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Evolução e rentabilidade do reflorestamento no Brasil

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Academic year: 2021

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Evolução e Rentabilidade do

Reflorestamento no Brasil

Carlos José Caetano Bacha

Professor Titular da ESALQ/USP

E-mail:

[email protected]

(2)

Objetivo

• Analisar

a

evolução

do

reflorestamento no Brasil, bem como

sua lucratividade.

• Atenção especial é

dada às

oportunidades de negócios com a

eucaliptocultura e a pinocultura.

(3)

Estrutura

1) Caracterização do SAG-Florestal e a importância

da silvicultura

2) Dimensão da silvicultura no Brasil e a importância

da eucaliptocultura e da pinocultura

3) A expansão da silvicultura no Brasil

4) A escassez de madeira

5) Lucratividade da eucaliptocultura

6) Oportunidades

de

negócios

com

a

eucaliptocultura e a pinocultura

(4)

1) Caracterização do SAG-Florestal

• Sistema agroindustrial florestal (SAG-Florestal) é o conjunto de atividades realizadas pela silvicultura e extração vegetal e pelos setores a elas vinculados a montante e a jusante.

• O sistema agroindustrial florestal é o conjunto formado pela sucessão de atividades vinculadas à produção e à transformação de produtos florestais primários.

• Produtos florestais primários: lenha, carvão, toras, cavacos, folhas, raízes, gomas, por exemplo.

• O cerne do SAG-Florestal é a produção florestal primária.

(5)

In d ú stria s d e e q u ip am en tos e in su m os E x tra çã o vege ta l S ilvicu ltura L e n h a e car vã o P ro c e ssa m e nt o m e câ ni c o d a m a d ei ra (serra ria s e fá brica s d e co m p e n sa d o s, lâ m in a s e ch a p a s) T ora s C e lulose e P a p el C a va cos C on s u m o d om é stico S id er ur gia e uso e n e rgético

In d ú stria m ove leir a

C on struç ã o civil

E x p ortaçã o

E m b a la ge ns

P ro d uto s flo re sta is 1 a

T ran sfo r m a ç ão in d u str ia l

2a T ra n sfor m a çã o ind u strial ou

con su m o fin al S iste m a P úb lico e Priva d o de Pe squ isa e In stitu iç õ es p ú blicas r e gu la tórias

F ig u ra 1 : C o m p le xo F lo restal

C on s u m o in d ustr ia l

G rá fic a e

C on s u m o d om é stico, in d ustrial e com e rcial

Ind ú str ias a M o n tan te E m p r esa s d e p r estaçã o de se rviç os P r od u tos n ã o-m a d e ireir os E cotu r is m o e in d ústria s d ive rsa s

(6)

Dimensão do SAG-Madeira

• Representou 3,26% do PIB brasileiro em 1995 e

3,06% em 2000. PIB é o total da renda gerada

na economia.

• Gerou US$ 9,2 bilhões de exportações em

2006, equivalentes a 6,7% das exportações

brasileiras. Em 1980, foram exportados US$

1,09 bilhão, equivalentes a 5,42% das

exportações brasileiras.

• Gerou saldo comercial (exportações menos

importações) de US$ 8 bilhões em 2006.

• Gerou 1,45 milhão de empregos por ano no

período de 1993 a 1995.

(7)

2) Dimensão da silvicultura no Brasil e a importância

da eucaliptocultura e da pinocultura

• A silvicultura no Brasil tem grande expansão até meados da década de 80, arrefecendo seu desempenho na década de 90 e voltando a crescer nos anos 2000. As plantações de eucaliptos e pinus predominam nas plantações brasileiras.

