Mestrado Integrado em Medicina (MIM) 2012-2018
Ano letivo 2017/2018
Cristiana Cunha Costa Nº2012151
Unidade Curricular – Estágio Profissionalizante
Regente: Professor Doutor Rui Maio
Orientadora: Drª Rita Machado
Junho de 2018
Relatório final de estágio
6º ano
Índice
I. Introdução e objetivos………Pág.1 II. Descrição das atividades desenvolvidas
a. Estágio parcelar de Pediatria………..… Pág.2 b. Estágio parcelar de Ginecologia e Obstetrícia………...Pág.3 c. Estágio parcelar de Saúde Mental………..Pág.3 d. Estágio parcelar de Medicina Geral e Familiar………...Pág.4 e. Estágio de Medicina Interna……….Pág.4 f. Estágio de Cirurgia………..Pág.5 g. Estágio clínico opcional………Pág.5
III. Elementos valorativos……….……….………..Pág.6 IV. Apreciação crítica global……….………..………Pág.6 V. Anexos………Pág.9 a. Cronograma do ano letivo 2017/2018……… Pág.9 b. Certificados………Pág.10
I. Introdução e objetivos
O presente relatório é referente ao Estágio Profissionalizante inserido no plano de estudos do 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) da NMS|FCM–UNL, sob a regência do Professor Doutor Rui Maio, com início a 11 de setembro de 2017 e término a 18 de maio de 2018, num total de 32 semanas de estágio prático supervisionado.
O relatório versa sobre as principais atividades desenvolvidas em cada um dos estágios que compõem esta unidade curricular (Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Saúde Mental, Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna e Cirurgia Geral), e no estágio clínico opcional, pertencente à unidade curricular correspondente (Estágios Clínicos Opcionais). No final, apresento a minha apreciação crítica global, onde farei uma reflexão sobre o cumprimento dos objetivos propostos para um jovem médico e sobre os meus próprios objetivos.
De seguida, apresento os objetivos principais para este estágio profissionalizante:
1. Conhecer as principais patologias da criança e adolescente;
2. Saber os princípios gerais de atuação perante doenças comuns da criança e
adolescente, incluindo urgências, e reconhecer critérios de gravidade;
3. Estabelecer comunicação com os familiares/cuidadores da criança, favorecendo a
construção de uma relação empática e de confiança;
4. Adquirir competências essenciais para uma boa prática médica em Ginecologia e
Obstetrícia, através da observação/realização de procedimentos fundamentais para a prática clínica futura;
5. Desenvolver conhecimentos e capacidade diagnóstica em Saúde Mental, através do
6. Identificar as principais alterações no desenvolvimento social, cognitivo e emocional,
fazendo a distinção entre sintomas ditos normais, inerentes ao desenvolvimento da criança, e patológicos;
7. Identificar e gerir os problemas de saúde mais comuns na comunidade;
8. Saber utilizar a evidência científica na prevenção primária, secundária, terciária e
quaternária;
9. Adquirir autonomia e responsabilidade no desempenho de tarefas essenciais à prática
clínica, contribuindo para o bom funcionamento da equipa médica e de enfermagem;
10. Adquirir competências práticas, incluindo a realização de determinados
procedimentos invasivos e não invasivos;
11. Conhecer as principais síndromes cirúrgicas, a sua etiopatogenia e semiologia, bem
como os fundamentos do seu diagnóstico e tratamento;
12. Saber executar um exame objetivo completo, bem como uma anamnese cuidada e
detalhada;
13. Estabecer uma relação cordial com outros profissionais de saúde, sendo honesta e
responsável, demonstrando um comportamento profissional, fomentando assim uma prestação de cuidados ao doente harmoniosa e holística;
14. Reconhecer a importância da formação médica ao longo da vida.
II. Descrição das atividades desenvolvidas
a.Estágio parcelar de Pediatria
As duas primeiras semanas de estágio decorreram no Berçário e as duas seguintes no internamento de Pediatria. As atividades desenvolvidas dividiram-se essencialmente entre: internamento de Pediatria, Berçário, serviço de urgência, consulta externa (de Pneumologia
e Imunoalergologia) e unidade de cuidados intensivos e intermédios, onde tive oportunidade de realizar exame objetivo ao recém-nascido e criança/adolescente, colheita de história clínica cuidada e interpretação de exames complementares de diagnóstico. Faço a ressalva que dos locais pelos quais passei ao longo deste estágio, senti que pude adquirir maior grau de autonomia no berçário e onde pude realizar mais tarefas. Destaco como muito positiva a oportunidade de assistir a consultas de diferentes áreas da Pediatria, e a possibilidade de observar a criança/adolescente com patologia aguda no serviço de urgência.
