Teórica
Não temos nenhuma receita pronta para ensinar alunos autistas e nem tampouco o professor precisa ser especialista nessa área. Só precisamos de uma educação inclusiva.
Precisamos de fato pensar diferente a educação dentro e com a escola. O importante é conhecer como cada um aprende e adequar os recursos conforme a necessidade e características apresentadas pelos alunos.
Sprandlin e Brady (1999) descreveram dificuldades apresentadas por essa população na integração das informações e ao fazer uma análise do controle de estímulos por crianças com autismo, estes afirmaram que autistas necessitam de relações mais consistentes entre estímulos, respostas e consequências para que possam adquirir novos comportamentos e mantê-los ao longo do tempo. Os pesquisadores levantam a hipótese de que muitos dos sintomas do autismo se devem a este aspecto e afirmam que, como estas pessoas necessitam de reforçadores consistentes para estabelecer relações entre estímulos, apenas reforçadores sociais como elogios, poderiam não ser suficiente para a aquisição e manutenção de habilidades.
O desenvolvimento da imaginação (adicionando significado na percepção) e do comportamento social no autista é completamente diferente. Se convidados a brincar, procuram atividades focalizadas na percepção pura como amontoar objetos ou colocá-los alinhados em filas. (PEETERS, 1998, p.16).
No tocante ao se referir em aprendizagem vale ressaltar que o Ensino se torna muito importante nesse momento para utilização das ferramentas corretas a fim de se chegar ao objetivo geral: aprendizagem da criança Autista.
Inicialmente os próprios pais quando recebem o diagnóstico que tem um filho Autista se sentem perdidos sem saber por onde começar e daí surgem à grande preocupação para com a escola, o ensino e a aprendizagem dessa criança, uma vez que ela deverá ser inserida no meio social de acordo ao movimento que vem aumentando a cada ano de acordo com a ONU que decretou o dia 02 de abril “Dia Mundial de Conscientização do Autismo”.
Para Vygotsky entender a mente humana, seu desenvolvimento cognitivo, requer uma busca externa além da interna a ela. Assim, ele destacou a importância dos aspectos sociais e culturais que são refletidos na atividade humana. A mente humana, para Vygotsky (1978), é expressa por meio de ferramentas culturais, signos e palavras que ocasionam mudanças na atividade e consequentemente na percepção interna da mente. Desta forma, as funções mentais superiores são modificadas à medida que o indivíduo interage com o ambiente, conforme projeções sociais e culturais. Daí precisamos entender como funciona a aprendizagem de uma criança Autista para trabalhar o que tem de mais relevante para fixação dos conceitos em todas as disciplinas e em especial de matemática.
Plouller, em 1906, foi o primeiro a introduzir no meio científico psiquiátrico o termo autismo “como adjetivos para designar a tendência de alguns pacientes de referirem-se a si mesmos”.
Até 1976 o autismo era considerado um tipo de psicose, mas Ornitz e Ritvo começaram a relacionar o autismo a um déficit cognitivo causado por um distúrbio no desenvolvimento.
Os diagnósticos separados do Transtorno Autista, Transtorno de Asperger e Transtorno Invasivo do Desenvolvimento Sem Outra Especificação (TID SOE) serão substituídos por um termo guarda-chuva Transtorno do Espectro do Autismo:
TEA.
É preciso diagnosticar através da análise das características do aluno com TEA para fazer a intervenção correta para cada criança em atendimento na escola. É importante observar que o TEA é mais freqüente nas meninas do que nos meninos na razão de quatro para um e muitas vezes a família não aceita o diagnóstico da criança.
O aluno com TEA apresenta dificuldades para manter, desenvolver ou até mesmo compreender relacionamento com outras pessoas da família e mesmo fora dela; apresenta dificuldades no contexto social; dificuldades em fazer amigos ou brincar de forma imaginativa com os pares ou ainda não se interessam muito por pares.
