Módulo
Fundamentos da Aprendizagem
a Distância
A
UTORIA:
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-Unidade 1 - F
undamentos da aprendizagem a distância
Unidade 1
Estratégias de ensino e
aprendizagem a distância
Palavras Iniciais
Maria de Fatima Guerra de Sousa Caro estudante,Bem-vindo à disciplina sobre estratégias de ensino e aprendizagem a distância. Parabéns por estar no seu curso de pós-graduação em artes. Num curso a distância direcionado a professores, espera-se que o estudante, ao caminhar na sua trajetória formativa, se torne, cada vez mais, um educador qualificado para trabalhar no seu campo específico.
A propósito, se ainda não leu, sugiro que leia com atenção o texto do módulo 1, Fundamentos do Arteduca, que tem informações gerais sobre o seu curso, todas importantes para você se situar nele. consute, também, o portal do Grupo Arteduca e procure pelo Programa do curso. Veja a ementa de cada uma das dis-ciplinas que estudará e o conjunto delas. Perceba que a sua formação envolverá a contribuição de profissionais de áreas diversas do conhecimento. Isto é, você estudará conteúdos da educação e da história da educação em arte e deverá buscar relacioná-los com os conteúdos de sua área de conhecimento.
Por que falar nisso?
Para você atentar, desde agora, para algo fundamental para você e colegas, que de tão óbvio quase não é percebido: o fato de que todo processo de formação resulta de uma ação inter e multidisciplinar. Refiro-me à complexa interação de pessoas, idéias e instituições que envolvem: o avanço do conhecimento cientí-fico de áreas diversas, a evolução das tecnologias, a multiplicidade de estudos e pesquisas e outros. E, claro, o esforço de professores. Um compromisso de mulheres e homens que como profissionais se dedicam à formação dos outros e que, por sua vez, foram formados pelos que os antecederam nesse ofício.
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Como formadores, buscamos criar estratégias de ensino-aprendizagem capazes de responder a um questionamento central: de que saberes e fazeres precisam os professores? Isto já diz respeito a cada um de vocês, estudantes de um curso direcionado a educadores. É um tema do seu futuro, mas também do seu presente. Como sabe, o futuro começa sempre no hoje. Esses saberes e fazeres incluem conteúdos comuns de formação e, também, especificidades das áreas. Mas nenhuma formação deve existir sem que se inclua nela a escuta sensível e a interlocução dos afetos, das emoções, dos sentimentos e das atitudes.
Há uma idéia bem mais ampla vinculada ao termo multidisciplinar. Qual é ela? Respondo: a complexidade da vida e a sua indissociabilidade com as relações do aprender e do ensinar. Veja: o mundo é um todo formado por partes indisso-ciáveis. A aprendizagem e o ensino nele se inserem. Assim, falar na construção de conhecimento é, necessariamente, assumir uma visão multidisciplinar da vida. Não há fronteiras no campo do conhecimento. As chamadas “áreas do conhecimento” não passam de uma criação nossa para lidar com a realidade. Para facilitar a nossa ação e relação com o mundo real, na tentativa de ler, compreender, categorizar e explicar as coisas do mundo, desde a infância. Como diria o nosso Paulo Freire: “o mundo não é, está sendo” e, ainda: “a leitura do mundo antecede a leitura da palavra”.
Paulo Freire nasceu em Recife em 1921 e morreu em 1997. É considerado um dos grandes pedagogos da atualidade e respeitado mundialmente. Como estudante em um curso para educadores você logo descobrirá que este processo educativo, como os demais, tem dimensão formativa relacional, e esta se dá sempre num dado contexto. Isto é, a educação é uma prática social que se dá num espaço-contexto cultural e histórico-social. Dele recebe influência e, também, o influencia. É por isso que já se disse que um currículo tem o tamanho e a forma do seu contexto.
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Nesse processo, cada um de nós – seus atores –, o vivenciamos individual e co-letivamente negociando significados e buscando entendimentos. Isto é: vendo e revendo as nossas teorias, as nossas crenças, e testando as nossas hipóteses. Nesse conjunto incluem-se, ainda, os nossos valores, traços culturais e morais, motivações e tudo o mais que vai definindo e configurando a nossa subjetivi-dade e influindo na direção que damos às nossas ações cotidianas – dentro e fora do contexto da educação formal.
Assim, o processo ensino-aprendizagem pode ser visto como um caminho para se construir significados – individuais e sociais. Agora, por exemplo, ao ler este texto, você está construindo significados a partir de sua interação com ele, e de tudo que traz de suas experiências e leituras (incluindo leituras do mundo) advindas de outros textos e contextos. Temos, desde já, uma tarefa em comum: estabelecer diálogos.
Qual é o meu papel aqui? Bem, tentarei ser sua co-autora nessa parte do curso. E, também, ajudá-lo a construir-se, ainda mais, como uma pessoa proativa e autônoma. Veja-me, portanto, como uma pessoa que criou um texto como um pretexto para estar perto e estimulá-lo em sua caminhada aqui. Uma estrate-gista que tem o papel de, também, ajudá-lo a descobrir a dinâmica do fun-cionamento da educação a distância (EAD) e de como nela se organizar para aprender mais e melhor. Somos, pois, autores. Formamos uma rede de co-autoria. São os nossos conhecimentos e as experiências anteriores – gerados por meio de outros textos e contextos – e as interações que teremos aqui, que irão dando sentido ao que lê agora e nas demais disciplinas do curso.
Um outro modo de se pensar ou de se compreender esse processo é considerá-lo como algo em movimento ou como um devenir que vai se formando no conjunto das relações e interações complexas havidas entre díades que se interpenetram como professor-estudante, estudante-professor, estudan- te-estudante, estudante-objeto do conhecimento, professor-objeto do conheci-mento, bem como as mediações tecnológicas que permeiam esses conjuntos. Incluo aqui uma outra, mais específica e merecedora da atenção de todos – estudantes e professores –, principalmente quando participantes de cursos a distância: interação e conhecimento.
Quando se descobre a necessidade e a importância das relações entre interação e conhecimento, se desvenda uma realidade nova para muitos – a de que o tempo de desenvolvimento de uma dada disciplina de um curso precisa ser
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um espaço estratégico e cuidadosamente planejando onde todos ensinam e todos aprendem algo. Tudo se dá conforme o desempenho dos papéis sociais das pessoas envolvidas, das suas experiências anteriores, bem como aquelas criadas na situação dada, mesma do ensinar e do aprender. Por meio da interação, os estudantes e professores têm facilitadas as condições do processo ensino-aprendizagem, seja pela oportunidade de confrontar pontos de vista diferenciados, seja pela troca de idéias ou pela necessidade de se buscar argumentos para apresentar e defender pontos de vista próprios. Igualmente importante é o processo investigativo que permeia tudo isso. Quanto maior a motivação e a qualidade da interação, maior a chance de termos estudantes mais proativos e participativos e professores mais abertos e flexíveis, sem que isto signifique abrir mão da sua autoridade de professor. Muito pelo contrário!
O fato é que o processo educativo, como a vida – pois que dela não se diferen-cia –, dá-se nesse encontro das coisas das nossas vivêndiferen-cias sodiferen-ciais, pessoais e produtivas. No diálogo que ocorre entre as gerações. No movimento das constâncias e das inconstâncias. Na ocorrência das contradições. Na alter-nância entre elementos invariantes e variantes. No maior ou menor grau de distanciamento entre permanências e mudanças; empenhos e desempenhos; persistências e desistências. E entre tantos outros binômios, multiplicidades e complexidades das relações que temos ao longo da nossa existência.
Tudo isso vai se configurando conforme o contexto onde essas relações se dão. Contexto esse de natureza pessoal, cultural e histórico-social. Nele o “eu”, o “outro” e o “nós” se complementam, num trabalho colaborativo que se dá por entre os inúmeros encontros, desencontros e novos encontros da vida, que podem trazer encantos, desencantos e re-encantamentos. Ademais, nos leva a confrontar e argumentar, a defender idéias e opiniões. E, ainda, nos induz a questionar, a fazer conjecturas e, quando necessário, a buscar soluções criativas para os problemas postos. Em síntese: nesse conjunto de ações, reflexões e colaborações havidas no curso da vida e na vida do seu curso de pós-graduação, agora. A partir daqui você, assim como os seus colegas, irá se construindo como pessoa e como profissional – agora e mais tarde. Isto é: na aprendizagem que se dará ao longo da existência.
