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Soluções exatas para arranjos periódicos de bolhas na célula de hele-shaw

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Academic year: 2021

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(1)i.   U. N. I. D. E. P. V. P. R. E. R. A. S. R. O. T. G. I. D. A. R. A. D. M. A. E. E. M. F. N. A. T. D. E. D. O. E. E. D. P. R. E. Ó. A. F. S. . L. Í. G. S. R. D. I. C. A. E. P. A. E. –. D. U. R. C. A. N. C. Ç. A. E. Ã. M. B. U. C. O. N. O. E. M. F. Í. S. I. C. A. . . p. A. n. t. ô. D. i. e. a. n. c. a. E. r. o. f. .. P. r. o. f. .. B. P. r. o. f. .. A. x. G. i. r. m. v. u. n. a. o. a. n. d. o. r. i. n. é. n. i. a. L. d. o. G. e. r. N. a. c. o. p. a. l. h. r. e. d. b. a. s. i. a. C. n. e. e. d. b. t. o. r. t. í. e. r. e. M. a. s. n. ç. i. a. á. ã. c. a. d. d. ã. c. o. a. l. ç. r. o. p. r. e. o. o. P. e. s. D. P. d. i. o. e. r. t. í. n. t. e. e. r. t. a. s. a. (. I. r. M. c. o. n. n. e. P. i. A. c. r. e. o. l. d. o. s. a. (. C. O. u. r. n. i. e. h. n. t. a. a. (. d. o. D. r. F. . U. . F. U. e. s. ). E. ). ). R. e. c. A. i. f. g. e. o. . s. P. t. o. E. . ,. B. 2. 0. r. 0. a. 8. s. t. c. i. l. l. r. o. o. t. i. P. n. o. E. P. S. o. e. M. P. F. a. a. m. c. e. r. a. a. u. d. i. d. t. b. o. e. a. r. m. l. r. n. p. a. u. e. :. V. o. s. F. o. B. s. i. m. F. P. n. o. r. e. g. r. a. e. o. e. a. o. d. m. v. p. m. m. F. a. F. a. í. r. í. s. t. s. i. d. c. e. e. d. d. i. c. P. a. a. o. .. s. ó. a. s. =. U. r. e. G. r. n. q. u. i. i. a. v. s. d. e. i. r. t. o. u. s. a. i. s. d. p. ç. ã. a. d. a. o. e. r. a.

(2) ii. S. i. l. v. a. ,. A. S. b. P. o. l. e. h. r. n. o. l. a. e. i. r. a. i. r. n. i. a. n. I. 1. C. é. l. u. s. l. d. 3. 2. r. e. e. t. i. c. l. i. n. e. i. l. C. e. c. r. D. .. a. i. o. 2. g. t. r. 2. a. d. e. µ. r. S. r. h. u. l. t. i. d. d. c. a. a. o. n. j. o. s. w. r. T. ). µ. a. ê. p. /. ,. i. .. t. 2. d. s. í. U. ,. n. o. .. .. ). i. p. u. I. o. s. a. .. .. e. A. í. e. f. a. a. l. O. F. w. r. a. 2. 0. e. A. 0. n. 8. r. t. i. ô. ó. d. n. i. i. c. o. o. s. d. M. á. r. e. c. i. o. .. .. s. a. i. r. e. :. i. s. a. (. e. .. f. h. f. e. N. e. H. f. m. d. S. i. l. E. r. a. e. c. i. (. a. µ. D. e. e. p. d. C. g. P. s. a. o. o. o. a. :. ã. i. t. R. C. b. â. H. l. s. ç. .. c. a. u. a. a. r. x. µ. h. o. b. l. .. l. c. i. á. é. a. e. u. M. e. o. u. M. a. v. f. b. .. l. 5. s. c. l. 7. m. o. s. c. i. 6. i. e. a. S. ,. n. õ. n. D. e. ô. ç. s. x. P. t. u. u. 2. l. c. e. .. o. n. i. 0. 0. v. e. r. 8. s. i. d. a. d. e. F. e. d. e. r. a. l. d. e. .. .. i. D. n. â. m. i. c. a. d. e. i. .. F. Q. 2. 0. 0. 8. µ. 0. 4. 9. n. t. e. r. f. a. c. e. s. .. 3. ..

(3) iii.

(4) Dedico este trabalho ` a minha fam´ılia e ` a todos aqueles que considero como sendo parte da mesma..

(5) AGRADECIMENTOS. Agrade¸co `a Deus, `a minha fam´ılia pelo carinho e apoio, ao meu orientador pela paciˆencia e pelo conhecimento transmitido a mim, e aos meus amigos. Agrade¸co ao CNPq pelo apoio financeiro.. v.

(6) RESUMO. Nesta disserta¸c˜ao apresentamos o c´alculo de solu¸c˜oes exatas para o problema do movimento de arranjos duplamente peri´odicos de bolhas em uma c´elula de Hele-Shaw, quando os efeitos de tens˜ao superficial s˜ao desprezados. As solu¸c˜oes obtidas descrevem um conjunto de bolhas que se movem com velocidade constante na dire¸c˜ao do eixo x. No referencial que se move com as bolhas, os centr´oides das mesmas est˜ao localizados ao longo das arestas de um reticulado retangular com c´elula unit´aria de largura 2a e comprimento 2L, podendo haver um n´ umero arbitr´ario N de bolhas por c´elula unit´aria. As solu¸c˜oes descritas neste trabalho representam a fam´ılia mais geral de solu¸c˜oes estacion´arias para bolhas na c´elula de Hele-Shaw conhecida at´e o momento, sendo que todas as solu¸c˜oes exatas obtidas anteriormente, para uma ou mais bolhas, s˜ao casos particulares da solu¸c˜ao geral apresentada aqui. Essa solu¸c˜ao ´e obtida atrav´es do uso de transforma¸c˜oes conformes, calculando-se a transforma¸c˜ao apropriada que mapeia o semi-plano superior do plano complexo auxiliar ζ no dom´ınio ocupado pelo fluido no plano f´ısico (plano z), representando a c´elula unit´aria. Em sua vers˜ao mais geral, as solu¸c˜oes s˜ao v´alidas para uma c´elula de Hele-Shaw infinita, isto ´e, sem fronteiras, mas de particular interesse s˜ao os casos especiais em que temos um conjunto peri´odico de bolhas movendo-se ao longo de um canal. Nesse caso, obt´em-se uma express˜ao anal´ıtica para a velocidade das bolhas em fun¸c˜ao da fra¸c˜ao de volume ocupada pelas mesmas. Palavras-chave Palavras-chave: Mecˆanica dos fluidos; Dinˆamica de interfaces; C´elula de Hele-Shaw.. vi.

(7) ABSTRACT. In this thesis exact solutions for the problem of multiple bubbles in a Hele-Shaw cell are presented for the case when surface tension effects are neglected. The solutions reported here describe a doubly-periodic array of bubbles that move with constant velocity in the x direction. In a reference frame that moves with the bubbles, the bubble centroids are located in a rectangular grid whose unit cell has width 2a and length 2L, and there can be any number N of bubbles per unit cell. The solutions described in the present work represent the most general family of solutions for the steady motion of bubbles in a Hele-Shaw cell in the sense that all previously known solutions for steady bubbles are particular cases of our generic solution. The solution is obtained via conformal mapping techniques, where we compute the appropriate mapping function from the upper halfplane of the auxiliary ζ plane onto the physical domain occupied by the fluid in the unit cell (the z plane). In its most general form, the solution is valid for an infinite Hele-Shaw cell, but of particular interest are the cases where we have a periodic array of bubbles in a Hele-Shaw channel. An analytical expression for the bubble velocity as a function of the volume fraction occupied by the bubbles is also obtained. Keywords Keywords: Fluid mechanics; Interface dynamics; Hele-Shaw cell.. vii.

(8) ´ SUMARIO. Cap´ıtulo 1—Introdu¸c˜ ao. 1. 1.1. Dinˆamica de interfaces . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 1. 1.2. Dinˆamica de interfaces em uma c´elula de Hele-Shaw . . . . . . . . . . . .. 3. Cap´ıtulo 2—Dinˆ amica de uma bolha em uma c´ elula de Hele-Shaw. 6. 2.1. Escoamento de Hele-Shaw . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 6. 2.2. Problema de uma bolha em uma c´elula de Hele-Shaw . . . . . . . . . . .. 9. 2.2.1. Equa¸c˜oes de movimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 9. 2.2.2. O problema rotacionado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 14. 2.2.3. Formula¸c˜ao via transforma¸c˜oes conformes. . . . . . . . . . . . . .. 19. 2.2.4. Solu¸c˜ao geral: Bolha de Taylor-Saffman . . . . . . . . . . . . . . .. 22. 2.2.5. Caso especial da solu¸c˜ao (U = 2V ) . . . . . . . . . . . . . . . . .. 26. Cap´ıtulo 3—M´ ultiplas bolhas em uma c´ elula de Hele-Shaw. 28. 3.1. Solu¸c˜oes peri´odicas no canal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 28. 3.2. Solu¸c˜oes peri´odicas: Formula¸c˜ao geral do problema . . . . . . . . . . . .. 31. 3.2.1. Configura¸c˜ao geom´etrica das solu¸c˜oes . . . . . . . . . . . . . . . .. 31. 3.2.2. Formula¸c˜ao matem´atica do problema . . . . . . . . . . . . . . . .. 33. 3.2.3. O problema rotacionado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 36. 3.2.4. Formula¸c˜ao via transforma¸c˜oes conformes. . . . . . . . . . . . . .. 38. 3.2.5. Caso especial (U=2V) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 41. 3.2.6. Fra¸c˜ao de ocupa¸c˜ao da c´elula como fun¸c˜ao da velocidade das bolhas 42. 3.2.7. Solu¸c˜oes gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 45. Solu¸c˜oes peri´odicas em um canal de Hele-Shaw . . . . . . . . . . . . . . .. 52. 3.3. viii.

(9) ix. ´ SUMARIO. 3.4. Solu¸c˜oes em uma c´elula infinita . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 60. Cap´ıtulo 4—Conclus˜ oes e perspectivas. 62. Apˆ endice A—Transforma¸c˜ ao de Schwarz-Christoffel. 63. Referˆ encias Bibliogr´ aficas. 65.