• Área ocupada com florestas plantadas (mil hectares)

n.d. n.d. 5.384 2005** 31,8 61,8 5.742 2006*** 34,9 23,8 28,5 27,3 24,3 % pinus 56,2 69,4 65,8 64,4 67,9 % eucalipto 5.279 5.396 5.967 5.016 1.658 Brasil 2000** 1995* 1985* 1980* 1970*

(8)

2) Dimensão da silvicultura no Brasil

• As plantações de florestas correspondem à quarta mais importante atividade agropecuária (excetuando as pastagens) em termos de ocupação de área. Em 2007, a área ocupada com as

culturas foram (em mil hectares): • Soja: 20.615 • Milho: 13.821 • Cana-de-açúcar: 6.144* • Florestas plantadas: 5.742* • Feijão: 3.829 • Arroz: 2.887 • Café: 2.312* • Mandioca: 1.897* • Laranja: 806*

(9)

A distribuição geográfica da

silvicultura

• A silvicultura surge como “manchas” no espaço, sendo concentradas em poucos estados e dentro deles em poucas áreas.

• A concentração dos plantios se faz próxima às agroindústrias que processam a madeira.

• Por exemplo, no Estado de São Paulo há grande concentração nas regiões administrativas de Sorocaba (42,3% dos plantios existentes em 2002), Campinas (14,3%), Ribeirão Preto (12,9%), Bauru (8,7%) e Marília (1,2%).

• Na região de Sorocaba há VCP-Jacarei, Suzano e Lwarcel. Na região de Campinas, tem-se Ripasa e International Paper. Na região de Ribeirão Preto há International Paper em Luiz Antônio. Na região de Bauru há Eucatex e Duratex.

(10)

46.153 MT 64.045 GO 78.963 AP 60.000 92.860 143.700 152.330 252.700 359.670 451.790 672.130 776.160 1.678.700 2000* MA PA MS ES RS BA SC PR SP MG 93.285 115.955 147.819 212.208 365.623 594.992 601.333 808.361 963.354 1.235.744 2006* Pará 84.937 Amapá Amapá 114.369 Pará Mato G. Sul 172.735 Esp. Santo Esp. Santo 181.080 Mato G. Sul Rio G. Sul 297.429 Bahia Santa Catar. 561.549 Santa Catar. Bahia 630.138 Rio G. Sul Paraná 587.000 São Paulo São Paulo 713.126 Paraná Minas Gerais 1.707.782 Minas Gerais 1995

Distribuição da área reflorestada existente por estado (hectares)

(11)

Vantagens do Brasil

• As condições edafo-climáticas

do Brasil

permitem que o florescimento e crescimento das

árvores seja mais rápido e, com isso, o

incremento médio anual (IMA) é maior e o

tempo de corte da madeira é menor.

• O que é o IMA?

• Colheita no Brasil: eucalipto, 7 anos. Pinus, 11

anos.

• Colheita na Finlândia e Suécia: acima de 35

anos.

(12)

Alguns dados silviculturais das árvores mais

produtivas para produção de celulose

7 45 Canadá 10 25 Estados Unidos 4 35 a 40 Finlândia 5,5 35 a 40 Suécia 10 a 12 12 a 15 Espanha 20 a 25 7 Austrália 20 a 25 7 Indonésia 20 10 a 12 Chile 25 7 a 12 Argentina 45 a 50 7 Brasil Produtividade (m3/ha/ano) Anos para a primeira colheita País Fonte: relatório da VCP

(13)

3) A expansão da silvicultura no

Brasil

• Há escassez de dados de área reflorestada

anualmente no Brasil.

• Dispomos de algumas estimativas que se pode

classificar como sendo a área mínima

reflorestada.

• O ritmo anual de reflorestamento no Brasil

mudou muito ao longo do tempo.

• Reflorestamentos feitos hoje impactarão a

produção daqui a sete anos. Hoje se colhe

plantios realizados entre 1991 e 1998.

(14)

Gráfico 1- Área mínima anualmente reflorestada com espécies madeireiras no Brasil - 1967 a 2004

0 50000 100000 150000 200000 250000 300000 350000 400000 450000 ano h ec ta re s

Fonte: IBGE e estimativas do autor.

A SBS apresenta estimativas do plantio de 553 mil ha em 2005 e de 627 mil ha em 2006.