É preciso, pois, que o processo educativo desenvolvido no âmbito das di-ferentes áreas do conhecimento forme pessoas-cidadãs críticas, capazes
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de interpretar e compreender a realidade que as rodeia, e sejam capazes de responder, de forma adequada, aos desafios da vida. Há, pois, que se aprender a ser uma pessoa autônoma e colaborativa, a exercer a cidadania, bem como aprender a ser um estrategista da mudança social, na direção de uma sociedade mais humana e mais justa. Há que se aprender, ainda, a argumentar de modo coerente, sem que se feche nisso ou se perca o respeito pelas idéias do outro, só porque são divergentes. E a educação a distância, como se situa nisso? Qual é a sua opinião?
A meu ver, a educação a distância (EAD) é parte também desse contexto múltiplo, complexo e em movimento. Sua história não é nova. Ela vem sendo construída há muito tempo no mundo e no Brasil. Seus modelos e suas formas ou as configu-rações de sua prática decorrem de coisas como as concepções das pessoas que a operacionalizam, das tecnologias disponíveis e das circunstâncias onde ela se dá. O novo é a valorização que a ela vem sendo principalmente no Brasil. Fora, isto já vem ocorrendo há muito tempo.
Antes, a EAD existiu pela tradição oral – caso se queira considerar as epístolas dos apóstolos como cartas para ensinar os evangelhos às populações distantes e geograficamente dispersas. Depois, pelo correio – o chamado ensino por correspondência e, também pelo rádio, a partir das experiências pioneiras das escolas radiofônicas da Colômbia, do Brasil (em Natal), e de outros países da América do Sul, surgidas nos anos de 1920 e 1930. Hoje, por meio do uso combinado de recursos múltiplos que as tecnologias da informação e da comu-nicação (TICs) nos trazem, e pelas suas constantes inovações.
Antes de o Ministério da Educação existir havia, no Rio de janeiro, o Ministério da Educação e Saúde Pública. Nele se instalou o primeiro Serviço de Radiodi-fusão Educativa (SRE). Veja detalhes a seguir.
O Serviço de Radiodifusão Educativa (SRE) foi criado pela Lei nº. 78, de 13 de Janeiro de 1937[...]. O Serviço de Radiodifusão surge com a finalidade de promover permanentemente a irradiação de programas de caráter educativo.
1. “O serviço de radiodifusão é considerado de interesse nacional e de finalidade educacional.”
2. “A orientação educacional das estações da rede nacional de radio-difusão caberá ao Ministério da Educação e Saúde e a sua fiscalização
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técnica competirá ao Ministério da Viação e Obras Públicas.” Decreto nº. 20.047/31, art. 12, parágrafo 3º.
3. “O SRE, em 1945, passa por uma reformulação, através da criação de uma seção de ‘educação e pesquisa’ e de uma seção de ‘documenta-ção e intercâmbio’. Com esta reforma o SRE se transforma em Instituto Nacional de Radiodifusão Educativa, provavelmente nos moldes do Instituto Nacional do Cinema Educativo, já existente na época.”
Fonte: HORTA, J. S. B. Histórico do Rádio Educativo no Brasil. (1927 - 1970). In: Cadernos da PUC, setembro. 1972, citado no Thesaurus Brasileiro da Educação – MEC/INEP.
No ensino por correspondência as iniciativas pioneiras no Brasil foram de cunho privado – dois institutos de ensino que existem até hoje:
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o Instituto Monitor (1939);t
o Instituo Universal Brasileiro (1941).Visite os sítios dos institutos por meio dos endereços:
t
<www.institutomonitor.com.br>;t
<www.institutouniversal.com>.Se comparada ao ensino por correspondência, a EAD evoluiu muito nas últimas décadas. Hoje é possível se ter mediações mais diretas e imediatas por meio das modernas tecnologias da informação e da comunicação (TICs) com destaque para a rede mundial de computadores, a Internet, os vídeos e as teleconfe-rências. Note que o avanço das tecnologias, em geral, aponta para algo nem sempre perceptível: o fato de que elas são, a um só tempo, objetos culturais e objetos de conhecimento. As tecnologias e os seus meios influenciam tudo: o modo de se ser, pensar, sentir, planejar e organizar o nosso tempo, as ações e a vida no seu todo. Há que se refletir sobre isso e intervir criticamente, sempre que preciso.
Nessa disciplina mais específica sobre as estratégias de ensino-aprendizagem em EAD você vai ter a oportunidade de entender mais sobre o significado e as características dessa modalidade de ensino e, em especial, sobre o que se espera de você, como um estudante a distância. Verá que, ao longo do seu
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estudo deste texto, vou estar a seu lado buscando ajudá-lo a se organizar para a construção ativa da sua autonomia como estudante.
Acredito que, muito provavelmente, nada será de todo novo. Mas com certeza há, sim, algo bem atual: a construção de significados que fará, quando das dúvidas suas leituras e reflexões desse texto sobre EAD, bem como aquela que fará ao longo do curso, nas outras disciplinas. Faça disso um ponto de honra para você – ler, estudar, refletir e aprender. O foco na aprendizagem colaborativa não nos afasta de algo bem concreto e real: ninguém pode fazer isto por você. Ninguém vive a vida do outro ou aprende em seu lugar.
Significados são construídos a partir de elementos culturais. Mas são, também, conquistas e descobertas que dependem de cada pessoa. Portanto, veja como, a partir do aqui apresentado, você se inspira ou se sente particularmente “tocado”, motivado e criativo, para aprender mais e melhor. Veja o que precisa para se organizar e caminhar com segurança nessa sua jornada vivenciando a metodologia a distância.
Ao se organizar para estudar e aprender a distância, imagine-se como um ator que se concentra para entrar em cena, sabendo que a sua entrada em palco está próxima. Vá firme – até o Bravo!, pela sua atuação. Pense em como vai atuar para ter uma presença marcante em cena. Para começar, analise o cenário e a sua caminhada até ele. Depois, o que já dispõe e o que mais precisa, para atuar melhor. Então invista fortemente nisso. Afinal, é você quem encena a peça da sua vida. E essa “peça” do aprender merece a sua exclusiva atenção. Não abra mão disso!
Ao concluir esta parte inicial do nosso diálogo, gostaria que soubesse que ao conceber e desenvolver este texto tentei, por diversas vezes, me colocar “na sua pele”. Acredite! E o que você acha que senti nesse momento? Bom, não sei se estou certa. Em todo caso, digo que fiquei imaginando que, passada a euforia inicial pela aprovação no processo seletivo do curso, é bem provável que uma multiplicidade de sentimentos e de preocupações tenha passado ou ainda estejam passando pela sua cabeça. Veja se estou certa, pelo que descrevo a seguir.
Imaginei que você, no início, mais do que agora, deve ter sentido algo em torno de uma desconfortável mistura de: medo, ansiedade, insegurança, e até mesmo uma certa desconfiança. Não diria que seja uma desconfiança pela qualidade
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do curso em si. Finalmente, você não esperaria que um curso do programa Pós-raduação na área de artes, seria algo pouco sério e não acadêmico. Mas, de certa forma, pelo modo como ele está sendo oferecido agora: a distância. Pensei que, talvez, boa parte das suas e receios iniciais estejam diretamente re-lacionados a uma antecipada auto-avaliação. Ou melhor, ao que imagina possa ser o seu possível desempenho no curso. Contudo, penso que não precisa se preocupar assim. Acredito que, em breve, você estará podendo dizer o mesmo que nos foi dito por uma aluna de um dos cursos de especialização a distância da UnB, que se encontrava em situação semelhante à sua agora. Disse ela:
A expectativa inicial de sabermos se vamos ser capazes de abrir nossa mente e conseguir a aprendizagem de forma bem diferente daquela que sempre pautou a nossa educação vai dando lugar à descoberta de novas formas de adquirir conhecimento.
Foi uma grande evolução no pensamento e nas atitudes dessa aluna, que nos disse também:
Juro que em vários momentos tive vontade de parar a leitura, abandonar tudo, não me achando capaz de “encontrar esse tempo”, “me organizar”, ou de “aprender dessa forma”, mas o desafio vai nos estimulando a continuar a leitura e a caminhada que estamos iniciando.
