EDWARD QUILLINAN E
PORTUGAL
Dissertação de Mestrado em Estudos Anglo-Portugueses apresentada a Fa culdade de Ciências Sociais e Huma nas da Universidade Nova de Lisboa
#%
LISBOA
A Senhora Professora Doutora Maria Leonor Machado de
Sousa,
desejaríamos
poder
expressar o mais vivoobrigado
pelas inúmeras
sugestões
,pelo
apoio indefectível
epela
totaldisponibilidade
que sempre nosdispensou.
Sentimo-nos
também
particularmente
gratos
à Dra. Sharon Ann Jaeger,
antiga
leitora doDepartamento
de Estudos Anglo-Portugueses
da Universidade Nova de Lisboa. Ao seu empenhamento e ã sua generosa
colaboração,
ficamos adever,
nomeadamente,© acesso,
através
de microfilme, ãprimeira
obrade Edward
Quillinan:
Bali Room Votaries. Trata-se de um texto de
grande
raridade quenão
foipossível
localizar sequernas bibliotecas
britânicas
onde tivemosensejo
de trabalhar.Agradecemos
também ao Dr. PereFerre
toda apesquisa
que
pronta
e entusiasticamenteempreendeu,
bem como as pre ciosasindicações
respeitantes
ã baladaportuguesa
"0Duque
de Alba".Com a sua
preparação
de doutoramento em fasefinal,
sõ a
grande
afabilidade e solicitude do Dr. PereFerre
nosDoderia, de facto,ter
encorajado
a acrescentar aos seus afazeres as
interrogações
eperplexidades próprias
de quem começa .
A Dra. Maria
João
da RochaAfonso, compete-nos
agraUma
palavra
ainda para a Sra. D. Maria de La-Salette,pela
perfeição
erapidez
com quedactilografou
um manuscritosempre
sujeito
a eventuaisalterações
equebras
de ritmo. E, se maisrazões não
houvesse,teríamos
afinal queagradecer
aos nossos Pais, lembrandoVirginia Woolf,
essa conAté
aoséculo
XIX, o conhecimento dePortugal
na Europa
é
essencialmente veiculado por relatos deviajantes
quepri
vilegiam
osaspectos
pitorescos, históricos
epolíticos.
A LITERATURA PORTUGUESA NO ESTRANGEIRO procura destacara di
vulgação
do nossopatrimónio
literário
emInglaterra,
tantoatravés
desses relatos como detraduções.
Viajante
e tradutor foi Edward Quillinan.0 HOMEM E 0 ESCRITOR estuda a sua vida e actividade
literária
emgeral.
Porsua vez,
LEMBRANÇAS
DE PORTUGAL isola aparte
da sua obra que, dealguma
maneira, incide sobre aspectos da nossa cultura.uma
VISÃO
DE ROMANCE analisa em pormenor a narrativa The Sistersof
the Douro, onde a literaturaportuguesa é
pela pri
meira vez sistematizada por um autor
britânico
e de forma umtanto
inesperada.
EM JEITO DE
CONCLUSÃO
deixa aimagem
de Quillinan como lu sófilo a quem um melhor conhecimento dopaís
permitiu
transmitir uma
visão
mais fiel,objectiva
ecompleta
da realidade eUm trabalho desta natureza
-dissertação
de Mestrado -teriaforçosamente
de reflectir, dealguma
maneira, todos osconhecimentos
adquiridos
e todas as leituras einvestigações
efectuadas durante os dois anos do Curso, que decorreu sob
o-rientação
da Prof. Doutora Maria Leonor Machado de Sousa. Tomando comoobjectivo
principal
a descoberta e o estudo
interpretativo
derelações
inter-actuantes entre dois dominios sõ
aparentemente estanques
e autónomos (os Estudos Portugueses, de um
lado,
e os EstudosIngleses,
de outro), otópi
co valorizado terã sido certamente a
análise
daimagem
de Portugal,
talqual
a formaram e difundiramposteriormente
os viajantes
e autoresingleses
que nos visitaram entre os finais doséculo XVIII e os
princípios
do século XIX. Praticamente comuma todos eles era, sem
dúvida,
o modo como essadifusão
se processara: através de relatos de
experiências
reais do autor, pron tamente convertido emnarrador,
e que, porqualquer
motivo, otivessem
impressionado (pela
surpresa,agradável
oudesagrada
vel,
pela
novidade oupelo
anacronismo, etc). Na base da selecção
dasexperiências
e afinal daprópria
necessidade de con tar, esconde-se o sentimento, talvez inconsciente, da diferensível encontrar
informações
mais neutrais,designadamente
decarácter
político,
histórico
e, embora em grau menor,também
literário.
Foi
precisamente
a existência de umavisão
predominan
temente
literária
dePortugal
em The Sistersof
the Douro quecomeçou por nos
despertar
aatenção
para esta obrapraticamen
te desconhecida einexplorada, cujo
autor, EdwardQuillinan,
sõ
delonge
emlonge
é tirado doesquecimento,
mesmo nodomí
nio em que a sua
actividade,
como procuraremosjustificar,
assume
proporções
dealguma
importância
-a
divulgação
emIngla
terra de literaturaportuguesa
-, tornando-o merecedor dejus
tos
elogios.
Um
segundo
aspecto,
igualmente
intrínseco
ã obra citada,
prende-se
com o seugénero.
Não
se trata de um relato oudiário
deviagens,
mas sim de uma narrativa inteiramente ficcional, que
integra
umcapítulo
(oquinto)
noqual
são evocados numerosos autores
portugueses,
muitos dosquais
certamente desconhecidos do
grande
público inglês,
erespectivas
obras.Por
conseguinte,
existe umaintenção
didácticasubjacente
que não deverá seresquecida
nemmenosprezada.
A medida que a nossa
pesquisa
se foialargando
e desenvolvendo,
verificámos,
comalguma
surpresa, a existência de umcorpus de textos de
origem,
género
e temáticavários,
porém
u nidospela
circunstância de todos eles se relacionarem com Portugal,
em termosgerais,
e com a nossa literatura emparticu
Para
além
do naturaldespertar
dacuriosidade,
a permanência
e a nitidez destecordão
umbilical levaram-nos a formular as
seguintes
questões:
como e porque terãsurgido
o interesse de Edward Quillinan por
Portugal
epela
culturaportu
guesa?
Qual
a suacontribuição
eimportância
noquadro
das relações
culturaisluso-britânicas?
Temos para
nós
que todo equalquer
património
assenta em sucessivasheranças.