(15)

Gráfico 2 - área anualmente reflorestada por alguns agentes 0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 140000 160000 180000 200000 19 87 19 88 19 89 19 90 19 91 19 92 19 93 19 94 19 95 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 ano h ec ta re s papel e celulose siderúrgicas pequenos fazendeiros

Três agentes destacam-se no plantio de florestas: empresas de papel e celulose, siderúrgicas e pequenos fazendeiros. Em 2004, as empresas de papel de celulose plantaram 190 mil ha; as siderúrgicas, 116 mil ha; as empresas de painéis de madeira, 21 mil ha; e pequenos produtores, 41 mil hectares.

(16)

A produção de madeira no Brasil

Em 1974: 209 milhões de m3 (21,6% de florestas plantadas).

Em 1990: 308,2 milhões m3 (26,8% de florestas plantadas). Em

2006: 235,8 milhões de m3 (65,8% de florestas plantadas).

Gráfico 3 - produção brasileira de madeira roliça - 1974 a 2006

0 100000 200000 300000 400000 19 74 19 76 19 78 19 80 19 82 19 84 19 86 19 88 19 90 19 92 19 94 19 96 19 98 20 00 20 02 20 04 20 06 ano m ilh a re s d e m 3 nativa plantada total

(17)

4) Escassez de madeira

Os anos 2000 presenciam escassez de madeira,

evidenciado por:

1) falta de madeira para certas indústrias, caso da

indústria moveleira em Santa Catarina e Rio

Grande do Sul.

2) A evolução dos preços. Entre setembro de 2002 e

julho de 2008 os preços das árvores de pinus e

eucalipto aumentaram 372% e 240% em Bauru

(SP), para uma inflação de 72,4% (IGP-DI).

(18)

Evolução dos preços do estéreo em pé das árvores em Bauru 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 80,00 90,00 ag o/ 02 de z/ 02 ab r/ 03 ag o/ 03 de z/ 03 ab r/ 04 ag o/ 04 de z/ 04 ab r/ 05 ag o/ 05 de z/ 05 ab r/ 06 ag o/ 06 de z/ 06 ab r/ 07 ag o/ 07 de z/ 07 ab r/ 08 mês R $ p o r es re o pinus eucalipto

Os preços de produtos florestais apresentam vários meses de estabilidade e mudam por patamares, formando um gráfico em escada.

O diferencial de preços entre madeira de eucalipto e pinus está diminuindo devido à escassez de madeira. Em agosto de 2002, o estéreo da árvore em pé de eucalipto em Bauru era de R$ 25,00 e a de pinus de R$ 18,00, diferencial de 39%. Ambos se igualaram de maio a julho de 2008 em R$ 85,00 por estéreo.

A taxa de crescimento nominal do preço da árvore de pinus entre agosto de 2002 e julho de 2008 foi de 372% e a do eucalipto de 240%. No mesmo período, a taxa de inflação foi de 72,4% (segundo o IGP-DI). Há aumento de preço real de madeira.

(19)

O dilema do reflorestamento

• Se há escassez de madeira, com preços

subindo, e recursos financeiros para

plantar florestas, por que os fazendeiros

não plantam árvores a contento?

• A atividade de reflorestamento não é

lucrativa?

(20)

5) Lucratividade da eucaliptocultura

• A análise de rentabilidade de projetos

pode ser feita através de vários

indicadores, entre eles: valor presente,

taxa interna de retorno e payback.

• Para cada projeto é necessário:

1) Definir a sua duração e número de

cortes (por exemplo, 21 anos e três

cortes na eucaliptocultura).

(21)

Taxa interna de retorno do plantio de eucaliptais no Estado de São Paulo (%) – análise

determinística 17,52 15,09 21,09 17,61 16,05 16,08

Taxa anual do CDI-over antes de tributos 11,29 19,53 30,93 36,21 2004 13,93 27,12 37,70 43,34 2005 8,73 9,12 11,86 7,93

Projetos comprando mudas e comprando terra

15,68 5,81

16,36 13,01

Projetos comprando mudas e alugando terra

28,50 26,71

29,47 24,51

Projetos comprando mudas e sem custo da terra

46% 32,65

30,99 34,59

29,41 Projetos sem custos de

mudas e da terra 2006 2003 2002 2001 2000

(22)