Ora, todo tempo de incertezas e dúvidas é perturbador. Talvez agora esta não seja uma realidade para você. Mas pode sê-la para alguns de seus colegas. Próximo até daquelas situações onde a gente “se mete” e logo começa a sentir o famoso e universalmente conhecido -“friozinho na barriga”. Daí começamos a fazer, para nós mesmos, uma porção de perguntas, a começar por esta: “E agora, José”?
Outras perguntas que podem surgir são as seguintes: Estou num curso novo – o que será que encontrarei daqui para frente? O que será que esperam de mim? Será que vou dar conta, ou será que dessa vez fui longe demais? Por que será que estou me comprometendo com esse curso nessa altura da minha vida? Será que vai compensar mesmo? Como as disciplinas serão dadas? O que será discutido? Como serei avaliado? Será que vou conseguir me envolver e produzir o esperado num curso como esse, a distância? Será que não é melhor dar o fora logo, antes que a coisa se complique e esperem ainda mais compro-metimento meu, do que aquele que posso dar nesse momento da minha vida?
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Bom, ficaria surpresa se algum medo, dúvida ou preocupação desse tipo não tenha acontecido ou não esteja acontecendo agora com você. A experiência me diz que isto é muito natural. Portanto, não há motivos para desespero. Fi-nalmente, o novo é sempre uma mudança. Pode trazer desequilíbrios e assustar um pouco. Mas se pensar bem, isto não é de todo novo para você. Veja se situações semelhantes já não ocorreram com você. Quantas já enfrentou e superou? Muitas, por certo. Hoje já não têm o peso de ontem, não é mesmo? Então, o que deveria falar para você agora? Penso que, no momento, nada melhor do que lembrar do seguinte: tenha calma!
Veja: o tempo agora é outro. A sua realidade é outra também. Primeiro porque conquistou, por esforço próprio, a sua vaga no curso. Portanto, merece estar nele e concluí-lo com sucesso. Segundo, porque tudo vai melhorar se você começar a se achar e a se entender nesse contexto, começando por “mapear” e “mapear-se” na situação como um todo – a partir de você e do que você tem diante de si, no conjunto do curso – do início, à sua merecida conclusão. Sabe por que isto é importante? Porque o ajudará a situar-se nesse cenário entendendo melhor o papel que desempenhará nele.
Assim, a partir da sua criatividade, das inspirações e do conhecimento da realidade mais ampla e de si, poderá iniciar a desenvolver as suas estratégias de vida e de aprendizagem, para lidar melhor com o que precisa ser feito nesse curso, desde agora.
Se em experiências anteriores você se sentiu só e teve que, assim mesmo, criar as suas estratégias de superação dos problemas, agora a situação é bem outra, pois dessa vez há algo muito bom a seu favor: você não estará só!
Acredite: você nunca está só nesse seu tempo de estudo e aprendizado a distância! Agora, por exemplo, tento ajudá-lo a mapear-se nesse tempo e espaço do aprender. Minha intenção é mostrar que isto pode ser uma experi-ência prazerosa e de muito sucesso.
Depois, ao longo da sua caminhada no curso, você contará com as orientações e o apoio de uma equipe de professores e de seus tutores. Portanto, não há o que temer. Há sim, o que aprender. E muito! Há o que estudar. E muito! E há também muito para crescer e se desenvolver. Muito que descobrir e criar. Seja como pessoa, seja como um estudante e como um futuro profissional, na área que escolheu. O percurso é longo, eu sei! Mas você já começou a dar os seus
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primeiros passos. Junto a você estamos todos nós, que formamos o “povo” desse curso – professores, tutores e todos os seus colegas, que estarão com você nesse ambiente de aprendizagem. Sem falar nos que estarão nos mais “bastidores” e por “trás das câmaras” como os revisores de texto, a equipe de apoio tecnológico, o pessoal de apoio ou da secretaria acadêmica.
Como já deu para perceber, o curso lhe trará responsabilidades e compromis-sos novos e cada vez maiores. Se não cuidar deles desde já poderá vir a ter problemas lá na frente. Todos desnecessários e evitáveis. Lendo isto, talvez pergunte: e daí, o que preciso fazer então, para evitar problemas? Bom, vamos por partes. No momento, só uma sugestão simples: comece por manter o foco no como se organizar – em termos de pensamento, de sentimentos e de atitudes e, também, do seu tempo e espaço físico e psicológico.
Logo vocês descobrirão que um dos caminhos mais eficientes e praze-rosos do estudo a distância, mediado pelas TICs, é a possibilida-de possibilida-de popossibilida-dermos possibilida-desenvolver uma aprendizagem colaborativa em rede, onde todos ensinam e todos aprendem, desde que se determinem e desejem isto. Desde que busquem criar e cultivar um espírito científico-inves-tigativo e empreendedor. Desde que se disponham a ler, a estudar, a interagir e a colaborar.
Mas não só isto. Pense em você e, também, em como desenvolver estratégias de aprendizagens junto aos colegas.
As possibilidades de se construir conhecimentos são infinitas. O mesmo digo em relação ao prazer de aprender.
Podemos ir em frente agora?
Então, vá lendo e prestando atenção ao texto que se segue. Mas veja – não se apresse. Lembre-se: reflexões e aprendizagens são frutos do tempo. Portanto, pare de ler quando necessário – seja para aprofundar as suas reflexões, seja pelo cansaço ou pela necessidade de fazer uma outra coisa.
Não me surpreenderia se, num curto espaço de tempo, você começasse a dizer para si que a partir deste texto sentiu-se inspirado e começou a descobrir (ou a redescobrir) o quanto ler, estudar e aprender é algo muito prazeroso e diria, até, libertador, pois amplia visões, alarga horizontes e motiva para se seguir em frente.
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Como sabe, experiências educativas de sucesso nos levam a outros patamares frente à vida e à forma como nela nos vemos, nos situamos, nos sentimos e agimos. Com certeza, quanto mais você se tornar o condutor da sua aprendi-zagem, isto é, for uma pessoa autônoma, poderá aprender e ter sucesso no curso. Esse tema é a tônica deste texto, pois não há como se sair bem num curso a distância sem que se aprenda a ser um aprendiz autônomo, que vá “atrás” da aprendizagem, e não “do prejuízo”! Ninguém merece outra coisa que não esta. Ao concluir esta primeira parte, transcrevo o que recebi como um provérbio chinês. Veja se, como eu, você se identifica com esse tipo de pensamento:
Se planejamos para um ano,
plantamos arroz.
Se planejamos para dez anos,
plantamos árvores.
Se planejamos para cem anos,
preparamos pessoas.
Com certeza planejamos para cem anos e mais, não é verdade?
Finalmente, precisamos passar adiante o legado que recebemos dos nossos ancestrais e cuidar bem do que emprestamos das gerações futuras – esse planeta onde habitamos. Essas coisas, também, dependem de aprendizagens e atitudes diferenciadas.
Abraços, sucesso!
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O cenário
No Brasil, a biografia da educação a distância tem sido marcada por avanços e retrocessos. Contudo, aos poucos, a educação a distância vem se incorpo-rando à nossa cultura. A novidade não está na sua história – que já existe há muito tempo –, mas no seu reconhecimento como uma proposta eficiente de ensino-aprendizagem.
No Brasil, as bases legais para a modalidade de educação a distância foram estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996), que foi
regulamenta-da pelo Decreto n.º 5.622, publicado no D.O.U. de 20/12/05 com normatiza-ção definida na Portaria Ministerial n.º 4.361, de 2004.
Em 3 de abril de 2001, a Resolução n.º 1, do Conselho Nacional de Educação estabeleceu as normas para a pós graduação lato e stricto sensu.
O rápido e contínuo desenvolvimento das TICs tem sido fator determinan-te para que se possa ampliar as possibilidades de acesso ao conhecimento. Este curso é um exemplo concreto disso. Do ponto de vista metodológico e tecnológico temos avanços relevantes no campo educacional. Contudo, há muito para ser feito antes que possamos falar numa efetiva democrati-zação do acesso ao conhecimento, não é verdade? Como país, precisamos concentrar nossos melhores esforços para que um número cada vez maior de pessoas consiga, pelo menos, ter acesso ao computador e à Internet. Contudo, não chegaremos lá sem uma junção de ações advindas das políticas e das instituições públicas; da iniciativa privada; dos movimentos sociais e, em especial, dos gestores e professores das instituições educati-vas de todos os níveis de ensino, para que se tenha acesso às TICs, desde a fase infantil.