(10) LISTA DE FIGURAS. 1.1. Forma¸c˜ao de um dedo viscoso em uma c´elula de Hele-Shaw . . . . . . . .. 2. 1.2. C´elula de Hele-Shaw . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 3. 2.1. Perfil parab´olico do campo de velocidade do escoamento . . . . . . . . .. 8. 2.2. Bolha sim´etrica em uma c´elula de Hele-Shaw com a geometria do canal .. 9. 2.3. Escoamento no referencial que se move com a bolha. . . . . . . . . . . . .. 13. 2.4. (a) Dom´ınio simplesmente conexo no plano z; (b)Dom´ınio correspondente no plano W . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 2.5. Problema (a) no referencial do laborat´orio, e (b) no referencial que se move com a bolha. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 2.6. 2.8 2.9. 16. Escoamento rotacionado: (a) Mudan¸ca na dire¸c˜ao da velocidade e (b) escoamento resultante no referencial da bolha. . . . . . . . . . . . . . . .. 2.7. 15. 18. Problema rotacionado (a) no referencial do laborat´orio e (b) no referencial da bolha. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 19. (a) Dom´ınio simplesmente conexo no plano z; (b) Dom´ınio simplesmente ˜.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . conexo no plano W. 20. Geometria do escoamento: (a) no plano z, (b) no plano W , (c) no plano ˜ e (d) na metade superior do plano ζ. . . . . . . . . . . . . . . . . . . W. 21. 2.10 Representa¸c˜oes do (a) escoamento uniforme no plano W e (b) escoamento devido `a fonte e ao sumidouro no plano ζ. . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.1. Solu¸c˜oes peri´odicas no canal: (a) fileira de bolhas, (b) c´elula unit´aria e (c) c´elula unit´aria reduzida. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 3.2. 23. 29. Solu¸c˜oes peri´odicas no canal: (a) colunas de bolhas, (b) c´elula unit´aria e (c) c´elula unit´aria reduzida. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. x. 30.

(11) LISTA DE FIGURAS 3.3. xi. Solu¸c˜oes peri´odicas de bolhas: (a) arranjos de bolhas, (b) c´elula unit´aria e (c) c´elula unit´aria reduzida. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 32. 3.4. C´elula unit´aria reduzida do problema. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 34. 3.5. Problema no referencial das bolhas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 35. 3.6. Dom´ınio simplesmente conexo do escoamento no plano W . . . . . . . . .. 36. 3.7. Problema rotacionado no referencial das bolhas. . . . . . . . . . . . . . . ˜ . . . . . . . . . . . . . . Dom´ınio do escoamento rotacionado no plano W ˜ Dom´ınio do escoamento (a) no plano z, (b) no plano W , (c) no plano W. 37. 3.8 3.9. 37. e (d) no plano ζ. Na figura (d), por economia de espa¸co, identificamos apenas algumas bolhas de canto e bolhas de lado. . . . . . . . . . . . . .. 39. 3.10 Gr´afico ΓU x U para Γ2 = 0.3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 44. 3.11 Comportamento de ΓU para (a) Γ2 = 0.49 e (b) Γ2 = 0.02 . . . . . . . . . ˜ 3.12 Dom´ınios do escoamento (a) no plano z, (b) no plano W , (c) no plano W. 45. e (d) no plano ζ. Novamente, apenas alguns intervalos foram colocados na figura (d) por motivo de espa¸co. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 53. 2 3 3.13 Solu¸c˜ao de Burgess e Tanveer, com ν−1 = ν02 = −ν−1 = −ν03 = −δ = −0.8. e ν12 = −ν22 = −η = −0.6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 54. 2 3.14 Fileira com n´ umero par de bolhas por c´elula unit´aria, com ν−1 = ν02 = 3 = −ν03 = −δ = −0.9, ν12 = −0.87, ν22 = −0.2, ν32 = −0.17 e ν42 = 0.5. −ν−1. 55. 2 3 3.15 Fileira com n´ umero ´ımpar de bolhas por c´elula unit´aria, com ν−1 = −ν−1 =. −ν03 = δ − 0.9, ν02 = −0.6, ν12 = −0.56, ν22 = −.02, ν32 = −0.17 e ν42 = 0.5.. 56. 3.16 Colunas com n´ umero par de bolhas por c´elula unit´aria . . . . . . . . . .. 57. 3.17 Colunas com n´ umero ´ımpar de bolhas por c´elula unit´aria . . . . . . . . .. 58. 3.18 Bolhas em zig-zag, com ν11 = −0.9, ν21 = −0.4, ν13 = 0.2, ν23 = 0.6 e 2 3 ν−1 = ν02 = −ν−1 = −ν03 = −δ = −0.1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 58. 3 2 3.19 Solu¸c˜oes mistas, com ν12 = −ν−1 = −ν03 = δ = −0.8, ν21 = −0.5, ν−1 =. −0.48, ν02 = −0.1, ν12 = −0.08, ν21 = 0.3, ν32 = 0.32 e ν42 = 0.6. . . . . . . .. 59. 3.20 Solu¸c˜oes mistas, com ν11 = −0.97, ν21 = −0.7, ν31 = −0.68, ν41 = −ν42 = 2 −η = −0.3, ν−1 = ν02 = δ1 = −0.25, ν12 = −0.2, ν22 = −0.1, ν32 = −0.08, 3 ν−1 = ν03 = δ2 = 0.34, ν13 = 0.37, ν23 = 0.5, ν33 = 0.53 e ν43 = 0.9. . . . . . .. 60.

(12) xii. LISTA DE FIGURAS 3.21 Solu¸c˜ao para c´elula de Hele-Shaw infinita, com ν11 = −0.9, ν21 = −0.6, 2 3 ν−1 = ν02 = δ1 = −0.5, ν12 = −0.4, ν22 = −0.2, ν−1 = ν03 = δ2 = 0.15,. ν13 = 0, ν23 = 0.3, ν14 = 1.2 e ν24 = 1.8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 60. 1 3.22 Solu¸c˜ao para c´elula de Hele-Shaw infinita, com ν−1 = −1.1, ν11 = −0.9, 2 3 ν21 = −ν23 = −η1 = −0.6, ν−1 = −ν13 = −η2 = −0.5, ν02 = −0.3, ν−1 = 0.1, 4 ν03 = 0.2 e ν−1 = 0.8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 61. A.1 (a) Regi˜ao poligonal no plano z; (b) Dom´ınio correspondente no plano ζ.. 63.

(13) CAP´ITULO 1. ˜ INTRODUC ¸ AO. 1.1. ˆ DINAMICA DE INTERFACES. Nas u ´ ltimas d´ecadas, problemas relacionados `a dinˆamica de interfaces tˆem atra´ıdo consider´avel aten¸c˜ao uma vez que esse tipo de problema encontra aplica¸c˜oes em diversos campos da ciˆencia e da engenharia, em particular, ciˆencia dos materiais, crescimento de cristais, metalurgia, combust˜ao e f´ısica dos fluidos. Como exemplos de problemas de dinˆamica de interfaces podemos citar: forma¸c˜ao de dedos viscosos em uma c´elula de Hele-Shaw quando empurramos um l´ıquido mais viscoso com aux´ılio de um menos viscoso, forma¸c˜ao e crescimento de cristais com formas dendr´ıticas quando inserimos um n´ ucleo s´olido em um l´ıquido super-resfriado, propaga¸c˜ao de chamas em tubos, etc (ver [1]). Nestes exemplos, pode-se observar experimentalmente que certas caracter´ısticas, tais como formas e velocidades bem definidas das interfaces ou velocidade de crescimento bem definida, podem ser manipuladas a partir da varia¸c˜ao de certos parˆametros de controle. Tomemos como exemplo a forma¸c˜ao de dedos viscosos. Quando um fluido viscoso (digamos ´oleo) confinado em uma c´elula de Hele-Shaw (dispositivo que consiste de duas placas paralelas muito pr´oximas uma da outra) ´e empurrado por ar injetado em uma das extremidades da c´elula [figura 1.1], observa-se que a interface planar ar-´oleo que se forma ´e inst´avel. Devido a isso, o ar empurra o ´oleo de modo a formar v´arios “dedos”, dos quais apenas um se desenvolver´a mais que os outros e avan¸car´a com velocidade constante e forma bem definida ao longo da c´elula. Tanto esta quanto as outras observa¸c˜oes experimentais citadas acima fazem parte de uma mesma classe de fenˆomenos, a qual denominamos propaga¸c˜ao de interfaces, e cujas quest˜oes b´asicas s˜ao: o problema da morfologia das interfaces (interface planares ou curvadas, formas n˜ao estacion´arias, etc) como fun¸c˜oes de parˆametros de controle e o problema de velocidades de propaga¸c˜ao ou crescimento em fun¸c˜ao dos mesmos parˆametros de controle. Podemos considerar a propaga¸c˜ao de interfaces como um sistema dinˆamico uma vez 1.

(14) ˆ 1.1 DINAMICA DE INTERFACES. 2. Ar Óleo. Figura 1.1 Forma¸c˜ ao de um dedo viscoso em uma c´elula de Hele-Shaw. que a movimenta¸c˜ao de uma interface corresponde a um problema de fronteira livre, onde devemos determinar a solu¸c˜ao para uma fun¸c˜ao escalar (press˜ao, temperatura, etc) ou um campo vetorial (por exemplo, o campo de velocidade de um fluido), satisfazendo uma equa¸c˜ao diferencial (equa¸c˜ao de Navier-Stokes, de Euler, da difus˜ao, etc) com condi¸c˜oes de contorno na interface. Retornemos ao exemplo de forma¸ca˜o de dedos viscosos: Nesse caso, temos como objetivo determinar a forma da interface do dedo. Uma vez que o dedo avan¸ca no fluido devido a um gradiente de press˜ao, o campo escalar a ser considerado poder´a ser a press˜ao p do ´oleo, a qual satisfaz, como mostraremos adiante, `a equa¸c˜ao de Laplace ∇2 p = 0.. (1.1). As condi¸c˜oes de contorno a serem satisfeitas na interface do dedo viscoso ser˜ao: ˆ a condi¸c˜ao de contorno cinem´atica que diz que a componente normal da veloci-. dade do fluido na interface ´e igual a velocidade de propaga¸c˜ao da interface naquela dire¸c˜ao; ˆ a condi¸c˜ao de contorno dinˆamica que d´a a press˜ao do fluido na interface, a qual ´e. dada por par − p = τ κ,. (1.2). onde p, par s˜ao, respectivamente, as press˜oes do fluido viscoso na interface e do ar dentro do dedo viscoso, τ ´e a tens˜ao superficial entre os fluidos e κ ´e a curvatura da interface em um dado ponto da mesma. Al´em disso, devemos satisfazer `as condi¸c˜oes de contorno nas laterais da c´elula de HeleShaw. Solu¸c˜oes para este problema foram primeiramente obtidas por Saffman e Taylor [2] e publicadas em 1958. Neste trabalho, os autores obtiveram solu¸c˜oes exatas quando a.