No caso da literaturaportuguesa,
haveria
pois
que começar por procurarquais
as fontes queQuil
linan
poderia
eventualmente conhecer eutilizar,
por lhe terem
despertado
o interesse, solidificado conhecimentos ou es timulado o estudo e areflexão.
0 nossoprimeiro
passofoi,
pois,
a procura eordenação
de materiaispreferencialmente
ingleses
(mas não apenas, por razões que serãoexplicadas
maistarde) de que o
público
pudesse
ter conhecimento até1841,
anode
publicação
de TheConspirators
, obra que inclui The Sistevsof
the Douro.m
• *
Até â data atrás citada, existem
jã
alguns
estudos quepermitem
documentar o interesse e a curiosidade que as literaturas
meridionais,
designadamente
a portuguesa, suscitam porparte
doseruditos, fenómeno
para oqual
convergem dois motiintelectual durante a
segunda
metade doséculo
XVIII; por outro, e
posteriormente,
o conceito deexotismo, tão
aogosto
romântico
e fundamental para oenquadramento
dofascínio
pelos
países
do Sul daEuropa
em todas as suasmanifestações
(história,
literatura,
arte, modus vivendi . . .) e que ofenõme
no da
viagem,
demanda daexpressão
cultural e civilizacionalque recobre o desconhecido ou o diferente,
permitiu
alargar
eobjectivar
em determinadospaíses.
Um factor determinante do
gosto
pelo
exótico terã sidoa
divulgação
naEuropa
de As mil e umanoites,
traduzidas para
francês
por Antoine Galland em 1704 elogo
parainglês,
numa
versão
anónima com base nafrancesa,
com o título deAra-bian
nights
entertainment ,publicada
em 1706.Ao olhar encantado do europeu revelou-se
então
um universo de
magia
e demistério, pleno
decolorido,
sensualidadee fantasia. A moda do orientalismo,
ponto
directo desse encan tamento, manifestar-se-ia numa autêntica febre dereconstitua
ção
ousugestão
desse mundo alicianterecêm-descoberto,
vindoa marcar todas as artes.
Tendo em linha de conta estas
circunstâncias,
nãoserá
de estranhar a enorme afluência de
viajantes ingleses
a Portu 1gal
e aEspanha,
países
inicialmente excluídos da Grand Tour,na medida em que a
permanência
árabe fora nelesparticularmen
te duradoura e,
portanto,
maisvisível
eprofunda
a sua influência, designadamente
no domínio daarquitectura
civil e miliNo que diz
respeito
àliteratura,
umprimeiro
sinal deste rasgar de horizontes
ê
dadopelo aparecimento,
um pouco portoda a
parte,
de"quadros"
ou "tábuascronológicas"
quepossi^
bilitam uma
leitura,
se bem que demasiadosimplista
elinear,
do
património
literário europeu, ordenado sincrõnica e diacronicamente. Sonhava-se com a Weltliteratur
pressentida
porGoethe. . .
No
início
do século XIX, começam asurgir algumas
obrasque
pretendem
transpor
esse secoesquematismo
no sentido de um contacto mais directo, vasto eaprofundado
com asépocas,
autores e textos
literários.
Dentro desta
perspectiva,
importa
sublinhar que os estudos
pioneiros
resultam daacção
de literatos e estudiososestrangeiros;
e istoindependentemente
de se tratar de obrasde carácter
geral
ou desimples artigos
ourecensões
críticas,
quase sempre circunscritos a um
único
autor. Emqualquer
doscasos,
hã,
como seria de esperar, um peso excessivo da notíciabiográfica
e do pormenor anedótico ouincidental,
tomado como facto científico-literãrio
e que, porconseguinte,
merece ashonras de
inclusão.
Já
naAlemanha,
e ainda noséculo
XVIII,surgira
opri
meiro resumo da literatura portuguesa: a
Portugiesische
Grammatik de Junk , obra
superficial
resultante de umavisão
ll
tõria
propriamente
dita deve-se a Bouterwek ,decujo
trabalhoQuillinan
teveconhecimento,
como veremos adiante.Esta obra foi traduzida para
inglês,
tendo sidopubli-5 6
cada em 1823 . Quanto a Bouterwek, faleceu em
Gõttingen
, em
cuja
Universidade havia leccionado, no ano de 1828.Um dos mais
importantes
relatos deviagens
setecentis-7tas a
Portugal,
o doalemão
Link , inclui também umaparte
consagrada
ã nossa literatura e conheceuigualmente
tradução
in-8glesa
. Trata-se de uma obracuja
referência
nos parece essen ciai, não apenas por ser umclássico
dogénero,
frequentemen
te citadopelos posteriores viajantes,
mastambém,
como sali enta Castelo Branco Chaves,"[...]
pela objectividade
dasa-preciações,
pela
observação
tantoquanto
possível
cuidadosa,
pela
simpatia
epelo
esforço
decompreensão"
.Em
língua
alemã,
são
aindadignos
deregisto
ostraba-10 11
lhos dos irmãos
Schlegel
e de Bellermann , que entre 1818e 1825
desempenhou
asfunções
depastor
daIgreja
Evangélica
alemã
em Lisboa.Em
França,
adivulgação
da nossa literatura antes do século XIX limita-sepraticamente
ao conhecimento da vida e obraépica
de Camões. Nos finais do século XVII, Le Grand DioI 2
tionnaire
Historique
de Louis Moreri incluijá
umartigo
so bre opoeta,
tal como sucede mais tarde com o Nouveau dicticny 3
naire de
Chaufepié
. Este últimoé
relativamente extenso ene-cessidade de uma nova
tradução
inglesa
de OsLusíadas
,impli
cando assim a falta da
única
existente e que ele cita: a deSir Richard Fanshawe.
Lembraríamos ainda que
Camões
volta a ser referido no martigo
"Lisbonne" daEncyclopedie
de Diderot e D'Alembert ,a
propósito
daquestão
controversa da naturalidade dopoeta.
A sua
grandeza
universal êrealçada
pelo
autor doartigo,
quedenota,
face a CsLusíadas
, uma abertura deespírito
e uma capacidade
deapreciar
eelogiar
o poema, com tudo o que comporta de heterodoxo,
completamente
diferentes das reveladas porVoltaire.
De
facto,
entre os doisprimeiros artigos
a que aludimos, tinha sido difundida a
apreciação
algo
azeda de Voltaire 1 5sobre o nosso
épico
, naqual
esteê
duramente criticadopela
fusão
(inovadora) doideário
religioso
cristão
com amitologia
pagã.