Penso que várias coisas. Entre elas, a certeza de que é preciso sair do ciclo das ações esporádicas de uma ou outra instância de governo – seja ele federal, estadual ou municipal – ou de iniciativas outras. É preciso que se planeje, se invista e se garanta a integração e a continuidade de ações, de programas e de projetos educacionais.
Já pensou que falar e defender o direito à educação hoje é, também, incluir o direito efetivo de acesso às TICs, em todos os níveis de ensino? Sem isso, a
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expressão educação democrática fica destituída de significado, não fica? Veja: num país continental e diverso como o nosso, as demandas de educação e formação continuada são múltiplas, contínuas e crescentes. Então, sem o uso cada vez mais ampliado das TICs em todos os seus 5.561 municípios, não se poderá atender a todas elas. Há que se expandir o conceito de alfabetização, incluído nele a alfabetização tecnológica.
Ademais, é preciso entender que não basta que as pessoas busquem a educação. Esta precisa ir ao seu encontro – nos seus tempos e lugares. Nos seus contextos, necessidades e circunstâncias. No momento e lugar dos seus limites pessoais e tecnológicos e nas suas possibi-lidades reais de estudar e aprender em qualquer lugar, tempo e hora por elas decididas. Conforme o mais adequado às suas circunstâncias reais de vida e de trabalho.
Não havendo, na nossa cultura, a incorporação da prática da EAD nos dife-rentes níveis de ensino, como ocorre em outros países tais como a Austrália, a China, a Espanha, a França, a Índia, a Inglaterra, e muito outros, tem-se ainda, no Brasil, muitos preconceitos em relação ao estudo a distância. Duvida-se da sua qualidade. Igualmente, entre os que buscam cursos a distância, perce-be-se, no geral, pouca ou nenhuma informação de como se planejar e se organizar para estudar e aprender a distância.
Quando o estudante descobre, desde o início do curso, que é preciso se organizar e assumir o seu processo de aprendizagem, como desejado e neces-sário, ele mesmo conclui o que uma aluna que estuda a distância expressou:
[...] eu preciso, e muito, de me organizar para poder correspon-der às minhas expectativas com relação ao curso. Onde meu problema não é a motivação e sim minha deficiência em me organizar.
De fato, é preciso descobrir e entender que o estudo e a aprendizagem demandam tempo e organização. Além disso, em certo sentido, a apren-dizagem se dá num nível muito pessoal. Quem aprende constrói conhecimen-tos e significados a partir de um olhar muito próprio – o da sua história de vida pessoal e social, a partir do contexto onde viveu e vive. Contextos e suas relações são o berço das aprendizagens básicas e das demais. Nesse sentido, tudo interfere no processo do aprender: valores introjetados, referên-cias sociais, culturais, históricas e temporais. Interações e relações com o outro
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e com o objeto do conhecimento. Esses são amálgamas da transformação das experiências em conhecimentos.
Sem a desejada autonomia o estudante não consegue se organizar e planejar a sua trajetória no curso. Perde-se, assim, no tempo e espaço, evidenciando algo que pode ter dado início a tudo: a sua dificuldade de colocar o curso entre as prioridades da sua vida. Ninguém faz um curso como este, de Pós-raduação na área de artes, nas “sobras” de tempo. Permanecer nesse pensamento é entregar-se antecipadamente ao fracasso e à evasão. Fique atento a isso e evite criar ou cair nessa armadilha! Você não merece isso.
Quando não há planejamento e organização adequados para um curso como este, o cursista começa a vivenciar descompassos entre a exigência deste e o que pensa ser a sua capacidade efetiva de respondê-las. E pior: isto pode ser visto e sentido como uma incapacidade generalizada para determina-das aprendizagens, bem como representar um sentimento negativo sobre si mesmo, influindo de modo negativo no seu auto-conceito e na sua auto-es-tima. Ninguém faz jus a uma emboscada dessa. Crie e mantenha-se nas suas trilhas da aprendizagem.
Não se deixe dominar por coisas assim que poderiam e deveriam ser evitadas. Muitas vezes tudo o que se precisa é aprender, desde o começo do curso – como é o seu caso agora – a dimensionar e a melhor usar o de estudo e de aprendizagem. Como você sabe, o tempo não perdoa os que com ele não sabem trabalhar. É inexorável mesmo.
A sua infinitude habita apenas o campo da poesia, da literatura e da imagina-ção. A rima e a métrica do cotidiano são bem diferentes disso. É uma realidade que precisamos ser capazes de encarar de frente e resolvê-la de modo eficaz. Como o estudo a distância é uma experiência totalmente nova e diferente para muitos estudantes, esta precisa ser devidamente orientada e acompanhada pela instituição promotora do curso, em várias coisas, incluindo a orientação sobre a organização do tempo pelos cursistas. O mesmo digo em relação ao ensino de como eles devem proceder, como pessoas que estudam a distância. A propósito: já lhe ocorreu que muito dos “fracassos” em cursos, em todos os níveis ou modalidades, devem-se, em parte, ao fato de que poucos professo-res se preocupam em preparar os seus estudantes para eles? Vão direto para os “conteúdos”, ou priorizam o “cognitivo” e ignoram, por exemplo, que
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as experiências e conhecimentos anteriores sobre um dado tema (ou a ausência disso) interferem positiva ou negativamente na aprendizagem, podendo, inclusive, criar obstáculos para aprendizagem ou mesmo o que é referido como “dificuldades de aprendizagem”.
Outra coisa: já notou que não se fala sobre as dificuldades do ensino, mas nas da aprendizagem. Resultado? Num complexo processo como o de ensino-aprendizagem, ao se fazer referência às “dificuldades de aprendizagem” tira-se o foco da relação estudante-professor e o problema fica assim explicado, de modo bem simples: é o estudante que não tem ou não teve capacidade para aprender.
Mas veja: não interprete que nego aqui a existência de casos em que crianças e jovens tenham, de fato, distúrbios globais do desenvolvimento ou dificuldades acentuadas de aprendizagem.
Igualmente, não me refiro a episódios outros de limitações e dificuldades. Destaco aqui o fato de que, por vezes, se tende a generalizar uma série de fenômenos, inclusive os das dificuldades do ensino – compreensão inadequa-da inadequa-da função docente, ou uma inadequação didático-peinadequa-dagógica, sob um só “rótulo”: “dificuldade de aprendizagem”.
Também não estou dizendo que não possam existir estudantes de EAD que não conseguem aprender ou o fazem com muitas dificuldades, justamente por isso: por estar num curso a distância. Não é todo mundo que se adapta a essa metodologia. Tanto que, em algumas universidades americanas, recomenda-se aos prováveis futuros estudantes de cursos ou disciplinas a distância verifica-rem antes se têm ou não perfil para estudar a distância. Entre as características ideais desse perfil destacam-se, por exemplo: auto-confiança, organização e paciência (Mascle, 2007). Disciplina e determinação são outras características frequentemente apontadas.
Se você não consegue parar para se organizar. Se tiver dificuldade para estudar sozinho ou se achar que tem problemas para se concentrar e, ainda, achar que tem pouco conhecimento de como navegar na internet e problemas para se comunicar por escrito, saiba que isso tudo mostra que você não preenche o perfil de um estudante a distância. Precisa, então, tomar consciência disso e trabalhar essas coisas em você. É urgente que se prepare para o requerido por este seu curso, a distância.
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A falta de preparação dos estudantes para os cursos ou disciplinas que iniciam, apesar de causar impactos, passa, em geral, despercebida. Mas isso não pode se dar no contexto da EAD, que tem as suas exigências bem específicas. Olhe só – pense na sua vida escolar, desde a sua infância, e tente responder ao seguinte: quantos professores seus realmente se preocuparam em preparar os estudantes para os seus cursos? Quais os que foram sensíveis à observa-ção dos aspectos afetivos da relaobserva-ção estudante-professor, que podem afetar, positiva ou negativamente, a aprendizagem? Quantos se preocuparam em identificar os conhecimentos prévios dos estudantes, sobre o tema abordado, para que eles pudessem ter melhores condições para estabelecer “pontes” entre o “novo” e o “velho”? Ou, como diria o Piaget, trabalhar os processos mentais da equilibração – a assimilação e a acomodação? E quanto a você – o que fez para se preparar para esses cursos ou disciplinas? Já havia pensado sobre isto?