(15) ˆ ´ 1.2 DINAMICA DE INTERFACES EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 3. tens˜ao superficial foi desprezada, e estudaram os efeitos de tens˜ao superficial n˜ao-nula na interface dos dedos. Problemas de propaga¸c˜ao de interfaces entre fluidos viscosos na c´elula de Hele-Shaw s˜ao de grande interesse uma vez que eles possuem analogias matem´aticas com outros importantes problemas, tais como o crescimento de cristais dendr´ıticos e solidifica¸c˜ao direcionada. Na pr´oxima se¸c˜ao faremos um breve hist´orico do que j´a foi produzido em rela¸c˜ao a problemas em sistemas de Hele-Shaw. 1.2. ˆ ´ DINAMICA DE INTERFACES EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. Um dos trabalhos mais influentes em Dinˆamica de Fluidos foi escrito pelo inglˆes Henry Selby Hele-Shaw (1854-1941) [3] no final do s´eculo XIX. Nesse trabalho ele descreve sua famosa c´elula, a qual seria utilizada, 50 anos depois, em diversas investiga¸c˜oes cient´ıficas. A c´elula de Hele-Shaw, como mencionado anteriormente, consiste de duas placas planas paralelas de vidro separadas por uma pequena distˆancia b entre elas (figura 1.2). Esse L. W b. Figura 1.2 C´elula de Hele-Shaw. dispositivo ´e utilizado no estudo de escoamentos de fluidos viscosos confinados em geometrias quase bidimensionais. Uma situa¸c˜ao muito importante ocorre quando o escoamento ´e quase-estacion´ario (baixos n´ umeros de Reynolds), pois a equa¸c˜ao de Navier-Stokes reduz-se a uma rela¸c˜ao linear entre a velocidade e o gradiente de press˜ao, similar `a Lei de Darcy para escoamento de fluidos viscosos em meios porosos. Nessa situa¸c˜ao e em face da condi¸c˜ao de incompressibilidade, o campo de press˜ao do escoamento obedece `a equa¸c˜ao de Laplace. Al´em disso, v´arios mecanismos de escoamento, tais como a tens˜ao superficial e for¸cas externas (suc¸c˜ao ou inje¸c˜ao), podem ser considerados no problema. O estudo do movimento de interfaces em c´elulas de Hele-Shaw vem atraindo consideravelmente a aten¸c˜ao de pesquisadores nas u ´ ltimas d´ecadas. Al´em de proporcionar.

(16) ˆ ´ 1.2 DINAMICA DE INTERFACES EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 4. analogias matem´aticas com outros importantes problemas de propaga¸c˜ao de interfaces discutidos na se¸c˜ao anterior, estes problemas s˜ao relativamente f´aceis de serem investigados experimentalmente e matematicamente. Por isso, a c´elula de Hele-Shaw tornou-se o “laborat´orio” de v´arios estudos sobre dinˆamica de interfaces entre fluidos viscosos. Do ponto de vista te´orico, o problema de propaga¸c˜ao de interfaces em c´elulas de HeleShaw ´e particularmente trat´avel quando desprezamos a tens˜ao superficial entre os fluidos. Nesse caso, muitas solu¸c˜oes exatas para escoamentos estacion´arios ou dependentes do tempo foram desenvolvidas. Como vimos, em 1958, Saffman e Taylor obtiveram a solu¸c˜ao estacion´aria para um dedo viscoso. Em seguida, os mesmos autores obtiveram solu¸c˜oes para uma bolha sim´etrica e para um dedo assim´etrico [4] em 1959. Solu¸c˜oes para uma bolha foram mais tarde extendidas por S. Tanveer [5] em 1987 para incluir bolhas n˜aosim´etricas. Solu¸c˜oes exatas para uma fileira peri´odica de bolhas foram desenvolvidas por Burgess e Tanveer [6] em 1991. Solu¸c˜oes exatas para dedos n˜ao-sim´etricos em uma c´elula inclinada em rela¸c˜ao ao eixo longitudinal da mesma foram obtidas por Brener, Levine e Tu [7] em 1991. Uma propriedade de invariˆancia por rota¸c˜ao para escoamentos estacion´arios foi descoberta por Tian e Vasconcelos [8] em 1993. Esta propriedade foi usada por Vasconcelos para obter muitas novas solu¸c˜oes, tais como solu¸c˜oes peri´odicas para m´ ultiplas de bolhas por c´elula unit´aria [9] (as quais s˜ao o ponto de partida para esta disserta¸c˜ao), solu¸c˜oes para m´ ultiplos dedos viscosos [10, 11], para dedos com um n´ umero arbitr´ario de bolhas em seus topos [12], al´em de solu¸c˜oes exatas em termos de integrais el´ıpticas para duas bolhas e para um dedo com uma bolha em seu topo [13], e solu¸c˜oes mais gerais para um n´ umero arbitr´ario de bolhas na c´elula [14]. Solu¸c˜oes dependentes do tempo foram desenvolvidas por Saffman [4] em 1959 e desde ent˜ao muitas solu¸c˜oes na forma dos ent˜ao chamados “p´olos dinˆamicos” foram desenvolvidas. Muitas dessas solu¸c˜oes dependentes do tempo e com tens˜ao superficial nula desenvolvem uma c´ uspide ap´os um tempo finito. Recentemente, Dawson e Mineev-Weinstein [15] e Baker, Siegel e Tanveer [16] estudaram solu¸c˜oes que permanecem regulares para todo o tempo e aproximam-se, assintoticamente, das solu¸c˜oes para m´ ultiplos dedos citadas acima. Solu¸c˜oes auto-similares para dedos viscosos em c´elulas com geometria de cantos foram obtidas por M. Ben Amar [17,18] em 1991. Outras solu¸co˜es exatas dependentes do tempo para escoamentos em uma c´elula de Hele-Shaw infinita na presen¸ca de obst´aculos.

(17) ˆ ´ 1.2 DINAMICA DE INTERFACES EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 5. foram obtidas recentemente por Cummings [19] em 1999, Richardson [20] em 2001 e Vasconcelos [21] em 2007, e foram tamb´em estudadas numericamente por Bogoyavlenskiy e Cotts [22]. Para problemas com tens˜ao superficial n˜ao-nula, torna-se mais dif´ıcil obter solu¸c˜oes exatas para o problema. H´a uma solu¸c˜ao n˜ao-trivial devido a Vasconcelos e Kadanoff [23] publicada em 1991. Devido a esta dificuldade, os efeitos de pequenas quantidades de tens˜ao superficial tˆem sido intensamente estudados em conex˜ao com o chamado problema de sele¸c˜ao, o qual refere-se ao fato de que solu¸c˜oes exatas quando tomamos a tens˜ao superficial nula s˜ao degeneradas no sentido de que parˆametros f´ısicos da solu¸c˜ao n˜ao determinam a velocidade da interface. Este problema foi primeiramente notado por Saffman e Taylor [2] em 1958, onde eles perceberam que dedos viscosos com largura relativa igual a 0.5 s˜ao obtidos para tens˜ao superficial zero. No entanto, este problema passou a ser entendido teoricamente devido a Kessler, Koplik e Levine [24], Pelc´e [1] e Tanveer [25]. Nesta disserta¸c˜ao estamos interessados em obter solu¸co˜es exatas para arranjos peri´odicos estacion´arios de bolhas em uma c´elula de Hele-Shaw quando desprezamos a tens˜ao superficial entre os fluidos. As solu¸c˜oes ser˜ao obtidas via t´ecnicas de mapeamento conforme e com o aux´ılio do teorema de invariˆancia por rota¸c˜ao para escoamentos de Hele-Shaw estacion´arios [8]. Esta disserta¸c˜ao est´a organizada da seguinte maneira: no pr´oximo cap´ıtulo, faremos uma introdu¸c˜ao ao problema de bolhas em uma c´elula de Hele-Shaw, onde consideraremos o caso de uma u ´ nica bolha na ausˆencia de tens˜ao superficial. No cap´ıtulo 3, que representa a parte central desta disserta¸c˜ao, desenvolveremos uma formula¸c˜ao bastante geral para o problema de arranjos peri´odicos de bolhas em uma c´elula de Hele-Shaw, tanto para c´elulas sem fronteiras como para c´elulas com geometria de canal. Essas solu¸c˜oes representam a fam´ılia mais geral de solu¸c˜oes peri´odicas conhecidas at´e o momento. No cap´ıtulo 4 apresentaremos nossas conclus˜oes e algumas perspectivas de poss´ıveis extens˜oes desse trabalho..

