• Nenhum resultado encontrado

MÔNICA LUIZA SANCHES

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "MÔNICA LUIZA SANCHES"

Copied!
45
0
0

Texto

(1)

[Digite texto]

CURSO DE GRADUAÇÃO EM BACHARELADO EM HISTÓRIA - CBH

MÔNICA LUIZA SANCHES

AS SERVAS DE MARIA REPARADORAS E SUA MISSÃO

EDUCACIONAL NO ACRE NAS DÉCADAS DE 20 E 30

RIO BRANCO –ACRE 2016

(2)

[Digite texto]

AS SERVAS DE MARIA REPARADORAS E SUA MISSÃO

EDUCACIONAL NO ACRE NAS DÉCADAS DE 20 E 30

Monografia de conclusão de curso

apresentada à Banca Examinadora, como exigência parcial para obtenção do título de Bacharel em História da Universidade Federal do Acre – UFAC.

Orientadora: Profa. Dra. Sandra Teresa C. Basílio

RIO BRANCO –ACRE 2016

(3)

[Digite texto]

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central da UFAC

MÔNICA LUIZA SANCHES

S211s Sanches, Mônica Luiza, 1973 -

As Servas de Maria Reparadoras e sua missão educacional no território do Acre nas décadas de 1920 e 1930 / Mônica Luiz Sanches. – 2016.

42 f.; 30 cm.

Monografia (Graduação) – Universidade Federal do Acre, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Curso de Bacharel em História. Rio Branco, 2016.

Inclui referências bibliográficas.

Orientador(a): Prof(a). Dr.(a) Sandra Teresa Cardiolli Basílio.

1. Educação religiosa. 2. Igreja católica – Educação. 3. Missões – Servas de Maria Reparadoras – Acre. I. Título.

CDD: 268.43098112

(4)

[Digite texto]

Monografia apresentada ao Curso de Bacharelado em História da Universidade Federal do Acre, como requisito parcial necessário para obtenção do título de Bacharel em História.

Banca Examinadora:

______________________________________________________ Profa. Dra. Sandra Teresa Cardiolli Basílio (Orientadora)

______________________________________________________ Prof. Dr. Francisco Pinheiro de Assis (Membro Titular)

______________________________________________________ Prof. Me. Armstrong da Silva Santos (Membro Titular)

Conceito: ______________________________________________

(5)

[Digite texto]

DEDICATÓRIA

Dedico à Deus e à minha família esta vitória.

(6)

[Digite texto]

Agradeço primeiramente à Deus, agradeço a minha orientadora profa. Dra. Sandra Teresa Cardiolli Basílio pela força e paciência neste longo caminho e a minha cunhada Williane Sanches que me ajudou na elaboração deste trabalho. Agradeço também aos professores Francisco Pinheiro de Assis, Armstrong Santos e Airton Rocha. E por fim, agradeço a toda minha família por ter acreditado em mim.

(7)

[Digite texto]

Este trabalho apresenta um estudo sobre a trajetória das Servas de Maria Reparadoras no Estado do Acre no Período de 1920-1930, no contexto educacional e social com as dificuldades que se encontravam devido a decadência da borracha. Buscou-se compreender o contexto religioso, social e educacional, o surgimento da educação escolar e religiosa naquela região e como se iniciou o trabalho missionário das Servas de Maria Reparadoras no município de Sena Madureira. No primeiro capítulo buscou-se reconstituir, com base na literatura existente, seu histórico inserido na diversidade cultural e sociopolítica daquele período. No segundo capítulo abordou-se a formação oferecida pelas congregações religiosas vindas da Europa para o Acre. No terceiro capítulo buscou-se analisar o empenho das irmãs missionárias em expandir a educação e a evangelização e instruir um povo carente com seus trabalhos missionários. A presente monografia foi baseada em pesquisas bibliográficas, documentais e no ambiente virtual.

(8)

[Digite texto]

This paper presents a study of the trajectory of Maria Mending Servas in Acre in the period 1920-1930, the educational and social context of the difficulties were due to decay of the rubber. We sought to understand the religious, social and educational context, the emergence of school and religious education in the region and how it started the missionary work of the Servants of Mary of Reparation in the municipality of Sena Madureira. In the first chapter we attempted to reconstruct, based on existing literature, its historical inserted in the cultural and socio-political diversity of that period. In the second chapter we covered the formation offered by religious congregations coming from Europe to Acre. In the third chapter we attempted to analyze the commitment of the missionary sisters in expanding education and evangelization and instruct a needy people with their missionary work. This monograph was based on bibliographic research, documentary and virtual environment.

(9)

[Digite texto]

Ilustração 01: Madre Elisa Andreoli, fundadora da Congregação... 20 Ilustração 02: Madre Elisa e as primeiras missionárias ... 20 Ilustração 03: Irmãs Servas de Maria Reparadoras e jovens limpando terreno para construção do Instituto Imaculada Conceição ... 23 Ilustração 04: Instituto Santa Juliana ... 30 Ilustração 05: O prédio histórico da escola abandonado há mais de 3 anos 33 Ilustração 06: Instituto Santa Juliana em 2009 ... 34 Ilustração 07: Padre Filipe Gallerani ... 34 Ilustração 08: Colégio Divina Providência em construção na década de 20 35 Ilustração 09: Colégio Divina Providência em 2008 ... 36 Ilustração 10: Escola Instituto Imaculada Conceição ... 39

(10)

[Digite texto]

INTRODUÇÃO ... 09

CAPÍTULO I : AS SERVAS DE MARIA REPARADORAS E SUA MISSÃO NO ACRE NAS DÉCADAS DE 20 A 30 ... 10

1.1 – O Ciclo da Borracha ... 12

1.2 – O início da Congregação das Servas de Maria Reparadoras ... 14

1.3 – A trajetória das Servas de Maria Reparadoras no Estado do Acre ... 16

CAPÍTULO II: A ESTRATÉGIA DA MISSÃO EDUCACIONAL COMO POSSIBILIDADE EMANCIPADORA NAQUELE CONTEXTO ... 20

CAPÍTULO III: OS RESULTADOS DA MISSÃO DAS SERVAS DE MARIA REPARADORAS JUNTO AOS FIÉIS ... 29

3.1 – Colégio Santa Juliana ... 29

3.2 – Colégio Divina Providência ... 34

3.3 – Colégio Instituto Imaculada Conceição ... 38

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 40

(11)

[Digite texto]

Introdução

Este trabalho apresenta um estudo sobre a trajetória das irmãs Servas de Maria Reparadoras no período de 1920-1930, no município de Sena Madureira, no estado do Acre.

Tem o intuito de evidenciar a história destas religiosas e relatar a relevância que a Igreja Católica deu, desde o início de sua instalação em território acreano ao aspecto educacional e social para aquela população, extremamente desassistida e desamparada no isolamento da floresta, daí o senso de missão

A trajetória difícil dessas irmãs até chegar ao Acre, principalmente, no município de Sena Madureira e, posteriormente em Rio Branco, para iniciarem seus projetos de construção dos colégios, foi pautada por grandes dificuldades econômicas, usando de muita perseverança e imbuídas de sua missão religiosa conseguiram ir adiante. E neste contexto adverso nos propusemos a reconstruir acompanhar e analisar sua trajetória.

A necessidade de compreender a atuação dessas missionárias é fundamental, pois elas estão ligadas à própria fundação da Igreja Católica no Acre. Mesmo sentido, profundamente relacionados á história da educação acreana.

Assim, o trabalho está organizado em três capítulos: No primeiro, intitulado “As Servas de Maria Reparadoras e sua missão no Acre”, buscou-se reconstituir, com base na literatura existente, seu histórico inserido na diversidade cultural e sociopolítica do sistema de aviamento nas décadas de 1920 e 1930.

No segundo capítulo, “A estratégia da missão educacional como possibilidade emancipadora naquele contexto”, aborda-se a formação oferecida pelas congregações religiosas vindas da Europa para o Acre com o objetivo de contemplar a memória dos sujeitos que de alguma forma vivenciaram esse processo educativo, pensando a escola como um espaço de construção de identidade e um espaço privilegiado de elaboração da memória.

E no terceiro capítulo, “Os Resultados e Significados da Missão das Servas de Maria Reparadoras junto aos fiéis” analisamos o empenho das irmãs missionárias em expandir a evangelização e instruir um povo carente com seus trabalhos tanto educacional e social, como também, pastoral.

(12)

[Digite texto]

CAPITULO I

AS SERVAS DE MARIA REPARADORAS E SUA MISSÃO NO ACRE NAS DÉCADAS DE19 20 A 1930.