Apesar
de ser este umargumento
repetidamente
invocadopelos puristas
em nome dapreservação
das regrasclássicas
domodelo
épico,
o factoê
queestá
hoje
generalizada
a tese queapresenta
Voltaire como um leitorapressado
esuperficial
dotexto camoniano; e nessa medida pouco
qualificado
para emitirsobre ele um
juízo
com real conhecimento de causa.Depois
de Voltaire, os testemunhos sobre a vida e obraépica
de Luís deCamões
aumentam em número e emimportância,
quer se trate de estudos
expressamente
dedicados ao tema, querde
comentários
de maior ou menor extensão inseridos em obrasperspec-16
tiva
biográfica,
destacaremos o romance de 'Orne Gautier e, no17 13
segundo,
asapreciações
de Chateaubriand e de M"-e de StaêlDiferente,
masigualmente
relevante, é
aapreciação
de Quinetexpressa num estudo centrado sobre a
evolução
histórico-lite-1 9rãria do
género
Ainda desta
época
são
dois trabalhos que procuraramtransmitir uma
panorâmica
global,
mais ou menos circunstanciada,
da nossa literatura. 0principal ê,
semdúvida,
o dosuí-20
ço Sismondi sobre as literaturas
latino-mediterrânicas
. Estee a obra de Bouterwek
foram,
durante aprimeira
metade dosé
culo XIX, as autoridades a que recorreram os estudiosos euro
peus .
A
parte
dedicada â literaturaportuguesa preenche quin
2ize
capítulos
doquarto
e último volume . Trata-se de um trabalho de
indiscutível
importância
porvários
motivos:primeiro,
pela
suaconsiderável
extensão,
dedicando exclusivamente dois 22capítulos
a OsLusíadas
;segundo, pelo
contributodado,
jun
tamente com a citada obra de Bouterwek, para a
divulgação
e2 3
projecção
da nossa literatura noestrangeiro
; terceiro,pelo
conhecimento queQuillinan
teve deambas,
como confessa no seu2 b
artigo
sobre Gil Vicente e como, de resto,sedepreende
da leitura do
Capítulo
V de The Sistersof
the Douro; equarto, pelo
conhecimento daignorância
generalizada
dos leitores franceses2 5
relativamente â literatura
portuguesa,
excepção feita a Camões .Este facto ê
igualmente válido,
no seu entender, para boa par26
te do
público português
27
Statistique
de Balbi . Como opróprio
títuloindica,
oobjec
tivo do seu autor era essencialmente o de fornecer ao
público
um
quadro
geral
da realidadeportuguesa
daaltura,
de uma maneira
tão
exactaquanto
possível.
0adjectivo
que utilizámosreveste-se, a nosso ver, de um
duplo significado:
exacta, porque
apoiada
na friaobjectividade
do dadoestatístico;
exactaainda,
porque Balbi denuncia afrequente
existência de umaní
tida má vontade nos
depoimentos
dosviajantes estrangeiros
emPortugal
.A
secção
dedicada â nossaliteratura, não
sendo obviamente a
predominante,
apresenta
ainda assim umindiscutível
interesse para o
âmbito
epropósitos
desta"Introdução".
Elaencontra-se no
segundo
volume,
abrindo com uma"Géographie
Littéraire"
naqual
alíngua
portuguesa é
definida como bonita e
polida
e o século XVI como a sua Idade de Ouro. Acrescenta-se
também
umalistagem pormenorizada
de estabelecimentosde
instrução
pública,
tanto oficiais comoparticulares.
A
"Géographie
Littéraire" segue-se umApêndice,
que,por seu turno, sofre nova subdivisão. A
primeira
tem por objectivo
documentar aevolução
dalíngua
portuguesa através
datranscrição
dealguns
textos escolhidos, desde duascantigas
primitivas
("Finearedes bos em hora" e "Tinherabos,
non tinhe rabos", da autoria deEgas
Moniz Coelho eGonçalo
Hermiguez,res
pectivamente)
.avec l'indication des personages
qui
s'y
distinguent
leplus".
Os nomes escolhidos são
apresentados
consoante asrespectivas
especialidades
eacompanhados
de umabrevíssima
notabiogrãfi.
ca.
Ao
"Coup
d'oeil" segue-se umarelação
dosprincipais
jornais
políticos
e literáriosportugueses;
uma outra, das obraspublicadas
emPortugal
entre 1800 e1820, abrangendo
o-riginais
etraduções;
e uma terceira, das obraspublicadas
pela Academia Real das
Ciências
desde a data da suafundação
até 1819.Finalmente,
reproduz-se
umartigo
do Abade Correia daSerra, no
qual
é dada umapanorâmica
geral
do estado das letras e das ciências
portuguesas
nasegunda
metade doséculo
29XVIII .
O
principal
mérito de Balbi parece-nos ser o de terreunido e
apresentado
um vastoconjunto
de elementos e informações relativos
â
nossaliteratura,
alguns
dosquais
extremamente actualizados ã data da
publicação.
Verifica-se que Balbidesaparece
porcompleto
pordetrás
dos dados quetransmite,a-titude que, se por um lado
é
garantia
deobjectividade,
por outro nos
impede
de conhecer de factoquais
as suasopiniões
epreferências
literárias. Pelo seucarácter
rigoroso,
conciso(senão
mesmo lacónico por vezes) mas simultaneamente exaustivo, o Essai
Statistique
assemelha-seaquilo
a que chamaríamoshoje
umCompanion
ou um Wzo's ;sna.espe-cialização
são,
semdúvida,
os de Ferdinand Denis, esseprolí^
fico estudioso das literaturas portuguesa,
espanhola
e brasileira. Recordemos apenas os títulos mais
significativos,
todoseles editados em Paris:
Resume
de l 'histoirelittéraire
duPcr_
tugal,suivi
duresume
de 1'histoirelittéraire
duBrasil. 1826;
3Q 3 1
Atlas de la
littérature
portugaise.
1831 ;Luiz
de Souza. 1835 ;Chroniques chevaleresques
de l'Espagne
et duPortugal,
suiviesdu Tisserand de
Ségorie,
drame duXVIIe
siècle
[de
J. Ruiz deAlarcon],
1839-1840,
2 vols.; e Camoens et sescontsmporains
,1841.