Para dar início ao diagnóstico é de fundamental importância fazer entrevista e conhecer os pais ou os responsáveis pela criança porque é daí que extraímos informações essenciais que irá guiar os passos a serem definidos posteriormente no trato ou exames mais apurados. Os exames que são feitos incluem desde a parte genética, audição, visão, atividades cerebrais, entre outros.
Um diagnóstico precede várias etapas: análise clínica, dados evolutivos até os exames adicionais. Daí se elabora um plano de tratamento: terapias ocupacionais, psicoterapias, introdução de terapia farmacológica. Algumas características do aluno com TEA como:
- Não entendem sarcasmos, ironia e metáfora; - Dificuldade de concentração por um longo período; - Respondem com ecolalias ( imediata ou tardia); - Não se interessam por qualquer assunto;
- A escrita é cansativa e muitos não fazem uso da escrita; - Rejeição a mudança de rotina;
- Dificuldade em permanecer na sala de aula;
O Artigo 3º da Lei 12.764 quanto aos direitos básicos de saúde das pessoas com TEA assegura:
- O diagnóstico precoce, ainda que não definitivo; - O atendimento multiprofissional;
- A nutrição adequada e a terapia nutricional;
- Informações que auxiliem no diagnóstico e acompanhamento; - Os medicamentos para essa criança. (BRASIL, 2012)
Nessas situações um professor em sala de aula deve estar sempre atento para essas situações para identificar e reconhecer os sinais das necessidades educacionais de crianças com TEA; reconhecer o processo da aprendizagem e desenvolvimento do aluno; a importância do lúdico e da exploração do meio para inserir e integrar ao mundo.
Também a Lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as Leis de Diretrizes e bases da educação nacional no capítulo V da Educação Especial frisa: “garantir ao aluno no TEA atendimento educacional gratuito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração em escolas de ensino regular”. Esse atendimento é garantido através de adaptações necessárias ao currículo escolar atendendo a diversidade de grande e pequeno porte conforme necessidades da criança. Na medida da funcionalidade a escola deve oferecer um professor auxiliar para o acompanhamento em sala de aula e nas outras atividades realizadas pelo aluno.
3. Aspectos Metodológicos
Na pesquisa e análise das bibliografias notamos a importância de conhecimento das características comportamentais e sócio emocionais dos alunos com TEA. Na interação social crianças com esse diagnóstico apresentam dificuldades em começar e manter-se numa conversa; não gostam de contato visual e nem do toque do outro; estabelecem contato apresentando um comportamento não-verbal fixando-se em objetos ao invés de se movimentar junto a outras crianças; as ações repetitivas ficam mais evidentes; essas crianças conseguem manter-se por muito tempo em uma atividade ou objeto mantendo a observação; repetem muito a fala dos outros – conhecido como ecolalia – representam por meio de gestos, jargões.
Na atenção, na concentração e eventualmente, na coordenação motora, mudanças de humor sem causa aparente e acessos de agressividade são comuns em alguns casos.
O desempenho escolar das crianças com autismo vai depender muito do nível de transtorno. Crianças com um nível mais grave de autismo podem apresentar atraso mental e permanecer dependentes em toda a vida escolar. A criança com autismo leve muitas vezes, acompanham muito bem as aulas e os conteúdos didático-pedagógicos com orientação dos professores.
O ensino da matemática de forma geral
Na aprendizagem da matemática são empregados métodos de auxílio à Educação Especial para o ensino das habilidades da criança com TEA. Segundo O´Connor e Klien (2004), o ensino de habilidades acadêmicas para pessoas com autismo tem recebido pouca atenção de estudos, provavelmente porque os comprometimentos clássicos do transtorno relacionados à comunicação, interação social e comportamentos, são vistos como prioritários no desenvolvimento de pesquisas. Porém, estes autores ressaltam que, com o aumento do número de pessoas diagnosticadas com autismo nos últimos anos, aumentou-se também o número de pessoas com diagnóstico de Síndrome de Asperger e autismo de alto funcionamento, cujas habilidades cognitivas e de linguagem são menos comprometidas e cujas necessidades educacionais são mais amplas, englobando habilidades de leitura, escrita e matemática.