Enquanto a Europa vive uma revolução teórica do avanço no campo das ciências em geral, sem maiores repercussões na vida prática da Igreja como instituição e na vida cristã do povo, na Amazônia se vive um ambiente marcado por fatores como: de um lado a decadência de uma estrutura econômica montada sobre as bases da indústria extrativista e à custa do trabalho forçado e da fome de muitas famílias ativas e migrantes da região nordestina do Brasil. Por outro lado, o entusiasmo e o ardor missionários da Ordem dos Servos de Maria que se dirigia para a Amazônia com seu projeto missionário, solicita com urgência a cooperação das Servas de Maria Reparadoras para realizar o projeto, levando a evangelização ao povo protagonista deste cenário.

As missionárias encontraram bastante resistência dos diferentes grupos das populações que habitavam a região Amazônica do Alto Purus e Alto Acre ao modo como elas evangelizavam. Esta resistência mantinha aquelas populações ligadas à própria fé e aos seus rituais religiosos. Era o modo que tinham de alimentar a esperança cristã, a força do espírito e buscar o motivo mais profundo da sua fé para continuar vivendo, apesar de tudo.

A missão na Amazônia teve como primeiro bispo da nova Prelazia o polonês Dom Próspero Gustavo Bernardi. Este, juntamente com seus frades Tiago Matioli, Miguel Lorenzini e Domenico Baggio, desembarcaram, via fluvial, em Sena Madureira, em 11 de agosto de 1920. A recepção ocorreu com a solenidade e honras dignas de um bispo.

CARTA PASTORAL DE DOM PRÓSPERO BERNARDI: Após conhecer a realidade da população existente, Dom Próspero escreveu a primeira carta pastoral solicitando a colaboração das Servas de Maria Reparadoras para alguns serviços específicos a serem prestados à população daquela nascente Prelazia. Nesta carta ficou registrado que o projeto da Igreja Católica para a Amazônia via Prelazia do Acre e Purus, se revestia de uma visão integracionista e colaboracionista.

(13)

1Ad gentes é um decreto do Concílio Vaticano IIsobre a atividade missionária da Igreja. Sobre a carta BASÍLIO escreve que:

Essa carta demonstra que a criação da Prelazia do Acre e Purus materializa o objetivo da Igreja Católica de lançar as suas bases na Amazônia Sul Ocidental, incumbida do propósito de “salvar” a população dessa região do paganismo. De retirá-la do estágio de barbárie elevando-a moral e intelectualmente. A missão universal e salvacionista encontrava-se revestida de um caráter civilizador. (BASILIO, 2001, p.108).

Dom Próspero publicou uma segunda carta pastoral a qual incitou uma cooperação entre a Igreja e o Estado com o propósito de resolver os problemas sociais da região.

Algum tempo depois da chegada do bispo Dom Próspero, também desembarcaram as Servas de Maria Reparadoras, convidadas expressamente pelo bispo, para auxiliarem nos serviços específicos a serem prestados à população.

Inicialmente se ocuparam da educação de crianças e jovens e colaboravam na pastoral paroquial; depois se dedicaram ao cuidado dos doentes. Em 1921, saíram para a missão “ad gentes”1, quando, em resposta ao convite dos Servos de Maria,

Madre M. Elisa enviou cinco irmãs e uma postulante à cidade de Sena Madureira, Estado do Acre, na região amazônica do Brasil.

As Servas de Maria Reparadoras, usando do próprio carisma, participaram da missão evangelizadora da Igreja. Estavam comprometidas a percorrer os caminhos que favorecem os marginalizados, a promover evangelização das diversas culturas, a promover o ecumenismo e o diálogo inter-religioso, contribuindo para anunciar Cristo a todos os povos, nas atividades que melhor expressam a caridade, a solidariedade e o respeito ao próximo.

A missão tinha como êxito a valorização dos sacramentos, ou seja, quanto maior fosse o número de batizados, casamentos, crismas, comunhões, extremas-unções..., maior era o êxito da missão.

(14)

1.1 – O Ciclo da Borracha

Neste tópico, busca-se identificar algumas situaçõesem que se encontrava a população na região Amazônica e as mudanças ocorridas durante a decadênciado ciclo da borracha no estado do Acre.

O período chamado “Ciclo da Borracha” caracteriza “A Idade Ouro” da economia da região, época que vai de 1880 a 1914, aproximadamente. É o tempo das cotações mais altas da borracha brasileira nos mercados internacionais. De acordo com MARTINELLO:

O incremento da povoação das terras do Acre que caracterizou a presença da sociedade nacional nessa região, é parte integrante do desenrolar de um importante fenômeno socioeconômico denominado ciclo da borracha, onde ocorreu a formação de um governo nesta região e um ordenamento social nos moldes da sociedade brasileira. (MARTINELLO, 1986).

A partir de 1920 o Ciclo da Borracha começa a viver um grande declínio e a Empresa Extrativa entra em colapso, ocasionando a quebra da hegemonia dos seringais nativos porque houve entrada abundante da borracha dos seringais do Oriente no mercado internacional, fazendo os preços da borracha despencarem e, o desmantelamento da economia regional, que segundo BOFF:

passa por três unidades da organização do trabalho extrativo as quais funcionam como reguladoras do sistema financeiro da produção. São elas: as Casas Aviadoras, o Sistema de Aviamento e o domínio do Barracão. (BOFF, 1997, p.35-36).

O processo de decadência das Casas Aviadoras começou pelo corte dos abastecimentos e pela suspensão da venda de instrumentos de trabalho. O sistema de Aviamento permite o funcionamento das Casas Aviadoras; produz postos comerciais de resgate da borracha extraída e fornecem aos seringueiros mantimentos e instrumentos de trabalho.

O domínio do Barracão passa pelo poder de vigilância do seringalista e pela circulação da riqueza no seringal, unidade produtiva do ciclo da borracha. O seringal funciona como sede administrativa e comercial, e ainda, como gerador da ideologia; e no Barracão, também aconteciam as celebrações de festas de caráter social e religioso.

(15)

Foi este o cenário que as Servas de Maria Reparadoras encontraram ao chegar à Amazônia do Alto Purus e do Alto Acre, em 1921. Numa realidade conflituosa com decadência e êxodo elas procuraram se inserir com encontros e desencontros com a população.

(16)

1.2 – O início da Congregação das Servas de Maria Reparadoras

A Congregação das Servas de Maria Reparadoras nasceram em 1900, em Vidor (na província de Treviso – Itália), pelo trabalho da Madre Maria Elisa Andreoli, da sua mãe Margarita Ferraretto e outras duas companheiras: Carmela Regonesi e Agnes Vimercati, ansiosas em consagrar-se no contesto religioso e dedicar-se ao serviço dos irmãos, inspiradas,nas narrativas de personagens bíblicos.

A fundadora das Servas de Maria, Madre Elisa Andreoli, nasceu em Agugliaro Vicenza, na Itália, em 10 de julho de 1861. Filha de Marco e de MargheritaFerranetto de Lonigo Vicenza. Ao ser batizada, recebeu o nome de Isabella Amália Ester. Em seguida assumiu o nome de Elisa. A primeira infância foi marcada por tristes acontecimentos familiares. O pai, cuja profissão era de costureiro e de pequeno proprietário, abandonou a mãe e a família.

Abandonada pelo esposo, a mãe de Elisa, Margherita saiu com a filha a procura de melhores condições de vida. Na cidade de Ester, encontrou um abrigo administrado pelas Irmãs da Misericórdia de Verona, onde foram acolhidas. Este abrigo oferecia estudo, rezas, trabalho e brincadeiras, sendo este o local onde Elisa aprendeu a ler, escrever, entre outros afazeres. Em 1878, depois de sair do abrigo, Elisa formou-se como professora e dedicou-se ao “ensino da juventude”.

Elisa iniciou o noviciado em 1882, quatro anos após encontrar as religiosas da Sociedade do Sagrado Coração. Em 1883, fez os votos de religiosa. Permaneceu nesse instituto por oito anos saindo por motivo de saúde. Elisa foi morar com a mãe e não desistiu da vida religiosa, continuou o caminho juntamente a sua mãe, conheceu outras religiosas e foi neste percurso que conheceu a Ordem dos Servos de Maria. Com o tempo, foram agregadas à Ordem passando a viver de acordo com a Regra de Santo Agostinho e também com a constituição adaptada às Servas de Maria, tornando realidade o desejo de serem Servas de Maria.