Valores sem o custo das mudas e da terra 0,00 2000,00 4000,00 6000,00 8000,00 10000,00 12000,00 VP (6%) VP (8%) VP (12%) VP (18%) Juros V al o r p re se n te 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Valores com aquisiçao de mudas e sem ocusto da terra

0,00 2000,00 4000,00 6000,00 8000,00 10000,00 12000,00 VP (6%) VP (8%) VP (12%) VP (18%) Juros V a lo r p re se n te 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Valores com aquisição das mudas e aluguel da terra

-1000,00 0,00 1000,00 2000,00 3000,00 4000,00 5000,00 6000,00 7000,00 8000,00 9000,00 VP (6%) VP (8%) VP (12%) VP (18%) Juros V a lo r p re s e n te 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Valores com aquisição das mudas e compra da terra

-4000,00 -2000,00 0,00 2000,00 4000,00 6000,00 8000,00 VP (6%) VP (8%) VP (12%) VP (18%) Juros V a lo r p re s e n te 2000 2001 2002 2003 2004 2005

(23)

Comparação de lucratividade em

análise de risco

Tabela 4 – estimativas de alguns indicadores de rentabilidade de culturas perenes e florestais no Estado de São Paulo, considerando-se a análise de risco e sem incluir o custo da terra

Projeto Taxa interna de retorno estimada

Payback econômico (número de anos) Pomar de laranjeira (em declínio) 0,180

Pomar de laranjeira (sem declínio) 0,192 Seringal (cenário otimista) 0,196 Seringal (cenário pessimista) 0,144

Araruva (com aquisição de mudas) 0,169 25 Araruva (com doação de mudas) 0,222 25 Pau-marfim (com aquisição de mudas) 0,152 25 Pau-marfim (com doação de mudas) 0,192 25 Pinheiro-brasileiro (com aquisição de mudas) 0,170 25 Pinheiro-brasileiro (com doação de mudas) 0,197 25 Eucalipto (com aquisição de mudas) 0,254 7 Eucalipto (com doação de mudas) 0,298 7 Fonte: Machado (2000) e Néris (2001)

(24)

Rentabilidade relativa da madeira e produtos agropecuários 1,12 1,79 6,37 28,32 31,69 50,76 180,55 2005 1,47 2,88 7,27 19,42 28,46 55,89 141,15 2004 2,01 3,62 7,71 14,96 30,07 54,14 115,29 2003 2,47 4,25 7,10 10,60 26,15 45,01 75,29 2002 2,30 3,64 6,67 10,99 25,24 40,05 73,29 2001 2,31 4,71 14,01 8,09 18,68 38,10 113,35 2000 Estéreos de lenha por tonelada de cana- de-açúcar Estéreos de lenha por arroba de boi Estéreos de lenha por cada saca de café Preço (R$) do st de lenha de eucalipto – SP Preço (R$) da tonelada de cana – Brasil Preço (R$) da arroba de boi – PR Preço (R$) da saca de café coco de 50 kg – PR

(25)

Questões que dificultam o

reflorestamento

• Tempo longo de retorno do capital

investido. No mínimo 7 anos para os

plantios de eucalipto.

• Falta de garantia dos preços a receberem

no futuro.

(26)

6) Oportunidades de negócios

na eucaliptocultura e pinocultura

• Há terras ociosas dentro dos estabelecimentos

agropecuários.

• As condições edafo-climáticas de vários estados são favoráveis a plantios florestais.

• Há presença de empresas consumidoras (celulose e siderurgia para eucalipto e de painéis para pinus).

• Novas oportunidades surgirão para empresas de desdobro de madeira e movelaria.

• Antes de decidir sobre plantio, garantir a demanda futura para os produtos, de modo a definir o tipo de plantio.

• É possível consorciar o plantio de florestas com agricultura ou pecuária.

(27)

PLANTIOS CONSORCIADOS:

PLANTIOS CONSORCIADOS:

AGROSILVICULTURA

AGROSILVICULTURA

(Espa

(28)
(29)
(30)
(31)
(32)

PLANTIOS CONSORCIADOS:

PLANTIOS CONSORCIADOS:

SILV0PASTORIL

SILV0PASTORIL

(Espa

(33)
(34)
(35)

Referências

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