ARRANJOS PRODUTIVOS
LOCAIS –
APLICAÇÃO NO ESTADO DO
AMAZONAS
Nilson Pimentel* Emerson Matias**O Programa de Arranjos Locais de segmentos produtivos da economia estadual, foi idealizado pelo MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia dentro de sua política de regionalização, objetivando desenvolver estratégias e ações que possibilitassem a consolidação e o fortalecimento de cadeias produtivas nos Estados.
A metodologia aplicada para alcançar os objetivos propostos foi a de Plataformas Tecnológicas, a qual consiste em reunir atores identificados como comprometidos em certas fases, etapas ou mesmo elos da cadeia produtiva a ser trabalhada, incluindo os geradores de conhecimentos científicos e tecnológicos.
A metodologia de Plataformas Tecnológicas em Arranjos Produtivos ou Cadeias Produtivas, como forma de organizar os sistemas locais de inovação, tem se mostrado um instrumento eficaz para a definição de ações estratégicas prioritárias nas diversas regiões e em cada Estado, bem como para a construção de parcerias voltadas para o desenvolvimento econômico sustentável local. Trata-se, portanto, de uma abordagem sistêmica que une o planejamento e as ações estratégicas, sendo ao mesmo tempo um processo de mobilização, envolvimento e negociação entre todos os Projeto Gráfico da Infografia: Tiago Magno
atores participantes.
As Plataformas Tecnológicas caracterizam-se como sendo um tipo de planejamento estratégico participativo de atores governamentais, da comunidade científica, do setor privado e de comunidades da sociedade civil, para a identificação de gargalos tecnológicos, sócio-econômicos e institucionais e a formulação de projetos cooperativos para suas superações.
Essa metodologia de ação apresenta algumas vantagens, as quais na prática vêm demonstrando que o processo das Plataformas Tecnológicas proporciona mobilização de atores com rapidez, baixo custo, capacidade prospectiva e sensibilidade a novas tendências econômicas e de inovação tecnológica. Além disso o processo possibilita correções de rumo, rapidamente, e a identificação de atores responsáveis e comprometidos com a implementação, com a inovação e com o fortalecimento dos arranjos produtivos locais, através da solução dos gargalos tecnológicos existentes.
A metodologia de Plataformas Tecnológicas, e sua aplicação com certo pragmatismo e através da regionalização das ações da ciência, da tecnologia e da inovação, é um importante instrumento na redução de disparidades inter e intra-regionais e para o desenvolvimento sócio-econômico regional utilizando os conhecimentos científicos e tecnológicos locais.
No Estado do Amazonas, houve reuniões de sensibilização de atores institucionais, onde foram identificadas as principais restrições tecnológicas,
sócio-econômicas e institucionais que representassem gargalos tecnológicos para a cadeia produtiva a ser trabalhada. A partir daí, os atores construíram matrizes lógicas indicadoras de ações, estratégias e parcerias estratégicas institucionais que pudessem elaborar e implementar, em conjunto, projetos cooperativos, para captação de recursos junto aos Fundos Setoriais, Financiadora de Estudos e Projetos - Finep, Agência de Desenvolvimento da Amazônia – ADA, Banco da Amazônia S.A - Basa e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, voltados ao fomento de atividades de arranjos produtivos locais, que utilizassem inovação tecnológica, com base em conhecimentos científicos e tecnológicos, para promover a redução das desigualdades inter-regionais e a inclusão social, gerando ocupação produtiva, propiciando algum nível de renda às comunidades participantes.