As regras da Igreja levaram as religiosas a deixar o hábito, como afirma TORRES:

O desejo de ser religiosa reconhecida ia além de serem agregadas da Ordem dos Servos de Maria, porém, devido às regras da própria Igreja, não conseguiram regularizar a situação delas enquanto religiosas e elas foram convidadas a deixar o hábito, passando a ser terciárias seculares dos Servos de Maria, mas mesmo assim, ainda continuaram a servir e a rezar. (TORRES, 2015, p. 30-31).

(17)

Em 1899, Elisa Andreoli, AgneseVimercati, Carmela Regonesi, receberam autorização do Bispo para vestir o hábito das terciárias dos Servos de Maria. Fizeram votos de pobreza, castidade e obediência, passando a ser consideradas irmãs e, essa data, 12 de julho de 1900, passou a ser considerado o dia da fundação da Congregação.

As irmãs seguiram com a nova congregação, mas, na mesma época, a Itália enfrentava uma crise econômica que atingiu também a pequena comunidade religiosa. Foi então que Elisa conheceu a prima da esposa do prefeito da cidade, Elisa Oriani de Ádria, a qual pensou em deixar seus bens como herança à família das religiosas, sendo este o primeiropasso para o desenvolvimento da congregação. O passo seguinte seria lutar pelo reconhecimento jurídico.

Em março de 1903, veio a primeira aprovação canônica, onde foram aprovadas por Dom Antônio Polin Bispo de Ádria. Foi também concedido à pequena comunidade o poder de celebrar a missa, pelo decreto de 09 de abril de 1906.

A congregação foi crescendo e em 1908 recebeu pedidos de abertura de outras casas. Foram abertas casas, escolas, jardim de infância, além de uma escola para cuidar de crianças abandonadas. Abriram sete novas casas em cidades diferentes, mas todas na Itália.

Por volta de 1911, Elisa Andreolli conhece Maria Inglês, que entrou para a congregação como apostulante. Entre Madre Elisa e Maria Inglês, e com o consentimento também do bispo, nasceu uma intensa colaboração: a Reparação Mariana. A partir desse momento tinham uma casa e irmãs prontas para viver essa espiritualidade, como elemento da espiritualidade servitana, com o compromisso de difundi-la entre os leigos e nas paróquias.

As Irmãs da Congregação, em 1913, receberam o nome de Servas de Maria Reparadoras e Maria Ignes tornou-se- uma delas, já com todos os meios para servir à causa de Reparação. Da Ordem Servitana em servir ao Próximo.

(18)

1.3 – A trajetória das Servas de Maria Reparadoras no Estado do Acre

Quando em 1921 Dom Próspero convidou Madre Elisa Andreoli, a fundadora da Congregação, a assumir o compromisso missionário no Acre, houve respostas numerosas e entusiasmadas.

Na vida da Congregação, este acontecimento se revestiu de grande importância, pois demonstrou sua sensibilidade para o serviço missionário, confirmou sua disponibilidade para propostas novas de serviço apostólico e permitiu que a Congregação se abrisse para maiores experiências eclesiais.

A Congregação estava em franca expansão na Itália e surpreendeu o fato da prontidão com que a Madre Elisa colocou a disposição suas religiosas para uma missão recém iniciada. O número das freiras que aceitaram a proposta missionária foi muito grande.

Ao chegarem ao Brasil, depois de viajarem durante meses, as missionárias se dirigiram diretamente para a Amazônia, na região do Alto Purus. Lá tiveram a primeira experiência de encontro com a realidade específica de Sena Madureira através de atividades de caráter interno e organizativo, e atividades apostólicas.

As missionárias se depararam com uma população que já tinha sua organização social, sua cultura e tradição e sua fé religiosa, criando certa resistência aos ensinamentos das irmãs.

As Servas de Maria Reparadoras chegaram à cidade de Sena Madureira trazendo duas cartas: uma do Exmo. Monsenhor Anselmo Rizzi, bispo de Adria, à época, a qual aprovava a passagem das referidas irmãs para aquela Prelazia; a outra da Revma. Madre Superiora Geral, Irmã Elisa Maria Andreoli, confiando as religiosas aos cuidados do Exmo. Monsenhor Próspero Bernardi, Bispo e Prelado daquele território. As irmãs foram recebidas pelo Bispo que assistiu à Santa Missa celebrada para elas, dando sua benção logo depois.

Nas palavras de BOFF, temos:

Recebidas pelo bispo da nova Prelazia, pelo vigário da paróquia de Sena Madureira e pela população, esta última na pessoa da senhora Idalina Távora da Silva, as missionárias foram solicitamente alojadas numa casa pequena com capela anexa e os recursos de que precisavam para montar sua residência. Deste lugar começaram a se programar para entrar em contato com a população. (BOFF, 1997, p. 59).

(19)

A partir de então, a pequena comunidade religiosa começou a se organizar internamente, e em seguida, com a comunidade local, juntamente com o Bispo Prelado, que canonizou a comunidade em Casa Religiosa.

Ao iniciar os trabalhos com a população, as missionárias precisaram compreender o momento histórico da Amazônia, e mais especificamente, o município de Sena Madureira. Ocorria naquele período o processo de decadência com o declínio da borracha. Tiveram que conviver com as dificuldades, principalmente econômicas e se adaptar com a realidade local. As religiosas precisaram trabalhar no preparo da terra e plantio de mandioca para o próprio sustento.

As primeiras atividades realizadas pelas irmãs foram o catecismo e a escola de corte e costura. Na educação, as primeiras atividades foram no colégio Santa Juliana, também em Sena Madureira. Desenvolveram ainda, atividades de caráter social, com as meninas órfãs e meninas abandonadas da região e, ofereciam aos jovens, atividades de artesanato e cultura; bordado para as meninas, canto coral e teatro para meninos e meninas.

As irmãs expandiram a área de atuação e em 1923 assumiram a Santa Casa de Misericórdia, em Rio Branco, com a missão de prestar atendimento técnico no campo da saúde, como enfermeiras, atendendo a população de Rio Branco, Seringais, colônias e arredores.

Fundaram e dirigiram importantes instituições de ensino como o Santa Juliana, em Sena Madureira; o Divina Providência, em Xapuri; o Imaculada Conceição e o Instituto São José, em Rio Branco.

As missionárias expandiram seus trabalhos, também, no município de Xapuri, assumindo os trabalhos no Colégio Divina Providência. Para conseguir o auto sustento elas davam aula de desenho, pintura, costura, prendas e aulas de reforço. Além disso, cuidavam das meninas órfãs em regime de internato e davam aulas particulares nos períodos de férias para as meninas externas. Atuavam como professoras e formadoras nas salas de aula e, fora das salas de aula, promoviam atividades culturais afins.

Percebe-se com a trajetória das Servas de Maria Reparadoras, no Vale do Acre e Purus,o serviço prestado à comunidade nas áreas da educação, saúde e assistência social, destacando a atuação na educação com a direção de quatro institutos: Instituto Santa Juliana, em Sena Madureira; Instituto Divina Providência, em

(20)

Xapuri e Instituto São José e Instituto Imaculada Conceição, em Rio Branco, ainda sob a direção da Congregação.

1.4 – Organização dos Serviços a Igreja Católica

A Igreja sempre desempenhou um importante papel no campo cultural e educacional da sociedade brasileira, principalmente durante os anos 1920-1930 período em que haviam projetos ligados às propostas educacionais. Seus estabelecimentos de ensino podem ser compreendidos como espaços de fomentação e disseminação de certos valores, comportamentos e atitudes que, segundo seus dirigentes, deveriam fundamentar a cultura nacional.

A participação das mulheres nos serviços da Igreja foi bastante significativa. Desempenharam importantes trabalhos nessa organização.Existiam diferentes papéis entre homens e mulheres, bem como diferentes cargos, e os homens ocupavam os principais cargos onde eram tomadas as decisões.

Os serviços que mais se destacaram foram na educação e saúde, porém, este trabalho está mais direcionado para a área educacional que abordaremos no segundo capítulo.

O ponto de partida para oficializar a presença das mulheresna organização da Igreja do Acre e Purus foi a inclusão da congregação das Irmãs Servas de Maria Reparadoras, datando de 21 de novembro de 1921, conforme as regras da Igreja. Nesta data foi instalada uma casa para essas religiosas em Sena Madureira com a intenção de formar as novas irmãs naturais da região.

Havia regras estabelecendo as tarefas dos Padres e das Irmãs escritas em 1929. SegundoKLEIN, destacamos:

As funções públicas nos rituaise direção dos trabalhos eram claramente dos Padres, enquanto os serviços de guarda roupas, lavagem e passagem de ferro nos vestuários cabiam às Irmãs. Em síntese, as Irmãs eram auxiliares nos serviços. Apenas na prestação de serviços havia mais autonomia para as Irmãs. (KLEIN apud LOMBARDI, 1982, p. 75-76).