Para além destes trabalhos
publicados
individualmente,
há
que salientar que aatenção
que Denis consagrou â nossa literatura se encontra
igualmente espelhada
na suacolaboração
em obras de carácter
enciclopédico
e napublicação
deartigos
em revistasperiódicas
e de estudosbiográficos,
geralmente
a-pensos a
edições
de textosliterários
portugueses
cujo
tradu-32tor é nao raro o
próprio
Ferdinand Denis .No caso
inglês,
até ao século XIX ainvestigação
cinge--se
praticamente
ao estudo da vida e obra de Camões que Wil liam Julius Mickleapresentou
comoprefácio
ã suatradução
de OsLusíadas
, em 1776. Atéentão,
Camõesépico
fora traduzido33 sem
repercussão
por Fanshawe em 1655 e referido porHayley
e3"
Blair , para
além
do facto de ter sido eminglês,
como vimos,que Voltaire
publicou
o seu estudo sobre apoesia
épica,
onde,De
Camões lírico
tinha sido traduzido um soneto em3 5
1687 , e
Hayley, seguindo
Faria e Sousa, declarapela
prime_i
ra vez fora da
Península
que aqualidade
da obra lírica nãoé
inferior â daepooeia;
consequentemente,
publica
três
sonetos,36 um dos
quais
traduzido por elepróprio
.A
Hayley
seguir-se-ã
Thomas Russell, autor de duasim_i
37tacões
de outros tantos sonetos camonianos , um dosquais,
inspirado
em "A fermosura desta frescaserra",
foi também publicado,
juntamente
com ooriginal
português,
em The Annual38
Register
Sobre a actividade de Robert
Southey
como tradutor de 39Camões,
remetemos para o estudo de Adolfo Cabral , noqual
setranscrevem
três versões
inglesas,
até então
inéditas,
de sonetos camonianos ou como tal considerados
pela
crítica daépo
uaca . Cabral
reproduz
ainda cinco outrastraduções,
publica-** 'das
pela primeira
vez numarecensão crítica
deSouthey
a umaobra
recêm-aparecida
: os Poemsfrom
thePortuguês
e , deStrang_
<t2ford
£
geralmente
reconhecido aStrangford
ogrande
méritode,
reforçando
naprática
aopinião
anteriormente expressa porHayley,
ter aumentadosignificativamente
o número de textos lí ricos camonianos conhecidos emInglaterra.
Para além deste aspecto,
jã
de siimportante,
Strangford
faz anteceder as suasLimitar-nos--emos apenas aos sonetos
pois
parecem ter sido estas as úni cascomposições
líricas dopoeta
português
que interessaram aQuillinan.
Alguns
anos maistarde,
em1818,
surge uma obra naqual,
a par de poemas
originais, figuram algumas
traduções
de textoslíricos
camonianos. Entãoapresentada
comoanónima,
o seu autor está
hoje
claramente identificado: trata-se de umamulher,
U3 Mrs Felicia Hemans
Falaremos agora
daquele
que consideramos ser oprimei
ro
grande
camoru'i>Tainglês:
JohnAdamson,
um estudiosocuja
importância
não
serã demaisrecordar, através
daspalavras
de Carlos Estorninho:Graças
a Adamson, aInglaterra
passou adispor
de um trabalho douto e
exaustivo,
feitometodicamente,
sobre todosos aspectos
biográficos,
críticos ebibliográficos
de Camões, valorizado com a inclusão das
traduções inglesas
das Rimas até entãopublicadas,
e de valiosasinformações
so-bre os seus tradutores, comentadores e
apologistas
0 trabalho a que Estorninho se refere
é,
concretamente,as Memoirs
of
thelife
andwritings of
Luis de Camoens. Nesta obra, Adamson reúnetraduções
quer da suaprópria
autoria,queralheias
(designadamente
deHayley,
Mrs Cockle ,Southey
e FeliContudo,
importa
dizer que Adamson comete vários errosou
omissões.
£ o quesucede,
porexemplo, quando
se refere emnota de
rodapé
âtradução
de um soneto(por
Russell) , sem indicar
porém
o nome dotradutor,
ouquando
apresenta como anónima a obra de Mrs Hemans
atrás
citada.A actividade de Adamson como tradutor de
Camões é
reto46
mada com Lusitânia Illustrata , obra que inclui nove das dez
versões
jã
publicadas
nas Memoirs. Danotória
predilecção
deAdamson por esta forma
poética
são
aindaexpressão
osSonnets,
•.7que editou
separadamente
.Quase simultaneamente
(1844-45)
, nocírculo
dacolónia
inglesa
no Porto, forampublicados
seis números de umjornal
intitulado The Lusitanian
onde,
entre outros trechos camonianos, aparecem quatro sonetos. Deles voltaremos a falar a pro
pósito
da obra lusõfila deQuillinan.
Pouco
tempo
depois,
surgem mais duastraduções
por Ed-48ward
Quillinan
.Porém,
aprimeira
edição
completa
eminglês
da
lírica
camoniana sõ viria a aparecer em 1884 ,três
anospassados
sobre apublicação
dos setenta sonetos traduzidos por50 Aubertin
Este
período
deaproximadamente
cem anos,cuja
evolução
se procuroutraçar,
é marcadopela
descoberta e valorização
da lírica camoniana, o quenão
implica
obviamente um decréscimo
de interesse na obraépica.
Comprovam-no
as cinco5 152
traduções integrais
de Os Lusíadas: a deMusgrave
, Mitchell ,53 SU 5 5
56
Quillinan
, anotadapelo
infatigável
John Adamson.Outros autores portugueses tinham entretanto sido apre
sentados ao
público
inglês.
Southey,
quepoderemos
consideraro
pai
dos lusõfilosingleses,
tinha efectivamentealargado
asáreas de
pesquisa,
dispersando
contudo a sua actividade porartigos
erecensões críticas
avulsas que se acham distribuídos por diferentes
periódicos
daépoca.
Dentro do
período
em que nos temos vindo asituar, não
existe
praticamente qualquer
história (ou mesmo manual) de literatura
portuguesa
escrita por um autoringlês,
mas apenaslistagens,
mais ou menospormenorizadas,
dosprincipais
escritores
portugueses. £
o que nosoferecem,
porexemplo,
os rela57 58
tos de
Halliday
eKinsey
das suasviagens
aPortugal.
Emambos os casos,
qualquer perspectiva
evolutiva da nossa literatura cede
lugar
a umsimples
inventárioonomástico,
um pou co â maneira de Balbi.No entanto, e
jã
quefalámos
deSouthey,
citaremos59
um
artigo
seu , noqual
traça
uma brevepanorâmica
da literatura
portuguesa,
evidenciando um bom conhecimento do tema, pe se embora ocarácter
compreensivelmente
sintético daexposi
ção.