Esse programa foi desenvolvido no Estado do Amazonas, em articulação com o MCT e Basa, tendo como Interlocutor Estadual, o Departamento de Ciência & Tecnologia, da ex-Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico – Sedec e tendo a Fundação, Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica - Fucapi como Instituição proponente dos projetos elaborados, além de uma Rede de Parcerias Institucionais locais, como Universidade Federal do Amazonas - Ufam, Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica - Abipti, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - Inpa, Empresa Nacional de Pesquisas Agropecuárias
Embrapa, Agência de Fomento do Estado do Amazonas - Afeam, Sebrae/AM, Instituto Nacional de Colonização e reforma Agrária – Incra, Instituto de Medicina Tropical do Amazonas - IMT, Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas - Ipaam, Instituto de Desenvolvimento Agropecuário do Amazonas Idam, Instituto de Tecnologia da Amazônia -Utam, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama, Superintendência da Zona Franca de Manaus - Suframa, Escola Agrotécnica Federal, Universidade Luterana do Brasil – Ulbra/AM, Agência Brasileira de Inteligência - Abin, diversas Cooperativas de Produção de alguns Municípios, Organização das Cooperativas do Brasil – OCB/AM, Cooperativa de Trabalho e Assistência em Engenharia, Agronomia, Veterinária e Meio Ambiente - Cooterma, Conselho de Desenvolvimento das Associações Comunitárias Rurais do Projeto de Assentamento do Tarumã Mirim – CDACRPATM, Micro e Pequenos Empresários e Empreendedores e algumas Comunidades Rurais.
No Amazonas, para ações estratégicas descentralizadas e articuladas como essa, e com esforço conjunto e a postura cooperativa entre os atores envolvidos, foram indicadas ao Governo do Estado, através da Sedec, proposituras necessárias de ações estratégicas, as quais indicavam o papel fundamental da coordenação participativa e da parceria com outras Instituições, que marcasse a plena conscientização do papel estratégico que a ciência, a tecnologia e a inovação
desempenham e sua função primordial em programas, projetos e ações para o desenvolvimento regional sustentável.
Dessas proposições, repercutiram outras ações de Governo, tais como: a) Emenda na Constituição Estadual sobre a separação dos Fundos Constitucionais de Meio Ambiente e de Ciência e Tecnologia; b) Criação do Conselho Estadual de Ciência & Tecnologia; c) Criação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado Amazonas – Fapeam – Lei no. 2.743/02; d) Proposição/ Sedec para a criação da Secretaria Estadual da Ciência & Tecnologia, na estrutura orgânica do Estado; e) Criação do Comitê Consultivo Setorial de Biotecnologia; f) Inserção na Legislação dos Incentivos Fiscais do ICMS, da contribuição compulsória para a Universidade do Estado do Amazonas - UEA (criada e instalada em janeiro de 2001) por empresas industriais incentivadas pelo Governo do Estado; g) Criação da Câmara Técnica de Gestão para cada Arranjo Produtivo; h) Criação do Comitê Gestor do Estado para os Arranjos Produtivos; i) Articulação para assinatura de diversos Convênios Institucionais de Cooperação Científica & Tecnológica, com as seguintes Instituições nacionais e estrangeiras, quando a Sedec foi extinta e absorvida pela Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico – Seplan, tais como: Ministério da Ciência e Tecnologia -MCT, Instituto de Biotecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Secretaria e Estado da Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, Fundação de Ciência
e Tecnologia do Rio Grande Sul – Cintec, Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada – Ceitec/RS, Ufam, Inpa, Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS/RS, Instituto de Tecnologia da PUC/RS, Instituto Nacional de Biotecnologia da Costa Rica – InBio/CR e Laboratórios Biológicos Farmacêuticos de Havana – LaBiofam/Cuba.
ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS: CRITÉRIOS DE SELEÇÃO.
O Estado do Amazonas sempre foi identificado pela singularidade de seus ecossistemas (fauna e flora) e dos recursos minerais e hídricos, mas com acentuadas desigualdades intra-regionais, nos aspectos econômico e sociocultural, assim como em seus processos alternativos de desenvolvimento econômico. Pode-se afirmar que a estratégia do Estado deve ser a interiorização da atividade econômica, com base nas potencialidades dos recursos naturais do Estado.
