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Braz. j. . vol.79 número1

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Academic year: 2018

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Brazilian Journalof otorhinolaryngology 79 (1) Janeiro/fevereiro 2013 http://www.bjorl.org.br / e-mail: [email protected]

Como todos sabem, a CAPES rege a pós-gradu-ação no Brasil. Ela credencia e avalia os programas, classificando-os com relação a sua excelência em nível nacional e sua inserção internacional. O principal objeti-vo da pós-graduação senso estrito (mestrado acadêmico e doutorado) é a formação de pesquisadores e a geração de conhecimentos de impacto na ciência. Por isso, o prin-cipal parâmetro de avaliação, além do fluxo de titulação de alunos, é o impacto das publicações resultante das dissertações e teses do Programa.

Em um primeiro momento, esse critério gerou muito desconforto entre os orientadores e alunos, além de muitos questionamentos: seria mais importante gerar uma publica-ção em revista de circulapublica-ção nacional, em português, que atingisse a maioria dos otorrinolaringologistas do Brasil ou publicar em periódicos de circulação internacional, em inglês, e que poucos brasileiros os leriam? Acreditamos que ambas as publicações são importantes, contemplando o otorrinolaringologista que atua na sua profissão e o que atua também em pesquisa. Para representar essa segunda vertente, duas de nossas principais publicações se estru-turaram e hoje a Brazilian Journal of Otorhinolaryngology está indexada no Medline e JCR (aguardando o índice do fator de impacto) e a International Archives of Otorhino-laryngology está indexada na Scielo.

Não existe dúvida de que essa pressão da CAPES gerou resultados e merece elogios. O Brasil melhorou substancialmente a quantidade e a qualidade de suas publicações, ocupando hoje a 13º colocação em publi-cações no mundo, com uma curva de crescimento muito superior a dos demais países. Os responsáveis por esse salto são os programas de pós-graduação, regidos e fo-mentados pela CAPES. A Otorrinolaringologia também aumentou, em muito, a quantidade e a qualidade de suas publicações, haja vista o número elevado e crescente de trabalhos apresentados em congressos e publicados em periódicos, muitos deles produto de dissertações e teses, ganhando merecido respeito e reconhecimento da Otor-rinolaringologia mundial.

Por outro lado, a Otorrinolaringologia tem sido muito prejudicada pelo sistema utilizado para classificar as publicações. A CAPES adotou o chamado sistema Qualis, que as classifica de acordo com seu índice de impacto

(número de citações do periódico) dentro das várias áre-as do conhecimento. A Otorrinolaringologia pertence à Medicina III - área cirúrgica, na qual o Qualis atualmente está estratificado em: A1: impacto > 3,30, A2 > 2,63, B1 > 1,51, B2 > 0,90, B3 > 0,01, B4: indexados no MedLine, Scielo, LILACS, B5 e C. Embora seja um sistema muito transparente e honesto, não contempla as particularidades da área cirúrgica, que é muito heterogênea. Os periódicos da Otorrinolaringologia têm impacto médio de 1,20, sendo o menor da Medicina III (Oftalmologia 2,73, Anestesiologia 2,61, Gastrocirurgia 2,24, Cirurgia 2,18, Urologia 2,14, Ci-rurgia cardiotorácica 2,06, Ortopedia 1,94, Tocoginecologia 1,76 e Cirurgia plástica 1,42).

Somente um periódico da ORL é Qualis A2 (12 são B1, 14 B2 e 13 B3). Nossas melhores e mais reconheci-das revistas, nas quais os mais renomados pesquisadores da ORL internacional publicam, são B1 e B2. Como são considerados de segunda linha pela CAPES, prejudica o conceito dos nossos programas de pós-graduação. Porém, não deveríamos ser comparados com os pesquisadores da oftalmo ou urologia, mas sim com nossos pares otor-rinolaringologistas. Não temos dúvida que publicamos nos principais periódicos da especialidade, mas um único Qualis para toda Medicina III não é sensível a esse fato. É um método que não cumpre seu objetivo. Compara o pesquisador da Otorrinolaringologia com todos da área cirúrgica e não com seus pares. A amostra é heterogênea e as conclusões equivocadas.

A persistência e o idealismo nos impulsionam para continuarmos publicando e crescendo na nossa especiali-dade, mas é importante que registremos as limitações dos coordenadores dos programas de pós-graduação, frente ao critério adotado pela CAPES.

Regina Martins, Professora Livre Docente da Disciplina de Otorrinolaringologia da

Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) e Coordenadora do curso de Pós-Graduação em Cirurgia.

Ubirajara Sennes, Professor Associado da Faculdade de Medicina da USP e Coordenador

do Programa de Pós-Graduação em Otorrinolaringologia da USP.

The bottleneck in ENT graduate programs in Brazil

O gargalo da pós-graduação em Otorrinolaringologia no Brasil EDITORIAL

Braz J Otorhinolaryngol. 2013;79(1):4.

BJORL

.org

Para citar este artigo, use o título em inglês

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