b.Estágio parcelar de Ginecologia e Obstetrícia
As duas primeiras semanas de estágio decorreram na Obstetrícia e as duas seguintes na Ginecologia. Em termos de atividades práticas destaco as seguintes, que penso serem as mais relevantes na Obstetrícia: observação das puérperas no internamento, interpretação de cardiotocogramas, realização de toques vaginais, acompanhamento de grávidas de alto risco, observação de partos eutócicos e distócicos. Na Ginecologia, tive a oportunidade de realizar exame ginecológico e auxiliar em citologias aspirativas endometriais nas consultas externas e, ainda assistir a procedimentos cirúrgicos no bloco operatório. Destaco como uma mais-valia a oportunidade do contacto com diversas valências desta especialidade, como a ecografia obstétrica, o diagnóstico pré-natal, as consultas externas (em particular, a consulta de patologia fetal), o puerpério e bloco de partos.
c.Estágio parcelar de Saúde Mental - Pedopsiquiatria
Da organização do estágio faziam parte aulas teórico-práticas que decorreram nos primeiros dois dias de estágio. A primeira consistiu na apresentação de vários casos clínicos frequentes num serviço de urgência, e discussão da sua abordagem, diagnóstico e tratamento. Na segunda aula o tema abordado foi: “Estigma na Doença Mental e Programas
para pessoas com doença mental grave”. Ao longo do estágo assisti a dois seminários do
Nas consultas em que tive oportunidade de participar trabalham-se as dificuldades sentidas pela criança e pelos seus cuidadores e analisam-se os progressos que vão sendo feitos, incentivando e reconhecendo sempre positivamente os avanços conseguidos. A relação entre o médico e a criança tem sempre como alicerce um material intermediário, que pode ser um desenho, um jogo didático ou um brinquedo. Este estágio permitiu-me aprender e realizar autonomamente registos das consultas, de uma forma muito peculiar e diferente dos outros registos clínicos em Medicina e posteriormente, discutir os diagnósticos com a minha tutora.
d.Estágio parcelar de Medicina Geral e Familiar
Fazendo um balanço do estágio, destaco o quão positivo foi para o meu crescimento profissional e, acima de tudo, o facto de ter sido muito proveitoso em termos de aprendizagem e autonomia. Foram quatro semanas em que tive a oportunidade de ver, fazer e participar em várias vertentes da Medicina Geral e Familiar, nomeadamente a Saúde Materna, Saúde Infantil, Planeamento Familiar e Saúde do Adulto. Pude ainda realizar uma visita domiciliária, e participei numa iniciativa da USF, que visa fomentar o gosto pela atividade física aliando os médicos aos utentes na promoção de estilos de vida saudáveis. Realizei com semi-autonomia várias consultas, podendo pôr em prática o método clínico centrado no paciente, participei em reuniões clínicas, apresentei trabalhos e sobretudo senti que de alguma forma contribui para o bom funcionamento da unidade de saúde familiar onde realizei o estágio.
e.Estágio parcelar de Medicina Interna
Nestas 8 semanas de estágio, o rácio aluno/tutor 1:1 permitiu-me realizar várias tarefas em semi-autonomia, ter a responsabilidade de observar/acompanhar 1-3 doentes sozinha e poder discutir esses casos com o meu tutor. Tive a oportunidade de realizar procedimentos invasivos e não invasivos (realização de paracentese, colocação de acessos periféricos, punções venosas e arterias, entre outros), o que me permitiu adquirir segurança, confiança e autonomia na execução dos mesmos. A possibilidade de acompanhar doentes em unidade
de cuidados intermédios trouxe-me maior conhecimento e competências em relação à complexidade de procedimentos nestas unidades e à observação do doente mais detalhada e estruturada. Este estágio permitiu-me ainda realizar diários clínicos, notas de alta, participar em reuniões de serviço, assistir a journal clubs/med talks e a sessões clínicas hospitalares transversais a várias áreas. Da organização do estágio faziam parte seis seminários teóricos, que decorreram na NMS|FCM-UNL, quinzenalmente.