Nas paróquias, havia espaço para o ensino primário e catecismo, e ainda, serviços de saúde. Os trabalhos de pastoral iniciaram lentamente, tendo com o passar do tempo, a presença dos serviços das mulheres nesta área.

(21)

Há um comprometimento institucional da Igreja com os serviços da educação e saúde, considerando os interesses envolvidos. A tarefa de educar iniciou no Acre no período do ciclo da borracha, com trabalhos voltados para as gerações mais jovens através de serviços organizados especificamente para essa finalidade. “O setor da educação ocupa pessoas, organizações e o Estado para possibilitar a reprodução do saber e da continuidade da sociedade”. KLEIN (2007, p. 91). Percebe-se então que a Igreja se utilizava dessa tarefa para doutrinar a população disseminando suas regras, mantendo a ordem social favorável aos grupos sociais dominantes.

A prestação de serviços implica em diferentes categorias de profissionais envolvidas nos trabalhos e com diferenças no seu pagamento, além de alguns grupos terem privilégios e outros não. KLEIN, afirma que:

Nos espaços das instituições do Estado os acordos entre grupos corporativos e grupos das elites políticas são motivos de sérios problemas na prestação de serviços, tais como: facilitação de permanência no poder de determinados grupos políticos: a oferta de serviços de baixa qualidade pela ausência ou não da aplicação de instrumentos de controle; permanência de pessoas nos serviços pouco ou nem um comprometimento pela qualidade do mesmo. (KLEIN, 2007, P. 92).

Os documentos sobre a prestação de serviços na Prelazia do Acre e Purus foram analisados e constatou-se uma inadequada administração dos serviços. Os problemas envolvem disparidades entre salários, demissões sem justa causa, exploração de trabalhadores, baixos salários, longas jornadas de trabalho, dentre outros.

Para justificar tantas disparidades a administração pública alegou que a economia da sociedade não alcança cobrir os gastos. Outro argumento diz que os gastos são elevados e havia baixa eficácia dos serviços.

E foi nesse contexto que as Irmãs Servas de Maria desenvolveram seu trabalho educacional que deram início ao Colégio Santa Juliana, Colégio Divina Providência e Colégio Imaculada Conceição e Instituto São José.

No próximo capítulo, trataremos com mais detalhes o trabalho das Irmãs no campo educacional, mais especificamente, no município de Sena Madureira.

(22)

CAPITULO II

A ESTRATÉGIA DA MISSÃO EDUCACIONAL COMO POSSIBILIDADE EMANCIPADORA NAQUELE CONTEXTO

As primeiras Irmãs Servas de Maria Reparadoras, da Congregação de Adria, chegadas em Sena Madureira foram: Ir. Maria Constantina Gian, Ir. Mercedes Andreolli, Ir. Margarida Damietto, Ir. Rosário Vettorato, Ir. Ester Bressan, e a noviça Augusta Franceschi, a futura Ir. Peregrina.

Ilustração 01

Madre Elisa Andreoli – Fundadora da Congregação (Fonte: DiocesedeRioBranco.org.br). Acesso em 14/mai/2016.

Ilustração 02

Madre Elisa e as primeiras missionárias

(Fonte: diocesederiobranco.org.br). Acesso em 14/mai/2016.

A chegada das Irmãs às terras acreanas trouxe muitas mudanças na área social, da saúde e educacional. Elas receberam essa missão de ajudar a Prelazia na

(23)

evangelização os fiéis, rumo a uma região que não conheciam carente em vários aspectos e cheia de desafios, para cuidar e instruir a população. A primeira atividade educativa foi a preparação de jovens para a vida religiosa.

Para compreendermos o conjunto de relações que marcaram o dia-a-dia das Servas de Maria Reparadoras e a implementação da educação, buscaram-se as fontes que foram preservadas pela congregação das Irmãs no Centro Histórico em Rio Branco no Acre. Lá foram encontradas múltiplas possibilidades de investigação, crônicas das congregações, fotografias, livros de registros e demais documentos históricos.

Os serviços educativos iniciaram no Acre em meados da década de 1920 quando o Território Federal era organizado em prefeituras departamentais com a finalidade de oferecer as quatro séries iniciais do ensino primário, hoje denominado ensino fundamental I. Havia também iniciativas filantrópicas e particulares para os serviços educacionais. As dificuldades do meio e da população, a precariedade dos serviços e a dispersão populacional limitavao alcance de um resultado satisfatório. Foi essa a realidade com que as Servas de Maria se depararam ao chegar ao Acre. Elas dedicaram seus esforços quase exclusivamente à educação da juventude acreana e à saúde.Nas palavras de Klein, temos:

Apesar de alguns investimentos públicos na educação os resultados alcançados pelos mesmos foram limitados pela pobreza da população, precariedade dos serviços e dispersão populacional. Também havia iniciativas filantrópicas e particulares para os serviços, porém a educação primária foi assumida pelas Prefeituras Departamentais ainda na década de 1910.(...) (KLEIN, 2007, p. 93-94).

Os esforços dispensados à educação dos mais jovens, com implementação de políticas para essa finalidade, verbas específicas para a educação, tudo isso era insuficiente, não supria as necessidades. Os professores eram imigrantes do Nordeste do Brasil e aqueles que tinham maior escolaridade exerciam o magistério.

O bispo prelado por meio de decreto determinou que as Servas de Maria Reparadoras fossem aceitas, constituindo-as canonicamente em Casa Religiosa, declarando ainda Casa de Noviciado. O texto do decreto deixa claro que a vida consagrada está sob a tutela eclesiástica e, nesse contexto, até a vida interna das missionárias deveria ser programada e decidida com a autoridade do bispo, como citaBoff (1997, p.60):

(24)

Usando das nossas faculdades ordinárias, aceitamos as Servas de Maria Reparadoras constituindo-as canonicamente em Casa Religiosa, que declaramos ainda Casa de Noviciado, sob a nossa imediata Jurisdição e dos Nossos Sucessores. Confirmamos, por quanto nos compete, as Constituições do Instituto, ordenando, em virtude de santa obediência, a todos e a cada um dos membros presentes e futuros desta Casa Religiosa, a exata observância.Senna Madureira, na Festa da Apresentação de Maria SS.ma ao Tempo, 21 de novembro 1921. Monsenhor Próspero Gustavo Bernandi OSM, Bispo Prelado (Cronacadella Casa religiosa).

A iniciativa de instruir aquele povo estava envolvida com os princípios católicos que se manifestavam contra qualquer tentativa de emancipação feminina.

Na comunidade de Sena Madureira, três irmãs italianas moravam em um colégio de dois andares, sendo o primeiro em alvenaria e o segundo de madeira. Neste colégio havia muitas meninas internas órfãs e abandonadas e muitos alunos externos desde o jardim de infância até a quarta série do ensino. Havia muito trabalho e a quantidade de irmãs responsáveis não era suficiente. Foi com a ajuda das meninas internas mais grandinhas e de alguma professora externa que tudo funcionou regularmente, além da caridade e compreensão que imperava naquele meio.

O Colégio era um compromisso que as irmãs tinham assumido para dar assistência e colaborar na manutenção das meninas órfãs que chegavam dos seringais. Mas nem tudo saiu como o planejado. O governo do Acre não cumpriu a sua promessa de subvenção e as irmãs começaram a passar necessidade para poder manter os trabalhos iniciados. Tiveram que trabalhar na roça para suprir as necessidades alimentícias das meninas.

O processo de constituição dos trabalhos das Servas de Maria em terras acreanas não foi laureado por êxitos desde seu início. Muito pelo contrário, exigiu sacrifícios e abnegação por parte das religiosas. Ao chegarem a Sena Madureira causaram enorme pena na cidade, de população pobre, embora todos procurassem ajudar com o que tinham. E para maior azar, o governo do Acre, alegando falta de recursos, não cumpriu a sua promessa de subvenção. Elas não esmoreceram. Fizeram hortas. Plantaram roçados. Criaram galinhas. E não passaram fome. As mãos acostumadas a bordar e a tecer estavam calejadas pelo cabo da enxada.(...)(www.diocesederiobranco.org.br Acesso em 26 de maio de 2016).

As Irmãs recorreram ao setor público solicitando ajuda de custo para sustento e educação das órfãs e das abandonadas que chegavam. Isso resultou em desentendimentos como Superintendente da cidade de Sena Madureira e a suspensão dos benefícios prometidos para a sustentação e formação destas meninas.