MODELO INDUSTRIAL - PIM MODELO BIO-ECONÔMICO INTERIOR
Importador de insumos e matérias-primas; Insumos e matérias-primas estão nos recursos da biodiversidade regional;
Baixa agregação de valor local Alta agregação de valor local; Alta concentração na cidade de Manaus,
agravando o desnível sócio-econômico intra-regional;
Amplas possibilidades de interiorização de produção de bens de base regional sustentável;
Indutor de fluxo migratório para a cidade de Manaus;
Possibilidades de reversão do fluxo migratório com a fixação do homem no local de origem;
Enclave industrial em região de baixo desenvolvimento, colocando-o em posição de fragilidade política, institucional e jurídica, perante o sudeste e sul do Brasil;
Comando total de gestão e solidez política e jurídica com base de produção sustentável com os recursos da biodiversidade;
Baixa aderência às potencialidades de recursos da biodiversidade e às tradições econômicas, sócio-culturais do Amazonas;
Projetos estratégicos alternativos de desenvolvimento econômico regional, com base nos recursos naturais, inclusive minerais e turismo;
Principais fatores de viabilização econômica competitiva, está calcada nas Políticas de Incentivos Fiscais dos Governos Federal e Estadual;
A viabilidade de projetos nesse modelo têm base competitiva nos investimentos infra-estruturais e nas parcerias estratégicas institucionais, empresariais, governamentais e sociedade civil;
Criação de postos de trabalho que requisitam mão-de-obra semiqualificada e qualificação com alta especialização.
Requisita mão-de-obra qualificada, mas absorve em toda cadeia produtiva elevado contingente de mão-de-obra em processo de exclusão social.
Hoje, nos parece claro que a competitividade não decorre exclusivamente de decisões sobre fatores microeconômicos. A gestão estratégica do desenvolvimento econômico tem que abranger os fatores sistêmicos, de ordens institucionais, macroeconômicas, sócio-culturais, saúde pública, de meio ambiente, que acabam, de uma forma ou de outra, afetando a competitividade de projetos, de empresas, de estados e de países.
Nesse contexto e no sistema dos Arranjos Produtivos, muitos projetos alternativos de desenvolvimento regional terão que refletir macro preocupações sobre aqueles fatores sistêmicos, principalmente aqueles que utilizam os recursos da biodiversidade, as técnicas da biotecnologia e que objetivem a melhoria de vida de populações marginais.
Impõem-se ao Estado do Amazonas, nesse início de século, em que a leitura do conhecimento é primordial, como estratégia,o diagnóstico do novo paradigma a ser trilhado para alavancar projetos de desenvolvimento econômico regional sustentável que envolvam contingentes marginais da população, até então fora de mercados, que minimizem as desigualdades intra-regionais e que privilegiem o homem amazonense como maior beneficiário desse megabanco de recursos naturais do Estado.
Esse paradigma de desenvolvimento regional requer a utilização, em todas as fases da cadeia produtiva, dos métodos e instrumentos da ciência, da tecnologia e da inovação, de forma que o planejamento
estratégico reflita o pragmatismo de ações efetivas, ao mesmo tempo em que desempenhe um processo de negociação entre atores envolvidos, que objetivem o mesmo direcionamento nos projetos propostos.
Sem embargos de outros segmentos prioritários, foram identificados diversos produtos potenciais, de dentro de segmentos econômicos que fazem parte das Plataformas Tecnológicas do Estado do Amazonas. Vejam a seguir:
1. Plataformas Tecnológicas: a)
Recursos Florestais Madeireiros e não Madeireiros; b) Recursos Pesqueiros; c) Medicina Tropical; d) Recursos Minerais; e) Agronegócios; f) Setor Industrial (Indústria de Componentes); g) Serviços Ambientais (Ecoturismo, Seqüestro de Carbono, Pesca Esportiva); h) Qualidade e Controle Ambiental; i) Racionalização e Aproveitamento de Energia; j) Setor Naval.
2. Arranjos Produtivos Identificados e Produtos para o Mercado.
Com esse cenário, foram selecionados no Estado do Amazonas os Arranjos Produtivos Locais mais representativos, de maior impacto econômico e que fossem passíveis de elaboração de projetos cooperativos e participativos. Por outro lado, cada um dos Arranjos selecionados ficou sob a responsabilidade de um especialista, que coordenaram os trabalhos de seus arranjos, com todo apoio institucional do Interlocutor Estadual, conforme indicava a metodologia de Plataformas Tecnológicas, dessa forma:
1. Fitoterápicos e Fitocosméticos.
Especialista: Prof. Evandro Silva, MSc – Pronatus do Amazonas Ltda.