Esteartigo
foipublicado
emresposta
a umopúsculo
anõ-60
nimo e, certamente
pelo
seu interesse, mereceutradução
por-61tuguesa
Embora de natureza diferente, acrescentaremos por fim
62
o bem
organizado
catálogo
da biblioteca de John Adamson porgran-de
prestígio
e por ter sido Adamson o editor literário da tradução
incompleta
de Os Lusíadas feita por EdwardQuillinan
epublicada
jã
postumamente.
Entre
nós,
e para além doMappa
dePortuga
l deJoão
Bap-tista de Castro ,
cuja
parte
referente à literaturaportugue
sa se resume
igualmente
a umalistagem
de autoresagrupados
segundo
osgéneros
cultivados,
o único trabalhopublicado
anterior a 1841 deve-se a um homem com
profundas
afinidades cuiturais e
ideológicas
com aInglaterra.
Referimo-nos ao"Bosque
jo
de Historia de Poesia eLingua
Portuguesa"
de Almeida Garrett,
publicado
em 1826.Do
prefácio
ao"Bosquejo"
reproduzimos
oseguinte
excerto, onde Garrett se refere
às
obras citadas de Bouterwek eSismondi,
sublinhando ainda ocarácter
pioneiro
do seupróprio
trabalho,
cujos
critérios eobjectivos explicita:
Julgo
haver prestadoalgum
serviço
ã litteratura nacionalem offerecer aos estudiosos da sua
lingua
epoesia
um rápido
bosquejo
da historia de ambas. Quem sabe que tive deencetar matéria nova, que portuguez nenhum d'ella escre
veu, e os dous
estrangeiros
Bouterweckísicj
e Sismondiincorrectissimamente e de tal modo que mais confundem do
que
ajudam
a conceber eajuizar
da historia litteraria dePortugal;
avaliara decerto o grande equasi
indizivel traCom todos estes
exemplos,
pretendemos
apenas mostrarque a
atenção
queQuillinan
dispensa
ã literaturaportuguesa
não é
um caso isolado naEuropa
(nem sequer naInglaterra)
doseu
tempo.
Hã,
contudo, que reconhecer-lhe ummérito
assinalavel: o da
originalidade
com que vai transmitir aopúblico
inglês
seucontemporâneo
umavisão
panorâmica
da nossa literatuNOTAS
Conforme nos lembra
Christopher
Hibbert,
numa obra era quedã conta dos
objectivos
econdições
que rodeavam as viagens no Continente, os
países
tradicionalmente visitadoseram a
França,
aItália,
aSuíça,
aAlemanha,
aÁustria
eos
Países
Baixos (The Grand Tour.London,
Hamlyn,
1974) (1.ed. 1969).
Johann Andreas von Junk ,
Portugiesische
Grammatik. Nebsteinigen
Caehirichten von derPortugiesischen
Litteraiur,
und von
Bãchern,
die ilbsrPortugall geschrieben
sind.Frankfurt an der
Oder,
bei Cari Gottlieb Strauss, 1778."As
primeiras
notícias alemãs
acerca da culturaportugue
sa" in M. Ehrhardt et
ai,
Portugal-
Alemanha. Coimbra, Li vraria Almedina, 1980, p. 28.Friedrich
Bouterwek,
Geschichte derportugiesischen
Poésieund Beredsamkeit seit dem Ende des dreizehnten Jahrhun derts . In Geschichte der Poésie und Beredsamkeit. Gõttin
gen,
1805,
vol. IV.History
of
Spanish
andPortuguese
Literature, translatedfrom the
original
Germanby
Thomasina Ross . London,Boosey
and Sons,
1823,
2 vols. Nestaaltura,
existiajã
uma tradução
francesa, datada de1812,
mas que não inclui aparte
relativa ã nossa literatura.£
indispensável
frisar aimportância
deGõttingen
na projecção
e desenvolvimento dos estudos de literatura portu guesa. Foi nomeadamente na biblioteca da Universidade loVicen-te que, antecedidas de um estudo
biobibliogrãf
ico, reedi taram em 1834. Este trabalho suscitou aQuillinan
um longo ensaio, do
qual
voltaremos a falar.Heinrich Friedrich
Link,
Bemerkungen auf
einer Reise durch.Frankreich,
Spanien
undvorzãglich
Portugal.
Kiel,
1801--1804,
3 vols.Traveis in
Portugal
andthrough
France andSpain.
With adissertation on the Literature
of
Portugal
and theSpanish
and
Portugueze
languages
. Translated from the Germanby
John
Hinckley,
Esq.,
with notesby
the translator. London, 1801.Os livros de
viagens
emPortugal
noséculo
XVIII e a suaprojecção
europeia.
Lisboa,
Instituto de CulturaPortugue
sa, col. "BibliotecaBreve", 1977,
p. 22.August
Wilhelm vonSchlegel,
Blumens tratlsse Tialiãnischer,
Spanischer,
undPortugiesischer
Poésie.Berlin,
in derRealschulbuchandlung,
1804.Karl Wilhelm Friedrich von
Schlegel,
Geschichte der altenund neuen Litteratur.
Vorlesungen, gehalten
zu Wien imJahre 1812
[...]
. Wien, K.Schaumburg,
1815,
2 vols. Estaúltima
obra foi traduzida parafrancês
por WilliamDuckett com o título de Histoire de la
littérature
ancien,
ne et moderne. Paris, Th.
Ballimore, 1829,
2 vols.Christian Friedrich Bellermann, Die alten Liederbilcher der
Portugiesen,
oderBeitrãge
zur Geschichte derPortugiesis,
chen
Poésie,
vom dreizehnten bis zumAnfang
desscchzehn-ten Jahrhunderts . Berlin, F. Díimmler, 1840.
Le Grand Dictionnaire
Historique,
ou lemêlange
curieux de1'histoire
sacrée
etprof
anne[...].
8edition,
Amester-dam, chezGeorge
Gallet, MDCXCVIII, vol. II, p. 31 k1^
1
Jacques George de
Chaufepié,
Nouveau dictionnaire histori que pour servir desupplément
au Dictionnairehistorique
etcritique
de M. PierreBayle
[.
..]
. Amesterdam, Z.Cha-telain,
1750, vol. II, pp. 18-24.'
Encyclopedie
ou Dictionnaire Raisonné des Sciences, desArts et des
Métiers
, oar unesociété
de gens de lettres[...]