(25)

As Servas de Maria caminhavam quilômetros para chegar até a terra que haviam ganhado e, com a ajuda das meninas órfãs e outras pessoas que se solidarizavam com seus trabalhos, preparavam a terra e plantavam o roçado. Todo o esforço para garantir o sustento e para a manutenção dos trabalhos de assistência e educação.

Ilustração 03

Irmãs Servas de Maria Reparadoras e jovens limpam terreno para a construção do Instituto Imaculada Conceição (Fonte: notícias do Acre). Acesso em 25/mai/2016.

As atividades da primeira comunidade missionária tinham como objetivo a educação, o incentivo à prática religiosa devocional e a organização e execução de programas assistenciais e promocionais. BOFF classifica essas atividades como: atividades de caráter doutrinário, atividades de caráter devocional e atividades de caráter social, sobretudo assistênciae promoção.BOFF (1997, p. 60).

Para melhor entendermos o contexto em que vivia a Igreja de Sena Madureira, usaremos a citação de Boff sobre o texto da reunião de Prelados a que Dom Prospero em Manaus, junto com os Bispos, chegaram a algumas conclusões dentre as quais o ensino do catecismo. O texto diz o seguinte:

Ano de 1923. Reunião de Prelados em Manaos. Para haver uniformidade no exercício do sagrado ministério, os Prelados do Amazonas e do Acre uniram-se em Manaus, onde, em data de 14 de agosto deste ano formularam as seguintes conclusões: 1. Seguir o catecismo de Pio X no ensinamento da doutrina cristan. 2. Formar bolsas de estudos para os moços pobre, que querem ser padres. 3. Negar o casamento a quem estiver casado com outra

(26)

no civil. Para realizar tais casamentos será necessário a autorização do Bispo. 4. Proibir jogos de dinheiro na ocasião de festas religiosas, ainda que uma parte dos lucros seja em benefício da Igreja. (BOFF apud Livro do Tombo de Senna, f. 5a.).

Os serviços iniciados em Sena Madureira, um tanto assistencialista, procuravam ajudar os mais pobres por meio de bolsas de estudo, incentivando a educação e a formação da juventude. A “Bolsa de Estudo dos Moços Pobres”, citada no texto que fala sobre a reunião do Prelado em Manaus, foi iniciada em Sena Madureira em maio de 1930. O novo Administrador Apostólico mudou o rumo da referida Bolsa em 1941 passando a chamar-se “Bolsa de Estudo Santa Terezinha”.

As primeiras atividades das missionárias em Sena Madureira concentravam-seem parte, na catequese escolar dirigida às crianças e adultos que se preparavam para a primeira eucaristia, mantendo relação com a família e a vida de oração dos fiéis na paróquia. Este tipo de ensino do catecismo dava instruções sobre determinados assuntos da fé cristã num viés predominantemente conservador.

Foi no inicio do período de 1921 que se fundou o maior número de escolas e as ideias sobre a educação feminina começaram a ganhar importância, mas ao mesmo tempo, a ocupação da mulher continuava a ser o espaço privado do lar.

O projeto escolar teve seu início em 1922, ano seguinte à chegada das missionárias. Começou a funcionar num local improvisado e se tratava de escola elementar para as meninas. Com a migração nordestina, pode-se contar com considerável número de professores e professoras que de lá vinham. Pessoas melhor preparadas nos estudos, com maior escolaridade, eram consideradas muito importantes para a educação. Até mesmo um padre deixou a sua atividade de sacerdote para dedicar-se ao ensino. “... o Padre Benedito de Araújo Lima que deixou sua atividade de sacerdote em Xapuri para dedicar-se à educação em escolas da mesma cidade...”. (KLEIN, 2007, p. 94).

O projeto inicial do bispo Prelado era educar as meninas da cidade de Sena Madureira, porém, com o grande número de meninas órfãs e abandonadas, a prioridade foi ampliada como objetivo de atenderem às necessidades emergentes daquela população. “No início as missionárias realizavam esta atividade sem uma organização precisa. Logo, porém, sentiram necessidade de tomar providências a respeito. “ BOFF (1997, p. 85).

(27)

As primeiras atividades realizadas pelas missionárias no município de Sena Madureira foram o catecismo e a escola de corte e costura. Na educação, as primeiras atividades foram no colégio Santa Juliana.

A atividade das Irmãs compreendia, além do ensino, o trabalho pastoral da paróquia e as atividades extraescolares para a formação integral dos adolescentes que frequentavam sua escola.

O objetivo da educação não restringia-se apenas aos conteúdos didáticos, mas apoiava-se numa proposta cujas diretrizes eram, principalmente, formar alunas para ocupar o devido lugar na sociedade e desempenhar adequadamente o seu papel de acordo com a visão da Igreja.

O curso normal tinha um caráter eminentemente profissional. O quadro das disciplinas do ensino primário estava ligado à formação profissional, mais especificamente, das meninas. Os livros adotados pelo curso normal da época estavam impregnados do catolicismo de Roma e foi seguindo essa linha que as normalistas foram educadas.

No colégio, as instruções dadas pelas Irmãs eram o ensino da leitura e escrita, aritmética, geografia, geometria, canto, teatro, piano, bandolim e até datilografia e trabalhos como costura, bordado, desenho e pintura.

Na área do artesanato e cultura as meninas aprendiam bordado (prendas) e eram avaliadas através de trabalhos feitos durante o ano, de um exame ao final de cada ano na presença de professores e da classificação daquelas que se destacavam na aplicação de boas condutas.

Ogrupo do canto coral teve sua primeira apresentação na inauguração da pequena capela de Nossa Senhora de Nazaré. A partir daí, o grupo de alunos passou a se apresentar em festas de caráter religioso, cívico e social. A apresentação acontecia em latim, italiano e português exigindo das missionárias dedicação, paciência e tempo.

O teatro infanto-juvenil era uma atividade voltada também para os meninos. Além de educativo representava uma diversão sadia e muito apreciada pela população da cidade. A programação das apresentações eradivulgada em jornais e folhas especiais. Segundo TORRES:

“As principais peças apresentadas pelo grupo foram: A vocação de São Luiz

(28)

por representações mais simples e rápidas, com números musicais da banda cívica que executavam composições polifônicas”. (TORRES, 2015, p. 39)

As apresentações de teatro, juntamente com declarações de poesias clássicas, apresentações de diálogos, partituras musicais tocadas ao piano por alunas e alunos aprendizes eram exibidas no encerramento do ano letivo.

As missionárias e a Igreja Católica controlavam a leitura das meninas prescrevendo bibliografias sob o argumento da necessidade de preservá-las moralmente e mantê-las ao abrigo dos desvios de conduta que certas leituras poderiam ocasionar. A preocupação das Irmãs missionárias com o que as meninas e moças liam era para não desviá-las de um modelo feminino de meninas e moças bondosas, castas, puras, discretas e educadas com capacidade de sacrifícios e renúncias. Tudo aquilo que contrariava esses princípios era apagado com borracha, segundo pesquisa em documentos do Colégio Santa Juliana.

A atividade das Irmãs e professores não ocorria somente com as lições do dia a dia. Eram intensas as atividades voltadas para a formação artística das jovens. Qualquer ocasião como formaturas, festas, etc., era aproveitada para fazer as apresentações de recitações, peças de teatro, dentre outras.

O canto orfeônico e a música constituíam matéria de currículo. Era cultivado o folclore: arraial de São João, Pastorinha de Natal, Procissão de São Sebastião, etc. As professoras que frequentam os Institutos das Irmãs, ainda hoje, atingem suas aspirações, nas iniciativas daqueles anos. (STOPPIGLIA, 1981, p. 29).

E até hoje, décadas depois, ainda acontecem comemorações como os arraiais nas escolas. Herança deixada pelas Servas de Maria que faz parte da cultura do Estado do Acre.

É importante salientar que as preocupações com o vestuário e com os adornos que pudessem evidenciar a figura da mulher causavam preocupação, tornando rigoroso o uso de uniforme escolar impossibilitando mostrar partes detalhadas do corpo feminino.

A abertura do Colégio Santa Juliana representou uma boa opção às famílias que apresentavam melhores condições de vida, pois, deixaram de mandar suas filhas para estudar nos colégios de Belém e Manaus, para tê-las mais próximas estudando no Colégio Santa Juliana.

