Especiação
Introdução
Conceitos de espécie e especiação
A definição de especiação pode ser concebida de diferentes
formas baseado no conceito de espécie adotado:
Sob conceito morfológico
Especiação é uma diferenciação morfológica entre grupos
Sob conceito ecológico
Especiação é uma adaptação a um novo nicho
Sob conceito biológico
Especiação é a evolução de um ou mais mecanismos de isolamento reprodutivo
Sob conceito filogenético
Evolução é a ramificação de uma linhagem (clado) em duas ou mais linhagens distintos (cladogênese)
Introdução
Conceitos de espécie e especiação
Podemos também criar uma definição coesiva de
especiação:
Especiação é a evolução do isolamento de comunidades reprodutivas associada a adaptações novas que criam a coesão das linhagens sustentada por seleção natural.
Introdução
Conceitos de espécie e especiação
Podemos também criar uma definição coesiva de
especiação:
Especiação é a evolução do isolamento de comunidades reprodutivas associada a adaptações novas que criam a coesão das linhagens sustentada por seleção natural.
Introdução
Conceitos de espécie e especiação
Podemos também criar uma definição coesiva de
especiação:
Especiação é a evolução do isolamento de comunidades reprodutivas associada a adaptações novas que criam a coesão das linhagens sustentada por seleção natural.
Como surgem novas espécies?
Isolamento reprodutivo
O evento crucial para a origem de uma nova espécie é o
isolamento reprodutivo.
O ponto-chave:
Entender como o isolamento reprodutivo evoluiu entre duas ou mais populações originais.
O isolamento reprodutivo pode ser gerado por dois tipos de
mecanismos:
Mecanismos pré-zigóticos
Impedem a formação do zigoto Mecanismos pós-zigóticos
Como surgem novas espécies?
Isolamento reprodutivo
Isolamento pré-zigótico (6 modos)
Isolamento ecológico
Os grupos de indivíduos ocupam diferentes nichos ecológicos
Isolamento temporal ou sazonal
Os grupos de indivíduos se acasalam em momentos diferentes Isolamento sexual ou etológico
Os indivíduos de um grupo não reconhecem os indivíduos do outro
Como surgem novas espécies?
Isolamento reprodutivo
Isolamento pré-zigótico
Isolamento mecânico ou físico
Não há compatibilidade dos órgãos copuladores ou polinizadores
entre os indivíduos dos diferentes grupos
Isolamento por polinizadores (angiospermas)
Cada grupo é polinizado por um grupo diferente de polinizadores
Isolamento gamético
Os gametas de um grupo são incompatíveis ou não há atração pelo
Como surgem novas espécies?
Isolamento reprodutivo
Isolamento pós-zigótico (3 modos)
Inviabilidade do híbrido
O zigoto híbrido tem viabilidade reduzida ou é inviável
Esterilidade do híbrido
O zigoto híbrido tem fertilidade reduzida ou é estéril
Erosão do híbrido
O zigoto é viável ou fértil, mas a sua prole (F2) tem viabilidade ou
fertilidade reduzida
Modos de especiação
Os mecanismos gerais pelos quais novas espécies surgem
são chamados de modos de especiação
Os modos de especiação baseiam-se na forma com que as
populações se tornaram isoladas
Especiação alopátrica (por vicariância)
Duas populações de tamanho similar são isoladas por alguma barreira física
Especiação peripátrica
É uma forma alternativa da especiação alopátrica
Duas populações são separadas por uma barreira física, sendo uma delas de tamanho pequeno (efeito fundador)
Modos de especiação
Modos de especiação
Especiação parapátrica
Populações não estão isoladas por uma barreira física, mas não se sobrepõem no espaço devido a um gradiente ambiental (clina). Especiação simpátrica
Populações estão sobrepostas no espaço, mas apresentam nichos diferentes
Com o isolamento das populações e a atuação dos
fatores microevolutivos:
As alterações nas populações se acumulam com o tempo
gerando outros tipos de isolamento (sexual, ecológico, genético).
Este isolamento culmina com a incompatibilidade das populações, gerando novas espécies
Este processo não tem um tempo determinado para ocorrer e dependendo da dinâmica das populações ele pode se desfazer
Tempo + fatores microevolutivos
Base genética da especiação
Seleção natural e isolamento pré-zigótico
Base genética da especiação
Como a seleção de um caráter de alimentação pode
influir no isolamento reprodutivo (pré-zigótico)?
Seleção sexual
Correlação direta entre adaptação ecológica e escolha de machos (mais mais fortes são mais atraentes).
Pleiotropia
Um mesmo gene pode ter efeitos em mais de uma característica fenotípica do organismo.
Efeito carona
Base genética da especiação
Efeitos pleiotrópicos: forma do bico influencia na
Base genética da especiação
Isolamento pós-zigótico
As causas do isolamento pós-zigótico foram propostas
por Muller e
Dobzhansky na
década de 30
Modelo chamado Dodzhansky-Muller (D-M)
Postula que combinações de alelos em loci diferentes
(haplótipos) fixados em populações distintas gera efeitos letais ou de esterilidade quando combinados.