As melhorias das estratégias de ensino facilitaram o ganho das aquisições de habilidades básicas diminuindo dificuldades no Transtorno. As crianças com TEA apresentaram melhoria na aquisição e interpretação de comportamentos mais complexos para internalizar os conhecimentos acadêmicos. Acrescenta-se aqui as habilidades com a tecnologia e com a matemática.
Baron-Cohen, em um estudo de 2001, encontrou traços de autismo em matemáticos e cientistas. Nessas pessoas, os sintomas do autismo provavelmente se configuram mais como uma vantagem do que como um problema. Muitos indivíduos ligados a informática e jogos eletrônicos também apresentam características do espectro autista.
O que é linguagem?
Antes de tudo precisamos compreender a linguagem e a função de suas estruturas no ensino aprendizagem seja ela matemática, interpretação, leitura ou outra. A Função Cerebral
utilizará elementos verbais, orais e gráficos para a comunicação humana; processo que estrutura a mente e através dela conseguimos nos comunicar com o outro e nos inserir no contexto social. Então compreendemos que a Linguagem é um conjunto de operações mentais para construção e uso de sentenças dentro de um contexto no qual a criança está inserida e precisa de socialização.
A linguagem é um instrumento privilegiado da comunicação e se torna Imprescindível o uso de materiais lúdicos no processo de ensino aprendizagem para intervenção do TEA:
A criança pequena pensa e reproduz fatos que a cercam, para os quais conduz sua atenção bastante curiosa. A educação infantil é um espaço original, onde crianças pequenas podem desenvolver como indivíduos ativos e criadores. Sua função é promover aprendizagem significativa, por meio de atividades lúdicas, que são formas de representação através das quais se revela o mundo interior da criança.Se a instituição de Educação Infantil puder proporcionar á criança pequena um espaço com muitas atividades lúdicas, estará propiciando melhores condições para que ela seja apta, em diferentes circunstancias aprender por si mesma, conhecendo suas capacidades. (MALUF, 2012, p. 24)
4. Descrição e Análise dos dados
Diante das leituras realizadas surgem algumas estratégias para lidar com o TEA. Muitas crianças com autismo são bons desenhistas, artistas e programadores de computador. Estes tipos de talento poderiam ser encorajados. Há necessidade de dar mais ênfase no desenvolvimento dos talentos das crianças. Muitas crianças autistas têm fixação em um assunto, como trens ou mapas. A melhor forma de trabalhar com essas fixações é usá-las como motivos de trabalhos escolares. Ex.: Se uma criança gosta de trens, então use trens para ensiná-la a ler e fazer cálculos. Leia um livro sobre trens e faça problemas matemáticos com trens. Por exemplo: Calcule a distância que um trem percorre para ir de New York a Washington. (GRANDIN, 1983)
Utilizar métodos visuais concretos para ensinar números e conceitos como um jogo de blocos de comprimentos diferentes e cores diferentes para os números de uma a dez para adicionar e subtrair. Para aprender frações utilizar objetos de madeira cortado em quatro partes e outro cortado ao meio representando frutas ou barras de inteiros;
Para crianças com facilidade em cantar, eles podem responder melhor se as palavras forem cantadas para eles. Outras crianças com extrema sensibilidade sonora responderão melhor se o professor falar com elas em um leve sussurro.
Algumas crianças e adultos não-verbais podem não processar estímulos visuais e auditivos ao mesmo tempo. É importante observar essa característica. Elas podem não ver ou ouvir ao mesmo tempo, e não podem ser chamadas a ver e ouvir ao mesmo tempo. A elas poderá ser dada ou uma tarefa auditiva ou uma tarefa visual. Seu sistema nervoso imaturo não está apto a processar simultaneamente estímulos visuais e auditivos então o professor deve adaptar a atividade dada ao aluno.
Em crianças não-verbais mais velhas e adultas, o tato é algumas vezes torna seu senso mais confiável. Às vezes e muito mais fácil para elas sentir. Letras podem ser ensinadas ao deixá-las tatear letras plásticas. Elas podem aprender seu itinerário (rotina) diário, sentindo objetos alguns minutos antes da atividade programada.