(29)

Por um lado, o ensino era dirigido às meninas carentes, situação esta que desafiava a justiça social e a ação humanitária de qualquer pessoa. Por outro lado, o ensino das mesmas Irmãs era dirigido às filhas dos seringalistas que dispunham de bons recursos econômicos para garantir melhor qualidade de vida no colégio e acesso ao estudo pago. “ (BOFF, 1997, p. 85).

Além do Colégio Santa Juliana em Sena Madureira, foram criados o Colégio Divina Providência em Xapuri e o Colégio Imaculada Conceição em Rio Branco como resultado exitoso do árduo trabalho das Irmãs Servas de Maria Reparadoras.

O Colégio Santa Juliana teve sua abertura por ocasião das comemorações do centenário da Independência em 1922, no primeiro local cedido, pelo doutor João Virgolino de Alencar, onde as Servas de Maria Reparadoras começaram a ensinar. Seu nome original era Colégio Santa Juliana Falconiere. A educação inicial oferecida era preparar as moças para as prendas domésticas.

Em 07 de setembro de 1922 foi Fundado o Colégio Santa Juliana Falconiere de Sena Madureira em instalações muito modestas onde a educação oferecida era preparar as moças para as prendas domésticas. Entre 1923 a 1926 o governador territorial José Cunha Vasconcelos foi um importante incentivador do Colégio Santa Juliana. (KLEIN, 2007, p. 96).

Em Xapuri foi aberto o Colégio Divina Providência, em 1927, em um prédio doado, sob a responsabilidade de duas Irmãs Servas de Maria. A educação inicial também era preparar as moças para as prendas domésticas. O incentivador da educação em Xapuri foi o Padre Felipe Galerano.

Na região de Xapuri houve um novo momento de participação da Igreja na educação na década de 1920 com o Padre Felipe Galerano incentivando esse serviço desde 1921, quando os Padres Servos de Maria assumiram a Paróquia Local. Em 1927 a paróquia local recebeu a doação de um prédio e duas Irmãs Servas de Maria Reparadoras foram encarregadas de abrir o Colégio Divina Providência. As irmãs, auxiliadas por outras professoras, iniciaram as aulas de prendas domésticas. (...) (KLEIN, 2007, p. 98).

O Colégio Imaculada Conceição em Rio Branco passou por dificuldades e por um longo período de paralização por falta de pessoal. Sua Criação foi em 1926pelo Padre José Albarelli, porém não funcionava efetivamente.

Mesmo com todas as dificuldades, sem estrutura física e pessoal, os colégios começaram a funcionar levando educação com atividades e diversão aquelas pessoas, até então, desconhecedores daqueles tipos de instruções. O trabalhodas

(30)

missionárias, o esforço, dedicação, carinho e amor pelo que faz, rendeu resultados positivos e atravessou gerações.

(31)

CAPITULO III

OS RESULTADOS DA MISSÃO DAS SERVAS DE MARIA REPARADORAS JUNTO AOS FIÉIS

O trabalho assistencialista, social e educacional desenvolvido pelas Servas de Maria teve grande repercussão, principalmente na área educacional, o que levou o Bispo Dom Próspero a ver a necessidade de fundar uma escola. O primeiro resultado foi o Colégio Santa Juliana Falconiere, fundado em 1922, no município de Sena Madureira, o mais desenvolvido a época.

Em meio a muitas dificuldades, em 1926 foi criado o Colégio Imaculada Conceição em Rio Branco. Os problemas econômicos, acordos não cumpridos do governo comprometeram o funcionamento do colégio, o qual passou um período com as atividades paralisadas, chegando até a fechar suas portas por um tempo. O ano de 1954 é considerado como início do Colégio Imaculada Conceição.

O Colégio Divina Providência foi aberto em 1927 no município de Xapuri, e depois de pouco mais que uma década passou a oferecer ensino formal.

A carência de recursos materiais e econômicos dificultou bastante o inicio das atividades educativas repercutindo até sobre a alimentação das Irmãs que estavam numa terra alheia onde a obtenção de alimentos tinha suas dificuldades. Considerando os recursos humanos, poucas Irmãs tinham formação profissional, havia limites na formação das Servas de Maria para as tarefas educativas e não atendiam as demandas dos serviços educativos.

3.1 – Colégio Santa Juliana

Por ocasião das comemorações do centenário da Independência (1922), foi feita a abertura do Colégio Santa Juliana, no primeiro local cedido, onde as Irmãs Servas de Maria começaram a ensinar.

Antes deste evento, no fim do ano 1921, o colégio começou a funcionar na mesma casa onde as irmãsmoravam, que assim servia de moradia, sala detrabalho,

(32)

de aula e de cozinha. Era uma casa muito velha e nesta casa as missionárias davam aulas a umas cinquenta meninas.

As Servas de Maria viram necessidade em fundar o Colégio onde pudessem atender mais crianças e jovens. Foi então que conseguiram uma casa de propriedade do senhor doutor João Virgulinode Alencar, Juiz de Direito da Comarca, cedida pela prefeitura. Porém, cerca de um ano depois, por conta de um desentendimento entre o Dr. Virgulino e o Bispo, não foi mais possível as Irmãs permanecerem no local.

Em 15 de junho de 1929, o colégio Santa Juliana foi inaugurado, expressamente construído pelos membros da Igreja. Tinha como finalidade formar as jovens do Acre na moral cristã e nas ciências.

No ano seguinte, o governo prometeu verbas para ajudar as Irmãs a abrirem um orfanato interno. As missionárias entusiasmadas aceitaram 30 órfãs sem assistência, porém, mais um desafio surgiu. O compromisso com o governo durou poucos anos e as Irmãs não tinham mais condições de sustentar as órfãs.

O compromisso do Governo durou poucos anos e em seguida as Irmãs não viram mais nenhuma subvenção para sustentar as órfãs. Foi neste tempo que o Sr. Mirando ofereceu um terreno às Irmãs para sustentar as órfãs que não puderam ser enviadas aos parentes. (...) (STOPPIGLIA, 1981, p. 9).

As Servas de Maria, juntamente com as meninas órfãs, saiam de madrugada, caminhavam quilômetros dentro da mata para semear arroz, milho, macaxeira no terreno doado e garantir o sustento de todas. Esta atividade extra comprometia o tempo destinado à educação e à pastoral, bem como, a saúde das missionárias o que veio desagradar a Madre Elisa.

Após a morte de Madre Elisa, as Irmãs foram retiradas de Sena Madureira o que levou ao fechamento do colégio e a entrega das meninas órfãs aos parentes.

Em 27 de outubro de 1936, o colégio precisou ser fechado devido crises econômicas voltando a ser reaberto em 01 de junho de 1941, passando quase 05 anos sem a oferta dos serviços educativos. D. JulioMattioli, na qualidade de Administrador Apostólico, não mediu esforços para que a reabertura acontecesse. “Foi firmado um acordo de assistência econômica entre a Prelazia e a Congregação das Irmãs para apoiar o colégio e as Irmãs. A principal finalidade do acordo foi evitar os problemas anteriores ao fechamento”. (Martinello apud Klein, 2001, p. 97-98). Problemas estes a que D. Julio se referia seriam de ordem econômica.

(33)

Chegaram a Sena Madureira, para reabrir o colégio as Irmãs Ester Bressan e Adealáide Giardi. Após a reabertura do colégio Santa Juliana as missionárias recomeçaram com aulas de prendas para algumas meninas internas e externas.

Em 1944 o colégio Santa Juliana foi nivelado, pelo Governador do Território, aos demais estabelecimentos de ensino de Sena Madureira. Dois anos depois iniciou a Escola Normal Regional anexa ao Instituto das Servas de Maria.

Ilustração 04

Instituto Santa Juliana

(Fonte: almaacreana.blogspot.com.br). Acesso em 08/ jun/2016.

As matrículas foram aumentando e houve a necessidade de ampliar o colégio. O trabalho das Irmãs, consequentemente, aumentou também. Além das atividades escolares, elas precisavam realizar o trabalho pastoral e as atividades extraescolares para a formação integral dos alunos.

A cidade de Sena Madureira era vista como a mais urbana e moderna naquela época e o inicio das atividades educativas significava, para as meninas da região, satisfação em poder frequentar o curso normal, mesmo sendo um colégio religioso onde a disciplina era mais rigorosa. Era a oportunidade que essas meninas órfãs tinham de conquistar uma profissão.

A presença de um grande número de crianças órfãs ou abandonadas na comunidade de Sena Madureira foi decisiva para a ação das Servas de Maria. Assim

(34)

a primeira intervenção das religiosas se dirigiu ao cuidado dessas crianças, especialmente no que diz respeito à sua formação humana social.