Base genética da especiação
Base genética da especiação
Duplicação gênica e inativação de cópias
Este modelo explica a erosão do híbrido O híbrido não sofre efeitos
Base genética da especiação
Isolamento pós-zigótico (modelo D-M)
Quanto mais locos estão envolvidos, mais possibilidades de
interações (epistasia)
Evidências do modelo surgiram recentemente:
1. Espécies de Drosophila apresentaram problemas com híbridos devido
a interações epistáticas entre múltiplos locos
2. Coevolução parasita-hospedeiro
Haplótipos de genes de resistência em hospedeiro controlam mecanismos específicos contra parasitas de um determinado local.
Estes haplótipos tendem a se fixar nas populações.
Combinações de haplótipos diferentes podem não oferecer resistência adequada.
Base genética da especiação
Teoria do reforço (reinforcement)
Sob esta teoria, cada população original possui alto
fitness para suas combinações de alelos (haplótipos).
Ao se hibridizarem, formam-se combinações de alelos de baixo
fitness.
A seleção favoreceria a prole de cruzamentos preferenciais (caracteres de reconhecimento).
Teoria do reforço
Pontos negativos
Este é um tipo de seleção dependente de freqüência
Se uma população é menor que a outra, suas chances de formar casais iguais é menor
Casos onde o fitness do híbrido é diferente de 0
Se um híbrido é fértil, ele pode se acasalar com outro híbrido misturando os haplótipos
Recombinação
A recombinação dentro do indivíduo tende a misturar os alelos nos haplótipos que estão co-adaptados
Teoria ecológica de isolamento pós-zigotico
Nesta teoria, o funcionamento interno do organismo dos
híbridos é normal
A inferioridade do híbrido depende das condições ambientais
no qual ele está inserido.
Base da especiação x modo
Especiação alopátrica
A teoria de D-M se relaciona apenas ao
modo alopátrico de especiação
Exige que combinações gênicas evoluam em populações separadas para se tornarem incompatíveis juntas.
Mecanismos de isolamento pré-zigóticos estão menos
relacionados à especiação alopátrica
Efeitos pleoitrópicos e carona de genes depende de pressões seletivas de cada ambiente
É muito difícil que as pressões seletivas sejam iguais nas populações isoladas
Teoria do reforço não se aplica à especiação alopátrica Exige que as populações estejam em contato para ocorrer
Base da especiação x modo
Especiação parapátrica
A especiação parapátrica está fortemente ligada a
mecanismos pré-zigóticos de especiação
As populações se adaptam a condições ambientais de cada região
As zonas de tensão se aplicam a teoria do reforço
Zonas de tensão são regiões de encontro das populações em especiação que são seletivamente desvantojosas para os híbridos
Base da especiação x modo
Especiação parapátricaA definição das zonas híbridas (primárias ou secundárias)
definem o modo de especiação
Zonas híbridas primárias
Zonas que surgiram durante a o evento de especiação
Se as zonas são primárias: especiação parapátrica
Zonas híbridas secundárias
Zonas que surgiram do encontro de populações separadas em expansão
Base da especiação x modo
Especiação parapátrica
Exemplo de zonas híbridas: corvos europeus (Corvus)
Espécies se sobrepõem numa faixa do leste europeu, gerando híbridos
Base da especiação x modo
Especiação simpátrica
Na especiação simpátrica, a mola propulsora a seleção disruptiva
Formas variantes apresentam pressões de seleção similares, tendendo a fixar os haplótipos que garantem a manutenção dos tipos variantes
O reforço assume papel importante
Híbridos desvantajosos favorecem o desenvolvimento de mecanismos pré-zigóticos de especiação (seleção de caracteres de reconhecimento)
Exemplo: Rhagoletis pomonella
Naturalmente ovopõem em pilriteiras
Com o avanço da fruticultura nos EUA, elas passaram a ovopor em maças, pêras e cerejas
Base da especiação x modo
Especiação simpátrica
Especiação simpátrica em Rhagoletis pomonella
Elas cruzam e ovopõem sobre a espécie onde nascem Isolamento pré-zigótico
Adaptações à cada hospedeiro
Geração de outros tipos de isolamento Incompatibilidade entre linhagens
Especiação por hibridização
Poliploidia
Híbridos interespecíficos geralmente são estéreis porque
os pares cromossômicos não segregam regularmente na
meiose.
Entretanto ela pode ocorrer por dois mecanismos:
Poliploidia
Cada par de cromossomos em meiose contém dois cromossomos da mesma espécie
Poliplóides só cruzam entre si (isolados reprodutivamente)
Especiação por hibridização
Poliploidia
Especiação por poliploidia no gênero Tragopogon
Especiação por hibridização
Introgressão Introgressão
Alguns híbridos diplóides são parcialmente férteis quando cruzam com indivíduos parentais
Este retrocruzamento é chamado de introgressão
O resultado é uma mistura complexa de genes das espécies parentais