(18) CAP´ITULO 2. ˆ ´ DINAMICA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 2.1. ESCOAMENTO DE HELE-SHAW. Nessa se¸c˜ao, obteremos a equa¸c˜ao de movimento que descreve esse escoamento a partir da equa¸c˜ao de Navier-Stokes para fluidos newtonianos incompress´ıveis. Considere o escoamento de um fluido viscoso em uma c´elula de Hele-Shaw. Colocando a c´elula de HeleShaw na horizontal (plano xy) de modo que os efeitos da gravidade sejam desprez´ıveis, a equa¸c˜ao de Navier-Stokes torna-se ρ(. ∂~v ~ v ) = −∇p ~ + µ∇2~v, + ~v · ∇~ ∂t. ~ · ~v = 0, com ∇. (2.1). onde p ´e a press˜ao, ρ ´e a densidade, ~v ´e a velocidade e µ ´e a viscosidade do fluido. Considerando que o escoamento ´e estacion´ario e paralelo a`s placas, ou seja, ∂~v =0 , ∂t. vz = 0,. reduzimos a equa¸c˜ao (2.1) a ∂ ∂p ∂ + vy )vx = − + µ∇2 vx ∂x ∂y ∂x ∂ ∂ ∂p ρ(vx + vy )vy = − + µ∇2 vy ∂x ∂y ∂y ∂p 0= . ∂z. ρ(vx. (2.2) (2.3) (2.4). Se o fluido viscoso escoa muito lentamente (ou seja, escoamento a baix´ıssimo n´ umero de Reynolds), podemos desprezar os termos inerciais em compara¸c˜ao com os termos. 6.

(19) 7. 2.1 ESCOAMENTO DE HELE-SHAW. viscosos nas equa¸c˜oes (2.2) e (2.3), ou seja, podemos fazer ∂ ∂ + vy )vx ≪ µ∇2 vx ∂x ∂y ∂ ∂ ρ(vx + vy )vy ≪ µ∇2 vy . ∂x ∂y ρ(vx. Com isso, obtemos as seguintes equa¸c˜oes ∂p + µ∇2 vx ∂x ∂p 0=− + µ∇2 vy , ∂y 0=−. (2.5) (2.6). as quais representam um escoamento de Stokes em 2 dimens˜oes. Agora, se a distˆancia b entre as placas for muito pequena, vide figura 1.2, as derivadas de vx e vy com respeito a x e y s˜ao desprez´ıveis em compara¸c˜ao com suas derivadas em rela¸c˜ao a z. Logo, ∇2 ≈. ∂2 , ∂z 2. (2.7). e as equa¸c˜oes (2.5) e (2.6) reduzem-se a ∂ 2 vx ∂p =µ 2 ∂x ∂z ∂p ∂ 2 vy =µ 2. ∂y ∂z. (2.8) (2.9). O escoamento deve satisfazer tamb´em a condi¸c˜ao de n˜ao-deslizamento nas placas: vx |z=0,b = vy |z=0,b = 0.. (2.10). Da equa¸c˜ao (2.4) observa-se que a press˜ao independe de z, e portanto (2.8) e (2.9) implicam que vx e vy devem ser polinˆomios de, no m´aximo, grau 2 em z. Resolvendo as equa¸c˜oes (2.8) e (2.9), e aplicando as condi¸c˜oes de contorno (2.10), obtemos vx =. 1 ∂p 2 (z − bz) 2µ ∂x. vy =. 1 ∂p 2 (z − bz). 2µ ∂y. (2.11). Como vemos, a velocidade do fluido possui um perfil parab´olico, o chamado perfil de Poiseuille, como mostra a figura 2.1. Para tornar o problema bidimensional, devemos tomar o valor m´edio das componentes da velocidade ao longo da dire¸c˜ao z transversal `as placas. Sejam, ent˜ao, v¯x e v¯y os valores.

(20) 8. 2.1 ESCOAMENTO DE HELE-SHAW. z z=b. x. z=0. Figura 2.1 Perfil parab´olico do campo de velocidade do escoamento. m´edios de vx e vy ao longo da dire¸c˜ao transversal da c´elula de Hele-Shaw. Como resultado, obtemos 1 v¯x = b. Z. 0. b. b2 ∂p vx dz = − 12µ ∂x. 1 v¯y = b. Z. 0. b. vy dz = −. b2 ∂p , 12µ ∂y. (2.12). onde usamos (2.11). Somando vetorialmente as componentes da velocidade m´edia, obtemos a seguinte express˜ao v¯ = −. b2 ~ ∇p. 12µ. (2.13). A equa¸c˜ao (2.13) ´e conhecida como equa¸c˜ao de Hele-Shaw e ´e similar `a lei de Darcy, que descreve escoamentos atrav´es de meios porosos. Observemos que v¯ e p dependem apenas de x e y, portanto devemos considerar (2.13) uma equa¸c˜ao puramente bidimensional. Ela descreve um escoamento potencial em duas dimens˜oes, onde o potencial de velocidade ´e proporcional `a press˜ao, ou seja ~ v¯ = ∇φ,. (2.14). onde o potencial de velocidade φ ´e dado por φ=−. b2 p(x, y). 12µ. (2.15). ~ · ~v = 0, temos que potencial de velocidade ´e uma Da condi¸c˜ao de incompressibilidade, ∇ fun¸c˜ao harmˆonica, ou seja, ∇2 φ = 0.. (2.16). Al´em disso, o potencial φ deve satisfazer as condi¸c˜oes de contorno espec´ıficas do problema em quest˜ao..

(21) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 9. Nesta disserta¸c˜ao, estamos interessados no problema do movimento de m´ ultiplas bolhas em uma c´elula de Hele-Shaw, particularmente em uma c´elula com geometria de canal. Nesse caso temos condi¸c˜oes de contorno a serem satisfeitas tanto nas paredes laterais do canal quanto na superf´ıcie livre da bolha. Para introduzir fisica e matematicamente o problema de bolhas na c´elula de Hele-Shaw, vamos considerar na pr´oxima se¸c˜ao o caso mais simples de uma u ´ nica bolha em um canal de Hele-Shaw, considerado inicialmente por Saffman e Taylor [4] em 1959. O caso de m´ ultiplas bolhas, tema central dessa disserta¸c˜ao, ser´a discutido no pr´oximo cap´ıtulo. ´ PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 2.2 2.2.1. Equa¸c˜ oes de movimento. Consideremos o problema de uma bolha movendo-se com velocidade constante U = U xˆ em uma c´elula de Hele-Shaw retangular de largura 2a. A c´elula est´a colocada na horizontal (plano xy) de modo que a gravidade n˜ao realiza trabalho sobre o fluido viscoso contido nela. As laterais do canal est˜ao em y = ±a. O fluido viscoso que envolve a bolha se move na dire¸c˜ao x e, muito longe da bolha, escoa com velocidade constante V = V xˆ, com V < U. A bolha se move ao longo da linha central do canal e ´e sim´etrica em rela¸c˜ao `a mesma (figura 2.2). Desprezaremos tanto os efeitos de tens˜ao superficial quanto os efeitos tridimensionais devido `as camadas de fluido entre a bolha e as placas, e o escoamento ser´a quase-estacion´ario. y y=a. D. U. V x. C y=-a Figura 2.2 Bolha sim´etrica em uma c´elula de Hele-Shaw com a geometria do canal. De acordo com a equa¸c˜ao (2.14), a velocidade ~v(x, y, t) do fluido na c´elula de Hele-.

(22) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 10. Shaw ser´a dada por ~ ~v = ∇φ em D,. (2.17). onde o potencial de velocidade φ(x, y, t) ´e dependente do tempo devido `a perturba¸c˜ao causada no fluido pela movimenta¸c˜ao da bolha no canal. Denotemos a interface da bolha por C e a regi˜ao ocupada pelo fluido viscoso (exterior `a bolha) por D. Para definir completamente o problema, especificaremos a seguir as condi¸c˜oes de contorno a serem satisfeitas por φ em C , em y = ±a e em |x| → ∞: A press˜ao p na superf´ıcie da bolha ´e dada por p0 (x, y, t) − p(x, y, t) = τ κ(x, y, t) em C , onde p0 ´e a press˜ao dentro da bolha, τ ´e a tens˜ao superficial e κ ´e a curvatura da bolha. Desprezando os efeitos de tens˜ao superficial (τ = 0), temos que p = p0 . Considerando a viscosidade do fluido (digamos ar) dentro da bolha como desprez´ıvel, temos que a press˜ao p0 dentro da bolha ser´a constante. Logo, temos que a press˜ao do fluido viscoso p ´e constante ao longo da superf´ıcie da bolha e igual a p0 . Por simplicidade, fa¸camos p0 = 0. Logo, obtemos p(x, y, t) = 0 em C. =⇒. φ(x, y, t) = 0 em C .. (2.18). Por outro lado, a bolha ´e uma superf´ıcie material. Portanto, o campo de velocidade ~v do fluido viscoso deve satisfazer `a condi¸c˜ao de contorno cinem´atica: ~v · n ˆ =U ·n ˆ em C , onde n ˆ ´e o vetor normal exterior `a superf´ıcie e U = U xˆ ´e a velocidade da bolha. Essa condi¸c˜ao pode ser escrita como ∂φ =U ·n ˆ em C . ∂n. (2.19). Temos ainda que a componente normal da velocidade do fluido ´e nula nas laterais do.

(23) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 11. canal. Logo, vy =. ∂φ = 0 em y = ±a. ∂y. (2.20). Por fim, consideramos que longe da bolha o escoamento ´e uniforme. Logo, o potencial ser´a dado por (2.21). φ(x, y, t) ≈ V x quando |x| → ∞.. As equa¸c˜oes (2.16),(2.18)–(2.21) especificam completamente o problema de uma bolha movendo-se com velocidade constante em um canal de Hele-Shaw. Uma vez definido o problema, passa a ser conveniente trabalharmos no referencial em que a bolha est´a em repouso. A vantagem de se fazer isso ´e que o escoamento no referencial da bolha ´e estacion´ario. As coordenadas do novo referencial s˜ao dadas por ′. (2.22). φ = φ − Ux .. (2.23). ′. x = x − Ut e y = y, e o novo potencial de velocidade ser´a ′. ′. Em particular, as velocidades transformam-se, ´e claro, segundo uma transforma¸c˜ao de Galileu: ′. ∂φ = vx − U, vx′ = ∂x′ ′ ∂φ ′ vy = ′ = vy . ∂y. (2.24) (2.25) ′. No referencial que se move com a bolha, o comportamento do potencial φ no infinito ser´a ′. ′. φ ≈ (V − U)x. ′. quando |x | → ∞,. (2.26). como podemos verificar facilmente de (2.21) e (2.23). Como no referencial das bolhas o escoamento ´e estacion´ario, ´e conveniente introduzir ′. ′. ′. a fun¸c˜ao de corrente ψ (x , y ) definida por ′. ∂ψ ′ ′ = −vy ∂x. ′. e. ∂ψ ′ ′ = vx . ∂y. (2.27). Comparando as equa¸c˜oes (2.24) e (2.25) com (2.27) vˆe-se imediatamente que a fun¸c˜ao de.