A Neufchastel,
chez Samuel Faulche &Compagnie,
Li-braires &Imprimeurs,
MDCCLXV, vol. IX, pp. 572-573.5
An
Essay
upon the Civil Warsof
France,
extractedfrom
cu riousmanuscripts
. And also upon theEpick
Poetry of
theEuropean
nationsfrom
Homer down to Milton . London,Samuel Jallasson, 1727.A
tradução
francesa, da autoria do Abade DesFontaines,só
foipublicada
em 1743 sob o título de Essai sur lapoésie
épique
.s
Mme H. Gautier, Les ame ura de Camoens et de Catherine d'Athaide . Paris,
Trouvé/Ponthieu
et Cie.,1827,
2 vols. Existe umatradução
portuguesa,
levada a cabo por MariaEmília de Macedo: Os Amores de Camões e de Catharina
d 'Athaide
[...].
Lisboa,Typ.
de L.C. daCunha,
1844, 2 vols. 7René
Auguste
Chateaubriand,
LeGénie
du Christianisme, ouBeautés
de lareligion
ohrétienne
. Paris,Migneret,
1802,
5 vols.9
A. Chardin, Histoire des
établissements
européens
aux In-desorientales,
suivie[.
..]
d'une notice sur le Camoenspar Mme de Stael. Paris, 1832. O interesse de Mme de Staêl por
Camões
terã sido certamentedespertado pela
estreitaconvivência
que manteve com D. Pedro de SousaHolstein,fu
turoDuque
dePalmela,
elepróprio
autor de umatradução
de Os
Lusíadas
para francês. 30
Jean Charles Leonard Simonde de
Sismondi,
De laLittératu
re du Midi de
l'Europe.
Paris, Treuttel et Wurtz,1813,
4vols.
A
referência
bibliográfica
datradução
inglesa
é aseguin
te: Historical Viewof
the Literatureof
the Southof
Eu rope[...]
. Translated from theoriginal,
with notes anda life of the author,
by
Thomas Roscoe. London,1823,
4vols.
1
Ibidem,
vol. IV, pp. 260-562.2
Ibidem,
caps. XXXVII-XXXVIII, pp. 322-423.3
Sismondi reconhece
expressamente
o enorme auxílio que representou
a leitura da obra de Bouterwekcuja
seriedade eprofundidade
enaltece aDropósito
(Ibidem,
vol. I, notade
rodapé
ãpagina
13).11 "The Theatre of Gil Vicente" in The
Quarterty
Review. London,
JohnMurray,
vol. LXXIX (December1846/March 1847),
1847,
pp. 168-202.5
Sismondi, op.
cit.,
vol. I, pp. 11-12.a
Ibidem,
vol. IV, pp. 424-425.Adrien
Balbi,
Essai statistique
sur le royaume de Portugal
et d'Algarve,
[.
..]
- Paris, Grey et Ravier,1822,
2vols.
9
Destacamos
aqui
estes dois autores,jã
que deles teve co nhecimento Edward Quillinan, como veremos nocapítulo
dedicado ao estudo de The Sis ters
of
The Douro. 9"Coup
d'oeil sur 1'état des sciences et des lettresparmi
lesPortugais
pendant
la secondemoitié
du siècle dernier[...]"
inBalbi,
op.cit.,
vol. II, pp. cccxxxiii-ccclviii,0
Este Atlas sobre a nossa literatura faz
parte
do Atlashis_
torique
etchronologique
deslitteratures
anoiennes et modernes,
des sciences et des arts[...]
par A.Jarry
deEsta obra
é
duplamente importante,
não
sõpela
escolha deuma personagem
histórica portuguesa
paraprotagonista
mastambém por ter
inspirado
a Garrett o seu FreiLuís
de Sousa, que ocupa um
lugar
dedestaque
noressurgimento
dacriação
dramática nacional.No
primeiro
caso queenunciámos,
a sua actividade como especialista
foidirigida
fundamentalmente para a NouvelleBiographie
Generale
, como e,aliás,
reconhecido noartigo
que nesta mesma obra lhe ê dedicado
(T.
XIII, cols . 638--641) .£
aindaatravés
dele que ficamos a conheceralguns
periódicos
nosquais
Denisparticipou,
como, porexemplo,
a Revue des DeuxMondes,
Revue deParis,
RevueEuropéenne,
L 'Artiste, Journal des
Voyages
eMagazin Pittoresque
.Quanto aos estudos de carácter
biográfico
e/ou introdutório, refira-se em
primeiro lugar aquele
que antecedea tradução
francesa de OsLusíadas
por Ortaire, Fournier eDe-saules,
publicado
em 1841. Este estudo foi editado separa damente sob o título citado de Camoens ei sesccntemporains,
que,aliás,
mantêm
natradução
do poemaépico.
Ainda sobre
Camões,
cite-se a "Vie de Camoens" in Camoens dansl ' "Almanach des
Muses",
recueil despoésies
contenues dans les "Almanachs. des Muses" sur CamoMnr, etson oeuvre
[...].
Paris, S. Pitrat,1891,
pp. 11-40.Ferdinand Denis ê também o autor de uma nota
biográfica
sobre António Diniz da Cruz e Silva que vem incluída na 2 .edição
da versão francesa de 0Hissope
, assinada por Boissonade e de um breve
juízo
crítico sobre Tomás António Gon zagapublicado
inMarília
de Diroeu.Lyras
[.
..]
. Rio deJaneiro, Livraria de B.L. Garnier, 1862 , t. I, pp. 19-21.
Porém,
é a nível da literaturadramática
que aacção
deDenis como tradutor se faz sentir de um modo
especial.
Começaremos por lembrar que é ele o
responsável
pela
selecção, tradução
eapresentação,
comprefácios
e notas,de aiguns textos
dramáticos
inseridos num volume inteiramentee-ditado era
1823,
de umacolecção
que tem portítulo
Chefs-—d'oeuvres des theatres
etrangers .
As peças traduzidas e
respectivos
autores são: "La nouvel le Inez de Castro" de JoãoBaptista
Gomes; "Laconquête
duPerou" e "Le caractere des Lusitaniens" de Manuel Caetano
Pimenta de
Aguiar;
e "La vie dugrand
Don Quichotte de la Mancha et du gros SanchoPança"
de AntónioJosé
da Silva. Este volume ê definitivamenteimportantíssimo
para a divulgação
emFrança
dealguns
dos nossosdramaturgos,
tan to mais que os textos citados sãoprecedidos
de um estudointitulado "Notice sur le
théâtre
portugais"
(pp.