Por exemplo: 15 minutos antes do almoço, dê a elas uma colher para segurar. Alguns minutos antes de sair de carro deixem-na pegar um carrinho de brinquedo.
Alunos no Ensino Médio apresentam grande potencialidade na área de exatas o que favorece e contribui com seu desenvolvimento é a parceria demonstrada pela aceitação por parte da turma no contexto. A responsabilidade do professor aumenta reforçando o que a filósofa Hannah Arendt (2016) diz:
A educação é o ponto em que decidimos se amamos o mundo o bastante para assumirmos a responsabilidade por ele. É, também, onde decidimos se amamos nossas crianças o bastante para não expulsá-las de nosso mundo e abandoná-las a seus próprios recursos, preparando-as, em vez disso, com antecedência para a tarefa de renovar um mundo comum.
A aprendizagem da criança autista na disciplina de matemática
A aprendizagem da criança com TEA devem ser observadas de acordo ao tratamento e recepção a fim de que a criança possa estar à vontade e se dedicar ao processo de aprendizagem.
Segundo Walquíria Dias utilizar gestos simples e imagens para apoiar o que é falado e permitir a compreensão (os autistas são mais visuais que verbais); desenvolver rotinas que a criança possa predizer ou antecipar (pela repetição e com o apoio de imagens que mostram o que vai ser feito no dia); entregar objetos no canal visual. O adulto deve ter o objeto na mão diante dos olhos para que a criança possa pegar o objeto tendo o rosto do adulto dentro do seu campo de visão; estimular a participação em tarefas de arrumar a sala, ajudar a entregar materiais às outras crianças, etc. Respeitar a necessidade de estar um momento sozinho, de caminhar ou dar saltos ou simplesmente perambular para se acalmar (pode ser utilizado como prêmio após uma atividade).Tentar conhecer as capacidades de cada criança para utilizá-las
como entrada para as atividades de ensino (pintar, recortar, etc.);Evitem falar muito, muito alto e toda situação que envolva muito estímulo (pode ser até nocivo para a criança);Pergunte sempre como foi a tarde ou o dia anterior, a qualidade do sono ou se houver alguma alteração da rotina para se antecipar a estados emocionais de ansiedade. Em caso de ansiedade, procure utilizar elementos de interesse e preferência da criança, com menor exigência para não ter birras ou maior ansiedade. Em casos de birra, é importante ter algum conhecimento de técnicas de modificação de conduta (time out, desvio de atenção, etc.), mas a primeira dica é não se apavorar, tentar oferecer outros objetos e, no caso de não conseguir acalmar a criança, explicar à turma o que está acontecendo e desenvolver atividade como grupo em outro lugar e dar a possibilidade da criança com TEA de se acalmar; A atividade lúdica é essencial para a criança pois favorece o seu desenvolvimento em múltiplas habilidades e funções no plano cognitivo, social e emocional. No Transtorno do Espectro Autista (TEA) é comum que encontre alguma alteração no jogo, especialmente, no simbólico. Algumas habilidades sociais básicas devem ser trabalhadas em TEA: Contato visual; Comunicação; Período de atenção compartilhada; Flexibilidade. (DIAS, 2017)
Desse modo, Karagiannis, Stainback e Stainback (1999) referem que, diante de uma inclusão adequada, mesmo que uma criança apresente deficiências cognitivas importantes e apresente dificuldades em relação ao conteúdo do currículo da educação comum, como pode ser o caso do autismo, ela pode beneficiar-se das experiências sociais. O objetivo do aprendizado de coisas simples do dia-a-dia (e.g., conhecer-se, estabelecer relações) seria o de as tornarem mais autônomas e independentes possíveis, podendo conquistar seu lugar na família, na escola e na sociedade. Desse modo, "na medida em que esses 'conteúdos' vão sendo desenvolvidos e 'aprendidos' por esses alunos, torna-se possível a entrada de outros conteúdos, da alfabetização, da matemática, etc." (ZILMER, 2003, p. 30). Com a educação de todas as crianças conjuntamente, aquelas que possuem alguma necessidade educativa especial, seja qual for, têm a oportunidade de preparar-se para a vida em comunidade, sendo que os professores melhoram suas habilidades profissionais e a sociedade funciona de acordo com o valor da igualdade de direitos para todas as pessoas. Em relação à inclusão de crianças com autismo, os estudos encontrados apontam os ganhos que essas crianças possuem diante das oportunidades de interação com pares em settings inclusivos. Entretanto, algumas limitações metodológicas como, por exemplo, a amostra selecionada e o delineamento utilizado ainda deixam lacunas
relativas às suas potencialidades interativas e a sua possibilidade de inclusão no ensino comum, desde a educação infantil.