(24) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW ′. 12. ′. corrente ψ e o potencial φ s˜ao fun¸c˜oes harmonicamente conjugadas, isto ´e, satisfazem `as condi¸c˜oes de Cauchy-Riemann: ′. ′. ′. ∂ψ ∂φ ′ = ∂x ∂y ′. ′. ∂φ ∂ψ . ′ = − ∂y ∂x′. e. Vamos agora determinar as condi¸c˜oes de contorno a serem satisfeitas pela fun¸c˜ao de ′. corrente ψ : Como. ′. ∂φ ∂y ′. = 0 em y = ±a, vide (2.20), segue que ′. ′. ′. ∂ψ ∂φ ′ em y = ±a, ′ = − ′ = 0 ∂y ∂x ′. (2.28). ′. que implica que ψ ´e constante em y = ±a. Logo, as laterais do canal s˜ao linhas de corrente. Por outro lado, sabemos da mecˆanica dos fluidos que a diferen¸ca de intensidade entre duas linhas de corrente ´e igual ao fluxo de fluido (vaz˜ao) entre elas, ou seja Z a ′ ′ ′ ′ ′ ′ ψ (y = a) − ψ (y = −a) = vx dy . −a. Uma vez que a vaz˜ao de fluido ´e constante ao longo do canal, usaremos o fato de que ′. vx ≈ V − U longe da bolha. Portanto, obtemos Z a ′ ′ ′ ′ ′ ψ (y = a) − ψ (y = −a) = (V − U)dy = 2a(V − U). −a. Aproveitando a simetria do problema, fa¸camos ent˜ao a seguinte escolha ′. ′. ψ (y = ±a) = ∓a(U − V ),. (2.29). donde segue ainda que ′. ′. ψ (y = 0) = 0.. (2.30). Alternativamente, as condi¸c˜oes de contorno (2.29) e (2.30) poderiam ter sido obtidas mais facilmente se observarmos que no infinito a fun¸c˜ao de corrente deve satisfazer `a condi¸c˜ao ′. ′. ψ ≈ (V − U)y ,. ′. |x | −→ ∞.. (2.31). Assim, fazendo y = ±a seguem imediatamente as rela¸c˜oes (2.29). ′. Como a bolha ´e obviamente fixa no seu referencial, segue que a sua interface tamb´em ´e.

(25) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 13. uma linha de corrente. Em particular, a bolha faz parte da linha de corrente que coincide com o eixo do canal y = 0. Da condi¸c˜ao (2.30) segue ent˜ao que ′. (2.32). ′. ψ = 0 em C .. Observe que no novo referencial, a bolha est´a parada e o fluido escoa no sentido contr´ario ao do escoamento original, isto ´e, da direita para a esquerda, com velocidade no infinito (ou seja, muito longe da bolha) igual a U − V , como mostrado na figura 2.3. De y y=a. U-V. D. x. C y=-a Figura 2.3 Escoamento no referencial que se move com a bolha.. acordo com as equa¸c˜oes (2.18) e (2.23), segue ainda que na superf´ıcie da bolha o potencial ′. φ deve satisfazer a seguinte condi¸c˜ao de contorno: ′. ′. φ = −Ux. (2.33). em C .. Em resumo, temos que o problema formulado acima consiste em obter as fun¸c˜oes ′. ′. harmˆonicas conjugadas φ e ψ satisfazendo `as seguintes condi¸c˜oes de contorno: φ (x , y ) = −Ux. e ψ (x , y ) = 0 em C. (2.34). ′. ′. (2.35). ′. ′. ′. ′. ′. ′. ′. ψ = ∓a(U − V ) em y = ±a ′. ′. φ ≈ (V − U)x. ′. e ψ ≈ (V − U)y. ′. ′. quando |x | → ∞.. (2.36). Daqui por diante trabalharemos apenas no referencial que se move com a bolha e vamos eliminar a nota¸c˜ao linha. O problema de escoamentos potenciais em duas dimens˜oes pode ser tamb´em formulado em termos do potencial complexo W (z) = φ + iψ, onde z = x + iy e as fun¸c˜oes φ e.

(26) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 14. ψ, como mencionado anteriormente, s˜ao harmˆonicas conjugadas. O potencial complexo W (z) deve ser uma fun¸c˜ao anal´ıtica em D e satisfazer `as condi¸c˜oes de contorno apropriadas. Reescrevendo a seguir as condi¸c˜oes de contorno (2.34)–(2.36) na forma do potencial complexo, obtemos W = −Ux. em. Im W = ∓a(U − V ) W ≈ (V − U)z. em. quando. (2.37). C y = ±a. (2.38). |x| → ∞,. (2.39). onde Im (Re) denota a parte imagin´aria (real) da fun¸c˜ao. Em particular, notamos para uso posterior que as componentes de velocidade vx e vy do escoamento podem ser obtidas a partir da derivada de W (z): vx − ivy =. dW (z) , dz. (2.40). como pode ser facilmente verificado. O lado esquerdo da express˜ao anterior ´e conhecido como velocidade complexa e ser´a denotado por v(z) = vx − ivy .. (2.41). Podemos interpretar W (z) como sendo uma transforma¸c˜ao conforme da regi˜ao ocupada pelo fluido viscoso no plano z para um dom´ınio correspondente no plano W . A simetria da bolha ajuda a reduzir a regi˜ao do fluido no plano z a um dom´ınio simplesmente conexo, o qual corresponde `a metade superior do canal ocupada pelo fluido. Como efeito, o dom´ınio correspondente no plano W tamb´em ´e simplesmente conexo. Os respectivos dom´ınios nos planos z e W s˜ao mostrados na figura 2.4. Para encontrarmos uma express˜ao para curva C representando a bolha, precisaremos de um importante resultado o qual discutiremos a seguir. 2.2.2. O problema rotacionado. Nesta se¸c˜ao, demonstraremos o princ´ıpio de invariˆancia sob rota¸c˜ao para interfaces de bolhas em escoamentos estacion´arios de Hele-Shaw descoberto originalmente por Tian e Vasconcelos em [8]. Adotaremos, contudo, o ponto de vista utilizado por Vasconcelos.

(27) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. y A. y. y=-a(U-V). y=a. y=0. F. E. x C. B. D. 15. y=0. x. x. D. C. F. E. f B. A. y=-a(U-V). (a). (b). Figura 2.4 (a) Dom´ınio simplesmente conexo no plano z; (b)Dom´ınio correspondente no plano W.. em [14]. Consideremos o problema de uma bolha movendo-se com velocidade U = U xˆ em uma c´elula de Hele-Shaw infinita (ou seja, sem fronteiras), sendo a velocidade do fluido no infinito dada por V = V xˆ; figura 2.5(a). Como anteriormente, denotemos por C a interface da bolha e D a regi˜ao do fluido exterior a C . Seja W (z) = φ + iψ o potencial complexo do escoamento no referencial que se move com a bolha; figura 2.5(b). Como n˜ao h´a fronteiras, as condi¸c˜oes de contorno para W (z) dadas em (2.37)–(2.39) reduzem-se a W = −Ux em C W ≈ (V − U)z. quando |z| → ∞.. (2.42) (2.43). Ser´a conveniente reformular o problema acima em termos da fun¸c˜ao de Schwarz [26] de C . Para tanto, vamos inicialmente definir a fun¸c˜ao de Schwarz de uma curva. Seja C uma curva dada pela fun¸c˜ao F (x, y) = 0. A fun¸c˜ao de Schwarz de C , denotada por S(z), ´e obtida resolvendo a equa¸c˜ao F(. z + z¯ z − z¯ , ) = 0, 2 2i. para z¯ em fun¸c˜ao de z, ou seja, z¯ = S(z)..

(28) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. y. 16 y. D. D. V. U-V. U x. C. (a). C. x. (b). Figura 2.5 Problema (a) no referencial do laborat´orio, e (b) no referencial que se move com a bolha.. A equa¸c˜ao (2.42) pode agora ser reescrita em termos da fun¸c˜ao de Schwarz. Fazendo x = (z + z¯)/2 = [z + S(z)]/2 em (2.42), obtemos. U W (z) = − [z + S(z)] em C . 2. (2.44). Mas, por continua¸c˜ao anal´ıtica, (2.44) tamb´em ´e v´alida em D. Logo, temos que o potencial complexo W (z) ´e dado por U W (z) = − [z + S(z)] em D. 2. (2.45). Consideremos agora o problema em que a velocidade da bolha gira de um ˆangulo α ˜ ψ˜ ˜ (z) = φ+i enquanto a bolha permanece inalterada, como mostra a figura 2.6(a). Seja W o potencial complexo para esse problema, o qual chamaremos de problema rotacionado. Como a velocidade da bolha nesse caso ´e dada por U = U cos α xˆ + U sin α yˆ, segue que a ˜ (z) sobre C (no referencial que se move com a bolha) passa condi¸c˜ao de contorno para W a ser escrita como ˜ = −Ux cos α − Uy sin α em C . W Reescrevendo (2.46) em termos da fun¸c˜ao de Schwarz, temos que   z + S(z) z − S(z) ˜ W (z) = −U cos α + sin α em C , 2 2i. (2.46). (2.47).