f.Estágio parcelar de Cirurgia Geral
Na minha opinião o estágio está bem organizado (1ª semana de sessões teórico-práticas, 1 semana no Serviço de Urgência Geral, 2 semanas de estágio opcional e 4 semanas de Cirurgia), proporcionando aprendizagem de competências nucleares. A semana no Serviço de Urgência permitiu-me realizar procedimentos práticos e passar pelas várias valênicas da mesma. As quatro semanas de Cirurgia permitiram-me obter uma visão global da abordagem diagnóstica e terapêutica e na identificação das situações com indicação cirúrgica eletiva ou urgente, para além de ter tido oportunidade de aprender novas técnicas de cicatrização de feridas e ter assistido e participado em atos cirúrgicos. Quanto à semana inicial, destaco o curso TEAM (Trauma Evaluation And Management) pelo facto de podermos treinar procedimentos em modelos, o que nos tornou mais aptos para o estágio. O “Mini Congresso”, permitiu colocar à prova competências comunicacionais proporcionando uma enriquecedora partilha de conhecimento. Relativamente ao estágio de Anestesiologia (opcional), pude realizar procedimentos em semi-autonomia (como colocação de máscaras laríngeas) e pude aprender mais sobre as diferentes técnicas anestésicas.
g.Estágio clínico opcional – Pediatria
Decidi realizar este estágio no serviço de Pediatria do Hospital de Cascais, onde passei pelo berçário na primeira semana e pelo internamento e serviço de urgência na 2ª semana.
Pude realizar em semi-autonomia várias tarefas, nomeadamente o exame do recém-nascido e a elaboração de diários e notas de alta.
III. Elementos valorativos
Destaco as seguintes atividades em que participei neste ano: Sessão Lasker Award, Congresso iMed, 1º Congresso Multiprofissional do Hospital de Dona Estefânia, Jornadas de Cardiologia de Lisboa Ocidental, Curso “A Pediatria no Dia-a-dia”, Ação de Formação
“Identificar e Tratar a PHDA na Criança e Adolescente” e I Jornadas de Medicina Geral e
Familiar; e atividades de voluntariado, tendo participado na iniciativa Natal Diferente. Gostaria ainda de destacar a participação como monitora no projeto de medicinia preventiva “Live it
up!”, acreditado pela European Society of Lifestyle Medicine, que visa capacitar os médicos
do futuro a intervir ativamente junto da comunidade. Realizei no ano letivo 2016/2017, formações em 3 escolas do concelho de Cascais e Oeiras, destinadas a alunos do ensino básico e secundário e ainda uma formação no Conselho Nacional da Juventude, que visava capacitar os voluntários sobre consumos abusivos nos eventos académicos de Lisboa. Posteriormente fui convidada pela Associação Nacional de Estudantes de Medicina a falar sobre a minha experiência como monitora, lecionando a formação Agir por um Estilo de Vida
Mais Saudável, destinada a outros alunos de Medicina voluntários num projeto semelhante.