Na educação a distância essa preparação para o curso, desde o seu inicio, é vital. Sabe por quê? Porque pode começar a desenvolver em você o início de um doloroso processo de descompasso entre as exigências do curso e a capa-cidade efetiva de respondê-las.
Tudo o mais passa a ser prioritário. Menos o curso. Este acaba por ficar a milhas de distância do seu quadro de prioridades, e aí fica cada vez mais difícil retomá-lo. O processo ensino-aprendizagem que se dá no âmbito da EAD tem especificidades que precisam ser respeitadas.
Por exemplo, a experiência tem mostrado universi-dade que muitas pessoas entendem que para orga-nizar um curso a distância basta se fazer algumas “adaptações” no material didático já usado em cursos presenciais. Como se fosse uma “transposição” de uma para outra situação de ensino, sendo a únicadiferença entre elas a distância em si. Isto é um enorme equívoco. Tanto para o professor, quanto para o estudante.
O primeiro, porque precisa aprender que o ensino em EAD é diferente. Há nele pressupostos e recursos didáticos diferenciados e ele pode contar com as mediações das tecnologias. Já para o estudante, ele precisa também aprender a desenvolver estratégias diferentes das que sempre usou no ensino presencial, a começar por, necessariamente, ver se tem perfil para estudar a distância e começar a buscar o que precisa para isto.
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Por meio do endereço:
<http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/legislacao/refead1.pdf>
Você terá acesso aos Referenciais de Qualidade para Educação Superior a Distância, elaborado pelo MEC, em 2007.
Se no ensino presencial se consegue dar aulas sem uma preocupação maior com as características pessoais dos estudantes, sem se atentar para os seus ritmos e estilos de aprendizagem, ao se ensinar na metodologia da EAD isto passa a ser fundamental. Não basta o ensino dos conteúdos. É preciso criar laços afetivos. É preciso criar um ambiente de aprendizagem confiável e motivador para o estudante. Ele precisa ver que do outro lado da tela do seu computador tem alguém que se interessa por ele e pela sua aprendizagem. A subjetividade precisa ser vista como parte do processo ensino-apren-dizagem. Sem a consideração da pessoa do estudante – seus sentimen-tos, suas inseguranças, seus desejos e dificuldades e, também, sem a va-lorização dos seus esforços para aprender e ir em frente, mantendo a sua motivação, fica difícil criarmos o que precisamos: transformar nosso curso numa bela comunidade de aprendizagem, para que todos – estudantes, pro-fessores e tutores – possam participar de uma tarefa que é de todos nós: a construção coletiva do conhecimento. Conhecer o outro e deixar-se conhecer, bem como interessar-se pelo seu desenvolvimento e aprendizagem, é um caminho necessário, promissor e motivador, no ensino a distância. Para todos: estudantes, professores e tutores.
Hoje, sabe-se que um dos sustentáculos do ensino-aprendizagem a distância é o estabelecimento de relações dialógicas em todo o seu processo, desde o planejamento ou desenho inicial de um curso. A dialogicidade precisa estar presente no ambiente virtual de aprendizagem como um todo, na linguagem do material didático mais específico do curso, na postura de professores e tutores, nos contatos com os alunos, na equipe de produção e apoio pedagó-gico e, claro, entre os alunos.
Nesse curso, por exemplo, a responsabilidade pela dialogicidade, como um fa-cilitador do ensino-aprendizagem, é nossa – de todos nós, que o construímos, desde o seu início. Incluo aqui todas as pessoas nele envolvidas – professores, estudantes e demais atores. Inserem-se aqui as suas dimensões profissionais (em
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termos de papéis sociais que precisam ser assumidos de modo competente) e as institucionais – no caso, o Instituto de Artes da Universidade de Brasília.
Precisamos, todos, criar um ambiente dialógico desafiador capaz de provocar em todos, principalmente nos estudantes, o desejo de aprender e de ir sempre além, numa atitude crítica e cooperativa. Portanto, dê o melhor de si. Seja proativo e, de certa forma, até provocativo. Seja uma pessoa participativa. Busque aprender. Estimule e ajude os seus colegas para entrarem nessa “roda”.
Veja: se pensamos em criar uma “comunidade de aprendizagem” nossa, precisamos estar cientes de que isto não funciona se não construirmos, todos,
um espaço social com a nossa identidade ou com a “nossa cara”. Isto é essencial para que possamos desenvolver um sentimento característico das comunidades em geral: o de “pertencimento”. Para entender melhor o seu significado, transcrevo aqui a contribuição de Ana Lúcia Amaral, para o Dicionário de Direitos Humanos, do Ministério Público:
Pertencimento, ou o sentimento de pertencimento, é a crença subjetiva numa origem comum que une distintos indivíduos. Os indivíduos pensam em si mesmos como membros de uma coletividade na qual símbolos expressam valores, medos e aspirações. Esse sentimento pode fazer destacar características culturais e raciais.
Continuando a sua explicação, a autora afirma que:
A sensação de “pertencimento” significa que precisamos nos sentir como pertencentes a tal lugar e ao mesmo tempo sentir que esse tal lugar nos pertence, e que assim acreditamos que podemos interferir e, mais do que tudo, que vale a pena interferir na rotina e nos rumos desse tal lugar.1
Esta é a proposta: vamos construir um ambiente de aprendizagem bem nosso, onde possamos nele nos ver e nos reconhecer. Vamos fazê-lo ter cor, ritmo e vida. Portanto, quanto maior for o nosso empenho na construção desse espaço, mais o identificamos como nosso e mais faremos questão de nele estar para encontros e comunicações diversas – formais e informais.
Saiba que hoje ainda tem quem fique surpreso ao descobrir o quanto se pode criar, por meio de ambientes virtuais de aprendizagens, relações próximas entre as pessoas e um maior entusiasmo para o aprender? É compreensível, pois, em geral, isto ocorre com pessoas com pouca ou nenhuma experiência em EAD.
1 Fonte: <http://www.esmpu.gov.br/dicionario/tiki-indexphp?page=Pertencimento> (acesso em
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Estas não se sentiriam assim se conhecessem experiências bem sucedidas. Uma delas vi no curso Arteduca, do Instituto de Artes da UnB. Acompanhei mais de perto a sua primeira edição. As comunicações dos estudantes e entre estudantes e tutores foram intensas e positivas ao longo de todo o curso. Num dos fóruns on-line vi mais de 500 boas participações. O mesmo se dá no curso de pós-graduação lato sensu da Faculdade de Arquitetura da UnB, em reabilitação ambiental sustentável arquitetônica e urbanística (Rabilita).
No Fórum de Apresentação inicial, a participação e o envolvimento dos estu-dantes foram tão intensos que me senti motivada para postar esta mensagem:
Pessoal,
Estamos todos de parabéns!
Em uma semana de curso o que temos?
t Todo mundo se apresentou e todo mundo se conhece;
t Sabemos que há gente de todas as regiões do Brasil;
t Sabemos que há, no grupo, uma grande diversidade de
experiências – muito bom isso!
t Sabemos que tem pessoas casadas e solteiras, com filhos,
com netos e sem filhos;
t Sabemos que há algumas pessoas que têm belos e
queridos animais de estimação;
t Sabemos onde todos – ou quase todos – trabalham;
t Sabemos que somos um grupo motivado e bastante
in-teressante;
t Sabemos que já no primeiro dia pelo menos umas cinco
pessoas leram o texto todo;
t Sabemos que alguns viajam muito;
t Sabemos que temos talentos extras – como o de cozinhar;
t Sabemos que temos espaços designados para as nossas
comunicações – fóruns de diferentes naturezas;
t Sabemos que temos uma Praça para uma conversa mais
informal;
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t Sabemos mais sobre a EAD do que sabíamos antes – uma
metodologia do ensino-aprendizagem, uma área de
co-nhecimento e um campo de pesquisa;
t Sabemos que estamos felizes com o curso;
t Sabemos que no começo rolou muita ansiedade e
dúvidas;
t Sabemos que estão trabalhando nas atividades;
t Sabemos que o primeiro módulo teve o objetivo de
informar, mas também o de motivar e seduzir para a EAD
(módulo atitudinal);
t Sabemos que a lógica da EAD é uma lógica diferenciada;
t Sabemos que é preciso se organizar para estudar a
distância;
t Sabemos que não se faz cursos a distância em sobras de
tempo;
t Sabemos que já começamos a ser e poderemos ser ainda
mais uma bela “comunidade de aprendizagem”;
t Sabemos que a equipe da UnB se reuniu para avaliar a
primeira semana e tomar providências criteriosamente
discutidas e analisadas;
O que mais??????