(29) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 17. a qual torna-se   ˜ (z) = − U ze−iα + S(z)eiα W 2. em C ..   ˜ (z) = − U ze−iα + S(z)eiα W 2. em D.. (2.48). Novamente, por continua¸c˜ao anal´ıtica, (2.48) ´e v´alida em D. Logo,. Agora, usando (2.45) para eliminar S(z) em (2.49), temos que    2 U −iα iα ˜ − W (z) − z W (z) = − ze +e 2 U. (2.49). (2.50). e obtemos como express˜ao final ˜ (z) = eiα W (z) + iUz sin α, W. para z ∈ D,. (2.51). ˜ (z) ´e calculado no referencial da bolha. A equa¸c˜ao (2.51) ´e claramente anal´ıtica em onde W D, uma vez que por hip´otese W tamb´em o ´e. Logo, a interface C ´e solu¸c˜ao do problema rotacionado. No referencial da bolha, a velocidade complexa do fluido v˜(z) = v˜x − i˜ vy ser´a dada por v˜(z) =. ˜ (z) dW = eiα v(z) + iU sin α para z ∈ D, dz. (2.52). onde v(z) = vx − ivy ´e a velocidade complexa do fluido no problema n˜ao rotacionado. A velocidade do fluido no infinito para o problema rotacionado ser´a portanto V˜ (z) ≈ eiα (V − U) + iU sin α,. (2.53). onde usamos a condi¸c˜ao de contorno (2.43). Apesar de o problema ser formulado em uma c´elula de Hele-Shaw infinita, a equa¸c˜ao (2.51) permanece v´alida para outros dom´ınios, desde que as solu¸c˜oes nesses casos possam ser estendidas para a c´elula de Hele-Shaw infinita. Por exemplo, as solu¸c˜oes no canal retangular podem ser estendidas para a c´elula infinita atrav´es de sucessivas reflex˜oes em torno das laterais do canal. Neste trabalho, daremos ˆenfase ao caso especial em que α = π/2. Nesse caso, a equa¸c˜ao (2.51) torna-se ˜ (z) = i[W (z) + Uz], W. (2.54).

(30) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. y. 18 y. ~. V. D D. U a. C x. C. x. (a). (b). Figura 2.6 Escoamento rotacionado: (a) Mudan¸ca na dire¸c˜ao da velocidade e (b) escoamento resultante no referencial da bolha.. e a velocidade complexa V˜ (z) do fluido no infinito no referencial da bolha, ser´a V˜ (z) ≈ i(V − U) + iU = iV,. |z| → ∞,. e suas componentes ser˜ao v˜x − i˜ vy = iV =⇒. v˜x = 0 e v˜y = −V,. ou seja, no referencial da bolha, o fluido escoa de cima para baixo, na dire¸c˜ao y, com velocidade V , longe da bolha. Por outro lado, no referencial do laborat´orio a bolha se move com velocidade U de baixo para cima na dire¸c˜ao y, enquanto que, longe da mesma, o fluido se move com velocidade dada por V˜ = U − V na dire¸c˜ao y, tamb´em de baixo para cima. Consideremos o caso de uma bolha no canal mostrado na figura 2.3. Ao rotacionar a velocidade da bolha de 90◦ (mantendo a bolha fixa), geramos o problema ilustrado na figura 2.7(a). De acordo com a equa¸c˜ao (2.54) e as condi¸c˜oes de contorno (2.37)–(2.39), ˜ (z) do problema rotacionado nesse caso est´a sujeito `as seguintes condi¸c˜oes o potencial W de contorno ˜ = ∓aV Re W ˜ = −Uy W ˜ → iV z W. em y = ±a em C. quando. |x| → ∞.. (2.55) (2.56) (2.57).

(31) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. y. y. y=a. D. 19. y=a. U-V. U. V. D x. x. C. C. y=-a. y=-a (a). (b). Figura 2.7 Problema rotacionado (a) no referencial do laborat´orio e (b) no referencial da bolha.. No referencial do laborat´orio [figura 2.7(a)], a bolha se move com velocidade U, de baixo para cima, na dire¸c˜ao y, e a velocidade do fluido viscoso no infinito ´e igual a U − V na dire¸c˜ao y, no mesmo sentido que o da bolha. J´a no referencial da bolha [figura 2.7(b)], o fluido passa a escoar de cima para baixo, com velocidade V longe da bolha. A condi¸c˜ao (2.55) mostra que as laterais do canal agora s˜ao equipotenciais do escoamento no referencial da bolha. Al´em disso, note que, por constru¸c˜ao, a regi˜ao ocupada pelo fluido viscoso no problema rotacionado permanece a mesma. Usando as condi¸c˜oes de contorno (2.55)–(2.57) e as simetrias do problema, obtemos os ˜ , os quais s˜ao mostrados na figura respectivos dom´ınios do escoamento nos planos z e W 2.8. Reescrevendo agora a equa¸c˜ao (2.54) na forma 1 ˜ (z)], z = − [W (z) + iW U. (2.58). ˜ (z) para resolver o problema no plano z. Solu¸c˜oes notamos que basta encontrar W (z) e W ˜ ser˜ao desenvolvidas na pr´oxima subse¸c˜ao. para W e W 2.2.3. Formula¸c˜ ao via transforma¸c˜ oes conformes. Apresentaremos agora uma formula¸c˜ao matem´atica baseada em t´ecnicas de mapeamento conforme, a qual ajudar´a a construir solu¸c˜oes para o nosso problema. Faremos uso da transforma¸c˜ao de Schwarz-Christoffel, onde o interior de uma regi˜ao poligonal (podendo.

(32) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. ~ y. G. y A. 20. F. ~. f=-aV. y=a. G. ~. ~. f=-aV. E D. D X. B. y=0. C. ~ f=0 E. f=0. C. ~ f. x F. A. (a). B. (b). Figura 2.8 (a) Dom´ınio simplesmente conexo no plano z; (b) Dom´ınio simplesmente conexo ˜. no plano W. essa ser degenerada) ser´a mapeado na metade superior de um plano complexo auxiliar ζ. Suponha que z = z(ζ) seja o mapeamento conforme da metade superior (incluindo o eixo real) de um plano ζ para o dom´ınio do fluido no plano z. O eixo real de ζ ´e mapeado sobre as fronteiras da regi˜ao do fluido no plano z, como ´e mostrado nas figuras 2.9(a) e 2.9(d). A imagem de C sobre o eixo real de ζ ´e dada pelo intervalo I , o qual ´e definido por I ≡ (ν1 , ν2 ),. (2.59). onde ν1 e ν2 s˜ao parˆametros livres. Tamb´em definimos o parˆametro γ, com γ ∈ I , tal que ζ = γ ´e a imagem do ponto mais extremo da bolha na dire¸c˜ao transversal ao canal, indicado pelo ponto D na figura 2.9(a). Diferentemente dos parˆametros ν1 e ν2 , γ n˜ao ´e um parˆametro livre, mas ´e determinado pelas condi¸c˜oes de contorno, como veremos adiante. Faremos a escolha de parˆametros de maneira tal que: -1 < ν1 < γ < ν2 < 1. ˜ (z(ζ)) os respectivos mapeamentos da Sejam agora Φ(ζ) = W (z(ζ)) e Σ(ζ) = W metade superior (incluindo o eixo real) do plano ζ sobre os dom´ınios do fluido nos planos ˜ . O eixo real de ζ tamb´em ´e mapeado sobre as fronteiras das regi˜oes do fluido nos W eW ˜ ; ver figuras 2.9(b), 2.9(c) e 2.9(d). planos W e W Segue da equa¸c˜ao (2.58) que z(ζ) pode ser escrita como 1 z(ζ) = − [Φ(ζ) + iΣ(ζ)]. U. (2.60).

(33) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 21. y. y A. y=a. y=0. G. x. F. E. x. D. f. x. B. C. D. G B. E. C. A. F x. y=-a(U-V). (a). (b) ~. y G. F. Im z. ~. ~. f=-aV. D. E C. f=0 ~. f A B. x. -1 A. C. x n1. D. x g. E. x n2. F G. Re z. x. 1. B. (c). (d). ˜ e (d) Figura 2.9 Geometria do escoamento: (a) no plano z, (b) no plano W , (c) no plano W na metade superior do plano ζ..

(34) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 22. Das condi¸c˜oes de contorno (2.37) e (2.56), vemos que as partes imagin´arias de Σ(ζ) e Φ(ζ) s˜ao nulas na superf´ıcie da bolha, e a equa¸c˜ao (2.60) d´a origem `as seguintes equa¸c˜oes param´etricas para a interface da bolha: 1 x(s) = − Re Φ(s) U 1 y(s) = − Re Σ(s), U. (2.61) (2.62). onde s ∈ I . Como j´a foi dito, nosso problema resume-se a encontrar as fun¸c˜oes Φ(ζ) e Σ(ζ). A solu¸c˜ao exata do problema ser´a constru´ıda na pr´oxima subse¸c˜ao. 2.2.4. Solu¸c˜ ao geral: Bolha de Taylor-Saffman. Nesta subse¸c˜ao, apresentaremos as solu¸c˜oes para os mapeamentos Φ(ζ) e Σ(ζ) usando o m´etodo de transforma¸c˜oes conformes, mais especificamente a transforma¸c˜ao de SchwarzChristoffel. Depois, com aux´ılio das equa¸c˜oes (2.61) e (2.62), determinaremos a express˜ao para a interface da bolha. Para encontrar Φ(ζ), vamos proceder de uma maneira mais simples e intuitiva: usemos o fato de que a figura 2.9(b) pode representar um canal com escoamento uniforme no plano W [figura 2.10(a)], cuja vaz˜ao ´e igual a a(U − V ), o qual, no plano ζ [figura 2.9(d)], ser´a transformado em um escoamento devido a uma fonte de intensidade a(U − V ) localizada em ζ = 1 e a um sumidouro de intensidade −a(U − V ) em ζ = −1 [figura 2.10(b)]; ver [27]. Logo, Φ(ζ) dever´a ser a soma dos potenciais da fonte e do sumidouro. Por outro lado, sabemos que o potencial de uma fonte (sumidouro) de intensidade [ou seja, vaz˜ao] Q > 0 (Q < 0) que injeta (suga) fluido uniformemente para todos os lados (ou seja, por um ˆangulo de 2π) e est´a localizada em ζ0 , ´e dado por w(ζ) =. Q ln (ζ − ζ0 ). 2π. No entanto, a fonte no plano ζ injeta fluido por um ˆangulo de π e o sumidouro suga fluido por ˆangulo de π, e portanto os potenciais desses sumidouro e fonte passam a ser dados por w(ζ) =. Q ln (ζ − ζ0 ). π.