A ação educacional das Servas, nesse momento, foi realizada através de aulas de prendas, cantos, coral, teatro infanto-juvenil. Ao determinar as crianças como o público preferencial no atendimento educacional, estas conquistaram a confiança e a aproximação dos pais, já que também frequentavam essas aulas crianças que não se encontravam em situação de abandono, e da população em geral. A “formação cultural” pretendida pelas Servas se efetivava, no plano educacional, através de aulas de prendas para as meninas, canto-coral e teatro infanto-juvenil para ambos os sexos. (www.diocesederiobranco.org.brAcesso em 07 de junho de 2016).

A atividade das irmãs era intensa. Além do ensino, do trabalho de pastoral da paróquia e as atividades extraescolares havia reuniões de pais e mestres, cursos para atualização de professores, cursos para professores das escolas rurais, conferências formativas para alunos, dentre outras atividades.

Com o passar dos anos o número de cursos e de alunos externos foi aumentando e o número de internas diminuindo. Em 1962 o então denominado Instituto Santa Juliana, apresentava um total de 300 alunos externos, compreendendo o Jardim de Infância, o Curso Primário e o Normal Regional.

Em 1962, segundo um anexo às crônicas da Comunidade de Sena, o Instituto “Santa Juliana já tinha um total de 300 alunos externos, abrangendo o Jardim de Infância, o Curso Primário e o Normal Regional. Este último formou inúmeros professores para o Curso Primário. A partir de 1970 o Curso Normal Regional passou à categoria de Ginásio com a introdução da língua inglesa...” (STOPPIGLIA, 1981, p. 9).

De 1949 até 1956, o Instituto Santa Juliana formou 62 professores rurais de nível Normal Regional.

Para ajudar as Irmãs nas despesas era cobrada dos alunos uma taxa simbólica mensal e as Servas de Maria ainda completavam com trabalhos extras para a própria subsistência. Contudo, o colégio se encontrava sempre com déficit, foi então que a Madre Provincial pensou em entregá-lo ao governo que teriam mais condições de mantê-lo, e as Irmãs continuariam dando aula e poderiam se dedicar mais a catequese.

Atendendo ao pedido do Estado, o colégio passou a funcionar nos períodos diurno e noturno. Por um lado, ficou resolvido o problema financeiro, no entanto, as Irmãs se viram sobrecarregadas de trabalho proveniente do funcionamento do

(35)

estabelecimento, iniciando às 5h30 com educação física e terminando às 22h30. Com o excesso de trabalho no colégio as missionárias não podiam se dedicar mais à atividade pastoral, o que levou, mais uma vez, a pensarem em entregar o estabelecimento à Secretaria de Educação do Estado.

O Instituto foi tombado como patrimônio histórico pela prefeitura de Sena Madureira, em 1987. Atualmente funciona como escola pública sobre a responsabilidade do governo do estado, anexa ao Instituto, ofertando o Ensino Fundamental para cerca de 750 alunos. É um dos prédios mais antigos da cidade e mantém a estrutura original do período de sua construção, porém, esta se encontra em péssimo estado e nem o Estado, nem a Igreja assumem a responsabilidade pela restauração, ficando o colégio entregue ao abandono.

Ilustrção 05

O prédio histórico da escola está abandonado há mais de três anos (Fonte: ContilNet). Acesso em 08/ago/ 2016.

No dia 07 de setembro de 2016 a escola completou 94 anos e enfrentou ameaça de fechamento de suas portas devido às más condições estruturais. Atualmente, no anexo estudam cerca de 750 alunos do ensino fundamental.

(36)

Ilustrção 06

Instituto Santa Juliana em 2009

(Fonte: senaemcena.blogspot.com) Acesso em 08/Jun/2016

3.2 – Colégio Divina Providência

Localizado no centro de Xapuri está o Colégio Divina Providência, mais uma participação da Igreja na educação na década de 20, tendo como incentivador o Padre Filipe Gallerani, desde 1921.

Ilustração 07

Padre Filipe Gallerani

(37)

A abertura do Colégio Divina Providência ocorreu com a doação, à paróquia local em 1927, de um prédio e duas Servas de Maria Reparadoras como responsáveis em abrir o colégio.

O Colégio Divina Providência passou por várias fases. De início era um colégio feminino, internato mantido por freiras, mas ao longo do tempo foi perdendo a característica do ensino religioso e se popularizando até se tornar o colégio mais freqüenta do pela população xapuriense. Em 1940 passou para os serviços públicos com o ensino formal. Em 1944, com o Brasil em guerra com a Itália, o colégio não podia ter uma diretora italiana, dessa forma, a direção foi assumida por uma mulher brasileira. Com essa nova direção, se ampliou a cooperação entre Igreja e governo territorial.

Em 1946 os Colégios Divina Providência e Santa Juliana passaram por novas adaptações e adotaram a nomenclatura de Escola Normal Regional, respectivamente. As instalações continuaram as mesmas, porém a cooperação entre o governo territorial e a Igreja foi ampliada com mais pessoas do serviço público trabalhando nos colégios. Em Xapuri havia as Irmãs, o médico da cidade, o juiz local, o promotor de justiça, o padre, o fiscal de tributos e os professores trabalhando na Nova Escola Normal. (KLEIN, 2007, p. 99).

Em 1952 foi construído um novo prédio para o Colégio, em Xapuri, com a finalidade de ser um internato para as moças, e em 1959 uma nova construção foi concluída resultando num grande colégio para a cidade.

Ilustração 08

Colégio Divina Providência em construção na década de 20 (Fonte: http://raimari9.blogspot.com.br). Acesso em 13/jun/2016.

(38)

Ilustração 09

Colégio Divina Providência em 2008

(Fonte: xapurinews.blogspot.com.br). Acesso em 13/jun/2016.

No início das atividades educativas, em meio a tantas dificuldades econômicas, assim como ocorreu no Colégio Santa Juliana, as Irmãs se mantinham dando aulas de Desenho, Pintura e Costura, Prendas e Aulas de Repetição, também chamadas Aulas de Estudo Individual. Toda a contabilidade era anotada no Caderno de despesas e ganhos das Irmãs. Além destes trabalhos, cuidavam de meninas órfãs em regime de internato e davam aulas de repetição nos períodos de férias para as meninas externas.

Nas aulas de religião era ministrado o ensino do catecismo, totalmente voltado para o catolicismo combatendo o protestantismo e, principalmente a maçonaria.

A realidade vivida pelas Servas de Maria nas duas cidades, até então mencionadas, Sena Madureira e Xapuri, são semelhantes. Ambas as cidades tiveram as mesmas dificuldades com o início dos trabalhos educativos.

Em 1947 inaugurou-se o Curso Normal Regional e em 1968 teve início o Curso Normal Pedagógico, equivalente ao atual ensino médio.

Em 1968, aos 15 de abril, teve início o Curso Normal Pedagógico que foi intitulado com o nome do grande pioneiro e protetor “Padre Filipe Gallerani”. Sua sede é nas dependências do Instituto “Divina Providência” e seu decreto foi baixado aos 14 de novembro do mesmo ano. Nesta mesma data o Colégio foi reconhecido de utilidade pública.(STOPPIGLIA, 1981, p. 28).

(39)

A primeira turma do Normal Pedagógico formou-se e em seguida, solicitaram cursos de reciclagem e de atualização e aqueles que prestaram vestibular da UFAC saíram entre os primeiros classificados.

No Colégio Divina Providência as Servas de Maria também ensinavam o catecismo, preparavam as crianças para a primeira comunhão, assistiam as associações católicas e as confrarias, etc.

O encerramento do ano letivo envolvia toda a população num grande evento onde as alunas e alunos exibiam aos seus pais seus dotes artísticos, e era também, uma ocasião de informar a todos os resultados do trabalho desenvolvido no Colégio.

Segundo BOFF (1997, p.106), a experiência missionária de Xapuri reflete de certa forma, a busca da Igreja de se estabelecer no meio daquela população para resgatar o nível de vida que esta vivera em tempos favoráveis para a economia extrativa.

Além do trabalho nas salas de aula, as Servas de Maria também concentravam atividades afins ao processo educativo envolvendo toda a comunidade escolar, levando lazer, encontros e diversão a todas as famílias.

O Colégio sofreu uma crise e não tinha condições de continuar. Então a Secretaria de Educação contratou todos os professores inclusive as Irmãs que trabalhavam na educação e a direção do Colégio foi entregue a esta Secretaria.

Foi em 1968 que, por meio do Decreto n° 161, no governo de Nabor Teles da Rocha Júnior, que o colégio teve seu reconhecimento estadual e a transferência da responsabilidade da escola para o serviço público.