2. Fruticultura.
Especialista: Prof. Doutor José Merched Chaar, Dr. – Universidade Federal do Amazonas - Ufam.
3. Madeira.
Especialista: Engº Florestal Fernando Lufdke – Gerente Geral da Reflorestadora Holanda LTDA.
4. Piscicultura.
Especialista: Pesquisador José Nestor de Paula Lourenço, MSc – Embrapa Amazônia Ocidental.
Seguindo as etapas metodológicas, para cada Arranjo Produtivo selecionado foram realizadas reuniões de sensibilização, nas quais a mobilização e o envolvimento dos atores foram de primordial importância, para que se formatasse os grupos temáticos de ação estratégica. Isto é, o especialista responsável pelo Arranjo organizou a execução dos trabalhos, sob a divisão de grupos temáticos, onde os procedimentos foram agilizados com praticidade e tomadas decisões efetivas.
Como exemplificação dessas ações, temos o Arranjo Produtivo de Fitoterápicos e Fitocosméticos, sendo formado em 04 (quatro) grupos temáticos, com a seguinte divisão:
a) Obtenção de matéria-prima vegetal; b) Processamento da matéria-prima vegetal; c) Processamento produtivo; d) Mercado. ARRANJOS PRODUTIVOS PRINCIPAIS PRODUTOS Fitoterápicos Xaropes, cápsulas, chás, u n g ü e n t o s , p o m a d a s , e m p l a s t r o s , c r e m e s , soluções, tinturas e pós; Óleos fixos, extratos vegetais, ó l e o s e s s e n c i a i s , b a t o n s , maquiagens, desodorantes, xampus, cremes, corantes, dentifrícios, óleos, talcos, sabonetes, sais, colônias, per-fumes e loções;
Fitocosméticos
Madeireiro
Laminados, compensados, f a q u e a d o s , a g l o m e r a d o s , móveis, embalagens, casas pré-fabricadas, artesanato, pequenos objetos de madeira e biomassa;
Piscicultura
A l e v i n o s , p e i x e p a r a alimentação, óleo de peixe, f a r i n h a d e p e i x e , p e i x e s o r n a m e n t a i s , r a ç ã o p a r a peixe, couro e peles de peixe;
Floricultura
Flores ornamentais, bromélias (mudas e flores), folhagens tropicais e orquídeas (mudas e flores);
V i t a m i n a s , b e b i d a s energéticas, corantes naturais, bebidas não alcoólicas, choco-lates, bombons, concentrados, s u c o s , x a r o p e s , s o r v e t e s , extratos e geléias; Nutricêuticos/ Complementos Alimentares Fruticultura
Frutas tropicais, compotas, polpas de frutas doces, pós preparados para bebida e frutas cristalizadas;
Microbiologia Industrial
Bebidas alcoólicas, vinagre, á l c o o l c o m b u s t í v e l , a n t i b i ó t i c o s , p r o t e í n a microbiana, enzimas, produtos lácteos, demais substâncias isoladas e metabolizadas por microorganismos.
Cada grupo temático e seu coordenador, sob a supervisão do especialista, identificou os gargalos tecnológicos e não tecnológicos e as ações possíveis de execução para obter suas soluções, tudo isso colocado em matrizes lógicas de apresentação.
Após essa fase, os grupos temáticos foram integrados em um único grupo do arranjo para as discussões e decisões finais, com indicações de proposições para as soluções dos gargalos às Instituições pertinentes, parceiras ou não da Rede de Parcerias Institucionais ou outros procedimentos indicados para aquele gargalo. Esse grupo, também indicou os possíveis projetos a serem elaborados e seus respectivos responsáveis institucionais. Das análises dos gargalos tecnológicos foram derivadas as oportunidades de projetos cooperativos a serem desenvolvidos por entidades de pesquisas em conjunto com os demais atores e, principalmente, com empresas e comunidade.
Para elaboração dos projetos foi oferecido um treinamento em Elaboração, Acompanhamento e Avaliação de Projetos em Ciência e Tecnologia, realizado pela Abipti em Manaus com a parceria do MCT, Fucapi, Sedec e Basa, que teve como objetivo principal capacitar alguns dos atores de cada arranjo produtivo em projetos cooperados.