Atividades funcionais para trabalhar com crianças autistas
Uma criança aprende no dia-a-dia com os pais, colegas, irmãos e na escola com a equipe pedagógica. Assim desenvolve suas habilidades motoras e cognitivas. Para as crianças autistas não é tão simples assim e não vale simplesmente o termo: “vivendo se aprende”, pois existe uma diferença entre o cérebro e os seus sentidos que por muitas vezes são mais aguçados.
Brinquedos pedagógicos ou materiais sensoriais adquirem grande importância em todo o processo de aquisição de saber. Um exemplo são os materiais montessorianos de encaixes geométricos, que são articulados em ordem de tamanho, espessura e peso, utilizados em escolas do ensino comum, mas que podem ser manipulados por qualquer aluno. Geralmente a criança autista obedece aos seus próprios esquemas mentais ao realizar os encaixes, porém, devido ao manuseio das peças que estimulam também a função cognitiva, aos poucos ela aprende a encaixá-los obedecendo à espessura, tamanho e peso. O bom material leva o aprendiz a exibir comportamentos e habilidades que vão variando até atingir formas mais refinadas. Estudos que buscam tratamentos biológicos para o autismo ressaltam a importância de uma dieta alimentar para evitar a incidência de convulsões e melhorar o desempenho nas atividades. Revelam danos potenciais causados por metais pesados, como o mercúrio, e alimentos que contêm caseína, glúten e açúcar. A alergia alimentar e outros alergênicos podem alterar acentuadamente o comportamento, prejudicando o aprendizado. Determinantes externos não formam um fator de origem do autismo, mas eles podem reforçar os sintomas. O ambiente modela a vida do indivíduo, é uma fonte de estímulos e de aprendizagens. Por isso, a reeducação comportamental do autista tem um papel primordial, mas todo sucesso depende da preparação do professor e da articulação entre escola e família, além do afeto e do amor, imprescindíveis na educação. (CUNHA, 2011)
Os objetos muitas vezes são importantes pelo estímulo que provoca aos autistas e não exatamente pelas suas funções. Apesar de ele precisar aprender a necessidade de cada um e a sua manipulação. As tarefas e atividades podem ser desempenhadas com o auxílio da família e escola observando e trazendo a criança para o comando do professor.
5. Considerações finais
De acordo com estudos realizados compreendemos que o Autismo está mais presente a cada ano que passa em nossas salas de aulas e é preciso saber lidar com as crianças com TEA
principalmente para estas conviverem normalmente com os demais dentro da escola e na sociedade.
Quanto mais precoce o seu diagnóstico mais chances de alcançarmos os resultados em médio prazo e obtermos sucesso no ensino aprendizagem.
Dentre as características do TEA que apresentam uma criança em desenvolvimento e as possibilidades de trabalhar com ela conhecendo e estar preparados para auxiliar nesse processo principalmente na disciplina de matemática onde muitos professores ainda apresentam resistência ou dificuldades. E, justamente aí onde muitos autistas demonstram facilidade para determinadas áreas exatas que precisamos ficar atentos para obter resultados satisfatórios.
Cabe a escola promover relações que reforcem a diversidade para romper com os clássicos de senso comum que reportam a exclusão e homogeneização. Só assim estará cumprindo o estabelecido na Declaração de Salamanca (1994) no que tange a Educação Especial.
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