3-28)
,que transcende contudo o âmbito estritamente teatral pe
las numerosas
referências
apoetas portugueses
desde osprimórdios
da nossa literatura.Na mesma linha de
acção,
acrescentem-se por último as traduções
de dois dramas de António Ferreira (Castro eCioso,
que têmrespectivamente
os títulos "Inez de Castro" e "Le Jaloux" ) ,publicadas
inThéâtre
Europeen.
Paris,
Guérinet Cie. , 1335, t. XVI.
William
Hayley,
AnEssay
onEpio
Poetry;
infive epistles
to the Rev 'd Mr.
Mason,
with notes. London, J.Dodsley,
1782.Hugh
Blair,
Lectures on Rhetoric and Belles Lettres . Dublin,
Whitestone,Colles, 1783,
3 vols.Philip Ayres, Lyric
Poems made in Imitationof
the Itali-ans.Of which,
many are translationsfrom
otherlanguages.
London, J.M. for J.
Knight
& F. Saunders,1687,
p. 67. 0soneto escolhido foi
"Verdade,
Amor,Razão, Merecimento",
cujo
título eminglês
é
"TheVanity
of Unwarrantable No-tions" .Op. cit.,
Ep.
III, v. 259-274 e nota XI ao verso 280.0 soneto traduzido por
Hayley
foi"Quando
de minhasmágoas
acomprida"
,permanecendo
anónimas astraduções
de "Almami_
37 Sonnets and Miscellaneous Poems.
Oxford,
1789.38 The Annual
Register,
or a Viewof
theHistory, Politics,
and Literature
for
the year 1783.London,
Printed for J.Dodsley, 1792,
pp. 166-167. O outrooriginal
foi"Chorai,
ninfas,
os Fadospoderosos".
39
Southey
ePortugal
- 1774-1801.Aspectos
de umabiografia
literária.
Lisboa,
Papelaria
Fernandes ,1959 .1,11 £ o caso do soneto "Eu me
parto
devós,
campos ninfas doTejo", cuja
atribuição
aCamões está
hoje completamente
posta
departe,
em favor deDiogo
Bernardes.1,1 "Poems from the
Portuguese
of Luis de Camoens" in AnnualReview,
1803,
vol. II, pp. 569-577.1,2
Poems
from
thePortuguese of
Luis de Camoens:with remarkson his
life
andwritings
. London: Printed for J.Carpen
ter, 1803.
1,3 Translaticns
from
Camoens,
and otherPoets,
withoriginal
poetry, by
the author of 'Modern Greece', and the'Resto-ration of the works of Art to
Italy'
[Felicia
DorotheaBrown,
depois
Herruins].
Oxford: Printedby
S. and J.Col-lingwood;
for J.Murray,
London; and J. Parker,Oxford,
1818.Da mesma autora
apareceria posteriormente
atradução
do episõdio
do Adamastor in Thesceptic.
A Taleof
the SecretTribunal. The
Siege
of
Valência. And other Poems .Edinburgh,
William Blackwood & Sons; London, Thomas Cadell, MDCCCXL.
1,14
"O culto de
Camões
emInglaterra"
inArquivo
deBibliogra
fia
Portuguesa
. Coimbra,Atlântida,
Ano VI, n9s.23-24,
1961, p. 156.u5 Autora
esquecida,
a quem têm sido atribuídos os poemas "Li nes addressed toLady
Byron"
e"Reply
to LordByron
'sFareLusitânia Illustrata: Notices on the
History
,Antiquities,
Literature $ c.,
of
Portugal.
Literary
Department
. Part I. Selectionof
Sonnets withbiographical
sketchesof
the au thors[...]
.Newcastle-upon-Tyne:
Printedby
T. and J. Hod gson, MDCCCXLII; Part II.Minstrelsy
[...].
Newcastle-upon-Tyne:
Printedby
M.A. Richardson, MDCCCXLVI.Sonnets, frcm the Portuauese of Luis de Camoens .
Newcas-tle, 1810.
Sonnets,
by
John Adamson.Newcastle-upon-Tyne: Imprinted
by
M.A.Richardson,
MDCCCXLV.Algumas
das versões conti das nesta última obra forampublicadas
emPortugal
como Seis Sonetos Camonianos .Reimpressão
precedida
de uma no tícia e retrato do autor. EmLisboa,
Manoel Gomes, 1886.Poems,
by
Edward Quillinan. With a memoirby
William John ston.London,
Edward Moxon,1853,
pp. 60-62.Camoens. Tne
Lyricks
(Sonnets, Canzons, Odes and Sexiines).Englished by
Sir Richard Francis Burton.London,
BernardQuaritch, 1884,
2 vols.Seventy
Sonnetsof
Camoens .Portuguese
text and transla tion withoriginal
poemsby
J.J. Aubertin.London,
C.Kegan
Paul,
1881.The
Lusiad,
anepie
põem,by
Luis de Camoens . Translatedfrom the Portuguese
by
Thomas MooreMusgrave. London,
JohnMurray,
1826.The Lusiad
of
Luis de Camoens,closely
translatedby
Lt.Col. Sir T.
Livingston
Mitchell .London,T. & W. Boone , 1854 . The Lusiadsof
Camoens. Translated intoEnglish
Verseby
J.J. Aubertin. London, C.Kegan
Paul,1878,
2 vols.The Lusiad
of
Camoens. Translated intoEnglish Spenserian
Verse
by
Robert French Duff. Lisbon, NationalPrinting
Office,
1880.The Lusiad
of
Luis de Camoens. Books I to V.Translatedby
EdwardQuillinan.
With notesby
John Adamson.London,
Edward Moxon, 1853.De Andrew
Halliday
apenas interessa asegunda
edição,
cujo
título ê:
Thepresent
stateof Portugal,
andof
thePortu_
gueseArmy.