Alguém quer continuar a lista?
Tem sido um prazer estar com vocês nessa semana. Obrigada! Abraços, Com afeto,
Professora (coloquei aqui o meu nome)
2Nesse nosso curso podemos fazer o mesmo. Criar um ambiente bom para o
convívio e para a aprendizagem. Isto está em nossas mãos, se quisermos, é claro!
E por que não querer?
2 O curso teve início no domingo, 25.05.07, e esta mensagem foi posta na plataforma na sexta-feira,
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Olhe só: como aqueles estudantes, estamos em um curso a distância cuidado-samente preparado pela UnB. Ademais, veja:
t Não há limites geográficos na nossa comunidade, pois
estamos distribuídos em diferentes espaços;
t O Moodle permite que nos comuniquemos a qualquer
tempo; e
t Nele podemos partilhar textos, experiências, reflexões,
sentimentos, questionamentos e tudo mais que formos
vendo que é bom e deve ser compartilhado.
Desse modo, esse nosso espaço daria vida ao ensinar e ao aprender. Seria um ambiente de construção de significados. E, ainda, um espaço de acolhimento e uma paragem de encontros, bem como um sítio onde todos podem esclarecer suas dúvidas. Enfim, um ambiente privilegiado das nossas relações sociais. Um lugar da cidadania e de se exercer o direito de ir e vir. Vamos deixar as nossas marcas nele. Está em nossas mãos, não é?
Ter as coisas em nossas mãos é algo muito precioso! Traz compromissos e responsabilidades, tais como: a dos pais e professores pela educação dos filhos e dos estudantes; aquela que temos pelas opções que fazemos na vida; a que precisamos ter pela nossa formação; o cuidado que devemos ter conosco, com os outros e com o meio ambiente. Há responsabilidades e compromissos que só as nossas mãos não dão conta, como a de ter você conosco e nos preocu-parmos com a sua aprendizagem. O mesmo digo em relação aos seus colegas. Todas as mãos são necessárias para o aprendizado individual e coletivo. Poder ter um espaço virtual de aprendizagem como o nosso multiplica as possibilidades da ação pedagógica do professor. O mesmo pode se dizer em relação a você, estudante. Terá a oportunidade de ampliar as suas oportunida-des de aprender e, até, de ensinar algumas coisas, ficando, assim, em situação de parceria com o professor, que deverá ter a responsabilidade maior sobre o processo todo, no desenvolvimento de sua disciplina. Lembra-se que falei que somos co-autores? É isto: uma parceria para o processo ensino-aprendizagem e, também, uma parceria para o aprender a aprender.
A EAD tem nos mostrado a possibilidade de se criar formas diferentes de se trabalhar o processo ensino-aprendizagem. A idéia da atuação do professor se expande, pois ele passa a contar com recursos vários para a sua mediação
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pedagógica, principalmente depois da Internet. Na verdade, muda também o conceito de professor. O professor passa a ser visto, aqui, como um parceiro mais experiente, que busca criar estratégias para facilitar o acesso do estudante ao conhecimento e à aprendizagem. Num ambiente de aprendizagem virtual o professor amplia as possibilidades de estar junto aos seus estudantes. Seja pelas mediações estabelecidas pelo material didático em si, seja pelos tutores e, se for o caso, também por meio de vídeos, teleconferências e outros recursos. As teleconferências podem ocorrer por meio de telefonia, televisão ou computador.
Como vê, não é só um jeito novo de se ensinar e se aprender que surge com a EAD, associada aos recursos que as TICs nos trazem. Envolve um modo diferente de se trabalhar e de se organizar o pensamento e o não trabalho pedagógico, no seu todo. Implica, ainda, numa forma diferente de se entender como deve ser o ensino e de se tentar compreender melhor como o estudante aprende, buscando entendê-lo e compreendê-lo mais em suas necessidades de aprendizagem. Você, como estudante, pode e deve ajudar-nos nessa tarefa. A cada um de nós, professores, e aos tutores também.
Comunique-se com os tutores. Deixe claras as suas necessidades ou dúvidas. Peça orientações. Estude. Se empenhe. Ajude os colegas nisso. Pesquise e vão adiante. Este é o sonho de todo professor: ver um estudante buscando aprender e se empenhando nesse processo, de modo responsável e autônomo. Nós, professores, precisamos mesmo colaborar uns com os outros – onde quer que estejamos. No momento, nos relacionamos tendo como foco o processo ensino-aprendizagem em EAD. Sabemos todos que não é fácil ensinar. No nosso cotidiano, temos múltiplas diversidades: de estudantes, de pensamentos, de expectativas, de níveis de experiências e de conhecimentos, de empenho, de motivações e de tantas outras coisas mais. Para não falar nos tempos outros dedicados ao ensino e à pesquisa, como: as orientações de trabalhos de estu-dantes da graduação e da pós-graduação, as leituras e correções dos trabalhos dos estudantes, o tempo de preparação das aulas ou de elaboração de textos como este, a participação em bancas e, também, nas infindáveis reuniões de colegiados e tantas outras onde precisamos nos fazer presente. Isto sem contar com os demais compromissos profissionais e pessoais que temos no dia-a-dia.
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Mesmo o professor mais sensível ao estudante, que tem a prática da escuta sensível e se dispõe a entender as ansiedades e dúvidas do estudante bem como seu estilo e ritmos de aprendizagem, para ajudá-lo a melhorar as suas condições de aprendizagem sabe que o seu ofício não é fácil. Mas sabemos, também, que dificuldades existem dos dois lados – no nosso, como professo-res, e no dos estudantes. Isso você poderá sentir mais de perto agora, que é, também, estudante. E estudante a distância. Verá que é bem difícil estudar a distância. É também difícil aprender a pesquisar, no geral. Não é fácil se organizar para o tempo de estudo e de aprendizagem. Não obstante, tudo isso pode ser bastante facilitado se nós todos, em nossos papéis de professores e estudantes, começarmos a explorar os benefícios que as TICs podem trazer para a mediação desse processo de ensino-aprendizagem. E juntos, podemos, ainda, descobrir os “caminhos das pedras” que podem transformar esta expe-riência em algo criativo, inovador e prazeroso.
Há pensamentos divergentes. Nem sempre os professores acham importante a consideração das subjetividades do estudante, como algo a ser destacado no processo ensino-aprendizagem. Se não são sensíveis a isto, também não o serão na sua prática pedagógica – presencialmente ou a distância. Por exemplo, há professor que organiza sua disciplina em conteúdos e atividades avaliativas semanais, com “prazo de validade”, no ambiente virtual de apren-dizagem, tendo como pressuposto a máxima: “para cada semana, a sua dor”. Acredita ser tal procedimento essencial para se disciplinar a prontidão do estudante, já que logo aprendem a responder bem a este modelo, sob pena de não serem mais avaliados em seus desempenhos.
De fato, cada um de nós põe em prática o que acredita ser o melhor para a relação ensino-aprendizagem. Penso diferente do acima descrito. Não diria melhor nem pior, mas diferente. Também coloco em prática minhas crenças e concepções sobre o que deve ser o processo ensino-aprendizagem. Ao invés de ser inflexível no tempo do aprender, prefiro optar pela crença dos diferentes tempos paras as diferentes pessoas, e daí busco a flexibilização. Mas claro, não posso esquecer dos limites impostos pelo calendário acadêmico a que todos temos que nos submeter.