Assim, a metodologia de Plataforma Tecnológicas foi aplicada em cada Arranjo Produtivo selecionado, seus projetos elaborados, conforme treinamento realizado, e encaminhados às devidas agências
financiadoras Finep e ADA.
Da aplicação desse processo metodológico no Estado do Amazonas, resultaram, dentro de cada Arranjo Produtivo trabalhado, os seguintes projetos cooperativos:
Fitoterápicos e Fitocosméticos
1) Desenvolvimento de dois produtos fitoterápicos e um fitocosmético a partir de espécies amazônicas.
Proponente: Fucapi. Executor: Inpa. Co-executor: Ufam.
Intervenientes: Sedec e Pronatus do Amazonas Indústria e Comércio de Produtos Fármaco-Cosméticos Ltda. Valor: R$ 1.360.282,00.
Fruticultura
1) Beneficiamento de castanha do Brasil. Proponente: Fucapi. Executor: OCB/AM. Co-executor: Ufam.Intervenientes: Sedec e Cooterma. Valor: R$ 495.701,56.
2) P r o d u ç ã o d e e x t r a t o concentrado de guaraná (Paulinnia
cupana. var. sorbilis). Proponente: Fucapi. Executor: OCB/AM. Co-executor: Ufam.
Intervenientes: Sedec, Cooterma e Agrorisa Produtos Alimentícios Naturais Ltda.
3) Produção de mudas, sementes e polpa de camu-camu (Myrciária dúbia).
Proponente: Fucapi. Executor: Inpa.
Co-executor: Fink CIA Ltda - Yuricam. Intervenientes: Sedec.
Valor: R$ 1.022.405,50.
Madeira
1) Prospecção do fluxo econômico da produção madeireira no Amzonas.
Proponente: Fucapi. Executor: Ufam. Co-executor: Utam.
Intervenientes: Sedec, Ulbra/AM E Ibama/AM.
Valor: R$ 1.397.620,60.
2) Caracterização dos resíduos madeireiros e desenvolvimento de t e c n o l o g i a s p a r a s e u aproveitamento.
Proponente: Fucapi. Executor: Utam.
Co-executor: Inpa, Fucapi, Mil Madeireira Itacoatiara Ltda.
Intervenientes: Sedec. Valor: R$ 1.101.180,00.
3) Modelo de integração de produtores de madeiras do Estado do Amazonas.
Proponente: Fucapi. Executor: Utam.
Co-executor: Inpa, Embrapa Amazônia Ocidental e Asproju.
Intervenientes: Sedec, Ibama/AM, Prefeitura de Jutaí/AM, Serraria São
Pedro Ltda. e Movimento de Educação de Base de Jutaí.
Valor: R$ 1.503.120,30.
Piscicultura
1) Piscicultura familiar em pequenos viveiros de barragens.
Proponente: Fucapi. Executor: Ufam.
Co-executor: Inpa, Idam, Incra, Suframa E CDACRPATM .
Intervenientes: Sedec. Valor: R$ 1.083.339,60.
2) Tanques-rede: tecnologia para o cultivo de tambaqui (Colossoma macropomum) e matrinxã (Brycon cephalus) a nível familiar.
Proponente: Fucapi.
Executor: Embrapa Amazônia Ocidental.
Co-executor: Inpa e Ipaam. Intervenientes: Sedec. Valor: R$ 567.822,00.
3) Programa de criação intensiva de matrinxã (Brycon cephalus) em canais de igarapé de terra firme: aplicação em nível de subsistência e empresarial .
Proponente: Fucapi. Executor: Inpa.
Co-executor: Ipaam, Suframa, Incra, Ufam e Associações Comunitárias. Intervenientes: Sedec.
GLOSSÁRIO
Cadeia Produtiva – “Conjunto de
relações comerciais e financeiras, que estabelecem, entre todos os estados de transformação” (produção, industrialização e comercialização), “um fluxo de troca, situado de montante e a jusante, entre fornecedores e clientes. Conjunto de ações econômicas que presidem a valoração dos meios de produção e asseguram a articulação das operações” (Batalha, M.O. In Agropólos – uma proposta metodológica, p-64,1999).