With anepitome
of
the ancienthistory of
thatKingdom,
a sketchof
ihecampaigns
of
themarquis of
Wellington
for
i'r:e lastfour
years; and observations on themanners and eustoms
of
thePeople,
agriculture
, commerce, arts, seience and literature .Edinburgh,
G.R. Clarke,1812.A
primeira
edição
apresentava
umtítulo
diferente: Observations on the present state of the Portuauese Armu.as or
ganised
by
lieutenantgeneral
W. CarrBeresford
. London,John
Murray,
1811.De William
Morgan
Kinsey
também sõ
interessa asegunda
e-dição:
Portugal
Illustrated: in a seriesof
letters . London,
Treuttel andWílrtz,
Treuttel Jun. andRichter,
1829(1?
ed. ,1828)
.A
parte
relativa à literatura portuguesapreenche
a" SecondSupplementary
Letter". 0 títuloé:
"Brief review of the literary
history
ofPortugal",
e o texto ocupa as pp. 525-564."On
Portuguese
Literature" in TheQuarterly Review,
vol. I, n9 2, May 1809, pp. 268-292.Extractos em
Portuguez
e emInglês;
com as Palavras Portu guezaspropriamente
aooentuadas, parafacilitar
o Estudod
'aquella Lingoa.
London,Wingrave,
1808.2 "Bibliotheca
Lusitana;
or,Catalogue
of
Books andTrads,
relating
to theHistory,
Literature andPoetry of
Portugal; forming
part
of thelibrary
of John Adamson".New-castle-on-Tyne, privately
printed,
1836.3
Mappa
dePortugal antigo,
e moderno .Lisboa,
na OfficinaPatriarcal de Francisco Luis Ameno, MDCCLXIII. Ver t.ll, Parte
IV,
Cap.
II, "Dealguns
famosos Escritores Portu gueses, queflorecerão
em vários géneros deliteratura",
pp. 270-368(1?
ed., 1749)
."
"Bosquejo [...]
"Edward
Quillinan
nasceu no Porto em 12 deAgosto
de1791,
filho de um irlandês que ali se havia estabelecido e prospera
do no
comércio
de vinhos e deMary
Ryan,
igualmente
deorigem
irlandesa.
Verifica-se existir
alguma
divergência
relativamente aonome
próprio
dopai
deQuillinan.
Aindicação
de ser também íEdward encontra-se quer no
artigo
da autoria de Richard Garnett,quer ainda num outro, este
anónimo
. Por sua vez,Christopher
3
Wordsworth afirma tratar-se de John .
Em
1798,
Edward, aindacriança,
embarca com destino aInglaterra,
onde serã educado em doiscolégios
catõlicos:o deSedgley
Park, Staffordshire,
e Bornheim House,Carshalton,prõ
ximo de Londres. A sua pouca idade e o
longo
período
que passou fora do meio social e familiar onde nascera
poderiam
de a1^
gum modo ter determinado uma
ruptura
com esse meio. No entanto, o regresso parece ter
despertado
nele um certo entusiasmo,que
justificaria
a nitidez com que, anos maistarde,
evocaráas
sensações
sempre inebriantes de quem volta;The yells of the Portuguese
pilot
andsailors,the roaring
of the surge on the bar, the
dashing
of the waves on thesand, the foam and the dark rocks, the horrible
creeking
given
me the idea of a descent into Tartarus but that thescene was so
fair,
the river sogracious,
the riverbanks so rich with woods and whitebuildings,
thecity
on both sidesclimbing
up so stately[
• •■]
-Estamos em 1805. Então com catorze anos, Edward
empre-ga-se na
loja
dopai,
tarefa quenão
lhe suscitaqualquer
in teresse.Porém,
aprimeira
invasão
francesa(1807)
vaiobrigar
afamília
arefugiar-se
emInglaterra.
Em
1808,
porsugestão
paterna,
Edward alista-se como cor neteiro numregimento
de cavalaria: os 2:Dragoon
Guards(Queen'sBoys)
.Após
tercumprido
serviço
emHastings
eCanterbury
eparticipado
numaexpedição
a Walcheren (1809) , é transferidono ano
seguinte,
jã
noposto
de Tenente, para os 23Light
Dragoons,
sitos emCanterbury.
Que o exército não era de modo
algum
incompatível
como
gosto
pela
leitura, prova-o o testemunho de Johnson:By
profession
a soldier, thepassión
of his life was lite-5rature
[
. ..]
.corroborado, de resto,
pelo
próprio
Quillinan:The life suited me
extremely
well and I had plenty of time 6Data
também
destaépoca
a estreia dojovem
oficial como autor. Com
efeito,
em 1810 aparecepublicado
umpanfleto
7
satírico
era verso, Bali Room Votaries , noqual
se ridicularizam
algumas figuras
do meio social deCanterbury.
Talvezpela
sua
virulência,
estepanfleto
foi na altura intensamente procurado,
disfrutando de imediata, ainda quebreve,
fortuna edi.torial:
I had
just
veryindescreetly,
published
"The Bali RoomVotaries",
a põemby
no meansflattering
to several ofthe gentry in the
neighbourhood
. It ranthrough
two e-3ditions in a month. The first was exhausted in a week .
O único
exemplar
conhecido desta obra existe na biblioteca da Universidade de Illinois, onde foi
possível
obtê-lo emmicrofilme. Globalmente
considerado,
o seu valor é para nósbastante escasso,
pelo
carácter circunstancial epela especi
ficidade das
figuras
visadas. Uma recensãocrítica
contemporâ
nea reconhece,
porém,
aspectos
promissores
que a obraposteri_
or não confirmou inteiramente:
This põem is of so local a nature that much of its merit
must remain
unperceived
by those who are strangers toCanterbury
and itsvicinicy
.Yet there isenough
in it toprove to any person that the author is a man of no mean
strokes of
genious
arepointed,
and hislanguage
ispoetical
. He does not dealonly
in satire. Hegives
much
praise,
and it isgiven
in anellegant
manner. His versif ication issometimes, though
notfréquent
ly, faulty,
but this arisesevidently
fromcareless.
9ness .
Esta obra foi
publicada
anonimamente, por certo como me dida deprecaução
contra eventuaisrepresálias;
mas a identificação
do seu autor éhoje
umproblema ultrapassado.
No entanto, existe uma
opinião
discordante(aúnica,
ao queparece),
10dada
precisamente
numdicionário
de obrasanónimas
,o quenão
deixa de ser
irónico.
Sensivelmente desta altura data ainda a
participação
de Quillinan,juntamente
com outroscompanheiros
,naedição
de The1 1
Whim , um
periódico
doqual
saem apenas dozenúmeros,
entre 31de Dezembro de 1810 e 3 de Junho de 1811. A verdadeira identi\ dade dos seus colaboradores aparece escondida sob
pseudónimo
(Christopher
Hopeful,
DickFreak,
Sed Airbrain e JackMedley)
, decisão queperdura
atéfinal,
apesar da enorme curiosidade do1 2
público
e dasespeculações
ehipóteses
então aventadas .Impe
didos, por conseguinte, de identificar com absoluta certeza a