Trabalhar o processo de ensino-aprendizagem no contexto de EAD é insistir e persistir na proatividade. Isto vale para ambos: estudantes e professores. Na EAD, o então espaço das relações hierárquicas passa a ser substituído,
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necessariamente, pelo das relações de parceria. Se ontem o professor se via e era considerado personagem central ou o principal detentor das informa-ções e do conhecimento, isto já não se aplica hoje. Menos ainda depois da Internet, onde a busca de informações pode ser feita num piscar de olhos. Se o professor podia, antes da disseminação da EAD, trabalhar de modo isolado e ser o único responsável pelo desenvolvimento de sua disciplina, na EAD isto não é possível. Há sempre uma equipe multidisciplinar envolvida no desenvol-vimento de uma disciplina ou de um curso a distância. Parte dessa equipe já trabalhou muito, bem antes do primeiro dia de aula. Principalmente quando há o uso de material impresso ou quando se produz CD-ROM ou vídeos.
No contexto da EAD, arrogância ou autoritarismo de professores, coordena-dores de cursos ou tutores pode vir a ser um forte fator de desmotivação, de criação de relações desrespeitosas e conflitantes entre as pessoas envolvidas e, até, de evasão. Estudantes a distância gostam de sentirem-se acolhidos, aceitos e respeitados. A arrogância – seja de professores, seja dos tutores, só os afasta. Ninguém gosta disso em nenhuma situação, não é mesmo? Os tempos são outros. O diálogo precisa ser a característica maior da comuni-cação que busca o ensino-aprendizagem. A imposição não combina com a alegria do aprender e do viver.
Assim que estiver cadastrado na plataforma de aprendizagem, preencha seu perfil com foto (se possível) e informações pessoais para que os participantes do curso se sintam mais próximos.
No momento, gostaria de lembrar algo que nem sempre as pessoas percebem. O fato de a organização e a oferta de qualquer curso refletirem uma dada opção teórico-metodológica. Isto é, o curso revela, de algum modo, o que os seus organizadores ou a instituição proponente entendem sobre a educação e sobre a formação de professores, bem como o que entendem sobre desen-volvimento e de aprendizagem humana. Igualmente, cursos revelam – ainda que de modo nem sempre óbvio – uma visão de homem e de sociedade, o que inclui, entre outros, uma concepção de ciência, das formas de vida e de trabalho de um dado contexto e do que se sabe e se espera seja o mundo mais amplo e a sua transformação.
No mundo e no Brasil, a EAD tem contribuído para que se enxergue melhor, o que é importante ser considerado, pedagogicamente, nas práticas educativas. De um modo geral a EAD pode ser considerada sob diferentes perspectivas tais
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como: uma área específica de conhecimento; um campo de pesquisa; como uma metodologia de ensino-aprendizagem e, ainda, como uma prática social de natureza pedagógica.
Não que se deva tudo à EAD. Mas esta tem contribuído para que “verdades” ou paradigmas sejam “sacudidos” em suas bases. Posturas e crenças arraiga-das têm sido revistas. E, por mais paradoxal que possa lhe parecer, a EAD tem influído na vida de professores de “ensino presencial” que, depois de partici-parem da oferta de suas disciplinas na metodologia da EAD reviram as suas práticas e se tornaram melhores docentes. Exemplifico isto com o que ouvi de uma professora universitária amiga, quando da sua “estréia” em EAD. Ao observar o andamento já bem sucedido do curso, entre assustada, entusias-mada e feliz, ela me disse:
[...] Preciso mudar o meu jeito de ser professora. Tenho me preo-cupado sempre com o ensino dos conteúdos. Mas vejo que não pode ser mais assim. Com esta experiência vi que preciso pensar no estudante. Nesses anos todos sempre só me preocupei em ensinar bem os conteúdos.
Bom, e o “outro lado da moeda”, o estudante – você e seus colegas, por exemplo, o que falam em relação a isto? Respeitadas as respectivas diferenças de papéis sociais, que impactos uma experiência inicial de estudo a distância lhe trouxe? O que sentiu? Como sentiu? O que precisa ser feito a respeito? Anteriormente, falei sobre isto tentando me imaginar como se eu “estivesse na sua pele”. Trago agora a voz de uma das alunas de curso de especialização, no início de sua primeira experiência como aluna de EAD. Disse ela:
Em princípio, nos assusta porque são paradigmas que devem ser quebrados e encarados de forma natural no processo do conhecimento. [...] Neste novo universo de ensino à distância, o objetivo básico deve ser o estímulo e a orientação no sentido da movimentação proativa do estudante, ou seja, a inversão dos papéis, no qual o estudante passa a ser o protagonista e, os pro-fessores, parceiros e coadjuvantes deste processo.
Qual a sua opinião em relação ao que ela disse? Você concorda com isto? Identifica-se com ela em seus sentimentos? Pense um pouco sobre isso agora. Daqui a pouco falo o que penso, tá? Não vou sair daqui. Espero-o. Você sabe onde me encontrar. Bom, se aproveitar e for tomar um cafezinho, se puder, traga um para mim – sem açúcar, por favor.
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Terminou de pensar e falar? Posso dar a minha opinião agora? Quer saber o que penso? Então leia o que se segue.
Bom, penso que não. A situação não é bem como a aluna fala. Não penso que em EAD temos, no processo ensino-aprendizagem, uma “inversão” de papéis. Ocorre que como a proatividade está associada ao papel do professor, mudar isto e começar a pensar no estudante como um protagonista da sua aprendiza-gem e nos professores como “parceiros e coadjuvantes” desse processo chega mesmo a parecer algo estranho. E até, pode ser visto – como foi o caso dessa aluna – como uma inversão de papéis, não é mesmo? Tem ou não tem sentido o que acabo de dizer? Para mim tem tudo a ver. E para você?
Sabe de uma coisa, antes de responder sugiro que pare agora e pense um pouco sobre isto. Depois, volte aqui para continuarmos o nosso diálogo. Já que vai para um “intervalo”, recomendo que aproveite o tempo para criar uma nova pasta em seu computador – um “caderno” de anotações pessoais em relação ao estudo dessa disciplina. Um título para a pasta? Que tal este: “minhas convicções iniciais”? Veja se faz sentido para você isto.
Uma vez criada a pasta, vá decidindo o que nela colocar. O maior beneficiado disso será você mesmo, pois terá em mãos um instru-mento “confidencial” todo seu, da maior fidedignidade, onde poderá ver bem de perto toda a evolução do seu processo de aprendizagem e cres-cimento, bem como, de modo mais específico, o do desenvolvimento de suas idéias.
Por favor, não me interprete mal, por sugerir isto. Não pense que com o título sugerido – “convicções iniciais” – estou aqui para abalar as suas crenças ou “verdades”. No entanto, como educadora, sei bem que as experiências educa-tivas posieduca-tivas são, em geral, revolucionárias. Chego até a brincar com os meus estudantes dizendo que a sala de aula é um lugar sagrado e, ao mesmo tempo, um templo da subversão.
A educação tem mesmo um enorme poder de transformação. Além disso, o
processo educacional, diálogo e a comunicação são essenciais para nós, seres humanos. A educação provoca mudanças e não há mudanças sem educação. Finalmente, quem educa e se educa sabe ser a educação um permanente desafio e uma experiência essencialmente libertadora.
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referido no trabalho de Tânia Teixeira, Dimensões Sócio Educativas do Teatro do Oprimido de Augusto Boal – Uma proposta de Intervenção: “[...] o teatro pode ser uma arma de libertação, de transformação social e educativa”. Tenho a convicção de que as artes e, principalmente, o teatro, têm também a sua sedução libertadora. Mais que eu, você sabe que o campo das artes é um locus privilegia-do de valorização privilegia-do poder da fantasia, da inventividade e da criatividade. Sem que seja preciso se abrir mão do profissionalismo, as áreas da educação e das artes se fundem quando falamos em coisas como a criação, a imaginação, a libertação e as atitudes amorosas com o outro em formação. Assim como na educação, as artes se distânciam de qualquer coisa que possa representar a opressão, a exclusão, a dominação, o favorecimento de alguns poucos que delas têm acesso. As artes buscam a sua propagação e os espaços do mundo. De todos os mundos – os das mais diferentes pessoas e das mais variadas culturas e paragens.