Arranjos Produtivos Locais –
Arranjos Produtivos Locais são aglomerações territoriais de agentes econômicos, políticos e sociais – com foco em um conjunto específico de atividades econômicas – que apresentam vínculos mesmo que incipientes. Geralmente envolvem a participação e a interação de empresas – que podem ser desde produtoras de bens e serviços finais até fornecedores de insumos e equipamentos, prestadoras de consultoria e serviços, comercializadoras, clientes, entre outros – e suas variadas formas de representação e associação. Incluem também diversas outras instituições públicas e privadas voltadas para: formação e capacitação de recursos humanos, como escolas técnicas e universidades; pesquisa, desenvolvimento e engenharia; política, promoção e financiamento (Brito & Albagli, 2003).
Atores – Organizações, entidades e
empresas de qualquer natureza que possuem interesse ou participam de forma ativa do conjunto de relações que se estabelecem ao
longo da cadeia produtiva de determinado segmento econômico.
Desenvolvimento Sustentável –
“Processo de satisfazer as necessidades básicas da população humana atual sem comprometer as possibilidades de vida das futuras gerações. No âmbito econômico, as atividades produtivas devem, dentro deste conceito, se comprometer com as condições de vida das gerações futuras” (Little, P. E. In Agropólos – uma proposta metodológica, p. 97-98, 1999).
Gargalos Tecnológicos – Pontos de
estrangulamento de natureza técnica ao longo da cadeia produtiva de determinado segmento econômico, que impede o seu desenvolvimento. Das análises dos gargalos tecnológicos serão derivadas as oportunidades de projetos cooperativos a serem desenvolvidos por entidades de pesquisas.
Fundos Setoriais – Recursos
oriundos dos percentuais do faturamento de empresas privadas ou por contribuições de exploração de recursos naturais, destinados ao financiamento do esforço nacional de Pesquisa e Desenvolvimento, orientado para resultados.
Lógica Regional – Conceito utilizado
pelo Ministério da Ciência e Tecnologia para caracterizar a lógica da construção de um Plano Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico baseado na identificação prévia e socialmente compartilhada das necessidades locais (regional, estadual), possibilitando a definição de políticas com potencial de reduzir as desigualdades
regionais.
Plataforma Tecnológica – Processo
de comunicação e negociação entre todos os atores envolvidos no desenvolvimento tecnológico, objetivando identificar os problemas dos diversos setores e gerar demandas por projetos cooperativos para re-solver os problemas indicados. Assim, o processo plataforma envolve a criação de contexto sobre o setor escolhido; o conhecimento e identificação de problemas tecnológicos específicos; motivação dos atores para resolução dos problemas; geração de demanda por projetos cooperativos e negociação entre os atores para a solução dos problemas indicados. Envolve, portanto, uma abordagem sistêmica (Rocha, I. “Plataforma: conceito e operação” in Ementa para Apresentação do Processo de Plataforma MCT/2001, p. 3-4, 2000).
Projetos Cooperativos – “Um
conjunto de projetos que percebe o mesmo fim, identifica potencialidades de recursos e estrangulamentos da intervenção, identifica e ordena projetos, define o âmbito institucional, sinaliza os recursos a serem utilizados” (Nações Unidas, 1984 in Agropólos – uma proposta metodológica p. 247, 1999).
Sistemas Locais de Inovação –
Como sistema de inovação podemos definir a organização de instituições e processos que se comunicam, interagem e se desenvolvem para produzir inovação e promover a difusão de tecnologias; organização e dinâmica das inovações e ambientes de mercado, de infra-estrutura de C&T e da produção para gerar inovações e viabilizar a difusão de tecnologias
(Rocha, I. “Ciência, Tecnologia e
Inovação: Conceitos Básicos – Curso de Especialização em Agente de Inovação Tecnológica - Abipti-Sebrae-CNPq, p. 131, 1996”).