(35) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 23. Logo, o potencial Φ(ζ) devido a fonte de vaz˜ao Q = a(U − V ) em ζ0 = 1 e ao sumidouro de vaz˜ao Q = −a(U − V ) em ζ0 = −1 ser´a dado por   ζ −1 a , Φ(ζ) = (U − V ) ln π ζ +1. (2.63). o qual ainda pode ser escrito como Φ(ζ) = −. 2a (U − V ) tanh−1 ζ. π. (2.64). Na equa¸c˜ao (2.64), supomos que Φ(0) = 0; caso contr´ario, deveremos acrescentar `a solu¸c˜ao uma constante aditiva real adequada. O mesmo resultado acima pode ser obtido usando a t´ecnica mostrada a seguir. y F. E. x. D. x. C. B. x. f Im z. A. A. G. x -1. (a). B. x. C. x. x. D. E. F. xG 1. Re z. (b). Figura 2.10 Representa¸c˜ oes do (a) escoamento uniforme no plano W e (b) escoamento devido a` fonte e ao sumidouro no plano ζ.. Usaremos agora a transforma¸c˜ao de Schwarz-Christoffel [28] para encontrar Σ(ζ). A partir das figuras 2.9(c) e 2.9(d), e com o aux´ılio da equa¸ca˜o A.2 (ver Apˆendice A), identificamos: ζ1 = −1 e α1 = 0; ζ2 = ν1 e α2 = π/2; ζ3 = γ e α3 = 2π; ζ4 = ν2 e α4 = π/2; ζ5 = 1 e α5 = 0. Com isso, obtemos Σ(ζ) = K. Z. ζ ζ0. ′. ζ −γ. ′. p dζ , (ζ − 1) (ζ ′ − ν1 )(ζ ′ − ν2 ) ′2. (2.65). onde o ponto ζ0 ser´a escolhido de forma que Σ(ζ0 ) = 0. A constante K ´e determinada pelas condi¸c˜oes de contorno para Σ(ζ). O teorema de mapeamento de Riemann garante que temos 3 graus de liberdade reais para serem usados no problema, dos quais j´a usamos.

(36) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 24. ˜ = ±∞. Com auxilio do terceiro grau de liberdade 2, a saber ζ = ±1 s˜ao mapeados em W poder´ıamos fixar um dos ν’s ou fazer −ν1 = ν2 = ν. No momento, prosseguiremos por enquanto sem fazer uso desse u ´ ltimo grau de liberdade. Desse modo, nosso problema passa a ter ν1 e ν2 como parˆametros livres, embora apenas um deles seja realmente independente (consideraremos U, V e a fixos). Esse parˆametro independente est´a fisicamente relacionado com a ´area da bolha. Dados ν1 e ν2 , poderemos determinar γ e K a partir de condi¸c˜oes de contorno do problema. Para determinar γ, devemos satisfazer a seguinte condi¸c˜ao: (2.66). Σ(ν1 ) = Σ(ν2 ),. como podemos ver na figura 2.9(c), uma vez que a bolha ´e sim´etrica em rela¸c˜ao ao eixo central do canal. Em vista disso, e da equac˜ao (2.65), obtemos a seguinte express˜ao I1 + γI0 = 0 onde Ik =. Z. ν2. ν1. =⇒. γ=−. ζk (1 − ζ 2 )|(ζ − ν1 )(ζ − ν2 )|1/2. I1 I0. (2.67). dζ,. k = 0, 1.. (2.68). Agora, calcularemos a constante K usando o fato de que a parte real de Σ(ζ) salta de −aV quando passamos por ζ = 1 de F para G; ver figuras 2.9(c) e 2.9(d). Assim, da equa¸c˜ao (2.65) podemos escrever que. Usando agora que. K(1 − γ) lim −aV = p 2 (1 − ν1 )(1 − ν2 ) δ→0+ lim+. δ→0. Z. 1+δ. 1−δ. obtemos K=−. i2aV. Z. 1+δ. 1−δ. dζ . (1 − ζ). dζ = −iπ (1 − ζ). p. (1 − ν1 )(1 − ν2 ) . π(1 − γ). (2.69). (2.70). (2.71). Determinamos assim todas as constantes do problema, de modo que dado os parˆametros ν1 e ν2 podemos, em princ´ıpio, usar (2.61), (2.62), (2.64) e (2.65) para obter a forma da bolha. Esse procedimento ser´a repetido para o caso de m´ ultiplas bolhas no pr´oximo cap´ıtulo. No caso do problema de uma bolha acima, podemos usar o terceiro grau de liberdade.

(37) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 25. permitido pelo teorema de Riemann para conseguir uma solu¸c˜ao fechada (anal´ıtica) para o problema. Usando o terceiro grau de liberdade fa¸camos −ν1 = ν2 = ν, uma vez que, pela simetria do problema, a bolha tamb´em ´e sim´etrica em rela¸c˜ao a um eixo perpendicular ao eixo central do canal. Com isso, temos que γ = 0. Logo, a equa¸c˜ao (2.65) pode ser integrada exatamente e nos d´a 2aV tan−1 Σ(ζ) = − π. r. ν2 − ζ 2 , 1 − ν2. (2.72). onde fizemos ζ0 = −ν em (2.65). Das equa¸c˜oes (2.61), (2.62), (2.64) e (2.72), obtemos as seguintes equa¸c˜oes param´etricas para a interface C da bolha 2a (U − V ) tanh−1 s π U r ν 2 − s2 2aV −1 tan , y(s) = πU 1 − ν2 x(s) =. (2.73) (2.74). onde s ∈ I . Eliminando o parˆametro s em (2.73) e (2.74), obtemos a express˜ao r πUy 2a (U − V ) tanh−1 ν 2 − (1 − ν 2 ) tan2 [ ]. x= π U 2aV. (2.75). De (2.74), temos por simetria que y(0) = λ. =⇒. ν = sin. πUλ 2aV. (2.76). onde λ ´e a meia-largura m´axima da bolha. Substituindo a nova express˜ao para ν em (2.75), obtemos 2a (U − V ) x= tanh−1 π U. r. sin2 (. πUλ πUλ πUy ) − cos2 ( ) tan2 ( ). 2aV 2aV 2aV. (2.77). A equa¸c˜ao (2.77) ´e a conhecida f´ormula obtida por Saffman e Taylor [4] em 1959 para uma bolha em uma c´elula de Hele-Shaw. Podemos ainda, ap´os algumas manipula¸c˜oes, reduzi-la a uma forma mais compacta:  πU y  2a (U − V ) −1 cos ( 2aV ) . cosh x= λ π U cos ( πU ) 2aV. (2.78).

(38) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 26. Apenas em casos simples, como de uma bolha ou um dedo viscoso, consegue-se uma solu¸c˜ao fechada para o problema. Em casos mais gerais, como no caso de m´ ultiplas bolhas no qual temos interesse, a solu¸c˜ao fica dada em termos de integrais, como veremos no pr´oximo cap´ıtulo. 2.2.5. Caso especial da solu¸c˜ ao (U = 2V ). As solu¸c˜oes (2.64) e (2.65) apresentam uma interessante propriedade de escala que ser´a mostrada a seguir. Denotemos por ΦU e ΣU os respectivos potenciais Φ e Σ para um dado valor de U. Ent˜ao, a partir das equa¸c˜oes (2.64) e (2.72) obtemos as seguintes rela¸c˜oes:   U − 1 Φ2 (2.79) ΦU = V ΣU = Σ2 ,. (2.80). onde Φ2 e Σ2 representam as solu¸c˜oes para U = 2V . Vemos assim que as solu¸c˜oes com U = 2V podem ser reescaladas para gerar solu¸c˜oes com qualquer U > V . Usando estas propriedades, podemos reescrever a equa¸c˜ao (2.60) da seguinte forma   1 U ( − 1)Φ2 + iΣ2 . zU (ζ) = − U V Segue das equa¸c˜oes (2.61), (2.62), (2.79)e (2.80) que   U −V xU (s) = − Re Φ2 (s) UV 1 yU (s) = − Re Σ2 (s). U. (2.81). (2.82) (2.83). Por outro lado, para U = 2V , segue de (2.82) e (2.83) que 1 Re Φ2 (s) 2V 1 y2 (s) = − Re Σ2 (s). 2V x2 (s) = −. (2.84) (2.85).

(39) ´ 2.2 PROBLEMA DE UMA BOLHA EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. 27. Combinando as equa¸c˜oes (2.82),(2.83),(2.84) e (2.85), obtemos as seguintes rela¸c˜oes:   V xU = 2 1 − x2 (s) (2.86) U 2V yU = y2 (s), (2.87) U as quais ainda podem ser escritas como xU (s) = (1 + ρ)x2 (s). (2.88). yU (s) = (1 − ρ)y2 (s),. (2.89). para s em I , e ρ definido por ρ=1−. 2V . U. (2.90). Portanto, para V < U < 2V ocorre uma redu¸c˜ao no comprimento da bolha ao longo do eixo x e um aumento da largura da bolha ao longo de y. Para U > 2V ocorre o contr´ario. Esta propriedade foi notada primeiramente por Millar [29] em 1992 no contexto da solu¸c˜ao de Taylor e Saffman [2] para uma bolha sim´etrica no canal. Mais tarde, em 1994, Vasconcelos [9] mostrou que esta propriedade continua valendo para o caso de v´arias bolhas no canal em uma c´elula de Hele-Shaw. Essa propriedade continua essencialmente v´alida ainda no caso de arranjos peri´odicos de bolhas, o qual ser´a discutido no pr´oximo cap´ıtulo..