IV. Apreciação crítica global
Em relação aos objetivos supracitados, penso ter conseguido alcançá-los, tendo sido acima de tudo capaz de abordar e tratar o doente enquanto pessoa no seu todo, incorporando dados biopsicossociais, culturais e familiares tentando sempre utilizar uma abordagem médica mais holística. Gostaria de realçar que o estágio de Pediatria me permitiu aperfeiçoar a comunicação com o doente e com os seus familiares, estabelecendo uma relação
médico-doente-pais/cuidadores empática e de confiança, que visa contribuir para o máximo bem-estar da criança/adolescente; na Ginecologia e Obstetrícia penso que me foram dadas as oportunidades de realizar alguns procedimentos de forma autónoma, o que foi fundamental na minha aprendizagem e me permitirá sentir mais segura no futuro; em Saúde Mental, o estágio revelou-se uma aprendizagem constante, na qual me fui apercebendo do “peso” que as perturbações psiquiátricas da infância e adolescência têm na sociedade e sei agora que devo estar atenta ao seu subdiagnóstico e reconhecer sinais e sintomas, sabendo diferenciá-los dos normais inerentes ao desenvolvimento normal da criança; na Medicina Geral e Familiar foi-me dada a possibilidade de realizar consultas autonomamente, elaborar diários clínicos e requisitar exames complementares de diagnóstico, revelando-se uma mais-valia para o meu crescimento profissional; em relação à Medicina Interna, se um dos objetivos deste 6ºano curricular é que seja profissionalizante, no qual devemos adquirir os conhecimentos e competências necessárias ao desempenho da nossa profissão, este foi um estágio que me permitiu de facto alcançar este pressuposto; sinto que foi um estágio que me preparou para a prática clínica e que permitiu aperfeiçoar-me não só a nível académico como pessoal; adquiri a compreensão do que significa ser médico, da responsabilidade profissional e dos valores e atitudes que devemos cultivar; em relação ao estágio em Cirurgia Geral, permitiu-me aprender novas competências teórico-práticas importantes na abordagem do doente cirúrgico, desde a entrevista clínica ao tratamento adequado a cada situação.
De um modo geral, demonstrei os meus conhecimentos na área das ciências básicas e clínicas sob supervisão, bem como utilizei esse conhecimento na resolução de problemas clínicos comuns; avaliei doentes e penso ter gerido adequadamente os seus problemas implicando a realização de histórias clínicas e exame físico detalhado ou mais dirigido; demonstrei conhecer conceitos fundamentais da prevenção da doença e promoção da saúde; comuniquei eficazmente com os doentes, famílias, médicos e outros profissionais; demonstrei
um comportamento profissional e ético a nível pessoal e interpessoal. Para além destes objetivos, que são fulcrais na formação do jovem médico no exercício da arte da Medicina, outros atributos demonstrados foram: a honestidade e preocupação com o bem-estar do doente; empenho na melhoria das minhas aptidões clínicas e na aprendizagem constante, valorizando o papel da ciência no avanço da Medicina. Em termos de atitudes demonstradas penso que mostrei respeito por todo o ser humano, incluindo o respeito pelas fronteiras sexuais; demonstrei ser íntegra e compassiva com os doentes, independentemente da sua doença, prognóstico, idade, género, orientação sexual, etnia, cultura ou classe socioeconómica; reconheci que a principal responsabilidade profissional do médico é reconhecer os interesses do doente; adquiri capacidade autorreflexiva em relação ao controlo dos sentimentos e reações perante o sofrimento e doença; adquiri consciência do potencial terapêutico da relação médico-doente; respeitei a confidencialidade e privacidade dos doentes; tive consciência da importância de optar pelo melhor tratamento com o menor custo, permitindo o máximo benefício a partir dos recursos disponíveis; reconheci a necessidade do trabalho em equipa para benefício do doente e de referenciar adequadamente o doente; transmiti a sensação de “presença” na interação com os doentes/familiares mediante um envolvimento atento e emocional; demonstrei capacidade de transmitir más notícias. Por todas estas competências práticas, comunicacionais e éticas adquiridas e demonstradas ao longo deste ano, posso concluir dizendo que é muito gratificante o balanço que faço deste estágio, onde penso que todo o trabalho desenvolvido ao longo destes anos foi posto à prova. Claro que existem sempre pequenas falhas em cada um dos estágios, alguns procedimentos que podiam ter sido feitos e não houve oportunidade por exemplo, mas no geral penso que foram colmatadas noutros estágios no decorrer de todo o ano. O que realmente importa é que sejamos proativos e tentemos ultrapassar essas adversidades procurando soluções para as mesmas.
V. Anexos a. Cronograma do ano letivo 2017/2018
b. Certificados
2) Certificado de participação na Ação de Formação “Identificar e Tratar a
8) Certificado de participação no 1º Congresso Multiprofissional do Hospital de Dona Estefânia
11) Certificado de partipação como oradora na formação do projeto