Com relação à abertura daquele seu arquivo de anotações pessoais sobre os seus estudos, amplio a minha proposta: sugiro que faça isto em relação ao curso como um todo. É uma estratégia simples, organizadora e fácil de ser operacionalizada. Personalize-a! Vá vendo como torná-la cada vez mais útil e melhor. Experimente! Penso que gostará do resultado. Melhor do que eu, saberá o que de fato poderá ser importante nesse seu processo de estudo e aprendizagem. Crie os seus instrumentos e identifique o que lhe ajudará a progredir. Invente, pois, os seus caminhos e as suas estratégias de aprendiza-gem. Lembre-se de que na caminhada também se faz na caminhada.
Quando antes falei no criar as trilhas da sua aprendizagem me referia, justa-mente, à possibilidade de você inventar e descobrir cada uma delas, do seu jeito e no seu tempo. De propósito não usei a palavra “trilho”. Este lhe apontaria caminhos já traçados para ir e voltar. Aprendizagem não combina com modelos lineares. Mas pense, também, em criar as suas trilhas sonoras para esse seu tempo de encenação no curso. Que marcas nos trariam os filmes sem as suas trilhas sonoras? Quantos bons momentos das vidas não nos são trazidos rapi-damente, apenas pelo som de uma música não esperada no momento? Então escolha um belo som para você agora e outros e outros para o curso como um todo e, depois, o som do “grande final”, quando da sua conclusão.
Como sabe, num curso presencial qualquer, há dia e hora pré-estabelecidos para as aulas. Num curso a distância como este, que se desenvolve em boa
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parte mediado por um ambiente virtual, no caso o Moodle, o esquema é bem mais flexível. As “aulas”, por exemplo, estarão no “ar” ao longo das 24 horas do dia. Portanto, organize-se para estudar no seu melhor tempo e condições. Mas não abra mão de criar um tempo sistemático para isto. Respeite esta decisão. Caso sinta dificuldades em mantê-lo, não hesite – mude-o! Portanto, não abra nenhuma negociação em relação a isto. Defenda a qualidade da sua formação. Você precisa, sim, de tempo para ler e estudar em bases semanais regulares. Não deixe de conversar com as pessoas que estão mais próximas e que terão prazer em poder apoiá-lo nesse investimento seu, tão im-portante para este momento da sua vida e depois. Acredite nisso! Peça ajuda se precisar. Em geral, se olharmos ao redor, tem muito mais gente disposta a nos apoiar do que “puxar o tapete”. Principalmente entre os nossos familiares que estão mais próximos de nós.
Muito ainda poderíamos conversar sobre o fato de o processo ensino-apren-dizagem na EAD estar bem longe de ser uma mera ‘adequação’ de ações ou atitudes já consolidadas no ensino tradicional. Acredito que o aqui dito já é suficiente para que se entenda que, de fato, estudar a distância requer do estudante e dos professores comportamentos diferenciados e persistentes, sendo a autonomia um diferenciador crucial. Quanto mais autônomo você for, mas conseguirá manter-se motivado. E, tão mais cedo descubra o valor de ser uma pessoa aberta e colaborativa, verá o quanto isto pode vir a ser prazeroso para você e os seus colegas.
Pode não parecer, mas é difícil se desenvolver uma atitude autônoma e com-prometida com relação a algo que não se conhece bem. Em relação à EAD a situação não é diferente.
A desinformação sobre o seu significado e práticas traz em seu bojo um fato: uma quantidade grande de estudantes novatos em cursos a distância que sentem, bem lá no “fundo do coração”, certa descrença em relação à qualidade destes. Matriculam-se neles por opção, escolha ou uma determinação pessoal, mas por conveniência, por necessidade de várias ordens e, até, por ausência de opção – seja pela falta de tempo, seja pela não oportunidade de estar em cursos presenciais, como desejariam.
O que ocorre é que, em geral, adultos matriculados em cursos a distância já estão no mercado de trabalho. Assim, para conseguir trabalhar e estudar, é preciso recorrer a essa metodologia. Ao duvidarem da qualidade desses cursos
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sequer percebem que tal descrença revela uma crença: a de que a qualidade da educação só é possível de existir em cursos presenciais. Uma meia verdade, apenas. Sabe por que digo isso? Porque tenho a clareza que a presencialidade de um curso em nada garante a sua qualidade, não é mesmo? Se assim fosse, todos os cursos presenciais no Brasil e no mundo seriam de qualidade. Não é bem isso o que vemos nas avaliações realizadas sobre os resultados do ensino nos diferentes níveis no Brasil e em países outros.
Para aproximar-se mais do que falamos, sugiro que, a partir das suas experi-ências de vida, responda ao seguinte: de tudo o que já estudou “presencial-mente” na vida, desde a educação básica, você diria que todas as discipli-nas que fez foram de qualidade? Até já sei a sua reposta: “Não”! Responda também ao seguinte: o que mesmo contribui para a qualidade de um curso e, em especial, para um curso a distância como o que agora realiza? Do meu ponto de vista entendo que um curso só é de qualidade quando ele consegue:
seduzir, envolver, motivar e comprometer o estudante com a sua aprendizagem. Melhor ainda se o faz interessado na aprendizagem dos demais, como um grupo. Refiro-me, aqui, à aprendizagem significativa. Isto é: que, na perspectiva do estudante, tenha sentido para o seu processo formativo e para a sua vida como um todo.
Veja: se neste curso a distância você procurar manter-se em dia com os seus estudos, refletir e progressivamente, comprometer-se como o seu aprender – em cada disciplina e no curso como um todo – estará vivenciando e participan-do da construção da qualidade participan-do seu curso. Cursos a distância são planejaparticipan-dos para que as pessoas aprendam. Para que se sintam cada vez mais motivadas e descubram que eles devem resultar no crescimento pessoal e, também, profissional. Se isso não ocorre, não podemos dizer que sejam de qualidade, podemos? Há, aqui, pois, um parâmetro para você avaliar a qualidade de seu curso e a do seu empenho e desempenho nele. Seja um observador atento da sua aprendizagem nele.
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Crie as suas estratégias. Leia e pesquise. Descubra como aprender melhor e explore critérios outros que possam aumentar a qualidade do seu curso. Ajude os colegas a fazerem o mesmo.
Uma outra coisa. Se antes era comum perguntar aos estudantes sobre as suas expectativas em relação a um dado curso, na EAD entendemos ser isto um processo de “mão dupla”. Isto é: interessa-nos saber do estudante as suas expectativas em relação a um dado curso, tanto quanto saber que expectati-vas podemos ter em relação à sua participação e colaboração nele. Então, se ainda não pensou, pense nisso agora: o que você pode fazer para que o nosso curso seja ainda de maior qualidade? Esta ação deve ser contínua, ao longo de todo o curso, certo? Na verdade, seria melhor falarmos em atitude. Uma atitude construtiva e colaborativa – com você e com os demais atores desse nosso curso.
Aos estudantes cabe ler, estudar e comprometer-se com o curso. Por ele e pelos outros. Quantos gostariam de estar no seu lugar agora, mas não tiveram esta oportunidade! Então por causa deles, também, você não pode desperdiçar esta oportunidade. Mas o seu comprometimento tem a ver, ainda, com os seus atuais e futuros estudantes. Eles merecem um professor bem formado. Seu compromis-so é, então, com a sua formação, com a dos seus colegas e com a das gerações futuras que estarão representadas nos seus futuros estudantes. É um compro-misso que tem a ver com a sua vida toda – pessoal e profissional. Na EAD não há espaço para estudantes acomodados ou passivos. O mesmo digo em relação a nós, professores. Este nosso curso precisa ser uma experiência que nos seduza, nos motive, nos envolva e nos comprometa. Não tenho dúvidas de que assim será. As disciplinas que estudará são interessantes e foram cuidadosamente pla-nejadas. O curso como um todo será acompanhado de perto pela coordenação, pelos professores e pelos tutores. E, claro, você e todos nós estaremos a postos para que juntos possamos garantir a sua qualidade.
Sugiro que façamos uma revisão do que dialogamos até aqui. Foram muitas as informações. Essa parada poderá ajudá-lo a “pôr as coisas em ordem”, conforme a sua lógica e sentimentos. Será útil, também, para você acompa-nhar o que se seguirá.