A população ficou insatisfeita com tal mudança, levando a congregação a se comprometer em deixar a presença de uma Irmã na Educação. Porém, o compromisso durou somente até a saída da Irmã Alfreda de Xapuri.

O Colégio Divina Providência desempenhou um importante compromisso educacional servindo de exemplo para os próximos colégios religiosos. Sempre primou pela ordem e disciplina, procurando dotar os alunos de valores morais que lhes assegurassem tornarem-se cidadãos comprometidos tanto com o crescimento pessoal quanto como respeito e anseios da coletividade. É interessante citar exemplo de alunos que receberam a educação transmitida naquele colégio e que se notabilizaram no cenário estadual e internacional, são eles: Adib Jatene, Jarbas Passarinho, Omar Sabino de Paula e Jorge Kalume.

(40)

3.3 – Colégio Instituto Imaculada Conceição

O Colégio Imaculada Conceição foi fundado pelo Padre Peregrino Carneiro de Lima, vigário da Paróquia Imaculada Conceição, no segundo Distrito de Rio Branco. Na qualidade de pastor, ele resolveu fundar um colégio para melhor atender à formação integral da infância e da juventude do Bairro Quinze. Ele mesmo assumiu a função de pedreiro e fabricante de tijolos na construção do Instituto.

Em 1954, o Pe. Peregrino, de comum acordo com a Ordem dos Servos de Maria, doou esta obra às Irmãs Servas de Maria Reparadoras, na pessoa de Madre Evangelista Somonato, naquele tempo Madre Regional das Irmãs, no Acre. Finalmente, em 15 de agosto de 1956, Pe. Peregrino teve a grande satisfação de ver em pleno funcionamento o Colégio Imaculada Conceição, seu grande sonho, sob a orientação da educadora Ir. Petronilla Trinca e outras três Irmãs: Eleonora Pagani, Anacleta dos Santos e Bertila Lopes. (PERTINEZ, p. 315).

Em 1956, com o prédio ainda em construção, as missionárias iniciavam suas atividades com aulas de prenda e assistência religiosa à pastoral paroquial. OEnsino primário com 1ª, 2ª e 3ª séries começou a funcionar em 1957, sob a direção da Irmã Josefina Furtado Cardoso.

Em 1959, o Instituto Imaculada Conceição recebe registro de Escola Particular, e as Servas de Maria além da dedicação ao ensino, colaboram com o ensinamento do catecismo, com a preparação das crianças para a primeira comunhão, etc. Percebe-se que o trabalho das missionárias apresentava uma padronização, pois, as atividades desenvolvidas nos Colégios Santa Juliana e Divina Providência são semelhantes às desempenhadas, também no Instituto Imaculada Conceição.

O Instituto Imaculada Conceição iniciou o internato, semi-internato e junto com o externato somaram-se 120 alunos matriculados no ano de 1960. No ano seguinte, foi criado o jardim de infância e o número de matrícula atingiu um total de 204 alunos. Nestas condições o prédio mostrava-se insuficiente para o número de alunos tendo que ser ampliado. Foram construídas, provisoriamente, salas em madeira para comportar todos os alunos.

Alguns alunos pagavam uma mensalidade quase simbólica e para muitos outros o ensino era gratuito. Dessa forma, o Instituto não conseguia manter-se.

(...)Na sua visita do ano 1965 assim se exprime a Madre Geral: “O Colégio é de propriedade da Congregação e vive somente com as mensalidades dos

(41)

alunos, com as quais devem pagar também as professoras, assim as receitas são insuficientes para o que é necessário e tem, por isso, necessidade de ser ajudado pela caixa regional (da Congregação), tanto para a construção como

para o sustentamento”. (STOPPIGLIA, 1981, p. 38).

No ano de 1968 foram inaugurados dois pavilhões destinados a dormitórios, foi implantado o Ginásio “Cenegista” CNEG (Campanha Nacional de Escolas Públicas) em convênio com a Secretaria de Educação e Cultura. Em 1972 foi escolhido pelo Governador do Estado do Acre como Centro de Ensino de 1º grau.

Atualmente, sob o nome de Escola Instituto Imaculada Conceição, situada à Rua 16 de Outubro nº165, Bairro Quinze, 2º Distrito de Rio Branco no Estado do Acre, ainda sob o comando das Irmãs, a escola oferece o ensino infantil, ensino fundamental e médio, representando uma importante contribuição na educação de Rio Branco.

Ilustração 10

Escola Instituto Imaculada Conceição

(Fonte: http://www.imaculadaacre.com.br/historico-do-colegio). Acesso em 08/ago/2016.

A Escola Instituto Imaculada Conceição está voltada para os princípios éticos e cristãos. Sua estrutura física é ampla e adequada às necessidades relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem, oferecendo uma formação cultural e humanística.

(42)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta pesquisa buscou mostrar a contribuição da Igreja, através do trabalho das Servas de Maria Reparadoras, para a educação no Acre nas décadas de 20 a 30. Essas irmãs repassaram conhecimentos que atravessaram gerações.

A presença da Igreja Católica ocorreu tardiamente na região dos rios Acre e Purus. A Prelazia do Acre e Purus foi criada pelo Papa Bento XV, em 1919 onde estavam localizados o município de Rio Branco, Sena Madureira, Xapuri e Boca do Acre contada, á época, com uma população de 60 mil pessoas, sem contar com as nações indígenas que lá habitavam. Por conseguinte, foi determinada aos Servos de Maria a responsabilidade de governar a nova jurisdição religiosa.

A necessidade de compreender a atuação dessas missionárias é fundamental, pois elas estão ligadas à própria fundação da Igreja Católica no Acre. Assim o trabalho está organizado em três capítulos: No primeiro, intitulado “As Servas de Maria Reparadoras e sua missão no Acre”, buscou-se reconstituir com base na literatura existente seu histórico inserido na diversidade cultural e sociopolítica do sistema de aviamento nas décadas de 1920 a 1930. No Segundo Capítulo: “A estratégia da missão educacional como possibilidade emancipadora naquele contexto”, aborda-se a formação oferecida pelas Congregações religiosas vindas da Europa para o Acre com o objetivo de contemplar a memória dos sujeitos que de alguma forma vivenciaram esse processo educativo, pensando a escola como um espaço de construção de identidade e um espaço privilegiado da memória. E no terceiro Capítulo: “Os Resultados e Significados da Missão das Servas de Maria Reparadoras junto aos fiéis”, Analisamos o empenho das irmãs missionárias em expandir em terras longínquas a evangelização e instruir um povo carente com seus trabalhos tanto educacional e social, como também pastoral.

A partir da pesquisa foi possível compreender o árduo esforço das Irmãs para ter o seu objetivo da Prelazia alcançado. Conseguiram ensinar muitas crianças, jovens e até formar professores, ao longo do tempo com sua dedicação e persistência, apesar de obstáculos como: necessidades financeiras, estruturais e pessoais numa região longínqua do seu local de origem.A ação da Igreja através do trabalho das irmãs

(43)

abrangeu assistência religiosa, social e educacional. Foram construídas escolas, hospitais, orfanatos, etc.

Para a população daquela região, o trabalho das Servas de Maria proporcionou um novo meio de vida, tanto para as crianças e jovens, como para os pais que viam nos filhos a esperança em ter um ofício melhor e, consequentemente, um futuro melhor.

Referências

Documentos relacionados

a) remessa do planejamento ao OGMO que incluirá as necessidades na proposta de pro- gramação anual dos cursos do EPM, conforme disposto no artigo 4.3 destas Normas; ou b) caso o

Os resultados revelaram que a concentração da solução, temperatura e tempo de imersão tem efeitos significativos na redução de peso, perda de água, ganho de

Trata-se de pedido de tutela de urgência incidental, de natureza cautelar, formulado pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS em face da IGREJA

With the purpose of studying the effect of the green coffee chlorogenic acids (CGA) content, if any, in the incorporation of phenolic compounds into coffee

Try Scribd FREE for 30 days to access over 125 million titles without ads or interruptions. Start

Frequência das categorias de presas nos estômagos; F%:Freqüência das categorias de presas nos estômagos em porcentagem; N: Número total de presas em cada categoria; N%: Número

Se você tem alguma dúvida sobre como Lemol funciona ou porque este medicamento foi prescrito para você, pergunte ao seu médico.. Pessoas idosas (65 anos

Se for respirado, levar a pessoa para o ar fresco. Se não respirar, dar respiração artificial. Consultar um médico. Em caso de contato com a pele.. Lavar com sabão e muita