(40) CAP´ITULO 3. ´ ´ MULTIPLAS BOLHAS EM UMA CELULA DE HELE-SHAW. Neste cap´ıtulo, apresentaremos um problema mais geral que aquele mostrado no cap´ıtulo anterior, onde consideraremos arranjos peri´odicos de bolhas movendo-se com velocidade constante em uma c´elula de Hele-Shaw. O problema ´e formulado considerando a tens˜ao superficial desprez´ıvel e as outras considera¸c˜oes simplificadoras utilizadas no cap´ıtulo anterior. Al´em disso, as solu¸c˜oes s˜ao v´alidas, em geral, para uma c´elula de Hele-Shaw infinita. Na pr´oxima se¸c˜ao, a t´ıtulo de introdu¸c˜ao, vamos discutir qualitativamente as solu¸c˜oes obtidas por Vasconcelos [9] para o caso de arranjos peri´odicos de bolhas em um canal. No restante do cap´ıtulo, apresentaremos a solu¸c˜ao mais geral para o problema. 3.1. ˜ ´ SOLUC ¸ OES PERIODICAS NO CANAL. Primeiramente, considere o caso de uma fileira peri´odica de bolhas movendo-se com velocidade U constante ao longo de uma c´elula de Hele-Shaw com geometria retangular [6,9], como mostrado na figura 3.1(a). A fileira de bolhas ´e formada por um grupo de N bolhas sim´etricas em rela¸c˜ao ao centro do canal (eixo x) e contidas em uma c´elula unit´aria de largura 2a que se repete a cada per´ıodo 2L ao longo do canal ; vide figura 3.1(b). Al´em disso, o arranjo ´e sim´etrico em rela¸c˜ao ao eixo transversal (eixo y) da c´elula unit´aria. O escoamento do fluido viscoso no exterior das bolhas ´e caracterizado pela velocidade m´edia V com que o fluido atravessa o canal na dire¸c˜ao x. No referencial das bolhas, a velocidade m´edia do fluido na dire¸c˜ao x ´e, portanto, V − U. Logo, podemos escrever Z a 1 vx dy = V − U. (3.1) 2a −a Note que na ausˆencia de bolhas, ter´ıamos um escoamento uniforme com velocidade V −U ao longo do canal. Nessa formula¸c˜ao, usaremos novamente o fato de que U < V . Na figura 3.1(b) vemos que, devido `a simetria do problema, podemos reduzir a c´elula 28.

(41) ˜ ´ 3.1 SOLUC ¸ OES PERIODICAS NO CANAL. 29. y. a. x. -a 2L. (a). y. y. a. U. U. U. 2a. U x. x 2L. (b). L. (c). Figura 3.1 Solu¸c˜ oes peri´odicas no canal: (a) fileira de bolhas, (b) c´elula unit´aria e (c) c´elula unit´aria reduzida..

(42) ˜ ´ 3.1 SOLUC ¸ OES PERIODICAS NO CANAL. 30. unit´aria a apenas um quarto da mesma [por exemplo, o quarto superior direito, como mostrado na figura 3.1(c)], de modo que o novo dom´ınio seja simplesmente conexo. Como vimos no cap´ıtulo anterior, isso ser´a importante para o tratamento anal´ıtico do problema. Ap´os encontrar a solu¸c˜ao no dom´ınio reduzido, a solu¸ca˜o para a c´elula unit´aria poder´a ser obtida refletindo-se a solu¸c˜ao encontrada em rela¸c˜ao aos eixos x e y. Da mesma forma, a solu¸c˜ao para todo o canal poder´a ser obtida atrav´es de sucessivas reflex˜oes da c´elula unit´aria em rela¸c˜ao `as suas equipotenciais (x = ±nL, n = 1, 3, 5, ...). Al´em disso, podemos expandir essas solu¸c˜oes para uma c´elula infinita simplesmente fazendo sucessivas reflex˜oes do canal em torno das linhas de corrente y = ±na. Um outro problema poss´ıvel da mesma abordagem ´e o caso em que colunas de bolhas sim´etricas em rela¸c˜ao a eixos paralelos ao eixo y movem-se ao longo de um canal de largura a, com velocidade constante U, como mostrado na figura 3.2(a). As colunas de bolhas se repetem a cada per´ıodo 2L na dire¸c˜ao x. A c´elula unit´aria do problema ´e mostrada na figura 3.2(b). Da pr´opria figura 3.2(b), vemos que, tal como no caso anterior, ´e poss´ıvel reduzir o dom´ınio do fluido a um dom´ınio simplesmente conexo [figura 3.2(c)]. Solu¸c˜oes exatas para as duas situa¸c˜oes mostradas nas figuras 3.1 e 3.2 foram obtidas por Vasconcelos [9].. a. y. U. y U. a a U. x. 2L. 2L. (a). (b). x. 0. L (c). Figura 3.2 Solu¸c˜ oes peri´odicas no canal: (a) colunas de bolhas, (b) c´elula unit´aria e (c) c´elula unit´aria reduzida.. Os dois casos discutidos acima nos levam a uma formula¸c˜ao mais geral do problema,.

(43) ˜ ´ ˜ GERAL DO PROBLEMA 3.2 SOLUC ¸ OES PERIODICAS: FORMULAC ¸ AO. 31. a qual ser´a desenvolvida na pr´oxima se¸c˜ao. Como veremos adiante, as duas situa¸c˜oes discutidas qualitativamente nesta se¸c˜ao s˜ao apenas casos particulares da solu¸c˜ao mais geral que apresentaremos a seguir. ˜ ´ ˜ GERAL DO PROBLEMA SOLUC ¸ OES PERIODICAS: FORMULAC ¸ AO. 3.2 3.2.1. Configura¸c˜ ao geom´ etrica das solu¸c˜ oes. Considere um arranjo duplamente peri´odico de bolhas em uma c´elula de Hele-Shaw infinita, como mostrado na figura 3.3(a). As bolhas movem-se com velocidade U constante na dire¸c˜ao x, ao passo que consideramos que a velocidade m´edia do fluido viscoso ´e V = V xˆ. Como mencionado, as solu¸c˜oes s˜ao duplamente peri´odicas, com per´ıodo 2L na dire¸c˜ao x e per´ıodo 2a na dire¸c˜ao y. Al´em disso, consideremos que as bolhas possuem um dos dois tipos de simetria citados na se¸c˜ao anterior: simetria em rela¸c˜ao a eixos longitudinais (eixos paralelos ao eixo x) ou a eixos tranversais (eixos paralelos ao eixo y). A c´elula unit´aria do problema ´e mostrada na figura 3.3(b), e esta, em fun¸c˜ao da simetria do problema, pode ser reduzida a um quarto da mesma; vide figura 3.3(c). Vamos nos referir a esse dom´ınio [figura 3.3(c)] como c´elula unit´aria reduzida. Vamos supor que, n˜ao contando as bolhas de canto, ou seja, as bolhas cujos centr´oides est˜ao posicionados nos v´ertices da c´elula unit´aria reduzida, haja n1 bolhas no lado esquerdo, n2 bolhas no lado de baixo, n3 bolhas no lado direito e n4 bolhas no lado de cima da c´elula unit´aria reduzida; vide figura 3.3(c). Note que, por hip´otese, as bolhas dos lados de cima e de baixo s˜ao sim´etricas em rela¸c˜ao a y = a e y = 0, respectivamente, enquanto que as bolhas dos lados esquerdo e direito possuem simetria de reflex˜ao em rela¸c˜ao aos respectivos eixos x = 0 e x = L. Por sua vez, as bolhas de canto, em compara¸c˜ao `as bolhas ao longo dos lados da c´elula unit´aria reduzida, s˜ao especiais pelo fato de possu´ırem os dois tipos de simetria. Em outras palavras, as bolhas de canto s˜ao sim´etricas por reflex˜ao em torno dos seus centr´oides. Para ajudar na contagem das bolhas de canto, ´e conveniente introduzir vari´aveis indicadoras χj (j =1,...,4.), onde χj =1 se houver bolha no j-´esimo canto e χj =0 caso contr´ario. Al´em disso, enumeraremos as bolhas de canto no sentido anti-hor´ario partindo da bolha de canto superior esquerda. Logo, o n´ umero.

(44) ˜ ´ ˜ GERAL DO PROBLEMA 3.2 SOLUC ¸ OES PERIODICAS: FORMULAC ¸ AO. 32. 2a. 2L. (a) a. y U U U. U. U. U. 2a. U U. U. 2L. (b). U. U. U. 0. U. U. x L. (c). Figura 3.3 Solu¸c˜ oes peri´odicas de bolhas: (a) arranjos de bolhas, (b) c´elula unit´aria e (c) c´elula unit´aria reduzida..

(45) ˜ ´ ˜ GERAL DO PROBLEMA 3.2 SOLUC ¸ OES PERIODICAS: FORMULAC ¸ AO. 33. total N de bolhas na c´elula reduzida ser´a dado por N = Ne + Nc ,. (3.2). onde Ne ´e o n´ umero total de bolhas nos lados da c´elula unit´aria reduzida, Ne =. 4 X. ni ,. (3.3). i=1. ao passo que Nc ´e o n´ umero total de bolhas nos cantos, Nc =. 4 X. χi .. (3.4). i=1. Agora partiremos para a formula¸c˜ao matem´atica do problema, onde definiremos as condi¸c˜oes de contorno a serem satisfeitas pelo potencial complexo W (z) no referencial que se move com as bolhas, uma vez que as solu¸c˜oes encontradas nesse referencial s˜ao estacion´arias. 3.2.2. Formula¸c˜ ao matem´ atica do problema. Considere a c´elula unit´aria reduzida mostrada na figura 3.4. Denotemos por D o dom´ınio do fluido exterior `as bolhas e por Cji , com i = 1,...,4 e j = 0,...,ni , a interface da j-´esima bolha que est´a localizada no i-´esimo lado da regi˜ao, onde j = 0 representa bolha de canto. Ent˜ao, seguindo a regra de enumera¸c˜ao utilizada para bolhas de canto, enumeremos todas as bolhas no sentido anti-hor´ario, partindo da bolha de canto superior esquerda, como mostra a figura abaixo. Ao longo deste cap´ıtulo, vamos seguir a conven¸c˜ao de que o superscrito i designa a aresta (ou canto) ao passo que o subscrito j enumera as bolhas em um dado lado. No referencial que se move com as bolhas, onde o escoamento ´e estacion´ario, o potencial complexo W (z) = φ + iψ deve ser anal´ıtico em D e satisfazer condi¸c˜oes de contorno apropriadas, como discutido a seguir. Como os lados superior y = a e inferior y = 0 da c´elula reduzida s˜ao obviamente linhas de corrente do escoamento, tem-se que Z ψ(y = a) − ψ(y = 0) =. a. vx dy = −a(U − V ) 0.

Referências

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