Quando se aplica o “local” ao conceito indica que o sistema de inovação ocorre ao redor de estruturas específicas, regionais ou locais, com características históricas e culturais próprias, gerando capacidade de aprendizagem e adaptação as mudanças do ambiente em questão. Assim, oferece melhor oportunidade de compreensão do processo de inovação na diversidade existente entre os diferentes países e regiões, tendo em vista seus processo históricos e desenhos políticos institucionais particulares (Lastres, H. M. e Cassiolato, J. E. “Globalização e Inovação Localizada – Experiências de Sistemas Locais no Mercosul”, p. 57-59, 1999).
Serviços Ambientais – Conjunto de
benefícios gerados por ecossistemas naturais ou cultivados que, freqüentemente, não tem valor de mercado. São também conhecidos como “externalidades ambientais”. Inclui Conservação de mananciais, seqüestro de carbono, conservação da biodiversidade, etc.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. BATALHA, M.O. In Agropólos – uma proposta metodológica, p-64,1999.
2. BRITO, J. & ALBAGLI, S. Glossário de arranjos e sistemas produtivos e inovativos locais. Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais (REDESIST), Rio de Janeiro, 2003.
3. CASSIOLATO, J. E. A Relação Universidade e Instituições de Pesquisa com o Setor Industrial: Uma Abordagem a partir do Processo Inovativo e Lições da Experiência Internacional. Curso de Especialização em Agente de Inovação Tecnológica - ABIPTI-SEBRAE-CNPq. 1996.
4. CASTRO, A.M.G.; LIMA, S.M.V. & HOEFLICH, V. Cadeias Produtivas. UFSC/ EMBRAPA/SENAR. Florianópolis, 1999.
5. DE SOUZA PAULA, M. C. e SAENZ, Sanches. Elaboração, Acompanhamento e Avaliação de Projetos: Conceitos e Instrumentos Básicos. Curso Sobre Elaboração, Acompanhamento e Avaliação de Projetos. ABIPTI. 2001.
6. DE SOUZA PAULA, M. C. Notas para Matriz Lógica. Curso Sobre Princípios básicos de Gestão Estratégica de Projetos Científicos e Tecnológicos: Elaboração, Acompanhamento e Avaliação. 2000.
7. IIDA, Itiro. Planejamento Estratégico Situacional. Curso de Especialização em Agente de Inovação e Difusão Tecnológica. ABIPTI/SEBRAE/CNPq Brasília. 1996.
8. LEITE, L.; A. de S.; PESSOA, P.F.A. de P. Estudos da Cadeia Produtiva como subsídio para a pesquisa e desenvolvimento do agronegócio. CNPAT/EMBRAPA. Fortaleza, 1996.
9. LITTLE, P. E. In Agropólos – uma proposta metodológica, p-97-98, 1999.
10. MAINON, D. 1996. Passaporte Verde: Gestão Ambiental e Competitividade. Rio de Janeiro. Ed. Qualitymark,1996.
11. MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA. Ação Regional do MCT / CNPq
/ FINEp: Diretrizes para 2001/2002. Brasília. 2001.
12. ROCHA, I. “Ciência, Tecnologia e Inovação: Conceitos Básicos – Curso de Especialização em Agente de Inovação Tecnológica - ABIPTI-SEBRAE-CNPq, p. 131, 1996”
13. ROCHA, I. “Plataforma: conceito e operação” in Ementa para Apresentação do Processo de Plataforma MCT/2001, p. 3-4, 2000.
* Nilson Pimentel – Eng. Mecânico (UTAM), Administrador de Empresas e Economista (UFAM); Pós-graduado em Planejamento Estratégico e MBA in Management (FGV), em Engenharia Econômica (COPPE/UFRJ) e em Consultoria Industrial (UNICAMP); Mestre em Gestão Empresarial e Pública (FGV). Ex-Diretor do DC&T/SEDEC. Consultor Industrial desde 1982. [email protected].
** Emerson Matias – Eng. Florestal (Utam). Ex-técnico do DC&T/Sedec. Possui cursos em Planejamento, Elaboração, Acompanhamento e Avaliação de Projetos, e Inovação e Difusão Tecnológica. Consultor em Manejo Florestal. Diretor de Desenvolvimento Institucional e Gestão da Qualidade da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - SDS do Estado do Amazonas. [email protected].